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Dá para continuar na renda fixa com os juros despencando?

23 de outubro de 2012 | 7h43

Ligia Tuon

Investimentos em renda fixa perdem cada vez mais popularidade, por conta da taxa básica de juros, a Selic, que teve sua 10ª queda consecutiva no último dia 10 de outubro, para 7,25% ao ano. Neste cenário, quem não quer se arriscar aplicando em renda variável, acaba procurando formas de preservar rentabilidade, como isenção de impostos e taxas de administração menores. “Mas muitos produtos não conseguem ganhar da inflação”, alerta Renato Roizenblit, gestor de patrimônio da corretora SLW.

Selecionamos abaixo alguns produtos de renda fixa. Antes de fazer a sua escolha, confira as vantagens e desvantagens de cada um.

Poupança. Produto com grande aceitação, a poupança tem a seu favor a isenção de IR e liquidez diária. Contudo, a modalidade nova da poupança não pode mais ser uma opção para quem procura rentabilidade, já que o ganho ficou em 70% da taxa básica de juros (Selic) mais Taxa Referencial (TR), que está zerada em função dos juros baixos.

Títulos bancários. Nem todos têm benefício tributário, mas costumam remunerar bem, em comparação com outros produtos de renda fixa. Exemplos desses são os CDBs e LCIs, nos quais o risco da aplicação é do banco.

CDB. O Certificados de Depósito Bancário tem rendimento atrelado ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), que serve como taxa de referência e é próxima à Selic, de 7,25% ao ano. O rendimento da aplicação sofre tributação retroativa e vale a pena se o investidor conseguir uma taxa igual ou muito próxima do CDI – o que geralmente ocorre quando o valor de investimento é mais alto. A liquidez do produto é diária.

LCI.  As Letras de Crédito Imobiliário vêm ganhando maior atenção do investidor que procura rentabilidade. Além do benefício tributário de isenção do Imposto de Renda, a LCI promete boa rentabilidade em comparação com outros produtos da renda fixa e tem liquidez diária. Como rentabilidade, oferece uma porcentagem do CDI, assim como o CDB. Nem toda instituição tem aplicações lastreadas em LCI disponíveis a qualquer momento. Como opção, é possível procurar uma corretora financeira, que também ofereça o serviço.

Títulos públicos

Em todos eles, o rendimento será tributado pelo IR e o risco que o investidor corre é de o governo ‘quebrar’. Vale ressaltar que não há taxa de administração para a modalidade. Mesmo assim, é possível que haja uma taxa de corretagem, embora não seja toda corretora que faz a cobrança. O ideal é pesquisar. Os mais populares são as LTN’s e NTN-B.

LTN. A letra do Tesouro Nacional é prefixada e rende o equivalente à Selic da época da aquisição. Vale a pena se a expectativa é de que a taxa caia.

NTN-B. Rende a taxa de juros mais a variação da inflação do período e é pós-fixada. É uma boa opção para quem pensa em fazer uma aplicação de longo prazo, pois, além de garantir uma remuneração mínima, o poupador se protege contra a inflação.

Fundos de investimento

Com os juros em queda, é muito importante que o investidor veja qual é a taxa de administração dos produtos, que, para especialistas, deve estar abaixo de 1% ao ano.

Fundos de renda fixa. Normalmente compostos de títulos prefixados. O rendimento é tributado.

Fundos DI. Rendimento acompanha a evolução da taxa DI. Para analistas, as carteiras só valem a pena se a taxa de administração estiver em 0,5% ao ano. Ainda assim, o rendimento é tributado.

Compare os rendimentos de uma aplicação inicial de R$ 10 mil em três produtos diferentes, tributados ou não, após um ano.

Taxa de rendimento anual Rendimento líquido Total
Poupança 5,80% R$ 508,00 R$ 10.508,00
Fundo DI com taxa de adm. a 0,5% ao ano 5,54%           R$ 554* R$ 10.554,00
LCI 6,53% R$ 653,00 R$ 10.653,00

 

*Já descontada a tributação de 20% do rendimento
Fonte: Renato Roizenblit, gestor de patrimônio da corretora SLW

Por que o governo mudou a regra de rendimento da poupança?

4 de maio de 2012 | 14h52

Bianca Ribeiro

Ligia Tuon

Sempre apliquei minhas economias na caderneta de poupança, por ser uma forma fácil e segura de construir reservas. Justo quando o rendimento do meu patrimônio começou a ficar maior, o governo mudou a regra. Por que isso agora?

O governo está tentando evitar que grandes investidores migrem em peso de outras modalidades de renda fixa para a caderneta de poupança. Mais precisamente, sair dos fundos de investimento em renda fixa, compostos, em sua maioria, por Títulos Públicos Federais com rendimento atrelado à taxa básica de juros, os quais o governo usa para financiar boa parte da dívida pública. Ou seja, se os grandes investidores pararem de comprar títulos, o governo fica em uma situação difícil.

E por que, de uma hora para outra, a poupança ficou tão atraente? Na verdade, os fundos é que passaram a render menos. De agosto do ano passado até agora, a taxa básica de juros – a Selic – já caiu 3,5 pontos percentuais, atingindo 9% ao ano. Com isso, tanto os fundos quanto a poupança deixaram de ser tão rentáveis, mas os fundos têm um complicador: imposto e taxa de administração e custódia. Se a Selic caísse para menos de 8,5%, quem tem dinheiro em fundos fatalmente migraria para a poupança à procura de melhores rendimentos.

É por isso que o governo decidiu colocar um redutor na poupança, para abrir espaço para uma queda maior dos juros no País sem que houvesse uma forte transferência de recursos. A partir de agora, sempre que a taxa básica de juros cair para 8,5% ou menos, a caderneta vai render 70% da Selic mais a variação da Taxa Referencial (TR). Enquanto o juro básico estiver acima de 8,5%, vale a regra antiga: 0,5% ao mês mais a variação da TR.

O que significa isso na prática? Vamos considerar uma aplicação de R$ 1.000 na caderneta feita há 12 meses. Com a regra antiga, o rendimento seria de R$ 75 no período. Com a nova, o investidor ganharia R$ 64 após um ano, considerando uma Selic de 8,5%.

O ganho é um pouco menor. Mas ainda é mais atraente que deixar o dinheiro debaixo do colchão.

Juros altos x rentabilidade da poupança. Qual a relação?

1 de julho de 2010 | 17h39

Enviado por Jorge Franco: Paula, que bom que você voltou! Eu queria saber o seguinte. Saiu nos jornais que o Brasil tinha a maior taxa de juros do planeta. Mesmo assim, a poupança não tem lá aquela rentabilidade. Que relação existe? Muito obrigado!

O Brasil tem, sim, taxas de juros altas, altíssimas. Quer comparar com outros países? Veja aqui essa especial que mostra a taxa de juros real (descontada a inflação) e a nominal. E a rentabilidade da poupança, é verdade, não tem passado de 0,6%, 0,7% ao mês.

A poupança tem dois componentes: uma taxa fixa de 0,5% mais a Taxa Referencial, conhecida como TR. Em linhas gerais, a TR é uma média da taxa de CDB de 30 dias dos principais bancos (quer saber mais sobre CDB?), que está atrelado à Selic, mais o redutor (que é um percentual definido pelo governo). Se a taxa de juros Selic sobe, o rendimento do CDB se ajusta e, consequentemente, a TR sobe também, sempre proporcionalmente. Mas, claro, o impacto não é tão expressivo. Então, dá até para dizer que, indiretamente, a poupança acompanha a Selic, mas como a parte fixa, o 0,5%, tem um peso importante, o efeito final acaba sendo pequeno.

No passado, com juros bem mais altos do que os atuais, a TR superava a parcela fixa. A TR chegava a 1%, mas os juros também eram exageradamente elevados, 30%, 40%. Na gestão Lula, a maior taxa TR foi em julho de 2003, quando a Selic (saiba mais sobre a origem do nome) estava na faixa de 25%. Lá, a TR chegou a 0,55%, pouco maior que a parcela fixa. Hoje, comparado com o rendimento total da poupança, a TR contribui com pouco.

No ano passado, com o recuo da Selic para 8,75%, o governo chegou a aventar a possibilidade de tributar a poupança (que é livre de IR) para quem tinha valores maiores aplicados: na época, com a Selic em constante declínio, o rendimento da poupança passou a ficar bem competitivo com os fundos de investimentos (e fundo tem IR ainda)! Em 2009, a poupança fechou com rendimento de quase 7%, e a Selic passou quase o ano todo em 8,75%.

Agora, a Selic voltou a subir e o rendimento da poupança acaba então se distanciando de novo. O que os analistas dizem é que a composição da poupança deveria ser reavaliada. Esse componente fixo (o 0,5%), na opinião de alguns economistas, deixou de fazer sentido. Para eles, essa taxa deveria estar atrelada à taxa de mercado, de acordo com a demanda e a oferta. Além disso, não deveria mais existir a TR, mas, sim, uma taxa de relação direta com a Selic.

Dividendos ajudam inflar aplicação

19 de janeiro de 2010 | 17h51

Está lá no Houaiss _ dividendos: cota ou porcentagem resultante de divisão dos lucros de uma empresa rateada entre os seus acionistas. Já ouviu falar? Os dividendos podem ser uma forma de inflar o retorno das aplicações para quem investe no mercado acionário. Para falar sobre isso, eu conversei  com o superintendente de investimentos do Banco Real, Eduardo Jurcevic. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Moedas._Marcos_Mendes.AE.JPG

Jurcevic, gostaria que você explicasse o que são os dividendos.

Os dividendos são os pagamentos efetuados pela empresa aos acionistas e isso ocorre por meio  de uma distribuição de parte do lucro líquido (receita menos custos e despesas). O valor sempre é pago de acordo com o que cada investidor possui em ação e, no mínimo, deve ser distribuído 25% do lucro líquido de cada empresa.

Nesse caso, é importante deixar claro que só vai receber os dividendos quem tem ações, independentemente da quantidade de ações, é isso?

É isso. O importante para o investidor receber os dividendos é que ele esteja com a ação e não importa há quanto tempo que ele tenha os papéis. No mercado, isso é conhecido como “estar com”. Por exemplo, foi definido o pagamento dos dividendos da empresa X no dia 25 de julho. Se você comprou a ação no dia 24 de julho então no dia 25 de julho você tem direito ao pagamento integral dos dividendos. Se você comprou no dia 26, perdeu.

Por lei, todas as empresas são obrigadas a pagar os dividendos então?

Por lei, no mínimo 25% se tiver lucro líquido. Algumas empresas optam por reinvestir. Agora, a decisão de pagar mais do que isso, depende da fase da empresa. Às vezes, ela está numa fase de reinvestir. Existem empresas mais maduras que não precisam do dinheiro para investir e justamente usam os dividendos maiores para atrair o investidor. Quanto mais dividendos, mais atrativo para o investidor.

Algumas empresas que estão ainda começando, numa fase de muito investimento, é provável que elas fiquem sempre no mínimo exigido e não paguem além disso?

Exatamente. Essa empresa que não está numa fase madura, costuma pegar boa parte do lucro líquido e já fazer o reinvestimento para ver a empresa crescer. No casos dessas empresas, o investidor, muitas vezes, está de olho apenas na valorização do papel porque são empresas que tendem a ter uma valorização e é isso que atrai mais. No caso dessas outras empresas, mais maduras,  é atrativo também para o investidor devido a esses bons pagamentos, ou seja, os dividendos. Nesse caso, não é só  a valorização do papel em si que conta.

Quer dizer que o investidor engorda o retorno das aplicações com os dividendos?

Isso mesmo. O investidor pode optar por receber o dividendo  direto na conta que ele já tem na corretora ou na conta corrente. E acho que é uma forma super interessante de o investidor fazer uma poupança mesmo. Porque uma coisa é ele ter a empresa X e esperar a valorização das ações, depois ele pode contar ainda  com uma forma de poupança, de complementar a renda de longo prazo. Ou seja, ele não precisa ficar se preocupando tanto com a valorização. Os dividendos são uma forma de engordar a poupança e ter um rendimento extra.

Como o investidor fica sabendo quando e quanto a empresa irá pagar?

O investidor pode consultar o site da Bolsa, o departamento de acionistas das empresas ou as corretoras. É importante o investidor estar bem informado com relação as datas de pagamento até para ele não vender as ações numa hora errada, na véspera do pagamento de dividendos, por exemplo.

Fundos cobram taxas; a tradicional poupança, não (ainda)

7 de janeiro de 2010 | 15h17

Até pela crise financeira que assolou o planeta não era difícil imaginar que a tradicional caderneta de poupança terminaria o ano com uma  captação (depósitos menos saques) robusta.  É pra lá que os investidores fogem em momentos de crise. Em comparação com os fundos de investimento, a velha caderneta é muito mais simples de entender: não tem cobrança de taxas, não tem Imposto de Renda,  além, é claro, da garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que, como diz o nome, garante até R$ 60 mil por CPF, em caso de problemas com a instituição financeira. O governo até cogitou a possibilidade de taxar a poupança no ano passado, mas a proposta não foi adiante, pelo menos por enquanto.

A caderneta de poupança é uma só. Já os fundos de investimentos existem mais de 30 tipos, segundo a Anbima, a entidade que reúne os fundos do mercado.  Para escolher qual vale a aplicação, o investidor precisa levar em conta ainda as taxas. A principal delas é a taxa de administração, que  incide sobre o patrimônio. A taxa aparece sempre nas propagandas dos bancos com o valor anual.  Na prática, porém, a taxa é calculada por dia útil e descontada diariamente da cota do fundo. Assim como a ação representa um pedaço da empresa, a cota representa um pedaço do fundo, no caso, do patrimônio do fundo.  Detalhe:  a cota do fundo aparece já livre da taxa de administração, quando divulgada em jornais ou mesmo nos sites dos bancos, por exemplo.

Você investe em fundos? Ou prefere a tradicional caderneta?

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