Domingo (27) é dia de se programar para chegar com antecedência. Por isso, não enrole muito em casa. Não estou sugerindo que você tenha uma vida de segunda-feira no fim de semana. Mas para ter uma vida de domingo, sem estresse, realmente será importante chegar cedo ao Parque da Independência, que, a partir das 11h, recebe a programação musical do 16º Cultura Inglesa Festival.
O evento, gratuito, tem sido bastante alardeado nas redes sociais desde que foi anunciada a atração principal, a banda escocesa Franz Ferdinand, que deve atrair um grande público ao parque. Segundo a organização, mais de 18 mil pessoas são esperadas para a hora em que eles estiverem no palco – 20 mil é a lotação máxima. Por isso, a dica inicial de chegar cedo. A ideia é evitar que a euforia vire frustração.
No que depender dos escoceses, isso não deve acontecer. Desde os excelentes shows que fizeram em 2006 – abrindo para o U2, no Morumbi, e no extinto festival Motomix –, eles não decepcionam os fãs brasileiros.
E, ao ar livre, a apresentação realmente promete. O repertório, cheio de hits, passará pelos três bons discos do quarteto: ‘Franz Ferdinand’, ‘You Could Have It So Much Better’ e ‘Tonight: Franz Ferdinand’. E o domingo deve acabar bem: todo mundo vai dançar ao som de canções como ‘Take Me Out’, ‘Do You Want To’ e ‘No You Girls’.
Toda a euforia gerada pelo Franz já justificaria o conselho (que reforço aqui) de chegar cedo. Mas saiba também que não foi a única razão.
A outra – e muito mais bacana – é que o line up tem outras atrações interessantes, que prometem atenuar a espera. É o caso de We Have a Band e The Horrors, as outras duas atrações britânicas do festival, que é completado ainda por uma grande quantidade de bandas indies brasileiras, com destaque para Garotas Suecas e Banda UÓ.
ONDE: Parque da Independência (20 mil lug.). Av. Nazareth, s/nº, Ipiranga. QUANDO: Dom. (27), a partir das 11h. QUANTO: Grátis.
Nada de desculpas para não ver o Optimo este fim de semana: o ótimo duo escocês faz duas apresentações praticamente seguidas em São Paulo no sábado (26): primeiro na ‘Green Sunset’, a matinê mensal do Museu da Imagem e do Som (MIS). Depois, à noite, JD Twitch e JG Wilkes são a atração principal da ‘Tumblr <3 Brasil’ que, em parceria com as festas ‘Voodoohop’ e ‘Selvagem’, marca a chegada oficial da rede social/plataforma de microblogging Tumblr ao Brasil.
Se ficou na dúvida, vá às duas: o clima deve ser de continuidade (o DJ Tahira, residente da ‘Green Sunset’, também toca na balada do Tumblr), e o Optimo tem munição de sobra para dois sets. Quando suas festas semanais em Glasgow chegaram ao fim, em abril de 2010, depois de 13 anos batendo ponto aos domingos, o duo fez uma apresentação de nada menos que cinco horas. Nela, passaram por músicas tão díspares e, de certa forma, tão coerentes entre si quanto o pós-disco experimental do Liquid Liquid (cujo EP ‘Optimo’, de 1983, dá nome ao projeto), Arthur Russell, Madonna, AC/DC, Joy Division, Blondie, Beyoncé, LCD Soundsystem, Gui Boratto, Donna Summer, Cramps, White Stripes, Roxy Music, Rapture… além de eletrônico de vanguarda, cumbia, soul e o que mais encaixasse.
A festa no MIS começa às 16h e vai até às 22h e, além de Optimo e Tahira, tem a participação do grupo Grite Poesias, com suas intervenções lúdicas junto ao público.
A balada do Tumblr será no prédio da primeira sede do Masp, no Centro. Começa às 23h59, depois de um coquetel para convidados, com cabines de fotos instantâneas e projeções de conteúdo do site: fotos, pinturas e desenhos de brasileiros – que são a segunda maior comunidade de usuários do Tumblr no mundo. Ah, é uma ‘Voodoo’, então não esqueça de por o nome na lista.
Green Sunset ONDE: Av. Europa, 158, 2117-4777. QUANDO: Sáb. (26), 16h. QUANTO: R$ 5/R$ 10 (ingr. até às 14h).
Tumblr <3 Brasil ONDE: R. Sete de Abril, 230, República. QUANDO: Sáb. (26), 23h59. QUANTO: R$ 30 (só c/ nome na lista: bit.ly/tumblr_sp).
Tags: green sunset, MIS, optimo, selvagem, tahira, tumblr, voodoohop
Superlotada, inflacionada, maquiada: a Augusta completa mais um ciclo e deixa de ser o centro alternativo da cidade
A essa altura é óbvio, mas é bom afirmar: o Vegas Club se matou. E levou com ele o Baixo Augusta. Famoso por retomar a noite da região, então reduto mais de cafetões e prostitutas do que de jovens, o clube ajudou a valorizar a Augusta (e, claro, a aumentar o preço do metro quadrado por ali). Mas o fechamento da casa que por sete anos ocupou o galpão no número 756 da rua é mais do que isso: é também um marco de sua decadência e (sim…) de seu fim como reduto da noite alternativa paulistana.
Assim como o Vegas que, há pelo menos dois anos não estava mais na sua melhor forma, o Baixo Augusta está longe de seu auge. “Eu adoro a Augusta, mas não aguento mais no sábado ou na sexta”, afirma Thomas Haferlach, produtor da ‘Voodoohop’, festa que começou ali na rua, no Bar do Netão. “Acho que está virando tipo fenômeno da Vila Olímpia”, afirma. A opinião de Haferlach reflete a opinião de muita gente que antes batia ponto na região e agora procura diversão fora dali.
De rua alternativa a calçadão de praia
Se antes andar pela rua era uma parte fundamental da noite – beber em algum lugar, olhar a entrada de outro, encontrar pessoas –, agora o próprio ato de descer a Augusta ganhou contornos caóticos. Há tanta gente na calçada que é mais fácil andar pela rua, entre os carros e ônibus. O cenário todo ganhou um quê de praia no feriado: os carros com som alto passando só para dar uma olhada, o acúmulo quase insuportável de pessoas bebendo na rua, a dificuldade de conseguir comprar uma bebida, as filas das baladas. Reformas tentam dar uma cara mais sofisticada aos lugares, descaracterizando-os, e os preços acompanham a transformação da rua.
Os clubes também já não são o tiro certeiro que foram um dia: ainda há festas legais, mas as noites mais interessantes da cidade estão em outros lugares. Inchado, o Baixo Augusta virou destino óbvio e passou a ser preterido por produtores de festas, que buscam espaços alternativos.
E, pior: a própria tradição de simplesmente andar pela rua tem uma nova ameaça. Com a chegada de novos edifícios residenciais, o silêncio noturno ganha importância.
Nos passos do Soho
A Vila Madalena passou por um processo semelhante. Destino de jovens, ganhou uma noite boêmia que valorizou a região e acabou por expulsar esses mesmos jovens de lá. “A cultura alternativa saiu da Vila Madalena e agora está sob ataque na Augusta”, diz Alê Youssef, cujo Studio SP mudou do bairro para a Augusta em 2008.
Há uma palavra para isso: gentrificação. Um ciclo que tem no Soho, em Nova York, o exemplo clássico. Jovens e artistas migram para um bairro, valorizando o espaço a ponto de não mais poder viver nele. E o Baixo Augusta segue por essa trilha. Em alguns anos, ela deve ter uma cara bem diferente, parecida à dos Jardins. Para Youssef, é preciso cuidar da vocação das ruas. “É tudo oito ou oitenta: agora vai virar um monte de prédios.”
Sim, eles já chegaram. Os dois maiores empreendimentos são da Even – na Bela Cintra, com fundos para a Augusta – e da Esser, na esquina com a R. Dona Antônia de Queirós. Ambos são torres com apartamentos de um e dois dormitórios, academias, saunas, piscina. Maurício Belo, diretor de incorporação da Even, diz não acreditar que os edifícios vão mudar a cara da rua. “Se você faz uso de um espaço 24 horas por dia, deixa ele mais seguro.”
Para Facundo Guerra, um dos donos do Vegas, a tendência é que a região fique mais residencial. “Mas só daqui a uns cinco anos”, diz ele.

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Agora vai
Mas se não ao Baixo Augusta, para onde ir? O próprio Facundo não abre nada lá desde 2009, quando inaugurou o bar Z Carniceria. Suas novas casas caminharam em direção ao centro: o Lions Nightclub, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, o Cine Joia, na Liberdade, e o Yacht Club, no Bexiga. “Quando abri o Vegas, achava que as pessoas ainda não estavam preparadas para ir mais para o Centro, mas era essa a intenção”, afirma. “A Augusta sempre foi um passo intermediário.”
Mas Facundo não acha que algo como o Baixo Augusta possa aparecer em qualquer outra parte da cidade: “A Augusta tem condições únicas”, diz. “Acho que no Centro as coisas vão ser mais dispersas, até porque ele já está ocupado com comércio e residências.”
Youssef não acredita que a solução seja tão simples quanto se mover para outra parte da cidade. “Para quê? Para acontecer a mesma coisa nesse outro lugar?”, diz. “Chega uma hora que tem que parar com esse jogo, que é muito nocivo.” Para Youssef, é preciso cuidar das zonas com tradição de noite e de diversidade cultural, e procurar um equilíbrio. “Isso não vai acontecer se não houver uma preocupação legítima da cidade de criar formas de preservação da cultura alternativa”, afirma. “São Paulo não presta atenção a isso.”
Mas, se as opções de futuro parecem muitas, não se desespere – porque as opções de futuro são mesmo muitas. O melhor a fazer é aproveitar o que vier.
Centro Avante
O Centro já não é o mesmo – ainda bem. Com uma noite cada vez mais bacana, ele fica mais seguro e segue a trilha um dia percorrida pela Augusta
Saindo da rua Augusta, a Voodoohop, apesar de seu caráter itinerante, encontrou uma sede afetiva na Trackers, prédio no Largo do Paiçandu. É para esses lados que Thomas Haferlach vê a noite paulistana caminhando. “O Centro é lindo, decadente e tem muitos espaços a serem descobertos”, diz ele. “É a progressão lógica para a cultura e a vida noturna alternativas.” O alemão radicado em São Paulo acredita que a área vai se beneficiar dessa ocupação. “O clima em geral é muito mais simpático do que era dois anos atrás”, diz. “Acho que, em seguida, vão abrir cinemas de novo e espero que daqui a alguns anos apareçam mais e mais centros de cultura e de noite mesmo.”
Outro produtor que investe em áreas diferentes da cidade é Emmanuel Vilar, das festas Sem Loção e Javali – a primeira, tradicional, se dá em cima de um estacionamento no Bexiga e a outra, nova, descobre espaços na Liberdade. E é nesses bairros (os mesmos que abrigam a tríade Yacht-Lions-Joia) que Vilar aposta para um possível centro da cultura alternativa. “Acho que balada pode ser um ótimo meio para isso, para que as pessoas se apropriem de uma parte ‘esquecida’ da cidade”, diz.
Pode ser que a noite no Centro seja dispersa, como afirma Facundo Guerra, mas é fato que o seu Cine Joia, inaugurado ano passado em sociedade com André Juliani e Lúcio Ribeiro, já entrou para o roteiro obrigatório da noite paulistana: desde novembro, a oferta de ótimos shows, nacionais e internacionais, tem sido constante.
Sopre a bolha
Reveja seu conceito de balada: ela pode ser um cineminha, uma tarde na praça. E pode estar em locais menos óbvios, como a Água Branca (ou a Vila…)
Balada não precisa ser na balada não: pode ser domingo à tarde na Praça Dom José Gaspar. É lá que, sob a sombra de palmeiras, todo mundo dança nas festinhas do Paribar, às vezes uma ‘Voodoohop’, outras uma ‘Selvagem’ ou uma ocasional feira de discos com DJs. Domingo não é dia de ficar em casa, não.
E não é mesmo: que tal então uma festinha com clima caseiro, cerveja barata, macarrão e um bom filme? É assim o CineCentro, um cinema alternativo comandado por um grupo de jovens italianos que adotaram São Paulo.
De todos os lugares do Centro, o que talvez mais precise ser movimentado e revitalizado – também por sua função histórica de noite – é a Praça da República. Dando o pontapé inicial, o Espaço Cultural Walden, com shows de rock, noites de reggae e festas alternativas em geral.
Do lado do Parque da Água Branca, o Neu Club não fica perto de um monte de bares, mas é um endereço alternativo importante. Com Dago no comando das noites de sexta, e Guab nas de sábado, dois veteranos da noite paulistana, a casa ainda recebe outras festas na quinta, e ótimos shows. Também é a sede paulistana do dançante coletivo Avalanche Tropical.
Enquanto o endereço na Augusta continua sendo palco de shows, o Studio SP Vila Madalena dá espaço para peças de teatro e festas – do groove em vinil da ‘Veneno Soundsystem’ às batidas balcânicas da ‘Gas Gas’.
E dê uma olhada na programação da Choperia do Sesc Pompeia!
Tags: augusta, baixo augusta
Bonecos mamulengos são típicos do nordeste. Mas você não precisa ir tão longe para assistir às peças desses fantoches: eles se reúnem em Amparo, a 140 quilômetros de São Paulo, no Primeiro Encontro de Bonecos Mamulengos (0xx19 3808-5185). O evento começou na quarta-feira (23) e vai até sábado (26). Confira abaixo a programação e os grupos que participam.
Programação
Quinta-feira:
10h – Mestre Sauba (Carpina-PE)
Intervenção com a boneca Lindalva
10h15 – Danilo Cavalcanti (São Paulo-SP – Canhotinho – PE)
Grupo Mamulengo da Folia
Brincadeira: ‘A FESTA DA ROSINHA BOCA MOLE”
Local: Fundação São Pedro
15h – Valdeck de Garanhus (São Paulo-SP – Garanhus-PE )
Brincadeira: ‘O Casamento Caipira de Simão e Marieta Pelo Próprio Santo Antonio’
Local: Fundação São Pedro
20h – Mestre Sauba (Carpina/PE)
Intervenção com a boneca Lindalva
20h15 – Mamulengo Fantochito (Teresina/PI)
Brincadeira: ‘A Flor do Mamulengo’
Local: Bairro 3 Pontes
Sexta-feira:
10h – Mestre Sáuba (Carpina-PE)
10h15 – Chico Simões – Taquatinga/DF
Mamulengo – Presepada
Brincadeira: ‘O Romance do Vaqueiro Benedito’
15h – Mestre Sáuba (Carpina-PE)
Intervenção com a Boneca Lindolva
15h15 – Sebastian Marques (Campinas/SP)
Associação Cultural Inventor de Sonhos
Brincadeira: ‘Bendito os Beneditos’
Local: Fundação São Pedro
20h – Mestre Sáuba (Carpina-PE)
Intervenção com a Boneca Lindolva
Local: Rodovia de Amparo
20h15 – Mestre Zé Lopes (Glória de Goitá/PE)
Brincadeira: ‘A Fazenda do Coronel Mané Pacarú’
Local: Rodoviária Amparo
Sábado:
10h30 – Mestre Sáuba (Carpina-PE)
Intervenção com a Boneca Lindolva
11h – Cia. Carroça de Mamulengos (Juazeiro do Norte-CE)
Seja Noite Ou Seja, Viva o Palhaço Alegria
12h – Mestre Zé Divina (Glória de Goita/PE)
Brincadeira: ‘As Presepadas do Casamento de Praxedes’
Local: Praça Pádua Sales
Tags: bonecos, Divirta-se, escapada, mamulengo, passeios, teatro
João Caldas/Div.
CONTO| peça é uma adaptação de Guimarães Rosa
O céu de Minas Gerais, tantas vezes evocado por ela, parece continuar inspirando a diretora Yara de Novaes. Maria Miss, que estreia 3ª (29) no Teatro Eva Herz, traz para o palco a história da mulher que deixa um rastro de sangue em sua sanha de vingança.
A peça é uma adaptação do conto ‘Esses Lopes’, parte integrante de ‘Tutaméia’, de João Guimarães Rosa – mineiro de Cordisburgo. Flausina é uma sertaneja algo nefelibata que teve sua virgindade vendida a um dos homens da família Lopes, para quem começa a trabalhar como escrava. São as lembranças dela que norteiam a narrativa. É a história de uma mulher que tomou o destino nas mãos. Uma sertaneja,
antes de tudo, forte.
ONDE: Teatro Eva Herz (166 lug.). Cj. Nacional. Livraria Cultura. Av. Paulista, 2.073, metrô Consolação, 3170-4059. QUANDO: 3ª e 4ª, 21h. QUANTO: R$ 30. Até 25/7.
O 16º Festival Cultura Inglesa começa hoje (25), com quatro mostras gratuitas de cinema. Conheça os destaques
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Tags: Cine Livraria Cultura, cinema, David Bowie, Divirta-se, Festival Cultural Inglesa, mockumentaries
Sair de casa para cortar as madeixas não precisa ser apenas um compromisso. No salão certo, sua experiência pode se tornar um divertido passeio
Nilton Fukuda/AE
Há quem goste de ir ao salão no fim de semana para cortar o cabelo, fazer a barba ou fazer as unhas. Mas, para muita gente, passar a tarde de sábado esperando sua vez – muitas vezes em um ambiente barulhento – não corresponde exatamente ao conceito de ‘lazer’. Esse pode até ser o seu caso, mas o Divirta-se pede que reconsidere a sua opinião. E, para ajudar, reunimos salões de cabeleireiro e barbearias que não são apenas um lugar para dar um trato no visual – são também excelentes passeios.
Então trate de abandonar a imagem de ambiente amplo, ocupado apenas por cadeiras e espelhos. Nos lugares que visitamos, os proprietários apostam em uma decoração diferente, que criam uma personalidade própria. Há até profissionais que entenderam que levar uma criança ao salão é difícil, e planejaram um ambiente só para elas, cheio de brinquedos.
Mas, se você gosta de conversar, visite barbearias antigas – com donos sempre prontos para uma boa prosa e cheios de histórias para contar. Luiza Wolf
Hipster Cult
Divulgação

O Retrô Hair conquistou os frequentadores do Baixo Augusta ao assumir um ambiente… Baixo Augusta. Tudo evoca a paixão pela região: as paredes escuras e luzes fortes lembram as baladas vizinhas; enquanto os clientes esperam no ‘lounge’, bebem cerveja. Em menos de três anos, a clientela cresceu, e o Retrô também: desde o último sábado (19), passou a funcionar em uma casa maior, em novo endereço – sem sair da Augusta, claro. É possível marcar horário pela página do Retrô no Facebook. R. Augusta, 902, Consolação, 8353-1969. Corte: R$ 70 (feminino) e R$ 50 (masculino).
Divulgação
O cabeleireiro Rodrigo Lima estava cansado de ver pessoas entediadas em um salão de beleza. Decidiu, então, abrir o próprio negócio. E, com a ideia de tornar tudo mais divertido, criou, em fevereiro, o Circus Hair – um salão inspirado no tema circense. “Queria que fosse um ‘ambiente família’. Então, pensei no circo, que traz essa ideia de união, trabalho em equipe e diversão”, explica Rodrigo. E ficou realmente divertido: a sala de espera do Circus tem uma mesa de sinuca, fliperama, jogos de lógica e gibis dos anos 80. A decoração também deixa claro que o tema é circo: em vez de bancadas com espelhos, há penteadeiras individuais com cadeiras coloridas; e as paredes brancas são decoradas com faixas escuras para fazer alusão à lona do circo. Em alguns sábados, o salão tem programação especial, com a presença de DJs. R. Pamplona, 1.115, Jd. Paulista, 3262-2127. Corte: R$ 50 (feminino) e R$ 40 (masculino).
Evelson Freitas/AE
Em 2007, Anderson Napoles e Tiago Cecco abriram a primeira unidade da Barbearia 9 de Julho, na Rua Augusta, para atender homens que apreciam cuidados à moda antiga. Hoje, eles têm mais dois endereços – no Itaim (foto) e no Centro. As filiais seguem o mesmo conceito da matriz: atendem apenas homens, em um ambiente decorado com cartazes das décadas de 40 e 50. Mas preste atenção que a barbearia também é vintage no atendimento: não marca hora, nem aceita cartões. R. João Cachoeira, 894, Itaim, 3071-4172. Corte: R$ 30. Mais dois endereços.
Cortes e Causos
Nilton Fukuda/AE
“Zé, você não é só barbeiro. É um arquiteto capilar”. A frase do jornalista Joelmir Beting ficou famosa e consagrou José Carlos Beile, dono há 30 anos de uma barbearia no Circolo Italiano, como Arquiteto Capilar. Zé corta cabelos desde pequeno, quando ainda vivia em Borborema, no interior de São Paulo. “Eu morava em uma fazenda e via os meninos que brincavam por ali com o cabelo feio. Eu tinha pena”, conta Zé. “Um dia, arrisquei cortar o cabelo de um deles. Aí fui aprendendo sozinho mesmo”. E deu certo. Hoje, o Arquiteto vai até a Rede Globo e a TV Bandeirantes para dar um trato no visual dos jornalistas. Ele atende apenas homens – e com hora marcada. Circolo Italiano (Edifício Itália). Av. Ipiranga, 344, Centro, 9744-9843. Corte: R$ 70.
José Patricio/AE
Henrique Scorcione Jr. trabalha no Salão Marília, que funciona há 62 anos, desde pequeno. “Meu pai era italiano. Sabe como é italiano? Eu era o filho ‘primogênito’, então tinha de assumir o negócio da família. Comecei a trabalhar com 14 anos. Hoje só administro”, conta. Ele mantém a tradição da barbearia e só atende homens. “Sou antiquado mesmo, faço questão que o salão continue uma barbearia. As mulheres são bem-vindas, claro, se quiserem acompanhar seus maridos”, explica Scorcione. “É só uma questão de tradição; não atendemos mulheres”, completa. R. Cardoso de Almeida, 284, Perdizes, 3865-1065. Corte: R$ 43.
Werther Santana/AE
Desde 1965, quando foi inaugurado pelo italiano Bruno Mingozzi, tudo continua igual no Salão Phidias: as cadeiras de madeira ainda são as mesmas, assim como as pias nas bancadas (largas, para que os clientes possam mergulhar o rosto). A única ‘modernidade’ por lá são as lâminas descartáveis, que substituíram as navalhas. E não deixe de gastar algum tempo conversando com o proprietário Luís Antonio da Silva. Pelas cadeiras de sua barbearia, já passaram figuras históricas, como Chacrinha, Carvalho Pinto e Jânio Quadros. R. Barão de Itapetininga, 88, Loja 8, República, 3223-6534. Corte: R$ 40.
Engole o Choro
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O Cabelo Mania não quer saber de choro na hora de cortar os cabelos. Afinal, ir ao salão também pode ser uma brincadeira. Pensando assim, transformaram um sobrado grande no Jardim Anália Franco no espaço perfeito para os pequenos. No térreo, o balcão de atendimento divide espaço com uma lojinha de roupas. No subsolo, há um ‘brinquedão’ com piscina de bolinhas para as crianças esquecerem o tempo de espera. No segundo andar, meninos e meninas cortam os cabelos em ambientes separados. No espaço deles, há um videogame para cada cadeira; enquanto as meninas se divertem cercadas por paredes rosas e roxas e vestidas de princesas. R. José Oscar Abreu Sampaio, 64, Jd. Anália Franco, 2673-9394. Corte: R$ 45.
Quarto de Brinquedos
O Glitz Mania atende crianças que passeiam no shopping com os pais. Os espaços também tem um conceito infantil, parecido com o do ‘Cabelo Mania’: cadeiras coloridas, brinquedos, videogames e DVDs. No mês de junho, o salão do Bourbon Shopping entrará no clima de Festa Junina e, a partir do dia 4/6, monitores acompanharão as crianças que quiserem decorar um chapéu de palha e se maquiar. A brincadeira custa R$ 32 (por hora). Bourbon Shopping (piso Turiaçu). R. Turiaçu, 2.100, Pompeia, 3675-1817. Mais dois endereços. Corte: R$ 59 (4ª, R$ 47,20).
Tags: barbearia, cabeleireiro, crianças, Divirta-se, passeios
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FAZENDO FITA| obra de H73, nome artístico do designer Houssein Jarouche
A mente de Housssein Jarouche parece funcionar como uma bolinha de pingue-pongue. O designer, dono da loja de móveis Micasa, fala de dezenas de projetos e sonhos para explicar o Manipresto, intervenção que ele e mais três artistas realizam na ‘Casa do Lado’ – imóvel contíguo à loja – a partir de hoje (25).
As telas que ele produz com fitas adesivas (fotos) sob o pseudônimo de H73 dividem o sobrado dos anos 50 com os lambe-lambes do arquiteto Bruno Gomes, que também é diretor gráfico do Estúdio 20.87, coletivo de criadores que funciona ali, na Micasa. A mostra é complementada pelas serigrafias espirituosas de Abidiel Vicente, que brincam com elementos da cultura pop (como logomarcas de refrigerantes) e objetos do dia a dia, e de Ivone Paiva, que segue a mesma linha.
Um jornal de mesmo nome, produzido em tiragem limitadíssima (de mil exemplares), será distribuído durante a exposição. Sua proposta? Compartilhar as ideias que inspiram o designer e seu grupo de amigos. O primeiro número traz, por exemplo, um ensaio fotográfico do americano Todd Selby na casa do estilista Alexandre Herchcovitch e do empresário Fábio Souza; artigos sobre Buckminster Fuller e Victor Papanek, pioneiros do design humanitário. Jarouche quer que tudo isso seja a semente de um projeto maior, que envolve a revitalização do centro da cidade. “Meu sonho é ajudar a impulsionar um urbanismo mais cuidado”, diz ele, que pretende abrir um hotel por lá.
ONDE: Casa do Lado. R. Estados Unidos, 2.109, Jd. Paulista, 3088-1238. QUANDO: 10h/19h (sáb., até 17h). Abre hoje (25). Até 23/6. QUANTO: Grátis.

NO BULE| com 50 blends da bebida, a casa portuguesa é um misto de salão e loja
O vermelho intenso que cobre as paredes da Ó Chá dá ares orientais a esse misto de loja e salão de chá. Instalada em um sobrado da Vila Madalena, a casa foi trazida de Lisboa (onde funciona há seis anos) por uma das sócias, a portuguesa Mónica Costa, que se apaixonou por chás quando viveu em Macau, na China.
O salão principal, no piso superior, se abre para um delicioso terraço, onde grandes bancos de madeira cobertos por futons convidam a encontros preguiçosos, emoldurados pelo por do sol. Ali, são servidos mais de 50 tipos de chás, de marca própria, a preços que variam entre R$ 7 e R$ 14 (sempre em bules que dão para duas pessoas).
A bebida é a companhia perfeita para os levíssimos bolos, de preparação própria, cujos sabores se alternam ao longo da semana. Fixo mesmo só o bolo fondant de chocolate (R$ 10, a fatia). Os biscoitinhos amanteigados e os salgados, expostos na estufa sobre o balcão, também são boas opções.
Todos os dias, há um menu completo de almoço (R$ 38), composto por uma sopa, um prato quente e uma sobremesa – e também uma opção de quiche ou torta com salada (R$ 15). Não há limite de horário para servi-los: enquanto durarem os estoques do dia, é possível pedi-los.
Não saia de lá sem fazer uma visita à loja, situada no nível da calçada. Mas vá sem pressa. É preciso tempo para examinar cada uma das grandes latas que guardam os blends de chás, criados por Mónica. Um deles é o ‘Madame Butterfly’, que mescla aromas de pêssego, amêndoa, flor de laranjeira, pétalas de peônia e girassol. Há, ainda, versões tradicionais como o inglês Earl Grey (chá preto com aroma de bergamota). Os saquinhos de 50 gramas custam R$ 14. Uma extensa seleção de bules, xícaras e utensílios para a bebida forra as prateleiras. Resista se puder.
ONDE: R. Aspicuelta, 258, V. Madalena, 2737-8001. QUANDO: 12h/20h30 (fecha 2ª). QUANTO: Cc.: todos.
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HOMEM SÓ| Vincent Gallo, na natureza selvagem
O veterano polonês Jerzy Skolimowski, diretor de ‘A Classe Operária’ e roteirista de ‘A Faca na Água’, de seu conterrâneo Roman Polanski, conseguiu feito considerável no festival de Veneza em 2010: seu Essential Killing levou o prêmio especial do júri e garantiu a Vincent Gallo o de melhor ator.
Com exceção de uma (bela) ponta da atriz francesa Emanuelle Seigner, Gallo domina o longa como um prisioneiro (afegão?) que, ao ser transportado pelo exército americano para algum país nórdico com bases de interrogatório, consegue escapar.
Apesar do enredo, ‘Essencial Killing’ não pode ser considerado um filme político, pois é muito fiel a seu objeto: o retrato da luta de um homem para sobreviver à natureza – à fome, ao frio, ao cansaço. Não à toa, Gallo não diz uma única palavra ao longo do filme – tirando alguns gemidos de dor ou delírio –, escolha que garante grande parte de sua força.
Reforçam sua dimensão etérea, talvez onírica, alguns (propositais) furos da trama e o contraste plástico entre a paisagem terracota da locação no Oriente Médio e as montanhas cobertas de neve do país nórdico. Para pesar dos cinéfilos, o filme só foi exibido no Festival do Rio. Agora, fica em cartaz até quinta (31), no Cine Olido. Corre lá!
2012
2011
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