1. Usuário
Assine o Estadão
assine

O moderno Pasteur na casa centenária

Edison Veiga

sexta-feira 04/07/14

Instituto passa por reforma de R$ 927 mil

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Ouça coluna veiculada hoje pela rádio Estadão sobre o tema:
Paulistices na Rádio Estadão

Depois de dois anos de obras e investimentos de R$ 927,8 mil, o centenário prédio-sede do Instituto Pasteur, na Avenida Paulista, está pronto. “É uma história que não vai ter fim”, comenta o secretário de Estado da Saúde, o médico infectologista David Uip. “Este casarão tem inestimável valor para a história da saúde pública paulista.”

Referência nacional em controle da raiva animal e humana, o Pasteur teve restauradas a fachada e os muros do prédio, com a recuperação e pintura da estrutura centenária, instalação de um sistema de drenagem de águas pluviais, e revestimento em mármore da escada de acesso da entrada principal, que foi totalmente refeita. Além disso, também foi reformado o piso e substituídas as instalações elétricas e hidráulicas. O prédio recebeu nova estrutura para elevadores. “Todos os problemas do prédio foram resolvidos”, comemora o secretário. O instituto adquiriu ainda novos equipamentos, como incubadoras, microscópios e freezers.

Durante as obras, o Pasteur não interrompeu as atividades. O atendimento ao público foi transferido para o Hospital Emílio Ribas. As atividades de pesquisa continuaram sendo feitas no prédio-sede. “E a novidade é que o atendimento não voltará mais para o prédio restaurado”, diz Uip. A secretaria decidiu manter a unidade reservada para os pesquisadores e para a equipe de diagnósticos. “Entendemos que o atendimento é mais adequado no Emílio Ribas”, completa o secretário.

História. O Pasteur ocupa um dos únicos cinco casarões históricos da Paulista – aqueles erguidos na primeira fase da avenida. De acordo com o livro São Paulo: Cidade e Arquitetura – Um Guia, do arquiteto Francisco Zorzete, pertence “a um modesto conjunto arquitetônico”. “Foi uma iniciativa privada e filantrópica de Ignácio Wallace da Gama Cochrane e José Maria do Valle. O imóvel, que passou por reformas, pertencia a um grupo de médicos, mas dificuldades econômicas levaram à doação ao Governo do Estado, em 1916”, atesta o livro.

O projeto original, do arquiteto Carlos Milanese, tem influência neoclássica da Itália oitocentista. O casarão foi erguido entre 1895 e 1903. “Mas foi reformado para se adaptar ao estilo neobarroco em voga. Ao acabamento em alvenaria de tijolos foi aplicada argamassa, além de requadros como decoração da fachada”, continua Zorzete. “Sobre a entrada foi colocado um frontão. As paredes e os vãos de iluminação permanecem inalterados.”

“Repare que o edifício conta ainda com longos beirais, calhas e condutores que, como se sabe, constituem excelente proteção para sol e chuva”, comenta o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Saúde. O Instituto Pasteur nasceu em 1903, em outro endereço. É considerado o responsável pelo controle da raiva animal e humana no Estado. Todos os anos, o laboratório do Pasteur realiza 8 mil exames virológicos e 20 mil sorológicos. É reconhecido como “laboratório de referência” pelo Ministério da Saúde para caracterização antigênica e genética dos isolados de vírus da raiva do País, seja em humanos, seja em diversos animais.