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15 de Abril de 2010

 

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Daniela Milanese
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Daniela Milanese

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Leilão da Itália traz cautela para os mercados internacionais

12 de abril de 2012 | 7h56

Daniela Milanese

A cautela predomina nos mercados internacionais nesta quinta-feira, enquanto os investidores assimilam os resultados do aguardado leilão de títulos da Itália. As operações têm servido de termômetro importante para medir o apetite por risco dos investidores, em meio à retomada das preocupações com a zona do euro.

As principais bolsas europeias começaram o dia no campo positivo, mas deslizam agora com os números do leilão, recém-divulgados. A situação continua bem mais complicada nas praças de Madri e Milão, onde os índices mostram quedas superiores a 1%.

“Como vemos, as operações de financiamento de três anos do BCE foram um paliativo e compraram tempo para que a zona do euro removesse alguns riscos principais, mas não representaram a cura, pois questões fundamentais ainda estão sem solução e propensas a ressurgir”, avalia Ken Wattret, analista do BNP Paribas.

A Itália vendeu um total de 4,885 bilhões de euros em títulos hoje, um pouco abaixo do volume planejado, de 5 bilhões de euros. O país pagou juros mais elevados nos papéis de prazo mais curto, mas conseguiu yields menores nas colocações de longo prazo, conforme a Dow Jones.

Embora a Itália entre para a lista de temas hoje, a preocupação mais imediata dos mercados é a Espanha. Cresce a percepção de que o país precisará de algum tipo de intervenção para conseguir alívio nos juros dos títulos soberanos. Um pacote de socorro completo, como recebido pela Grécia, Irlanda e Portugal, ainda é descartado. Mas analistas apontam a possibilidade de nova atuação do Banco Central Europeu para a compra de papéis no mercado secundário ou o uso de recursos do fundo de resgate (EFSF, na sigla em inglês) para recapitalizar os bancos espanhóis.

Existe diferenciação entre Espanha e Itália. O governo espanhol se atirou na berlinda dos mercados ao piorar a meta de corte do déficit fiscal para 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Os mercados não acreditam que o primeiro-ministro Mariano Rajoy conseguirá cumprir o draconiano plano de austeridade. Já o italiano Mario Monti desfruta de credibilidade, ao tentar colocar em prática reformas no país.

Para Padhraic Garvey, analista do ING, a diferença entre esses membros da zona do euro está centrada em dois pontos. “Primeiro, o ‘efeito Monti’ tem sido positivo para a Itália, pois as reformas estruturais são vistas como dividendos essenciais”, diz. “Segundo, a Itália não tem a alavancagem privada que a Espanha tem.”

Nos Estados Unidos, os investidores ficaram sem novas pistas sobre a possibilidade de alívio monetário após a divulgação do Livro Bege ontem. O documento do Federal Reserve reiterou perspectivas já emitidas ao apontar que a economia está se expandindo numa velocidade de modesta a moderada.

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Expectativas de medidas anticrise voltam à cena no exterior

11 de abril de 2012 | 8h07

Daniela Milanese

As medidas anticrise estão novamente na pauta dos investidores. O ressurgimento de preocupações com a zona do euro, especialmente a Espanha, e a fraqueza da economia dos Estados Unidos fazem surgir mais uma vez a expectativa de que os bancos centrais terão de voltar a agir.

A disposição das principais autoridades monetárias será testada nos próximos dias, após a rápida mudança de sentimento dos mercados internacionais, motivada também pela desaceleração da China. Hoje, todas as atenções estarão voltadas para a divulgação do Livro Bege, às 15 horas, com as avaliações do Federal Reserve sobre a economia norte-americana.

Cresce entre os analistas a percepção de que o Fed terá de partir para o terceiro programa de relaxamento quantitativo. A visão não é unânime, pois uma ala dos especialistas avalia que a atividade nos EUA não anda tão mal assim e que a piora do mercado de trabalho em março não teria poder, isoladamente, para religar a máquina de impressão de dinheiro.

O fato é que a posição pessimista do próprio Ben Bernanke vem ganhando reforço nos últimos dias, após várias decepções com os indicadores do país. Não são esperadas novidades para a reunião do Fed em abril, mas aumenta a expectativa de que possa chegar mais estímulo em junho.

Na Europa, o primeiro passo do Banco Central Europeu para aliviar a volta do estresse soberano seria a retomada das compras de títulos no mercado, interrompida há meses. Ontem, os juros dos papéis da Espanha e da Itália enviaram sinais preocupantes ao atingirem as marcas de 5,93% e 5,67%, respectivamente – aproximando-se, assim, do nível perigoso de 7% que levou os países periféricos à ajuda externa.

Hoje, não ajuda a informação de que a produção industrial espanhola recuou 5,1% em fevereiro, depois de cair 4,3% em janeiro. A recessão é uma das principais preocupações no país, pois a fraqueza da atividade dificulta o cumprimento da polêmica meta de déficit fiscal de 5,3% do Produto Interno Bruto neste ano.

Para Allan von Mehren, analista-chefe do Danske Bank, os investidores começam a precificar que a Espanha perderá acesso a financiamento no mercado. “Nós conhecemos esse padrão de situações anteriores durante a crise do euro e sabemos que a dinâmica tende a ser autorrealizável, pois quando a bola de neve fica muito grande é difícil parar.”

As bolsas europeias tentam respirar e operam no campo positivo hoje, depois das fortes quedas da terça-feira. O desempenho de ontem estava poluído pelo retorno do feriado na Europa, quando as praças ainda reagiam aos dados negativos do mercado de trabalho nos Estados Unidos. De qualquer forma, a Espanha é o principal temor do momento.

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Emprego fraco nos EUA e inflação na China azedam retorno do feriado

9 de abril de 2012 | 7h38

Daniela Milanese

A volta do feriado reserva ajustes desagradáveis aos investidores. Além da piora do emprego nos Estados Unidos, a alta da inflação na China traz motivos para pessimismo nos mercados internacionais.

As principais bolsas europeias estão fechadas por causa de um feriado hoje, mas os impactos negativos já se refletem nas praças asiáticas (Xangai perdeu 0,92%), nos futuros de Nova York (com quedas próximas a 1%) e no comportamento do petróleo.

Na sexta-feira, a divulgação do relatório do mercado de trabalho norte-americano causou forte decepção. Foram criadas apenas 120 mil vagas em março, bem pior do que o esperado (203 mil). A leitura ficou abaixo de 200 mil postos pela primeira vez desde novembro. O desemprego só caiu para 8,2% (de 8,3%) porque menos pessoas procuraram trabalho.

Os números reforçam a percepção do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que a economia dos Estados Unidos ainda está frágil. Ganha importância na agenda seu discurso, hoje à noite (19 horas), durante conferência sobre mercados financeiros promovida pelo Fed de Atlanta em Stone Mountain (Geórgia).

Investidores voltaram a considerar a possibilidade de que o BC dos EUA adote novas medidas para estimular a economia nos próximos meses. Apesar de a ata da última reunião do Comitê do Mercado Aberto (Federal Open Market Committee, FOMC) ter dissipado as chances de um novo programa de relaxamento quantitativo, as apostas retornam após a decepção com os dados do mercado de trabalho.

“Os números fracos do emprego certamente deixam a porta aberta para mais acomodação e podem mudar o ponto de decisão do encontro de junho, enquanto o Fed continua monitorando os dados”, avalia Michael Gapen, do Barclays Capital.

Outro ponto de tensão para os investidores hoje é a alta da inflação ao consumidor na China, que acelerou para 3,6% em março, acima do previsto (3,3%). O desempenho pode afastar as perspectivas de alívio monetário pelo governo chinês, para impedir uma desaceleração mais forte da economia.

A temperatura da atividade chinesa é um dos temas mais importantes para os investidores brasileiros, pelo impacto no mercado de commodities. A agenda da semana reserva outras informações relevantes na China. Hoje saem os números da balança comercial e, na quinta-feira à noite, o PIB do primeiro trimestre e a produção industrial de março.

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Perspectiva de pausa na liquidez do Fed e BCE derruba ativos de risco

4 de abril de 2012 | 7h49

Daniela Milanese

A perspectiva de pausa na injeção de liquidez pelos principais bancos centrais derruba os ativos de risco pelo mundo. Se ontem o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mostrou que está mais distante de nova estratégia para imprimir dinheiro e estimular a economia, hoje o Banco Central Europeu (BCE) deve indicar que não haverá alterações na política monetária do bloco por enquanto.

As principais bolsas europeias operam com quedas superiores a 1% nesta manhã, prejudicadas ainda pelo fraco leilão de títulos realizado pela Espanha – o país conseguiu vender somente o mínimo pretendido hoje. As commodities também são alvo de vendas.

Depois de inundar os mercados de recursos e provocar um dos maiores ralis em anos no primeiro trimestre, o BCE tende a fazer uma pausa, acreditam analistas. A aposta unânime é que os juros serão mantidos no piso histórico de 1% ao ano.

“Não esperamos qualquer mudança, na verdade acreditamos que o BCE irá esperar para ver, deixando a porta aberta para mais medidas (se necessário)”, avalia Greg Fuzesi, economista do JPMorgan. “Não vemos qualquer indicação de que o BCE caminhará para mudança dos juros nos próximos meses”, escreve Dirk Schumacher, do Goldman Sachs, em relatório a clientes.

Se os analistas estiverem certos, o BCE e o Fed podem marcar a mesma estratégia de manutenção da política monetária. Embora a inexistência de novos estímulos reflita alguma acomodação da economia dos Estados Unidos, os investidores reagem mal pela ausência da onda de liquidez que estimulou os ativos de risco.

O ponto mais comentado da ata do Fomc, divulgada ontem, aponta que “uma dupla” de membros argumentou a favor de mais desaperto, caso o crescimento ou a inflação se enfraqueçam. No encontro anterior, essa defesa era feita por “alguns membros”. Daí a conclusão de que a inclinação para novos estímulos no futuro diminuiu, embora os mercados não esperassem mesmo novidades agora.

“Para nós, a implicação é que o Fed não irá nem apertar nem adicionar novos estímulos a sua política tão cedo”, avalia Harm Bandholz, economista-chefe para os Estados Unidos do UniCredit.

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Mercados refletem divergências da economia global e buscam direção

3 de abril de 2012 | 7h48

Daniela Milanese

Da mesma forma que a economia global ainda não mostra uma tendência clara, os mercados internacionais também têm dificuldades para seguir um rumo mais firme nesta terça-feira. Até porque, é preciso tomar fôlego depois dos fortes ganhos obtidos ontem.

No aguardo da divulgação da ata da reunião do Federal Reserve, próximo ponto de destaque da agenda internacional, as bolsas europeias operam de lado, enquanto o petróleo recua.

A divergência entre os dados de atividade industrial mundo afora impede que analistas cheguem a uma conclusão sobre os rumos da economia global, tema de discussão do momento. Ontem, os Estados Unidos salvaram o dia com o índice ISM (53,4) de março acima do esperado.

O dado reverteu a apatia trazida pela China durante a manhã. O indicador oficial de atividade (CFLP) mostrou alta para 53,1 no mês passado, numa surpresa positiva. Mas, analistas passaram a questionar o número pela sazonalidade de março e pela discrepância com o dado calculado pelo HSBC, que atualmente aponta para retração da economia.

A tendência só está clara na zona do euro: recessão. Além da economia fraca, o desemprego bateu recorde de 10,8% em fevereiro.

“A divergência dos dados sobre a atividade industrial dá apoio a nossa visão de que a maior parte do mundo desenvolvido se arrasta numa recuperação medíocre, enquanto a zona do euro tem de lutar contra a recessão em 2012″, avalia Paul Donovan, economista do UBS.

Apesar das esperanças com a retomada dos Estados Unidos, o presidente do Fed, Ben Bernanke, adota uma postura mais cautelosa e avalia que as incertezas ainda persistem. Embora tenha falado bastante nos últimos dias, os mercados darão a devida atenção para a ata da reunião do Fomc a ser divulgada às 15 horas (de Brasília).

De forma geral, analistas acreditam que a melhora do mercado de trabalho deve ser reconhecida, mas estará mantido o tom de precaução. “Acreditamos que a ata vai destacar o compromisso de manter a política de juros baixos até 2014″, diz Lee Hardman, estrategista de câmbio do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

Dias atrás, os mercados se empolgaram tanto com os sinais de retomada nos EUA que passaram até mesmo a precificar reversão da política acomodatícia antes do previsto. Com o aviso cauteloso dado por Bernanke, o movimento começou a ser revertido. “A ata pode dar ímpeto adicional para mais reversão da reprecificação se o tom vier em linha com a cautela destacada por membros do Fed recentemente”, acreditam os especialistas do Lloyds Bank.

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China não resgata confiança na economia global e cautela permanece

2 de abril de 2012 | 7h39

Daniela Milanese

A surpresa positiva com a atividade industrial na China é insuficiente para resgatar a confiança na economia global. A cautela predomina nos mercados internacionais neste início de mês, após o impressionante rali do primeiro trimestre.

As bolsas europeias até abriram em alta, mas passaram para o terreno negativo em algumas horas e operavam de lado por volta das 7 horas (de Brasília). As commodities também não se impressionaram com a aparente aceleração da economia chinesa. Ao contrário do índice preliminar calculado pelo HSBC, o indicador oficial (CFLP) mostrou alta para 53,1 em março, de 51,0 em fevereiro. O consenso apontava queda para 50,5.

A reação tão morna dos mercados pode indicar duas coisas. A primeira é que o gás dos investidores, estimulado pela injeção de liquidez do Banco Central Europeu, está se esgotando, após as fortes valorizações vistas nos primeiros três meses do ano.

O comportamento também pode indicar que a divergência entre os indicadores chineses pede precaução por enquanto. “Os novos dados da próxima semana são necessários para confirmar a trajetória”, avaliam os analistas do Barclays Capital.

Ou seja, o momento continua sendo de encruzilhada para a economia global, sem tendência totalmente definida. A única coisa absolutamente clara é que a Europa vai para a recessão, algo que traz ainda mais desconfiança sobre a melhora fiscal do continente – a Espanha passa a ser a principal suspeita agora, tanto que a Bolsa de Madri continua sofrendo e hoje cai mais de 1%, num resultado bem pior do que as demais praças europeias.

Se o objetivo agora é captar a real tendência da economia global, os próximos dias tendem a ajudar. Apesar de curta, a semana está carregada de dados importantes. A informação mais relevante vem em pleno feriado de Sexta-feira Santa, com o relatório de emprego dos Estados Unidos de março. A estimativa de consenso aponta para criação de 210 mil vagas e desemprego estável em 8,3%.

O Federal Reserve anda batendo na tecla de que a recuperação econômica ainda é insuficiente para trazer uma melhora substancial da situação do emprego. Portanto, o payroll ganha ainda mais força para a definição da política monetária dos EUA, fator de grande impacto sobre os ativos brasileiros.

Um aquecimento relevante para a agenda da semana é o índice de atividade industrial norte-americano (ISM), às 11 horas (de Brasília). Na Europa, a revisão final do indicador de atividade (PMI) confirmou a leitura fraca de 47,7 em março, claramente no terreno da contração econômica, como esperado.

O Banco Central Europeu realiza reunião de política monetária na quarta-feira, mas analistas não têm nenhuma expectativa de mudanças. Os juros devem ser mantidos no piso de 1% ao ano. As atenções, como sempre, estarão voltadas para a entrevista coletiva do presidente Mario Draghi.

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Protecionismo pode tirar Argentina de acordo entre Mercosul e UE

30 de março de 2012 | 12h51

Daniela Milanese

A postura considerada protecionista da Argentina provoca debate sobre a exclusão do país, num primeiro momento, do acordo de livre comércio em negociação entre a União Europeia e o Mercosul. O tema, que vinha sendo tratado nos bastidores, foi tornado público pelo diretor de Relações Internacionais da Comissão Europeia, John Clarke.

Conforme a Agência Estado apurou, as especulações sobre o papel da Argentina cresceram nas duas últimas semanas. Entre os envolvidos nas negociações, os comentários explodiram com a informação de que a próxima reunião sobre o acordo de livre comércio não será realizada em Buenos Aires, como previsto inicialmente, mas em Brasília.

A última rodada de negociação ocorreu há duas semanas, em Bruxelas. Desde a retomada das tratativas, em maio 2010, o local das reuniões se alterna entre a União Europeia e o Mercosul. “No último dia do encontro em Bruxelas, fomos informados de que Buenos Aires não marcou a reunião de junho. Isso gerou grande questionamento entre os envolvidos”, disse uma fonte que acompanha o tema de perto.

A próxima rodada está prevista para julho, em Brasília. Segundo um negociador da UE, o motivo é que o Brasil assume a presidência do Mercosul em julho, no lugar da Argentina, que fica no posto rotativo até junho.

De qualquer forma, os comentários sobre a possível exclusão da Argentina se acumulam nos bastidores. Cresce a ideia de que o país poderia ficar de fora num primeiro momento, para ser inserido ao acordo posteriormente. “Estou ouvindo informalmente de representantes de todos os governos do Mercosul, inclusive do governo Dilma, que a única forma de prosseguir é sem a Argentina”, disse o negociador europeu, ao lembrar que as medidas contra importações impostas pelo pais têm dado trabalho ao governo brasileiro. “A posição da Argentina não ajuda”, afirmou um observador.

Oficialmente, a UE e o Brasil se colocam contra a obtenção de um acordo em duas etapas. “Para a UE, esse resultado não seria satisfatório”, afirmou Clarke à Agência Estado. Mas foi ele mesmo que trouxe o tema à tona, durante seminário sobre a agricultura brasileira realizado pelo Financial Times, em Londres.

Para o embaixador do Brasil na capital britânica, Roberto Jaguaribe, não há chance de que o acerto seja feito individualmente. “Ou é um acordo do Mercosul ou não é um acordo.”

Nos bastidores, a avaliação é a de que a Argentina está amarrando as conversas. Até agora, a discussão ficou centrada na parte normativa do acordo de livre comércio, com a definição de regras. A expectativa é a de que, a partir da próxima reunião, em julho, as ofertas de abertura possam ser colocadas na mesa. “O setor privado já está cansado de esperar”, disse um representante.

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Exterior tenta recuperação no fim do 1ºtri à espera de acordo europeu

30 de março de 2012 | 7h27

Daniela Milanese

Os mercados internacionais tentam recuperar espaço neste final de trimestre. Embora os três primeiros meses de 2012 tenham sido um dos períodos mais lucrativos para os investidores em muitos anos, as preocupações com a economia global provocaram um movimento de realização de lucros nos últimos dias.

A sexta-feira chega com a expectativa positiva de que seja aprovado um acordo para reforçar os mecanismos de resgates aos países da zona do euro até amanhã. As bolsas europeias e as commodities iniciaram o dia em alta, indicando a possibilidade de recuperação após os ajustes recentes. O risco para a melhora do humor é uma nova decepção com a atividade nos Estados Unidos.

Analistas acreditam que a reunião de ministros de Finanças da zona do euro, em Copenhague (Dinamarca), definirá o fortalecimento dos recursos à disposição dos membros em dificuldade para algo em torno de 700 bilhões de euros. O reforço do chamado muro de proteção é importante para evitar o contágio da crise de dívida às maiores economias do bloco.

Embora a reestruturação da dívida da Grécia tenha trazido alívio, ainda existem temores sobre a Espanha e a Itália, tanto que os juros dos títulos desses países voltaram a subir para níveis preocupantes.

Palco de grandes manifestações e greve geral ontem, motivada pela reforma trabalhista, a Espanha anuncia hoje o orçamento para este ano. O país já relaxou a meta de redução do déficit, para 5,3% do PIB em 2012, mas ainda assim enfrenta a desconfiança de que não conseguirá cumprir seus objetivos fiscais. As medidas de austeridade devem trazer recessão mais profunda.

O novo primeiro-ministro conservador, Mariano Rajoy, está numa encruzilhada. “Uma projeção mais elevada do déficit receberia avaliação negativa dos mercados, mas ao mesmo tempo os investidores podem ficar preocupados com o impacto negativo da austeridade sobre o crescimento”, avalia Elwin de Groot, do Rabobank. “(Rajoy) não tem como acertar, por qualquer ângulo que se olhe.”

Já está claro que o impacto dos cortes de gastos públicos coloca a Europa em recessão. Agora, os investidores precisam calcular o real estado da economia dos EUA e da desaceleração da China. Para isso, a agenda de indicadores segue como prioridade.

Hoje, analistas dão especial atenção ao índice de atividade industrial regional (ISM) de Chicago. O indicador é considerado uma importante prévia para o ISM nacional, a ser divulgado na próxima semana. Segundo levantamento do Deutsche Bank, dos seis índices regionais já divulgados em março, apenas dois superaram as estimativas de consenso, contra êxito de 100% em fevereiro.

Para o Brasil, a velocidade da China é fundamental. As expectativas se voltam para o índice de atividade oficial da China (CFLP), a ser divulgado no sábado à noite (22 horas, de Brasília).

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Exterior busca rumo, de olho na China e na queda das commodities

28 de março de 2012 | 7h22

Daniela Milanese

Os mercados de ações e moedas procuram um rumo no final deste primeiro trimestre, enquanto observam a queda mais acentuada das commodities em meio às preocupações com a China. A Bolsa de Xangai despencou 2,7% hoje, no pior desempenho desde novembro do ano passado, afetada pelo setor de mineração.

Os investidores sentem o peso das avaliações pessimistas sobre a economia dos Estados Unidos feitas reiteradamente pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Ele insiste que é cedo para comemorar a melhora dos indicadores do país, pois a situação do emprego ainda traz incertezas.

“Esta semana, ele (Bernanke) realmente veio a público para posicionar sua visão de que a maior parte da melhora do mercado de trabalho já foi vista e que a economia precisa crescer mais rápido”, diz Chris Turner, estrategista-chefe de câmbio do ING. Portanto, os dados de emprego ganham ainda mais importância na política monetária do Fed.

Bernanke jogou água na visão precipitada dos investidores de que o BC dos EUA poderia elevar os juros antes de 2014. Desde então, os mercados voltaram a considerar a possibilidade de mais relaxamento monetário quantitativo para estimular a economia. Se essa nova visão trouxe inicialmente ganhos para as ações e as commodities, em razão da perspectiva de mais liquidez para os ativos de risco, agora os investidores adotam postura mais cautelosa.

Como os sinais para a economia global ainda estão embaralhados, faltam informações novas para a definição de tendência mais firme. “O mercado das principais moedas continua sem direção, enquanto a volatilidade está recuando”, avalia Lee Hardman, estrategista de câmbio do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

Para o Brasil, o que fala mais alto são as perspectivas para o desempenho da China. As preocupações sobre a desaceleração do país voltaram a pesar sobre os mercados asiáticos hoje. Conforme o Deutsche Bank, a forte queda registrada pela Bolsa de Xangai foi motivada pela divulgação de resultados negativos de empresas de mineração locais.

Nessa toada, as commodities vivem uma manhã de quedas. O petróleo cai cerca de 1% e as perdas estendem-se também aos metais, apesar da desvalorização do dólar em relação às principais moedas. As bolsas europeias operam no terreno negativo.

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Perspectivas de mais apoio contra crise sustentam mercados externos

27 de março de 2012 | 7h31

Daniela Milanese

Se a situação não está fácil nas principais economias do mundo, eis que as perspectivas de mais apoio dos governos surgem para aliviar as preocupações dos investidores com os rumos da economia global.

O pessimismo do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, reacendeu as expectativas de novo relaxamento monetário nos Estados Unidos. E a Alemanha, em situação melhor que a de seus parceiros, trouxe esperanças de um muro de proteção mais alto para impedir o contágio da crise do euro.

Os sinais emitidos ontem nos EUA e na Europa ainda reverberam nos mercados internacionais nesta manhã, sustentam as bolsas europeias em alta e deixam o dólar sem forças. Ao reagir em queda à visão desanimadora de Bernanke sobre a economia, a moeda norte-americana abriu espaço para a recuperação das commodities no exterior e, consequentemente, da BM&FBovespa. Já o real ficou com espaço limitado pelas perspectivas de novas operações do Banco Central, o que de fato se confirmou após o fechamento com o anúncio de leilão de swap cambial reverso para hoje.

“É realmente assim tão simples? Podemos simplesmente assumir que se as coisas piorarem a intervenção estará dobrando a esquina?”, questiona Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank.

A reação positiva aos comentários pessimistas de Bernanke, especialmente sobre o mercado de trabalho dos EUA, indica claramente que ainda existe esperança entre os investidores de um terceiro programa de relaxamento monetário quantitativo (QE3). Depois da forte injeção de liquidez feita recentemente pelo Banco Central Europeu, os mercados ficaram carentes de novos estímulos.

Os investidores ainda buscam ajustar as perspectivas para a economia mundial. Dias atrás, a melhora dos indicadores norte-americanos provocou até mesmo o início da precificação de alta dos juros nos EUA antes do previsto, movimento evidentemente precipitado, como demonstrou Bernanke ontem.

“A venda exagerada de dólar (ontem) reflete um mercado que está sem direção e que já havia tomado a dianteira e precificado aperto monetário”, avalia Lee Hardman, estrategista de câmbio do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

Na Europa, crescem as expectativas sobre a construção de um muro de proteção contra a crise. A imprensa aponta que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, poderá ceder e unir os mecanismos de resgate dos países em dificuldades, criando instrumento com capacidade de ajuda de cerca de 700 bilhões de euros. O assunto deve ganhar espaço na reunião de ministros de Finanças da zona do euro neste final de semana.

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