
NO BULE| com 50 blends da bebida, a casa portuguesa é um misto de salão e loja
O vermelho intenso que cobre as paredes da Ó Chá dá ares orientais a esse misto de loja e salão de chá. Instalada em um sobrado da Vila Madalena, a casa foi trazida de Lisboa (onde funciona há seis anos) por uma das sócias, a portuguesa Mónica Costa, que se apaixonou por chás quando viveu em Macau, na China.
O salão principal, no piso superior, se abre para um delicioso terraço, onde grandes bancos de madeira cobertos por futons convidam a encontros preguiçosos, emoldurados pelo por do sol. Ali, são servidos mais de 50 tipos de chás, de marca própria, a preços que variam entre R$ 7 e R$ 14 (sempre em bules que dão para duas pessoas).
A bebida é a companhia perfeita para os levíssimos bolos, de preparação própria, cujos sabores se alternam ao longo da semana. Fixo mesmo só o bolo fondant de chocolate (R$ 10, a fatia). Os biscoitinhos amanteigados e os salgados, expostos na estufa sobre o balcão, também são boas opções.
Todos os dias, há um menu completo de almoço (R$ 38), composto por uma sopa, um prato quente e uma sobremesa – e também uma opção de quiche ou torta com salada (R$ 15). Não há limite de horário para servi-los: enquanto durarem os estoques do dia, é possível pedi-los.
Não saia de lá sem fazer uma visita à loja, situada no nível da calçada. Mas vá sem pressa. É preciso tempo para examinar cada uma das grandes latas que guardam os blends de chás, criados por Mónica. Um deles é o ‘Madame Butterfly’, que mescla aromas de pêssego, amêndoa, flor de laranjeira, pétalas de peônia e girassol. Há, ainda, versões tradicionais como o inglês Earl Grey (chá preto com aroma de bergamota). Os saquinhos de 50 gramas custam R$ 14. Uma extensa seleção de bules, xícaras e utensílios para a bebida forra as prateleiras. Resista se puder.
ONDE: R. Aspicuelta, 258, V. Madalena, 2737-8001. QUANDO: 12h/20h30 (fecha 2ª). QUANTO: Cc.: todos.

MEMÓRIA | bolos típicos das colônias alemãs
Com a ideia de trazer para São Paulo os doces de sua infância no Rio Grande do Sul, Fernanda Wainer inaugurou uma pequena filial – com apenas cinco mesas – da Leckerhaus, confeitaria alemã de Porto Alegre que abastece a loja com tortas duas vezes por semana, para garantir que tudo esteja sempre fresquinho.
A ‘Walnusstorte’, de nozes com recheio de leite condensado e ovos moles, é o carro-chefe da casa, mas a ‘Sachertorte’, de damasco e chocolate, coberta por marzipã, também agrada. A fatia dos dois tipos custa R$ 7,90, e o quilo da torta inteira é R$ 79. A casa serve ainda salgados integrais recheados (R$ 7), strudel de bacalhau e de cogumelo (R$ 10, cada) e, no almoço, salada de grãos (R$ 19) e massas (R$ 24).
ONDE: R. Dr. Melo Alves, 293, Cerq. César, 2528-1234. QUANDO: 10h/20h (sáb., 9h/20h; fecha dom.) QUANTO: Cc.: todos.
Claudia Sabbagk
Tags: BOLOS, LECKERHAUS, PORTO ALEGRE, tortas

SÓ DÁ ELE | hambúrguer para comer com o garfo
Servido com arroz, salada ou batatas chips, o hambúrguer da H3 New Hamburgology não tem pão. E não é que os discos de carne moída não estejam presentes sem seu parceiro mais clássico em buffets e cardápios da cidade. Se há algum tipo de confusão aí, é por não termos uma palavra específica para diferenciar o ‘hambúrguer-sanduíche’ do ‘hambúrguer-disco-de-carne’ (patty, em inglês). A diferença nas casas da rede – aberta em Portugal em 2007 – é a dimensão ao mesmo tempo sofisticada e prática do prato.
Grelhados, os hambúrgueres são feitos com 200 g de fraldinha, temperada com sal marinho. Há oito opções de receitas, como a ‘Mediterrâneo’ (R$ 19,95, foto), com rúcula, tomate seco e lascas de parmesão; a ‘Cheese’ (R$ 19,95), com cebola confitada e creme de queijo cheddar; ou a ‘Milano’ (R$ 18,95), que leva molho de tomate com mascarpone.
Enquanto os pedidos são feitos, as carnes são mantidas aquecidas em réchauds, e servidas, rapidamente, nas tradicionais bandejas de fast-food (mas em pratos de porcelana). Jarras de chá gelado e de limonada siciliana, feitas ali mesmo, são uma boa alternativa ao refrigerante. De sobremesa, há sorvete de creme e frozen iogurte, também da casa, com coberturas de chocolate e de frutas vermelhas.
Desde dezembro passado no Morumbi Shopping, a H3 abriu uma unidade no Vila Olímpia há um mês e prevê novas unidades no Eldorado, Jardim Sul, ABC e Mooca.
ONDE: Morumbi Shopping. Av. Roque Petroni Jr., 1.089. QUANDO: 11h/23h (dom., até 22h). QUANTO: Cc.: todos.
Cláudia Sabbagk
Tags: H3 New Hamburgology, hambúrguer, morumbi shopping, shopping vila olímpia
JF Diorio/AE

FAMILIAR| as poucas mesas são disputadas no almoço e à tarde
Que se faça a distinção: dogmas são para cozinheiros, não para a comida. E na Pinati, lanchonete kosher aberta há quase um ano, todos os pratos seguem à risca os livros sagrados do judaísmo. Ali, o seu paladar não precisa ser religioso, ainda que você siga o kashrut– carne (nada de suínos por lá) e laticínios não se misturam, os ingredientes são supervisionados por um rabino, e mesmo os talheres entre os pedidos devem ser trocados. O que realmente importa é que os preceitos judaicos produzem quitutes saborosos (e fartos).
Bentzi Berlovich recebe os pedidos na pequena cozinha, direto do caixa, onde os clientes são atendidos por sua mulher, Berta, ou seu filho, Alon. A comida não demora para chegar às mesas, que são poucas e disputadas no almoço e no fim da tarde, quase como num fast-food. Se estiver em dúvida, peça conselhos: todos são generosos. Entre as opções, há sanduíches típicos israelenses, como o ‘Sabich’ (R$ 16), montado no pão pita recheado com fatias de berinjelas grelhadas, ovo cozido, salada e molho ‘Amba’ (de manga e especiarias). Há também o ‘Shawarma’ (R$ 20), feito no pão lafa, com frango fatiado, salada e um molho tahine carregado no alho.
A carne bovina, normalmente amarga devido à salga que drena o sangue do animal, vem bem temperada – em tiras, no sanduíche (R$ 23), ou misturada à carne de cordeiro, no hambúrguer (R$ 14/ R$ 24). Há também lanches com ‘Vursht’ (R$ 18), um salame judaico.
Superados os sanduíches – por fome ou audácia –, encare a porção de falafel, no pão (R$ 18) ou no prato (R$ 12,60/ R$ 18,50).
E, claro, não esqueça os doces: aproveite uma ‘Baclava’ (R$ 4,90), antes de entrar em jejum – por crença ou necessidade.
ONDE: Al. Barros, 782, Higienópolis, 3668-5424. QUANDO: 12h/22h (12h/15h, 6ª; fecha sáb.). QUANTO: Cd.: todos.
Tags: comida kosher, Divirta-se, higienópolis, pinati, quitutes
VAI LOTAR | o pátio da Galeria Vermelho, sede da feira de comidinhas
Nunca dez dias demoraram tanto a passar. Mas na virada de amanhã (21) para domingo (22) a espera finalmente vai terminar. À meia-noite, o pátio da Galeria Vermelho, triste e vazio na foto aí em cima, finalmente será tomado pela primeira edição da O Mercado. A ‘feira’, idealizada pelo chef boliviano radicado em São Paulo Checho Gonzáles, foi anunciada no último dia 10/4 e, desde então, ninguém fala em outra coisa. É que a maioria das comidas que serão servidas ali, madrugada adentro, não constam dos cardápios das casas dos 12 chefs participantes. Alguns deles nem restaurante têm.
É o caso da ‘cocinera atrevida’ Lourdes Hérnandez, que se mudou da rua dos Cariris, em Pinheiros, onde tocava seus disputados almoços e jantares a portas fechadas. No Mercado, ela servirá ‘Costillitas Negras’ (R$ 13), o ‘Caldo dos Trasnochados’ (R$
e os malvados ‘Refrescos’ (R$ 15), feitos com mezcal.
Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça, começou a amaciar as carnes para o seu ‘Arroz de P… Rica’ (R$ 10) já na quarta-feira. Seu amigo Carlos Ribeiro, do Na Cozinha, servirá um ‘Buraco Quente’ reinventado (R$ 10) feito com o famoso picadinho do restaurante. Dagoberto Torres, do Suri, servirá ‘Arepas’ (R$ 10, a de frango; R$ 8, a de queijo) e ‘Pisco Sour’ (R$ 15).
E os donos da festa, o que vão servir? Checho fará ceviche de tilápia com crocantes de batata doce (R$ 14) e ‘Anticuchos’: espetinhos de carne com salsa picante (R$ 7) e de coração de frango (R$ 10). Henrique Fogaça, o dono do SAL, que funciona ali na Vermelho, um sanduíche de copa lombo com bacon e vinagrete de maçã (R$ 10).
Os preços bacanas também se estendem aos vinhos, que Daniela Bravin servirá em taça. Serão várias opções de tintos e brancos, argentinos, australianos e chilenos, a R$ 10. Os espumantes custarão R$ 15. Bom, agora só falta você ir lá – e garantir que o projeto de fazer uma feira por mês saia do papel.
ONDE: R. Minas Gerais, 350, Higienópolis, 3855-8611. QUANDO: Amanhã (21), 23h59/5h. QUANTO: Entrada grátis.
Tags: checho gonzáles, feira, galeria vermelho, o mercado
fotos: Alex Silva/AE


EXPERIMENTA| no salão principal ou no jardim (no alto, à dir.), a informalidade dá o tom
do serviço, que tem em rituais como o do café com queijo o seu ponto alto
O mundo é dos nerds, como todo mundo sabe bem. E a parte mais bonita disso é que, hoje, tem nerd de tudo. Até de café. Isabela Raposeiras, a dona do Coffee Lab, talvez seja a maior de todos eles. Especialmente por que tem um projeto (meio secreto) de criar vários outros nerdzinhos como ela.
Seu instrumento? Os ‘rituais de café’, agora reformulados e rebatizados de ‘cartão xicragem’. A ideia é servir a bebida em diferentes modos de preparo, de forma a despertar o paladar para as suas várias nuances. Cada um dos 12 rituais pode ser feito separadamente, sem uma ordem fixa – a um preço maior.
Mas nerd que é nerd não gosta de bagunça. Então, o certo é seguir a ordem proposta pela casa. Começa-se com a ‘xicragem júnior’, em que cada ‘ritual’ custa R$ 7. Você começa tomando um café comum e outro de qualidade especial, depois parte para um mesmo grão preparado coado ou expresso. O terceiro passo é provar o mesmo espresso em xícaras de tamanhos diferentes e, depois, juntar café e queijo. Ao final, você escolhe o ritual que mais gostou para fazer de novo, de graça.
É preciso ter paciência. Não dá para fazer mais do que dois ‘exercícios’ em uma visita. O ideal mesmo é se ater a um só por vez. Especialmente quando se passa para as versões ‘sênior’ (R$ 8 cada ritual, com direito a uma xícara transparente de brinde ao final) e ‘master’ (R$ 9, com direito a um pacote de café).
Nelas, a ideia é comparar os efeitos que moagens, tamanhos de dose, origens de grãos e até o uso da colher (sem adição de açúcar, por favor!) têm sobre o resultado final na xícara – e na boca. O processo de ‘conversão’ se completa com um cartão de fidelidade para os pacotinhos de grãos: o 11º sai de graça.
ONDE: R. Fradique Coutinho, 1.340, Pinheiros, 3375-7400. QUANDO: 10h/19h (sáb., 11h/20h;
fecha dom.). QUANTO: Cc.: todos.
Tags: café, coffee lab, Divirta-se, Isabela Raposeiras, quitutes, ritual do café, Vila Madalena
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Pág. 1 e 2
Para marcar nossa centésima edição, abusamos dos superlativos num tributo à cidade que cobrimos carinhosa e apaixonadamente.
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ERRATA| O Bar Sabiá foi publicado com o endereço errado. O correto é R. Purpurina, 370, Vila Madalena.
leandro m. nunes/div.

ESTRADA| um posto da rota 66, nos EUA, inspirou o nome da nova casa
Cadeiras e banquetas com estofamento azul bebê remetem a um ambiente dos anos 50, entre placas de carros de estados americanos espalhadas pelas paredes da Frank Phillips, aberta em novembro de 2011.
Nos fundos da hamburgueria, além de uma loja de camisetas, bonés e produtos para para deixar o topete bem cuidado – como gel, cera e pomada –, fica uma jukebox, de onde sai a trilha sonora (com clássicos do rock, claro). O cardápio, que começou sucinto – com apenas duas opções de hambúrgueres – cresceu na semana passada. Uma das novidades é o Lucy Juicy’ (R$ 29), com hamburguer prensado de 200 g, queijo cheddar, picles e mostarda. Outra é o ‘Pé no Saco’ (R$ 21), um hambúrguer simples – só com pão e carne – que pode ganhar acompanhamentos e molhos à escolha do cliente.
Todos os lanches vêm com uma porção de batatas fritas. Onion rings e batatas doces fritas (R$ 24, cada) podem ser pedidas à parte. E, atendendo a pedidos dos primeiros clientes, os discos de carne também cresceram: passaram de 120 g para 180 g. Cláudia Sabbagk
ONDE: R. Peixoto Gomide, 1.710, Cerq. César, 3064-1112. QUANDO: 11h30/0h (6ª e sáb., até 1h; 2ª, 18h30/0h). QUANTO: Cc.: M e V.
Tags: anos 50, Divirta-se, frank phillips, hamburgueria, jukebox, quitutes, rock, rota 66
2012
2011
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