João Caldas/Div.

EU/ELES| a Cia. Elevador leva a noção de grupo à máxima potência
Seria possível dizer que Ifigênia, de Eurípedes, que estreia 3ª (27) no Sesc Belenzinho, é um ‘monumento’ – se não fosse um contrassenso usar um adjetivo tão rígido para um espetáculo que se reinventa todas as noites e nunca, jamais será igual ao que já foi.
A tragédia, retrabalhada por Cássio Pires, é a coroação de um processo de 12 anos, quando Marcelo Lazzaratto fundou a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico e começou a pesquisar um método que batizaria de ‘campo de visão’.
Funciona da seguinte forma: todos os atores sabem o texto inteiro. E cada um se apropria da fala que acha que deve dizer naquele momento. Os atores, assim, deixam de ser personagens e passam a funcionar como ‘heterônimos’. Às vezes, uma pessoa só faz Agamenon; noutras vezes, três, cinco atores o interpretam ao mesmo tempo. E eles trocam de função o tempo inteiro. O texto, portanto, é sempre o mesmo. Mas toda a encenação – inclusive a luz e a música incidental – são construídas ali, na hora, aos olhos de todos.
A história – o ‘tema’ – do general que tem de sacrificar a filha para que a deusa Ártemis faça com que os ventos voltem a soprar para levar os guerreiros a Troia, portanto, confunde-se com a própria maneira – a ‘forma’ – pela qual a história é contada. Eurípedes questiona, nesta peça, a natureza da relação entre o indivíduo e a sociedade. E a companhia, ao contá-la desta forma, improvisando a encenação, também.
“Sentimos que, em um mundo tão individualista, tão fragmentário, temos a necessidade de voltar às fontes primordiais”, diz Lazzaratto, após o ensaio acompanhado pelo Divirta-se. “O clássico pode dizer muita coisa sobre este mundo de hoje, tão frágil.”
E, assim, nessa constante busca do encontro com o outro, a Cia. Elevador constroi uma obra viva, pulsante e que transpira verdade, apontando novos caminhos para uma história contada há 2.500 anos.
Tags: cássio pires, cia. elevador, Divirta-se, ifigênia, Marcelo Lazzaratto, Sesc Belenzinho, teatro
EX-COLÔNIA | Na instalação de Reena Kallat, cenas violentas ‘decoram’ sapato e coroa
Há duas semanas, o Centro Cultural Banco do Brasil é ocupado por 350 belas peças de arte indiana produzidas desde 200 a.C, na exposição ‘Índia!’. A partir de domingo (26), essa visão do país ganhará reforço com a inauguração da segunda parte da mostra, Índia! – Lado a Lado, no Sesc Belenzinho.
Foi uma questão de (falta de) espaço que determinou a divisão do conjunto. Mas ela não foi aleatória, claro. O perfil das obras que podem ser vistas agora é bem diferente do perfil das que estão no CCBB. Com curadoria de Tereza de Arruda, a mostra é voltada exclusivamente a obras contemporâneas de 17 artistas do país, entre esculturas, fotografias, pinturas, vídeos e instalações.
Nas 30 imagens de Vivek Vilasini, por exemplo, ele registra a arquitetura colorida de pequenos vilarejos. E uma escultura de Ravinder Reddy, com 5m, mostra uma migrante com uma sacola na cabeça – mas ela é retratada com ares nobres e pele azul, cor associada às divindades.
ONDE: Sesc Belenzinho. R. Pe. Adelino, 1.000, 2076-9700. QUANDO: 10h/21h30 (sáb., 10h/21h; dom., 10h/ 19h30; fecha 2ª). Inauguração: dom. (26). Até 29/4. QUANTO: Grátis.
Tags: arte contemporânea, índia, Sesc Belenzinho, zona leste
João Fonseca, diretor de ‘R&J – Juventude Interrompida’, fala sobre a releitura da obra mais famosa de Shakespeare, que estreia amanhã (14)

COM ELES| a tragédia inteira é vivida por apenas quatro atores
É, talvez, a maior história de amor de todos os tempos. Só que aqui é contada de uma forma um pouquinho diferente. Em R&J – Juventude Interrompida (que teve uma excelente montagem por aqui, em 2006, pelas mãos do diretor Zé Henrique de Paula), quatro meninos, estudantes de um colégio, recriam a tragédia de Verona. A peça, de Joe Calarco, abre o projeto ‘Experimento Shakespeare’ – dedicado às obras do dramaturgo inglês –, no Sesc Belenzinho.

O diretor João Fonseca
Como você chegou a este texto? Sempre tive muito interesse em ‘Romeu e Julieta’. Já tinha visto grandes montagens do Antunes (Filho), do Gabriel Vilela, o filme do (Franco) Zeffirelli… E sempre tive essa vontade. Há coisa de uns dez anos ouvi falar desta peça do Calarco, uma releitura da tragédia para quatro homens. Quando li o texto, vi que tinha a ver com o que venho fazendo, um teatro, por assim dizer, que inclui muito o jogo. Ele coloca quatro estudantes montando ‘Romeu e Julieta’, dentro de uma sala de aula. A ideia da encenação é que os estudantes criem com o que eles têm, e aí fiz o mesmo comigo. Faço uma homenagem a todos os Romeus e Julietas que já vi…
O que chamou a atenção logo que você leu a peça? Eu tinha muita vontade de fazer um ‘ Romeu e Julieta’ de maneira muito simples. Em ‘R&J’, vi que não teria figurinos de época, nem cenários… E isso é algo que me interessa. Eu venho tentando seguir esse caminho, de um palco mais limpo. Fizemos a sala de aula, e utilizamos todos elementos que vieram surgindo no processo. Esquadros que viram máscaras, papéis que se transformam em portas, em buquês…
Com essa ‘peça dentro da peça’, Calarco propõe uma reflexão sobre o próprio teatro, não? É a essência do texto. Ele acredita muito nas palavras. O que é preciso para fazer teatro? ‘Romeu e Julieta’, até a primeira morte, é uma genuína comédia romântica. O meu receio antes de começar era: será que, na hora em que entrar a tragédia, o público vai embarcar? E, olha, embarca. A Julieta se mata com uma régua, por exemplo. Assim como o público compra o fato dela ser um menino. O grande diferencial do teatro, que é o que nos interessa mais, é o ‘nosso efeito especial’. É o único lugar em que posso falar que uma régua é uma espada. Eu combino isso com a plateia e todo mundo acredita…
E como foi contar essa história só com homens? Quando começamos a trabalhar, eu busquei uma relação entre eles que não poderia deixar espaço para nenhum momento de rejeição, de falseamento. Se eu não acreditar que eles estão completamente apaixonados, não é verdadeiro. Nós estamos contando uma das maiores histórias de amor de todos os tempos! E acho que encontramos essa verdade.
ONDE: Sesc Belenzinho. R. Pe. Adelino, 1.000, metrô Belém, 2076-9700. 110 min. 12 anos. QUANDO: 6ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. Até 26/2. QUANTO: R$ 24.
Tags: Experimento Shakespeare, João Fonseca, Joe Calarco, R&J, Sesc Belenzinho, William Shakespeare
Soleil/Div.

POESIA | o Soleil recria um outro tempo
Toda vez que essa trupe de franceses aporta por aqui, é a mesma coisa: filas lotadas e nervosas, gente chorando sem ingresso, bilhetes esgotados em minutos… Sim , o Thêatre du Soleil está na cidade. O grupo comandado por Ariane Mnouchkine arma sua ‘cartoucherie’ (onde os artistas, além de montar o espetáculo, vendem refeições para o público) para encenar Os Náufragos da Louca Esperança, sua mais nova criação. A peça, que estreia 4ª (5), buscou inspiração em ‘Os Náufragos de Jonathan’, romance póstumo de Julio Verne, para mostrar o fascínio que o cinematógrafo (equipamento que era uma filmadora e um projetor) despertou, às vésperas da 1ª Guerra.
ONDE: Sesc Belenzinho (585 lug.). R. Padre Adelino, 1.000, 2076-9700. 240 min (com intervalo. QUANDO: 4ª a dom., 19h. Até 23/10. QUANTO: R$ 50 (ingressos esgotados).
Tags: Ariane Mnouchkine, cinematógrafo, França, Julio Verne, Os Náugrafos da Louca Esperança, Sesc Belenzinho, Thêatre du Soleil
Quer saber mais sobre essas duas exposições? Acesse os links abaixo:
Em Nome dos Artistas
Damien Hirst – www.damienhirst.com
Jeff Koons – www.jeffkoons.com
Matthew Barney – http://www.cremaster.net
Em Nome dos Artistas (site oficial da exposição) – http://emnomedosartistas.org.br
Museu Astrup Fearnley – http://afmuseet.no
Festival Sesc_Videobrasil
Rodrigo Bivar – http://2000e8.blogspot.com/2008/04/rodrigo-bivar.html
Tatiana Blass – http://www.tatianablass.com.br/
Wagner Malta Tavares – http://www.wagnermaltatavares.art.br
Gabriel Mascaro – http://gabrielmascaro.com/
Associação Videobrasil – www.videobrasil.org.br
Tags: bienal, pinacoteca, Sesc, Sesc Belenzinho, Sesc Pompeia, videobrasil
Quatro grandes espetáculos de dança entram em cartaz ao mesmo tempo em São Paulo. Tente combinar – ou escolher
BLEND | coreografias se mesclam a técnicas circenses
Torce (e contorce) | Em 1971, um grupo de americanos teve o insight de combinar dança contemporânea com acrobacia circense, algo inédito até então. Assim foi criada a companhia Pilobolus Dance Theatre, que está de volta a São Paulo. Desta vez, o grupo apresenta o espetáculo ‘Metamorphosis’, composto por cinco coreografias. A primeira, ‘Untitled’, é uma narrativa gestual sobre relacionamentos em diferentes fases da vida. A segunda, ‘The Transformation’, mostra (em 5 min) a transformação por que passa uma jovem. Em seguida, ‘Duet’, um clássico da companhia, mostra uma profunda relação afetiva entre duas mulheres. Depois, começa a animação de sombras ‘Hapless Hooligan is Still Movin’, uma tragicomédia sobre o reencontro de um casal após a morte. Por fim, ‘Redline’, sobre a relação entre beleza e futilidade. “O público pode esperar por esculturas humanas, efeitos especiais e trilhas impactantes”, afirma Steffen Dauelsberg, diretor da Dell’Arte, a produtora que traz Pilobolus ao Brasil. Após cada número, há um intervalo de 3 min, para você recuperar o fôlego.
ONDE: Teatro Bradesco. Bourbon Shopping. R. Turiaçu, 2.100, 3º piso, Pompeia, 3670-4121. QUANDO: 3ª (24) e 4ª (25), 21h. QUANTO: R$ 90/180.
Ginástica artística | Pilobolus está para o circo assim como a italiana Kataklò Athletic Dance Theatre está para a ginástica. Em sua terceira visita ao Brasil, a companhia de bailarinos e ex-atletas apresenta ‘Light’, seu novo espetáculo. O tema, como o título sugere, é a luz em suas diferentes acepções, com toques de surrealismo, acentuados pelo cenário, todo branco, em contraste com um elenco colorido. “Será como uma pintura, para contemplar”, diz a coreografa Giulia Stacioli. Teatro Alfa. R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, 5693-4000. 2ª (23), 21h. R$ 60.

Contato físico | ‘Tão Próximo’, o último espetáculo da Quasar Companhia de Dança, passou por São Paulo rapidamente no ano passado, mas está de volta. Nesta nova coreografia de Henrique Rodovalho, o grupo se afasta um pouco da irreverência que lhe é característica para tratar delicadamente da intimidade entre seres humanos. É a primeira vez que a companhia faz um espetáculo inteiro sem nenhum solo. Com este tema, é uma escolha apropriada. Sesc Belenzinho. R. Pe. Adelino, 1.000, Belém. Hoje (20) e sáb. (21), 20h; dom. (22), 18h. R$ 6/R$ 24.
Movimento popular | A coreografia Lord of the Dance foi criada em 1996 e é tida hoje como o espetáculo de dança irlandesa mais premiado de todos os tempos. O enredo, desenvolvido pelo dançarino americano Michael Flatley, descendente de irlandeses, parte da versão do folclore de seus antepassados para o tradicional embate entre bem e mal. Sempre com um elenco jovem, ‘Lord of the Dance’ já foi apresentado em 67 países. Via Funchal, R. Funchal, 65, V. Olímpia, 3846-2300. Estreia 4ª (25). 4ª a sáb. 21h30; dom.20h30 (sáb. e dom., também 16h30). R$ 80/R$ 300.
Tags: dança, Kataklò Athletic Dance, Lord of the Dance, palco, Pilobolus Dance Theatre, Quase Companhia de Dança, Sesc Belenzinho, Teatro Alfa, Teatro Bradesco, Theatre, Via Funchal

Hélio Ziskind com sua banda no show O Elefante e a Joaninha
Nas músicas de Hélio Ziskind, o ratinho toma banho, lava a orelha, o pé e até o ‘fazedor de xixi’. “O personagem é uma espécie de óculos que a criança veste para olhar um assunto de outra perspectiva”, define o compositor, que lança seu 5º disco, O Elefante e a Joaninha, domingo (15), no Sesc Belenzinho.
O CD, com trilhas da TV Cultura e faixas mais pedagógicas (produzidas para a Editora SM), tem uma pegada poética que virou estilo pessoal.
Além disso, com a cantora Fortuna (Na Casa da Ruth), Ziskind prepara novo espetáculo, com textos de Tatiana Belinky. “Música não tem que conscientizar. Ela deve proporcionar uma experiência”, afirma o músico que assina faixas de ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ e ‘Cocoricó’. Mas, eita experiencia boa, né?
Cante junto um pedacinho da letra O Elefante e a Joaninha
Tom Maia! Tom Maia!
é o meu nome/
Vejam vocês
como a vida é/
Vinha vindo pela estrada, como sempre, muito bem-arrumada/
Joaninha chique linda, com sua capa de bolinha avermelhada
Piri-biri-biri-bim/
Piri-biri-biri-bim
Agora Hélio confessa
Bicho: sou louco por baleia. Ela decora músicas e canta sem soltar bolhas.
Criança: eu adorava desmontar coisas, mas nunca conseguia montar.
Vitamina: não como caqui, nem jaca.
Olfato: mau hálito, cecê ou chulé? Hum, meu cheirador é fraco. Acho que cecê é pior, não acha?
ONDE: Sesc Belenzinho. R. Padre Adelino, 1.000, 2076-9700. QUANDO: dom., 15h e 18h. QUANTO: R$ 8. 60 min. Rec. da produção: livre.
Tags: Castelo Rá-Tim-Bum, Cocoricó, Editora SM, Fortuna, Hélio Ziskind, O Elefante e a Joaninha, Sesc Belenzinho, TV Cultura
Em Savana Glacial, o Grupo Físico de Teatro aposta em uma narração fragmentada e de ares cinematográficos para retratar um casal que sofre um acidente e, após o trauma, procura achar o que ainda resta de amor entre si. Eles mudam de apartamento, e o encontro com a vizinha maquiadora muda os rumos da história.
Pelo texto da peça, Jô Bilac recebeu recentemente o prêmio Shell carioca
Veja aqui entrevista com os atores Andreza Bittencourt e Renato Livera, que interpretam o casal, feita pela equipe do Festival de Curitiba.
Onde: Sesc Belenzinho. Sala de espetáculos. R. Padre Adelino, 1.000, 2076-9700.
Quando: 3ª a 5ª, 21h30.
Quanto: R$ 24.
Tags: Grupo Físico de Teatro, Jô Bilac, Savana Glacial, Sesc Belenzinho, teatro
2012
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