O saxofonista Thiago França lança ‘Sambanzo, Etiópia’, seu trabalho
mais autoral. No que depender dele, todo mundo vai dançar
“Me sinto leve.” Assim Thiago França define sua fase atual. E, preocupado apenas em curtir o que faz, tem feito muito. Entre o fim de 2010 e o começo de 2011, gravou sete discos: ‘Metá Metá’, com Kiko Dinucci e Juçara Marçal; ‘Nó na Orelha’, de Criolo; ‘Memórias Luso-africanas’, de Gui Amabis; ‘Um Labirinto em Cada Pé’, de Rômulo Fróes; ‘Caravana Sereia Bloom’, de Céu; no primeiro de seu trio de jazz MarginalS; e no ‘Bahia Fantástica’, de Rodrigo Campos.
Entre tantos e excelentes trabalhos, um diz mais sobre ele: ‘Sambanzo, Etiópia’, o primeiro do Sambanzo, projeto mais autoral de sua carreira. O disco mistura um pouco de tudo que o inspirou – do samba de gafieira e terreiro ao jazz, passando por sons latinos e do Caribe. Tudo sempre com uma identidade muito forte, com a cara de Thiago. Foi sobre esse trabalho, que ele lança terça (13) no projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia, que conversamos.
Etiópia’ soa um pouco diferente das outras. Por que ela dá nome ao disco?
O processo todo, como ela apareceu, foi muito emblemático sobre como é o Sambanzo. Estava com o disco pronto, com seis músicas, e a gente tinha o sábado no estúdio do Diogo Poças para gravar. E na quinta tinha um show nosso no Jazz nos Fundos. Na passagem de som, o (Marcelo) Cabral começou a tocar e chegou naquele groove. Na hora, lembrei de uma melodia que eu tinha feito uns 10 anos atrás, um funkezinho meio besta. Aí foi um lance de tocar sem falar nada. O Cabral começou, o Pimpa entrou, depois o Samba, em seguida eu, aí o Kiko… Achei legal demais e pensei na hora: essa tem que entrar. O disco estava inteiro uma porrada só. Precisava de um respiro. E tem outra. Todo mundo macumbeiro… Sete é um número bom.
O Sambanzo sempre segue esse formato nas músicas?
O começo já foi assim. O primeiro show com essa formação eu marquei em uma quinta para tocar no sábado. Não deu tempo de mandar nada, nenhuma referência. O Cabral e o Samba Sam já tocavam comigo. O Kiko e o Pimpa iam tocar pela primeira vez. Então fui pensando no que dava pra fazer. Aí falei de fazer uma base meio latina, Pará… Em outro momento, eu falava que era meio afrobeat. Todo mundo ia tocando e, quando azeitava, eu começava a tocar. E foi legal demais… Já saí de lá com outro show marcado.
Esse formato, de tocar sem falar nada, seria possível com outros músicos?
Não. Provavelmente não daria certo. Eu já tinha gravado um disco, que não saiu, com outra formação. E eu não consegui concatenar artisticamente o que eu gostaria com aquele disco, com aquela formação, aquela instrumentação, aquela sonoridade… A relação pessoal que a gente tem é imprescindível. Essa amizade. Você sabe como falar com cada um, sabe que vão te entender.
Esse é seu disco mais autoral. O que pensou para ele?
Eu sempre entendi que queria fazer as pessoas dançarem. Gosto de fazer algo com um clima bom, que a galera vá se divertir. A dança é um elemento transformador da sociedade. É muito piegas, mas é verdade.
O disco já está na internet?
Sim, mais um disco inteiro de graça na internet, a partir de sexta (9). O link é sambanzo.blogspot.com. A música é livre, pra sempre. Só peço que baixem no meu link para ter a qualidade certa e eu ter uma ideia de quantas pessoas ouvem.
ONDE: Sesc Pompeia. Choperia (800 lug.). R. Clélia, 93, 3871-7700. QUANDO: 3ª. (13), 21h. QUANTO: Grátis (retirar ingresso com uma hora de antecedência).
Tags: África, Etiópia, gafieira, Jamaica, jazz, Kiko Dinucci, marcelo cabral, Pimpa, Prata da Casa, reggae, samba, Samba Sam, Sambanzo, show, ska, Thiago França
Samba não é exclusividade da avenida. Selecionamos bares em que se ouve e se dança o gênero o ano todo – em alguns deles, ‘até’ durante o carnaval
Os mestres Paulo César Pinheiro e João Nogueira já disseram: ninguém faz samba só porque prefere. Quantos mundos cabem dentro destas cinco letrinhas…
Muito já se discutiu sobre a cansada arenga acerca de São Paulo e sua suposta vocação para ser o tal do “túmulo do samba”. Mas quando uma cuíca ronca, o violão dá o sinal e o pandeiro começa a balançar, a cidade vira é uma maternidade do samba.
Todo dia é dia, e quase toda hora é hora. Das mais sérias e reverentes rodas – com um silêncio de sacristia para ouvir os versos mais tristes dos lábios do cantor–, às pistas mais ferventes e pulsantes da madrugada, o samba se mostra em todas as suas formas e cantos da cidade. Não poderia ser diferente. Afinal, existe algum gênero que tenha em seu código genético uma alma mais brasileira?
Nas próximas páginas você encontra lugares para ouvir ou dançar samba por aí. Sapato branco (ou cheio de estilo como o daí de cima), camisa aberta, corrente no peito e chapéu quebrando a aba na testa… Não arrisca um miudinho? Não tem problema. Se não for ruim da cabeça nem doente do pé, temos um passo a passo para você. É, não tem desculpa. Marina Vaz e Guilherme Conte
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Tags: carnaval, marchinhas, samba
O portelense Paulinho da Viola, dono de algumas dezenas de belas composições, apresenta canções como ‘Foi um rio que passou na minha vida’, ‘Peregrino’, ‘Quando Bate uma Saudade’ e ‘Chega da Padecer’…
São canções infinitas, daquelas que nunca acabarão ou serão datadas, que vão do samba de quadra, de quem passa tardes e tardes até hoje na Portela, ao sambas-canção, de quem cresceu ao lado de gênios como Cartola, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Jacob do Bandolim.
ONDE: Sesc Pinheiros. Teatro (1.010 lug). R. Paes Leme, 195, 3095-9400. QUANDO: Hoje (17) e sáb. (18), 21h; dom. (19), 17h. QUANTO: R$ 32. Cc.: D, M e V. Cd.: todos.
Tags: carnaval, Paulinha da Viola, Portela, samba, show
A duas semanas do carnaval, as escolas de samba recebem o público em seus ensaios. Com prática ou não, o desfecho é certo: todo mundo vai dançar
Reportagem de Dado Carvalho, com colaboração de Daniel Telles Marques e Cristiane Bomfim/JT

Primeiros passos | Durante o ensaio da Rosas de Ouro, na sexta passada (27/1), um dos sambistas perguntou, com microfone na mão: “Quem está aqui pela primeira vez?” Quase metade dos presentes levantou a mão. Ou seja: se você não é habituado ao samba, não se acanhe. Todos são bem vindos. Passistas e comissão de frente ensaiam junto com a bateria. Há alguns bares no barracão, como o Buxixu’s, o Fuxicu’s e o Kuxixu’s. R. Cel. Euclides Machado, 1.066, Limão, 3931-4555. 4ª, 19h, R$ 30. 6ª, 21h, R$ 20. Dom., 18h, R$ 10. www.sociedaderosasdeouro.com.br

Poetas da vila | Mesmo quem não entra na quadra da Pérola Negra participa da festa, nas calçadas. Lá dentro, em um espaço um pouco menor, o público dança, a bateria ensaia e as fantasias ficam expostas, tudo ao mesmo tempo. Dependendo do dia, o ensaio sai pelas ruas da Vila. R. Girassol, 51, V. Madalena, 3031-9349. 5ª e dom., 19h. R$ 10. www.gresperolanegra.com.br

Festa de rua | Os ensaios da Vai Vai têm clima de samba de quintal, com os vizinhos dançando e cantando alto o samba-enredo do ano. Grávidas, senhorinhas, velha-guarda e crianças estão por lá, dividindo o asfalto em frente à quadra e puxando o cortejo pelas ruas do bairro. R. S. Vicente, 276, Bela Vista, 3266-2581. Dom., 3ª e 5ª, 19h30. R$ 20. www.vaivai.com.br

OUTROS ENSAIOS
Camisa Verde e Branco
R. James Rolland, 663, Barra Funda, 3392-2488. 4ª, 20h; sáb., 22h (exceto dia 4). R$ 10. www.camisaverde.com.br
Império de Casa Verde
Av. Eng. Caetano Álvares, 2.042, Casa Verde, 3961-4956. 5ª, 22h; sáb., 23h. Grátis. www.imperiodecasaverde.com.br
X-9 Paulistana
Av. Luiz Dumont Villares, 324, V. Guilherme, 2959-3377. Na quadra: 4ª, 6ª e dom., 20h. R$ 10. Na rua: Av. Paulo Silva Araújo (em frente ao Sesc Santana). 2ª, 20h. Grátis. www.x9paulistana.com.br
Acadêmicos do Tucuruvi
Av. Mazzei, 722, Tucuruvi, 2204-7342. 4ª e sáb., 21h. R$ 10. www.academicosdotucuruvi.com.br
Mancha Verde
R. Abrão Ribeiro, 503, Bom Retiro, 3361-2146. 5ª, 21h, R$ 10. Sáb., 22h, R$ 20. www.manchaverde.com.br
Dragões da Real
Av. Embaixador Macedo Soares, 1.018, Freguesia do Ó, 3831-4002. Na quadra: sáb., 21h, R$ 10. Na rua: 5ª, 20h (na rua), R$ 5. www.escoladesambadragoes.com.br
Mocidade Alegre
Av. Casa Verde, 3.498, Limão, 3857-7525.Na quadra: dom., 17h, R$ 15. Na rua: 6ª, 19h, R$ 5. www.mocidadealegre.com.br
Água de Ouro
Av. Francisco Matarazzo, 1.986, Barra Funda, 3872-8262. 5ª, 20h30, grátis. Dom., 20h30, R$ 10. www.aguiadeouro.com.br
Unidos de Vila Maria
R. Cabo João Monteiro da Rocha, 447, Jd. Japão, 2981-3154. 4ª, 6ª e sab., 22h. R$ 20. www.unidosdevilamaria.com.br
Gaviões da Fiel
R. Cristina Tomaz, 183, Bom Retiro, 3221-2066. 3ª e dom., 20h, R$ 5. 6ª, 22h. R$ 10. www.grestommaior.com.br
NA AVENIDA OU NA ARQUIBANCADA
FANTASIAS: Camisa Verde e Branco: R$ 150 (locação), R$ 200 (compra). Império de Casa Verde: esgotadas. X-9 Paulistana: R$ 250/R$ 320. Vai-vai: R$ 450, em média. Rosas de Ouro: R$ 500 a R$ 600. Acadêmicos do Tucuruvi: R$ 230 a R$ 280. Mancha Verde: R$ 250. Dragões da Real: R$ 150 a R$ 600. Pérola Negra: R$ 200. Mocidade Alegre: R$ 400, em média. Água de Ouro: R$ 200/R$ 500. Unidos de Vila Maria: R$ 300. Gaviões da Fiel: a partir de R$ 300. Tom Maior: R$ 250/R$ 320.
INGRESSOS PARA O DESFILE: Arquibancada: R$ 25/R$ 150. Mesa de pista (quatro lugares): R$ 200/R$ 2.000. Cadeira de pista: R$ 50/R$ 420. Camarote simples (10 pessoas): R$ 1.000/R$ 10.000. Camarote especial (25 pessoas): R$ 2.500/R$ 25.000. 4003-2245. www.ingressofacil.com.br

Esquenta | Os ensaios técnicos já dão uma ideia de como vai ser o desfile. Com pouca gente fantasiada, os integrantes das escolas usam o Sambódromo para ensaiar os passos, treinar o samba-enredo, o recuo da bateria, a ordem das alas… Para assistir, é grátis. Nos fins de semana, várias escolas usam o espaço. O Divirta-se esteve no ensaio da Unidos do Peruche e Nenê de Vila Matilde, do grupo de acesso, e da Mocidade Alegre, do grupo especial. Se você ainda não sabe para quem torcer, pode ser uma boa. Mas se a ideia for curtir um samba, independente de torcida, pode ser melhor ainda. Sambódromo. Anhembi Parque. Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, 2226-0400. Veja a agenda abaixo.
3/2 – sexta
21h – Império de Casa Verde
4/2 – sábado
18h – Águia de Ouro
19h – Morro da Casa Verde (grupo de acesso)
20h – Pérola Negra
21h – Estrela do Terceiro Milênio (grupo de acesso)
22h – Unidos de São Lucas (grupo de acesso)
23h – Camisa Verde e Branco
5/2 – domingo
18h – Acadêmicos do Tatuapé (grupo de acesso)
19h – Acadêmicos do Tucuruvi
22h – Gaviões da Fiel
6/2 – segunda
22h – Dragões da Real
9/2 – quinta
22h – Águia de Ouro
10/2 – sexta
23h – Vai-Vai
11/2 – sábado
18h – Leandro de Itaquera (grupo de acesso)
19h – Rosas de Ouro
20h – Mocidade Alegre
21h – X-9 Paulistana
22h – Vila Maria Grupo
23h – Nenê de Vila Matilde (grupo de acesso)
24h – Unidos do Peruche (grupo de acesso)
1h – Imperador do Ipiranga (grupo de acesso)
12/2 – domingo
18h – Acadêmicos do Tatuapé (grupo de acesso)
19h – Tom Maior
20h – Mancha Verde
21h – Império de Casa Verde
Folia itinerante | Você também pode comemorar o carnaval à moda antiga, com os blocos de rua. Com ou sem fantasia, o que vale é a disposição. Nas próximas semanas, eles saem de várias partes da cidade, com predominância do Centro. O Bloco dos Esfarrapados é um dos mais antigos. O do Trem Elétrico começou por iniciativa dos metroviários. Até hoje, a Banda do Fuxico é frequentada até por drag queens. Já a Banda do Candinho é criação de uma das grandes figuras do samba na cidade. O Divirta-se separou alguns. Escolha o seu e caia na folia.
BANDA DO TREM ELÉTRICO
Concentração: R. Augusta, esq. com a R. Luiz Coelho (estação Consolação). 6ª (17), 19h.
Roteiro: R. Augusta, R. Martins Fontes, R. Xavier de Toledo e Pça. Ramos de Azevedo.
BANDA DOS ESFARRAPADOS
Concentração: R. Cons. Carrão, 466, Bela Vista. 2ª (20), 10h.
Roteiro: R. Cons. Carrão, R. Alm. Marques Leão, R. Uma, R. Rocha, Pça. 14 Bis, R. Manoel Dutra, R. Maria José, Av. Brig. Luiz Antônio, R. Major Diogo, R. Cons. Carrão.
BANDA DO FUXICO
Concentração: Lgo. do Arouche, República. Dom. (12), 10h (desfile às 18h).
Roteiro: Lgo. do Arouche, Av. Dr. Vieira de Carvalho, Pça. da República, Av. S. Luis, R. Xavier de Toledo, Pça. Ramos de Azevedo, Teatro Municipal, R. Cons. Crispiniano, Lgo. Paissandu, Av. S. João, Av. Ipiranga, Igreja da Consolação, R. Rego Freitas e Lgo. do Arouche.
BANDA REDONDA
Concentração: R. Theodoro Baima, esq. com a R. da Consolação e Av. Ipiranga. 2ª (13), 21h.
Roteiro: R. Theodoro Baima, R. da Consolação, R. Xavier de Toledo, Pça. Ramos de Azevedo, Teatro Municipal, R. Conselheiro Crispiniano, Lgo. do Paissandu, Av. São João, Av. Ipiranga, Pça. da República e R. Theodoro Baima.
BLOCO DA RESSACA
Concentração: Lgo. do Cambuci. Sáb. (11), 14h.
Roteiro: Lgo. do Cambuci, R. Luis Gama, R. Cesário Ramalho, R. Br. de Jaguara, R. Silveira da Mota, R. Jerônimo de Albuquerque, R. Br. de Jaguara, R. Silveira da Mota e R. Luis Gama.
BANDA DO CANDINHO
Concentração: R. S. Antônio, esq. com a R. 13 de Maio. Bixiga. 4ª (15), 18h.
Roteiro: R. Santo Antonio, R. Martinho Prado, R. Martins Fontes, R. da Consolação, R. Xavier de Toledo, Pça. Ramos de Azevedo, Teatro Municipal, R. Conselheiro Crispiniano, Lgo. do Paissandu, Av. São João, Av. Ipiranga, Pça. da República, Av. São Luiz, Vd. 9 de Julho, R. S. Antonio, até esquina da R. 13 de Maio.
Tags: avenida, carnaval, Divirta-se, ensaio, escola de samba, fantasia, passeios, samba, Sambódromo
Paulo Liebert/AE

QUEM É QUEM | Da esq. para a dir., Mauricio Fleury, Kiko Dinucci,
Décio 7, Thiago França, Cris Scabello e Juçara Marçal
Músicos dos bons foram buscar no afrobeat e em
outros ritmos africanos a receita para pôr São Paulo inteira
para balançar. Você não vai ficar de fora, vai?
A noite de São Paulo está ficando com cara de baile e a frase ‘sair para dançar’ passa a fazer (ainda mais) sentido. Não é por acaso. Pode ser que você não tenha se dado conta, mas a influência africana no trabalho de artistas presentes nas festas paulistanas está cada vez mais nítida. Seja nas excelentes composições de Kiko Dinucci; no saxofone inspirado de Thiago França em bandas como Sambanzo e MarginalS; no festejado disco ‘Nó na Orelha’, de Criolo; no trabalho de cantoras como Juçara Marçal, Anelis Assumpção e Céu, entre muitos outros.
VEJA MAIS | Clique aqui e assista vídeos de músicos citados na matéria
E, não, não esquecemos da banda Bixiga 70, que lança amanhã (15) seu primeiro EP, ‘di Malaika’, na 5ª edição da Festa Fela – que, veja bem, foi criada para comemorar o aniversário do lendário pai do afrobeat, Fela Kuti.
Para entender como a cidade começou a ser tomada pelo suingue vindo da África, convidamos seis músicos importantes neste processo para um encontro com cara de papo de bar, mas no Parque do Ibirapuera, dentro do Museu Afro Brasil – que, vale lembrar, faz sete anos no próximo dia 23. Douglas Vieira
*Colaboraram Alexandre Matias e Renan Dissenha Fagundes
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Tags: África, afrobeat, afrorreligiosa, Anelis Assumpção, Aricia Mess, bailar, Bixiga 70, brasil, candomblé, Cris Scabello, dançar, Décio 7, Fela Kuti, Festa Fela, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, MarginalS, Maurício Fleury, Metá Metá, museu afro brasil, música, raízes, samba, Sambanzo, shows, terreiro, Thiago França
Foto: divulgação

CONTATO | Mauricio Fleury (de óculos, à esq.) passeia por suas referências
Na edição desta semana do Divirta-se, entrevistei Mauricio Fleury, um dos 10 integrantes da big band de afrobeat Bixiga 70, que faz show quinta-feira (25), no Studio SP.
A entrevista foi tão legal quanto a banda, uma das melhores surgidas em 2010. E um dos grandes legados da conversa está em saber que o termo afrobeat é pouco para descrever o som que eles fazem, repleto de referências da música brasileira, que evidentemente tem seu próprio beat africano nas raízes.
E menos ainda serve para saber o que eles farão no futuro. Estudiosos, eles já têm planos de passear também por estilos latino-americanos, como a cumbia. Mas isso é papo para outra hora, quando eles chegarem nesse outro momento. Por enquanto, vale entender de onde saiu a sonoridade das composições do grupo, que logo mais, em outubro, estará nas prateleiras em dois formatos: um single no começo do mês e um disco completo, com sete faixas, no final.
E, já que ouvir música é um prazer, listo aqui algumas das influências citadas por Fleury, com os comentários do próprio. Seleção que ajuda a entender de onde vem a inspiração deles e também serve para perceber que o afrobeat surgia na Nigéria da década de 60, pelas mãos de Fela Kuti e Tony Allen, e aqui, sem esse nome, coisas com a mesma energia aconteciam (e continuam acontecendo).
Tudo isso misturado tem reflexo direto na música que o Bixiga 70 faz: um afrobeat que pode ser — sem medo de ser injusto com o gênio Fela Kuti, sempre determinante em qualquer banda que se preste ao som africano — simplesmente música brasileira. E das boas.
E, claro, aproveito para reproduzir a entrevista publicada na versão impressa. Basta seguir por aqui.
ONDE: Studio SP (450 lug.). R. Augusta, 591, Consolação, 3129-7040. QUANDO: 5ª (25), 23h. QUANTO: R$ 25.
FELA KUTI + TONY ALLEN
“A parada para mim começou com o Tony Allen [baterista que, ao lado de Fela Kuti, criou o afrobeat]. Foi totalmente um divisor de águas para mim. Eu senti uma responsabilidade enorme e fui do Canadá, depois que acabou a Red Bull Music Academy [projeto em que Fleury conheceu o baterista], direto para Nova York e comprei um monte de discos de música africana. Que era para chegar já rodando os discos. Quando eu fui, eu já conhecia, já gostava do Fela. Mas eu conhecia apenas, nunca tinha ouvido direito. Em 2005 é que eu comecei a baixar as primeiras coisas dele e ouvir mesmo. E não tem explicação mais óbvia de que eu chapei na música porque tem piano elétrico. É o instrumento que eu mais amo, que eu toco e eu sempre vou gostar quando tiver em uma música. Eu gosto principalmente de uma certa raiva que tem no som, de uma certa maneira de tocar. Que é você chegar meio rasgando. Não tem certo e errado. Vai da vontade com que você impõe seu discurso. Quando eu ouvi o Fela improvisando, chapou minha cabeça. Mas eu ainda não tinha entrado no som. Mas quando eu conheci o Tony, e principalmente o jeito que ele foi comigo… Até eu sacar com quem eu estava conversando demorou um pouquinho. Alguém apresentou dizendo: “olha, esse aqui é o brasileiro”. E ele não me largou mais. Ele falava comigo o tempo inteiro, na parte externa, fumando, conversando. Aí ele falava que queria ficar lá tocando com a gente. E a gente ia lá tocar. A gente chegou a gravar uma música. Eu senti uma responsa muito grande das mãos do Tony. Hoje em dia eu nem gosto de ficar falando em entrevista porque parece um pouco pedante. E é uma parada minha, não é dos caras. Mas para mim virou uma missão. Do jeito que ele botou fé em mim é uma coisa que eu não vou esquecer nunca. É uma lenda. Ele é um cara que pode chegar para um jornalista e falar que não tem influências. Ele sempre foi o maestro. Era o cara que o Fela mais respeitava. O único que ele deixava opinar musicalmente. O arregimentador. O Tony era o líder da banda dele.”
OS TINCOÃS
“A música ‘Grito de Paz’ é uma homenagem ao Tincoãs. Foi essa música que deu origem a banda. Foi por causa dela que a gente começou a tocar. O principal motor da banda são as composições, o fato de a gente fazer um trabalho autoral. Quando a gente não tinha nada, ‘O Grito de Paz’ era alguma coisa. E essa alguma coisa remetia, para mim, muito mais aos Tincoãs do que ao próprio Fela. Mostrando para alguns amigos especialistas em afrobeat eles falaram que tinha uma coisa mais brasileira do que africana.”
PEDRO SANTOS
“O Pedro Santos tem uma música que chama ‘Conflito’, que está no disco de um grupo chamado Conjunto Baluartes. O disco chama ‘Nira Gongo’. E a música ‘Nira Gongo’ é totalmente afrobeat. E a música ‘Conflito’ é afrobeat brasileiro absurdo e é a coisa mais louca que eu já ouvi na minha vida.”
CANDEIA
“Entre as nossas influências está também o Candeia. Aquela música ‘Saudação a Toco Preto’. São coisas que quando a gente começou a tocar, eu fiz questão de injetar. Para mim partiu de algo que até hoje eu vejo como uma homenagem aos Tincoãs. Se algum milagre acontecer, se Deus existe, eu posso um dia ainda vir a tocar com Mateus Aleluia [único integrante vivo do trio que formava os Tincoãs]. Existem muitas e muitas sonoridades africanas muito maravilhosas, que são trabalhadas no Bixiga 70, mas que não passam por esse filtro do afrobeat. Praticamente todos da banda foram criados ao som de Gilberto Gil. Todos conhecem discos como o ‘Refazenda’. E são discos que têm muito afrobeat.”
ORCHESTRE POLY-RYTHMO
“Nossa cozinha é toda de filhos de Oxossi. E no afrobeat o canto de Oxossi tem muito a ver. E ele é um orixá muito relevante no Brasil e em Cuba, e menos relevante na África. Você escuta a Orchestre Poly-Rythmo, do Benin, e eles poderiam ser da Bahia. Tem muito a ver. Existe uma conexão totalmente direta. E é isso que a gente busca. Uma conexão direta com a África.”
ORCHESTRA BAOBAB
“A Orchestra Baobab, que é do Senegal, é uma que eu gosto pra caramba. Eles fazem uma mistura de ritmos latinos com o toque deles. Então, para mim, está tudo muito ligado. Então a gente não faz questão do termo afrobeat. A gente ama afrobeat. E por isso que eu sempre fiz questão que a gente faça uma parada nossa.”
Tags: afrobeat, big band, jazz, MPB, música, orquestra, samba, show
O afrobeat tem sido bastante lembrado nos últimos anos em diferentes discos brasileiros, de Céu a Kiko Dinucci. Porém, engana-se quem pensa que a relação de músicos brasileiros com o estilo criado por Fela Kuti na Nigéria seja algo recente. Voluntária ou involuntariamente, o brasileiro sempre teve contato com essa musicalidade, desde quando se ouviu pela primeira vez, nos anos 90, as músicas de Chico Science e a Nação Zumbi, ou ainda nos 70 com o samba de Candeia, ou até mais para trás, na década de 60, com Pedro Santos e Os Tincoãs e até Gilberto Gil.
Todos esses músicos, além do próprio Fela, estão entre as referências do excelente Bixiga 70, que faz show 5ª (25), no Studio SP. Conversamos sobre o projeto com Mauricio Fleury, um dos fundadores do grupo, que lançará no final de outubro o seu primeiro disco.
Como começou o Bixiga 70?
Começou na gravação do disco do Pipo Pegolaro, que deve sair agora também. O Bruno Morais produziu o disco do Pipo, que já tinha a banda dele, formada por Décio, Cris e Marcelo, que hoje estão no Bixiga. E ele me levou para ter um cara do time dele. A gente se deu super bem e eu nunca mais sai do estúdio. Minhas coisas ficam lá. O disco dele foi apontando cada vez mais para uma influência africana. E, nessa mesma época, eu estava gravando com Benjamin Lamar, que participou comigo do Red Bull Music Academy em 2007. A gente gravou sete faixas, em casa mesmo, e tinha uma música que eu queria colocar uma bateria de verdade. Aí eu chamei o Décio. Ele gravou e falou: “é isso que a gente tem que fazer”.
E aí vocês dois começaram a tocar juntos?
O Décio levou realmente a sério e ele é um cara que tem contatos, conhece todos os músicos da face da terra. E como o Cris é o dono do estúdio e sócio do Décio, já estava envolvido com tudo e a gente adora a guitarra do Cris, nada mais natural do que chamar ele. E o Gralha chegou junto também. E fomos nós quatro começando.
Que música era essa, que começou tudo?
‘Grito de Paz’, que é uma homenagem ao Tincoãs. O principal motor da banda são as composições, um trabalho autoral. Quando a gente não tinha nada, ‘O Grito de Paz’ era alguma coisa. E essa alguma coisa, para mim, remetia mais aos Tincoãs do que ao Fela.
Até porque afrobeat tem muita afinidade com o Brasil, certo?
A gente vai para esse lado naturalmente. A gente tenta fazer afrobeat e sai música brasileira. É o que acontece. A gente pira no Fela. Mas, para mim e para o Marcelo, o cara que ‘educou’ a gente foi o Hermeto Pascoal. Aí a gente tenta fazer as músicas pensando em outra coisa, mas volta para o aprendizado de harmonia brasileira.
ONDE: Studio SP (450 lug.). R. Augusta, 591, Consolação, 3129-7040. QUANDO: 5ª (25), 23h. QUANTO: R$ 25.
Tags: afrobeat, jazz, MPB, música, orquestra, rock, samba, show
Jorge Ben, desde que adotou um outro nome, deixou de dialogar com a mesma maestria com o samba de origem afrorreligiosa. Baden Powell e Vinicius de Moraes já não estão mais aqui para fazer um novo ‘Afro-Sambas’. Mas eles já têm um sucessor à altura: Kiko Dinucci, que, disco após disco, mostra sua grande capacidade para compor sambas cheios de espírito, com referências do candomblé e também do rock. Ainda mais quando tem ao seu lado a excelente voz de Juçara Marçal e o saxofone inspirado de Thiago França. O resultado é sempre de gala, como no recém lançado ‘Metá Metá’, um dos melhores álbuns de 2011, que será a base para esta apresentação.
Casa de Francisca (44 lug.). R. José Maria Lisboa, 190, Jardim Paulista, 3052- 0547. 6ª (22), 22h30. R$ 35.
Crédito: Paulo Liebert/AE
CRIOLO | o rap como ponto de encontro de diversos estilos
Rap? Não só, mas também. Kleber Gomes, que você reconhecerá mais fácil pelo apelido de Criolo, começou a carreira no hip hop, só que ele foi muito além e transformou seu trabalho em uma espécie de compêndio da música negra mundial. Experiência que rendeu o disco ‘Nó na Orelha’, um dos melhores de 2011 – e dá para afirmar isso sem que o ano tenha terminado. Se ainda não ouviu e não se convenceu, aproveite os dois shows que ele fará no Studio SP, na terça e na quarta, para mudar de ideia.
Na apresentação você verá como ele é capaz de mudar a cada música. Em ‘Bogotá’, Fela Kuti ficaria orgulhoso pelo bom uso do afrobeat. Em ‘Samba Sambei’, dá pra perceber que a Jamaica é logo ali, no palco. O samba de verdade chega em ‘Linha de Frente’. E tem a excelente balada ‘Não Existe Amor em SP’, seu maior sucesso. Mas e o rap? Está em tudo, mas nem sempre de modo óbvio.
Para tornar essa mistura ainda mais legal, ao lado de Criolo estão sempre excelentes parceiros, como Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral, Kiko Dinucci e Thiago França, entre outros talentos da música brasileira.
ONDE: Studio SP (450 lug.). R. Augusta, 591, Consolação, 3129-7040. QUANDO: 3ª (19) e 4ª (20), 23h. QUANTO: R$ 30 (antecipado)/R$ 40 (na porta).
Tags: afrobeat, criolo, hip hop, música, rap, reggae, samba, show, ska, Studio SP
2013
2012
2011
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