Nada de desculpas para não ver o Optimo este fim de semana: o ótimo duo escocês faz duas apresentações praticamente seguidas em São Paulo no sábado (26): primeiro na ‘Green Sunset’, a matinê mensal do Museu da Imagem e do Som (MIS). Depois, à noite, JD Twitch e JG Wilkes são a atração principal da ‘Tumblr <3 Brasil’ que, em parceria com as festas ‘Voodoohop’ e ‘Selvagem’, marca a chegada oficial da rede social/plataforma de microblogging Tumblr ao Brasil.
Se ficou na dúvida, vá às duas: o clima deve ser de continuidade (o DJ Tahira, residente da ‘Green Sunset’, também toca na balada do Tumblr), e o Optimo tem munição de sobra para dois sets. Quando suas festas semanais em Glasgow chegaram ao fim, em abril de 2010, depois de 13 anos batendo ponto aos domingos, o duo fez uma apresentação de nada menos que cinco horas. Nela, passaram por músicas tão díspares e, de certa forma, tão coerentes entre si quanto o pós-disco experimental do Liquid Liquid (cujo EP ‘Optimo’, de 1983, dá nome ao projeto), Arthur Russell, Madonna, AC/DC, Joy Division, Blondie, Beyoncé, LCD Soundsystem, Gui Boratto, Donna Summer, Cramps, White Stripes, Roxy Music, Rapture… além de eletrônico de vanguarda, cumbia, soul e o que mais encaixasse.
A festa no MIS começa às 16h e vai até às 22h e, além de Optimo e Tahira, tem a participação do grupo Grite Poesias, com suas intervenções lúdicas junto ao público.
A balada do Tumblr será no prédio da primeira sede do Masp, no Centro. Começa às 23h59, depois de um coquetel para convidados, com cabines de fotos instantâneas e projeções de conteúdo do site: fotos, pinturas e desenhos de brasileiros – que são a segunda maior comunidade de usuários do Tumblr no mundo. Ah, é uma ‘Voodoo’, então não esqueça de por o nome na lista.
Green Sunset ONDE: Av. Europa, 158, 2117-4777. QUANDO: Sáb. (26), 16h. QUANTO: R$ 5/R$ 10 (ingr. até às 14h).
Tumblr <3 Brasil ONDE: R. Sete de Abril, 230, República. QUANDO: Sáb. (26), 23h59. QUANTO: R$ 30 (só c/ nome na lista: bit.ly/tumblr_sp).
Tags: green sunset, MIS, optimo, selvagem, tahira, tumblr, voodoohop
Superlotada, inflacionada, maquiada: a Augusta completa mais um ciclo e deixa de ser o centro alternativo da cidade
A essa altura é óbvio, mas é bom afirmar: o Vegas Club se matou. E levou com ele o Baixo Augusta. Famoso por retomar a noite da região, então reduto mais de cafetões e prostitutas do que de jovens, o clube ajudou a valorizar a Augusta (e, claro, a aumentar o preço do metro quadrado por ali). Mas o fechamento da casa que por sete anos ocupou o galpão no número 756 da rua é mais do que isso: é também um marco de sua decadência e (sim…) de seu fim como reduto da noite alternativa paulistana.
Assim como o Vegas que, há pelo menos dois anos não estava mais na sua melhor forma, o Baixo Augusta está longe de seu auge. “Eu adoro a Augusta, mas não aguento mais no sábado ou na sexta”, afirma Thomas Haferlach, produtor da ‘Voodoohop’, festa que começou ali na rua, no Bar do Netão. “Acho que está virando tipo fenômeno da Vila Olímpia”, afirma. A opinião de Haferlach reflete a opinião de muita gente que antes batia ponto na região e agora procura diversão fora dali.
De rua alternativa a calçadão de praia
Se antes andar pela rua era uma parte fundamental da noite – beber em algum lugar, olhar a entrada de outro, encontrar pessoas –, agora o próprio ato de descer a Augusta ganhou contornos caóticos. Há tanta gente na calçada que é mais fácil andar pela rua, entre os carros e ônibus. O cenário todo ganhou um quê de praia no feriado: os carros com som alto passando só para dar uma olhada, o acúmulo quase insuportável de pessoas bebendo na rua, a dificuldade de conseguir comprar uma bebida, as filas das baladas. Reformas tentam dar uma cara mais sofisticada aos lugares, descaracterizando-os, e os preços acompanham a transformação da rua.
Os clubes também já não são o tiro certeiro que foram um dia: ainda há festas legais, mas as noites mais interessantes da cidade estão em outros lugares. Inchado, o Baixo Augusta virou destino óbvio e passou a ser preterido por produtores de festas, que buscam espaços alternativos.
E, pior: a própria tradição de simplesmente andar pela rua tem uma nova ameaça. Com a chegada de novos edifícios residenciais, o silêncio noturno ganha importância.
Nos passos do Soho
A Vila Madalena passou por um processo semelhante. Destino de jovens, ganhou uma noite boêmia que valorizou a região e acabou por expulsar esses mesmos jovens de lá. “A cultura alternativa saiu da Vila Madalena e agora está sob ataque na Augusta”, diz Alê Youssef, cujo Studio SP mudou do bairro para a Augusta em 2008.
Há uma palavra para isso: gentrificação. Um ciclo que tem no Soho, em Nova York, o exemplo clássico. Jovens e artistas migram para um bairro, valorizando o espaço a ponto de não mais poder viver nele. E o Baixo Augusta segue por essa trilha. Em alguns anos, ela deve ter uma cara bem diferente, parecida à dos Jardins. Para Youssef, é preciso cuidar da vocação das ruas. “É tudo oito ou oitenta: agora vai virar um monte de prédios.”
Sim, eles já chegaram. Os dois maiores empreendimentos são da Even – na Bela Cintra, com fundos para a Augusta – e da Esser, na esquina com a R. Dona Antônia de Queirós. Ambos são torres com apartamentos de um e dois dormitórios, academias, saunas, piscina. Maurício Belo, diretor de incorporação da Even, diz não acreditar que os edifícios vão mudar a cara da rua. “Se você faz uso de um espaço 24 horas por dia, deixa ele mais seguro.”
Para Facundo Guerra, um dos donos do Vegas, a tendência é que a região fique mais residencial. “Mas só daqui a uns cinco anos”, diz ele.

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Agora vai
Mas se não ao Baixo Augusta, para onde ir? O próprio Facundo não abre nada lá desde 2009, quando inaugurou o bar Z Carniceria. Suas novas casas caminharam em direção ao centro: o Lions Nightclub, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, o Cine Joia, na Liberdade, e o Yacht Club, no Bexiga. “Quando abri o Vegas, achava que as pessoas ainda não estavam preparadas para ir mais para o Centro, mas era essa a intenção”, afirma. “A Augusta sempre foi um passo intermediário.”
Mas Facundo não acha que algo como o Baixo Augusta possa aparecer em qualquer outra parte da cidade: “A Augusta tem condições únicas”, diz. “Acho que no Centro as coisas vão ser mais dispersas, até porque ele já está ocupado com comércio e residências.”
Youssef não acredita que a solução seja tão simples quanto se mover para outra parte da cidade. “Para quê? Para acontecer a mesma coisa nesse outro lugar?”, diz. “Chega uma hora que tem que parar com esse jogo, que é muito nocivo.” Para Youssef, é preciso cuidar das zonas com tradição de noite e de diversidade cultural, e procurar um equilíbrio. “Isso não vai acontecer se não houver uma preocupação legítima da cidade de criar formas de preservação da cultura alternativa”, afirma. “São Paulo não presta atenção a isso.”
Mas, se as opções de futuro parecem muitas, não se desespere – porque as opções de futuro são mesmo muitas. O melhor a fazer é aproveitar o que vier.
Centro Avante
O Centro já não é o mesmo – ainda bem. Com uma noite cada vez mais bacana, ele fica mais seguro e segue a trilha um dia percorrida pela Augusta
Saindo da rua Augusta, a Voodoohop, apesar de seu caráter itinerante, encontrou uma sede afetiva na Trackers, prédio no Largo do Paiçandu. É para esses lados que Thomas Haferlach vê a noite paulistana caminhando. “O Centro é lindo, decadente e tem muitos espaços a serem descobertos”, diz ele. “É a progressão lógica para a cultura e a vida noturna alternativas.” O alemão radicado em São Paulo acredita que a área vai se beneficiar dessa ocupação. “O clima em geral é muito mais simpático do que era dois anos atrás”, diz. “Acho que, em seguida, vão abrir cinemas de novo e espero que daqui a alguns anos apareçam mais e mais centros de cultura e de noite mesmo.”
Outro produtor que investe em áreas diferentes da cidade é Emmanuel Vilar, das festas Sem Loção e Javali – a primeira, tradicional, se dá em cima de um estacionamento no Bexiga e a outra, nova, descobre espaços na Liberdade. E é nesses bairros (os mesmos que abrigam a tríade Yacht-Lions-Joia) que Vilar aposta para um possível centro da cultura alternativa. “Acho que balada pode ser um ótimo meio para isso, para que as pessoas se apropriem de uma parte ‘esquecida’ da cidade”, diz.
Pode ser que a noite no Centro seja dispersa, como afirma Facundo Guerra, mas é fato que o seu Cine Joia, inaugurado ano passado em sociedade com André Juliani e Lúcio Ribeiro, já entrou para o roteiro obrigatório da noite paulistana: desde novembro, a oferta de ótimos shows, nacionais e internacionais, tem sido constante.
Sopre a bolha
Reveja seu conceito de balada: ela pode ser um cineminha, uma tarde na praça. E pode estar em locais menos óbvios, como a Água Branca (ou a Vila…)
Balada não precisa ser na balada não: pode ser domingo à tarde na Praça Dom José Gaspar. É lá que, sob a sombra de palmeiras, todo mundo dança nas festinhas do Paribar, às vezes uma ‘Voodoohop’, outras uma ‘Selvagem’ ou uma ocasional feira de discos com DJs. Domingo não é dia de ficar em casa, não.
E não é mesmo: que tal então uma festinha com clima caseiro, cerveja barata, macarrão e um bom filme? É assim o CineCentro, um cinema alternativo comandado por um grupo de jovens italianos que adotaram São Paulo.
De todos os lugares do Centro, o que talvez mais precise ser movimentado e revitalizado – também por sua função histórica de noite – é a Praça da República. Dando o pontapé inicial, o Espaço Cultural Walden, com shows de rock, noites de reggae e festas alternativas em geral.
Do lado do Parque da Água Branca, o Neu Club não fica perto de um monte de bares, mas é um endereço alternativo importante. Com Dago no comando das noites de sexta, e Guab nas de sábado, dois veteranos da noite paulistana, a casa ainda recebe outras festas na quinta, e ótimos shows. Também é a sede paulistana do dançante coletivo Avalanche Tropical.
Enquanto o endereço na Augusta continua sendo palco de shows, o Studio SP Vila Madalena dá espaço para peças de teatro e festas – do groove em vinil da ‘Veneno Soundsystem’ às batidas balcânicas da ‘Gas Gas’.
E dê uma olhada na programação da Choperia do Sesc Pompeia!
Tags: augusta, baixo augusta
Começa hoje (23) o festival Baixo Centro, que vai ocupar por dez dias as ruas em torno do Elevado com arte, cinema, música – e mais
‘As ruas são para dançar’. Boom! Foi com esta frase que os bairros de Santa Cecília, Campos Elísios, Barra Funda e Vila Buarque ganharam a capa do Divirta-se em 16 de dezembro de 2011. Ela era o slogan de um festival que, na época, não ia muito além de uma proposta: o Baixo Centro. Organizado por gente preocupada com o entorno do Minhocão, o evento seria viabilizado com o dinheiro de pessoas comuns, que doariam recursos através do site Catarse. A meta era arrecadar R$ 56 mil. Não deu. Em dois meses, 386 pessoas investiram ‘apenas’ R$ 23 mil no projeto. Era o sinal que os organizadores precisavam para, em vez de desistir, fazer ajustes. Voltaram ao Catarse e pediram R$ 13,4 mil para financiar o primeiro fim de semana do evento – que ocupa as ruas da região do Elevado Presidente Costa e Silva entre hoje (23) e 1/4 com arte, dança, festas, peças de teatro, sessões de cinema, oficinas – e até futebol.
Senta aí no chão
O festival começa hoje (23), com o Cinóia, exibição de curtas sobre ocupação e estética das ruas, em um espaço embaixo do Minhocão. As pessoas serão convidadas a sentar na calçada, em pedaços de papelão. Esquina da Av. São João com a R. Helvétia. Hoje (23), 20h30.
Comida e mp3
Não é só para levar comida amanhã (24) no Piquenique do Compartilhamento: HDs cheios de mídia, para a troca de arquivos, também são bem-vindos. A tarde será ao som da performance Eletro Urbana e do trio Os Augustos. Largo do Arouche. Sáb. (24), 13h.
Em procissão
A festa ‘Santo Forte’, do DJ e produtor Tutu Moraes, ganha uma edição Santo de Rua. Em forma de cortejo, a balada sai da Roosevelt e vai até o Largo do Arouche, onde encerra o Piquenique. Saída da Pça. Roosevelt. Sáb. (24), 15h.
Joga bola, jogador
O Futebol Autônomo da Madrugada começa amanhã (24) às 23h59 e se estende pela madrugada de domingo. Os times terão cinco jogadores cada, e as partidas, sete minutos. Antes de cada minijogo, o público participa de um debate sobre futebol e a ocupação da cidade. Pça. Marechal Deodoro. Sáb. (24), 23h59.
Contato
O Mutirão do Coletivo Urubus vai levar poesia e outras ações para a Favela do Moinho, no domingo (25). No mesmo dia também tem cinema e teatro por lá. Comunidade do Moinho. Dom. (25), 10h/20h.
Lá em cima
A Voodoohop, tradicional festa alternativa do centro de São Paulo, faz uma balada em cima do Minhocão, com música brasileira e eletrônica. Elevado Pres. Costa e Silva. Dom. (25), 15h/22h.
Casa própria
No segundo final de semana do festival, o Baixo Centro ganha uma sede na praça Marechal Deodoro: uma programação diversa ocupará a tenda instalada no local. O bloco afro Ilú Oba De Min encerra o evento ali, no domingo (1/4) às 19h. Pça. Marechal Deodoro. Sáb. (31) e dom. (1/4).
Ah, que bom seria
E se fosse um parque? No próximo domingo (1/4), o Jardins Suspensos vai colocar 400 m2 de grama sobre o Elevado. Vai ter verde para jogar bola, fazer piquenique… e até uma piscina, que será usada depois das 20h como ‘plateia’ para o Cinepiscina Kinô. Elevado Pres. Costa e Silva. Dom. (1/4), 8h/20h.
Lavou, tá novo
Na Lavagem do Baixo Centro, no último dia do festival (1/4), um caminhão-pipa lavará as ruas da região como uma forma de ritual, uma homenagem ao Senhor de Bonfim – e uma ironia com as políticas de ‘limpeza’ da região da Cracolândia. Entre a Pça. da República e a Pça. Marechal Deodoro. Dom. (1/4), 10h/13h.
Ana Reczek/Div.

VÃO LIVRE | a parede do prédio vira tela e o macarrão caseiro substitui a pipoca
É como ir ver um filme na casa de um amigo. E não ser amigo da maior parte das pessoas. Mas poder ser. Um dos principais atrativos do CineCentro é o clima antes da sessão começar: cigarros, cerveja barata (R$ 3, a lata de Conti), um terraço na esquina das ruas Major Sertório e Rêgo de Freitas e pessoas sentadas no chão, conversando com outros ex-estranhos.
Criado há pouco mais de um mês pelos italianos Francesco Losurdo, Filippo Ricci, Luigi Testa e Aldo Barbieri, o CineCentro é uma mistura de cinema e festa em casa, aos domingos, com pasta feita pelos anfitriões (R$ 5, o prato) e um filme cult projetado em uma parede, com os prédios do centro de São Paulo ao redor. Tudo isso em uma atmosfera informal, que incentiva conversas com os outros frequentadores.
O evento já teve quatro edições. Nas duas primeiras, foram exibidos os filmes ‘Sobre Café e Cigarros’ e ‘Dead Man’, ambos do americano Jim Jarmusch. O Divirta-se esteve presente nos últimos dois domingos.
Na terceira edição, o filme programado era ‘Ghost Dog’, também de Jarmusch, que terminaria o primeiro ‘tema’ do CineCentro, dedicado ao diretor independente. Mas por conta de um problema no DVD, a escolha foi transferida para o público: ‘Taxi Driver’, de Martin Scorsese, ou ‘Blade Runner’, de Ridley Scott? Ganhou o primeiro, que recebeu também o nosso voto.
O problema maior do CineCentro, para o público, são as chuvas do verão paulistano. Não que elas estraguem de todo a noite: no domingo passado (11), quando ‘Ghost Dog’ pôde então ser visto, acompanhamos o evento em sua versão interna, entre quatro paredes.
Mas o próximo passo para os organizadores, à medida que o número de frequentadores cresça, é encontrar um novo lugar para fazer o evento (o atual é a casa deles), sem deixar que isso mude a cara do CineCentro: eles querem um lugar, claro, no centro, com mais espaço, e que permita o mesmo clima de descontração.
MAIS: on.fb.me/cinecentro
Fotos: MANOEL NEVES
Balada na Bela Vista na década de 1980: a rua era escura e suja, o clube ficava exatamente em uma esquina, com um bar na calçada em frente – quem não conseguia entrar (principal motivo: falta de idade), ficava por ali mesmo. O público não era casual. Fazer parte de uma tribo – góticos, punks, pós-punks, carecas; o que seja – exigia as roupas certas, maquiagem (pouco, muito, ou nenhuma), e bastante montação. Dentro, reinava o caos. Quinhentas pessoas, mais da metade sob efeito de micropontos de LSD (eram os anos 80, sim, mas cocaína custava caro e quase todo mundo ali não tinha muito dinheiro). O uísque barato e falsificado era quase metal fundido.
Não dá nem para imaginar direito como era o Madame Satã naquela época. Por isso, o Divirta-se levou João Gordo, Alex Atala e Jac Leirner ao Madame, a nova encarnação do clube, reaberto em 29 de fevereiro – no mesmo endereço, mas com outros donos.
A rua ainda é escura, mas o bar na frente virou uma espécie de barraca de cachorro quente dentro de uma garagem (que vende cerveja em lata). Era o segundo dia de funcionamento da casa, e o movimento estava devagar – ao contrário da inauguração, em que a fila se estendeu madrugada adentro. E a noite foi curta: Gordo tinha que viajar para Curitiba na manhã do outro dia, e estava tomando antibióticos. “Só saio à noite para ganhar dinheiro, discotecar, não sei o que estou fazendo aqui”, disse, causando risos na área de fumantes.
Gordo praticamente morou uma parte da vida no Madame Satã. Atala, por outro lado, diz que não era o maior frequentador de lá. Seu território na noite underground paulistana era outro, o Rose Bom Bom, na rua Oscar Freire, do qual foi DJ – e condômino, praticamente, com sua casa no prédio em cima da galeria que abrigava a balada. Mas as coisas se misturavam: os dois frequentavam ambos os clubes. Assim como Jac, que, formada em artes plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e já parte do cenário artístico paulistano (incluindo uma exposição na Bienal de São Paulo de 83), vinha de um universo bastante diferente de boa parte de seu grupo de amigos na noite – “o clima de transgressão foi importante para mim”, afirma.
Os três não entravam naquele salão desde antes do fim da década de 1980, mas vários elementos ainda estão lá. Por exemplo, a escada da qual Gordo empurrou Cazuza depois que o cantor carioca pulou no seu colo com as pernas em volta da sua cintura. “Está praticamente igual”, ele disse, lembrando de detalhes que mudaram. (Ao contrário de Atala, que achou o casarão bastante diferente).
A banheira em que a transexual Cláudia Wonder nadava nua em groselha – isso logo que foi descoberta a aids – desapareceu há anos. Esta faceta homossexual do Madame Satã convivia não sem estranhamento com o lado punk. “Eu não gostava que respingasse groselha em mim”, diz Gordo. “A gente só foi abrir a cabeça para essas coisas depois de viajar pela Europa.”
A jaula em que ficava a “mulher comendo repolho” também não está mais lá, dando espaço para a cabine do DJ. E é pouco provável que um dos donos atuais, Gé Rodrigues e Igor Calmona, apareçam no clube de cueca, rasgando uma Bíblia enquanto gritam/rezam em uma língua inventada, como fazia um dos donos originais.
Resta o endereço, claro, e um clima underground. Mas assim como os antigos frequentadores não estão presos na década que marcou o espaço, a casa também não quer ficar. A ideia é fazer uma ponte com a tradição, a história do lugar, mas também criar uma cena nova, dar espaço para que bandas comecem no Madame, assim como o Titãs e o Ira! começaram no Satã. Atala acredita que o ambiente é bem diferente hoje em dia: não é um universo pequeno, de poucas pessoas dependendo de zines e revistas estrangeiras para conseguir informação. Há a internet, e é muito mais fácil ouvir música. “Fica uma nostalgia, mas hoje é, talvez, mais interessante”, diz Atala.
ONDE: R. Conselheiro Ramalho, 873, Bela Vista, 2592-4474. QUANDO: 6ª e sáb., 23h30 (5ª, 22h; dom., 17h). QUANTO: R$ 20/R$ 40 (R$ 40/R$ 60 consum.).
Tags: alex atala, jac leirner, joão gordo, madame, madame satã
Misturando um fim de semana com festas dedicadas exclusivamente à música eletrônica, uma das noites de hip hop mais tradicionais da cidade (a ‘Chocolate’, às terças), e shows de rock para temperar a semana, a Clash Club comemorou cinco anos em fevereiro. Para a festa, a casa recebe amanhã (3) o DJ alemão D-Nox.
Com 15 anos de carreira, D-Nox é um nome respeitado do progressive house e já trabalhou com nomes como Beckers, David Amo e Julio Navas, emplacando hits nas paradas do Beatport, site de vendas de música eletrônica.
House e techno fazem parte da história da Clash, que foi aberta primeiramente como uma casa fixa para a festa ‘Circuito’, que completou 10 anos em 2011. O clube foi aberto em fevereiro de 2007 em um galpão da década de 1930 na Barra Funda.
Como casa de shows, a Clash já recebeu apresentações de bandas como The Pains of Being Pure at Heart, Ariel Pink, Stiff Little Fingers, e o cantor Jamie Lidell.
ONDE: R. Barra Funda, 969, Barra Funda, 3661-1500. QUANDO: Sáb. (3), 23h59. QUANTO: R$ 50/R$ 120 (dos quais R$ 30/R$ 70 consumíveis).
Tags: aniversário, Clash, house, techno
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Juntos, Gadi Mizrahi e Zev Eisenberg são bem mais que apenas um duo de DJs e produtores de música eletrônica. Sob o nome Wolf + Lamb, os americanos também são donos de uma gravadora, de uma festa, de um hotel de mentira e agitadores culturais de uma comunidade de artistas e público – com sede em Williamsburg, o bairro dos hipsters nova-iorquinos, mas que se estende para além das fronteiras do Brooklyn. Amanhã (25), Gadi e Zev mostram sua mistura de techno e house com jazz e soul na ‘Mothership’, da D-Edge.
Mas o som deles nem sempre foi esse. Das primeiras festas no Marcy Hotel, e durante o começo da gravadora que leva o nome do duo, a música era mais dark, e mais próxima do minimal Foi durante várias idas ao Burning Man, um festival neo-hippie no meio do deserto de Nevada, nos Estados Unidos, que isso mudou. Primeiro, Gadi e Zev começaram a discotecar house durante as festas do Burning Man, por acreditarem que as pessoas lá queriam uma música diferente, com mais soul.
Essa música que eles não ouviam, mas imaginavam para o Burning Man, começou a mudar as produções do duo: logo o som estava mais lascivo, mais intenso. O primeiro disco do Wolf + Lamb, e por enquanto o único, saiu em 2010. ‘Love Someone’ é mais uma coletânea de faixas do que um álbum pensado como tal. Porém as variações de ritmos e conceitos não atrapalham na hora de afirmar essa estética: dançante e sexy, não exatamente alegre, mas mais profunda que sombria.
A gravadora Wolf + Lamb agora também reflete essa mudança. Nos últimos anos, eles colaboram com artistas já estabelecidos, como Seth Troxler, Lee Curtiss e Soul Clap – e ajudaram a lançar jovens, como Smirk, Sergio Giorgini, e o wunderkind Nicolas Jaar, que lançou aos 18 anos ‘The Student’, seu primeiro EP, pela gravadora, três anos antes do aclamado ‘Space Is Only Noise’, do ano passado.
ONDE: R. Auro Soares de Moura Andrade, 141, Barra Funda, 3666-9022. QUANDO: Sáb. (25), 23h59. QUANTO: R$ 40/R$ 70.
Samba não é exclusividade da avenida. Selecionamos bares em que se ouve e se dança o gênero o ano todo – em alguns deles, ‘até’ durante o carnaval
Os mestres Paulo César Pinheiro e João Nogueira já disseram: ninguém faz samba só porque prefere. Quantos mundos cabem dentro destas cinco letrinhas…
Muito já se discutiu sobre a cansada arenga acerca de São Paulo e sua suposta vocação para ser o tal do “túmulo do samba”. Mas quando uma cuíca ronca, o violão dá o sinal e o pandeiro começa a balançar, a cidade vira é uma maternidade do samba.
Todo dia é dia, e quase toda hora é hora. Das mais sérias e reverentes rodas – com um silêncio de sacristia para ouvir os versos mais tristes dos lábios do cantor–, às pistas mais ferventes e pulsantes da madrugada, o samba se mostra em todas as suas formas e cantos da cidade. Não poderia ser diferente. Afinal, existe algum gênero que tenha em seu código genético uma alma mais brasileira?
Nas próximas páginas você encontra lugares para ouvir ou dançar samba por aí. Sapato branco (ou cheio de estilo como o daí de cima), camisa aberta, corrente no peito e chapéu quebrando a aba na testa… Não arrisca um miudinho? Não tem problema. Se não for ruim da cabeça nem doente do pé, temos um passo a passo para você. É, não tem desculpa. Marina Vaz e Guilherme Conte
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Tags: carnaval, marchinhas, samba
Para marcar nossa centésima edição, abusamos dos superlativos num tributo à cidade que cobrimos carinhosa e apaixonadamente.
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ERRATA| O Bar Sabiá foi publicado com o endereço errado. O correto é R. Purpurina, 370, Vila Madalena.
2012
2011
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