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“Oscar (Niemeyer) fazia os croquis; eu transformava em projeto”

Edison Veiga

21 agosto 2014 | 09:46

Carlos Lemos, o último remanescente dos arquitetos que trabalharam na construção do Ibirapuera, relembra um pouco da história

Foto: Eliaria Andrade/ Estadão

Em dezembro de 1952, quando não tinha completado nem dois anos de formado, o jovem arquiteto Carlos Lemos, então com 27 anos, foi chamado para conversar com Oscar Niemeyer. “Nós nos encontramos no Hotel Excelsior e ele me contratou para representá-lo em São Paulo”, recorda- se. A partir daí, Lemos participaria de obras como o Edifício Copan e o Parque do Ibirapuera, que hoje completa 60 anos de inauguração.

(O arquiteto Oscar Niemeyer só foi escolhido para fazer o projeto do parque porque houve um desentendimento entre a primeira equipe, formada por sete arquitetos, entre eles Rino Levi e Oswaldo Bratke. Em 1951, eles chegaram a fazer estudos e a apresentar um anteprojeto. Mas não houve acordo quanto ao pagamento dos honorários. Foi quando o industrial Ciccillo Matarazzo, presidente da Comissão do IV Centenário, convidou Niemeyer, que acabou montando uma nova equipe – com os arquitetos Zenon Lotufo, Hélio Cavalcanti, Gauss Estelita, Eduardo Kneese de Mello e Carlos Lemos.)

Como foi ter participado da construção do Ibirapuera?

Foi acidente eu ter feito parte do grupo. Era empregado do escritório do Oscar (Niemeyer) e fui levado junto. Tive muito prazer em ter feito isso, porque no projeto conheci muitas pessoas e aprendi muito. Do grupo de seis arquitetos, sou o único que sobrou. Estou com 89 anos.

Sua relação com Niemeyer continuou após esse período em que trabalharam juntos?

Nunca mais projetamos nada juntos, mas a amizade continuou. Não era uma relação patrão e empregado. Ficamos amigos. De modo que toda vez que eu ia para o Rio, almoçava e jantava na casa do Oscar.

Qual era a sua função no escritório dele em São Paulo?

Ele fazia os croquis, que eu transformava em projeto executivo. Fazia as plantas de execução, com base nos cálculos de concreto.

Há algo do projeto de Niemeyer que não foi executado no Ibirapuera?

Não foi feita uma plataforma monumental, de mais de 2 metros de altura, que ficaria na entrada principal do parque. Seria acessível por uma escadaria e, lá em cima, haveria um monumento comemorativo imaginado por Oscar. Era uma hélice inexequível (risos), não dava para fazer. E a Oca seria acessível não por baixo, mas por uma espécie de anel, que nem o de Saturno, que sairia dela e chegaria até essa plataforma da entrada do parque.