Por que o governo mudou a regra de rendimento da poupança?
4 de maio de 2012 | 14h52
Bianca Ribeiro
Ligia Tuon
Sempre apliquei minhas economias na caderneta de poupança, por ser uma forma fácil e segura de construir reservas. Justo quando o rendimento do meu patrimônio começou a ficar maior, o governo mudou a regra. Por que isso agora?
O governo está tentando evitar que grandes investidores migrem em peso de outras modalidades de renda fixa para a caderneta de poupança. Mais precisamente, sair dos fundos de investimento em renda fixa, compostos, em sua maioria, por Títulos Públicos Federais com rendimento atrelado à taxa básica de juros, os quais o governo usa para financiar boa parte da dívida pública. Ou seja, se os grandes investidores pararem de comprar títulos, o governo fica em uma situação difícil.
E por que, de uma hora para outra, a poupança ficou tão atraente? Na verdade, os fundos é que passaram a render menos. De agosto do ano passado até agora, a taxa básica de juros – a Selic – já caiu 3,5 pontos percentuais, atingindo 9% ao ano. Com isso, tanto os fundos quanto a poupança deixaram de ser tão rentáveis, mas os fundos têm um complicador: imposto e taxa de administração e custódia. Se a Selic caísse para menos de 8,5%, quem tem dinheiro em fundos fatalmente migraria para a poupança à procura de melhores rendimentos.
É por isso que o governo decidiu colocar um redutor na poupança, para abrir espaço para uma queda maior dos juros no País sem que houvesse uma forte transferência de recursos. A partir de agora, sempre que a taxa básica de juros cair para 8,5% ou menos, a caderneta vai render 70% da Selic mais a variação da Taxa Referencial (TR). Enquanto o juro básico estiver acima de 8,5%, vale a regra antiga: 0,5% ao mês mais a variação da TR.
O que significa isso na prática? Vamos considerar uma aplicação de R$ 1.000 na caderneta feita há 12 meses. Com a regra antiga, o rendimento seria de R$ 75 no período. Com a nova, o investidor ganharia R$ 64 após um ano, considerando uma Selic de 8,5%.
O ganho é um pouco menor. Mas ainda é mais atraente que deixar o dinheiro debaixo do colchão.
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