Leilão da Itália traz cautela para os mercados internacionais
12 de abril de 2012 | 7h56
Daniela Milanese
A cautela predomina nos mercados internacionais nesta quinta-feira, enquanto os investidores assimilam os resultados do aguardado leilão de títulos da Itália. As operações têm servido de termômetro importante para medir o apetite por risco dos investidores, em meio à retomada das preocupações com a zona do euro.
As principais bolsas europeias começaram o dia no campo positivo, mas deslizam agora com os números do leilão, recém-divulgados. A situação continua bem mais complicada nas praças de Madri e Milão, onde os índices mostram quedas superiores a 1%.
“Como vemos, as operações de financiamento de três anos do BCE foram um paliativo e compraram tempo para que a zona do euro removesse alguns riscos principais, mas não representaram a cura, pois questões fundamentais ainda estão sem solução e propensas a ressurgir”, avalia Ken Wattret, analista do BNP Paribas.
A Itália vendeu um total de 4,885 bilhões de euros em títulos hoje, um pouco abaixo do volume planejado, de 5 bilhões de euros. O país pagou juros mais elevados nos papéis de prazo mais curto, mas conseguiu yields menores nas colocações de longo prazo, conforme a Dow Jones.
Embora a Itália entre para a lista de temas hoje, a preocupação mais imediata dos mercados é a Espanha. Cresce a percepção de que o país precisará de algum tipo de intervenção para conseguir alívio nos juros dos títulos soberanos. Um pacote de socorro completo, como recebido pela Grécia, Irlanda e Portugal, ainda é descartado. Mas analistas apontam a possibilidade de nova atuação do Banco Central Europeu para a compra de papéis no mercado secundário ou o uso de recursos do fundo de resgate (EFSF, na sigla em inglês) para recapitalizar os bancos espanhóis.
Existe diferenciação entre Espanha e Itália. O governo espanhol se atirou na berlinda dos mercados ao piorar a meta de corte do déficit fiscal para 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Os mercados não acreditam que o primeiro-ministro Mariano Rajoy conseguirá cumprir o draconiano plano de austeridade. Já o italiano Mario Monti desfruta de credibilidade, ao tentar colocar em prática reformas no país.
Para Padhraic Garvey, analista do ING, a diferença entre esses membros da zona do euro está centrada em dois pontos. “Primeiro, o ‘efeito Monti’ tem sido positivo para a Itália, pois as reformas estruturais são vistas como dividendos essenciais”, diz. “Segundo, a Itália não tem a alavancagem privada que a Espanha tem.”
Nos Estados Unidos, os investidores ficaram sem novas pistas sobre a possibilidade de alívio monetário após a divulgação do Livro Bege ontem. O documento do Federal Reserve reiterou perspectivas já emitidas ao apontar que a economia está se expandindo numa velocidade de modesta a moderada.
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