Washington, 31 de dezembro de 2012.
Caríssimos,
Sinto dizer, mas os Estados Unidos caíram no abismo fiscal. Foi pouco depois das 16h em Washington, quando a Câmara dos Deputados anunciou que não haveria mais votação em seu plenário em 31 de dezembro, mesmo tendo um acordo fechado e aprovado pelo Senado. A rigor, a Câmara ainda pode trabalhar amanhã, dia de feriado bancário e nas bolsas de valores. É o que promete. Mas o resultado de sua lida no primeiro dia do ano é incerto. Os deputados podem aprovar o acordo – ainda não concluído no momento em que escrevo esta missiva. Podem também rejeitá-lo.
A ideia de haver uma última chance de se evitar o abismo fiscal, ainda que remota, é alentadora. Mesmo que o acordo saia e seja aprovado pelas duas casas do Congresso e que, portanto, o risco de uma recessão nos EUA em 2013 seja afastado, a irresponsabilidade embutida no processo de negociação não deixa de causar surpresa, revolta e irritação. A Casa Branca e os republicanos do Congresso tiveram um ano todo para buscar o consenso. O tema foi debatido exaustivamente durante a campanha presidencial. E, depois de conhecida a reeleição de Obama, na noite de 6 de novembro, ainda havia quase dois meses para os dois lados se acertarem.
Não se tratava de um tema novo. Ambos os lados já haviam falhado no início de agosto de 2011, quando fecharam um acordo fiscal paliativo para o curto prazo e empurraram com a barriga o plano de ajuste de longo prazo nas contas do governo federal. O resultado foi observado com perplexidade naquela ocasião. A polarização dos dois partidos foi exaustivamente analisada e debatida. E os EUA, pela primeira vez na História, tiveram sua avaliação de risco de crédito rebaixada. Desta vez, o processo não foi diferente.
Chama a atenção a arrogância e inabilidade do presidente Barack Obama ao lidar com a questão. Não me refiro, aqui, à sua defesa da retomada da alíquota original (mais alta) de Imposto de Renda para os americanos com maior renda anual. Seus argumentos sobre o tema me parecem totalmente corretos e justos. Mas sua insistência por muitas semanas em manter-se a proposta de atingir os contribuintes com renda superior a US$ 250 mil travou o processo de negociação por um tempo precioso demais.
Obama valeu-se do argumento de ter sido reeleito por causa, especialmente, dessa sua proposta. Não poderia retroceder, em respeito a seus eleitores. Desconsiderou os fatos de ter sido eleito, pelo voto popular, por uma margem de 2,8% e de os republicanos terem mantido a maioria na Câmara na mesma eleição com argumento oposto – de não permitir elevação de tributos para ninguém, principalmente para os contribuintes da classe alta. Além disso, os republicanos mais radicais já tinham sequestrado a discussão do acordo fiscal em julho de 2011. Obama sabia com quem estava tratando, conhecia seus métodos, desconfiava de suas intenções. Mas não aprendeu a lidar com eles.
Chama a atenção igualmente como a ala mais moderada do partido republicano acomodou-se à agenda do Tea Party. O próprio presidente da Câmara, John Boehner, foi refém desses radicais duas vezes. Em julho, fechara um acordo com Obama antes do prazo final e, surpreendentemente, recuara em seguida por pressão dessa facção. No último dia 20, tentara apresentar uma proposta alternativa de acordo fiscal no plenário da casa. O Tea Party discordou da retomada da alíquota de IR para os americanos com renda maior do que US$ 1 milhão, presente no texto, e abortou a votação.
Obama inicia seu segundo mandato em 21 de janeiro próximo. O Congresso, com pequenas alterações, terá a mesma estrutura nos próximos dois anos: maioria democrata no Senado, maioria republicana na Câmara. Se a discussão do acordo fiscal for o parâmetro para a relação entre Executivo e Legislativo, então restar dizer: Deus salve a América.
Até o (feliz) ano que vem.
PS: O propósito deste blog é promover uma discussão construtiva. Comentários preconceituosos não serão publicados, assim como respostas ofensivas a outros leitores e a mim. Este espaço não se prestará à propaganda partidária e tampouco estará aberto à veiculação de vídeos. Peço aos comentaristas se aterem ao conteúdo do debate. Obrigada
Barack Obama foi reeleito ontem. As projeções das redes de televisão NBC e CNN, consideradas muito bem calculadas, mostravam a conquista pelo presidente de 274 delegados no Congresso Eleitoral, a instância indireta e final do processo americano. São apenas quatro a mais do que o necessário. Mitt Romney, seu desafiador republicano, conseguira 203 delegados. A vitória de Obama na Pensilvânia, que se inclinara nas últimas semanas para seu opositor, e também em Ohio e em Michigan, Estados de imensa participação da indústria automotiva em suas economias, garantiram ao presidente a reeleição.
A vitória foi anunciada às 23h30 de 6 de novembro na Costa Leste americana (2h30 de 7 de novembro, no horário de Brasília), quando ainda estava em curso a votação em Estados tradicionalmente indecisos e cruciais – a Flórida e a Virgínia. O Colorado, outro Estado-chave, estava na metade da apuração. Na frente da Casa Branca, eleitores de Obama festejaram o resultado, assim como os convidados para assistir a seu discurso de vitória, no McCormick Center, o principal centro de convenções de Chicago.
Karl Rove, eminência parda do governo de George W. Bush e um dos principais investidores em propagandas de Romney, foi a principal voz dissidente. Na FoxNews, rede de televisão conservadora, Rove insistia na conclusão das apurações antes de se proclamar a vitória de Obama. A campanha de Romney não reconhecia a derrota em Ohio, em uma indicação de que o resultado oficial ainda deve esperar uma disputa na Justiça em torno dos votos por correio. E o bilionário Donald Trump, com a certo da vitória de Romney no voto popular, conclamava pateticamente o país a uma “revolução” contra o resultado “vergonhoso”.
O resultado certamente provocará um choque no partido republicano. O movimento mais razoável seria uma reflexão sobre a resistência do cidadão a seu ideário mais radical em questões como o ajuste nas contas públicas e o papel do Estado como motivador da economia e nos debates sobre questões morais e sociais. Mais plausível, infelizmente, será uma resistência ainda mais ácida às propostas da Casa Branca no segundo mandato de Obama pela Câmara dos Deputados. Ontem, os republicanos ampliaram sua maioria na Casa. Os democratas tendiam a aumentar seu controle sobre o Senado. Mantida a polarização percebida nos últimos dois anos, o país será o maior sacrificado. Obama, seja como for seu segundo mandato, já entrou para a história.
O primeiro teste sobre como republicanos e democratas lidarão com os desafios dos EUA se dará nos debates sobre o plano de longo prazo de ajuste nas contas públicas e o aumento do teto de endividamento do governo federal. Se não fecharem em consenso no Congresso até 31 de dezembro, o ano de 2013 começará com a paralisia do governo Obama, sem recursos para efetuar pagamento de despesas correntes e de sua dívida e com corte forçado no orçamento do ano, sobretudo nos gastos sociais e de Defesa. Em resumo, o país quebrará. Caso contrário, poderá se beneficiar de uma possível retomada de investimentos e se preparar para o imprevisível do outro lado do Atlântico.
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A violência na Líbia pós-Kadafi não é novidade. O fato novo está na ousadia de um ataque a uma representação dos Estados Unidos e no assassinato de seu embaixador, Christopher Stevens, um ativo negociador com as forças rebeldes líbias no ano passado e “amigo” dos líderes locais da Irmandade Muçulmana. As investigações ainda preliminares não permitem esclarecer por que Stevens foi o alvo do ataque, supostamente planejado. “É especialmente trágico que Chris Stevens tenha morrido em Benghazi porque essa é a cidade que ele ajudou a salvar”, afirmou o presidente Barack Obama, no Jardim das Rosas da Casa Branca.
Especialistas americanos insistem que a escalada de violência na Líbia não tem sido coibida de forma apropriada. Segundo Brian Katulis, especialista em Oriente Médio do National Security Network´s (NSN), os ataques têm sido organizados por grupos extremistas armados, com ideologia próxima à da Al Qaeda, e capacitados para atingir alvos americanos. O diretor do Human Rights Watch em Washington, Tom Malinowaski, concorda com Katulis e considera indispensável que o governo líbio venha a garantir a legitimidade da democracia e da ordem legal nascentes.
“Estamos o preço por essa situação de poder dos grupos armados, que se recusam a depositar suas armas”, afirmou Malinowski durante uma conference call promovida pelo NSN. “Confrontar esses grupos será essencial para a continuidade da revolução líbia e para boa relação com os EUA”, completou.
Ed Husain, analista de Oriente Médio do Council on Foreign Relations (CFR), afirmou não ter dúvidas da presença de simpatizantes da Al-Qaeda entre os responsáveis pelo ataque de ontem e de haver relação com o 11 de Setembro. A Irmandade Islâmica, afirmou ele, falhou na sua condenação aos episódios anteriores de violência capitaneados pelas milícias armadas líbias. Segundo Vijay Prashad, autor de “Arab Spring, Lybian Winter” e diretor de Estudos Internacionais do Trinity College, de Hartford, a ação militar do Ocidente na Líbia, no ano passado, não foi capaz de suavizar o ressentimento de parte dos líbios, especialmente dos que combateram Muamar Kadafi, contra os EUA e o Reino Unido.
Prashad listou cinco atos de violência cometidos por esses grupos desde o início deste ano. Em janeiro, uma multidão invadiu o quartel-general do Conselho Nacional de Transição. Em abril, uma bomba atingiu o comboio da Missão das Nações Unidas na Líbia e outra explodiu em um tribunal. Em maio, um foguete foi disparado contra a sede local da Cruz Vermelha. Em julho, o comboio que transportava o cônsul britânico foi atacado. No mês passado, uma bomba caseira explodiu em frente do consulado americano.
Não há ainda certeza se o ataque ao Consulado americano em Benghazi foi planejado ou o resultado de um protesto levado às últimas consequências – supostamente, contra o filme “Innocence of Muslims”. A ex-embaixadora dos EUA no Paquistão e atual presidente do NSN, Wendy Chamberlain, acredita ser cedo demais para uma conclusão. Para Isobel Coleman, analista sênior do Council on Foreign Relations, esse caso de violência foi “bem planejado e armado”. Conforme argumentou, tratou-se de incidente bastante diferente do ocorrido, na mesma terça-feira, na embaixada dos EUA no Cairo, quando manifestantes escalaram o muro, tomaram a bandeira americana e a incendiaram em protesto contra o filme.
“Isso mostra quão perigosa é a situação de hoje na Líbia”, insistiu Isobel. O quadro, completou ela, gera preocupação sobre ataques adicionais, respondida pela Casa Branca com o envio de cerca de 40 marines para reforçar a segurança das representações americanas no país. Também resulta no envio de drones (aviões não tripulados) e em uma maior participação dos EUA no trabalho de inteligência, necessário para se elucidar o episódio.
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Há tempos Barack Obama vem dizendo ser a eleição de 2012 a escolha entre dois modelos diferentes de visão sobre os desafios dos Estados Unidos. Sua observação não poderia ter sido mais evidente do que foi nas duas últimas semanas, quando os partidos Democrata e Republicano fizeram suas convenções nacionais. As plataformas das duas legendas e os discursos de suas principais estrelas estamparam a polarização dos princípios político-ideológicos. Mostraram haver claramente duas Américas.
A América vista em Tampa há duas semanas assusta a quem veio de países abaixo do Rio Grande e do outro lado do Atlântico pelo radicalismo de direita. Não só pelos conceitos reafirmados: o do ajuste fiscal severo, porém com alívio aos americanos mais ricos, da proibição do aborto e do casamento entre homossexuais, da guerra do Afeganistão sem um fim definido, do repúdio à reforma da Saúde de 2010, da retomada de Moscou como principal inimigo de Washington.
A América vista em Charlotte foi tolerante com Obama, como muitos dos democratas ausentes na convenção não têm sido. Sua missão na Casa Branca foi prejudicada, assim entendeu a audiência, pela impossibilidade de diálogo e de compromisso com a direita radical republicana. O projeto de “mudança” tem de prosseguir, com a adoção integral da reforma da Saúde, o investimento público em infra-estrutura, educação e inovação e o ajuste fiscal assegurado pelo fim de benefícios fiscais aos setores mais favorecidos e pela redução dos gastos militares.
Não apenas os valores e princípios polarizados impressionaram os que assistiram às duas convenções. Assustadora foi a massa de americanos brancos presente em Tampa, na sua maioria acima dos 50 anos. Os negros foram raríssimos, e os latinos, mais presentes no palco do que na platéia. Parecia a América de mais de 40 anos atrás. Em Charlotte, via-se o reflexo da diversidade étnica e cultural dos Estados Unidos atual.
Do lado de fora do ginásio Tampa Bay Times Forum, com o policiamento redobrado para impedir manifestações como as de 2008, apenas meia dúzia de vendedores de bottons e vários seguidores de Ron Paul, o candidato derrotado nas primárias do partido e defensor de ideais próximos ao anarquismo, em protesto contra a convenção. A paisagem foi outra atrás do cordão de isolamento do Convention Center de Charlotte. Uma verdadeira feira livre de camisetas, bottons, fotografias, bonecos, cortadores de unha – tudo com a cara de Obama – formou-se na calçada. A duas quadras, um busto feito em areia de praia ilustrava a simpatia ao candidato à reeleição. Charlotte parecia em festa. Tampa, em funeral.
Dentro dos prédios, durante as sessões de cinco horas de discursos, a organização democrata mostrou-se mais eficiente do que a republicana. O discurso de Obama pôde ser enxuto e restringir-se ao pedido ao eleitor de mais quatro anos de governo, para consolidar seu projeto de recuperação da economia e de criação de empregos com responsabilidade fiscal. Bill Clinton, Joe Biden e Michelle, a primeira-dama, prepararam o terreno ao presidente com seus próprios discursos. A ex-governadora de Michigan Jennifer Granholm e o atual governador de Montana, Brian Schweitzer, levantaram e motivaram a plateia antes de Obama entrar no palco e fazer uma cesta de três pontos.
Houve preocupação para que as três noites em Tampa – quatro, originalmente – culminassem com a fala de Mitt Romney, o candidato republicano. Ann, sua mulher há 43 anos, descreveu um marido de carne e osso para a plateia. Paul Ryan, seu companheiro de chapa, reiterou o compromisso de ambos com os princípios do Tea Party. Mas Romney não pôde arrematar. A presença de Clint Eastwood no palco, pouco antes do candidato, revelou-se desastrosa. E os dados falaciosos mencionados por Ryan e outras estrelas turvaram a mensagem da convenção.
Ainda faltam nove semanas e dois debates presidenciais para o jogo ser definido, em 6 de novembro. Os cálculos baseados em pesquisas de opinião nos Estados mostram vantagem para Obama. As consultas nacionais realizadas depois das convenções deram ao presidente a chance de desempatar de Romney e deixá-lo para trás. Mas nada está seguro ainda. O projeto vencedor não levará somente as batatas. Definirá o rumo das duas Américas e, por extensão, da economia mundial.
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Ao avaliar o relato de José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), sobre o recente e expedito processo de impeachment no Paraguai, os 34 países presentes definirão a medida do poder dessa entidade. A OEA dificilmente chegará a uma decisão sobre o Paraguai e, no final das contas, o debate estará indiretamente centrado em sua efetividade quando a questão em debate é a democracia nas Américas.
Na OEA, as decisões são tomadas por consenso. Os Estados Unidos e o Canadá, entre outros países, não votarão a favor da suspensão do Paraguai, o mesmo status dado a Cuba entre 1962 e 2009. Para Washington e Ottawa, o processo de impeachmente foi estranho, ao não conceder pleno direito de defesa a Fernando Lugo, o presidente afastado em 22 de junho. Mas, acrescentam, melhor não mexer no que foi feito e deixar Federico Franco, o novo presidente, conduzir o governo e as eleições de 2013.
A Nicarágua, o mais vocal dos países bolivarianos nesse tema, rejeita tal solução com o argumento de ter havido um golpe de Estado. O Brasil e o Uruguai, embora afastem a expressão “golpe” e prefiram qualificar o episódio como “ruptura da ordem”, não se mostram favoráveis a deixar as coisas como estão. Ambos votaram a favor da suspensão do Paraguai do Mercosul, como medida punitiva, e aprovaram a inclusão da Venezuela no bloco, à revelia de Assunção.
O relato de Insulza dificilmente desmontará convicções já formadas na região a respeito do que é a democracia e do que a ameaça. As tonalidades são bastante diferentes. Desde 1999, presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu controlar o Congresso e a Justiça, ameaçou e perseguiu opositores, restringiu a liberdade de imprensa e prolongou-se no poder por meio de eleições suspeitas de fraude. Não foi o regime de Chávez questionado pelo Brasil, Argentina e Uruguai por essas razões ao longo do processo de adesão da Venezuela ao Mercosul, em especial na última reunião de cúpula do bloco.
A seus amigos em Washington, Insulza confidenciou esperar uma decisão mais densa da Suprema Corte sobre o novo pedido de recurso apresentado na semana passada por Fernando Lugo. O tribunal rejeitara o primeiro recurso de Lugo e consolidara o impeachment decretado pelo Congresso ao final de apenas 48 horas. Agora, teria mais tempo para embasar a sua decisão, seja ela qual for.
Esperar esse julgamento seria equivalente a uma prova de confiança da OEA nas instituições paraguaias e tende a ser sugerido nesta terça-feira por Insulza. A sugestão da Argentina de convocar uma reunião extraordinária dos chanceleres dos 34 países tende a ser afastada por uma razão óbvia: apenas consolidará a inexistência de consenso na OEA sobre a questão e a mostrará mais fragilizada ao mundo nos debates sobre a democracia e as forças contrárias a ela na região.
Mas, mesmo se a Suprema Corte concluir novamente ter sido legítimo e constitucional o processo de impeachment, a impossibilidade de consenso na OEA continuará presente. E como reagirão os organismos regionais? O Mercosul e a Unasul voltarão atrás na suspensão do Paraguai? Se assim agirem, corrigirão o golpe que deram em Assunção ao incluir a Venezuela no bloco sem a aprovação do Congresso paraguaio?
Com certeza, os sócios do Mercosul – excluído o Paraguai – não mudarão o novo status da Venezuela e esperarão até a posse do sucessor de Federico Franco para novamente receber Assunção nas reuniões semestrais do bloco. Para seus públicos internos, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela já não podem mais recuar. Mas tudo será esquecido em um ano, como aconteceu com Honduras. Só a OEA continuará trôpega e combalida.
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Do púlpito da Casa Branca, Barack Obama colocou em teste o mantra republicano contra aumento de imposto. Se não pôde nem pode vencer a oposição no Congresso ao propor o fim do benefício fiscal aos americanos com renda maior de US$ 250 mil ao ano, um “estímulo” criado por seu antecessor, o presidente americano agora sugeriu a extensão do mimo a todo contribuinte.
A proposta de isonomia parece ser mais uma provocação eleitoral de Obama do que uma ideia factível, com chances de aprovação pelo Congresso, sempre pronto a engavetar sugestões vindas da Casa Branca. Com o argumento de não ser o benefício para os “milionários” socialmente justo nem economicamente eficaz, o candidato à reeleição indiretamente questiona até que ponto vai o discurso republicano contra o aumento de tributos.
Obama afirmou nesta segunda-feira ser a redução do Imposto de Renda para os mais ricos o benefício menos eficaz para estimular o crescimento econômico. A medida está em vigor desde 2006, quando foi adotada pelo então presidente George W. Bush. No final de 2012, deve ser prorrogada mais uma vez pelo atual Congresso. A única chance de acabar com essa medida será no ano que vem, se os democratas recuperarem a maioria na Câmara e preservarem a que mantêm no Senado na eleição de novembro.
Os mesmos parlamentares hoje sentados no Congresso americano terão de decidir, em dezembro, se mantêm um benefício fiscal bem menos polpudo hoje vigente para a classe média e se aprovam a nova tabela do IR, que aumentará as alíquotas para cada faixa de renda. Suas teorias sobre como reduzir acentuadamente o déficit público em curto e médio prazos sem comprometer o crescimento econômico serão postas contra a parede. Obama, em princípio, tenta adiantar esse debate e trazê-lo aos palcos eleitorais.
“Nós não precisamos mais de economia de cima para baixo. Já tentamos essa teoria e vimos o que acontece. Não podemos nos dar ao luxo de voltar a isso”, insistiu o presidente nesta segunda-feira, em um esforço para firmar-se como o candidato comprometido com a classe média.
A bola está com a oposição, e sua resposta será percebida com maior sensibilidade por parte do eleitorado republicano ainda não cooptada pelo discurso ultraliberal e pelos independentes. A campanha de Mitt Romney, antes mesmo de Obama dirigir-se à imprensa, emitiu um comunicado marcado pela irritação. “Ao contrário do presidente Obama, o governador Romney compreende que a última coisa que precisamos fazer nesta economia é aumentar os impostos sobre qualquer um”, disse o texto. Não houve sinais, entretanto, de convergência com a ideia de expandir um benefício fiscal hoje apenas concedido aos mais abastados.
Obama deverá fazer dessa proposta um novo slogan para seus comícios, a começar em Iowa na terça, 10 de julho. Poderá repetir seu próprio exemplo de contribuinte beneficiado pela boa vontade dos republicanos – sua renda anual de US$ 400 mil – enquanto sua secretária é obrigada a pagar uma alíquota efetiva mais alta. Já o fez muitas vezes antes, quando defendia apenas o fim do mimo aos mais abastados, com o apoio do bilionário Warren Buffet. Deverá conter-se e não mencionar a alíquota de 17%, em vez de 37%, aplicada no cálculo do IR de Romney, segundo ele próprio.
Não está claro se, além de provocação aos republicanos, essa nova proposta é apenas um blefe de Obama. Nas contas da Casa Branca, a redução do IR para os contribuintes com renda inferior a US$ 250 mil ao ano impedirá uma arrecadação anual de US$ 150 bilhões e seu efeito não tende a ser percebido de imediato na economia. Mas o benefício para os americanos com renda anual superior a US$ 250 mil impede a coleta de US$ 700 bilhões ao ano.
O déficit fiscal americano deverá alcançar 7,0% do Produto Interno Bruto neste ano, nas previsões do Fundo Monetário Internacional. O resultado, se confirmado, será dois pontos porcentuais abaixo do de 2011. A dívida pública americana fechará em 106,7% do PIB. Como reduzir esses porcentuais em longo prazo é ainda motivo de discenso entre o Executivo e o Legislativo dos EUA. Mas esse é um tema para outra carta.
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Um balde de água caiu sobre Barack Obama nesta sexta-feira, no interior de Ohio. A esperança de melhora na taxa de desemprego dos Estados Unidos, de 8,2% em maio, se desfez com a divulgação do mesmo porcentual em junho. Até ontem, quinta-feira, os sinais eram mais positivos, ancorados no cálculo da criação de 176 mil postos de trabalho no mês feito pela ADP, uma das maiores empresas de recursos humanos do país. Mas foram gerados apenas 60 mil.
Em alta desde o final de 2008, a taxa de desemprego tornou-se neste ano a medida da capacidade de reeleição de Obama ou da escolha de seu rival republicano, Mitt Romney. Desemprego é a imagem mais flagrante do estado da economia, e será este o fator decisivo em 3 de novembro. Desde o começo de 2011, quando as campanhas começaram a ser montadas, a reativacão da economia e a geração de postos de trabalho tornaram-se reféns da ambição eleitoral republicana.
Os dois partidos políticos – democrata e republicano – estão se afastando do centro nos últimos 30 anos e chegaram, desde 2010, a uma polarização extrema. No caso da base republicana, o apego aos preceitos mais radicais da doutrina liberal, incluindo aí o ajuste severo nas contas públicas e a redução do endividamento federal, ultrapassou os limites da razão. Resgatar a economia e colocá-la em um ritmo capaz de gerar empregos e elevar a renda das famílias, mesmo ao custo da derrota eleitoral, não é opção para eleitores e políticos do partido.
Desde janeiro de 2011, quando retomaram o controle da Câmara de Deputados, os republicanos empatam a recuperação da economia americana. São 19 meses, outros cinco adiante. Todos os projetos enviados pela Casa Branca para estimular pequenas empresas, de aumento do investimento público em obras rodoferroviárias e de construção de escolas, de incentivo fiscal à inovação tecnológica e à contratação de empregados, de impulso aos setores de energia limpa estão engavetados na Câmara. A proposta mais “radical” de Obama, do ponto de vista republicano, é a extinção do benefício fiscal para os americanos com renda anual superior a US$ 1 milhão, uma ideia avalizada pelo bilionário Warren Buffett. Sem chances de passar.
A boa vontade de examinar os projetos dos democratas para, quem sabe, melhorá-los não existe para os republicanos. Bipartidarismo virou um anátema nessa bancada. Não estão cegos, os republicanos. Conscientes, apostam no “quanto pior, mais fácil” derrubar os democratas da Casa Branca. Se Mitt Romney vencer Obama, terá diante de si uma economia à beira ou já mergulhada em recessão. Até agora, esse empresário do setor de private equity não apresentou sua receita para tirar a economia do lamaçal.
Charlotte, na Carolina do Norte, tornou-se o pesadelo da campanha de reeleição de Barack Obama. Mesmo contra uma série de fatos e um possível sapo enterrado, o presidente teima em fazer nessa capital sulista a Convenção Democrata, entre os dias 3 e 6 de setembro. Em um relâmpado de bom senso, Obama concordou apenas em encurtar em um dia esse evento, que culminará com o lançamento oficial de sua candidatura ao segundo mandato.
Foi sua única concessão.
Nos cálculos de Obama e de seus principais colaboradores, a Carolina do Norte é um raro Estado sulista onde a guinada para o partido democrata ainda pode acontecer. Obama venceu seu rival na corrida de 2008, o senador John McCain, por 14 mil votos na Carolina do Norte e quer agora repetir o feito contra o republicano Mitt Romney. Os motivos para Obama desistir de Charlotte, porém, se acumulam e alimentam o risco de flagrante desastre para a Convencão Democrata.
Os sindicatos, aliados de primeira hora do partido, estão indignados com a escolha de um Estado no qual sua atuação não é bem vinda. A prefeitura de Charlotte não ajudou a amenizar esse mal estar e transferiu o tradicional desfile do Dia do Trabalho, em 3 de setembro, para a periferia da cidade. O melindre dos sindicatos não é desprezível. Em 2008, haviam doado US$ 8,6 milhões para a convenção democrata. Neste ano, nenhum centavo.
Sem essas doações e com o inusitado veto do partido a contribuições de grandes empresas para o evento, a convencão começa a ser organizada com um rombo de US$ 27 milhões. Os grandes espetáculos de abertura da convenção, por outras razões, já foram cancelados. A Charlotte Speedway, popular corrida automobilística do Dia do Trabalho, foi transferida para uma cidade vizinha. E o comediante Andy Griffith, a estrela de um show programado, morreu no último dia 3 aos 86 anos de idade.
Como não bastasse, ainda há um escândalo sexual a assombrar o grande evento democrata. No final do ano passado, o presidente do partido no Estado, David Parker, acusou o então diretor da instituição, Jay Parmley, de haver assediado um funcionário. Parmley pediu demissão, e o empregado, Adrian Ortega, foi demitido. O episódio ameaça reduzir a já combalida coleta de doações.
A teimosia de Obama em manter a convencão em Charlotte já provocou a deserção de pelo menos 13 candidatos democratas. De Virgínia Ocidental, o governador Earl Tomblin, o senador Joe Manchin e o deputado federal Rick Rahall já anunciaram que não vão a Charlotte. Os senadores John Tester (Montana) e Claire McCaskill (Missouri) e os deputados federais William Owens e Kathleen Hochul (Nova York), Mark Critz (Pensilvânia), Jim Matherson (Utah), Richard Neal e Stephen Lynch (Massachusetts) também desistiram da convenção.
Um dos grandes aliados de Obama no Senado, John Kerry (Massachusetts), titubeia em comparecer ao evento. Em campanha pela sua quarta reeleição para a Câmara dos Deputados, Larry Kissell, da própria Carolina do Norte, foi além: declarou ao Charlotte Observer que não apóia Obama como candidato democrata. Fico por aqui.
PS: O propósito do blog é promover uma discussão construtiva, tendo como base as regras consagradas de polidez. Comentários preconceituosos não serão publicados. Da mesma forma, não permitirei a exposição de respostas ofensivas a outros leitores nem a mim. Este espaço não se prestará à propaganda partidária e tampouco estará aberto à veiculação de vídeos. Peço aos comentaristas se aterem ao conteúdo do debate. Obrigada
A presidente Dilma Rousseff não será tratada pelo governo dos Estados Unidos da mesma forma que os líderes Hu Jintao, da China, e Manmohan Singh, da Índia. Sua visita a Washington, nesta segunda-feira, não será classificada como “de Estado”. Apenas será “oficial”. Não terá banquete a rigor nem discurso no Congresso americano, em uma clara indicação da dificuldade de Washington em ver no Brasil um real e confiável parceiro estratégico.
O formato da primeira visita de Dilma à Casa Branca, entretanto, traz uma tentativa do presidente americano, Barack Obama, de criar uma relação de confiança e de franqueza com a líder brasileira. Depois do encontro oficial, Dilma será conduzida por Obama para um almoço na ala residencial da Casa Branca. Enquanto as conversas rolarem, milhares de crianças estarão correndo e gritando pelos jardins da Casa Branca em busca de ovos de chocolate. O Easter Egg Roll é uma tradição no dia seguinte à Páscoa desde 1878.
Nada garante a construção de real confiança entre Dilma e Obama, a partir dessa visita, nem que as relações entre os dois países possam se tornar mais azeitadas e menos marcadas pelas divergências. Como lembra Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center, FHC e Clinton mantiveram uma boa relação pessoal, útil especialmente quando o Brasil vivenciou a crise cambial de 1999. A alardeada “química” entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, no entanto, não trouxe resultados práticos para nenhum lado.
“Pode até haver boa relação entre Dilma e Obama. Mas será o interesse dos governos que vai mover a relação bilateral”, afirmou Sotero. “Obama e Dilma não precisam se tornar almas gêmeas”, emendou o presidente honorário do Interamerican Dialogue, Peter Hakim.
A última visita de Estado de um presidente brasileiro aos EUA foi em 1995, quando Fernando Henrique Cardoso encontrou-se com o então líder americano, Bill Clinton. Obama foi recebido em Brasília em uma visita de Estado menos protocolar, em março do ano passado. Esse tipo de evento pode ser realizada uma única vez a um determinado país durante o mandato presidencial. Nas Repúblicas, envolve a visita à sede dos três Poderes. Embora a Casa Branca tenha formalmente cortado esse tratamento neste ano, por causa da eleição presidencial nos EUA, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi recebido com essas honras em março, mesmo sendo chefe de governo.
João Augusto de Castro Neves, analista do Eurasia Group, pondera ser o gesto, em diplomacia, pra lá de importante. O Brasil precisa, em seu ponto de vista, do “reconhecimento americano de ter se tornado um novo poder mundial”. Trata-se de algo concedido por Washington à Índia – país detentor de arma atômica, sem compromisso com o Tratado de Não-Proliferacão Nuclear, parceiro dos EUA em um acordo nesse campo e apoiado por Obama para ingressar no Conselho de Segurança como membro permanente.
Mas, neste momento, o fato de a visita de Dilma não ser de Estado pode até ajudar. “Isso permitirá a ambos tratar mais de negócios “, avaliou Castro Neves. Carl Meachan, especialista em América Latina no Senado americano, vê no tratamento para a visita de Dilma um sinal de “fracasso” do governo Obama em dar o significado e a importância que o Brasil tem hoje para os próprios EUA e para o mundo. “É óbvio que a visita de Dilma deveria ser de Estado”, afirmou.
Para Hakim, a diferença de tratamento pode ser vista até como um “certo insulto”, embora o Itamaraty insista ter havido comum acordo sobre o formato da visita. No final das contas, para Hakim, será como uma “visita a Ipanema”. “Eles vão conversar, tirar fotos. Mas, no dia seguinte, não haverá nenhum resultado, exatamente como aconteceu na época de Clinton e de Bush.”
PS: O propósito do blog é promover uma discussão construtiva, tendo como base as regras consagradas de polidez. Comentários preconceituosos não serão publicados. Da mesma forma, não permitirei a exposição de respostas ofensivas a outros leitores nem a mim. Este espaço não se prestará à propaganda partidária e tampouco estará aberto à veiculação de vídeos. Peço aos comentaristas se aterem ao conteúdo do debate. Obrigada
Caríssimos,
Passadas 34 primárias republicanas, o presidente dos Estados Unidos e candidato a reeleição, Barack Obama, continua sorrindo. Sua vitória em novembro, neste momento, não chega a ser favas contadas. Mas está bem perto disso, alimentada especialmente pela disputa irascível entre seus quatro – na verdade, dois – potenciais adversários republicanos. A cavaleiro, o presidente está em permanente campanha há quase um ano, colhe doações a partir de US$ 5 e tem seus Super PACs prontos para receber volumes milionários destinados à propaganda eleitoral. Vencê-lo será um desafio monumental ao republicano consagrado na convenção do GOP no final de agosto.
O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, milionário mórmon e ex-presidente de uma companhia de private equity, lidera a disputa republicana. Venceu as primárias em 21 Estados e territórios americanos e acumula neste momento 563 delegados para a convenção. O vencedor será o detentor de, pelo menos, 1.141 delegados. É o favorito do establishment republicano. Mas é moderado demais para o gosto dos eleitores atraídos nos últimos anos pelos ideais absurdos do Tea Party e de agremiações similares. Sua guinada para o conservadorismo extremo não parece convincente. Nos comícios, tem a presença de um boneco Ken, o namorado da Barbie.
Rick Santorum não conseguiu reeleger-se senador pelo Estado da Pensilvânia em 2006. Mas quer ser presidente dos EUA. Católico e vinculado a Opus Dei, ele tem paixão extremada pelos conceitos morais mais conservadores e demonstra sua fidelidade a essas ideias em sua história de vida. O episódio da gestação, nascimento e morte de seu sétimo filho, Gabriel, é um ícone do movimento pró-vida. Os evangélicos radicais o adoram. Os republicanos católicos, nem tanto. Santorum traz na ponta da língua, em seus comícios, a rejeição absoluta ao aborto e ao casamento homossexual. São suas bandeiras antigas. A aversão aos gays custou-lhe um sinônimo irreproduzível por este blog para o seu nome entre os leitores do site do ativista Daniel Savage.
Romney e Santorum se matam para ser o rival de Obama em novembro. Newt Gingrich e Ron Paul, sem chances, alimentam ainda mais o clima de agressividade da disputa republicana. Ícones do partido já apelaram pela calma e pelo debate construtivo. Não adiantou. Os dois candidatos criticam duramente o governo de Obama, prometem acabar com sua reforma dos planos de saúde e com a regulação bancária. Mas falam para um eleitorado que não votou nem vai reeleger o presidente. Parecem competir pelo posto de melhor crítico de Obama. O gasto de recursos financeiros e humanos e de energia nessas primárias dá mais uma vantagem a Obama. Quanto mais longo e penoso for o processo de escolha republicana, melhor a chance de reeleição do presidente.
Nesta quinta-feira, Obama visita Cushing, Oklahoma, e Columbus, Ohio. Trata-se de uma rara viagem sem eventos explícitos de campanha. No último dia 16, ele viajou a Chicago, seu berço político e sede de seu QG de campanha, e também para Atlanta somente para fazer comícios a platéias especiais e, obviamente, para arrecadar dólares. Essa agenda não foi uma exceção ao longo dos últimos 11 meses. Cada vez que o Air Force One levanta vôo, o custo mínimo para o contribuinte é de US$ 200 mil. Mas, se esse dado não parece impressionar a maioria dos meios de comunicação americanos.
Obama terá o desafio de convencer o eleitor democrata e o independente a deixar sua rotina em 3 de novembro para ir à seção eleitoral. Se continuarem a melhorar, os indicadores econômicos o ajudarão nessa tarefa. A retirada em setembro de 23 mil soldados do Afeganistão – o mesmo número enviado adicionalmente por Obama no final de 2009 – dará um sinal positivo aos eleitores cansados de guerras. Sua capacidade de convencer Israel a não iniciar um conflito com o Irã antes da eleição terá peso eleitoral, assim como sua habilidade em lidar com a questão síria. Mas, definitivamente, os US$ 163,2 milhões já arrecadados por sua campanha lhe dão uma vantagem expressiva enquanto Romney e Santorum se atracam. Vamos acompanhar.
PS: O propósito do blog é promover uma discussão construtiva, tendo como base as regras consagradas de polidez. Comentários preconceituosos não serão publicados. Da mesma forma, não permitirei a exposição de respostas ofensivas a outros leitores nem a mim. Este espaço não se prestará à propaganda partidária e tampouco estará aberto à veiculação de vídeos. Peço aos comentaristas se aterem ao conteúdo do debate. Obrigada
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