23.fevereiro.2012 18:53:04

Tão Longe

por Carolina Arantes

divulgação
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CENÁRIO| Oskar Schell perde o pai (Tom Hanks) no ataque às Torres Gêmeas

É bom adiantar: gosto muito de ‘Extremamente Alto & Incrivelmente Perto’, livro de Jonathan Safran Foer em que Tão Forte e Tão Perto é baseado. Lançado em 2005, colheu impressões positivas de nomes tarimbados da crítica literária, que compararam Foer, então aos 28 anos, a Philip Roth e Salman Rushdie.

O romance é narrado em primeira pessoa por Oskar Schell, um garoto de nove anos que perde o pai nos ataques ao World Trade Center. Algum tempo depois, ele encontra entre as coisas do pai um envelope com uma chave e a palavra ‘Black’, no verso. Incapaz de lidar com a ausência, inicia uma expedição sem trégua atrás de cada uma das pessoas de sobrenome Black espalhadas pelos cinco distritos de Nova York, na esperança de que alguma delas saiba lhe dar pistas do cofre ou gaveta que aquela chave abre.

Com roteiro adaptado pelo veterano Eric Roth (de ‘Forrest Gump’,1994; ‘O Informante’, 1999; e muitos outros), o filme é dirigido pelo não menos prestigiado Stephen Daldry (de ‘Billy Elliot’, 2000; ‘As Horas’, 2002; e ‘O Leitor’, 2008). Traz Tom Hanks como o pai (com seu histórico de papéis comoventes, uma escolha certeira do casting), Sandra Bullock como a mãe e Max von Sydow como o misterioso inquilino que a avó de Oskar abriga.

Mas o time dos sonhos produz um bom resultado? Os desafios são muitos. O livro beira o sentimentalismo. Mas Foer equilibra o tom principalmente a partir da crueza de uma história paralela, a da vida do avô de Oskar, alemão de Dresden, refugiado da 2ª Guerra. De natureza ora dura, ora contida, o avô é personagem responsável pelo ‘universo adulto’, e nada lúdico, do romance. No roteiro, esta história foi praticamente eliminada. E o próprio Oskar (‘inventor, designer de joias, etmologista amador, francófilo, vegan, origamista…’) é, no livro, inteligente, irrequieto, egoísta, um tanto arrogante – mas, acima de tudo, uma criança. Só que sua verborragia, divertida por ser engenhosa no papel, e beneficiada ainda por muitos recursos gráficos adotados por Foer, funciona menos transposta para o som. O Oskar do filme soa mais adulto e, assim, menos passível de nossa simpatia.

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