Domingo (27) é dia de se programar para chegar com antecedência. Por isso, não enrole muito em casa. Não estou sugerindo que você tenha uma vida de segunda-feira no fim de semana. Mas para ter uma vida de domingo, sem estresse, realmente será importante chegar cedo ao Parque da Independência, que, a partir das 11h, recebe a programação musical do 16º Cultura Inglesa Festival.
O evento, gratuito, tem sido bastante alardeado nas redes sociais desde que foi anunciada a atração principal, a banda escocesa Franz Ferdinand, que deve atrair um grande público ao parque. Segundo a organização, mais de 18 mil pessoas são esperadas para a hora em que eles estiverem no palco – 20 mil é a lotação máxima. Por isso, a dica inicial de chegar cedo. A ideia é evitar que a euforia vire frustração.
No que depender dos escoceses, isso não deve acontecer. Desde os excelentes shows que fizeram em 2006 – abrindo para o U2, no Morumbi, e no extinto festival Motomix –, eles não decepcionam os fãs brasileiros.
E, ao ar livre, a apresentação realmente promete. O repertório, cheio de hits, passará pelos três bons discos do quarteto: ‘Franz Ferdinand’, ‘You Could Have It So Much Better’ e ‘Tonight: Franz Ferdinand’. E o domingo deve acabar bem: todo mundo vai dançar ao som de canções como ‘Take Me Out’, ‘Do You Want To’ e ‘No You Girls’.
Toda a euforia gerada pelo Franz já justificaria o conselho (que reforço aqui) de chegar cedo. Mas saiba também que não foi a única razão.
A outra – e muito mais bacana – é que o line up tem outras atrações interessantes, que prometem atenuar a espera. É o caso de We Have a Band e The Horrors, as outras duas atrações britânicas do festival, que é completado ainda por uma grande quantidade de bandas indies brasileiras, com destaque para Garotas Suecas e Banda UÓ.
ONDE: Parque da Independência (20 mil lug.). Av. Nazareth, s/nº, Ipiranga. QUANDO: Dom. (27), a partir das 11h. QUANTO: Grátis.
Superlotada, inflacionada, maquiada: a Augusta completa mais um ciclo e deixa de ser o centro alternativo da cidade
A essa altura é óbvio, mas é bom afirmar: o Vegas Club se matou. E levou com ele o Baixo Augusta. Famoso por retomar a noite da região, então reduto mais de cafetões e prostitutas do que de jovens, o clube ajudou a valorizar a Augusta (e, claro, a aumentar o preço do metro quadrado por ali). Mas o fechamento da casa que por sete anos ocupou o galpão no número 756 da rua é mais do que isso: é também um marco de sua decadência e (sim…) de seu fim como reduto da noite alternativa paulistana.
Assim como o Vegas que, há pelo menos dois anos não estava mais na sua melhor forma, o Baixo Augusta está longe de seu auge. “Eu adoro a Augusta, mas não aguento mais no sábado ou na sexta”, afirma Thomas Haferlach, produtor da ‘Voodoohop’, festa que começou ali na rua, no Bar do Netão. “Acho que está virando tipo fenômeno da Vila Olímpia”, afirma. A opinião de Haferlach reflete a opinião de muita gente que antes batia ponto na região e agora procura diversão fora dali.
De rua alternativa a calçadão de praia
Se antes andar pela rua era uma parte fundamental da noite – beber em algum lugar, olhar a entrada de outro, encontrar pessoas –, agora o próprio ato de descer a Augusta ganhou contornos caóticos. Há tanta gente na calçada que é mais fácil andar pela rua, entre os carros e ônibus. O cenário todo ganhou um quê de praia no feriado: os carros com som alto passando só para dar uma olhada, o acúmulo quase insuportável de pessoas bebendo na rua, a dificuldade de conseguir comprar uma bebida, as filas das baladas. Reformas tentam dar uma cara mais sofisticada aos lugares, descaracterizando-os, e os preços acompanham a transformação da rua.
Os clubes também já não são o tiro certeiro que foram um dia: ainda há festas legais, mas as noites mais interessantes da cidade estão em outros lugares. Inchado, o Baixo Augusta virou destino óbvio e passou a ser preterido por produtores de festas, que buscam espaços alternativos.
E, pior: a própria tradição de simplesmente andar pela rua tem uma nova ameaça. Com a chegada de novos edifícios residenciais, o silêncio noturno ganha importância.
Nos passos do Soho
A Vila Madalena passou por um processo semelhante. Destino de jovens, ganhou uma noite boêmia que valorizou a região e acabou por expulsar esses mesmos jovens de lá. “A cultura alternativa saiu da Vila Madalena e agora está sob ataque na Augusta”, diz Alê Youssef, cujo Studio SP mudou do bairro para a Augusta em 2008.
Há uma palavra para isso: gentrificação. Um ciclo que tem no Soho, em Nova York, o exemplo clássico. Jovens e artistas migram para um bairro, valorizando o espaço a ponto de não mais poder viver nele. E o Baixo Augusta segue por essa trilha. Em alguns anos, ela deve ter uma cara bem diferente, parecida à dos Jardins. Para Youssef, é preciso cuidar da vocação das ruas. “É tudo oito ou oitenta: agora vai virar um monte de prédios.”
Sim, eles já chegaram. Os dois maiores empreendimentos são da Even – na Bela Cintra, com fundos para a Augusta – e da Esser, na esquina com a R. Dona Antônia de Queirós. Ambos são torres com apartamentos de um e dois dormitórios, academias, saunas, piscina. Maurício Belo, diretor de incorporação da Even, diz não acreditar que os edifícios vão mudar a cara da rua. “Se você faz uso de um espaço 24 horas por dia, deixa ele mais seguro.”
Para Facundo Guerra, um dos donos do Vegas, a tendência é que a região fique mais residencial. “Mas só daqui a uns cinco anos”, diz ele.

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Agora vai
Mas se não ao Baixo Augusta, para onde ir? O próprio Facundo não abre nada lá desde 2009, quando inaugurou o bar Z Carniceria. Suas novas casas caminharam em direção ao centro: o Lions Nightclub, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, o Cine Joia, na Liberdade, e o Yacht Club, no Bexiga. “Quando abri o Vegas, achava que as pessoas ainda não estavam preparadas para ir mais para o Centro, mas era essa a intenção”, afirma. “A Augusta sempre foi um passo intermediário.”
Mas Facundo não acha que algo como o Baixo Augusta possa aparecer em qualquer outra parte da cidade: “A Augusta tem condições únicas”, diz. “Acho que no Centro as coisas vão ser mais dispersas, até porque ele já está ocupado com comércio e residências.”
Youssef não acredita que a solução seja tão simples quanto se mover para outra parte da cidade. “Para quê? Para acontecer a mesma coisa nesse outro lugar?”, diz. “Chega uma hora que tem que parar com esse jogo, que é muito nocivo.” Para Youssef, é preciso cuidar das zonas com tradição de noite e de diversidade cultural, e procurar um equilíbrio. “Isso não vai acontecer se não houver uma preocupação legítima da cidade de criar formas de preservação da cultura alternativa”, afirma. “São Paulo não presta atenção a isso.”
Mas, se as opções de futuro parecem muitas, não se desespere – porque as opções de futuro são mesmo muitas. O melhor a fazer é aproveitar o que vier.
Centro Avante
O Centro já não é o mesmo – ainda bem. Com uma noite cada vez mais bacana, ele fica mais seguro e segue a trilha um dia percorrida pela Augusta
Saindo da rua Augusta, a Voodoohop, apesar de seu caráter itinerante, encontrou uma sede afetiva na Trackers, prédio no Largo do Paiçandu. É para esses lados que Thomas Haferlach vê a noite paulistana caminhando. “O Centro é lindo, decadente e tem muitos espaços a serem descobertos”, diz ele. “É a progressão lógica para a cultura e a vida noturna alternativas.” O alemão radicado em São Paulo acredita que a área vai se beneficiar dessa ocupação. “O clima em geral é muito mais simpático do que era dois anos atrás”, diz. “Acho que, em seguida, vão abrir cinemas de novo e espero que daqui a alguns anos apareçam mais e mais centros de cultura e de noite mesmo.”
Outro produtor que investe em áreas diferentes da cidade é Emmanuel Vilar, das festas Sem Loção e Javali – a primeira, tradicional, se dá em cima de um estacionamento no Bexiga e a outra, nova, descobre espaços na Liberdade. E é nesses bairros (os mesmos que abrigam a tríade Yacht-Lions-Joia) que Vilar aposta para um possível centro da cultura alternativa. “Acho que balada pode ser um ótimo meio para isso, para que as pessoas se apropriem de uma parte ‘esquecida’ da cidade”, diz.
Pode ser que a noite no Centro seja dispersa, como afirma Facundo Guerra, mas é fato que o seu Cine Joia, inaugurado ano passado em sociedade com André Juliani e Lúcio Ribeiro, já entrou para o roteiro obrigatório da noite paulistana: desde novembro, a oferta de ótimos shows, nacionais e internacionais, tem sido constante.
Sopre a bolha
Reveja seu conceito de balada: ela pode ser um cineminha, uma tarde na praça. E pode estar em locais menos óbvios, como a Água Branca (ou a Vila…)
Balada não precisa ser na balada não: pode ser domingo à tarde na Praça Dom José Gaspar. É lá que, sob a sombra de palmeiras, todo mundo dança nas festinhas do Paribar, às vezes uma ‘Voodoohop’, outras uma ‘Selvagem’ ou uma ocasional feira de discos com DJs. Domingo não é dia de ficar em casa, não.
E não é mesmo: que tal então uma festinha com clima caseiro, cerveja barata, macarrão e um bom filme? É assim o CineCentro, um cinema alternativo comandado por um grupo de jovens italianos que adotaram São Paulo.
De todos os lugares do Centro, o que talvez mais precise ser movimentado e revitalizado – também por sua função histórica de noite – é a Praça da República. Dando o pontapé inicial, o Espaço Cultural Walden, com shows de rock, noites de reggae e festas alternativas em geral.
Do lado do Parque da Água Branca, o Neu Club não fica perto de um monte de bares, mas é um endereço alternativo importante. Com Dago no comando das noites de sexta, e Guab nas de sábado, dois veteranos da noite paulistana, a casa ainda recebe outras festas na quinta, e ótimos shows. Também é a sede paulistana do dançante coletivo Avalanche Tropical.
Enquanto o endereço na Augusta continua sendo palco de shows, o Studio SP Vila Madalena dá espaço para peças de teatro e festas – do groove em vinil da ‘Veneno Soundsystem’ às batidas balcânicas da ‘Gas Gas’.
E dê uma olhada na programação da Choperia do Sesc Pompeia!
Tags: augusta, baixo augusta

SELVAGEM? | sim, sem dúvida. Mas há também muita delicadeza
O compositor minimalista Steve Reich, o livro ‘Frankenstein’, de Mary Shelley, e a escritora brasileira Clarice Lispector estão entre as influências que os britânicos do Wild Beasts afirmam terem sido essenciais na confecção do indie pop sensual de ‘Smother’, ótimo disco lançado ano passado. Quer descobrir se é verdade? É fácil: a banda toca quinta-feira (24) no Beco 203, em mais uma edição do Popload Gig.
Com mais sintetizadores e elementos eletrônicos, o último trabalho do grupo segue, sem medo de soar pretensioso, no pop sutil e onírico dos álbuns anteriores, ‘Two Dancers’ (2009) e ‘Limbo, Panto’ (2008) – todos lançados pela Domino Records.
Sob esses sons delicados, entretanto, o falsete de Hayden Thorpe continua cantando sobre sexo, desejo e dor. Ambiguidade expressa no próprio título do disco: o principal significado de to smother é ‘sufocar’, mas o verbo também pode ser usado para falar sobre ‘reprimir’, ou ainda no sentido de ‘dar em abundância’ um sentimento para alguém.
Enfim, música perfeita para os dias frios e chuvosos que invadiram São Paulo. Não que a banda não tenha momentos mais animados: ‘Reach A Bit Further’ é para dançar. Devagarinho, mas dançar.
ONDE: R. Augusta, 609, Consolação, 2339-0358. QUANDO: 5ª (24), 23h30 (abertura da casa: 22h). QUANTO: R$ 60/R$ 120. www.beco203.com.br
Tags: beco 203, indie, wild beasts
Festival espanhol Sónar volta a São Paulo após oito anos, com line up espetacular. Não se perca entre as 48 atrações e entenda a história que elas narram
Um bom line up é similar a um bom livro. Não, não perdemos o juízo. E você já vai entender. Marcos Boffa, curador da edição brasileira do Sónar – Festival Internacional de Música Avançada e New Media Art, que ocorre hoje (11) e amanhã (12), no Anhembi, usa o conceito do diretor do festival francês Trans Musicales, Jean-Louis Brossard, para explicar. “Para ele, fazer um line up é igual a criar uma narrativa. Tem de contar uma história.”
Nós, do Divirta-se, também gostamos da ideia e muitas vezes já nos emocionamos com histórias impressas em caixas de som. E, desde que conhecemos os personagens do Sónar 2012, soubemos que seria uma grande obra. E que deveria ser classificada como um novo gênero: realidade científica. Em que outro segmento cairia tão bem o termo ‘música avançada’?
A expressão – na assinatura do Sónar desde 1994, quando foi realizada a primeira edição, em Barcelona, cidade-sede do projeto – parece um pouco complexa, mas não é. “Música avançada é aquela que avança com a tecnologia. Artistas que, a partir de suas ideias, promovem e lançam novos movimentos – provocam o avanço da estética musical”, simplifica o espanhol Enric Palau, que, junto com os sócios Sergio Caballero e Ricard Robles, criou o festival e também o termo.
O conceito, amplo, pode se aproximar de todo e qualquer estilo musical. O que, em tempos em que rótulos não separam mais ninguém, é ótimo. E com tantos personagens distintos, não espere por um romance. Pelo contrário: “O Sónar é um livro de contos, que representam os diferentes blocos do festival”, diz Boffa.
Cada conto reúne artistas com características comuns, embora nem sempre evidentes. E foi por esse caminho que decidimos seguir para facilitar a sua vida na hora de escolher o que ver entre as 48 atrações, muitas delas, claro, simultâneas – afinal, são três palcos.
Os tais contos, citados por Boffa, são seis. Separamos cada um, com todos os seus personagens – tendo o cuidado de apresentar em detalhes os protagonistas.
E, como em outras grandes obras, não faltou nem o suspense, que dá graça à leitura. Em cima da hora, Björk não pôde vir. E poucos lamentaram quando souberam do substituto: Kraftwerk.
Se o Sónar realmente fosse um livro, não haveria prefácio melhor. Os precursores da música eletrônica, nos anos 70, fazem o primeiro grande show do festival. Depois, é só prestar atenção para perceber um pouquinho dos alemães em cada um dos shows. Se há uma influência obrigatória para quem faz a tal música avançada, é Kraftwerk.
Douglas Vieira e Renan Dissenha Fagundes
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Tags: sónar

CONTATO | espaço e filmes B se misturam aos riffs da surf music
Filho bastardo da surf music com o punk excêntrico do Devo, o grupo americano Man Or Astro-Man? traz de volta a São Paulo sua performance espacial, direto de (er…) Grid Sector 23B6-1, a galáxia da qual a banda diz ter vindo. Eles começam na Virada Cultural (amanhã, 5, às 22h30, na Barão de Limeira) e quinta (10) fazem show no Cine Joia.
Grid Sector 23B6-1? Isso mesmo. A biografia fictícia da banda situa o nascimento de Brian Birdstuff, Coco the Electronic Monkey Wizard, Star Crunch e Avona Nova em algum ponto longínquo do universo, e não no Alabama, estado americano em que o grupo foi formado.
Mais do que um detalhe peculiar, a história de origem cósmica influencia bastante o som do MOAM?: enquanto os riffs de guitarra – e o começo apenas instrumental do grupo – não estão tão distantes dos clássicos da surf dos anos 60, a temática dos discos é derivada, em grande parte, de filmes B de ficção científica, dos quais também saem áudios usados de abertura em várias músicas.
O espaço é presença constante também nas apresentações ao vivo. Nelas, os membros da banda se vestem com roupas de ficção científica barata e trazem ao palco até uma Bobina de Tesla, aparelho que gera longas faíscas elétricas, como pequenos relâmpagos.
O MOAM? esteve no Brasil pela última vez em 1999. Dois anos depois, a banda acabou, e – com exceção de uns poucos shows em 2006 – só se reuniu novamente em 2010, já sem todos os membros originais. Mas a volta não é apenas nostálgica: eles estão preparando um disco novo, ainda sem data de lançamento. O último, ‘A Spectrum of Infinite Scale’, saiu em 2000, encerrando uma prolífica sequência de dez álbuns em sete anos – que começou com ‘Is It…Man or Astro-Man?’, em 1993.
Músicas novas podem até aparecer nos shows por aqui, mas espere também muitos hits: a missão vai ser agradar os fãs.
ONDE: Cine Joia (1.500 lug.). Pça. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231-3705. QUANDO: 5ª (10), 23h (abertura da casa, 21h). QUANTO: R$ 30/R$ 60.
30 anos de Centro Cultural São Paulo: um lugar perfeito para você fazer todo tipo de atividade. Mas não se acanhe de fazer simplesmente nada

PAZ | ao alcance dos olhos, a cidade fica distante enquanto você quiser
Quando o poeta Mário Chamie, nascido em Cajobi, veio para São Paulo, foi um dia estudar na Biblioteca Mário de Andrade. Só que, impressionado pela imponência do pórtico de entrada, não se sentiu à vontade para entrar. Ele contou essa história para Ricardo Resende, o atual diretor do Centro Cultural São Paulo, uma das instituições mais queridas do paulistano – criada na gestão de Chamie na secretaria municipal de cultura.
O CCSP completa 30 anos neste domingo (6), fiel aos princípios que motivaram sua criação: o acesso ao conhecimento mais aberto, plural e democrático possível. Cioso de sua vocação, mas imbuído de ares de mudança – uma grande reforma acontece ao longo deste ano e do próximo –, esse prédio sem portas ou grades para a rua é um dos mais importantes e afetuosos pontos de encontro da cidade.
Lá se pode fazer muita coisa, descobrir muitos mundos. Mas também se pode não fazer nada, simplesmente estar. Em um mundo cada vez mais murado e vigiado, é um espaço vital, um respiro em meio à paranoia. Nas páginas a seguir, contamos um pouco sobre como ele nasceu e que caminhos quer tomar para o futuro. E reunimos o melhor da programação do mês de maio. É… assim você não tem desculpa para não ir até lá.
Guilherme Conte e Ramon Vitral
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Tags: CCSP, centro cultural são paulo
FAB FOUR | Roger, John, Nick e Simon (à esq.), na estrada há 32 anos
No auge aos trinta anos de carreira, o Duran Duran volta à cidade com seus muitos hits e uma só promessa: nesta 4ª (2), todo mundo vai dançar
Modelos só de lingerie dormem abraçadas umas às outras em uma enorme suíte do hotel Savoy, em Londres. Há taças de champanhe espalhadas pelo chão. Uma delas acorda e escancara as cortinas. É Naomi Campbell. Só que não. Ali, naquele clipe de nove minutos e meio, ela é Simon Le Bon, o líder do Duran Duran. ‘Girl Panic’, vídeo lançado em novembro passado, sintetiza bem o atual momento da banda inglesa, criada no fim dos anos 70 e que, desde 1980, tem Simon nos vocais e John Taylor no baixo. Com ‘All You Need is Now’, disco que retoma a sonoridade e os elementos que garantiram fama ao grupo no início da carreira, o Duran Duran reconquista os fãs – e volta a São Paulo na quarta (2), para um único show, com ingressos esgotados.
Seus dois últimos discos são muito diferentes. Como os fãs receberam o novo trabalho? A reação está sendo impressionante, maravilhosa. ‘All You Need is Now’ teve uma acolhida enorme por parte dos fãs. Uma acolhida muito maior que a do disco anterior. E o bacana é que, em primeiro lugar, foram eles, os nossos fãs, que nos levaram a ele. A gente não teria feito este disco assim se não fossem eles.
É o primeiro trabalho com o novo produtor, Mark Ronson. Como foi trabalhar com ele? Mark é fã da banda desde criança. Eu lembro de encontrá-lo na rua, em Nova York, em 1900 e… oitenta e pouco. Ele tinha uns 10 anos, estava com a mãe e o padrasto (Mick Jones, da banda Foreigner) e veio todo tímido, pedir um autógrafo. Então, quando fui trabalhar com ele, já sabia que era um fã. Na verdade, nós ouvimos uns mash-ups que ele fez com alguns de nossos trabalhos e nos perguntamos: ‘não seria incrível trabalhar com um cara como esse? Ele realmente ama o som original do Duran Duran’… E foi assim que tudo começou.
O que vocês fizeram para garantir que essa retomada da essência da banda não soasse datada? Mark colocou uma condição para trabalharmos juntos: a de retomar o som da banda pela qual ele havia se apaixonado nos anos 80. Mas o Mark é um músico moderno, que tem sons, técnicas e instrumentos modernos. Ele nos fez ouvir bandas como The Cardinals, The Killers, Franz Ferdinand. Para ele, elas soavam como nós. E foram referências importantes para que reconquistássemos o nosso território sem fazer um disco retrô.
E aí veio ‘Girl Panic’. Trinta anos depois, vocês ainda são pin-ups… Pensar assim é muito lisonjeiro (risos). Mas tenho certeza de que Naomi (Campbell), Cindy (Crawford), Helena (Christensen) e Eva (Herzigova) fizeram um trabalho muito melhor do que a gente jamais conseguiria. No fundo, acreditamos que, em uma vida paralela, elas seriam a cara do Duran Duran.
Vocês fizeram muitas parcerias no último ano. Fale sobre elas. A gente tem a sorte de um projeto meio que puxar o outro. Trabalhamos com David Lynch, com o Arcade Fire, tivemos duas músicas num episódio de Glee… E estamos sempre abertos a novas ideias, nos divertimos com elas.
E o que podemos esperar para este novo show? Nosso melhor. Shows no Brasil entram para nossas vidas como momentos incríveis, sempre.
ONDE: Credicard Hall (7.504 lug.). Av. das Nações Unidas, 17.981, S.Amaro, 2846-6010. QUANDO: 4a. (2), 21h30. QUANTO: R$ 55/R$ 500 (ingressos esgotados). Cc.: todos. Cd.: todos.
Tags: anos 80, Duran Duran, eletrônico, Mark Ronson, pop, Simon Le Bon
divulgação

O DONO| após anos de brigas com Liam, Noel está só
Noel Gallagherparecia estar ansioso pelo fim do Oasis. E tão logo a banda acabou ele passou a se dedicar às composições de seu disco solo, ‘Noel Gallagher’s High Flying Birds’. O álbum, lançado em 2011, é a base do repertório que ele apresenta quarta (2/5), no Espaço das Américas.
Se os discos com sua antiga banda já não emocionavam nem público nem crítica, sua estreia solitária foi diferente. Os fãs aprovaram e colocaram o disco no topo das paradas britânicas.
As músicas, claro, lembram Oasis – até porque Noel era o responsável pelas composições do grupo. Mas as faixas também têm forte influência de seu grande guru musical, Paul Weller – que começou a carreira nos anos 70, como líder do The Jam.
ONDE: Espaço das Américas. R. Tagipuru, 795, Barra Funda, 3864-5566. QUANDO: 4ª (2/5), 22h (abertura dos portões: 19h30). QUANTO: R$ 180/R$ 340.
Tags: Divirta-se, Espaço das Américas, música, noel gallagher, Noel Gallagher’s High Flying Birds, oasis, paul weller, the jam
De volta ao Brasil, o Nada Surf apresenta o disco ‘The Stars are Indifferent to Astronomy’, o sétimo de inéditas do grupo, na estrada há 20 anos

RETORNO | primeiro show do Nada Surf em São Paulo foi em 2004
Era 1996 quando o Nada Surf ganhou fama com a música, er, ‘Popular’. A banda liderada por Matthew Caws, que conversou com o Divirta-se, extrapolou o indie – na época não era só um estilo musical – e hoje, quase 20 anos depois, está longe de ter ficado marcada pela maldição do ‘one hit wonder’ – e ainda formam novos fãs com a ajuda da internet (sempre a serviço da memória indie). Mas é importante lembrar que o Nada Surf não vive de passado. Tanto que neste show apresentarão principalmente o repertório do disco ‘The Stars are Indifferent to Astronomy’, de 2011. Sempre em frente.
O título ‘The Stars are Indifferent to Astronomy’ parece um tanto filosófico. Era a ideia? É uma expressão do meu pai – ele é professor de filosofia. É algo que ele diz na sala de aula de vez em quando, para discutir com os alunos a insignificância do homem. Ele também dizia que um cachorro não sabe que nós chamamos ele de cachorro. Um pássaro não sabe que nós o chamamos de pássaro. E as estrelas e os planetas não sabem que nós lhe demos nomes – e isso não importa para eles.
Tanto por essa explicação como pelas letras do disco atual, você parece estar reflexivo. É isso mesmo? Sim, bastante. Acho que sempre fui assim. Eu não li muito sobre filosofia, exceto por um livro: ‘Meditações’, do Marco Aurélio – um imperador romano que também era filósofo. E é incrível, porque as meditações dele são como um livro de autoajuda, mas com quase dois mil anos e muito mais poderoso que os de hoje em dia. Muitas músicas que eu escrevi tentam refletir um pouco sobre como me sinto, o que faço de certo ou errado. É um pouco sobre como se manter a mesma pessoa em um mundo tão louco. Acho que consegui. Não fiquei louco.
Você realmente se sente o mesmo cara de quando começou, há 20 anos? Algo assim. E é um pouco estranho. É preocupante. Eu tenho 44 anos e tudo que eu faço é tocar guitarra e cantar em um palco (risos). É ridículo para ser um trabalho e é o que eu realmente amo. Acredito que temos todas as idades ao mesmo tempo. É como quando você vê seu pai tendo uma reação adolescente e pensa: meu Deus, como assim? Nós nunca mudamos.
Se você ainda continua o mesmo, me diga o quanto é diferente fazer música hoje? Existem muito, muito, muito, muito mais bandas, até porque é muito mais barato para gravar – e isso é muito bom. E tem a relação com as redes sociais, que colocam você em contato realmente direto com os fãs, o que também é excelente. É um pouco estranho, porque o mistério acabou. Mas me sinto bem próximo dos fãs, e isso é legal.
A internet foi determinante para o Nada Surf estar na estrada até hoje? Brasil é um exemplo perfeito. Quando estivemos aí pela primeira vez, em 2004, para tocar em São Paulo, a gente achava que ia tocar para algo como 200 pessoas – afinal não tínhamos nenhum álbum lançado no Brasil desde 1996. Mas tocamos para quase 900 pessoas e ficamos surpresos de como o público era animado. De todos os lugares em que tocamos, o Brasil foi o que mais nos demonstrou o poder da internet.
ONDE: Cine Joia (1.500 lug.). Pç. Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3231-3705. QUANDO: 4ª (25), 21h. QUANTO: R$ 60/R$ 120. Cc.: D, M e V. Cd.: todos.
São Paulo também comemora o Dia Mundial das Lojas de Discos: numa feira com 40 expositores e mais de 6 mil discos para comprar – ou trocar (<3)

PROCURA | comece ou aumente sua coleção de discos
É bem provável que seu MP3 player armazene tantas músicas quanto a soma de todos os discos da Record Store Day de São Paulo. Mas e daí? Quem for à feira de CDs e LPs, na sua sexta edição mundial, está mais interessado na cultura que reúne os amantes de discos do que em números. Você é um deles? Eis a chance de começar, aumentar ou incrementar sua coleção.
40 lojas estarão reunidas durante as oito horas de feira, com mais de 6 mil exemplares à venda. Boa parte delas é de São Paulo, e talvez você se pergunte: “por que ir a uma feira se eu posso ir às lojas?”. Márcio Custódio, da Locomotiva Discos e um dos responsáveis pelo evento, responde: “Algumas lojas vão fazer promoções e rolam trocas de discos. A feira tem uma atmosfera de colecionistas”.
E tem raridades, fitas K–7 (isso mesmo!), LPs nacionais e importados, edições de luxo, box especiais – e, claro, pessoas tão interessadas em música quanto você.
Leve dinheiro. Apenas 30% dos stands aceitarão cartões de crédito e débito. E, em feira de vinil, disco é moeda: leve alguns para fazer trocas
ONDE: 80′s Club. R. Deputado Lacerda Franco, 342, Pinheiros. QUANDO: Amanhã (21), 10h/18h. QUANTO: Grátis.
Tags: dia mundial das lojas de discos, feira, música, vinil
2012
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