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28.junho.2012 18:05:11

Sol e chuva

por Carolina Arantes

divulgação
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FANTASIA| Penélope Cruz é par de um desajeitado, no novo filme de Woody Allen
Muita gente torceu o nariz quando Woody Allen lançou olhares apaixonados para outras cidades, traindo Nova York, sua eterna musa. Mas filmes de boa aceitação, como ‘Match Point’ e ‘Vicky Cristina Barcelona’, acabaram por legitimar suas aventuras. Este, porém, talvez não seja o caso de Para Roma, com Amor. Uma cidade turística, na alta temporada do verão, é berço de nativos desencantados e destino de turistas com expectativas altas. O espaço, solar como em ‘Vicky…’, recebe por outro lado uma trama agridoce, em mistura que pode causar estranheza.

Como há muito tempo não fazia, Allen reúne uma infinidade de personagens – cerca de 15, entre principais e coadjuvantes – cujas histórias, entretanto, não se cruzam. Um arquiteto americano renomado (Alec Baldwin) visita a cidade onde um dia foi estudante – e idealista; um jovem casal do interior procura se livrar da caipirice e acaba se desencontrando: por engano, ele para nos braços de uma prostituta (Penélope Cruz) e ela, nos de um ator canastrão (Antonio Albanese); um agente funerário, tenor apenas durante o banho, é convencido por um ex-diretor de ópera (Woody Allen) a levar seu talento – e chuveiro – aos palcos. Um pai de família de classe média (Roberto Benigni) passa a ser, sem explicações, assediado pela mídia como um astro de Hollywood. Um jovem arquiteto americano (Jesse Eisenberg), vivendo em Roma com uma namorada ideal (Greta Gerwig), se apaixona pela amiga da garota, uma atriz instável, frágil e egocêntrica (Ellen Page).

Em comum, os personagens aceitam as possibilidades que se apresentam. Paixões momentâneas, novas carreiras e mesmo a vontade prosaica de andar por aí sem motivo são acatadas. Não surpreende que, em trama como esta, Allen voltasse a criar situações de fantasia – beneficiadas pela câmera fluida, às vezes até delirante, de Darius Khondji.

Nem tudo na trama acaba bem – mas aceitar o resultado em prol da experiência requer maturidade. Dos personagens e do espectador. O riso, desta vez, não sai fácil.

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