
Sim, ele morreu. O que nos resta, portanto, é tentar desvendar um pouco da vida de Elvis Presley fuçando suas fotos, roupas e objetos pessoais. Essa é a ideia de The Elvis Experience, exposição que abre na quarta-feira (5/9) no Shopping Eldorado trazendo mais de 500 itens de Graceland, casa onde morou o Rei do Rock nos Estados Unidos, transformada em santuário após sua morte.
O que já conhecíamos nas telas poderá ser visto de pertinho, como o figurino branco com estampa de águia usado em ‘Aloha from Hawaii’, primeiro show transmitido por satélite, em 1973, ou o conversível vermelho do filme ‘Blue Hawaii’.
Outros veículos de Elvis menos exibidos na TV também saíram de Graceland para vir ao Brasil, como a Ferrari 308 GT4 preta e a motocicleta Harley Davidson – esta última acompanha bem a jaqueta de couro do cantor, também em exposição. Entre os retratos e peças de vestuário, se destacam medalhas, acessórios patrióticos e uma sessão dedicada à época que o Rei do Rock serviu ao exército.
Os mais fanáticos (e mais abastados) podem fazer uma visita guiada à mostra – a maior realizada fora dos Estados Unidos – e ainda conhecer Priscilla Presley, a viúva de Elvis, por R$ 1.000. Guilherme Conte e Taís Toti
Direto do quarto em que Elvis dormia em Graceland veio o famoso telefone folheado a ouro. A exposição também traz uma espécie de tataravô do celular, que ficava dentro de uma mala e era usado pela produção do cantor.
Pequenas mas muito importantes, as abotoaduras oficiais da Presidência dos Estados Unidos foram um presente do ex-presidente norte-americano Richard Nixon após uma visita feita pelo Rei à Casa Branca, em 1970.
Um dos itens mais impressionantes da exposição é o conversível vermelho da marca inglesa MG, com o qual Chad Gates, personagem de Elvis no filme ‘Blue Hawaii’, de 1961, dava suas voltas pela ilha.
Elvis ao vivo. Ou quase
Além da exposição, há também uma programação propriamente musical para celebrar a figura do cantor. O show Elvis Presley In Concert promete ser uma experiência, no mínimo, curiosa. Imagens de apresentações de Elvis ao longo da carreira são projetadas em telões, com o som de sua voz totalmente remasterizado, sem todo o áudio instrumental original. Enquanto isso, uma banda, que conta com integrantes dos antigos conjuntos que o acompanhavam, executa as canções ao vivo. O show foi parar até no Guinness Book, como a maior turnê mundial de um artista morto. O mito, porém, continua vivíssimo.
Ginásio do Ibirapuera. R. Manoel da Nóbrega, 1.361, 4003-1212. 12 anos. 2ª (8/10) e 3ª (9/10), ingressos esgotados. 4ª (10/10), 21h. R$ 100/R$ 1.200.
Tags: Eldorado, Elvis, Rei, Rei do Rock, rock, show, The Elvis Experience
PEDE BIS | Desde 2002, este é o 4º show de Roger Waters por aqui
O baixista Roger Waters anda pleno de felicidade em sua atual turnê. E sua felicidade no palco tem razão: as músicas do disco ‘The Wall’ finalmente estão sendo apresentadas ao vivo da maneira que ele imaginou em 1979. É o que os fãs irão assistir no domingo (1/4) e na terça (3/4), no Estádio do Morumbi.
O álbum é o mais ambicioso e conceitual que ele fez pelo Pink Floyd, rendendo inclusive um filme, lançado três anos depois, em 1982. E ver o espetáculo ‘The Wall’ exatamente como Waters imaginou significa ver uma produção grandiosa, até um pouco megalomaníaca, que é como, para o bem e para o mal, ele sempre desejou e sempre imaginou a própria obra – e, na época, ainda não dispunha da tecnologia necessária.
Vale lembrar que o repertório do disco foi pensado como uma obra única, de maneira quase cênica, um espetáculo na origem. Por isso, faz tanto sentido que as composições sejam mostradas em um cenário projetado por Mark Fisher (autor do palco da turnê 360º, do U2): um muro de impressionantes 137 m de largura, que é construído durante o show e empresta às faixas uma aura de serem terminadas, mesmo tanto tempo depois, no palco. Ainda que entre as músicas esteja a mais cantada pelos fãs, ‘Another Brick in the Wall’, o hit não supera em importância a obra completa.
Isso deve ser bastante simbólico para Waters. Mas pode não ser o único motivo que faz com que o baixista dê importância especial para a obra. ‘The Wall’ marca também o início de uma transformação no Pink Floyd, que acabou – anos depois, é verdade – por decretar sua saída da banda.
O disco foi o primeiro a ter as composições claramente dominadas por Waters. Observando música por música é quase possível dizer que já era um trabalho solo, embora ainda fosse feito e assinado junto com o grupo que o consagrou. E, em entrevistas que deu recentemente, fica claro que apresentar ‘The Wall’ como ele imaginou é também uma forma de reclamar a posse do disco.
ONDE: Estádio do Morumbi. Pça. Roberto Gomes Pedrosa, nº 1. QUANDO: dom. (1/4), 19h30; 3ª (3/4), 21h. QUANTO: R$ 180/R$ 900. www.t4f.com.br
Tags: Divirta-se, espetáculo, Morumbi, música, Pink Floyd, Roger Waters, show, The Wall

RENOVAR | John Zorn recria o klezmer – música tradicional judaica
O que Ornette Coleman, um dos nomes mais importantes da história do jazz, e as tradições judaicas têm em comum? Aparentemente nada. Mas como uma das especialidades de John Zorné explorar o que ninguém espera e transformar a seu modo, livremente, as duas coisas ganharam muita afinidade no projeto Masada, que ele criou em 1993 e traz pela primeira vez para São Paulo, amanhã (17), no Cine Joia.
A banda tem todas as marcas que consagraram o influente compositor e multi-instrumentista nova-iorquino: um free jazz de alma punk, que não se encerra nele mesmo e sempre busca outro ritmo pra dialogar. Pode ser rock. Pode ser o próprio punk. Pode ser uma canção francesa. Pode ser surf music. Pode ser country. Ou pode (por que não?) ser klezmer, uma música tradicional judaica, mas sem origem litúrgica.
Zorn mostra que não apenas pode, como ainda faz as canções de seu povo servirem perfeitamente para os ouvidos de todos os povos. E foi tudo bastante estudado. Por isso a palavra projeto é mais adequada até do que banda: quando Zorn, sempre com vocação para a vanguarda, idealizou o Masada, sua intenção era criar uma nova música tradicional judaica – queria, segundo ele próprio, escrever 100 músicas para a edição de um Song Book. Mas, rapidamente, o número cresceu para 200, 300, 400… Mais de 600 músicas. Nada incomum para um músico que produz insanamente – seu nome está em mais de 100 discos, entre trabalhos autorais e gravações com outros artistas.
Ao vivo, toda essa trajetória se faz presente, em apresentações que podem mudar de rumo a qualquer momento. Seu saxofone serve para confundir tanto quanto apreciar – uma referência mais do que direta ao sax de Ornette Coleman, citado logo no começo do texto. E o que parece confuso é na verdade belo. Não deixe de ir. A última chance de vê-lo no Brasil foi no extinto Free Jazz, em 1989. Vai esperar a próxima?
ONDE: Cine Joia (1.500 lug.). Pça. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231.3705. QUANDO: Sáb. (17), 22h30. QUANTO: R$ 150. Cc: todos. Cd.: todos.
Tags: free jazz, jazz, John Zorn, klezmer, música judaica, show

SET LIST | Morrissey destaca carreira solo, mas capricha no Smiths
É só conferir o que Morrissey tem tocado em suas apresentações mais recentes para ter uma certeza: não faltarão lágrimas quando o cantor subir no palco do Espaço das Américas, no domingo (11), em show com ingressos já esgotados. Portanto, você que garantiu seu lugar na apresentação, prepare-se para amparar os amigos mais emotivos – ou ser amparado pelos mais fortes.
O eterno vocalista dos Smiths, que sempre faz questão de declarar não pensar mais na antiga banda ( que o transformou em ícone da década de 80), tem sido bastante generoso com a parcela de fãs que, ao contrário dele, ainda pensa nos Smiths. Isso significa que, assim como foi no Chile e na Argentina, o set list deve ter uma parte considerável dos sucessos que imortalizaram o grupo britânico na memória afetiva de uma geração inteira.
O público, agradecido, cantará em uníssono canções para levantar isqueiros acesos (normalmente eu apostaria em celulares, mas estamos falando de nostalgia), como ‘I Know It’s Over’; para balançar a cabeça de lado com os olhos fechados, caso de ‘How Soon Is Now’ e ‘There is a Light That Never Goes Out’; e, claro, também terá o momento de cantar dançando, provavelmente ao som do clássico ‘I Want The One I Can’t Have’.
Mas, embora eu tenha passado todo esse tempo exaltando clássicos dos Smiths, ninguém precisa ir até lá por isso – merece destaque apenas pelo inusitado, já que sempre foi um hábito do cantor basear seus shows nos álbuns solo. Decisão justa, diga-se, pois não precisa viver de passado quem sempre está de bem com o presente – e também com o futuro (ele tem dois álbuns prontos, ainda sem gravadora =/). Mas, ao som de ótimas músicas só dele – como ‘Irish Blood’ e ‘First of the Gang To Die’, ambas do excelente ‘You Are The Quarry’ (2004) – não há espaço para ninguém lamentar os discos que ele ainda não lançou.
ONDE: Espaço das Américas. R. Tagipuru, 795, Barra Funda, 3864-5566. QUANDO: Dom. (11), 21h (abertura dos portões: 18h). QUANTO: R$ 200/R$ 340 (esgotado).
Tags: anos 80, balada, Espaço das Américas, indie, Morrissey, rock, show, Smiths, The SMiths
O saxofonista Thiago França lança ‘Sambanzo, Etiópia’, seu trabalho
mais autoral. No que depender dele, todo mundo vai dançar
“Me sinto leve.” Assim Thiago França define sua fase atual. E, preocupado apenas em curtir o que faz, tem feito muito. Entre o fim de 2010 e o começo de 2011, gravou sete discos: ‘Metá Metá’, com Kiko Dinucci e Juçara Marçal; ‘Nó na Orelha’, de Criolo; ‘Memórias Luso-africanas’, de Gui Amabis; ‘Um Labirinto em Cada Pé’, de Rômulo Fróes; ‘Caravana Sereia Bloom’, de Céu; no primeiro de seu trio de jazz MarginalS; e no ‘Bahia Fantástica’, de Rodrigo Campos.
Entre tantos e excelentes trabalhos, um diz mais sobre ele: ‘Sambanzo, Etiópia’, o primeiro do Sambanzo, projeto mais autoral de sua carreira. O disco mistura um pouco de tudo que o inspirou – do samba de gafieira e terreiro ao jazz, passando por sons latinos e do Caribe. Tudo sempre com uma identidade muito forte, com a cara de Thiago. Foi sobre esse trabalho, que ele lança terça (13) no projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia, que conversamos.
Etiópia’ soa um pouco diferente das outras. Por que ela dá nome ao disco?
O processo todo, como ela apareceu, foi muito emblemático sobre como é o Sambanzo. Estava com o disco pronto, com seis músicas, e a gente tinha o sábado no estúdio do Diogo Poças para gravar. E na quinta tinha um show nosso no Jazz nos Fundos. Na passagem de som, o (Marcelo) Cabral começou a tocar e chegou naquele groove. Na hora, lembrei de uma melodia que eu tinha feito uns 10 anos atrás, um funkezinho meio besta. Aí foi um lance de tocar sem falar nada. O Cabral começou, o Pimpa entrou, depois o Samba, em seguida eu, aí o Kiko… Achei legal demais e pensei na hora: essa tem que entrar. O disco estava inteiro uma porrada só. Precisava de um respiro. E tem outra. Todo mundo macumbeiro… Sete é um número bom.
O Sambanzo sempre segue esse formato nas músicas?
O começo já foi assim. O primeiro show com essa formação eu marquei em uma quinta para tocar no sábado. Não deu tempo de mandar nada, nenhuma referência. O Cabral e o Samba Sam já tocavam comigo. O Kiko e o Pimpa iam tocar pela primeira vez. Então fui pensando no que dava pra fazer. Aí falei de fazer uma base meio latina, Pará… Em outro momento, eu falava que era meio afrobeat. Todo mundo ia tocando e, quando azeitava, eu começava a tocar. E foi legal demais… Já saí de lá com outro show marcado.
Esse formato, de tocar sem falar nada, seria possível com outros músicos?
Não. Provavelmente não daria certo. Eu já tinha gravado um disco, que não saiu, com outra formação. E eu não consegui concatenar artisticamente o que eu gostaria com aquele disco, com aquela formação, aquela instrumentação, aquela sonoridade… A relação pessoal que a gente tem é imprescindível. Essa amizade. Você sabe como falar com cada um, sabe que vão te entender.
Esse é seu disco mais autoral. O que pensou para ele?
Eu sempre entendi que queria fazer as pessoas dançarem. Gosto de fazer algo com um clima bom, que a galera vá se divertir. A dança é um elemento transformador da sociedade. É muito piegas, mas é verdade.
O disco já está na internet?
Sim, mais um disco inteiro de graça na internet, a partir de sexta (9). O link é sambanzo.blogspot.com. A música é livre, pra sempre. Só peço que baixem no meu link para ter a qualidade certa e eu ter uma ideia de quantas pessoas ouvem.
ONDE: Sesc Pompeia. Choperia (800 lug.). R. Clélia, 93, 3871-7700. QUANDO: 3ª. (13), 21h. QUANTO: Grátis (retirar ingresso com uma hora de antecedência).
Tags: África, Etiópia, gafieira, Jamaica, jazz, Kiko Dinucci, marcelo cabral, Pimpa, Prata da Casa, reggae, samba, Samba Sam, Sambanzo, show, ska, Thiago França

TRIO | Plastiscines volta a São Paulo após 5 anos
Um pop com referências a grupos como Ramones, Blondie, Yeah Yeah Yeahs, Strokes. Assim é o som que as três integrantes do Plastiscines fazem e, pela segunda vez, apresentam em São Paulo – a primeira foi em 2008. A banda francesa agora é
a atração principal do Indahouse Fest, quarta (7), no Beco 203. No show, as moças mostram músicas de seus dois discos: ‘LP1’ e ‘About Love’, de 2007 e 2009, respectivamente.
O line up do festival será complementado por duas bandas novas: a paulistana FingerFingerrr, que aposta em sons pra pista; e Man Purse, projeto de Adriano Cintra, que deixou recentemente a banda que o projetou internacionalmente, a Cansei de Ser Sexy.
ONDE: Beco 203 (600 lug.). R. Augusta, 609, Consolação, 2339-0351, metrô Consolação. QUANDO: 4ª (7), 21h. QUANTO: R$ 30 (antecipado)/R$ 50 (na porta). Cc.: M e V. Cd.: todos. www.beco203.com.br
PATO PELUDINHO
O projeto Tête-à-Tête, que começou com o encontro entre Bruno Morais e a neozelandesa Flip Grater, recebe em sua segunda edição John Ulhôa, do Pato Fu, ao lado de Gruff Rhys (foto), do Super Furry Animals. O show, preparado em apenas um ensaio, terá a participação de Fernanda Takai. Studio SP (450 lug.). R. Augusta, 591, Consolação, metrô Consolação, 3129-7040. 4ª (7), 23h (abertura da casa: 21h). R$ 60 (antecipado)/R$ 80 (na porta). Cc.: M e V. Cd.: todos.
O portelense Paulinho da Viola, dono de algumas dezenas de belas composições, apresenta canções como ‘Foi um rio que passou na minha vida’, ‘Peregrino’, ‘Quando Bate uma Saudade’ e ‘Chega da Padecer’…
São canções infinitas, daquelas que nunca acabarão ou serão datadas, que vão do samba de quadra, de quem passa tardes e tardes até hoje na Portela, ao sambas-canção, de quem cresceu ao lado de gênios como Cartola, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Jacob do Bandolim.
ONDE: Sesc Pinheiros. Teatro (1.010 lug). R. Paes Leme, 195, 3095-9400. QUANDO: Hoje (17) e sáb. (18), 21h; dom. (19), 17h. QUANTO: R$ 32. Cc.: D, M e V. Cd.: todos.
Tags: carnaval, Paulinha da Viola, Portela, samba, show
A apresentação da Sun Ra Arkestra, como esperado, foi bastante procurada e, se você não garantiu entrada para a apresentação de amanhã, pode se programar para o domingo. ganhou mais uma apresentação.
Jazz de vanguarda, coisa de maluco, de outro mundo, do espaço, talvez. O grupo surgiu no fim dos anos 50 nos Estados Unidos e fez história liderado por Herman Poole Blount – que trocou legalmente seu nome para Sun Ra (assumindo também outra personalidade).
De criatividade incontestável, o maestro criou um free jazz de swing muito próprio aliado à filosofia cósmica – teoria complexa criada por ele próprio, que se autoproclamava um “anjo da raça” nascido em Saturno. Divertida, é claro, e séria, ao pregar a paz.
Um malucão desses não morreria em 93 sem deixar discípulos. A missão de liderar ficou para dois saxofonistas: John Gilmore, morto em 95, seguido por Marshall Allen, no comando até hoje, aos 87 anos.
Não deixe de aproveitar a melhor forma de entender tudo isso: ouvindo e se divertindo.
ONDE: Sesc Pompeia. Choperia (800 lug.). R. Clélia, 93, 3871-7700. QUANDO: Sáb (11), 21h30, e dom. (12), 17h. QUANTO: R$ 16/R$ 32. Cc.: D, M e V.?
Tags: cósmico, espaço, filosofia, free jazz, jazz, música, show, Sun Ra, vanguarda

NOVAS | Mayer promete mostrar músicas inéditas no show
Um ano após se apresentar no festival Summer Soul, quando foi ofuscado pela apagada apresentação de Amy Winehouse, Mayer Hawthorne ganha uma apresentação própria, quinta-feira (2), no Cine Joia – para mostrar que o soul está mais vivo do que nunca em Detroit, berço da gravadora ícone do estilo, a Motown, e dele próprio. E o empolgado músico quer fazer do retorno uma celebração. “É para ser parecido com uma festa. E, sendo apenas para meus fãs, a festa será ainda melhor”, diz animado.
Mas não é só o show que deixa o americano feliz. É provável que passeando por sebos essa semana você encontre um gringo sorridente. No ano passado, Mayer levou mais de 100 discos daqui. “O último que comprei foi um do Orlandivo”, conta, enquanto explica que sempre aproveita as viagens que faz pelo mundo para aumentar sua coleção.
ONDE: Cine Joia (1.500 lug.). Pça. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231-3705. QUANDO: 5ª. (2), 23h (abertura da casa: 21h). QUANTO: R$ 120. Cc.: todos. Cd.: todos.
Você já trabalhava em estúdio antes de se lançar como artista. Quando decidiu mudar?
Eu era um DJ e produtor de hip hop e, depois de ser muito processado por causa dos samples que eu usava nas faixas, decidi fazer meus próprios samples. Foi quando um cara chamado Peanut Butter Wolf, que tem um selo em Los Angeles, quis lançar um álbum de soul com o que eu estava fazendo apenas para meu uso. Era só um projeto e eu voltaria para o meu trabalho. Mas tomou conta.
Mas você continua ligado ao hip hop.
Sempre estarei. Escuto o tempo inteiro e agora tenho a chance de trabalhar com artistas incríveis, como Snoop Dogg, Gaslamp Killer, Cool Kids. Apenas farei de uma maneira diferente.
O soul recuperou recentemente uma força que há tempos não tinha. Teve algo determinante para isso?
Eu penso que a geração atual, a minha geração também, aprecia muito as boas músicas, independente do que elas “sejam”. É tudo cíclico na música e a internet também foi muito importante. Eu não poderia fazer o que estou fazendo sem ela. Era o único caminho possível para a minha música chegar ao Brasil, por exemplo.
Já que falou do Brasil, o que você espera do show no Cine Joia. Será bem diferente do primeiro, quando tocou em um festival?
Definitivamente não. Será como sempre é. Uma festa. Toda vez que eu toco eu quero que seja como uma festa. A primeira vez foi incrível. Todo mundo canta junto. E dança muito também. A diferença de tocar para um público formado apenas por fãs da minha música é que a festa será ainda melhor. Estou realmente animado em voltar ao Brasil. E também estou muito animado com a possibilidade de mostrar músicas novas para as pessoas. Será uma grande festa.
O que você conhece de de música brasileira?
Amo música brasileira e tenho muitos discos em minha coleção. Tenho quase tudo de Quarteto em Cy e Os Cariocas… Eu amo bossa nova. Eu compro muitos discos em todo lugar que eu vou. Eu comprei mais de 100 discos da última vez que estive no Brasil.
Qual foi o primeiro disco que você comprou?
O primeiro disco que eu lembro de ter comprado com o meu próprio dinheiro foi um do The Police, ‘Synchronicity’. Eu comprei porque ouvi tanto o disco do meu pai que ele me fez comprar uma cópia nova para ele.
E qual foi o último?
O último disco de música brasileira que eu comprei foi Orlandivo. Jorge Ben é ótimo, fantástico. Quando eu estive no Rio eu o conheci pessoalmente e até falei que era fã de sua música. E, de música americana, o último álbum que eu comprei foi da banda Unknown Mortal Orchestra.
Como você se definiria?
Cara, isso é bem difícil. A resposta muda todo dia. Sou um cara que tenta fazer uma música divertida e atemporal. Espero que estejam ouvindo meus discos daqui 30 anos, como hoje eu escuto discos gravados há trinta anos. Música, para mim, é tentar andar para frente, nunca para trás. Eu sempre estou tentando fazer alguma coisa diferente e excitante.
E como começou seu envolvimento com a música?
A primeira vez que toquei em um baixo eu tinha seis anos. Era do meu pai, que ainda toca em uma banda de Michigan. Eu costumava ir aos ensaios quando era pequeno. Ele é minha maior influência. Fala muito sobre música comigo e me apresentou álbuns maravilhosos. Meus pais sempre me compraram muitos discos, em vez de playcards e GI Joes. E era o que eu queria.
E, além do seu pai, que outras influências você tem?
A principal influência das minhas músicas são as mulheres bonitas.
E depois de ficar famoso você tem conquistado mais influências?
Tem sido uma experiência bem interessante. Não quero que fique mais importante do que a minha música, mas é bom ter mulheres bonitas por perto.
Tags: Cine Joia, Detroit, Mayer Hawthorne, show, soul
Divulgação

A BOA | A apresentação de Florence and the Machine promete
Em festivais, nem sempre a atração principal é a mais interessante da noite. E a segunda edição do festival Summer Soul, dia 24, no Anhembi, tem tudo para ser assim. Nada contra Bruno Mars, convidado para fechar o evento (e responsável também por boa parte do público, é justo dizer). Ele é um compositor competente, com boas músicas – gravadas inclusive em parcerias com gente muito boa, como o Cee-Lo, que tem a excelente ‘F**k You’ entre os destaques de sua carreira solo.
Porém também é justo dizer que Florence and the Machine, menos badalada na divulgação do festival, merece bastante atenção e respeito. De primeira, pode parecer que Mars, emulando bastante a forma de cantar de Michael Jackson, tenha mais proximidade com o soul lembrado no nome do evento. Mas a cantora inglesa usa tão bem o estilo que vira próprio dela, e não uma referência óbvia. Talvez porque, na música e na forma de cantar de Florence, o soul seja usado em seu sentido literal (alma, em português), e não apenas como um gênero musical. É assim, e com uma voz muito bonita, que ela tem conquistado reconhecimento de público e crítica. Muita gente também deve passar pelo Anhembi para vê-la.
Além de Florence, o Summer Soul terá apresentações de mais duas cantoras britânicas: Dionne Bromfield, outra promessa de um bom show, com um estilo mais próximo de referências dos anos 60, como fazia Amy Winehouse, sua amiga e também madrinha musical; e Rox, dona de uma voz com grande apelo pop. O Brasil terá apenas um representante no lineup do festival, o cantor Seu Jorge. Douglas Vieira
Tags: anhembi, apresentação, festival, indie, música, pop, show, soul, Summer Soul
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