Nacionalidade nas instituições internacionais?
19 de maio de 2011 | 8h43
NÃvea Terumi
A renúncia do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, coloca em discussão a nacionalidade de seu sucessor à frente da instituição. Os europeus, liderados pela chanceler alemã Angela Merkel, querem a manutenção de um representante da região na entidade. Já representantes de outras nacionalidades pedem a indicação de um nome vindo das nações emergentes para o cargo.
Apesar de não ser uma regra oficializada, desde a criação do FMI, pouco antes do fim da 2ª Guerra Mundial, em 1944, seu principal executivo é preferencialmente um europeu. A convenção ocorreu de um acordo informal entre os paÃses da Europa e os Estados Unidos sobre as novas instituições internacionais criadas para mediar as relações econômicas entre os Estados. Nesse acordo, para os americanos, ficou a liderança do Banco Mundial (Bird).
Na definição de uma nova ordem polÃtica mundial pós-conflito, ficou estabelecido que ao FMI caberia o papel de manter a estabilidade econômica por meio do monitoramento das taxas de câmbio e dos balanços de pagamentos. Em caso de desequilÃbrio em algum paÃs, o Fundo seria responsável por ajudar no ajuste financeiramente. Já o Banco Mundial teria a incumbência de emprestar dinheiro aos paÃses para incentivar o desenvolvimento e o investimento internacional.
A questão é que tudo isso foi definido lá atrás, há mais de meio século, quando a situação dos paÃses era muito diferente da atual. O aumento da importância polÃtica e econômica das nações então consideradas periféricas já não permite que os assuntos internacionais sejam tratados sem a presença de todos. E, assim, as instituições internacionais, que antes eram majoritariamente norte-americanas ou europeias, poderão ganhar novas nacionalidades, como mexicanas, turcas, sul-africanas…
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