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19.janeiro.2012 23:45:28

A vida é uma festa

por Dado Carvalho

Rodrigo Rosner, que estreia hoje na São Paulo Fashion Week, fala de sua trajetória, de perspectivas e brinca: ‘Vestido de festa é cafona. E esta é a parte legal.’

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MODELITOS | O ateliê de Rodrigo é decorado com suas bonecas

A 32ª edição da São Paulo Fashion Week tem um único novato em suas passarelas. Rodrigo Rosner, de 33 anos, começou a carreira aos 17 na antiga fábrica dos pais, o Ateliê Parisiense, e depois de desfilar em sete edições da Casa de Criadores (voltada, sobretudo, aos novos talentos), ele leva seus vestidos de festa para a Bienal pela 1ª vez, hoje (20), às 15h30.

Você só faz roupas sob medida? Como funciona?
Sim, recebo as clientes aqui no ateliê. Tem gente que já vem com uma ideia do que quer. É raríssimo eu não conseguir melhorar aquilo. É você adaptar aquela ideia para a cliente de uma maneira que fique mais bacana do que ela imagina.

Como o conceito do sob medida é aplicado ao desfile?
Acho que a grande sacada do sob medida não é só ser exclusivo. O conceito é mais abrangente. As peças do desfile ficam sempre aqui por perto, e eu as redesenho para a cliente. O desfile é um grande mostruário. É uma história que é readaptada para cada cliente.

Como foi a transição para a SPFW?
Estou preparado comercialmente e acho que estou maduro conceitualmente. Mas tomei um susto com a quantidade de e-mails e telefonemas. Descobri que sou muito acessível. Qualquer um tem meu celular. No começo, tentei ser educado e responder. Agora, não dá. Porque se não, não faço mais nada. Vou ao desfile com uma placa: ‘Podem bater papo, não tem coleção’ (risos).

Você é formado em administração. Como virou estilista?
Queria ser arquiteto, sempre desenhei bem. Mas gostava da fábrica dos meus pais. Ficava lá nas férias. Perto do vestibular, eles começaram uma campanha: ‘Faz administração, que a fábrica vai ser sua’. Comecei a faculdade e a trabalhar na fábrica, no desenvolvimento. Me formei, fiz cursos livres de moda, e depois que a fábrica fechou, trabalhei no Bom Retiro um ano e pouco.

Você tem planos para fazer vestidos por atacado?
Já tenho uma linha de camisetas, que surgiu do interesse das clientes. Talvez alguém se interesse em vender as peças do desfile em outras capitais. Em SP, acho difícil, porque a partir de um certo preço, a pessoa prefere fazer sob medida.

É sempre em festa que você pensa quando desenha?
Adoro. Tem o exagero. Você pode fazer um laço usando dez metros de tecido. A vida é tão chata… E é bom poder fazer uma coisa um pouco deslocada. E o que eu mais gosto de fazer é noiva.

Noiva?
Quando tinha 3 anos, fui a um casamento. Enlouqueci. Desenhava Snoopy de noiva, vaca de véu e grinalda, casa … Amo. Acho divertido, poético, corajoso. Tem a coisa de se despir de seus conceitos modernos e voltar para essa coisa do amor, que hoje é cafona. As pessoas acham o amor cafona…

Ateliê: R. Minas Gerais, 201A, Higienópolis, 3129-5685.

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