À VONTADE| Apesar de gostar de exposições e outros passeios culturais,
Clara não é uma ‘adultinha’. É simplesmente uma criança,
encantadora e ingênua, compatível com sua faixa etária
Confesso que não entendo nada de artes. Terça (16), porém, tive uma aula na exposição De Dentro e de Fora, no Masp. Enquanto a repórter Marina Vaz me explicava tudo sobre a mostra, conheci e conversei com Clara Magro, uma menina de 6 anos que distribuía florzinhas – e vasta experiência!
ONDE:Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644.
QUANDO: 11h/18h (5ª, 11h/20h; fecha 2ª).
QUANTO: R$ 15 (3ª, grátis). Até 23/12.
Tags: Clara Magro, de dentro e de fora, exposição, Masp
Galeria de fotos com a montagem da mostra; trechos de entrevistas feitas pelo Divirta-se com artistas e curadores; informações sobre a trajetória de cada um dos participantes; e até um mapa com intervenções feitas pela cidade.
Tudo para você olhar a exposição de arte urbana De Dentro e De Fora, em cartaz de 17/8 a 23/12, no Masp, com olhos bem mais informados.
Clique no nome de cada um dos artistas ou curadores abaixo para ler trechos de entrevistas (com reportagem de Marina Vaz) e o currículo dos artistas (fonte e textos - Masp):
- Swoon (artista norte-americana)
- Teixeira Coelho (curador-chefe do Masp)
- Baixo Ribeiro (um dos curadores da mostra)
Quer uma ajuda para descobrir mais intervenções de Invaders na cidade? Clique aqui e bom passeio!
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
Clique nos ícones para abrir os PDFs.
Quer saber mais sobre os artistas e sobre a exposição? Clique aqui.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
“Há tempos, estamos trabalhando com essa ideia de espaço e como a imagem dialoga com a arquitetura. Usamos a arquitetura como elemento constitutivo, como uma tela, para criar outros espaços. Como a exposição é durante o dia, em vez de projeções, pensamos um desenho de luz ‘LED’. Vamos criar um circuito com uma animação. No desenho, vamos projetar uma expansão do Masp. É como se levássemos o Masp para fora e o que está fora pra dentro do Masp. E integrasse as duas coisas. Mas é uma relação suave, com ritmo lento; não é uma ‘balada eletrônica’. É uma animação que você olha e ela está de um jeito, quando olha de novo, depois de um tempo, ela está de outro. É uma pintura em larga escala feita com luz”
Tags: arte urbana, bijari, de dentro e de fora
EXPOSIÇÃO: “Estou trabalhando em conjunto com mais dois artistas argentinos. Cada um tem seu trabalho, mas a ideia dessa exposição é compartilhar tudo. Todas as obras são feitas em conjunto – um vem e faz uma parte, o outro completa. Há muita confiança entre nós; são dez anos trabalhando juntos. A cena de Buenos Aires tem como particularidade a ideia de se trabalhar em grupo na rua. Tem gente que vai pra rua e bebe; nós vamos fazer arte. É uma coisa de amigos. Como esta é nossa primeira mostra importante no Brasil, decidimos compartilhar com o público isso. A nossa forma de trabalhar é tão importante quanto a obra em si.”
ESTILO: “Minha personalidade é um pouco impaciente. Nunca vai haver no meu trabalho uma coisa que leva muito tempo, muita concentração. Eu sou bem rápido. Eu prefiro fazer muitas coisas ao mesmo tempo, tudo muito rápido, gestual.”
ESCULTURA DE FOGUETE: “Seguindo a ideia de ‘dentro e fora’, que é o tema da exposição, quando chegamos em São Paulo, decidimos fazer uma obra com material da rua. Então, achamos madeira e selecionamos por cores – as mais novas de um lado, as escuras de outro… Começamos a fazer uma obra em conjunto, que virou esta escultura de madeira, em formato de foguete, que tem um pouco de motivos religiosos. Como é um trabalho colaborativo, é difícil falar em conceitos, fica uma coisa bem livre.”
NAS RUAS: “Ainda não pintei nada nas ruas; a ideia é começar a pintar quando a exposição já tiver começado. Porque, diferente de outros artistas, nós (os três artistas argentinos participantes) vamos ficar uns dias a mais aqui. Eu fico até 10 de setembro, então, vou fazer alguns projetos com o setor Educativo do Masp, na periferia da cidade. E minha ideia é pintar hospitais públicos, escolas, fazer um workshop com as crianças. Mas esta é só uma ideia. Tenho de apresentar isso ao Masp. A gente estamos concentrado na inauguração, trabalhando aqui há quinze dias.”
Site oficial: www.tecalbum.com e http://www.flickr.com/people/tectec/
Currículo: Nascido em Córdoba, Argentina, tem suas últimas pesquisas baseadas no desenvolvimento de esculturas biomecânicas. Foi influenciado pela cultura urbana, grafitti, viagens e bandas de rock. Como Chu, estudou desenho gráfico na Universidad de Buenos Aires. Complementou seus estudos com fotografia, serigrafia, animação e vídeo. Juntou-se ao coletivo FASE (www.mundofase.com).
Entre 2000 e 2005, Tec e o coletivo FASE trabalham com animação e editam uma revista homônima. Nesse momento, criam diversas intervenções públicas ao redor do mundo. Em 2005, FASE é convidado para participar do festival de Cinema de Berlim por seu curta-metragem animado FASE FUTBOL05. Depois dessa experiência, Tec concentra energias na produção plástica e arte pública. Em 2006, cria o inhospitalfriends (www.inhospitalfriends.com), uma série de desenhos animados numa linha conceitual que representa o ócio. Em 2007, participa da Berlin Planet Prosezz junto ao FASE. Sua última turnê, chamada Carne Tour, o levou, ao lado de FASE e DOMA, a renomadas galerias da Europa, como GKO Gallery, na Espanha, e ArtyFarty Gallery, na Alemanha. Hoje, Tec vive em Buenos Aires.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
ESTILO: “No começo eu fazia muitas coisas assim, com muitos elementos, ícones, palavras. Só que eu mudei bastante minha arte para fazer processos mais simples. Tinha muitas vezes que as pessoas viam minha obra e não conseguiam entender exatamente a história, ainda que eu possa deixar as pessoas inventarem a sua própria história. Minha arte se tornou mais e mais simples. Aqui (no mural que fez dentro do Masp) é a primeira vez que, de novo, eu faço uma coisa com mais elementos.
INFLUÊNCIAS: “O cubismo, o grafismo, Picasso, Matisse… Os desenhos gráficos em geral e também a arte das crianças, a arte bruta.”
NAS RUAS: “Vou embora dia 16/8; ainda falta um tempo. Pretendo fazer uma pintura nas ruas até lá.”
Site oficial: remed.es
Currículo: Este muralista francês chamado Guilo tornou-se conhecido em meados de 2000 como Remed. Sua linguagem conversa muito com o design gráfico dos anos 70 e a art noveau além de desenvolver pesquisa em tipografia. Na maioria das vezes o resultado é figurativo complementado pelo uso de uma massa de cores pesadas em formas simples.
Segundo a novaiorquina Brooklynite Gallery, Remed é o tipo de artista que torna atual qualquer estilo tradicional. Experiente em trabalhar com pouco fluxo de tempo, Remed resolve quaisquer interações de cor de modo rápido e preciso. Ainda de acordo com a galeria nova-iorquina, o artista francês é capaz de manipular a língua inglesa com habilidade tipográfica formidável e um senso de estilo vigoroso.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
ESCULTURAS TRIANGULARES: “Eu trabalho com pintura e com tudo o que é abstração, com formas triangulares e manchas mais gestuais. Faço parte de um coletivo que se chama Doma e já vinha fazendo um trabalho em maquetes, com peças menores. Aqui no Masp surgiu a oportunidade de levar esse trabalho a uma escala maior. E acabei criando instalações mais pessoais, com formas mais abstratas, que têm mais a ver com minha pintura.”
PARCERIA: “Eu, Defi e Tec nos conhecemos há muitos anos e estamos acostumados a trabalhar juntos. Trabalhando em grupo se aprende muito, é um exercício para a arte. Fizemos juntos esta parede (aponta para o mural criado pelos três artistas argentinos), mesclando os estilos. Ainda que cada um tenha um estilo distinto, a forma de trabalhar é muito igual.”
Site oficial: http://www.studiochu.tv
Currículo: Chu nasceu em Buenos Aires em 1974. Pinta murais, mas traz a tradição do desenho gráfico, com destaque para personagens quase infantis, além de atuação em vídeo e motion graphics. Seu Studio Chu trabalha em ilustração, desenhos com personagens e animação.
Chu foi influenciado pela cultura urbana e pelo skate. Estudou desenho gráfico, ilustração, serigrafia, fotografia e animação na Universidad de Buenos Aires, onde chegou a dar aulas por três anos. Em 1998, forma o coletivo multidisciplinar de experimentação DOMA com Mariano Barbieri, Matías Vigliano e Orillo Blandini. Em 2001, trabalha no The Locomotion Channel, em Miami. Lá, ganha mérito ao desenvolver uma nova imagem para o canal e se envolve com VJing formando, junto com David Navas, Walter Zamora e John Lum, o Undo Project. Em 2003, começa a produzir bonecos e fantoches dentro do coletivo DOMA, no projeto paralelo SAMBOtoys. Entre 2004 e 2006, dedica-se totalmente ao DOMA, realizando projetos comerciais e artísticos, como mostras e instalações em importantes museus e galerias do mundo todo. Hoje, Chu vive na Argentina e atua com os projetos www.doma.tv, http://www.turbogaleria.com/, http://www.sambotoys.com/, http://www.globolab.tv/.
Tags: chu, de dentro e de fora, Masp
OBRAS: “Aqui (dentro do Masp) vai ter uma videoinstalação com dois filmes, um deles do projeto que eu fiz no Rio de Janeiro, e vai ter mais seis filmes com cerca de 10 minutos. Lá fora (no prédio ao lado do Masp) é um projeto que eu nomeei ‘Unframed’, com uma foto que eu peguei do arquivo do museu – um fotógrafo famoso do Rio (José Roberto Ripper) tirou a foto no Matogrosso do Sul, em um dia de confronto entre fazendeiros, policiais.”
Site oficial: http://www.jr-art.net/
Currículo: Os trabalhos do francês envolvem arte pública e fotografia e são exibidos livremente nas ruas, capturando a atenção de pessoas que não são as típicas visitantes de museus e galerias. Suas obras são uma mescla de arte e atitude, falam sobre compromisso, liberdade, identidade e limitações. Muitas vezes, seu trabalho é exposto sem autorização, numa intervenção que questiona, provoca reflexão e exibe mazelas em belos e grandes retratos.
Em 2006, JR lançou Portrait of a Generation com retratos de larga escala de “bandidos” suburbanos exibidos em bairros burgueses de Paris. A princípio ilegal, o projeto foi oficializado a partir do momento em que o Paris City Hall revestiu seu edifício com fotos do artista. No ano seguinte, JR foi responsável pela maior exposição ilegal até hoje – considerada impossível por especialistas: ao lado de Marco, ele exibiu retratos enormes de israelenses e palestinos, frente a frente, em oito cidades palestinas e israelenses, na exposição Face 2 Face.
Entre outros trabalhos, JR ganhou o TED Prize em 2011 e criou o Inside Out Project, com o objetivo de desenvolver um projeto de arte participativa em grande escala que transforma mensagens pessoais em elementos de uma grande obra (http://www.insideoutproject.net/). Além disso, JR criou o Pervasive Art que toma de assalto, com suas grandes fotos protagonizadas por indivíduos comuns, os prédios e favelas na França e no Brasil, nos muros do Oriente Médio e nas pontes quebradas da África.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
Site: http://www.nola.com/arts/index.ssf/2011/06/street_artist_swoon_creates_se.html
Currículo: Californiana, Swoon mudou-se para Nova York aos 19 anos, onde estudou no Pratt Institute. Destaque no cenário da arte urbana contemporânea, conhecida desde 1999 por trabalhar com colagens de tamanho real em muros, além de xilogravuras. Utiliza muito papel impresso e pintado e suas obras têm grande parentesco com a técnica do estêncil, mas com aplicação invertida. Passa horas recortando papel com estilete, moldando madeira e papelão para dar origem a grandes instalações (ou cenografias). É também exímia pintora. Segundo o curador e crítico Carlo McCormick, o trabalho de Swoon reflete o sentido que cada um experimenta do mundo (Swoon – Graffiti Artist, 2010, publicado pela ABRAMS).
Membro do Justseeds Artist Cooperative, que comercializa arte pela internet e atrela essa iniciativa a atividades e causas sociais, Swoon é politizada e mobilizadora. Busca sempre atuar com um grupo grande de pessoas e seu espírito agregador move colegas artistas, engenheiros, arquitetos. Em 2008, no México, conheceu as histórias de garotas sequestradas e estupradas na fronteira com os Estados Unidos, o que acabou gerando uma instalação com ares de memorial de uma das vítimas, proporcionando uma discussão social sobre os crimes. Também em 2008, outro de seus projetos agregadores foi uma parada de barcos construídos com materiais descartados. A performance levou um grupo de jovens a correr o Rio Hudson, em Nova York, e foi intitulada Swimming Cities of Switchback Sea. Em 2009, Swoon organizou uma performance similar durante a Bienal de Veneza, circulando pelos principais canais da cidade. Em 2010, esteve no Haiti após o terremoto com o propósito de desenvolver, com moradores de um vilarejo, alternativas para a construção de abrigos e residências adequadas ao clima (http://konbitshelter.org/). Recentemente, expôs na mostra coletiva Viva La Revolución: A Dialogue With the Urban Landscape, no Museu de Arte Contemporânea de San Diego, Califórnia.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
INFLUÊNCIAS: “Eu me sinto muito influenciado pela energia do dia – às vezes, estou com muita energia positiva e pinto, dá pra notar isso na tela. Agora, quanto a influência artística, gosto muito de Monet, de Basquiat (que é mais contemporâneo). Mas não penso muito em influências a nível visual, gosto muito da ação. O processo para mim é muito mais importante do que o resultado final.”
ESTILO: “(Nos trabalhos coletivos) dá para identificar que o meu traço é o mais expressivo. E também infantil, como de uma criança de três anos. Eu tento chegar a isso, mas é impossível, pois temos muitos preconceitos na cabeça. Se fosse para definir meu estilo seria o de uma criança de três anos com a cabeça de um adulto.”
Sites oficiais: flickr.com/eldefi e http://www.lindokiller.com/
Currículo: O artista argentino vem da escola da arte urbana e do grafitti, mas seu traço colorido é rápido e caoticamente infantil. Lida com rolinhos e tinta acrílica, bem como com spray, lápis e giz e geralmente faz com que seus desenhos escapem da tela, num proposital “acidente” visual, numa explosão de cor.
Atualmente, faz esculturas e instalações com miniaturas de carros, pessoas, casas, criando dioramas que denotam pessoas em situações de risco, como uma tempestade iminente, um carro batido em uma árvore etc. Embora a maioria de seus trabalhos seja abstrata, também trabalha com desenhos de personagens e quase sempre se vê gatos, naves e polvos que circulam até mesmo pelo papel, em colagens. Defi participa de exposições internacionais desde 2005. Entre elas: Apart Gallery, em Londres, Rojo, na Itália, e o Saba Proyect, em Paris.
Tags: arte urbana, de dentro e de fora, Masp
2012
2011
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