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Entenda a novela da capitalização

27 de agosto de 2010 | 16h01

A novela da capitalização da Petrobrás já se arrasta por meses. O impasse mais recente é sobre quanto valeria o petróleo do pré-sal. Antes, vamos entender como funciona uma capitalização. Capitalizar uma empresa significa aumentar seu capital social. E isso pode ser feito de três formas: quando os sócios atuais colocam dinheiro na empresa; quando ocorre aportes de bens físicos, como máquinas e propriedades ou até de outras empresas e, por fim, via mercado financeiro, quando a empresa vende ações para novos investidores. Em todos os casos a empresa emite novas ações.

A capitalização da Petrobrás vai ocorrer em duas partes. A primeira, a empresa vai emitir ações e vender para investidores estrangeiros, investidores do FGTS etc. E esse dinheiro arrecadado vai para o caixa da empresa, para então explorar o petróleo do pré-sal. A segunda parte é o governo que vai capitalizar (injetar capital) na empresa. Neste caso, não será em dinheiro nem em ações, mas na forma de barris de petróleo.

O governo dará à Petrobrás a propriedade do petróleo do Pré-sal. Por que? Porque todos os recursos naturais pertencem à população e são controlados pelo governo. No caso do pré-sal, o governo vai ‘ceder’ então os barris de petróleo que serão encontrados no pré-sal para a Petrobrás, em troca de mais ações da empresa. Assim, a empresa vai colocar o dinheiro para explorar esse petróleo e, quando os barris forem de fato explorados, a Petrobrás não vai precisar pagar royalties para o governo porque os barris já vão pertencer à Petrobrás.

Agora, voltamos para o início do post: a grande polêmica é quanto valem esses barris de petróleo que ainda estão embaixo da terra e que só serão comercializados se houver um grande investimento para extraí-los. Portanto o petróleo do pré-sal não vale hoje os US$80 por barril praticados no mercado. Para a Petrobrás este petróleo vale US$6-8 por barril. A ANP (Agencia Nacional de Petróleo) diz que vale US$ 12 e, no fim, cada um dá um preço e ainda não se tem o preço final. Quanto maior o preço atribuído ao petróleo do pré-sal, mais ações a Petrobrás terá que emitir para dar ao governo.

Quanto menor o preço a ser definido do barril de petróleo, melhor para o acionista da Petrobrás. Isso porque o preço do barril está diretamente relacionado à quantidade de ações a serem emitidas e entregues para o governo. Quanto menor o preço, menor a quantidade de ações. E, para acionistas de forma geral, quanto menos for diluído o capital da empresa, melhor. Se o lucro é de 200 e o número de ações vai de 100 para 200, por exemplo, menos o acionista vai receber.

Já do ponto de vista do brasileiro, que não é acionista da Petrobrás, quanto maior o preço do barril e quanto mais o governo receber da Petrobrás, melhor. Teoricamente, no futuro, o governo irá participar mais do lucro. De qualquer forma, parece, terá ajustes, para mais ou para menos, no preço do barril quando, de fato, começar a ser explorado.

Capitalizar virou moda?

A notícia mais recente sobre capitalização é que o ‘BNDES e a Caixa serão capitalizados com ações da Petrobrás’. Diz a notícia que, às vésperas da capitalização da Petrobrás, o governo resolveu aumentar o capital da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com troca de ações ON da estatal petrolífera.

O que isso significa? O governo detém ações da Petrobrás ON. O que o governo propõe então é capitalizar a Caixa e o BNDES via ações da empresa. Ou seja, o governo irá colocar ações da Petrobrás nos bancos para aumentar o capital social e, consequentemente, ampliar a capacidade de crédito desses bancos. É uma forma de capitalizar os bancos sem precisar desembolsar recursos. Para esses bancos, Caixa e BNDES, significa que, lá no balanço deles, terá uma ‘linha’ de ‘ações da Petrobrás’ e não necessariamente eles precisarão vender essas ações para ter dinheiro em caixa e emprestar mais. Os bancos, em geral,  trabalham alavancados, ou seja, têm capital de 100 e emprestam 500. E, neste caso, com o aumento do capital social na forma de ações, isso torna-se ainda mais possível.

19 Comentários Comente também
  1. Pingback: Links da semana

  2. Enviado por: Rogerio Aro

    Execelente! Muito bom mesmo!

    Paulinha, eu quero uma Professora assim!

  3. Enviado por: André

    Ótimo blog, já adicionei aos favoritos.

  4. Enviado por: Lucas Albertim

    Muito legal mesmo,
    Ficou mais facil de entender uma coisa que parecia um tanto complicada.

  5. Enviado por: joao batista de assis pereira

    Considerando o domínio de extensas áreas apresentando grande e promissoras reservas no pos e pre-sal, a Petrobras bem que poderia desenvolver essas reservas na base da parceria sem ter que se submeter a jogos políticos ou insinuações midiáticas globais que observamos no processo de capitalização que se desenvolve em épocas de eleição.

  6. Enviado por: joao batista de assis pereira

    Num processo de negociação como o que esta ocorrendo nesse momento entre o Governo, ANP e PB para precificação do valor do óleo, objeto da Cessão Onerosa, é natural, como em qualquer outro, que os preços formados, apresentem um valor dentro de uma faixa de desvio, para mais e para menos, que denominamos como “condições de aceitabilidade”.
    Esta faixa será maior ou menor em função dos níveis de incertezas daquilo que se pretende valorar, sendo certo que para o caso da formação de preços do barril de óleo que se encontra na camada de pré-sal a uma profundidade em torno de 3 a 5km do leito marinho, há que seja esperado uma desvio bastante acentuado.
    Esta situação que a mídia tenta explorar, já era de conhecimento dos técnicos tanto da ANP quanto da Petrobras e por isso, a lei que autorizou a capitalização contem em seu bojo, dispositivos que prevê uma revisão de preços, como forma de corrigir distorções a favor da União ou da Petrobrás.
    Como observador do fato, considero que qualquer que seja a solução, ela deve ser tomada verificando as condições técnicas associados ao negócio, considerando os laudos de consultorias contratadas pelo Governo e Petrobras em respeito aos direitos dos acionististas minoritário, sem afastar do dever e da responsabilidade no trato da coisa pública.

  7. Enviado por: Fábio Donizete Turessi

    Será que os grandes investidores estão “batendo” tanto assim nas ações da Petrobrás só para recomprarem mais barato?

  8. Enviado por: joao batista de assis pereira

    Os envolvidos no processo de negociação, Ministério Minas e Energia, Casa Civil e Presidente Lula, assim como os da Petrobras ou da Agencia Reguladora, deveriam ter trabalhado neste final de semana para consignar o desfecho final do preço do barril de óleo, ou comunicar o cancelamento ou adiamento do processo. Fatos e Dados e que não faltam. As ações estão depreciando de tal maneira que deixa preplexo o pobre do investidor minoritário que adiquiriu com suor e sacrifício ações da PB e tem que negociar suas ações para honrar seus compromissos inadiáveis neste instante de indefinição.

  9. Enviado por: Othon César

    Enquanto isso alguns acionistas vêem seu dinheiro virar pó. Já se foram quase 30% em valor de mercado da Petróleo Brasileiro.

  10. Enviado por: joao batista de assis pereira

    Presidente Lula, entendemos que o assunto é delicado e como tal exige dos envolvidos no processo de negociação, Ministério Minas e Energia, Casa Civil, você Presidente, da Petrobras e Agencia Reguladora, maior agilidade no desfecho final do preço do barril de óleo, comunicar o adiamento do processo ou comunicar o cancelamento de imediato.

    Fatos e Dados e que não faltam e estão à disposição dos senhores. Devido a demora acentuada na definição, o silêncio, algumas vezes rompido por declarações nada consistentes e enigmática, principalmente o Mantega e de sua equipe, as ações estão depreciando de tal maneira que deixa perplexo o pobre do investidor minoritário que adquiriu com suor e sacrifício ações da PB e tem que negociar suas ações para honrar seus compromissos inadiáveis neste momento de indefinição.

    Esta demora acentuada atende apenas aos especuladores de plantão que no derradeiro momento e sabedores privilegiadas que são da definição política, fortalecerão suas posições nos derivativos das ações ON e PN da Petrobras no mercado futuro, ganharão rios de dinheiro diante da ineficiente e inoperante CVM.

  11. Enviado por: Peter

    Estou tentando entender onde a corrupcao vai entrar. Nao pode ser tao simples assim. Alguem vai levar muito nessa negociacao.

  12. Enviado por: JULIANO

    Estão levando este assunto muito como politica partidaria

  13. Enviado por: jose armando salvador

    Trata-se de uma operação inconstitucional, pois sendo o sub-solo da União, todos os produtos minerais existentes são inalienáveis, não podendo receber valores mercantis para alavancar recursos finânceiros. Tal precedente abre a porta para qualquer empresa de exploração mineral subscrever em ações no mercado o estoque que ainda pertence a União, e portanto não explorado.

  14. Enviado por: Rafael Baracho

    BARRIL 10% do valor de mercado?!
    que beleza!
    vou esperar o preço despencar para comprar mais PN.
    quem trabalha com opções deve redobrar a atenção!

  15. Enviado por: Luca Barros

    Queria saber se acionistas minoritários da Petrobrás devem vender ou segurar açóes neste momento ou até o final de setembro.Se a autora do post pudesse responder ficaria imensamente grato.

  16. Enviado por: Salim

    Que tal a seguinte possibilidade? nao eliminaria as especulaçoes???
    Porque nao vincular o valor do Barril no sub-solo em termos percentuais.
    (que seja 10% por exemplo) do preço medio spot do petroleo no mes da exploraçao do produto extraido, armazenado e vendido pela Petrobras na data futura.
    Definiria se um percentual sobre o preço atual e abriria uma conta corrente a balancear estes valores de acordo com o preço real futuro.
    Se o preço do petroleo estiver por exemplo na media mensal do valor que apresentou este mes, isto corresponde a un valor hoje de( +ou-) 8 dolares o Barril, e tera de ser contabilizado nesta conta a ser confrontado e ajustado no caixa para o valor real aferido na data futura..

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