
AOS 30| o jovem Lang Lang faz dois recitais na cidade, com ingressos esgotados
Você vai ler muita coisa sobre a celebridade Lang Lang por esses dias. O pai rigoroso, seu papel no imaginário da ‘nova China’, o ar ‘cool’ e os tênis que ele usa em seus concertos… Esqueçamos isso, ao menos por uma página, e nos concentremos na música.
Ele se apresenta na Sala São Paulo no domingo (20) e na 3ª (22), com o mesmo programa: a ‘Partita nº 1’, de Johann Sebastian Bach; a ‘Sonata em Si Bemol, D. 960’, de Franz Schubert; e os ‘12 Estudos, Op. 25’, de Frédéric Chopin. Um recital que compreende diferentes escrituras pianísticas, concebido de modo a sublinhar a versatilidade de um intérprete que tem na técnica (ou, diriam os mais céticos, na demonstração dela) o cerne de sua criação.
Um mergulho em suas gravações, sobretudo em suas apresentações ao vivo, parece sugerir uma certa dicotomia nas melodias que Lang Lang constroi a partir de seu banquinho. É inegável que ele é um impressionante pianista, de personalidade forte – não à toa seu maior ídolo é o canadense Glenn Gould. Momentos de um lirismo iluminado espoucam, mostrando sutilezas e coloridos insuspeitados em obras há muito conhecidas.
Mas é justamente essa personalidade que compromete outras passagens. Um senso de dramaticididade, uma vibração que se impõe mesmo quando a música executada não condiz com tal abordagem. São escolhas, e Lang Lang parece ser cioso delas.
Seria imaturidade de um jovem artista, com um raro talento, alçado a um papel muito maior do que a princípio lhe caberia? Talvez. Só o tempo dirá o que será feito de sua carreira. Lang Lang toca em estádios para 12 mil pessoas na China. É um pianista que, em 2012, leva a corridas por discos e ingressos. Um símbolo chinês em meio aos esteios do ocidente. Opa, estamos falando de política, cultura pop? Como não fazê-lo, quando elas se confundem com a música? Guilherme Conte
ONDE: Sala São Paulo (1.388 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/nº, Luz, 3223-0327. QUANDO: Dom. (20) e 3ª (22), 21h. QUANTO: Ingressos esgotados.
Tags: China, Cultura Artística, Franz Schubert, Frédéric Chopin, Glenn Gould, J. S. Bach, Lang Lang, piano, recital, Sala São Paulo
O pianista e maestro Vladimir Ashkenazy, um dos grandes músicos do século 20 (e do 21!), vem a São Paulo. Confira nossa conversa exclusiva com ele

CHANCES | Ashkenazy rege quatro concertos, um deles ao ar livre
Foi no distante 6 de julho de 1937, na cidade de Gorky (hoje Nizhny Novgorod, no oeste da Rússia), que nasceu Vladimir Davidovich Ashkenazy. Os estudos de piano, iniciados aos seis anos de idade, logo fariam do prodígio um dos maiores pianistas de que já se teve notícia, com uma trajetória mundialmente conhecida – tanto nas salas de concerto quanto por suas gravações. Nos anos 1980, ele passou também a atuar como regente, construindo outra carreira extremamente respeitada. Pois é nesta função que ele vem a São Paulo, à frente da Orquestra Sinfônica Alemã de Berlim. São quatro récitas: uma matinê para crianças amanhã (12), com ingressos esgotados; uma apresentação o ao ar livre, no Auditório Ibirapuera, no domingo (13); e dois concertos no Teatro Municipal, 2ª (14) e 3ª (15), dentro da temporada do Mozarteum. De sua casa em Meggen, na Suíça, ele atendeu o Divirta-se. Ao final da entrevista, contou ao repórter que jogava futebol na infância, uma paixão que carregou pela vida, e confessou ter um desejo: conhecer o rei Pelé.
Maestro, por que fazer música? Por que fazer música? Puxa… (suspiro). Eu nasci assim. Provavelmente, era o meu destino. Provavelmente, eu não poderia fazer nenhuma outra coisa. Meu pai era músico, embora não levasse uma carreira a sério. A música sempre esteve aí para mim. Ele tocava muito Chopin, Liszt, e aquilo me impressionava… Minha mãe percebeu que eu cantava muito, e logo fui estudar piano. Quando eu tinha oito anos, vi uma orquestra pela primeira vez. Nunca mais me esqueci, me lembro como se fosse ontem. Fiquei fascinado, captando cada som…
E você acha que suas razões sempre foram as mesmas? Bem, quando se é criança, você não articula muito as coisas. Você não expressa o que sente. Com o tempo, você começa a perceber que a música séria existe, que você consegue expressar coisas que são impossíveis de serem expressas de outra forma. Passa a perceber quantos elementos espirituais estão envolvidos nisso. A música talvez – veja bem, talvez – seja um dos maiores mistérios na criação artística.
Sua carreira é tão elogiada por suas performances ao vivo como pela extensa e premiada lista de gravações que você fez. O que lhe interessa particularmente nesses dois universos? A busca é a mesma? A busca é essencialmente a mesma: comunicar o que você quer comunicar. Claro que há diferenças. Num concerto você tem uma única chance. É ali, no momento. Em uma gravação você pode parar, voltar, repetir. Mas a intenção é a mesma, é o que deve ser feito. Muita gente já me perguntou se muda o fato de não haver público. Não muda. A música é mais importante que as pessoas, e é isso que se deve buscar.
Quando você é feliz sendo músico? Feliz? O tempo todo (risos)! Quando me apresento, sou feliz. Quando gravo, também. Quando ensaio, também, porque estou tentando atingir algo que eu imagino que deva ser daquela forma. É um prazer constante, eterno. Quem pode dizer o que a música deve ser? É um grande mistério!
Quais foram as maiores lições que você aprendeu ao longo de uma vida dedicada à música? Olhe, eu devo muito a todos os meus professores. Acho que a grande lição remonta aos tempos de estudante no Conservatório de Moscou (onde foi discípulo de Lev Oborin). Lá eu aprendi que quando se toca algo, nunca deve ser nada menos que ótimo. Que para fazer música é preciso estar absolutamente envolvido. Deve-se tocar o que quer, não o que se consegue. Se a sua intenção, ao tocar determinada peça ou trecho, é uma, cada vez que você toca ela deve estar ali.
E o que você diria para um jovem que está começando a perseguir o sonho de se tornar músico? É muito, mas muito, muito, muito simples. Se você tem um dom, seja grato por ele e treine. Treine, treine, treine, ensaie, ensaie, ensaie. Se você ama a música, agarre-se a ela em sua vida. Não pense no sucesso. Se ele vier, ótimo. Se não vier, tudo bem também – você é músico. A música é um presente que a vida deu a você. Agradeça por tê-lo recebido e nunca o abandone.
+ Matinê para crianças. ONDE: Auditório Ibirapuera. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, 3629-1075. QUANDO: Sáb. (12), 16h. QUANTO: Ingressos esgotados.
+ Concerto ao ar livre. ONDE: Auditório Ibirapuera (plateia externa). QUANDO: Dom. (12), 11h. QUANTO: Grátis.
+ Teatro Municipal. ONDE: Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, 3397-0300. QUANDO: 2ª (14) e 3ª (15), 21h. QUANTO: R$ 110/R$ 300.
Tags: Orquestra Sinfônica Alemã de Berlim, Vladimir Davidovich Ashkenazy
MICHAEL LATZ/DIV.

MESTRE | Helmuth Rillilng traz a ‘Missa’ de Bach à cidade
Se você acredita em Deus ou não, no fundo, não tem a menor importância neste caso. O encontro espiritual erigido pelas mãos de Helmuth Rilling é daqueles que tocam o coração do mais cético dos homens. Nascido em Stuttgart em 1933, o maestro vem a São Paulo à frente de dois dos mais importantes conjuntos barrocos do mundo: o coro Gächinger Kantorei e a orquestra Collegium Bach – os dois pilares da Academia Bach de Stuttgart.
Grande especialista na obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750) – que para muitos é o maior compositor de todos os tempos –, Rilling rege nesta 2ª (7), no Teatro Municipal, nada menos que uma das peças mais importantes do alemão: a ‘Missa em Si Menor, BWV 232’. É uma chance de ouro: poucas vezes o público paulistano pode ouvir uma obra desta envergadura com um conjunto de intérpretes tão gabaritado, que conta com o tenor Andreas Weller, a mezzo-soprano Roxana Constantinescu, o barítono Tobias Berndt e a soprano Julia Sophie Wagner.
A história dessa missa guarda algumas particularidade interessante. Embora algumas partes tenham sido compostas em 1724 (seguramente o ‘Sanctus’) e 1733 (o ‘Kyrie’ e a ‘Gloria’), a obra só foi concluída em 1749, um ano antes da morte de Bach, quando ele já estava completamente cego. Isso faz com que a peça, ao mesmo tempo em que ‘amarra’ diferentes épocas de sua vida, tenha entrado para a posteridade como sua última grande composição. É a única ‘missa tota’ (composta de cinco partes) em toda a obra de Bach, um compositor ligado à tradição luterana.
Há estudiosos que costumam enxergar nessa ‘Missa’ a síntese de boa parte da contribuição de Bach para a música. A polifonia, a rica coloração extraída do trabalho coral, as complexas e geniais harmonias – está tudo ali. É uma tragédia o fato de o próprio não a ter escutado em vida. Mas que maravilha que nós podemos.
ONDE: Teatro Municipal (1.533 lug.). Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, metrô Anhangabaú, 3397-0300. QUANDO: 2ª (7), 21h. QUANTO: R$ 70/R$ 200.
Tags: Academia Bach de Stuttgart, Bach, Collegium Bach, Gächinger Kantorei, Helmuth Rilling, Teatro Municipal
30 anos de Centro Cultural São Paulo: um lugar perfeito para você fazer todo tipo de atividade. Mas não se acanhe de fazer simplesmente nada

PAZ | ao alcance dos olhos, a cidade fica distante enquanto você quiser
Quando o poeta Mário Chamie, nascido em Cajobi, veio para São Paulo, foi um dia estudar na Biblioteca Mário de Andrade. Só que, impressionado pela imponência do pórtico de entrada, não se sentiu à vontade para entrar. Ele contou essa história para Ricardo Resende, o atual diretor do Centro Cultural São Paulo, uma das instituições mais queridas do paulistano – criada na gestão de Chamie na secretaria municipal de cultura.
O CCSP completa 30 anos neste domingo (6), fiel aos princípios que motivaram sua criação: o acesso ao conhecimento mais aberto, plural e democrático possível. Cioso de sua vocação, mas imbuído de ares de mudança – uma grande reforma acontece ao longo deste ano e do próximo –, esse prédio sem portas ou grades para a rua é um dos mais importantes e afetuosos pontos de encontro da cidade.
Lá se pode fazer muita coisa, descobrir muitos mundos. Mas também se pode não fazer nada, simplesmente estar. Em um mundo cada vez mais murado e vigiado, é um espaço vital, um respiro em meio à paranoia. Nas páginas a seguir, contamos um pouco sobre como ele nasceu e que caminhos quer tomar para o futuro. E reunimos o melhor da programação do mês de maio. É… assim você não tem desculpa para não ir até lá.
Guilherme Conte e Ramon Vitral
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Tags: CCSP, centro cultural são paulo
Wilton Júnior/AE

GIGANTE| Freire é um dos maiores pianistas em atividade
Se este repórter pode dar algum conselho, é o seguinte: não perca a oportunidade de ver o pianista Nelson Freire em ação, na 3ª (24) e na 4ª (25). Aliás, não perca nunca a chance de assistir a uma de suas apresentações. Afinal de contas, trata-se de um dos grandes intérpretes de seu instrumento em atividade – e em plena maturidade artística.
Nascido na pequena Boa Esperança, Minas Gerais, Freire conseguiu o feito de construir uma reputada e premiadíssima carreira tanto em suas récitas como em gravações. Foi em 1957 que ele partiu para Viena com uma bolsa para estudar com Bruno Seidlhofer. De lá pra cá, sua biografia acumulou trabalhos com muitos dos regentes mais importantes do século 20, como Pierre Boulez, Lorin Maazel, Ricardo Chailly, Charles Dutoit e Seiji Ozawa, dentre tantos outros. A lista das orquestras não fica nada atrás.
Ele vem para ser o solista da Orquestra Nacional Russa, sob regência do uruguaio José Serebrier, em uma das obras mais queridas e reverenciadas do repertório pianístico sinfônico: o ‘Concerto Para Piano e Orquestra nº 20, em Ré Menor, K. 446’, de Wolfgang Amadeus Mozart. É a única peça que se repete em ambas as noites. Na 3ª (24), o programa traz a ‘Abertura Egmont’, de Ludwig von Beethoven, e a ‘Sinfonia nº 8’, de Antonin Dvórak. Na 4ª (25), o conjunto toca a ‘Serenata para Orquestra de Cortas’, de Piotr I. Tchaicovsky, e a ‘Sinfonia nº 4’, de Alexander Glazunov.
Com uma programação que deve agradar aos apreciadores do piano (Lang Lang e Evgeny Kissin vêm ainda neste semestre), a Sociedade de Cultura Artística abre a temporada com um absoluto mestre do ofício. Freire consegue extrair de seu domínio técnico a matéria-prima para a construção de refinadas paisagens musicais. Ele faz, assim, a síntese do aparente (e falso) paradoxo entre uma complexa arquitetura sonora e uma poesia profundamente lírica.
ONDE: Sala São Paulo (1.388 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/nº, Luz, 3223-3966. QUANDO: 3ª (24) e 4ª (25), 21h. QUANTO: R$ 120/R$ 280.
Tags: Divirta-se, Música Clássica, Nelson Freire, Sala São Paulo

VERSÁTIL | Kennedy transita entre diferentes universos sonoros
O violinista inglês Nigel Kennedy é uma daquelas figuras que desafiam os espíritos afeitos a rótulos e classificações. Que bom. Discípulo do mestre Yehudi Menuhin, Kennedy construiu uma sólida carreira entre o universo erudito e o popular – este mais identificado com o jazz –, em que diversas vezes foi reputado justamente como virtuose. Basta dizer que seu registro de ‘As Quatro Estações’, de Vivaldi, figura no livro dos recordes como o disco clássico mais vendido de todos os tempos.
Sua apresentação da próxima 4ª (11), na Sala São Paulo, que marca a abertura da temporada 2012 dos Concertos Internacionais Tucca Música Pela Cura, vem imbuída justamente desta implosão de fronteiras. Na primeira parte, ele interpreta a belíssima ‘Sonata nº 2 em Lá Menor, BWV 1003’, de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Na sequência, ele recebe o reforço de seu trio – formado por Jarek Smietana no violão, Yaron Stavi no contrabaixo e Krzysztof Dziedzic na bateria – para interpretar algumas das canções do novaiorquino Fats Waller (1904-1943), um dos mais refinados e endiabrados pianistas da era de ouro do jazz. A lista de canções poderia figurar como um set list para a sala de espera do céu: ‘Ain’t Misbehavin’, ‘Honeysuckle Rose’, ‘Black And Blue’, ‘How Can You Face Me’ e ‘Viper’s Drag’.
É uma chance pouco comum para se ver um dos grandes violinistas do nosso tempo, um artista de personalidade que costuma deixar marcas indeléveis em suas interpretações (o disco em que ele mergulha nas composições de Fritz Kreisler, lançado em 1998 pela EMI Classics, é um primor) e que verdadeiramente não pauta suas escolhas por opiniões alheias.
Em tempo: estão à venda as assinaturas para a série de concertos da Tucca (Assoc. para Crianças e Adolescentes com Câncer), que compreendem seis apresentações (como de Paulo Szot) até novembro, entre R$ 330 e R$ 1 mil. Informações em www.tucca.com.br
ONDE: Sala São Paulo (1.484 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/nº, Luz, 3223-3966. 90 min. Livre. QUANDO: 4ª (11), 21h. QUANTO: R$ 100/R$ 250.
Tags: Nigel Kennedy, Sala São Paulo, violino, Yehudi Menuhin
Celso Antunes faz seus primeiros concertos como regente associado da Osesp. Conheça um pouco sobre ele – e sobre a obra de Mahler que ele vai reger
Thomas Brill/Div.

DESDE CEDO| Antunes logo pegou o ‘vírus’ da regência
Muito prazer, Celso Antunes. Caso você ainda não o conheça, saiba que vai vê-lo com certa frequência. Esta série de concertos, iniciada ontem (22), marca sua estreia como regente associado da Osesp pelos próximos cinco anos. E não poderia haver melhor cartão de visitas: ele rege o conjunto na grandiosa ‘A Canção da Terra’, de Gustav Mahler. Seja bem vindo!
Voltando ao início de sua carreira, como é que você descobriu que queria ser regente? Eu morava aqui em São Paulo, e fazia o que todo mundo fazia: estudava piano, violoncelo, cantava… Comecei a ensaiar coros, regendo, e aí o vírus pegou. Meu primeiro mestre foi Eleazar de Carvalho. Depois veio Jamil Maluf, acabei indo para a Europa, e as coisas seguiram seu caminho.
Você sempre regeu tanto corais quanto orquestras. À parte as diferenças evidentes, o que aproxima e o que diferencia estes ofícios? É, consegui o feito de fazer carreiras paralelas… (risos) Nós estamos fazendo Mahler aqui. Sem a experiência que tenho com Monteverdi, por exemplo, não poderia fazer Mahler. Quando você ensaia com a orquestra, são músicos interpretando instrumentos. Há uma parede natural, você ‘conversa’ com o instrumento. Já quando você lida com um cantor, ele é o instrumento.
E sua vivência como cantor lírico também pesa nisso, não? Muito… Você aprende a olhar a questão de todos os lados. E, além disso, eu canto muito em ensaios, demonstrando passagens, trechos.
Comente um pouco sobre o concerto deste fim de semana. Vamos abrir com uma obra do nosso saudoso Almeida Prado (‘Études sur Paris – Suíte’) feita para acompanhar um filme mudo. É uma obra muito singela, muito bem escrita. E na segunda parte é essa beleza que é ‘A Canção da Terra’ (de Gustav Mahler). É uma sinfonia para vozes e orquestra que fala, de uma maneira linda, sobre a vida e a morte.
Você chegou a dizer que durante muito tempo não se sentia pronto para reger essa obra. O que você acha que mudou? Ah, são esses 52 anos que tenho nas costas… (risos) Minha relação com essa obra é muito antiga. Eu tinha 15 anos quando comprei o primeiro LP com ‘A Canção da Terra’. Ouvi até quase furar o disco. Ia às lágrimas com aquilo e não sabia bem o porquê, era algo realmente muito forte e intenso. Sabe, se alguém me oferecesse essa obra há 15 anos para reger, eu recusaria. Não estava preparado emocionalmente, psicologicamente. Eu imagino que um jovem regente possa fazer isso bem musicalmente, mas para compreender realmente o que está escrito, vai muita quilometragem.
ONDE: Sala São Paulo (1.484 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/nº, Luz, 3223-3966. QUANDO: Hoje (23), 21h; sáb. (24), 16h30. QUANTO: R$ 26/R$ 149.
Tags: celso antunes, Divirta-se, Gustav Mahler, Música Clássica, Osesp, Sala São Paulo
Melômanos de plantão, podem ficar tranquilos: a espera acabou. Começa oficialmente na 5ª (8) a temporada 2012 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Mas o concerto também traz consigo outras duas marcas importantes. Ele é o primeiro de uma série que celebra o centenário de nascimento do maestro cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996), cuja figura é indissociável da história do conjunto: ele foi regente titular da Osesp durante 24 anos, sucedendo a Bruno Rocella. John Neschling assumiria a orquestra em 1997, após a morte de Eleazar. Mas a grande característica da noite – justamente o dia da mulher – é o fato de que a récita ser o primeiro concerto regido por Marin Alsop na condição de titular da Osesp, após a saída de Yan-Pascal Tortelier, no fim da temporada 2011.
O programa é aberto com a estreia mundial de ‘Terra Brasilis – Fantasia Sobre o Hino Nacional Brasileiro’, de Clarice Assad. Na sequência, o jovem e festejado pianista francês David Fray interpreta o lírico ‘Concerto para Piano em Mi Bemol Maior, KV 482’, de Wolfgang Amadeus Mozart. Após o intervalo, a noite é encerrada com a ‘Sinfonia Nº5 em Ré Menor, Op. 47’, uma das mais notórias e mundialmente queridas obras do russo Dimitri Shostakovich. Um programa para matar as saudades do público da orquestra xodó da cidade.
ONDE: Sala São Paulo (1.484 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/nº, Luz, 3223-3966. QUANDO: 5ª (8) e 6ª (9), 21h; sáb. (10), 16h30. QUANTO: R$ 44/R$ 149.
Para marcar nossa centésima edição, abusamos dos superlativos num tributo à cidade que cobrimos carinhosa e apaixonadamente.
Clique nas páginas para abris os PDFs.
ERRATA| O Bar Sabiá foi publicado com o endereço errado. O correto é R. Purpurina, 370, Vila Madalena.
É o número de lugares que o Divirta-se destacou para você conhecer nas últimas 50 edições. Nesta, contamos quais são os favoritos da equipe. Corra para eles – neste finzinho de 2011 e no ano que vem
‘Aonde eu vou, hein?’
Esta é a pergunta que nós, repórteres e editores do Divirta-se, mais ouvimos, todos os dias. A primeira resposta, invariavelmente, é ‘já consultou o Div?’. Mas nem sempre funciona. Amigos, colegas de trabalho e vizinhos não estão atrás da novidade mais fresca da semana quando nos fazem essa pergunta. Eles querem é saber que lugar quem passa cinco ou seis noites da semana visitando bares e baladas prefere. E pobres dos que cobrem teatro e cinema: são bombardeados por pedidos de dicas impossíveis, que agradem em igual medida a avó e o primo mais novo.
Por ofício, todos tentamos dar uma volta na conversa. Investigamos os gostos do interlocutor, tentamos entender quem exatamente o amigo quer levar para jantar (ou dançar) e direcionamos a recomendação para aquele objetivo específico. Porque fazemos isso? Em parte, por zelar pela nossa própria reputação. Ninguém quer, afinal, ser responsável pela tragédia alheia. Mas é claro que, lá no fundo, há uma pontinha de egoísmo: ‘meu restaurante preferido é só meu e de mais ninguém’.
Mas Natal é tempo de generosidade e nós decidimos aderir. E entregamos, aqui, uma retrospectiva em linhas tortas. Em vez de relembrar estabelecimento novo por estabelecimento novo, organizando-os por mês de abertura, listamos a seguir o melhor do ano de 2011. Retomamos edição por edição, desde o dia 7 de janeiro, e peneiramos entre as novidades aquelas de que mais gostamos. E que, no fundo, sonhamos que inspirem as inaugurações que estão por vir.
Sim, a seleção tem uma dose de subjetividade. Mas não deixa de ser objetiva: nós somos programados para fazer escolhas criteriosas, analisando aspectos que a maioria nem percebe. Você pode, claro, discordar. Só faça o favor de nos dizer.
Achou pouco?
Mude de ideia já. Aqui no nosso site você encontra resenhas de mais de 1.200 restaurantes, 700 bares e 400 quitutes, espalhados pela cidade inteira.
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