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24.maio.2012 18:47:29

Só que não

por Ramon Vitral

O 16º Festival Cultura Inglesa começa hoje (25), com quatro mostras gratuitas de cinema. Conheça os destaques

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17.maio.2012 16:18:53

Luz, câmera, ação

por Ramon Vitral

Entre o cerebral e a pancadaria, dois filmes de muita ação entram em cartaz. Saiba o que achamos deles.

 

Allan Poe contra A. Poe|

 

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Obras literárias policiais serviram de inspiração para um sem-número de filmes. O Corvo homenageia o gênero ao tomar liberdade para narrar os últimos dias de vida daquele que é considerado por muitos como um dos pais da literatura policial, Edgar Allan Poe.

 

Como consta nos créditos de abertura da produção dirigida por James McTeigue – de ‘V de Vingança’ (2005) –, Poe (1809-1849) morreu de forma misteriosa, alguns dias após ter sido encontrado delirante em um parque de Baltimore. O filme, protagonizado por John Cusack (foto), coloca o escritor americano nos dias que antecederam sua morte, em meio a uma investigação policial sobre crimes inspirados em seus textos.

 

Com baixo orçamento para os padrões hollywoodianos (o filme tem custo estimado de U$ 26 milhões), ‘O Corvo’ não perde tempo com efeitos especiais gratuitos e investe numa trama criativa, com algumas cenas de bastante violência. Não, esta não é a obra definitiva sobre um dos autores ocidentais mais celebrados de todos os tempos. Na verdade. está longe disso, apesar de contribuir para manter a aura misteriosa que cerca a figura de Poe.

Mel Gibson contra o mundo| 

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Mel Gibson retorna às origens como herói de filme de ação em Plano de Fuga, buscando o prestígio perdido em Hollywood. Sem o carisma que tinha nos tempos de ‘Máquina Mortífera’ (1987), ele apela para o que resta de uma carreira ultimamente marcada por polêmicas. Mas, aos 56 anos, Gibson mostra ter fôlego de sobra.

Trancafiado em uma prisão mexicana não muito diferente de uma cidade, onde alguns dos prisioneiros estão acompanhados de seus familiares, o personagem de Gibson, que não tem nome, faz amizades para garantir a sobrevivência, enquanto busca meios para fugir do local – sem deixar de lado explosões, tiros e muitas mortes.

Nos últimos anos, Gibson foi acusado de antissemitismo, dirigiu um filme falado em um dialeto maia (‘Apocalypto’, de 2006) e protagonizou o excêntrico ‘Um Novo Despertar’ (2011), dirigido por Jodie Foster. Produzido pelo próprio ator e estreia de Adrian Grunberg na direção, ‘Plano de Fuga’ pode até ser parte da estratégia para retomar a carreira do ator, mas tem bastante personalidade. O filme não cede ao politicamente correto e ecoa a estética de ‘Cidade de Deus’ (2002).


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26.abril.2012 18:56:07

As lições de Pina

por Carolina Arantes

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Na esteira do lançamento celebrado de ‘Pina’, o documentário em 3D de Wim Wenders que encena algumas das principais coreografias da alemã Pina Bausch (1940-2009), estreia Sonhos em Movimento, documentário de Rainer Hoffmann e Anne Linsel que acompanha um dos últimos projetos da coreógrafa alemã, concluído pouco antes de sua morte (veja o trailer). Durante um ano, e auxiliada por sua inabalável diretora de ensaio, Josephine Ann Endicott, Pina treinou adolescentes de 14 a 18 anos, sem experiência alguma de palco ou de dança, para o seu aclamado espetáculo ‘Kontakthof’. Apesar da estrutura bastante convencional, o filme vale por seu objeto primoroso. É gratificante acompanhar a evolução dos jovens tanto quanto à expressão corporal quanto à maturidade – e atestar, uma vez mais, o espírito inquieto de Pina.

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26.abril.2012 17:48:52

Glocal

por Carolina Arantes

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HíBRIDO| realidade e ficção se mesclam no primeiro longa de dupla mineira

Girimunho é redemoinho, em ‘mineirês’. O fenômeno é dado a metáforas e dá título ao existencialista primeiro longa da dupla mineira Helvécio Marins e Clarissa Campolina.

O filme acompanha o dia a dia de duas senhorinhas, Bastú e Maria, em São Romão, um vilarejo no sertão de Minas Gerais. Respeitando o ritmo de suas vidas, e o incorporando, apresenta as cenas em planos fixos e bastante longos. Imagens das mulheres em atividades cotidianas – cozinhando, discutindo com os netos, ouvindo música – são intercaladas a imagens da paisagem à volta – os rios, as matas em que trabalhadores descansam, as luzes da cidade à noite.

O ritmo, desacelerado, celebra a grandiosidade de um cotidiano que, à vista distraída ou destreinada, parece prosaico, e até vazio.
Tão metafísica quanto naturalista, em ‘Girimunho’, a imagem de um redemoinho tanto representa a persistência da vida, com seus ciclos, como celebra a plenitude da natureza. “A gente não começa nem acaba. A gente não é velho e nem novo. A gente vive”, diz Bastú.

Dirigindo-se a nós, espectadores, ou conversado com seus pares, as mulheres incitam questões como a passagem do tempo e a morte. Suas experiências, apesar de particulares, porque carregadas de regionalismo, são ainda universais. Não à toa, ao apresentar o filme, os diretores citam Guimarães Rosa.

Em um episódio, Bastú conta que virou peixe. “Os dois dourado era tão dourado que matou a luz do sol.” Os diretores, cujo primeiro longa lembra obras do filipino Brillante Mendoza e do tailandês Apichatpong Weerasethakul, pertencem a uma cena recente do cinema brasileiro adepta da ficção calcada no documental (ou de uma realidade ampliada) – da qual faz parte também Felipe Bragança, co-diretor de ‘A Alegria’, que assina o roteiro. Assim, as personagens, ainda que reais, interpretam a si mesmas. Diante das câmeras, surge a possibilidade de uma nova narrativa para suas vidas. Na qual cabe, inclusive, espaço para o mistério, o sobrenatural.

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26.abril.2012 17:30:19

Santo de Casa

por Ramon Vitral

De editora falida a produtora de ponta, a Marvel triunfa com a estreia de ‘Os Vingadores – The Avengers’, filme povoado de heróis que, sim, fazem milagre

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19.abril.2012 18:40:15

Sangue, suor e lágrimas

por Carolina Arantes

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CULT| cena do aclamado ‘Vício Frenético’, de 1992

A partir de 4ª (25) o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) abriga uma mostra que homenageia o universo radical do cineasta norte-americano Abel Ferrara. A filmografia do diretor, realizada ao longo de 30 anos, será exibida integralmente na retrospectiva Abel Ferrara e a Religião da Intensidade, que traz 24 longas, três curtas e dois episódios da série ‘Miami Vice’.

Com filmes cultuados como ‘Vício Frenético’ e ‘O Rei de Nova York’, e o recente e documental ‘Napoli, Napoli, Napoli’ (2009), Ferrara é dono de um estilo único. Com planos longos e pouca música, revela os dramas de personagens autodestrutivos, imersos em dinâmicas sociais de muita violência e religiosidade.

Em sua primeira visita ao Brasil, Ferrara conversa com o público na própria quarta (25), às 13h, no CCBB. Confira aqui a programação completa.

Onde: Centro Cultural Banco de Brasil(CCBB). R. Álvares Penteado, 112, Centro, metrô São Bento ou Sé, 3113- 3651. Quando: 25/4 a 5/5. Quanto: R$ 4.

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19.abril.2012 18:37:10

Boas notícias

por Carolina Arantes

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MUSA| Camila Pitanga vira personagem de Marçal Aquino

Eu Receberia As Piores Notícias de Seus Lindos Lábios é o romance mais cultuado de Marçal Aquino. Por isso, muita gente deve assistir ao filme homônimo de Beto Brant e Renato Ciasca com um longa ‘pré-montado’ na cabeça.

Pode até ser que este não seja o ‘seu’ filme, leitor. Mas é uma bela adaptação. Ambientada em uma cidade ribeirinha, fala do triângulo amoroso entre a ex-prostituta Lavínia (Camila Pitanga); seu marido, o pastor Ernani (Zécarlos Machado); e o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado), um ‘intruso’, que muda-se da cidade grande à trabalho.

Os diretores e o próprio Aquino, que roteirizou o romance, optam por eliminar parte do conteúdo, como personagens secundários, e centrar o longa no triângulo. Desta forma, evidenciam a diferença da natureza das duas relações propostas pelo livro: Cauby tem Lavínia como musa. Não à toa, os ensaios fotográficos sustentam a relação. Ernani a conquista pela palavra – ele a encontra nas ruas, drogada. A Lavínia do pastor é a de uma alma recuperada.

Às ausências deliberadas da narrativa soma-se a não linearidade dos acontecimentos, que tornam a trama rarefeita e muito poderosa em suas sugestões.

No livro, o pano de fundo é o garimpo. A violência que se impõe sobre a dinâmica social do lugar faz paralelo com o romance de Lavínia e Cauby (ele próprio um clandestino, também marginal) – e nele interfere de forma trágica. O filme substitui este conflito pelo da exploração ilegal de madeira (testemunhada pela equipe no local das gravações)e insere na trama, sem artificialismos, a luta da população contra a destruição das terras.

É este inclusive um dos temas das pregações do pastor Ernani, personagem que no filme ganha complexidade com um discurso que é religioso, mas também político – e ainda contaminado pela cultura indígena local.

Em tempo: Gero Camilo está espetacular no papel de Victor Laurence, o jornalista dúbio que assina a coluna de fofoca no jornal da cidade e se torna confidente de Cauby.

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12.abril.2012 23:39:45

Vim, vi, venci

por Carolina Arantes

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THRILLER|
Amanda Seyfried persegue um sequestrador sem a ajuda da polícia

12 Horasmarca a estreia de Heitor Dhalia em Hollywood. E revela: são muitas as marcas que a indústria impôs ao diretor. Paralela a uma carreira bem sucedida na publicidade, sua produção é notadamente autoral. Entre seus dois primeiros filmes (‘Nina’ e o cult ‘O Cheiro do Ralo’), Dhalia trabalhou com Marçal Aquino e Lourenço Mutarelli nos roteiros, construindo um universo marginal, de tipos neuróticos. ‘À Deriva’, que lhe trouxe certa expressão internacional, já trazia um tema mais suave: a transição para a vida adulta de uma garota durante as férias.

‘12 Horas’ é um suspense. E como filme de gênero se mantém fiel à proposta. Na trama, Jill (Amanda Seyfried) descobre que sua irmã desapareceu. Convencida de que ela foi raptada pelo mesmo agressor que anos antes a sequestrara, Jill decide encontrá-lo, sem o apoio da polícia – que desconfia de sua sanidade. Rodado na hipster Portland, o longa atualiza de forma interessante a já batida ideia do protagonista de discurso duvidoso. Mas isto, somado a uma paleta de cores algo soturna, é o que de autoral se pode destacar. Dhalia agora volta ao Brasil para filmar ‘Serra Pelada’, com ares de épico e Wagner Moura no elenco. Por este filme, que parece mais ‘nosso’, aguardamos com expectativa.

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12.abril.2012 19:20:14

Vivo Open Air

por Carolina Arantes
29.março.2012 20:06:04

O último romântico

por Carolina Arantes

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FALTA| longa em preto e branco retrata a vida trágica do jogador de futebol Heleno de Freitas

É bom alertar os fãs: Heleno não é um filme sobre futebol, ou mesmo sobre um jogador de futebol. É verdade, e o longa deixa claro, que Heleno de Freitas era indissociável do Botafogo. Mas José Henrique Fonseca (de ‘O Homem do Ano’) opta por registrar a história de um homem genial e sua derrocada trágica.

Não existem muitas imagens de Heleno em campo. Ele ‘carregou o Botafogo nas costas’, como diria, lá pelo fim da década de 30, tornando-se o maior ídolo do time antes de Garrincha. Mas, à parte uma ou outra jogada que não dão dimensão de sua habilidade em campo, grande parte do filme se passa nos vestiários dos estádios e nos domínios do Copacabana Palace, onde Heleno passava temporadas.

Mulherengo, egocêntrico, fumante, beberrão, arrogante, explosivo – adjetivos não lhe faltaram. Heleno morreu aos 39 anos, demente em consequência de uma sífilis nunca tratada e praticamente irreconhecível, em um hospício de Barbacena (MG).

Ainda que seja fiel à cronologia, o ponto alto do filme está em retratar episódios de vida do jogador de forma solta. A escolha é beneficiada pela fotografia em preto e branco de Walter Carvalho, que parece eternizar o ídolo. Como o mural que Heleno montava no hospício com recortes de jornal de sua época áurea, ‘Heleno’, o filme, resulta em uma belíssima coleção de imagens – de pontos sempre altos, mesmo quando tristes.

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