Superlotada, inflacionada, maquiada: a Augusta completa mais um ciclo e deixa de ser o centro alternativo da cidade
A essa altura é óbvio, mas é bom afirmar: o Vegas Club se matou. E levou com ele o Baixo Augusta. Famoso por retomar a noite da região, então reduto mais de cafetões e prostitutas do que de jovens, o clube ajudou a valorizar a Augusta (e, claro, a aumentar o preço do metro quadrado por ali). Mas o fechamento da casa que por sete anos ocupou o galpão no número 756 da rua é mais do que isso: é também um marco de sua decadência e (sim…) de seu fim como reduto da noite alternativa paulistana.
Assim como o Vegas que, há pelo menos dois anos não estava mais na sua melhor forma, o Baixo Augusta está longe de seu auge. “Eu adoro a Augusta, mas não aguento mais no sábado ou na sexta”, afirma Thomas Haferlach, produtor da ‘Voodoohop’, festa que começou ali na rua, no Bar do Netão. “Acho que está virando tipo fenômeno da Vila Olímpia”, afirma. A opinião de Haferlach reflete a opinião de muita gente que antes batia ponto na região e agora procura diversão fora dali.
De rua alternativa a calçadão de praia
Se antes andar pela rua era uma parte fundamental da noite – beber em algum lugar, olhar a entrada de outro, encontrar pessoas –, agora o próprio ato de descer a Augusta ganhou contornos caóticos. Há tanta gente na calçada que é mais fácil andar pela rua, entre os carros e ônibus. O cenário todo ganhou um quê de praia no feriado: os carros com som alto passando só para dar uma olhada, o acúmulo quase insuportável de pessoas bebendo na rua, a dificuldade de conseguir comprar uma bebida, as filas das baladas. Reformas tentam dar uma cara mais sofisticada aos lugares, descaracterizando-os, e os preços acompanham a transformação da rua.
Os clubes também já não são o tiro certeiro que foram um dia: ainda há festas legais, mas as noites mais interessantes da cidade estão em outros lugares. Inchado, o Baixo Augusta virou destino óbvio e passou a ser preterido por produtores de festas, que buscam espaços alternativos.
E, pior: a própria tradição de simplesmente andar pela rua tem uma nova ameaça. Com a chegada de novos edifícios residenciais, o silêncio noturno ganha importância.
Nos passos do Soho
A Vila Madalena passou por um processo semelhante. Destino de jovens, ganhou uma noite boêmia que valorizou a região e acabou por expulsar esses mesmos jovens de lá. “A cultura alternativa saiu da Vila Madalena e agora está sob ataque na Augusta”, diz Alê Youssef, cujo Studio SP mudou do bairro para a Augusta em 2008.
Há uma palavra para isso: gentrificação. Um ciclo que tem no Soho, em Nova York, o exemplo clássico. Jovens e artistas migram para um bairro, valorizando o espaço a ponto de não mais poder viver nele. E o Baixo Augusta segue por essa trilha. Em alguns anos, ela deve ter uma cara bem diferente, parecida à dos Jardins. Para Youssef, é preciso cuidar da vocação das ruas. “É tudo oito ou oitenta: agora vai virar um monte de prédios.”
Sim, eles já chegaram. Os dois maiores empreendimentos são da Even – na Bela Cintra, com fundos para a Augusta – e da Esser, na esquina com a R. Dona Antônia de Queirós. Ambos são torres com apartamentos de um e dois dormitórios, academias, saunas, piscina. Maurício Belo, diretor de incorporação da Even, diz não acreditar que os edifícios vão mudar a cara da rua. “Se você faz uso de um espaço 24 horas por dia, deixa ele mais seguro.”
Para Facundo Guerra, um dos donos do Vegas, a tendência é que a região fique mais residencial. “Mas só daqui a uns cinco anos”, diz ele.

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Agora vai
Mas se não ao Baixo Augusta, para onde ir? O próprio Facundo não abre nada lá desde 2009, quando inaugurou o bar Z Carniceria. Suas novas casas caminharam em direção ao centro: o Lions Nightclub, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, o Cine Joia, na Liberdade, e o Yacht Club, no Bexiga. “Quando abri o Vegas, achava que as pessoas ainda não estavam preparadas para ir mais para o Centro, mas era essa a intenção”, afirma. “A Augusta sempre foi um passo intermediário.”
Mas Facundo não acha que algo como o Baixo Augusta possa aparecer em qualquer outra parte da cidade: “A Augusta tem condições únicas”, diz. “Acho que no Centro as coisas vão ser mais dispersas, até porque ele já está ocupado com comércio e residências.”
Youssef não acredita que a solução seja tão simples quanto se mover para outra parte da cidade. “Para quê? Para acontecer a mesma coisa nesse outro lugar?”, diz. “Chega uma hora que tem que parar com esse jogo, que é muito nocivo.” Para Youssef, é preciso cuidar das zonas com tradição de noite e de diversidade cultural, e procurar um equilíbrio. “Isso não vai acontecer se não houver uma preocupação legítima da cidade de criar formas de preservação da cultura alternativa”, afirma. “São Paulo não presta atenção a isso.”
Mas, se as opções de futuro parecem muitas, não se desespere – porque as opções de futuro são mesmo muitas. O melhor a fazer é aproveitar o que vier.
Centro Avante
O Centro já não é o mesmo – ainda bem. Com uma noite cada vez mais bacana, ele fica mais seguro e segue a trilha um dia percorrida pela Augusta
Saindo da rua Augusta, a Voodoohop, apesar de seu caráter itinerante, encontrou uma sede afetiva na Trackers, prédio no Largo do Paiçandu. É para esses lados que Thomas Haferlach vê a noite paulistana caminhando. “O Centro é lindo, decadente e tem muitos espaços a serem descobertos”, diz ele. “É a progressão lógica para a cultura e a vida noturna alternativas.” O alemão radicado em São Paulo acredita que a área vai se beneficiar dessa ocupação. “O clima em geral é muito mais simpático do que era dois anos atrás”, diz. “Acho que, em seguida, vão abrir cinemas de novo e espero que daqui a alguns anos apareçam mais e mais centros de cultura e de noite mesmo.”
Outro produtor que investe em áreas diferentes da cidade é Emmanuel Vilar, das festas Sem Loção e Javali – a primeira, tradicional, se dá em cima de um estacionamento no Bexiga e a outra, nova, descobre espaços na Liberdade. E é nesses bairros (os mesmos que abrigam a tríade Yacht-Lions-Joia) que Vilar aposta para um possível centro da cultura alternativa. “Acho que balada pode ser um ótimo meio para isso, para que as pessoas se apropriem de uma parte ‘esquecida’ da cidade”, diz.
Pode ser que a noite no Centro seja dispersa, como afirma Facundo Guerra, mas é fato que o seu Cine Joia, inaugurado ano passado em sociedade com André Juliani e Lúcio Ribeiro, já entrou para o roteiro obrigatório da noite paulistana: desde novembro, a oferta de ótimos shows, nacionais e internacionais, tem sido constante.
Sopre a bolha
Reveja seu conceito de balada: ela pode ser um cineminha, uma tarde na praça. E pode estar em locais menos óbvios, como a Água Branca (ou a Vila…)
Balada não precisa ser na balada não: pode ser domingo à tarde na Praça Dom José Gaspar. É lá que, sob a sombra de palmeiras, todo mundo dança nas festinhas do Paribar, às vezes uma ‘Voodoohop’, outras uma ‘Selvagem’ ou uma ocasional feira de discos com DJs. Domingo não é dia de ficar em casa, não.
E não é mesmo: que tal então uma festinha com clima caseiro, cerveja barata, macarrão e um bom filme? É assim o CineCentro, um cinema alternativo comandado por um grupo de jovens italianos que adotaram São Paulo.
De todos os lugares do Centro, o que talvez mais precise ser movimentado e revitalizado – também por sua função histórica de noite – é a Praça da República. Dando o pontapé inicial, o Espaço Cultural Walden, com shows de rock, noites de reggae e festas alternativas em geral.
Do lado do Parque da Água Branca, o Neu Club não fica perto de um monte de bares, mas é um endereço alternativo importante. Com Dago no comando das noites de sexta, e Guab nas de sábado, dois veteranos da noite paulistana, a casa ainda recebe outras festas na quinta, e ótimos shows. Também é a sede paulistana do dançante coletivo Avalanche Tropical.
Enquanto o endereço na Augusta continua sendo palco de shows, o Studio SP Vila Madalena dá espaço para peças de teatro e festas – do groove em vinil da ‘Veneno Soundsystem’ às batidas balcânicas da ‘Gas Gas’.
E dê uma olhada na programação da Choperia do Sesc Pompeia!
Tags: augusta, baixo augusta
Isto é o que eu chamo de urbanização “modelo gafanhoto”. Ocupação, devastação e depois sair voando por aí em busca de outro local para devastar. Os chamados “habitues” estão em franca extinção, o conceito de curtir se alterou de apreciar para azarar. Uma pena…
Me lembro 5 anos atrás um artigo no Estadao falando sobre a decadencia da Rua Augusta, bem na época que ela estava valorizando. Agora outro artigo falando que ela já “foi”. Acho que não é isso, pois alugar um estabelecimento na rua ficou muito caro. Depois da reforma da Roosevelt, a construção do novo Cad´Oro e a construção da Praça Augusta deve valorizar mais ainda. Talvez a Augusta volte a ser o que era na no passado , saia do alternativo para se sofisticar e atrair o comercio que não consegue vaga na Oscar Freire, como já acontece na região dos Jardins.
E o saudoso CB, porque não citar o saudoso CB, a melhor casa alternativa que a cidade já teve e que fechou porque o dono quis… ê saudade!
Já pensou o dia em que o clube Piratininga estiver fazendo baile da saudade com músicas dos Inocentes hahaha
Concordo com vc a CB era sem dúvida a melhor casa alternativa! Que falta que faz!
responder este comentário denunciar abusoEu iria nesse baile da saudade com certeza… hihi
responder este comentário denunciar abusoLinda matéria, parabéns!
Ai gente, que texto mais elitista. Que bom que a Augusta tá cheia, que bom que as casas estão migrando pro Centro, creio que antes de ser “calçadão cheio” significa ocupar a cidade e principalmente o Centro, ainda mais nestes tempos, onde convivemos com forte higienismo social.
Concordo em gênero, número e grau! A augusta é pra todo mundo. Pra mim, Lions e Yatch não são nem de longe uma referência de lugar “alternativo” de são paulo.
responder este comentário denunciar abusoConcordo. Primeiro pq como alguém disse, o brasil vive um boom economico. gente com grana é gente que se diverte. E ocupar a rua é isso. Se as pessoas se incomodam que sem mudem para cidades menores. Acho um absurdo pensar que as pessoas ocupando a rua significa de alguma maneira um grupo dito alternativo perder espaço ou mesmo poder no espaço urbano.
Que ocupemos cada vez mais a cidade e seus espaços. Alias, as pessoas que abrem baladas e etc, não sao guardioes da cultura alternativa ou muito avant-guards de qualquer coisa. São empresários capitalistaas querendo fazer dinheiro. Quem faz cultura é o povo, quem vende é capitalista. No limite o que eles fazem é apenas contribuir pra processos urbanos como a gentrificação que nada acrescentam à população como um todo, pelo contrário, viramos refém da especulação imobiliária, estas sim crias da avant-guardismos deles.
Sem contar que o fim do Vegas é para ser comemorado, e não lamentado. Elitista mesmo, esse cara tá parecendo uma madame de shopping torcendo o nariz e se perguntando o que “esses pobres” estão fazendo no meio dela.
responder este comentário denunciar abusoPô, é raro ver um trabalho bem feito como este. Parabens, Renan
“já não merece o título de coração da cultura alternativa”, “é o fim” quem é que decretou isso? o jornalista? o Facundo, o Youssef?
a galera alterna ta cagando pra esses caras. esses caras acham que foram eles que criaram a Augusta e posam de senhores da noite alternativa paulistana não é de hoje.
um fator que faz a Augusta bombar é a melhora economica e social que nosso país esta passando.
não é um ataque a cultura alternativa da cidade. tem mais gente alternativa, tem mais gente baladeira, tem mais jovem com dinheiro.
bomba tanto que se espalha pela cidade e desce pro centro.
não é o fim, é a expansão.
parabéns!tô totalmente de acordo, e não é uma questão de opinião, é porque o que voce escreve està simplesmente correto e justo na acepção da palavra, esses “reporteres”, “donos da noite”…etc e tal!, sò existem por causa da aprovação ou não de um publico, que este sim é concreto e verdadeiro, é ele que dà o tom! sem ele nnao existe empreendimento que valha que vingue!, jà ao quesito reporter,que esta ligado ao “jornalismo”, jà é hora de dar um basta!, em todo caso ao que se pratica no nosso paìs, que é de infima qualidade!, não se pode sequer falar aqui de conscistencia, ainda menos de critério! sim porque jornalismo, verdadeiro aquele que informa e ajuda a criar opinião, o VERDADEIRO, ora bolas! este não exista no Brasil nem em São Paulo ciddade que sempre escapa dos clichês “barsileiros”, pois bem chegou a hora rapaziada e afins de mostra nosso valor e mudar a situação! ela està! sempre esteve! ( por mais que as vezes em vista da confusão geral que é nosso paìs!) e melhor sempre estarà! nas nossas mãos! sò depende do nosso bom querer, e claro de uma certa perseverança!
bom jornalismo é o que faz campanha em prol de obras publicas sejam elas institucionais, de serviço, culturais, etc e tal! E isto com afinco, determinação, persistencia…até lograr a meta o intento!formar opinião, sim porque as opiniões devem ser criads sim seja o contexto que for, quero dizer, seja num paìs tipo terceiro mundo…onde o povo é inculto e até iletrado, não darei aqui exemplos!Seja em paìses onde isto não ocorre como por exemplo os paìses escandinvos, sò para não ficar neste caso sem exemplo! Existiram os que serão contra!porque assim lhes parece, mas muitos poderão tomar uma atitude justamente por poder tomar uma opinião pois no caso alguém lhes deu, no caso a imprensa falada! escrita! televisiva!, etc e tal!é isso aì minha gente vamos fazer com que isso se torne nossa realidade, aì sim não sò teremos reconquistado nossa liberdade democratica, como estaremos ultilzando-a! vivenciando-la!!!
em todo caso parabéns à voce Heber pires pelo que voce escreveu, estou de pleno e absoluto acordo! pois voce escreveu a verdade!
PAULISTANOROXO
PS:…e que ama também e muito todo esse paìs lindo que é o nosso, apesar dos “cretinos”, que insistem em “tomar as suas réreas”, é uma lastima, mas tenho sincéramente esperança e confiança no valor intrinsico de nossa gente!!!
responder este comentário denunciar abusoCoitados dos alternativos, aquele pessoalzinho super cool, terão que achar outro lugar! É uma tragédia mesmo, do nível da violência urbana, da pobreza e da falta de educação. Que grande matéria! É o fim.
não é esses gringos que mandam na augusta! só pq a balada dele fecho que a augusta chego ao fim? ta bom viu! Augusta é e sempre será referência alternativa na noite de sp.
Quer um lugar sem ninguém? Se tranca no quarto e crie amigos alternativos imaginários.
Tem muita gente que sempre frequentou o baixo Augusta nunca entrou no Vegas Club e nem por isso deixou de frequentar ou até mesmo de reclamar da entrada de clubs do mesmo nível na região.
O que diverte é a mistura que se encontra por ali, não só por conta de clubs que abrem e fecham.
Uma pena será mesmo se empreendimentos imobiliários começarem a trazer um outro tipo de público não acostumado com o badalo quase infindavel da rua/região.
A Augusta deixou de ser o “cantinho dos alternativos” e agora é de todo mundo. Tem todo tipo de festa e todo tipo de gente lá agora.
Não vou negar que a rua perdeu um pouco o seu jeito “aconchegante”, agora é mais bagunça, mais gente e é normal que aqueles que chegaram antes se sintam incomodados. Como as pessoas que se consideram “pioneiras” vão ir nos mesmos lugares que todo mundo? A cultura alternativa tem muito disso.
Quanto às filas, isso é coisa de clube da moda. Ou vai dizer que nos tempos áureos o Vegas também não tinha filas quilométricas?
E os novos clubes como Yacht, Lions e Secreto, já entram em uma nova categoria: balada cara pra fashionista ver e ser visto.
O lugar mesmo é o BIXIGA!!!!!
Simples, barato,histórico e verdadeiro.
O lugar único e especial é o BIXIGA!!!!!
Que tal revitalizar a noite no bairro do bexiga?
Quem não lembra do auge nos anos 70, café paris,Cafe Piu Piu e outras tantas casas legais.Publico universitario, jornalistas,intelectuais, moças bonitas e o povo do bairro. td de bom!
é isso mesmo, revitalizar é a palavra, São Paulo està mais doque cheia de lugares, bairros incriveis, cheios de belezas arquitetonicas, pessoas mais do que maravilhosas!bairros que exalam um charme indescritivél!
todo o centro!, mas também o bixiga, a liberdade, o cambucì, santa cecilia, baarra funda, belenzinho, moòca, bràs, glicério, ipiranga, luz, parì, enfim lugares não faltam mesmo, todos estes bairros, tem espaços incriveis, grandes belos, e que podem ser transformados, de maneira inteligente de preferencia! para o bem de todos!
sempre guardando a idéia de preservar! e proteger o patrimonio que “resta”, e mesmo fazer algumas benvindas restaurações, sempre dentro de um rigor artistico irreprochavel, e sobretudo reitéro, preservando os aspectos humanos e sociais os melhores é lògico, dos mesmos bairros, como por exemplo a boa convivencia, o respeito, etc e tal!
Verdade! Frequentei o Bixiga, só que nos anos 80. Ainda era um reduto “alternativo” beeeem gostoso. Fui muito ao Café Piu-Piu, ao Society e não me esqueço do delicioso Irish Coffee do Café do Bexiga… rs. No entanto, curiosamente, não havia nas ruas a superlotação que a gente vê na Augusta. Havia muita gente, mas não confusão. Eis um bairro que merece ser revitalizado!
responder este comentário denunciar abusoO mesmo povinho que buscou a Augusta anos atrás por seus atributos, agora vira as costas para a mesma, simplesmente por ter se tornado mainstream. Ridículo.
Bom, pra quem não conhece.. vá ao espaço serralheria na Lapa…. http://www.escapeserralheria.org
abs
Comparar a Augusta com a Vila Olímpia é de uma ignorância tremenda. A Vila Olímpia decaiu porque é longe, só vai quem tem carro, as baladas eram todas de mauricinho, etc. A Augusta é o oposto: está entre o Centro Velho e a Paulista e reúne diversos tipos de bares e baladas. Os prédios irão trazer mais segurança à rua, e é óbvio que a rua não será tomada por prédios. Passei ontem à noite pela Augusta e a rua está mais vibrante do que nunca, a despeito do recalque de jornalistas e ex-donos de casas na região.
Parabéns ao Estado pela excelente matéria no “Divirta-se” no. 115-25-5 a 31-5 2012 a respeito do processo de transformação do trecho da rua chamada de Baixo Augusta.As oito paginas desta publicação, de interesse público, falam sobre a “gentrificação-fenômeno triste que rouba a alma dos lugares mais bacanas de uma cidade”. O Baixo Augusta está morrendo. A simples substituição das áreas ocupadas pelo comercio, cultura e lazer por condomínios residências não constroem uma cidade solidária. É necessário encontrar um equilíbrio. Encontrar a forma de preservar as zonas com tradição de vida urbana noturna e de diversidade cultural. Como arquiteto e urbanista entendo que somente com um projeto urbano específico possa garantir o caráter da Rua Augusta. O plano diretor de São Paulo prevê a implantação de A.I.U.s ( áreas de intervenção urbana) que sendo aprovadas por lei possam estabelecer o desejável mix funcional. Não estamos contra as habitações,pelo contrário, mas é possível, através do plano, garantir que os pavimentos térreos sejam ocupados com áreas destinadas ao comercio e aos serviços, funções urbanas tradicionais à rua. Os atuais parâmetros urbanísticos não garantem a qualidade desejada. É oportuna a citação na matéria do que vem acontecendo em nossa Vila Madalena e também no bairro Soho em Nova York. Outras cidades no mundo já implementaram esta solução.Relembrando o Arquiteto Edgar Graeff: ” o encontro é a vizinhança, o contato, a comunicação entre vizinhos; é o entendimento, a aproximação e a cordialidade entre pessoas que vivem no mesmo sítio, na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma rua, no mesmo edifício. As cidades morrem quando já não oferecem condições ao encontro. O encontro é fundamental para o estabelecimento de laços entre pessoas.O encontro permite não apenas a diferenciação e qualificação do espaço urbano. Ele possibilita- e isto é mais importante- a sua apropriação, a apropriação da própria estrutura espacial e da vida urbana”.
Mas o pessoal é realmente conservador.
Eu acho muito legal toda essa dinâmica da cidade, de se reinventar, descobrir lugares novos, levar as pessoas para outros cantos da cidade.
Nada de ruim nisso.
A cultura, seja ela qual for, não vai morrer, vai se transformar, poxa.
Que medo é esse do novo?!
Faltou falar do Alberta #3, que atualmente é de longe a minha balada favorita em São Paulo.
Nada a ver. Eu fui e vou à Augusta e nunca fui nesse Vegas.A Augusta é Eterna justamente pela diversidade e pelo caldeirão que é.
É o fim… ou um novo começo?
Sei lá, acho meio radical demais achar que a Augusta “morreu” junto com o Vegas. Já existiam baladas lá antes dele abrir e elas vão continuar depois dele.
O que mais me preocupa na Augusta é:
1. Sujeira;
2. A possibilidade daquele terrenão perto do demolido Hotel Cadoro não virar o desejado Parque Augusta;
3. A demolição de todos as antigas casas e estabelecimentos para a construção de prediões — não sou contra a construção deles em si, mas acho que em alguns casos deveria haver algum nível de preservação dos imóveis anyway;
4. A invasão da região por velhuscos chatos que dormem às 22h e que desejam fechar os endereços da vida noturna da região ao seu bel-prazer.
Você só pensa em diversão. Lembre-se de que há muitas pesoas quetrabalham, produzem e têm o direito de ter sossego, principalmente à noite e não sáo como você disse velhuscos chatos. São trabalhadores que merecem o devido respeito.
responder este comentário denunciar abusoDia a dia a cidade está se tornando mais desumana e irreal.Ninguem respeita ninguem, barulho altas horas da noite, sons em alto volume, etc. etc.
Tem outras opções alternativas na ZL, celeiro de muitas bandas. O bar Willie Dixon, comandado pelo pessoal d’Os Haxixins aposta em shows e exibições de filmes alternativos. É uma ótima opção.
Jamboree Party, boa festa na região do centro. Hoje em dia vem lotando mas a seleção musical é boa!
Esta senhorita senhora torta vai se endinheirar mas nunca vai endireitar, basta olhar para o mapinha.
Isso tudo tem nome. “Modismo”, “modinha”. Chamem do q quiserem.
Nas faculdades de jornalismo, ensina-se que se deve ouvir diversas partes envolvidas em uma história – ou pelo menos duas que se antagonizam. Cadê os outros lados na matéria?
É incrível que não haja uma única palavrinha, sequer uma palavra, de um urbanista. Ou será que o autor da matéria ouviu especialistas que destruíram a “tese”do “fim do Baixo Augusta”?
Não se cita na matéria qualquer voz diferente do circuitinho “alternativo” de SP – um circuito que, na concepção do autor, é aquele de classe média e média-alta que mora “em São Paulo” (SP aqui é Jardins/ Pinheiros/ Perdizes/ Itaim Bibi / Morumbi) e que frequenta picos como Voodoohop, ex-Vegas, Milo Garage, Studio SP. Tá certo, dono de balada agora virou referência de arte/cultura. Só mesmo na cabeça de consumidor desse tipo “de arte”.
Na real, o que se intui é que o jornalista é um claro frequentador do circuitinho ameaçado e, por sua posição privilegiada por escrever para um meio de prestígio, resolveu decretar “o fim do baixo augusta”, um restrito circuito “alternativo” (“alternativo”, reforçando, por um classe média e média-alta que não gosta de baladas do naipe da Vila Olímpia e nada mais). É o que explica ele cravar coisas do tipo “de rua alternativa a calçadão de praia”, ” gentrificação”, “nos passos do Soho”. E sem citar urbanistas! A não ser que o jornalista tenha sido formado na FAU-USP. Mas acredito que não, porque lá na FAU não se ensina conceitos como “revitalização”, eufemismo para “gentrificação”. Revitalização que foi defendida no texto para o centro de São Paulo. Passo todo dia e toda noite no centro e o que não se pode dizer é que não exista vida por lá – talvez não seja como os “alternativos” sonhem, mas existe vida no centro de São Paulo, especialmente no entorno da República. Agora os “alternativos” podem achar que a área precisa ganhar nova vida, ser revitalizada. Acho que a cidade é de todos, os alternativos são bem-vindos em toda parte, só que eles se comportam exatamente como aqueles que eles reclamam terem tomado seu espacinho “alternativo” na cidade.
[...] brasileira como Mallu Magalhães e Thiago Pethit. Em maio do ano passado o Divirta-se publicou uma reportagem sobre a decadência da Rua Augusta o centro da cultura alternativa da cidade. Youssef afirmou na [...]
[...] http://blogs.estadao.com.br/divirta-se/e-o-fim/ [...]
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