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Dener Giovanini

Foi entregue hoje no Palácio do Planalto, oficialmente, o texto aprovado pela Câmara Federal sobre o novo Código Florestal. A partir de agora, a presidente Dilma Rousseff tem o prazo de 15 dias úteis para se manifestar a respeito. Ela pode sancioná-lo, vetá-lo na integra ou ainda vetar partes do texto.

Caso a presidente decida por vetar algum dispositivo, o que provavelmente vai ocorrer, ela deverá encaminhar ao presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney, as justificativas para o veto. Assim que receber as modificações do Palácio do Planalto, o senador Sarney deverá lê-las em plenário num prazo de 48 horas. A partir de então, o Congresso terá um período de 30 dias para decidir se mantem ou se derruba os vetos presidenciais. Um veto presidencial só pode ser derrubado pela maioria simples do Senado e da Câmara Federal, respectivamente, 41 senadores e 257 deputados federais. Na última votação da Câmara, o texto foi aprovado por 274 parlamentares, 17 a mais do que o necessário para derrubar o veto presidencial, caso ele venha a ser feito.

Ao que tudo indica, deverá se repetir uma prática comum no Congresso brasileiro. A presidente vetará alguns dispositivos, encaminhará as justificativas para o presidente do Congresso e ele simplesmente as deixará guardadas numa gaveta. A Lei diz apenas que o presidente do Congresso deverá ler os vetos presidenciais e suas justificativas num prazo de 48 horas, mas em momento algum impõe qualquer sanção caso isso não ocorra. Dessa forma, o prazo de 30 dias que o parlamento tem para votar os vetos não se inicia nunca. A prática é tão comum que existem mais de mil vetos presidenciais esperando votação no Congresso. Alguns com mais de 10 anos de espera.

Pra suprir a lacuna aberta pelos vetos, a presidente da República deverá publicar uma Medida Provisória, que passará a valer a partir do momento que for publicada no Diário Oficial.

Seja lá o que decidir, a presidente Dilma não escapará dos desgastes. Se vetar, comprará briga com a bancada ruralista, o que pode fragilizar ainda mais a relação com a sua base governista. Se não vetar, poderá ter uma parte considerável da opinião pública contra a sua posição, principalmente entre os formadores de opinião.

O final dessa história será revelado ao respeitável público daqui a 15 dias e, independente dos resultados, quem perderá – mais uma vez – será o Brasil, que não foi capaz de construir um documento legal que conciliasse o desenvolvimento com a conservação dos recursos naturais. O texto final do Código Florestal aprovado na Câmara Federal é um monstrengo, que em nada contribui para o setor do agronegócio e, muito menos, para a proteção do meio ambiente. Perdemos todos.

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Companheiro de luta de Chico Mendes – e considerado seu sucessor – foi acusado de vários crimes ambientais pelo ICMBIO.

Na tarde de hoje, 12 funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBIO, com o apoio da Polícia Federal, fizeram a apreensão de 25 metros cúbicos de madeira dentro da propriedade do ambientalista e sindicalista Osmarino Amâncio, localizada no município de Brasiléia, no Estado do Acre.

Osmarino Amâncio foi apontado por diversas organizações ambientais e sindicais como o sucessor natural do seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 e reconhecido internacionalmente por sua defesa do meio ambiente. A madeira apreendida na propriedade de Osmarino foi retirada ilegalmente, segundo o ICMBIO, de uma Reserva Extrativista (Resex) que leva o nome do ambientalista assassinado.

Osmarino não nega que derrubou a floresta sem autorização e alega que a madeira seria utilizada para construir uma casa para a mãe dele. Ele ainda acusa o ICMBIO de perseguição.

O agente do ICMBIO, Marco Freitas, ouvido por esse Blog agora à noite, informa que Osmarino foi multado em R$ 63 mil e que a madeira será doada para a Prefeitura de Brasiléia, para ser utilizada na confecção de carteiras escolares. Freitas informou ainda que Osmarino está sendo investigado pelo órgão há cerca de 1 ano e desmentiu que a madeira seria utilizada para a construção de casas. “A madeira era vendida ilegalmente para as marcenarias da região, a madeira serrada tinha o formato de “bloco” de marcenaria medindo 2,2 metros por 30 cm por 15 cm, ou seja, formato próprio para marcenaria, e não para fazer casa. Além disso ela estava escondida na mata e quem usa madeira legalmente não precisa escondê-la”.

Numa entrevista concedida no final dessa tarde para o programa televisivo Gazeta Alerta, Osmarino afirma que caça e retira madeira dentro da Resex Chico Mendes e que não concorda com as regras impostas pelo Instituto. Ele acusa ainda o ICMBIO de perseguição. “O que pra gente era cultural, o que a gente fazia a vida inteira, hoje virou crime. Quer dizer, se tem criminoso aqui, é o ICMBIO, por que é ele que não pune os verdadeiros destruidores da natureza. Então é uma luta política, do Estado com a nova economia verde. Tô disputando o sindicato pra reverter esse jogo”, disse Amâncio no vídeo.

Veja a íntegra do vídeo abaixo:

 

Osmarino será uma das “estrelas” das organizações ambientalistas na RIO+20.

Imagens da apreensão de hoje:

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05.abril.2012 16:01:35

DILMA ROUSSEFF SEM FANTASIA

Ontem, durante a realização do Fórum Sobre o Clima, no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff falou praticamente de improviso. Deixando de lado o discurso oficial, a presidente da República causou surpresa (em alguns, indignação) ao passar um “pito” em alguns segmentos da sociedade que insistem em adaptar o discurso ambiental aos seus interesses particulares. A presidente falou de improviso e falou bem. “Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço, a fantasia. Não estou falando da utopia, essa pode ter, estou falando da fantasia”, afirmou Dilma.

Dilma mandou seu recado logo após um representante das ONGs acusar o governo de retrocesso na área ambiental. Vejam o vídeo abaixo:

 

 

Parabéns a presidente Dilma Rousseff. O caminho é esse. Sem fantasias e com o pé no chão, o Brasil pode sim encontrar o caminho que leve o país a resolver os seus desafios. Que o discurso não se perca e vire prática.

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Quem diz isso é o próprio governo brasileiro.

O presidente da Agência Nacional de Águas – ANA, Vicente Andreu, afirmou hoje, durante audiência pública para a instalação da Subcomissão da Água, veiculada a Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, que a situação brasileira é catastrófica no que se refere ao saneamento básico da população. Andreu alertou ainda que o próprio governo não tem planejamento para a área. Segundo ele, mesmo dispondo de estudos técnicos elaborados pela ANA, para orientar investimentos governamentais no setor, o governo não manifesta interesse pelo tema.

Segundo dados do IBGE, apenas 61% das residências no Brasil têm o seu esgoto coletado e, desses, apenas 30% vão para tratamento, o restante é descartado in natura no meio ambiente.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, numa ponta da mesa, ouve do presidente da ANA, Vicente Andreu, na outra ponta, críticas sobre como o governo brasileiro tem tratado (ou melhor, não tem tratado) o esgoto do país. Foto: Márcia Kalume/Agência Senado

Mesmo que tenhamos avançado no volume de recursos, a ampliação do saneamento em comparação ao crescimento das cidades está ficando estagnado. Não está mudando o patamar da situação do saneamento no Brasil, afirmou o presidente da ANA.

Ainda segundo Vicente Andreu, o governo precisaria investir R$ 22 bilhões apenas para manter a atual oferta de água nas cidades brasileiras até 2015.

Para quem tiver interesse em obter mais informações sobre o tema, pode baixar o Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água, publicado pela ANA. A última edição do Atlas foi lançada mês passado.

Para fazer o Download:

PANORAMA NACIONAL

PANORAMA NOS ESTADOS

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Quando somos adolescentes, o que mais queremos e pleiteamos, é o respeito a nossa capacidade de decidir. Nos achamos capazes de escolher o rumo da nossa vida e nos julgamos prontos para dar a palavra final em nossas opções. É um momento de libertação pessoal. Escolhemos a profissão que queremos, os amigos, as próprias roupas, enfim, é a realização de um ideal de liberdade. E é nesse momento, longe da tutela parental, que começamos a cometer os primeiros erros e a fazer apostas equivocadas. Errar nas primeiras escolhas é quase uma sina para todos os adolescentes.

Com o passar dos anos, a maioria se recupera. Trocam de curso na faculdade, mudam de emprego, pedem perdão aos ofendidos e tentam reencontrar o seu rumo. Para outros, as angústias da adolescência deixam marcas para o resto da vida. Tornam-se profissionais frustrados e pessoas infelizes. Alguns não se encontram nunca e se perdem nas drogas ou em outro caminho de igual solidão ou sofrimento.

Hoje, um rapaz de nome Brasil, está prestes a se emancipar. Ele está a um passo de sair da sua adolescência republicana para entrar no mundo dos adultos. No mundo daqueles que precisam ter a responsabilidade de escolher – já – o que serão amanhã. E, assim como os pré-vestibulandos, o Brasil está sendo chamado agora a optar por qual carreira pretende disputar espaço no competitivo mercado futuro da economia global. E esse vestibular chama-se Código Florestal. E essa decisão é, de fato, angustiante.

Num primeiro momento, os jovens tendem a encarar essa escolha de modo simplista e dual. Traçam dois caminhos: a carreira que gostam e sobre a qual paira o prazer da vocação, ou a carreira que mais dá dinheiro. Essa última, quase que geralmente imposta ou forçosamente sugerida pelos pais e amigos.

Com o Brasil não está sendo diferente. De um lado, temos aqueles que dizem que o futuro está garantido no agronegócio, na produção de alimentos e no arrebatamento do mercado através das Commodities (mercadorias) agrícolas. De outro, temos os que acreditam que são nas Commodities ambientais (créditos de carbono) que teremos o diferencial para conquistar espaço no cenário global.

E é nessa dualidade juvenil que estamos nos perdendo.

Hoje, o debate sobre o novo Código Ambiental brasileiro está caminhando – equivocadamente – para um terreno perigoso. Não estamos mais debatendo as possibilidades de futuro. Estamos apenas medindo forças. Disputando a tocha da verdade e levando o futuro da nação a uma decisão entre o bem e o mal.

A briga entre ruralistas e ambientalistas parece aquela discussão da mãe que quer que o filho seja médico e do pai que exige que ele seja advogado. Todos opinam sobre tudo. Todos se acham os donos da razão e se munem de argumentos para provar que estão certos. E nessa disputa, o Brasil, ou melhor, o povo brasileiro, fica quieto, calado, vendo os pais se digladiarem para decidir o futuro do querido filho.

Os ruralistas temem que o novo Código Florestal inviabilize o agronegócio, uma atividade que responde por cerca de 30% do PIB do país e 37% dos empregos no campo e nas cidades. Para que o leitor possa conhecer um pouco mais sobre os argumentos dos ruralistas, posto abaixo um dos inúmeros vídeos produzidos pelo segmento:

 

 

Já os ambientalistas afirmam que, se o Código Florestal ficar do jeito que os ruralistas querem, haverá um grande aumento no desmatamento, ocasionando graves prejuízos aos recursos naturais do país. Também acusam os ruralistas de usarem a imagem do pequeno agricultor apenas como uma desculpa para conseguirem seus intentos.

Abaixo o leitor poderá assistir a um dos vídeos produzidos pelos ambientalistas:

 

 

A “demonização” das partes envolvidas, as acusações mútuas e a intransigência de ambos os lados tem desfocado o ponto central do debate: como o Brasil pode conciliar a necessidade de desenvolvimento (inclusive agrícola) com a manutenção dos seus recursos naturais?

O principal espaço destinado a esse importante debate, o Congresso Nacional, já está totalmente contaminado pela intriga, pela falta de respeito e pelo enfrentamento ideológico. O diálogo das idéias cedeu espaço para o conchavo político, para a pratica do toma lá, dá cá e para a chantagem partidária. Para que o leitor tenha idéia do nível do debate sobre o novo Código Florestal, posto abaixo dois momentos bastante representativos do clima que paira sobre aqueles que irão dar a palavra final sobre esse assunto.

No primeiro vídeo, o deputado federal Sarney Filho recebe vaias de representantes dos ruralistas quando prestava homenagem a dois camponeses assassinados no Pará. Veja bem a que ponto chega a irracionalidade e a insensatez dos autores de uma manifestação inadequada e insensível. As vaias proferidas contra uma homenagem, a duas pessoas assassinadas brutalmente, desqualifica totalmente os seus autores.

 

 

Nesse outro vídeo, abaixo, podemos ver um dos inúmeros momentos de enfrentamento entre ruralistas e ambientalistas nos corredores do Congresso Nacional. A cena deixa claro que o espírito de entendimento e conciliação já não existe mais.

 

 

No embate destinado a impor “vontades” e convicções, os dados científicos ou as projeções econômicas são desmoralizadas ou utilizadas apenas nas partes que interessam a um dos lados. A isenção e a racionalidade perderam espaço para a passionalidade de argumentos vazios e isolados. O debate de alto nível, sério e fundamentado unicamente nos interesses nacionais está cada vez mais distante. Desse cenário emerge cada vez mais um futuro sombrio e preocupante para o jovem Brasil.

O biogeógrafo Jared Diamond, em seu livro Colapso – Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso (Ed. Record/2005) descreve claramente situações muito apropriadas para o Brasil atualmente. Ele nos apresenta, de forma bem fundamentada, o chamado “suicídio ecológico”, que ocorre quando as nações tendem a colocar a ganancia financeira acima da capacidade dos seus recursos naturais.

Cabe aqui mencionar também as reflexões do pensador Nassin Taleb em seu livro A Lógica do Cisne Negro – O Impacto do Altamente Improvável (Ed. Best Seller/2009). Taleb nos ensina como somos frágeis diante da imprevisibilidade das coisas, do quanto é importante “baixarmos a bola” das nossas certezas e atentar mais para as pequenas nuances que podem se transformar em tragédias.

Esperar um resultado positivo para o país após a votação do novo Código Florestal, que deve acontecer ainda esse mês, é ser otimista demais. Não podemos esperar que o fruto da árvore da discórdia seja bom e saboroso. Infelizmente, mantido o atual modelo de enfrentamento, restará ao Brasil um documento altamente perigoso, seja qual for o lado vencedor.

A votação do novo Código Florestal é apenas uma, dentre as muitas escolhas importantes que o Brasil será obrigado a fazer daqui pra frente. E todas, sem dúvida, estarão atreladas de alguma forma, ao tema ambiental.

Se não aprendermos a encarar os nossos problemas de forma madura e responsável, o Brasil continuará seguindo sozinho, perdido em suas escolhas. Pobre jovem.

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ANIMAÇÃO DA NASA MOSTRA EVOLUÇÃO DA TEMPERATURA NA TERRA DESDE 1880.

A impressionante animação que você poderá ver abaixo foi produzida pela NASA (Agência espacial americana), com base no registro de temperaturas médias ao redor do planeta desde o ano de 1880.

Um outro dado alarmante chama atenção no estudo da NASA: as 09 maiores temperaturas já registradas no planeta ocorreram a partir do ano 2000.

Segundo os cientistas que trabalharam no projeto, o dióxido de carbono (CO2) continua sendo o principal responsável pelo Efeito Estufa ao redor da Terra.

Caso tenha alguma dificuldade para visualizar o vídeo, você poderá assisti-lo diretamente no site da NASA:
 http://www.nasa.gov/topics/earth/feature…

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O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, João Pedro Stédile, afirmou que a RIO+20 – reunião da ONU que será realizada em junho, na cidade do Rio de Janeiro, para debater os rumos ambientais do planeta – será apenas um “teatrinho governamental”.  Stédile proferiu sua sentença na tarde de ontem, durante palestra no Fórum Social Temático (FST) que está sendo realizado no Rio Grande do Sul.

O pensamento de Stédile, infelizmente, ainda encontra respaldo em grande parte do atual pensamento ambiental brasileiro, particularmente entre as ONGs ambientais, que continuam enxergando a sua “causa” apenas como um espaço para o debate ideológico e o exercício da doutrina comunista dos anos sessenta. Para esse grupo, a RIO+20 será um teatro por que lá estarão os “opressores capitalistas”, que são financiados pelas grandes corporações financeiras.

Para os eco-comunas (o cacófago foi proposital) a sustentabilidade deve ser alcançada, sobretudo, pela quitação do passivo social através da utilização dos ativos ambientais. Eles subvertem a lógica para pregar o desequilíbrio. A harmonia da tríade social-ambiental-econômica se perde quando, por exemplo, o MST invade áreas de florestas nativas para “plantar” assentamentos predatórios e insustentáveis. O mesmo ocorre no momento em que são possuídos pelo espírito de Lenin e praguejam contra as obras que são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil. O ambientalismo vermelho dispensa relatórios técnicos e científicos. Para eles, o que importa são os velhos bordões da esquerda festiva, do tipo “o povo unido jamais será vencido”.

Foi exatamente a 20 anos atrás, durante a realização da ECO 92, que os movimentos social e ambiental começaram a se entender. Até então, um via o outro com desconfiança. Para os ambientalistas daquela época, os sindicatos queriam apenas mais empregos (a qualquer custo) e para os sindicalistas, os ambientalistas queriam apenas a preservação dos bosques (mesmo que isso resultasse em menos empregos). Após um período de tolerância e aproximação entre esses segmentos, deu-se o inevitável e o indesejado: o movimento ambientalista foi contaminado ideologicamente e tornou-se politicamente incorreto qualquer crítica que se faça aos “companheiros de luta”. Mesmo que muitos dos tais companheiros continuem enxergando as florestas como terra improdutiva. A cegueira ideológica que turva os olhos de alguns ambientalistas, não permite a eles ver a degradação ambiental produzida por alguns membros do próprio segmento social.

Se a RIO+20 não resultar em medidas efetivas para a conservação do meio ambiente será, principalmente, pela falta de compromisso dos atuais governantes com o futuro do planeta, independente da sua matiz ideológica. Não podemos desacreditar qualquer iniciativa antes mesmo dela acontecer. As críticas, mais do que bem vindas, são necessárias e ajudam a apurar os resultados, porém, melhor é aquela crítica que é feita por quem não costuma deixar o próprio rabo atravessado na estrada.

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Quando publiquei o artigo Gateiros e Cachorreiros – Eita Raça, foram muitas as manifestações dos leitores. Em quase sua totalidade, de pessoas que se identificam com essa causa e que, em maior ou menor grau, se envolvem diretamente nas ações de proteção aos animais domésticos. Naquele artigo eu afirmei que esse grupo de cidadãos tinha um poder enorme em suas mãos, apesar da grande maioria ainda desconhecer esse potencial de mobilização e de mudanças. Eu não estava errado. E digo isso sem a arrogância dos que querem bradar que são os donos da razão.

A minha certeza foi confirmada pelos recentes casos envolvendo maus-tratos a animais, que foram divulgados na imprensa e que ganharam enorme destaque nas mídias sociais. Se ocorrer qualquer punição – ainda que pequena – aos responsáveis por esses atos de barbaridade, ela será o resultado do esforço de milhares de gateiros e cachorreiros que se indignaram e se mobilizaram. Quem agiu nesses casos não foi a polícia, não foi a justiça e muito menos foi a lei. Quem agiu foi o cidadão comum, foram as donas de casa, foram os estudantes, os professores, enfim, foram todos aqueles que independente das suas profissões são, acima de tudo, pessoas com amor no coração e que aceitam o desafio de falar e de cobrar justiça em nome dos animais.  Os agentes públicos apenas responderam a um clamor que não podia ser ignorado. Eis ai o poder.

E o poder incomoda. Ainda mais se usado de forma inteligente, como nesse caso. Não foi necessário invadir fazendas, não foi preciso queimar pneus nas ruas e muito menos fazer piquete em porta de fábrica ou paralisar atividades essenciais com greves para que a imprensa fosse instigada a cobrir os casos e os agentes públicos forçados a se posicionarem com alguma atitude convincente.

Claro que, como diz o ditado, a inveja mata. E foi exatamente a inveja, aliada ao despeito, que motivou algumas pessoas a criticarem o movimento dos defensores de animais. Muitos cobraram a mesma atenção para as crianças abandonadas ou para velhinhos nos asilos. Essa cobrança só vem certificar o poder de mobilização dos gateiros e dos cachorreiros. As pessoas que criticaram, com certeza viram a força que eles têm e agora querem que eles resolvam os outros problemas do país. Por outro lado, as criticas também certificam a incapacidade de outros movimentos sociais de alcançarem êxito parecido. Os críticos perderam uma boa oportunidade de aprender como se faz. Vão continuar destilando o seu rancor no conforto da imobilidade.

Não restam dúvidas sobre o potencial de crescimento do movimento de defesa animal. Aliás, em breve teremos eleições para prefeitos e vereadores e penso que seria uma excelente oportunidade para que se façam cobranças e se consiga o comprometimento dos políticos para a causa.

Apesar de não ser um especialista no assunto e nem militar diretamente nessa área, gostaria de fazer uma sugestão aos gateiros e cachorreiros: unam-se em torno de uma proposta única. Uma proposta que possa trazer benefícios para todos os protetores. Abram mão das reivindicações individuais e lutem pelo coletivo. A dispersão é a principal inimiga desse movimento que tem tudo para ser um dos mais fortes desse país.

Ao refletir sobre isso, me veio a mente uma idéia que gostaria de compartilhar com os protetores: por que não lutar pela criação do SUS ANIMAL. Sim, SUS – Sistema Único de Saúde, público e gratuito, voltado a atender a todos os animais desse país. Penso que é uma idéia ousada, mas perfeitamente viável. Desconheço a existência de algo parecido no Brasil ou em qualquer outro país do mundo.

Imaginem o poder público disponibilizando hospitais veterinários para atender os animais domésticos, vítimas de acidentes, abandono ou violência? Um local onde o protetor poderia levar, durante 24 horas por dia, o seu animal para receber atendimento gratuito. E não estou falando de esmolas veterinárias e muito menos de um atendimento restrito, como no caso das castrações. Penso num Pronto Socorro nos mesmos moldes dos que atendem a população humana. Por que não?

Para as universidades seria uma excelente oportunidade para oferecer o estágio obrigatório e a prática veterinária para os seus alunos. Esses hospitais veterinários também poderiam atuar como centros de vacinação e oferecer ao poder público uma ótima oportunidade de controlar as diversas zoonoses que assolam o país. E tanto faz se esses hospitais veterinários públicos forem estaduais, municipais ou federais. O importante é que eles existam e estejam aptos a atender uma demanda crescente e desamparada.

Para um prefeito de um município de médio porte, a implantação de um hospital veterinário público não é uma tarefa difícil e, muito menos, requer grandes investimentos. Com boa vontade e planejamento sério é perfeitamente possível implantar pelo menos 01 unidade em cada um desses munícipios. Para o governo federal nem se fala. Custaria pouco e traria um retorno enorme em termos de saúde pública. Por falar em governo federal, alguém já teve a curiosidade de levantar quantas centenas de milhões de reais o governo paga aos laboratórios privados para a compra de vacinas veterinárias, como a anti-rábica? Será que esses laboratórios não poderiam dar algo em troca? Como por exemplo, ceder medicamentos para abastecer os essas unidades públicas de saúde animal.

Enfim, é apenas uma idéia. Com certeza existirão outras melhores que essa. Mas sonhar é o primeiro passo em direção a realidade. Nunca fui, não sou e nem serei candidato. Mas se fosse, eu juro que compraria essa idéia e lutaria por ela. Estaria eleito e reeleito. Pode ter certeza.

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18.janeiro.2012 21:41:58

AGENDA AMBIENTAL 2012

Caros amigos leitores, depois de um pequeno recesso, o nosso blog volta com força total e muitas novidades que vocês poderão conferir em breve. E para começar bem 2012, nada melhor do que estar por dentro dos principais eventos ambientais programados para esse ano que, por sinal, promete ser decisivo na área ambiental. Abaixo você encontrará uma lista contendo seminários, congressos e encontros importantes no Brasil e no exterior. Tome nota:

 

MARÇO

Fórum Mundial de Sustentabilidade

De 22 a 24 de março de 2012. Manaus/AM

Site: http://www.forumdesustentabilidade.com.br

 

XV Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

De 18 a 21 de março de 2012. Belo Horizonte, MG.

Site: www.abes-dn.org.br/eventos/abes/xv_silubesa/email.html

 

GLOBE Conference & Trade Fair 2012

De 14 a 16 de março de 2012. Canada.

Site: http://2012.globeseries.com

 

Planet Under Pressure: New knowledge towards solutions

De 26 a 29 de março 2012, Londres.

Site: www.planetunderpressure2012.net

 

VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental – 2012

De 28 a 31 de março de 2012, Salvador/Bahia.

Site: http://midiasocial.rebea.org.br/foruns-de-ea

 

Water & Environment 2012 CIWEM’S ANNUAL CONFERENCE

De 20 a 21 de março de 2012. Londres

Site: www.ciwem.org/events/annual-conference.aspx

 

Fórum Mundial da Água de 2012 WWC

De 12 a 17 de março de 2012, Marselha, França.

Site: http://www.worldwaterforum6.org/index.php?id=80&no_cache=1&tx_ttnews[tt_news]=290

 

ABRIL

 

Waste Expo 2012

De 30 de abril a 02 de maio de 2012. Las Vegas (EUA).

Site: http://wasteexpo.com/wasteexpo2012/public/enter.aspx

 

GreenNationFest

13 a 22 de abril de 2012. Rio de Janeiro.

Site: http://www.greennationfest.com.br

 

MAIO

 

2012 Conference Call for Papers ISEE e 12 ª Conferência Bienal da Sociedade Internacional de Economia Ecológica.

De 29 de maio a 01 junho, 2012. Rio de Janeiro

Site oficial: www.isee2012.org

 

Congresso Mundial – ICLEI 2012

De 30 de maio a 02 de junho de 2012. Belo Horizonte/MG

Site: http://www.iclei.org/index.php?id=12186

 

Solar Expo 2012

De 09 a 11 de maio de 2012. Verona (Itália)

Site: http://www.solarexpo.com

 

Ambiental Expo 2012 – 3ª Feira Internacional de Equipamentos, produtos, serviços e tecnologias ambientais

De 23 a 24 de maio de 2012. Local: São Paulo/SP.

Site: www.ambientalexpo.com.br/pt-br/Home

 

III Congresso Ibero-americano de Fitoterapia

De 02 a 05 de maio de 2012. Foz do Iguaçu/PR.

Site: http://www.abfit.org.br/ciaf2012/

 

4ª Feira da Floresta

De 09 a 11 de maio de 2012. Gramado

Site: www.futurafeiras.com.br/feiradafloresta

 

JUNHO

 

Conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável – RIO+20

De 4 a 6 de junho de 2012. Rio de Janeiro

Site: www.rio20.info/2012

 

I CONGRESO LATINOAMERICANO DE ECOLOGÍA URBANA – Desafíos y escenarios de desarrollo para las ciudades latino-americanas.

12 e 13 de junho de 2012 – Argentina

Site: www.ungs.edu.ar/areas/eco_urbana_inicio/1/i-congreso-latinoamericano-de-ecologa-urbana.html

 

XXXIII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS

De 17 a 20 de junho de 2012. Salvador, Bahia.

Site: http://www.abes.locaweb.com.br/XP/XP-EasyPortal/Site/XP-PortalPaginaShow.php?id=633&min=0

 

VIII Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental

De 11 a 13 de junho de 2012. Porto Alegre/RS

Site: http://www.abes-rs.org.br/qualidade2012

 

JULHO

 

Congresso Internacional da ATBC – Association for Tropical Biology and Conservation – Associação para Biologia Tropical e Conservação

De 19 a 22 de junho de 2012. Bonito/MS

Site: www.atbc2012.org

 

1st International Conference on Environmental and Economic Impact on Sustainable Development Incorporating Environmental Economics, Toxicology and Brownfields.

De 03 a 05 de julho de 2012. Inglaterra.

Site: http://www.wessex.ac.uk/12-conferences/environmental-impact-2012.html

 

AGOSTO

 

XXVII Nordic Hydrological Conference – Nordic Water 2012

De 13 a 15 agosto de 2012. Oulu, Finland.

Site: http://nhc2012.oulu.fi/index.html

 

8th International Conference on Urban Climate – ICUC 8 and 10th Symposium on the Urban Environment

De 06 a 10 de agosto de 2012 – Dublin, Irlanda.

Site: http://www.icuc8.org

 

Fenasan – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente e Encontro Técnico da AESabesp – Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente

De 06 a 08 de agosto de 2012. São Paulo

Site: http://www.fenasan.com.br/index.php

 

VII Congresso Nacional de Excelência em Gestão

12 de agosto de 2012 – Rio de Janeiro

Site: http://www.excelenciaemgestao.org

 

SETEMBRO

 

II Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos em 2012

De 24 a 28 de setembro de 2012, Belém/PA.

Site: www.embrapa.br/imprensa/noticias/2011/agosto/3a-semana/belem-sediara-ii-congresso-brasileiro-de-recursos-geneticos-em-2012

 

The World Solid Waste Congress 2012

De 17 a 19 de setembro de 2012. Florença (Itália)

Site: http://www.iswa2012.org

 

EcoSummit 2012 – Ecological Sustainability

De 30 setembro a 05 outubro de 2012. Columbus (EUA).

Site: www.ecosummit2012.org/index.htm

 

OUTUBRO

 

Planeta Expo Feira de Tecnologias e Ações para a Preservação da Vida

De 03 a 05 de outubro de 2012. Local: São Paulo-SP.

Site: www.feiraplanetaexpo.com.br/planetaexpo1

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Na minha última publicação do ano, não poderia deixar de fazer um agradecimento muito especial para você, leitor dessa coluna. Em pouco mais de 100 dias de existência, esse espaço contou com a interação direta de milhares de leitores. Precisamente, foram 45.765 e-mails, recomendações nas redes sociais e comentários. E, em cada uma dessas interações, fortalecemos a existência de um espaço democrático, onde sempre foram muito bem vindas as críticas e as sugestões, através da participação direta do leitor.

O ano de 2012 será especialmente importante para a agenda ambiental. Teremos, finalmente, uma definição sobre o novo Código Florestal brasileiro, onde esperamos que prevaleça o bom senso e a responsabilidade. Também teremos a Rio+20 e, mais uma vez, líderes mundiais tentarão encontrar um caminho menos predatório para o futuro do planeta. Não podemos nos esquecer que 2012 é ano de eleições municipais. 5.500 prefeitos serão eleitos com uma responsabilidade muito maior na área ambiental, graças aos poderes que lhe foram conferidos pela Lei Complementar 140.

Após um breve intervalo, voltaremos logo no início de janeiro com a nossa coluna, cobrindo e analisando os principais fatos ambientais do nosso país. A todos, desejo um 2012 de muita paz, prosperidade e que o Brasil encontre o caminho do respeito ao meio ambiente! Até lá!

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Dener Giovanini

    Dener Giovanini é ambientalista e documentarista cinematográfico. É membro do Conselho Global contra o Comércio Ilegal Mundial, mantido pelo G20 e ONU. Produz séries e documentários para cinema e TV. www.denergiovanini.com.br

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  • Jamile Bahia: Puxa, só vi esse texto agora(tô com mais de 4000 e-mails na caixa de entrada, sem conseguir dar...
  • dani rotelli: Muito bom!!!
  • TATI: Eu também agradeço a sua nota, Dener! É muito importante a mídia estar conosco nessa causa animal. Um...
  • Roberto: Parabens à leitora Consuelo Marra, que informou corretamente. O blog está equivocado e a análise foi mal...

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