Como acompanhar seu uso de dados
- 21 de maio de 2012
- 18h32
- Por David Pogue
Conforme um número cada vez maior de usuários é transferido dos planos de dados ilimitados para os planos de dados restritos, acompanhar o volume de dados que já foi acessado pelo celular num dado mês está se tornando uma necessidade cada vez mais urgente. Ao ultrapassar os limites dos planos mensais – seja em minutos de voz, em mensagens de texto ou dados – somos obrigados a pagar taxas extras.
Ora, sempre acreditei que parte do esquema das operadoras envolve a opacidade. Elas não querem que saibamos quantos minutos já usamos da cota mensal a que temos direito, quantas mensagens de texto já enviamos nem o volume de dados que já usamos. Afinal de contas: se soubéssemos o quão perto estamos do limite, seria menos provável que ultrapassássemos os termos do plano, pagando a mais.
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É claro que as informações relativas ao nosso uso do plano estão disponíveis – desde que estejamos dispostos a acessar um site e fazer login com alguma senha inventada no dia em que o celular foi comprado, ou se memorizarmos um código especial de discagem que gera um obscuro relatório de uso em forma de mensagem de texto.
O problema é que tais técnicas exigem que o usuário se lembre de como ativá-las. Eu diria que pouquíssimas pessoas desenvolveram o hábito de usar esses recursos. (Além disso, o código enviado por mensagem de texto – #DADOS* ou algo do tipo – revela apenas os dados já usados na franquia mensal, e não os minutos de chamada.)
Mas, outro dia, conheci o aplicativo My Verizon, para iPhone. Ali está, tudo numa mesma tela: gráficos claros em forma de barra mostrando o uso das Chamadas, Mensagens de texto e Dados. Aqueles que têm planos para toda a família, como eu, podem passar o dedo pela tela para ver as informações dos outros membros do lar.
Todos deveriam ter algo assim: uma maneira rápida e fácil de visualizar o quanto estamos próximos do limite do plano mensal. Este aplicativo também exibe com clareza os detalhes de nosso plano atual, mostra a fatura da conta do mês e permite até que a paguemos.
(Outro elogio à Verizon por seu novo site My Verizon. Num único local, ele oferece 16 botões claros e diretos que levam o usuário às atividades mais comuns: “Ver utilização.” “Mudar de plano.” “Bloquear chamadas e mensagens.” “Suspender serviço”, e assim por diante.)
Como descobri, AT&T, Sprint e T-Mobile oferecem aplicativos muito semelhantes. Todas as quatro operadoras oferecem um aplicativo para Android, e a T-Mobile é a única que não tem aplicativo para o iPhone. (A T-Mobile não trabalha com iPhones.)
Acho digno de elogio o fato de as operadoras terem dado este passo. Ora, não vejo motivo pelo qual um recurso que permita ao usuário ter uma ideia do quanto já consumiu de seu plano mensal não possa ser integrado diretamente ao celular – mas a melhor alternativa a isso é um aplicativo que exiba tais informações com clareza, bastando um toque.
Mas também tenho uma queixa a fazer quanto a estes aplicativos: os programas oferecidos por Sprint e Verizon não mostram o quanto já usamos do plano mensal antes de inserirmos o número completo do celular (ou o nome do usuário) e a senha! A cada vez que o aplicativo é aberto!
Isto é loucura, por dois motivos.
Primeiro, por que a necessidade de inserir o número do celular? O aplicativo sabe qual é o número do celular. Ele está rodando no celular que recebi da operadora, com um número que recebi dela. É claro que o aplicativo consegue descobrir sozinho o número do celular em que está rodando!
É como se, a cada vez que passássemos o cartão de crédito na máquina ao fazer uma compra, tivéssemos de digitar também a combinação de 16 números do cartão.
Segundo, mesmo que o aplicativo fosse capaz de se lembrar do número do celular, qual é a necessidade de se digitar uma senha? Sei que é uma questão de segurança – mas qual é o sentido? Será que algum colega de trabalho mal intencionado vai roubar o celular quando eu estiver distraído e, escondido, vai tentar descobrir quantas mensagens de texto já enviei este mês? Até parece!
A solução é simples: basta deixar que eu decida se quero ou não deixar a senha registrada. É assim que funcionam os aplicativos da T-Mobile e da AT&T. Eles são capazes de memorizar tanto sua identificação de
usuário quanto a senha, e o mundo não acabou por causa disso. Então, que problema haveria?
A maravilha dos aplicativos de acompanhamento do uso está no fato de eles removerem os obstáculos entre o usuário e a informação do seu consumo mensal dos planos contratados. Se é assim, por que criar novos obstáculos sob a forma da necessidade de informar o número do celular e a senha? (Dica: no aplicativo da Verizon, usei o recurso de atalhos de texto do iPhone para inserir o número do telefone quanto eu digito “vz”, o que facilita bastante o processo todo. Mas o recurso dos atalhos não funciona nas caixas de diálogo para senhas.)
Até as próprias operadoras têm dúvidas quanto ao nível de segurança necessário apenas para conferir o nível mensal de uso dos planos de acesso. (“Qual a necessidade disso? É uma boa pergunta”, escreveu o representante de relações públicas da Sprint. “Não sei a resposta, sei apenas que estamos sempre em busca de maneiras de aprimorar a experiência do consumidor.”)
Até que eles apareçam com uma boa resposta, eis uma dica: procure um aplicativo de acompanhamento do uso desenvolvido por terceiros. Para os celulares Android, o DroidStats exibe gráficos indicando o uso em termos de minutos de voz, mensagens de texto e dados, tudo numa mesma tela. Ele faz aquilo que os aplicativos das operadoras deveriam fazer desde o início: mostrar ao consumidor, instantaneamente, o total de minutos e dados já utilizados no mês. Nada de inserir nome de usuário e senha; nada de burocracia.
Para o iPhone, temos o DataMan e o VoiceMan. As versões Pro valem o preço pedido. Elas mostram quais são os aplicativos que consomem mais dados do plano e trazem alertas automáticos em tempo real quando atingimos marcos de uso pré-programados pelo próprio usuário. O VoiceMan é esperto a ponto de não incluir as chamadas feitas à noite e nos finais de semana se estas forem gratuitas no plano adquirido, como ocorre na maioria dos casos.
Bem que eu gostaria que o VoiceMan e o DataMan acompanhassem também o uso de mensagens de texto; o desenvolvedor disse que tal recurso logo será implementado. (Um aplicativo rival, Cell Minute Tracker, é gratuito e mostra as três estatísticas – minutos, mensagens e dados -, mas só funciona com os planos da AT&T.)
Resumindo: a informação é sua. É uma informação importante – pagamos caro quando ultrapassamos o limite contratado. Então, não deveríamos ter que lutar tanto para chegar a ela.
/Tradução de Augusto Calil
* Publicado originalmente em 17/5/2012.
Os e-books são compatíveis entre si?
- 10 de maio de 2012
- 18h54
- Por David Pogue
Ainda estou recebendo correspondências a respeito de minha resenha do mais novo leitor de livros eletrônicos da Barnes & Noble, o Barnes & Noble Nook Simple Touch com GlowLight.
Mas poucas das mensagens recebidas tratam do aparelho em si. A maioria delas questiona as afirmações que fiz ao caracterizar o estado atual do universo dos e-books.
Eis aqui um resumo – e alguns esclarecimentos.
* O que escrevi: “Ao comprar um leitor de e-books, estabelecemos um compromisso eterno com o catálogo de livros da empresa fabricante, pois os diferentes formatos de livros são mutuamente incompatíveis”.
Exemplo da reação dos leitores: “Por que você escreve a respeito de assuntos que não conhece minimamente? Parece que nunca ouviu falar num aplicativo gratuito chamado Calibre. Ele converte qualquer formato de e-book em qualquer outro formato. Se eu quiser mudar do Kindle para o Nook, basta deixar o Calibre converter o formato da minha biblioteca atual do Kindle. Simples assim.”
Minha resposta: Na verdade, as coisas não são bem assim, por causa de um motivo importante: o Calibre não converte livros protegidos contra cópia. O aplicativo nem mesmo tenta fazê-lo. E isto exclui a maioria dos livros que o público deseja ler atualmente: os best-sellers. Obras contemporâneas e comerciais de ficção e não ficção. Livros escritos por autores ainda vivos.
Quer dizer, se a pessoa deseja apenas ler livros antigos, que já caíram no domínio público, como Moby Dick e Mulherzinhas, então ótimo! Nestes casos o Calibre não é necessário, porque tais obras estão disponíveis gratuitamente na rede em todos os formatos desejados (e também em formatos que podem ser exibidos por qualquer leitor, como arquivos de texto de PDFs).
Mas, em se tratando de livros mais recentes, minha afirmação procede. Se a pessoa comprar uma porção de livros modernos para o Nook e, um dia, decidir mudar para o Kindle, todo o investimento feito no acervo anterior será perdido.
* O que escrevi: “Não é possível ler um livro do Kindle num Nook, nem um livro do Nook num Sony Reader, e nem um livro Sony num iPad”.
Exemplo da reação dos leitores: “Seu comentário a respeito da impossibilidade de ler diferentes tipos de livros em aparelhos rivais é, na melhor das hipóteses, uma manifestação de má-fé. Posso ler todos os meus livros do Kindle e todos os meus livros do Nook em meu laptop e no meu iPad, graças a aplicativos de leitura desenvolvidos por estas empresas”.
Minha resposta: Sim, é verdade. Há aplicativos de leitura para tablets, celulares e computadores permitindo a leitura de livros eletrônicos, possibilitando a leitura dos e-books sem obrigar o usuário a comprar um dispositivo leitor!
Portanto, para ser completo do ponto de vista técnico, eu poderia ter escrito: “Não se pode ler um livro Kindle num Nook nem num Sony Reader, nem um livro Nook num Sony Reader nem num Kindle, nem um livro Sony num iPad, nem num Kindle nem num Nook, nem um livro em formato iBooks num Nook, nem num Kindle nem num Sony Reader. Usando um aplicativo especial, pode-se ler livros Kindle e livros Nook num iPad, laptop, iPhone, iPod Touch ou smartphone Android”.
Mas meu objetivo não era criar um verbete da Wikipédia a respeito da compatibilidade entre os e-books. Queria apenas mostrar que, se a pessoa estiver pensando em comprar um aparelho específico para a leitura de e-books – e, sendo que o texto era uma resenha de um leitor de e-books, creio que esta é uma suposição razoável -, ela se verá presa aos livros oferecidos pela fabricante do dispositivo.
* O que escrevi: “Depois de comprar o dispositivo, estamos para sempre casados com a sua fabricante. Aqueles que desejarem mudar de marca terão de abrir mão de todos os livros eletrônicos comprados anteriormente”.
Exemplo da reação dos leitores: “Seu artigo contém um erro. Os compradores do Nook não ficam necessariamente vinculados aos livros da Barnes & Noble. Eles usam o formato ePub, e aceitam o padrão Adobe Digital Editions de DRM (proteção contra cópias), permitindo ao usuário comprar livros de diferentes lojas. Comprei livros da B&N e também da Kobo, da livraria da Sony e de alguns outros sites”.
Minha resposta: Sempre soube que o aparelho da Sony, o Nook e o Kobo liam arquivos no formato padrão ePub. Mas eu tinha a impressão que, mais uma vez, os únicos livros que poderiam ser trocados livremente entre os dispositivos eram as obras antigas, de domínio público – e não os best-sellers modernos, protegidos contra cópias, pelos quais a maioria do público se interessa.
Parece que me enganei. Com certo esforço, é de fato possível transferir livros protegidos contra cópia entre estes três tipos de leitor de e-book. Quando perguntei ao leitor como ele conseguia fazê-lo, recebi as instruções:
“Digamos que eu tenha comprado My Man Jeeves no Kobo. Eu o copio para o meu e-reader Kobo. Para copiá-lo para o meu aparelho Sony, preciso baixar manualmente o arquivo acsm que controla minha licença de uso do livro. O Kobo permite isto, mas não por meio do seu aplicativo comum – somente pelo site. Simplesmente uso as credenciais de minha conta no Kobo para acessar a página. Vou até ‘Minha Biblioteca’. Ao lado de cada
um dos títulos que comprei há um botão Baixar (pode ser que seu nome seja ‘Adobe DRM ePub/PDF’). Clico neste botão e baixo o arquivo acsm.A seguir, ‘abro’ o arquivo acsm usando o aplicativo normal do Sony Reader. (No Windows, clico no arquivo com o botão direito e escolho ‘Abrir com Sony eReader’.) O livro é então baixado e copiado para o aplicativo do meu Sony Reader. Posso então ligar o aparelho da Sony ao PC e copiar o livro normalmente.”
Uau. Não estou convencido de que os consumidores comuns estariam dispostos a passar por tantas etapas para cada título que tenham comprado. Nem sei se eles seriam capazes de fazê-lo. Mas, tecnicamente, eu estava errado, e o leitor, certo. Aqueles que têm conhecimento técnico podem transferir os livros comprados entre
leitores Nook, Sony e Kobo – e quaisquer outros aparelhos que ofereçam a compatibilidade com o formato ePub.
O único dos principais leitores que não traz este recurso é o Kindle. Ao comprar um livro para o Kindle, o consumidor ficará para sempre vinculado aos Kindles e aos aplicativos de leitura do aparelho.
* O que escrevi: “Pense no novo Barnes & Noble Nook Simple Touch com GlowLight (ou B&NNSTGL, como é chamado por aqueles que estão com pressa)”.
Exemplo da reação dos leitores: “Escrevo para avisar a respeito de uma imprecisão no seu artigo: a omissão da letra C na sigla do aparelho, B&NNSTCGL. Temo que, na falta do C, os consumidores possam se confundir quanto ao aparelho ao qual o texto se refere”.
Minha resposta: Posso ter mais leitores como você?
/Tradução de Augusto Calil
* Publicado originalmente em 10/5/2012.
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