10.02.11
Calor, calor e mais calor!!! Até mesmo quem gosta de calor, como eu, tem reclamado um pouco.
Imagino como deve estar difícil o trabalho dos carteiros, garis e office boys que precisam andar por horas debaixo do sol forte. E mesmo à noite, para quem não tem ar condicionado, o calor não dá trégua e está difícil para muita gente ter uma noite de sono agradável.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Meteorologia, a temperatura mínima registrada hoje (10 de fevereiro) na cidade de São Paulo, na estação do Mirante de Santana, foi de 24,3 graus. Esta é a maior temperatura mínima registrada este ano e, aliás, desde o dia 27 de outubro de 2008, não era registrada no Mirante de Santana uma temperatura mínima tão elevada.
Quem está pedindo um pouquinho de frio, vai ter que ser paciente e resistente! Pelo menos, nos próximos dez dias, os modelos matemáticos de previsão do tempo não indicam queda significativa de temperatura por aqui.
As fotos abaixo são do amanhecer desta quinta-feira em São Paulo e foram tiradas pelo amigo Maurício Biroche.


25.01.11
Esta manhã de aniversário de Sampa está sendo marcada por um belíssimo SoL... A temperatura vai subir rápido, teremos um dia muito quente e a "cara" do tempo deve mudar completamente ao longo da tarde, pois tem previsão de pancadas de chuva e trovoadas.

Foto tirada pelo meteorologista Alexandre Nascimento às 07 horas desta bela terça-feira.
Esta é a característica marcante de Sampa no verão. No inverno, as condições do tempo são completamente diferentes. Normalmente os dias amanhecem com aquele denso nevoeiro e as tardes de inverno são um tanto cinzentas pela falta de chuva e o acúmulo de poluição.
Mas o que lhe agrada mais nas condições do tempo ou clima em Sampa???
Para mim, por exemplo, o clima de Sampa me "salvou" de terríveis dores de garganta que eu sofria em Pelotas/RS.
Pelotas, onde eu morei na maior parte da minha vida, é extremamente úmida durante o inverno. Nessa época do ano, a água escorre pelas paredes das casas. A combinação dessa umidade toda com o forte frio que faz por lá me deixava sempre muito doente. Desde que vim morar em São Paulo, há quase 7 anos, nunca mais sofri desse mal. Obrigada Sampa!!!
Feliz Aniversário São Paulo :)
24.01.11
A noite desse domingo (23 de janeiro) foi tensa na capital paulista. Choveu muito forte em vários bairros da cidade e os relâmpagos e trovões foram frequentes e assustadores. O período de duas a três horas de chuva forte foi suficiente para provocar 46 pontos de alagamento (segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências - CGE) e o transbordamento do rio Tietê em alguns pontos da Marginal.
O temporal foi característico de verão. As nuvens carregadas se formaram por conta do calor e da alta umidade do ar e a chuva foi mal distribuída pela cidade. Os maiores volumes acumulados foram observados na Zona Leste, Zona Norte, Centro e região do Ipiranga. Por outro lado, em alguns bairros da Zona Sul, pouco choveu.
A figura abaixo mostra a distribuição da chuva em alguns pontos de medição da cidade. Segundo o CGE, o maior volume foi registrado na subprefeitura de Vila Maria/Vila Guilherme (ZN) com 187,5 mm. Já na subprefeitura do M'Boi Mirim (ZS), o acumulado foi de apenas 0,6 mm.
No Ipiranga foram acumulados 114,5 mm (CGE), no Belenzinho 146,2 mm (Rede telemétrica SAISP) e em Parelheiros 16,0 mm (CGE).

Na estação oficial da cidade, no Mirante de Santana, que pertence ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o acumulado foi de 88,7 mm. Somando a chuva no Mirante de Santana, desde o dia 01 de janeiro até agora, temos 466,9 mm acumulados. Este valor corresponde a 76% acima do normal para o mês. A previsão para esta semana é de mais chuvas de verão e podemos fechar este mês de janeiro de 2011 com um recorde histórico. De acordo com o INMET, desde que começaram as medições no Mirante de Santana, em 1943, o maior volume de chuva em um mês de janeiro foi em 1947 com 481,4 mm. No ano passado, chegamos muito perto desse valor. Janeiro de 2010 fechou com 480,5 mm de chuva.
ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
Nesta terça-feira (25 de janeiro), a cidade de São Paulo completa 457 anos. O feriado vai começar com tempo bem aberto. As atividades no período da manhã, como o Bike Tour, devem ocorrer com bastante sol e calor. A mínima prevista para a capital paulista nesta terça-feira é de 19 graus e a máxima de 32 graus. No entanto, como é característico nesta época do ano, ao longo do dia as nuvens crescem e ficam carregadas. No decorrer da tarde e durante a noite, tem previsão para pancadas de chuva e há risco novamente de temporal em algumas áreas.
18.01.11
A chuva intensa que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro na semana passada chamou a atenção do mundo inteiro.
Chuvas fortes no verão, na Região Sudeste do Brasil, são muito comuns. Esta é realmente a época de chuva. Se não chover agora, os reservatórios não são abastecidos e podemos ter sérios problemas no inverno, durante o período de estiagem.
Porém, a chuva que caiu na região serrana do Rio de Janeiro, em apenas dois dias, foi um “evento extremo” em meio a esse período de chuvas fortes. E o impacto foi tão avassalador, pois o volume excessivo de água caiu sobre uma área de encosta.
Segundo os dados da estação automática do INMET, na cidade de Nova Friburgo, entre às 19 horas de segunda-feira (10 de janeiro) e às 13 horas de terça-feira (11 de janeiro), choveu com moderada a forte intensidade, acumulando 115, 2 mm. Durante a noite de terça-feira a chuva retornou e foi mais intensa, avançando pela madrugada. Foram acumulados, entre às 18h de terça-feira e às 08h da manhã de quarta-feira (12 de janeiro), mais 165,6 mm de chuva. Um valor absurdamente alto, para um curto período de tempo. Sendo que só em uma hora (entre às 02 e 03 horas da madrugada), choveu 63 mm.
De acordo, com os padrões meteorológicos, 25 mm por hora, já é considerado chuva forte. Imagine uma quantidade de 63 mm de água cair em uma hora... Foi realmente uma chuva muito forte.
Portanto, como mostra o gráfico abaixo, em menos de 48 horas, foram acumulados 280,8 mm de chuva em Nova Friburgo. Este valor excede a média de chuva para todo o mês de janeiro, que é de 209 mm.
O total de chuva acumulada em Nova Friburgo, desde o dia 01 até o dia 17 de janeiro já está em 442,4 mm, ou seja, mais do que o dobro do normal para o período.

O verão é a época de chuva nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, basicamente pela combinação de dois fatores: CALOR + UMIDADE.
O padrão de ventos na atmosfera muda em função das estações do ano e, estas são diferentes devido à posição da terra em relação ao sol.
O vento é originado, por conta de gradientes de temperatura (recebimento diferencial de radiação solar em diferentes lugares), que geram gradientes de pressão atmosférica.
No verão o padrão de circulação dos ventos faz com que a umidade da Amazônia chegue às Regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.
Essa umidade em conjunto com o calor típico desta época do ano, favorece a formação de nuvens carregadas, que provocam as pancadas de chuva. Por isso é comum nessa época do ano, o dia começar com sol, daí vai esquentando, e no fim da tarde vêm os temporais. A chuva forte, com raios, acontece com a formação de nuvens do tipo Cumulonimbus, que têm grande extensão vertical.
No caso da Serra fluminense, houve um agravante para potencializar a chuva, que foi a chegada de uma frente fria.
As frentes frias avançam pelo Brasil o ano todo. No inverno, são rápidas e o seu maior impacto é na queda de temperatura, pois são acompanhadas de fortes massas de origem polar. No verão as frentes frias são mais lentas e provocam mais chuva do que propriamente queda de temperatura significativa.
Além disso, um fenômeno meteorológico conhecido no verão por provocar bastante chuva, é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que está associada ao transporte de umidade proveniente da Amazônia com uma frente fria estacionária no Atlântico, ao largo da Região Sudeste. Este fenômeno se configura pela presença de uma extensa faixa de nuvens carregadas, com orientação noroeste-sudeste, que abrange desde o sul da Região Norte até o oceano Atlântico, passando sobre áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do país.
Este sistema é persistente, dura em média seis dias e, as áreas que estão sob estas nuvens carregadas, têm chuvas freqüentes e abundantes.
No caso da região serrana do Rio, a chuva mais intensa aconteceu com a chegada da frente fria. E este sistema ficou estacionário por vários dias, ao largo do litoral fluminense, mantendo as condições de chuva persistente. Depois do temporal do dia 12, foram acumulados mais 81 mm de chuva em Nova Friburgo, até o dia 17 de janeiro.
10.01.11
No dia 06 de março deste ano vou completar sete anos morando na cidade de São Paulo. Gosto muito de viver aqui e já me sinto um tanto paulistana, até mesmo no modo de falar. Quando vou para o Rio Grande do Sul, todos brigam comigo pois não utilizo mais o "tu", o "tchê", o "bah"...
Adoro a capital paulista por todas as oportunidades que ela oferece e, quem vive aqui sabe bem disso, principalmente no quesito cultura. Procurando bem, em São Paulo é possível apreciar boa música, bom filme, bom teatro pagando pouco ou às vezes até nada.
Mas viver aqui durante o verão não é algo fácil, pois os temporais que acontecem nesta época do ano não nos dão sossego. Janeiro do ano passado foi marcante pra mim. Janeiro é climatologicamente o mês mais chuvoso em São Paulo. No ano passado a chuva foi absurdamente acima do normal. Lembro que por vários dias as chuvas começavam nos fins de tarde e varavam a noite e madrugada. Ouvi muitas histórias de moradores de áreas de risco que já não dormiam mais com medo de que suas casas fossem inundadas e, no dia seguinte, tinham que encarar normalmente horas de trabalho. Com que disposição se consegue fazer isso?
Também conheço pessoas que adaptam uma rotina nova nessa época do ano e isso, pra quem pode, é algo muito inteligente. Uma amiga que é oficial de justiça e precisa rodar a cidade para entregar suas intimações, durante esta época do ano concentra todos os seus afazeres para o período da manhã. Acorda bem mais cedo do que o normal e resolve tudo logo para não correr o risco de estar na rua no final da tarde.
Essas chuvas de verão são muito importantes, pois é essa água que abastece os nossos reservatórios para que não tenhamos problemas durante o inverno, quando enfrentamos o período de estiagem. Porém, a intensidade e o volume dessas chuvas associados à falta de infraestrutura da cidade geram todo o caos que conhecemos bem. É difícil imaginar se teremos melhorias num futuro próximo.
Nestes primeiros dias de 2011 já choveu muito em São Paulo. De acordo com as medições do Instituto Nacional de Meteorologia, na estação do Mirante de Santana, foram acumulados entre às 10 horas do dia primeiro até às 10 horas desta segunda-feira (10), 185 mm o que corresponde a 72% da média para todo o mês.
Abaixo segue algumas fotos tiradas pelo Bike Reporter da Eldorado, Felipe Aragonez, de uma árvore que caiu no sábado (08) à tarde, na confluência das Ruas Itamira e Deputado João Sussumu Hirata, depois da chuva forte.
Ele relatou que tem uma obra do lado, o solo cedeu e a árvore não aguentou.



15.12.10
Esta semana está sendo marcada por muita chuva na cidade de São Paulo, devido à influência de uma frente fria. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Meteorologia, entre às 10 horas da manhã de segunda-feira (13 de dezembro) e às 10 horas da manhã desta quarta-feira (15 de dezembro), choveu 80,6 mm na estação do Mirante de Santana que fica na Zona Norte da cidade. Este valor corresponde a 40% do normal de chuva para o mês de dezembro, que é de 202 mm. No total, do dia 01 de dezembro até agora, já foram acumulados 198 mm de chuva.
O temporal que caiu na segunda-feira na capital paulista provocou queda de árvores, muitos pontos de alagamento e o transbordamento do córrego Aricanduva. Quem estava no trânsito ou a pé naquele final de tarde enfrentou muitos transtornos.
O biker repórter da Eldorado, FELIPE ARAGONEZ, enfrentou a chuvarada naquele fim de tarde/noite para passar as informações do trânsito e fotografou o Rio Pinheiros, na altura da ponte do Morumbi, que parecia que também iria transbordar.




Nos próximos dias, o sol reaparece em São Paulo e a temperatura entra em elevação. No entanto, a umidade permanece elevada e as pancadas de chuva ainda vão ser frequentes até o fim de semana.
22.09.10
Esta semana começou muito complicada em São Paulo com as fortes pancadas de chuva que tivemos nas tardes de segunda e de terça-feira.
Nós, da Climatempo, erramos a previsão do tempo para estes dois dias. Depois de um fim de semana frio e úmido, falei em meus boletins da manhã na rádio Eldorado que naquela segunda-feira voltaríamos a ter sol, calor e tempo seco. O sol até apareceu um pouco neste dia, mas já no começo da tarde o tempo fechou, vieram as pancadas de chuva e por volta das 14 horas os termômetros marcavam apenas 18 graus na Zona Sul da cidade. Fiquei completamente arrasada!
Na terça-feira retorno ao trabalho e digo que o que aconteceu na segunda-feira não iria se repetir neste dia. Até o começo da tarde tudo ia bem. O sol brilhou forte e a temperatura chegou aos 29 graus. Porém, às 15 horas começo a observar o início da formação das nuvens carregadas que se desenvolveram até provocar a chuva intensa nas Zonas Norte e Leste da capital e uma quantidade absurda de granizo em Guarulhos. Ou seja, tudo foi ainda pior neste dia!

Foto da cidade de Guarulhos nesta terça-feira tirada por Guilherme Kastner, do Diário de Guarulhos.
Qual a explicação para tantos erros?
A "ferramenta" principal de trabalho para se prever as condições atmosféricas futuras são os "Modelos Numéricos de Previsão do Tempo". A atmosfera é representada através de equações matemáticas que são resolvidas por supercomputadores. Esses resultados estimam de forma dinâmica o comportamento das variáveis meteorológicas em dias posteriores na forma de "Campos Meteorológicos". Nós, meteorologistas, interpretamos estes campos (de pressão, vento, temperatura e etc. em diferentes níveis da troposfera) e determinamos finalmente se em "tal" dia teremos sol, calor, frio, chuva e etc.
Além disso, diariamente fazemos o acompanhamento do tempo utilizando outros recursos como as imagens de satélite e as imagens de radar. As imagens de satélite mostram nuvens e através destas podemos identificar os "Sistemas Meteorológicos", como uma frente fria, por exemplo. As imagens de radar mostram chuva em suas diferentes intensidades.
Em nossas reuniões diárias para a previsão do tempo, analisando os modelos numéricos, não identificamos as condições para a chuva nestes dois dias em São Paulo.
Na segunda-feira, houve a formação de muitas áreas de instabilidade sobre o Sul do Brasil. Parte desta instabilidade que estava no Paraná entrou no sul do Estado de São Paulo, se deslocou e atingiu a Região Metropolitana. Na terça-feira a chuva intensa que causou o granizo teve a sua formação sobre a Região Metropolitana.
Para haver a formação das nuvens do tipo Cumulunimbus (Cb), que provocam tempestade, é necessário ter calor e umidade. O calor já era esperado, só não contávamos com a fonte de umidade que veio através da mudança na direção do vento naquele dia, que passou a soprar do mar pra cá. O ar mais quente e leve subiu, resfriou-se e permitiu a condensação da umidade. Dessa forma, pelo processo de convecção, houve a formação da nuvem do tipo Cb que possui um grande desenvolvimento vertical. No topo desta nuvem a temperatura atinge valores de 50 a 70 graus NEGATIVOS. A temperatura negativa forma o gelo, que devido as correntes ascendentes e descentes dentro da nuvem, forma o granizo, que pesa e atinge o solo.
A quantidade de granizo que caiu em Guarulhos foi excepcional e não é comum acontecer durante o inverno. Amanhã já começa a primavera e ao longo desta estação já será mais comum ter calor e alta umidade que favorecem a ocorrência das fortes pancadas de chuva. Porém, a primavera é uma estação de transição entre o inverno tipicamente seco na Região Sudeste para o verão tipicamente chuvoso. Por não ser uma estação tão bem definida a previsão do tempo torna-se um desafio ainda maior.
Depoimentos dos meteorologistas sobre esses erros:
FABIANA WEYKAMP - Ontem o que mais lembrei foi de um filme que vi há alguns anos atrás chamado "O sol de cada manhã" com o ator Nicolas Cage. Neste filme ele é um meteorologista que apresenta o tempo na TV. Ao sair as ruas, as pessoas passam por ele e gritam: "Olha o homem do tempo" e atiram coisas nele do tipo sanduíche, milk shake e etc. Essas cenas horríveis me faziam pensar o quanto os ouvintes da Eldorado deveriam estar bravos comigo diante dos grandes furos da previsão.
CAMILA RAMOS - Quando vi a primeira gota de chuva no vidro do carro eu até tentei limpar sempre pensando: "Não é possível!!!" Quando alguém te conta que pegou chuva você ainda pode pensar que alguém está tentando te enganar, mas eu acabei pegando esta chuva ao vivo e a cores. Para completar a tragédia, eu estava andando pela Celso Garcia, e como se não fosse suficiente estar chovendo granizo, a rua começou a alagar! A primeira sensação foi de negação, depois veio a tristeza e depois que esta passou comecei a apreciar o granizo porque afinal de contas meteorologista não é de ferro.
MARCELO PINHEIRO - Era apenas mais uma tarde ensolarada de final de inverno em São Paulo. De repente os radares começaram a mostrar áreas de chuva se formando na região. Eu e minha companheira Fabi ficamos monitorando. E aí que surgiu um monstro. Ali no centro-leste da capital e virou gente grande. Avançou pela região metropolitana e despejou muito gelo na forma de granizo. De tanto gelo acumulado, a cidade denominada, outrora, como Guarulhos ficou com ares de Barilhoce (cidade argentina famosa pelas nevascas), ou seja, a nova "Guariloche". A prima vera é sinistra mesmo!
PATRÍCIA MADEIRA - Trabalho há muito tempo na previsão, e a sensação não muda quando as coisas não são exatamente como eu gostaria. Primeiro vem a sensação de incredulidade: será que está acontecendo mesmo? E toca a procurar dados, satélite, radar, metar. Depois vem aquela preocupação com as pessoas. E quem não levou guarda-chuva? Esfriou e as mães não agasalharam seus filhos! Se tiver enchente então, muito pior, dá vontade de sumir, dói a cabeça. Numa situação de granizo como ontem, tirando o encanto de ver um fenômeno meteorológico tão bonito, fica a sensação de "o que foi que eu não enxerguei? Será que não olhei tudo o que devia? Pesquisei instabilidade, modelos, dias anteriores?". Normalmente chego à conclusão que não, algo ficou pra trás. E, antes tarde do que nunca, procuro entender o que a atmosfera escondeu de mim, já que as explicações são inevitáveis. Poder explicar, aliás, é um privilégio e é necessário, as pessoas têm o direito de saber exatamente porque errei. E a partir daí começa novamente o trabalho de convencimento: escutar a previsão do tempo ainda vale a pena! Estamos sempre aprendendo!
ALEXANDRE NASCIMENTO - Como uma criança que foi para a escola e fez coco na calça. Você cometeu um erro grave, não tem como esconder de ninguém e o que você mais gostaria no seu íntimo era de cavar um buraco e se enterrar. Mas como não dá, vai para casa, troca de roupa e bola pra frente!!!
JOSÉLIA PEGORIM - QUE MERDA! DROGA! ERRAMOS PELO SEGUNDO DIA SEGUIDO!
Quem estava na sala da previsão da Climatempo na tarde de terça-feira me ouviu falando alto estes e outros impropérios. Duvido que algum meteorologista que faz previsão, e que seja minimamente comprometido com o dia a dia da profissão, não tenha se irritado muito com o que aconteceu. Quando acontece um erro assim, a sensação de desconforto é enorme. E para piorar a coisa, teve a granizada em Guarulhos. Acho que para os meteorologistas que fazem previsão é quase unânime que o pior erro é dizer que não vai chover e chove. Tenho muito mais tempo de trabalho na previsão do tempo, e de contato com o público, que meus colegas de equipe, mas mesmo assim, um erro grave como este irrita até hoje. Hoje, não choro mais porque errei, mas já chorei muito. Endureci na lida, mas não esqueço meu primeiro choro meteorológico. Em um domingo, dos idos do começo dos anos 1990, chorei mais que a chuva que caía e inundou Sampa, porque disse no rádio que a chuva de Mato Grosso do Sul não ia chegar aqui. E naquele domingo chovia, chovia, e não parava, chovia e Sampa foi alagando, alagando. Na época, o Magno me consolou, pois já era mais experiente do que eu. Brincou comigo: "tá vacinada, agora bola pra frente". Disse várias vezes aos meus ouvintes de rádio: não dá para voltar no tempo e corrigir o erro da previsão. Quando acontece, a gente limpa mesa, zera o cronômetro e continua o dia com a nova realidade. A gente aprende também que é muito importante ser transparente e honesto consigo mesmo e com o público, e não ter vergonha de assumir que errou.
07.09.10
Depois de um longo período de tempo seco, voltou a chover neste feriado de 7 de setembro em grande parte do Estado de São Paulo.
Uma nova frente fria favoreceu a formação de nuvens carregadas e, em muitas localidades, a chuva caiu forte e acompanhada de raios.
Na capital paulista, o tempo já havia fechado no domingo, mas até a segunda-feira só tinha chuviscado na cidade. Nesta terça-feira a chuva voltou a cair forte. Até às 13 horas o Centro de Gerenciamento de Emergências já havia divulgado sete pontos de alagamento, mas todos transitáveis.
Na estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia, localizada no Mirante de Santana, na Zona Norte da cidade, entre às 9 horas da manhã e meio-dia o acumulado de chuva era de 10,4 milímetros.
As figuras abaixo mostram uma imagem de satélite e uma imagem de radar do começo da tarde desta terça-feira.


Amanhã o tempo segue úmido na capital paulista, mas só há condições de chuva fraca e a partir de quinta-feira o sol reaparece.
11.08.10
Depois da visita ao Vale do Jequitinhonha (que relatei no post anterior), passei o restante das minhas férias em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Não presenciei a neve que caiu na serra e que alegrou muito os turistas, mas sem exageros, posso garantir que quase todos os 20 dias que estive lá foram gelados no sul gaúcho. Em raras vezes, talvez dois ou três dias, a temperatura conseguiu passar um pouquinho dos 20 graus. Na maior parte do período as mínimas ficaram abaixo de 05 graus e as máximas entre 13 e 15 graus.
Há quem diga, os meus colegas meteorologistas principalmente, que eu sou uma gaúcha falsificada por não gostar de frio. Mas conversando com outros gaúchos, pude reparar que muitos reclamam do frio; isso sem contar as pessoas que moram em situação precária ou mesmo as que vivem nas ruas. Não são incomuns as notícias de pessoas que morrem literalmente de frio nesta época do ano.
Como prova de que nem todo gaúcho é apreciador do frio, trouxe comigo um recorte do jornal local com a coluna de Tânia Cabistany que expressa sentimento semelhante ao meu.
PS: Não sendo possível lê-lo por aqui, você pode encontrar o mesmo texto no site: http://www.diariopopular.com.br/site/content/blogs/detalhe-conteudo.php?post_id=2488
Agora, de volta ao trabalho e de olho nas previsões, não só do Rio Grande do Sul, mas de todo o país, preciso contar que teremos uma nova onda de frio nos próximos dias que irá atingir toda a Região Sul e também parte do Sudeste e do Centro-Oeste.
Uma nova frente fria acompanhada de uma grande e forte massa polar começa a avançar sobre o Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (12) provocando chuva. Na sexta-feira (13) a frente fria avança sobre os demais Estados do Sul e chega à noite a São Paulo. No fim de semana o ar vai estar gelado por todo o Sul, com condições para a formação de geada em muitas localidades. Ah! Não dá para descartar também a possibilidade de neve novamente em algumas localidades das serras gaúcha e catarinense.
Em São Paulo o fim de semana será frio e úmido especialmente nas localidades do sul e do leste do Estado, que inclui a Região Metropolitana, o litoral, a Mantiqueira e os vales do Paraíba e do Ribeira. No Rio de Janeiro, no Sul de Minas e na Zona da Mata Mineira o fim de semana também será marcado por temperatura baixa e períodos de chuva.
De certa forma para grande parte do interior paulista e também em Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso, apesar de não haver previsão de chuva significativa, a influência desta frente fria vai aumentar de forma considerável a umidade, o que trará um pouco de alívio para o desconforto causado pelo ar muito seco deste período do ano. A temperatura também vai cair uns bons graus nestas áreas, embora não demore muito tempo para subir novamente!
Mas e quanto a você? Qual estado de tempo lhe agrada mais?
22.07.10
A experiência de conhecer o Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, e o trabalho realizado pela ONG "Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento - CPCD" superou as minhas expectativas.
* O percurso
A viagem de Porto Seguro (BA) a Araçuaí (MG), durou sete horas (contando algumas paradas). O percurso é de aproximadamente 440 km, sendo que pouco mais de 60 km, a partir da divisa entre BA e MG, é de estrada de terra, passando por alguns pequenos vilarejos. Em Minas, grande parte do trajeto foi às margens do belo rio Jequitinhonha.


Rio Jequitinhonha
* O CPCD
Quando assisti na televisão pela primeira vez, no final do ano passado, uma entrevista com o Tião Rocha, que é o idealizador desta ONG, senti que havia algo muito especial naquele trabalho e naquele lugar. Infelizmente, não pude o conhecer pessoalmente, pois ele estava trabalhando no Maranhão, mas conheci pessoas brilhantes, que realizam o trabalho de uma forma transformadora e cheia de amor. Uma moça maravilhosa chamada Luciana foi a minha guia pelo projeto, mostrando tudo de forma interessante e muito agradável.
As atividades realizadas pela ONG são muito amplas, com determinados propósitos e que atendem pessoas de diferentes idades, mas tudo funciona em perfeita sinergia e seguindo uma mesma filosofia.
O projeto que me atraiu até lá foi o "Caminho das Águas". Como sabemos, a chuva cai no Vale do Jequitinhonha de forma muito irregular durante o ano, tendo longos períodos de tempo muito seco, o que acarreta aos conhecidos problemas econômicos da região.
O desemprego faz com que muitos homens migrem ao Estado de São Paulo para trabalhar no corte de cana (trabalho duro, que normalmente acontece de forma semi-escrava), deixando suas mulheres e filhos sozinhos por muitos meses a cada ano. A cultura do artesanato e das cantigas é forte na região e expressa a realidade local. Um versinho de uma cantiga que nunca mais vou esquecer é: "O dinheiro de São Paulo é dinheiro excomungado. Foi o dinheiro de São Paulo que levou meu namorado", que trata desta migração dos homens.
O projeto Caminho das Águas tem o propósito de melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram na área rural a partir da boa e correta utilização dos recursos da natureza. A ONG possui o "Sítio Maravilha" onde lá é realizada toda a parte experimental, utilizando tecnologias alternativas e a prática da permacultura, que é passado em seguida para os pequenos sítios nas comunidades.

Foto 1

Foto 2
As fotos 1 e 2 mostram um dos exemplos do Sítio Maravilha que é a horta mandala que proporciona uma série de benefícios para a planta e para o agricultor.
* As mães cuidadoras
Em São João Setuba, na comunidade Olinto Ramalho, conheci o sítio da D. Fatinha. Lá encontrei as "Mães Cuidadoras", que são as mulheres da região que multiplicam os feitos do Sítio Maravilha na comunidade. Fiquei impressionada e muito emocionada com os relatos dessas mulheres. A D. Fatinha mostra-se uma pessoa muito batalhadora. É mãe de dez filhos e vários deles estão no momento no corte de cana em São Paulo. Ela cuida de seu "quintal maravilha" com muita dedicação. Com a mudança na maneira do trato da terra, a partir do que foi proposto pelo projeto, a família alimenta-se com legumes, verduras e frutas de ótima qualidade e ainda sobra para vender na feira.
No sítio de D. Fatinha, pude acompanhar as mães cuidadoras preparando o composto orgânico e também fazendo a biofertirrigação. Neste sítio não há desperdícios e cuida-se bem do lixo. O rio Setuba que passa por ali é poluído e por isso a sua água não pode ser utilizada para beber. Assim, foi construído, através do projeto, uma caixa que capta a água da chuva. Seguindo a linha de reaproveitamento e do não desperdício de água, há também o banheiro seco no local. No banheiro seco a matéria fecal é acumulada dentro de um balde. A cada utilização do banheiro joga-se logo em seguida matéria seca, como por exemplo, pó de serragem, o que inibe o mau cheiro. Quando o balde fica cheio vai para uma câmara de compostagem quente. Ali, as fezes são transformadas por microorganismos em um adubo da melhor qualidade. Além de não gastar água para a descarga, esse banheiro inteligente não joga sujeira no solo e nos rios.
Outra coisa que me chamou muito a atenção, foi a beleza da pintura da casa, do banheiro seco e da caixa d´água. O mais impressionante disto é que a tinta utilizada para essas pinturas foi a tinta de terra. Os diferentes tons de terra que são encontrados na região, quando combinados com cola e água, dão origem a cores maravilhosas que podem ser utilizadas para a pintura e nem percebe-se diferença significativa entre as tintas comuns que utilizamos.

D. Fatinha

Mães cuidadoras

Preparo do composto orgânico

Biofertirrigação na mandala

Irrigação por gotejamento

Caixa para captação de água da chuva (a pintura da caixa é com tinta de terra)

Banheiro seco (a pintura do banheiro é com tinta de terra)

Fundos do banheiro seco
* Outros bons conhecimentos
Além da parte ambiental conheci outras atividades maravilhosas, como o "Cinema Meninos de Araçuaí", a "Fabriqueta de Software", a "Fabriqueta Dedo de Gente" e o "Ser Criança".
Também acompanhei numa noite um pouco da Folia da Água na Comunidade Alfredo Graça. A Folia da Água segue a tradição da Folia de Reis. Tem estandarte, cantoria e o cortejo pelas ruas, mas neste caso quem é louvado é a água. As cantigas tradicionais foram adaptadas em homenagem a água e ficaram muito legais.

Cinema Meninos de Araçuaí.
** O investimento deste cinema foi promovido pelo trabalho do coral "Meninos de Araçuaí", que inclusive, esteve se apresentando no mês passado no Parque Ibirapuera em São Paulo. Quem toma conta deste cinema são jovens que, além de proporcionar sessões de filmes para a cidade de Araçuaí também produzem filmes. Assisti alguns curtas maravilhosos deles, como por exemplo "Ausência". Alguns curtas já foram premiados e podem ser vistos no site http://www.cpcd.org.br/

Jovens que trabalham na Fabriqueta de Software

Jovens que trabalham na Fabriqueta Dedo de Gente.
** Neste setor são fabricados móveis belíssimos. Em outros setores da Dedo de Gente são produzidos artesanato e doces.

Um dos produtos da Dedo de Gente utilizando ferro

Projeto Ser Criança

Cantoria na Folia da Água

Crianças na Folia da Água
* O tempo
Não preciso nem contar que nos dias em que estive na região não choveu. O predomínio foi de sol, mas o calor até não estava tão incômodo, acredito que as máximas chegaram aos 32/33 graus. Conheci em Araçuaí a estação meteorológica do INMET, mas o termômetro de máxima foi quebrado por vândalos, por isso não posso precisar a temperatura máxima real nestes dias. As mínimas ficaram entre 16 e 18 graus.

* Pra finalizar
Valeu a pena ter feito esse passeio. Foi muito produtivo, aprendi muitas coisas boas e conheci pessoas especiais e acolhedoras das quais jamais irei esquecer. Sinto também que houve uma transformação interna em mim, em vários sentidos. Espero colocar em prática esse aprendizado na forma em que for possível...
"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome." (Mahatma Gandhi)