
AO ALTO | No detalhe da aquarela, um céu onírico
O processo foi trabalhoso: durante um ano, o paulistano Ricardo van Steen digitou, quase que diariamente, a expressão “sobre as nuvens” em sites de busca da internet. A pesquisa, feita em diferentes idiomas, revelou desde poéticos retratos celestes até registros via satélite da atmosfera terrestre.
Então, inspirado pelo formato das fotografias Polaroid, Steen ampliou ou distorceu as imagens selecionadas para que todas ficassem quadradas.
E, finalmente, pintou uma série de aquarelas em preto e branco inspirada nessas fotos. Na mostra ‘Noir’, que ocupa a Zipper Galeria a partir de amanhã (18), o artista exibe essas obras lado a lado. Como vários ‘céus’ possíveis. Como uma linha… do horizonte.
Zipper Galeria. R. Estados Unidos, 1.494, Jd. América, 4306-4306. 10h/19h (sáb., 11h/17h; fecha dom.). Inauguração: sáb. (18), 14h/19h. Grátis. Até 15/6.
ARTE OU CRIME | Filme ‘Pixo’ foi dirigido por João Wainer e Roberto T. Oliveira
O 17º Cultura Inglesa Festival vai ocupar, a partir de hoje (17), espaços em várias ruas da cidade. Mas, ao menos nesta primeira semana, é o festival que vai ser ocupado pela rua. Isso porque a cultura urbana permeia boa parte da programação, que vai até 30/6.
A agenda completa, com shows, filmes, peças e espetáculos de dança, está no site festival.culturainglesasp.com.br. E, abaixo, estão boas atrações para você aproveitar desde já. Marina Vaz
Tendências em movimento
Documentários e filmes nacionais e estrangeiros poderão ser vistos no auditório do MIS. Cola de Farinha.DOC, que aborda a técnica do ‘lambe-lambe’, e Pixo, que reflete sobre o impacto da pichação em São Paulo, são exibidos em sequência, em três dias diferentes. Av. Europa, 158, Jd. Europa. Sáb. (18), dom. (19) e 4ª (22), 20h. Grátis (retirar ingresso 1h antes).
Trânsito de ideias
A partir de hoje (17), quatro estações de metrô vão ser receber mostras sobre diversos aspectos da cultura urbana. Cada uma tem um enfoque diferente – moda, na Vila Madalena; ocupação das ruas, na Tatuapé; esportes, na Santa Cecília; e ‘street art’, na Barra Funda. Estações Barra Funda, Santa Cecília, Tatuapé e Vila Madalena, 8h/20h. R$ 3 (valor referente ao bilhete de metrô). Até 30/6.
Referências Britânicas
O Centro Britânico Brasileiro recebe obras de três artistas: a instalação de Rafael RG é inspirada na coroação de Elizabeth II; Rogério Degaki fez esculturas gigantes de comida, para um ‘chá da tarde’; e Amanda Mei dialoga com a obra da inglesa Cornelia Parker. R. Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros. 10h/19h (sáb. e dom., 10h/16h) . Inauguração: sáb. (18). Grátis. Até 30/6.
Um povo que ama carros, futebol e cerveja. Ou seriam dois? O estereótipo serve tanto para brasileiros quanto para alemães. E é justamente para fugir um pouco dos clichês que foi criada a temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, que começa oficialmente nesta 2ª (13).
Concertos, exposições, mostras de filmes e baladas com a cara de Berlim fazem parte da programação oficial. Mas o Divirta-se, que não faz nada sem pôr São Paulo no meio, resolveu complementar o roteiro com lugares onde você pode celebrar o ano da Alemanha todos os anos – e com alguns (deliciosos) clichês. Sim, elegemos os melhores strudel de maçã, schnitzel e steak tartar da cidade. E incluímos dicas de passeios que vão do mercado de Santo Amaro à Catedral da Sé.
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TRAÇOS | Algumas das obras presentes na HQBR21
Quem lê o Divirta-se já sabe: há um boom no mercado de histórias em quadrinhos produzidas no Brasil. Ele já é vasto o bastante para ter todo um segmento dedicado aos gibis adultos. Segmento que ganha, a partir de 5ª (16), uma grande exposição no Sesc Belenzinho.
A HQBR21 abriga, pela primeira vez sob um mesmo teto, artes originais dos protagonistas desta cena. Dividida nas categorias novelas gráficas, produções independentes e gibis digitais, a mostra exibe trabalhos de artistas bem conhecidos – como Lourenço Mutarelli, Rafael Coutinho, João Montanaro e Gustavo Duarte – além de obras de coletivos independentes de todo o País e outras antes só vistas na internet.
“É algo que ainda não havia sido feito e é uma história praticamente desconhecida do grande público”, diz Paulo Ramos, curador da mostra e professor do departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo. Segundo ele, os autores escolhidos são responsáveis por construir um novo espaço para o quadrinho adulto brasileiro.
Enquanto a exposição não abre, revisite nossas páginas sobre o tema em bit.ly/DivHQ.
ONDE: Sesc Belenzinho. R. Pe. Adelino, 1.000, 2076-9700. QUANDO: 10h/21h (dom. e fer., 10h/19h30, fecha 2ª). Inauguração: 5ª (16), 10h. Até 11/8. QUANTO: Grátis.
PAISAGEM | ‘O Monte Emei’, pintura do chinês Zhang Daqian
Em 1870, o banqueiro Henri Cernuschi se aventurou pela Ásia e trouxe para sua casa, na França, valiosas obras de arte. Era o embrião do Musée Cernuschi, o 2º maior museu francês de arte oriental.
Pela primeira vez, parte disso vem ao Brasil. A mostra Seis Séculos de Pintura Chinesa – Coleção do Musée Cernuschi, Paris tem 120 pinturas elaboradas entre a Dinastia Ming (1368-1644) e o período anterior à Revolução Cultural Chinesa (as obras mais recentes são da década de 1950).
A coleção é distribuída cronologicamente por seis salas. Tudo começa com 12 leques de papel da Dinastia Ming. Em quase todas as obras, as ilustrações vêm acompanhadas de textos caligrafados. Não sabe chinês? Sem problema: ao lado de cada peça, foi incluída a tradução.
Zhang Daqian, um dos pintores chineses mais importantes do século 20, participa com dez obras. O artista viveu em Mogi das Cruzes de 1953 a 1972. Embora todas as pinturas da mostra sejam feitas de papel, o catálogo não será impresso. Pela 1ª vez, a Pinacoteca oferece uma versão digital, que estará disponível no site do museu em 10/5. Míriam Castro
ONDE: Pinacoteca. Pça. da Luz, 2, Luz, 3324-1000. QUANDO: 10h/17h30 (5ª, até 22h; fecha 2ª). Inauguração: sáb. (4), 11h. Até 4/8. QUANTO: R$ 6 (todas as quintas, grátis das 18h às 22h).
Tags: arte chinesa, Dinastia Ming, Henri Cernuschi, Musée Cernuschi, Zhang Daqian
PIONEIRO | A Av. São João na década de 50, em foto de Albuquerque
No ano passado, o Museu da Imagem e do Som (MIS) organizou o primeiro Maio Fotografia, um mês inteirinho dedicado à arte de congelar a realidade que, em sua segunda edição, é composto por cinco mostras paralelas, distribuídas em quatro salas.
São, ao todo, 337 fotografias. Pouco mais da metade delas integra ‘O Estúdio Fotográfico Chico Albuquerque’, realizada em parceria com o Instituto Moreira Salles. Pioneiro na fotografia publicitária, Albuquerque também se especializou em registros industriais e de arquitetura, retratos de estúdio e documentação urbana.
Outro homenageado é Carlos Ebert, diretor de fotografia que tem no currículo filmes como ‘O Bandido da Luz Vermelha’ (1968). Imagens de bastidores desta pérola do cinema marginal e de cenas do dia a dia estão em sua exposição, ‘Deslocamentos’.
Registros do cotidiano também dão o tom no espaço dedicado a Joakim Eskildsen. O dinamarquês visitou comunidades do povo nômade roma, grupo étnico originário da Índia que fala o idioma romani. Pejorativamente chamados de ciganos pelos europeus, eles foram fotografados por Eskildsen em sete países, dentre eles a Hungria.
Duas mostras exploram temas de cunho social. O francês Willy Ronis clicou, em preto e branco, ambientes como fábricas de automóveis e minas. Em ‘Paquistão: Um País, Diversas Guerras’, o paranaense Luiz Maximiano registrou diferentes momentos do país. Há belas imagens de crianças na escola, por exemplo. O trabalho foi escolhido pela segunda edição do programa Nova Fotografia, que destaca artistas promissores, de trabalho inovador.
Sim, há muito para ver até o dia 16 de junho e o ideal é programar mais de uma visita. Aproveite que o MIS, excepcionalmente, faz uma noite de inauguração aberta ao público e programe-se para estar lá na segunda-feira (29/4), a partir das 19h. Míriam Castro
ONDE: MIS. Av. Europa, 158, Jd. Europa, 2117-4777. QUANDO: 12h/22h (sáb. e dom., 11h/21h; fecha 2ª). Inauguração.: 2ª (29/4), 19h. Até 16/6. QUANTO: R$ 6.
FOTO: Chico Albuquerque/Convênio Museu da Imagem e do Som/Instituto Moreira Salles
Tags: Carlos Ebert, Chico Albuquerque, instituto moreira salles, Joakim Eskildsen, Luiz Maximiano, Maio Fotografia, MIS, Willy Ronis
Não são pássaros, mas são aviões. E submarinos. E óvnis. Estão todos lá, na entrada do CCBB. Construídos por camponeses e descobertos pelo chinês Cai Guo-Qiang (responsável pelos efeitos visuais na abertura e no encerramento das Olimpíadas de Pequim). Na exposição Da Vincis do Povo, Guo-Qiang exibe invenções de 40 conterrâneos.
Um deles era técnico de som em karaokês. Para fugir do barulho ao fim do dia, construiu um submarino. O camponês Wu Yulu não queria arar a terra, então construiu robôs que fizessem o trabalho por ele. Seus autômatos estão por toda a mostra. Uma série deles imita artistas famosos. Os Jackson Pollock respingam tinta sobre telas – que serão vendidas ao fim da exposição(!). Há versões de Damien Hirst, Yves Klein, Bruce Nauman e até do próprio Guo-Qiang. O robô que parodia o chinês segura uma lanterna, imitando a criação de uma de suas pinturas de pólvora.
A exposição já passou por Brasília e, depois, vai para o Rio. Em São Paulo, Guo-Qiang fez novas pinturas a partir de explosões de pólvora. Uma delas, ‘Birds and Flowers of Brazil’, tem 18 metros de altura e fica na rotunda do CCBB. Ele usou pólvora brasileira e, para obter as cores, combinou-a ao mineral amarelado realgar, comum na medicina chinesa.
Uma dessas pinturas, ‘Carnival Rehearsal’, está exposta no prédio histórico dos Correios. Ao lado dela, fica uma réplica de porta-aviões construída por mais um dos Da Vincis chineses. Lá, também ficam as obras construídas nas ‘UFOcinas’, oficinas de arte com sucata para crianças (mais na pág. 107).
A mostra marca também o retorno das exposições ao CCBB, que passou por uma reforma. A mudança mais perceptível é a do quarto andar. Use os robozinhos como desculpa e corra lá para ver tudo de uma vez. Míriam Castro
ONDE 1: Centro Cultural Banco do Brasil. R. Álvares Penteado, 112, metrô Sé, 3113-3652. QUANDO 1: 9h/21h (fecha 2ª). Inauguração: sáb. (20), 11h. Até 23/6. QUANTO 1: Grátis.
ONDE 2: Prédio Histórico dos Correios. Av. São João, s/nº, metrô Anhangabaú. QUANDO 2: 9h/18h (sáb. e dom., 9h/17h). Inauguração: sáb. (20), 12h. Até 23/6. QUANTO 2: Grátis.
FOTO: DIVULGAÇÃO
Tags: CCBB, chinês, Da Vincis do Povo, Prédio Histórico dos Correios, Tsai Guo-Qiang
Cao Guimarães sempre transitou entre as artes plásticas e o cinema. E é assim, em movimento (como ele mesmo e como suas imagens), que suas obras tomam conta do Itaú Cultural.
A mostra ‘Ver é Uma Fábula’ reúne vídeos, filmes e fotografias, que ocupam até as escadas do instituto. A expografia foi criada pela arquiteta Marta Bogéa, em diálogo com o curador Moacir dos Anjos (parceria já feita para a 29ª Bienal).
No vídeo ‘Limbo’ , por exemplo, Cao registra o vento que ‘passeia’ por um playground. E a instalação ‘Histórias do Não
Ver’ revela suas impressões diante de uma ação inesperada – ele pediu que várias pessoas ao redor do mundo o ‘sequestrassem’.
ONDE: Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, metrô Brigadeiro, 2168-1776. QUANDO: 9h/20h (sáb., dom. e feriados, 11h/ 20h; fecha 2ª). Inauguração: 5ª (28). Até 1/6. QUANTO: Grátis.
Tags: cao guimarães, fotografia, Itaú Cultural, moacir dos anjos, ver é uma fábula, vídeo
2013
2012
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