O Studio SP anunciou nesta quinta (11) que irá encerrar as atividades no fim do mês. De acordo com o comunicado oficial da casa de shows, os sócios Alê Youssef, Maurizio Longobardi e Guga Stroeter pretendem investir em novos projetos culturais. A “notória e agressiva especulação imobiliária que atingiu o Baixo Augusta” também é citada como um dos motivos do fechamento.
O Studio SP foi responsável pela valorização cultural do Baixo Augusta, e foi palco para o lançamento de diversos artistas da música brasileira como Mallu Magalhães e Thiago Pethit.
Em maio do ano passado o Divirta-se publicou uma capa sobre a decadência da Rua Augusta como centro da cultura alternativa da cidade. Youssef afirmou na reportagem: “É tudo oito ou oitenta: agora vai virar um monte de prédios”.
Leia o comunicado na íntegra:
STUDIO SP ENCERRA SUAS ATIVIDADES
Após 8 anos de vida intensa e cerca de 2500 shows, casa plataforma de lançamentos da nova cena musical brasileira, encerra seu ciclo no final de abril de 2013.A história do Studio SP foi totalmente vinculada com a trajetória de uma nova cena musical, que se consolidou em São Paulo na última década. A casa lançou, formou público ou manteve residências fixas de nomes como Criolo, Céu, Daniel Ganjaman e Instituto, Tatá Aeroplano, Hurtmold, Eddie, CSS (Cansei de ser Sexy), Tulipa Ruiz, Bonde do Rolê, Cidadão Instigado, Otto, Mombojó, Del Rey, Cérebro Eletrônico, Karina Buhr, M.Takara, Junio Barreto, Davi Moraes, B. Negão, Macaco Bong, Miranda Kassin, André Frateschi, Diz Maia, Seu Chico, Lucas Santtana, Jumbo Elektro, Thalma de Freitas, Turbo Trio, Vanguart, Maquinado, Mallu Magalhães, Curumin, Guizado, Nina Becker, Thiago Pethit, 3 na Massa, China entre outros.
Importantes atrações da música altenativa internacional também passaram pelo Studio SP: Peter Bjorn and John, Brigth Eyes, John Spencer, Bill Callahan /Smog, Erlend Oye, Camera Obscura, Bonnie Prince Billy, Adrian Sherwood, Diplo, Wax Poetics, Jens Lekman, Four Tet, Kode 9, Gilles Peterson, Daedalus, Love Trio, Hell on Whells, Tortured Soul, Eigth Legs, Daevid Allen e Gong Global Family, Gruff Rhyms, The Gift, Faraquet etc.
Através do seu projeto gratuito Cedo e Sentado de formação de público para novas bandas e democratização do acesso à música, o Studio SP criou uma plataforma de lançamento de novos artistas e a base de uma micro economia que por muito tempo se mostrou auto sustentável para as bandas residentes da casa.
Desde 2005, foram em média 300 shows por ano, totalizando cerca de 2.500 apresentações. A casa também foi palco de apresentações de teatro, literatura, projetos de audio visual do Coletivo Bijari e de noites que misturavam música e circo, como o Show de Talentos e o Cabaré Volátil.
Diversos artistas hoje ícones da arte urbana e contemporânea da cidade decoraram ao longo dos anos o ambiente do STUDIO SP , através de exposições fixas e eventuais. Destaques para OsGemeos, Speto, Titi Freak, Pinky Wainer, Guto Lacaz, Jay, Carlos Dias, Juneca, MZK, Zezão, Rodrigo Chã, Paulo Ito, Paulo Arms, Rita Wainer , Iwald Granato, Chã, Guid, Crespo, Mathiza.O STUDIO SP se transformou em um dos pontos de referência da revitalização da área que ficou conhecida como Baixo Augusta. A casa foi a primeira sede do Bloco Carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta.
A notória e agressiva especulação imobiliária que atingiu o Baixo Augusta e trouxe incerteza e ocilações ao projeto é um dos motivos do fechamento da casa. Entretanto, a principal razão é de ordem pessoal e tem relacão com novos rumos das vidas dos sócios fundadores do Studio SP, que em comum acordo tomaram a decisão para poderem se dedicar a novos projetos. Alê Youssef, Maurizio Longobardi e Guga Stroeter, manterão militância cultural, através de suas outras e novas atividades.
O Studio RJ no Rio de Janeiro continuará funcionando normalmente, pois trata-se de uma empresa distinta e com vida própria. O mesmo acontece com o Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, que agora passa a ser formalmente constituído como associacão sem fins lucrativos.
O Studio SP encerra suas atividades com muito orgulho de sua trajetória absolutamente independente, sem nenhum centavo de dinheito público direto ou incentivos fiscais recebidos e termina seu trabalho com um enorme sentimento de gratidão a todos os frequentadores e amigos, aos artístas e bandas que por aqui passaram e aos funcionários que ajudaram no percurso. MUITO OBRIGADO!
Sabemos que a noite é feita de ciclos e só alguns projetos marcam seu tempo. O Studio SP completa a sua trajetória consciente da sua importância e orgulhoso por suas realizações e sua bela história.
“Acompanhei de perto a criação do Studio SP, projeto (muito mais que uma casa noturna) que poderia virar exemplo para política pública em muitos estados, dando visibilidade a novas cenas e indústrias criativas locais.” Hermano Vianna, antropólogo
ALGUNS PROJETOS MARCANTES DO STUDIO SP:
A Noite INSTITUTO e a SELETA COLETIVA pilotada por DANIEL GANJAMAN durou 7 anos e apresentou muitos artistas como EMICIDA, HURTMOLD, CURUMIN, THALMA DE FREITAS. O projeto culminou com o shows preparatórios do repertório de CRIOLO, artista que se apresentou diversas vezes na casa.
O STUDO SP APRESENTA lançou artistas e discos importantes, com destaques para os lançamentos da cantora CÉU, CIDADÃO INSTIGADO, TATÁ AEROLANO, VANGUART, B.NEGÃO e TURBO TRIO e CIBELLE.
O CEDO E SENTADO projeto de formação de público para novas bandas e democratização do acesso à música foi plataforma de lançamento de novos artistas ao longo dos 8 anos da casa. Foram lançados pelo projeto nomes como TULIPA RUIZ, TIÊ, MALLU MAGALHÃES, THIAGO PETHIT, KARINA BUHR, RÔMULO FROES e BÁRBARA EUGÊNIA.
A NOITE FORA DO EIXO hospedou e apresentou para São Paulo, o notabilizado coletivo cultural. A noite lançou na cidade nomes como MACACO BONG e MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJÚ.
A casa articulou também vários de seus residentes para prestar tributos às bandas e artístas que os influenciaram. Desse processo nasceram alguns clássicos da noite como HEROES de ANDRÉ FRATESCHI, I LOVE AMY de MIRANDA KASSIN, DEL REY de MOMOBOJÓ e CHINA, SEU CHICO de VITOR ARAÚJO E TIBÉRIO AZUL e VANGBEATS do VANGUART.
Com curadoria de Lucio Ribeiro, o projeto ROCKLOAD, nos primeiros anos da casa, apresentou e lançou nomes como CANSEI DE SER SEXY (CSS), BONDE DO ROLÊ, JUMBO ELEKTRO e CÉREBRO ELETRÔNICO.
A INVASÃO SUECA, em parceria com o Coquetel Molotov foi um Festival desbravador de uma nova fase de shows internacionais em clubes e casas noturnas. Ao longo de 3 edições o projeto trouxe pela primeira vez ao Brasil nomes como PETER BJORN AND JOHN, ERLEND OYE e JENS LEKMAN.
Juntamente com o produtor Marcos Boffa, o projeto FOLK-SE focou na cena do então novo folk americano trouxe pela primeira vez ao Brasil nomes como BONNIE PRINCE BILLY, BRIGTH EYES e SMOG.O STUDIO SP INCENTIVA, cordenado pelas atrizes Carolina Mânica e Luciana Caruso, destinou rendas de shows e festas para fomento da produção de cinema e teatro. Destaque para produções de MÁRIO BORTOLOTTO e BETO BRANT.
Projetos criados para valorização da música e arte de rua, atividades circences e performances, o CABARÉ VOLÁTIL e o INCRÍVEL SHOW de TALENTOS tiveram apresentações dos atores Julinho Andrade, Tainá e Titi Muller, o acrobata Lú Mineiro e as bandas Vaudeville e Mustaches e os Apaches.
SHAPEART, LAS TABLAS foram exposições de artistas plásticos em skates e pranchas de surf que reuniram nomes como GUTO LACAZ, IVALD GRANATO, PINK WAINER. Elas se juntaram ao ambiente do Studio que foi decorado ao longo dos anos por artístas como OSGEMEOS, SPETO, TITI FREAK, RODRIGO CHÃ, JAY e coletivos artísticos das galerias CHOQUE CULTURAL, GRAFITERIA E EMMA THOMAS.
TRIOLOGIA SUJA DE SAMPA projeto de fomento à literatura marginal com XICO SÁ, CLARAH AVERBUCK, ALEX ANTUNES e convidados fazendo leituras e escolhendo a trilha sonora da noite.
Foto: JB Neto/Estadão
Joss Stone já pisou os pés descalços no Brasil algumas vezes. Mas, na volta ao País para a turnê que passa por São Paulo no domingo (11), ela traz um repertório quentinho, baseado no álbum ‘The Soul Sessions Volume 2’. O álbum lançado em julho é uma continuação do disco de estreia da jovem inglesa com voz de diva. Ela se dedica a versões de clássicos do soul. Entre as escolhidas estão ‘(For God’s Sake) Give More Power to the People’, do grupo The Chi-Lites; ‘While You’re Out Looking for Sugar’, de Honey Cone; e ‘Teardrops’, de Womack & Womack. Mas relembrar o cover de ‘Super Duper Love’ também cairia bem. Taís Toti
ONDE: Credicard Hall (7.504 lug.). Av. das Nações Unidas, 17.955, S. Amaro, 2846-6010. QUANDO: Dom. (11), 20h. QUANTO: R$ 45/R$ 400. Cc.: todos. Cd.: todos.
Tags: Credicard Hall, Divirta-se, joss stone, música, soul
O Rei faz três shows no Credicard Hall nos dias 9, 10 e 11 de novembro, todos esgotados. Mas a apresentação de quarta (7), no Ginásio do Ibirapuera, ainda tem ingressos (confira aqui a situação atualizada da disponibilidade). Clássicos têm presença garantida no show de Roberto Carlos, mas pode haver surpresas, como a recém-lançada ‘Furdúncio’.
ONDE: Ginásio do Ibirapuera (8.000 lug.). R. Manoel da Nóbrega, 1.361, V. Mariana, 3887-3500. QUANDO: 4ª (7), 21h30 (abertura dos portões: 19h). QUANTO: R$ 50/R$ 540.
Tags: credcard hall, Divirta-se, Ginásio do Ibirapuera, música, roberto carlos
Reprodução

Sérgio Dias, Jorge Ben, Caetano, Arnaldo Baptista, Gilberto Gil, Rita Lee e Gal, em foto reproduzida no filme
Uma história que não cansa e nunca parece velha. Até porque restam várias abordagens possíveis. A partir desse raciocínio, ainda há muitos outros filmes a serem feitos, e um, dos bons, está pronto e estreia agora: Tropicália, de Marcelo Machado.
O documentário parte de cenas de programas de TV, filmes e shows do fim dos anos 60, e alguns depoimentos pontuais colhidos agora, principalmente de Caetano, Gil, Tom Zé e os Mutantes. A ideia é construir não só o movimento como unidade estética e ideológica, mas também o ambiente político dos anos de ditadura militar, que nutriu – e também reprimiu e exilou – a criatividade dos artistas de diferentes linguagens que criaram as bases do mais relevante movimento musical brasileiro.
Nesse ponto, há, sim, um ou outro problema – o principal é a falta de informações novas. Tudo que está ali é história conhecida. O mérito foi organizar tudo de uma maneira interessante. O próprio diretor, na pré-estreia, fez questão de creditar parte do bom resultado aos que registraram, na época e de maneira espetacular, o que acontecia. Caso dos cineastas Glauber Rocha e Leon Hirszman, do Cinema Novo, que deixaram obras importantes para a Tropicália, como ‘Câncer’ (de Glauber) e o inacabado ‘Caetano/Gil/Gal’ (de Hirszman).
Para alguém que conheça bastante do movimento, é puro entretenimento, que compensa principalmente por imagens como as que mostram passagens da vida de Caetano e Gil exilados – aí sim incluindo algumas raridades.
‘Tropicália’, ao fim, faz um bom resumo, desde o prolífico 1967 até o exílio no fim de 1968 e a volta pra casa em 1972. Como nos clássicos da literatura, os personagens são espetaculares, o que minimiza os ruídos do filme. A música é mais alta do que eles. E parte do mérito de Machado foi deixar espaço para você refletir sobre o que ocorreu naqueles dias, perceber que ainda desfrutamos desse legado. Movimentos como o manguebeat, na Recife dos anos 90, seriam possíveis sem as ideias plantadas pelos tropicalistas? Não mesmo.
Tags: cinema, Cinema Novo, Divirta-se, Glauber Rocha, Leon Hirszman, marcelo machado, música, Mutantes, Tom Zé, Tropicália, tropicalismo

BATUTA| Gil revê sucessos e arrisca covers com orquestra
Esqueça a dedicação ao reggae ou as incursões mais recentes – e mais pops – que fez pelo forró e baião. O que Gilberto Gil mostra hoje (24) e sábado (25) no Teatro Alfa, em seu Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, é uma reunião de sucessos, rearranjados para orquestra, cordas e percussão. Neste show ele divide o palco com a Orquestra Sinfônica da Bahia, regida pelo maestro Carlos Prazeres, e com a banda formada por Jaques Morelenbaum (violoncelo), Nicolas Krassik (violino), Gustavo di Dalva (percussão) e seu filho Bem Gil (violão).
No novo formato, o cantor e compositor aproveita para resgatar canções que andavam fora de seu repertório mais recente. “Tem algumas músicas, como ‘Domingo no Parque’, que eu não tocava há algum tempo e caiu como uma luva para esse formato”, conta, sobre a faixa originalmente arranjada pelo maestro Rogério Duprat, com orquestra e participação d’Os Mutantes.
Além das consagradas ‘Expresso 2222’, ‘Eu Vim da Bahia’ e ‘Futurível’, Gil presta homenagem a alguns de seus ídolos, em interpretações de Jimi Hendrix, Tom Jobim, Dorival Caymmi e Luiz Gonzaga (nesse caso, não há porque esquecer a paixão de Gil pelo baião e pelo forró). De inédita, apenas ‘Eu Descobri’.
O Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo começou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a Orquestra Petrobrás Sinfônica, em uma apresentação que será lançada em DVD em novembro, e passou por uma turnê na Europa antes de retornar ao Brasil.
“Com todas as orquestras foi muito prazeroso trabalhar, ver o que as músicas rendiam, sacar cada instrumento e a contribuição de todos eles para embelezar as canções. Estou gostando muito”, conta. O show foi uma espécie de comemoração dos 70 anos de Gil, completados em junho. Não que ele ligue muito para a data. “A vida está igualzinha estava aos 60, 50. Está boa, com saúde, trabalhando, cantando, viajando, família feliz… Tá bom”, resume. Taís Toti
ONDE: Teatro Alfa (1.100 lug.). R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. QUANDO: Hoje (24), 21h30, sáb. (25), 21h. QUANTO: R$ 100/R$ 250.
Tags: Bem Gil, Carlos Prazeres, Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, Divirta-se, gilberto gil, Gustavo di Dalva, Jaques Morelenbaum, música, Nicolas Krassik, Orquestra Sinfônica da Bahia, Teatro Alfa
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NOVAS | Tame Impala mostra repertório do disco ‘Lonerism’
A banda australiana Tame Impala conquistou os fãs do rock psicodélico das décadas de 60 e 70 com seu álbum de estreia, ‘Innerspeaker’, lançado em 2010. Dois anos depois, eles garantem que o segundo álbum, ‘Lonerism’, que sai em outubro, é um disco mais atemporal. “É muito mais diverso. Acho que o gênero das músicas é mais difícil de se encaixar em um só, porque tem muitas coisas diferentes acontecendo, ideias diferentes. É um álbum muito mais moderno. Na verdade, não é realmente moderno. Ele não parece que é de uma época específica no tempo. Acho que é muito mais original”, conta o vocalista Kevin Parker.
Modernas ou não, as novas composições do grupo poderão ser apreciadas nesta quarta (15), quando eles se apresentam no Cine Joia, como atração do festival Popload Gig. O repertório, claro, também inclui faixas de ‘Innerspeaker’, que inegavelmente lembra o som de décadas passadas.
Numa época em que as guitarras estão mais escassas, o Tame Impala é um dos poucos nomes do rock psicodélico a se destacar nos últimos anos. Mas eles não se consideram continuando uma linhagem. “Acho que tem muitas bandas psicodélicas por aí, mas é difícil dizer se estamos continuando o legado delas. Eu não sinto que estamos carregando a tocha”, reflete Parker.
Isolamento e solitude – palavra que inclusive dá nome a uma das músicas – são temas explorados pela banda, que foi formada em Perth, cidade na costa oeste da Austrália, localizada a mais de 3 mil km de distância de Sidney. Mas Parker garante que esse isolamento geográfico não é o que influencia as letras. “É mais uma ideia, ou uma persona que vem da música, é cantar sobre esse sentimento”.
O músico esclarece que o Tame Impala só é uma banda quando está no palco. “Quando gravamos, é definitivamente um projeto solo. Sou só eu no estúdio. É o meu álbum”. Taís Toti
ONDE: Cine Joia (1.200 lug.). Pça. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231-3705. QUANDO: 4ª (15), 22h (abertura da casa: 21h). QUANTO: R$ 70/R$ 140.
Tags: austrália, Cine Joia, Divirta-se, innerspeaker, kevin parker, lonerism, música, perth, rock psicodélico, tame impala

FALTA UM | Nic Endo e Alec Empire, que, com CX Kidtronic, formam o Atari Teenage Riot
Extremamente politizado, o alemão Alec Empire joga tudo que pensa nas músicas do Atari Teenage Riot, que faz show hoje (15), no Cine Joia. E isso sem ser um militante chato – ao contrário. Foi no grupo fundado no início dos anos 90 que ele criou o absurdamente pesado digital hardcore e mostrou ao mundo que o punk e o hardcore não estavam mortos, mas andavam diferentes, afeitos à música eletrônica, especialmente ao techno. Hoje, com bandas como LCD Soundsystem devidamente idolatradas, parece óbvio. Há 20 anos não era.
O grupo passou uma década parado após a morte de um de seus fundadores, Carl Crack, em 2001. Mas em 2011, simultaneamente ao Occupy Wall Street, Alec trouxe a banda de volta com o clipe de ‘Black Flags’, que apoiava as ideias do OWS e também do grupo de hacktivistas Anonymous. Em seguida, veio o disco ‘Is This Hyperreal?’ e a constatação de que o Atari continuava igual: relevante, pesado e excelente.
Para a volta do Atari, você chamou CX Kidtronick, um americano, para o grupo. O que ele acrescentou? Diferente do que muita gente pensa, ele não veio para substituir Carl Crack. São muito diferentes. Ele nasceu nos Estados Unidos, Carl nasceu na África e cresceu na Alemanha. E CX tem sua própria história. Tocou com Saul Williams, produziu coisas com Trent Reznor, fez beats para Kanye West… É um cara que definitivamente agrega elementos novos ao grupo. E pode falar com mais autoridade sobre temas que a gente aborda.
Está falando de política, certo? Também. Se faço uma crítica ao Obama, nem sempre prestam atenção. É tipo: por que esse branquelo alemão está criticando o Obama? CX pode fazer isso num caminho muito diferente do que eu, alemão, faria. Cresceu lá, tem informações políticas e musicais bem diferentes das nossas. Só tem a acrescentar.
Quando você fala sobre o processo do ATR, parece tudo bem livre na hora de criar. Como funciona? É um projeto aberto. Em estúdio ou ao vivo, há sempre muitas pessoas de fora envolvidas com o que a gente faz. São guitarristas convidados, vocalistas… Gosto disso porque mantém as coisas excitantes. Nunca é a mesma fórmula. Se você trabalha com pessoas diferentes, imediatamente passa a pensar diferente.
Vocês têm fãs como os integrantes do Slayer e Trent Reznor. Que tipo de música inspira você? Meu gosto é muito amplo e, algumas vezes, o que me inspira vem de modo indireto. O Atari é uma colagem que deseja trazer as pessoas para bons momentos. Mas posso citar o punk… Bad Brains, Ramones, sempre, X-Ray Spex é uma influência enorme. Muito Public Enemy.
O que são essas influências indiretas? Muito jazz, Miles Davis, John Coltrane, Sun Ra… Música clássica, como Stockhausen e Wagner. Noise japonês. Sou um grande fã do ska jamaicano dos anos 60 e do começo do dub, que não é óbvio, mas é importante no Atari. Funk e soul.
Você nunca menciona o industrial como referência. Muita gente pensa que fui influenciado pelo industrial. Mas, honestamente, eu não ouvia nada disso quando comecei a tocar. Conhecia mesmo uma música do Nine Inch Nails, que tocava na MTV e eu gostava. Mas no início dos anos 90 eu estava realmente muito mais ligado no techno underground de Detroit. Parece piada, mas Nic Endo pode provar isso.
Tags: Alec Empire, Atari Teenage Riot, Bad Brains, digital hardcore, eletrônica, hardcore, jazz, John Coltrane, miles davis, música, música eletrônica, Nine Inch Nails, Public Enemy, punk, Ramones, rap, ska, Slayer, Sun Ra, techno, Trent Reznor, X-Ray Spex
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O DONO| após anos de brigas com Liam, Noel está só
Noel Gallagherparecia estar ansioso pelo fim do Oasis. E tão logo a banda acabou ele passou a se dedicar às composições de seu disco solo, ‘Noel Gallagher’s High Flying Birds’. O álbum, lançado em 2011, é a base do repertório que ele apresenta quarta (2/5), no Espaço das Américas.
Se os discos com sua antiga banda já não emocionavam nem público nem crítica, sua estreia solitária foi diferente. Os fãs aprovaram e colocaram o disco no topo das paradas britânicas.
As músicas, claro, lembram Oasis – até porque Noel era o responsável pelas composições do grupo. Mas as faixas também têm forte influência de seu grande guru musical, Paul Weller – que começou a carreira nos anos 70, como líder do The Jam.
ONDE: Espaço das Américas. R. Tagipuru, 795, Barra Funda, 3864-5566. QUANDO: 4ª (2/5), 22h (abertura dos portões: 19h30). QUANTO: R$ 180/R$ 340.
Tags: Divirta-se, Espaço das Américas, música, noel gallagher, Noel Gallagher’s High Flying Birds, oasis, paul weller, the jam
São Paulo também comemora o Dia Mundial das Lojas de Discos: numa feira com 40 expositores e mais de 6 mil discos para comprar – ou trocar (<3)

PROCURA | comece ou aumente sua coleção de discos
É bem provável que seu MP3 player armazene tantas músicas quanto a soma de todos os discos da Record Store Day de São Paulo. Mas e daí? Quem for à feira de CDs e LPs, na sua sexta edição mundial, está mais interessado na cultura que reúne os amantes de discos do que em números. Você é um deles? Eis a chance de começar, aumentar ou incrementar sua coleção.
40 lojas estarão reunidas durante as oito horas de feira, com mais de 6 mil exemplares à venda. Boa parte delas é de São Paulo, e talvez você se pergunte: “por que ir a uma feira se eu posso ir às lojas?”. Márcio Custódio, da Locomotiva Discos e um dos responsáveis pelo evento, responde: “Algumas lojas vão fazer promoções e rolam trocas de discos. A feira tem uma atmosfera de colecionistas”.
E tem raridades, fitas K–7 (isso mesmo!), LPs nacionais e importados, edições de luxo, box especiais – e, claro, pessoas tão interessadas em música quanto você.
Leve dinheiro. Apenas 30% dos stands aceitarão cartões de crédito e débito. E, em feira de vinil, disco é moeda: leve alguns para fazer trocas
ONDE: 80′s Club. R. Deputado Lacerda Franco, 342, Pinheiros. QUANDO: Amanhã (21), 10h/18h. QUANTO: Grátis.
Tags: dia mundial das lojas de discos, feira, música, vinil
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LÍRICO| Lanegan toca canções do disco novos (e antigas)
Não deixa de haver certa ironia no fato de uma das vozes mais cultuadas das últimas décadas do rock, frequentemente associada à de Tom Waits, ter sido descoberta de forma tão prosaica. “Eu era um mau baterista, e acabei assumindo os vocais da banda. Nunca tinha pensado em ser cantor. Foi assim que comecei.” Quem conta é Mark Lanegan, um dos grandes bardos do indie, que se apresenta amanhã (14) com sua banda no Cine Joia.
Lanegan é um genuíno ‘homem de música’. Cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor, esteve envolvido com algumas das figuras mais criativas do passado recente do rock. Sua trajetória tem raízes no ano de 1985, quando fundou, ao lado dos briguentos irmãos Conner, a pedra fundamental do grunge, fundamental para que depois nascessem Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam e tantas outras: a banda Screaming Trees. Anos de drogas, confusões, prisões e muita, mas muita música boa.
Com a dissolução do grupo, em 2000, ele mergulharia em outro projeto de altíssimo nível: o pesado Queens of the Stone Age, ao lado do genial e incendiário Josh Homme. E logo começa a gravar canções líricas e soturnas ao lado de Isobel Cambpell, do Belle & Sebastian. E depois com Greg Dulli, do Aphex Twin Afghan Whigs, como The Gutter Twins.
Se o início com o microfone foi acidental,é um Lanegan mais à vontade no palco que tocará canções do recém-lançado ‘Funeral Blues’. “Num estúdio você tem a possibilidade de criar seu pequeno mundinho”, diz. “Mas, com o passar do tempo, me apresentar ao vivo foi deixando de ser penoso. Hoje até gosto.”
Ele segue incansável. O que gostaria de fazer, musicalmente, que nunca fez? “Um disco de cover de crooners dos anos 60, Burt Bacharach, essas coisas. Sempre ouvi muito.” E algo que fez e nunca mais quer fazer? Ele nem titubeia: “Screaming Trees”. São as voltas que o mundo dá…
ONDE: Cine Joia (1.200 lug.). Pça. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231-3705. QUANDO: Sáb (14), 23h (abertura da casa, 21h). QUANTO: R$ 140.
Tags: Aphex Twin, Belle & Sebastian, Cine Joia, Divirta-se, Greg Dulli, Isobel Cambpell, Mark Lanegan, música, Queens of the Stone Age, Screaming Trees, The Gutter Twins.
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