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16.fevereiro.2012 18:36:53

Ode ao passado

por Ramon Vitral

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MÁGICA| o ilusionismo inicia Hugo no mundo do cinema

O primeiro filme do diretor Martin Scorsese em formato 3D é uma ode às origens do cinema e ao ímpeto criativo dos precursores da técnica de captação de imagens em movimento. A Invenção de Hugo Cabret cria uma ponte entre as tecnologias mais modernas do cinema digital e os feitos analógicos dos primórdios da indústria.

É 1931 e o jovem Hugo Cabret realiza o trabalho que deveria ser de seu tio alcoólatra e ausente: é responsável pela manutenção dos vários relógios espalhados pela estação de trem em que vive. Do pai – morto recentemente – herdou a paixão por máquinas e um autômato, no qual estavam trabalhando juntos. Consertar o robô é, para o garoto, um meio de desvendar uma mensagem que teria sido deixada pelo pai.

A rotina leva Hugo a esbarrar com George Méliès, cineasta pioneiro, responsável por alguns dos mais emblemáticos e inovadores filmes produzidos ainda nas primeiras décadas do século 20. Tido como morto após a 1ª Guerra Mundial, Méliès é dono de uma loja de brinquedos instalada na estação – e peça-chave do segredo de funcionamento do autômato.

Longa com mais indicações ao Oscar 2012 – nomeado 11 vezes (incluindo roteiro, direção e melhor filme) –, ‘Hugo’ é o filme com melhor uso do 3D já produzido. Baseado em um livro homônimo, de 2007, editado no Brasil pela SM, não se perde em excessos gratuitos, como objetos saltando à tela, e investe na ilusão da percepção de profundidade de forma a causar inveja a ‘Avatar’ (2009).

Martin Scorsese é conhecido por suas produções urbanas, sujas e cruas. Seu filmes exalam testosterona e são pouco convidativos a crianças. ‘Taxi Driver’ (1976), ‘Touro Indomável’ (1980), ‘Os Bons Companheiros’ (1990) e ‘Os Infiltrados’ (2006) são só algumas das mais marcantes obras de uma filmografia marcada por sangue, loucura e lágrimas. Cinéfilo como poucos cineastas, Scorsese fugiu ao seu padrão em ‘Hugo’ e talvez tenha produzido a sua mais sincera declaração de amor ao objeto de seu trabalho. Ramon Vitral

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