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10.agosto.2012 01:38:29

Brasil-il

por Carolina Arantes

Entram em cartaz um documentário e uma ficção nacionais que contam histórias de brasileiros excepcionais.

Vida errante|

divulgação
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Breno Silveira fez escola em ‘Dois Filhos de Francisco’: o imaginário popular da cinebiografia de Zezé di Camargo e Luciano está em À Beira do Caminho, novo road movie do diretor. Mas a música, desta vez, é de Roberto Carlos – e são canções como ‘Amigo’ e ‘Outra Vez’ que pontuam o drama de João (João Miguel). Antissocial e bruto, ele se vê responsável por um menino (o sensacional Vinícius Nascimento) que pega carona escondido na carroceria de seu caminhão. Duda quer chegar a São Paulo e encontrar o pai que o abandonou antes de ele nascer.

O leitor pode imaginar o resto: a partir do contato com o garoto, João tem seu passado revelado e acaba mudando. Afinal, ‘À Beira do Caminho’ não nega os clichês: o grande público e a emoção são alvos declarados do diretor. Talvez por isso, o retrato sem rodeios que ele faz da vida errante de caminhoneiro, da mulher brejeira (Dira Paes) e dos amores mal-acabados não nos incomode.

Em um de seus melhores recursos, Silveira estrutura toda a narrativa a partir das afamadas frases de parachoque: cada uma delas funciona como prólogo para as cenas seguintes. Assim, entre ‘mantenha a distância’ e ‘o que vier é lucro’, conhecemos a história de João – tão grandiosa quanto prosaica.

Vida bandida|

divulgação
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Baiano, filho de um imigrante italiano e de uma descente de escravos sudaneses, Carlos Marighella não terminou a faculdade de engenharia, mas foi sociólogo (e defensor dos pobres) por vocação. Defendeu a liberdade religiosa e o divórcio já nos anos 30; viajou por Rússia, Cuba e China pela Ação Libertadora Nacional sem distanciar-se da família; recorreu tanto à poesia quanto às armas para defender seus ideais comunistas; nunca abandonou o bom-humor. As nuances da personalidade de um dos nomes mais importantes da resistência à ditadura militar são reveladas em Marighella, dirigido por sua sobrinha, Isa Ferraz.

Por meio da narração em primeira pessoa, Isa pontua a reconstrução histórica com suas lembranças e impressões pessoais. Com recortes de jornais, fotografias e depoimentos da viúva de Marighella, Clara Charf, de Antônio Cândido e de muitos dos militantes que lutaram ao lado de Marighella, o documentário revela passagens pouco conhecidas de sua trajetória e tem valor histórico inquestionável. Mas assume-se como retrato afetivo, não ouvindo, por exemplo, militantes contrários à luta armada. O resultado, contudo, é feliz: ‘Marighella’ é coeso e equilibra-se com segurança entre o registro histórico e a homenagem sóbria.

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