Multiculturalismo do time britânico
8 de agosto de 2012 | 7h43
Daniela Milanese
Imagine a profusão de nacionalidades existente numa Olimpíada espalhada por toda uma cidade diariamente. Assim é a vida em Londres, arrisco dizer o lugar mais cosmopolita do mundo. A profusão de línguas, cores, crenças e vestimentas faz parte da rotina. A passos de casa, há restaurantes turco, iraniano, libanês, asiático, indiano e somali. Existem aqueles supermercados árabes e tailandeses para qualquer um se deliciar. Tem salão de manicures vietnamitas, inclusive com homem entre as profissionais. Todos administrados por imigrantes de primeira geração no Reino Unido.
Não há dúvidas de que Londres só é esta metrópole tão vibrante em razão da diversidade de sua população. Apesar disso, não se pode dizer que os imigrantes são unanimemente bem-vindos no país. O próprio governo tem como meta reduzir a imigração e vem apertando cada vez mais as regras para a permanência por aqui, algo que agrada a opinião pública.
O debate ganhou ângulo novo durante os Jogos Olímpicos. O sentimento de orgulho nacional e patriotismo há muito não se mostrava tão forte. Afinal, os britânicos protagonizam uma campanha absolutamente vitoriosa dentro de casa e, de quebra, conseguem entregar um evento bem organizado até agora.
O país viveu um momento de glória no sábado à noite, quando conquistou três medalhas de ouro no atletismo em apenas 46 minutos dentro do Estádio Olímpico. A façanha foi possível pelo desempenho do somali e muçulmano Mohamed Farah, vencedor dos 10 mil metros, da filha de jamaicano Jessica Ennis, campeã do heptatlo, e do inglês ruivo Greg Rutherford, ganhador do salto em distância.
Levantamento feito pela Agência Estado mostra que a diversidade se espalha por outros esportes. O primeiro britânico a vencer a Volta da França e medalhista de ouro no ciclismo, Bradley Wiggins, nasceu na Bélgica e é filho de pai australiano. O também ciclista Christopher Froome, bronze na prova contra relógio, é de Nairóbi, no Quênia. Na ginástica artística, a medalhista de bronze Elizabeth Tweddle nasceu em Johannesburgo, África do Sul.
O quadro espelha bem o multiculturalismo da cidade. O Reino Unido recebe cerca de 600 mil imigrantes por ano. Mais de 300 línguas são faladas pelas crianças em seus lares no país. Ainda assim, a sociedade está longe de um ambiente de integração. Os choques culturais são constantes.
Um ponto que choca bastante é o sistema de exclusão das escolas públicas. As melhores são católicas e praticamente só aceitam alunos cujos pais são praticantes. Para conseguir uma vaga, é preciso da certidão de batismo da criança e até comprovação do padre de que a família de fato frequenta a igreja católica. Na prática, isso afasta crianças de outras crenças e tira vagas das famílias muçulmanas – num país cuja religião oficial nem é a católica, mas sim a anglicana.
Sorte é encontrar no seu bairro uma escola aberta à diversidade e orgulhosa pelo acúmulo de línguas diferentes entre seus alunos. São instituições de ensino assim que conseguem abrigar os somalianos, tão prejudicados pelo sistema.
Londres discute muito sobre o legado olímpico. Pois uma herança bastante interessante dos Jogos poderia ser o apoio ao multiculturalismo, que turbinou o quadro de medalhas britânico.
MEDALHAS PER CAPITA 1 – Veículos britânicos vêm fazendo quadros alternativos de medalhas. Levantamento do Guardian mostra que o Brasil cairia do 21º para o 64º lugar se fosse adotado o critério de medalha per capita ou em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
MEDALHAS PER CAPITA 2 – Pela mesma comparação, a Grã-Bretanha passaria da terceira para a 12ª posição em medalhas per capita e para o 33º lugar no critério em relação ao PIB.
BOLT MANIA – O efeito do jamaicano Usain Bolt ecoa pela cidade. Até mesmo os policiais de Londres se rendem e fazem a famosa pose com os braços do corredor. A popularidade pode ser confirmada na internet: Bolt foi o atleta que mais atrai page views no site oficial de Londres/2012, seguido pela russa Yelena Isinbayeva e pelo norte-americano Michael Phelps.
SITE – O site oficial de Londres/2012 já atraiu 83 milhões de usuários, superando o número obtido em nos Jogos de Inverno em Vancouver, em 2010.
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Acredito que o que prevaleceu são os esforços individuais ,de grupos e apoio de patrocinadores na busca da vitoria independente das origens dos vitoriosos.O multiculturalismo é utopia, pois divide a nação em grupos de interesses conflitantes e somente da margem a um sistema autoritario para conseguir manter o Estado Artificial integro.Assim foi na Libia, esta sendo nos conflitos de tribos na Siria,Iraque e por ai vai os conflitos de interesses deflagrando atrocidades por minorias visando o poder.