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Euro perde o “efeito teflon” e sucumbe ao arrastamento da crise

14 de dezembro de 2011 | 8h40

Daniela Milanese

Durante muitos meses, o euro viveu o chamado “efeito Teflon”. Quer dizer, conseguia se segurar na casa de US$ 1,40 mesmo no meio de toda a turbulência causada pela crise de dívida soberana. Mas, como resistência tem limite, a moeda agora sucumbe e cede ao menor nível em quase um ano.

Nenhum motivo exatamente novo provocou o recente mergulho da moeda comum. As mesmas preocupações se arrastam há muito tempo, fragilizando cada vez mais a confiança dos investidores, já impacientes com uma crise que, de fato, não tem solução de curto prazo. Por mais que as autoridades tenham se esforçado para fechar um pacto fiscal com 26 países da União Europeia, sabe-se que existe um longo período de dificuldades à frente. “Não se pode conseguir uma resolução clara e abrangente para a crise, então acreditamos que o euro deve continuar se enfraquecendo, para US$ 1,25 no primeiro trimestre de 2012″, avalia Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING. Nesta manhã, a moeda comum negocia perto de US$ 1,30.

A resistência mostrada anteriormente pelo euro estava atrelada à diferença entre as posturas do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. Então numa política mais conservadora, o BCE chegou até mesmo a subir os juros durante o ano para combater a inflação, deixando de lado os problemas trazidos pelos déficits elevados.

Ontem, veio à tona a já conhecida resistência da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de elevar o poder de fogo do mecanismo permanente de resgate europeu para além dos 500 bilhões de euros.  Outra notícia nada surpreendente foi o rebaixamento da perspectiva dos ratings da Bulgária, República Checa, Letônia e Lituânia pela Fitch. E, também como se esperava, o Federal Reserve manteve os juros e não anunciou nenhuma medida de estímulo.

O efeito positivo dos leilões de títulos realizados ontem pela Espanha, Grécia e Bélgica não durou o dia todo e o pessimismo acabou tomando novamente conta dos mercados. Para hoje, a atenção deve ficar com venda de papéis do governo da Itália. “O leilão de títulos da Itália nos dará uma ideia de como o país ainda conseguirá acessar recursos no mercado”, acredita Flemming Nielsen, analista do Danske Bank.

As bolsas da Europa abriram em queda. Às 8h40,o índice FTSE da Bolsa de Londres caía 0,61%; o CAC, de Paris, perdia 1,12%, e o DAX, de Frankfurt, cedia 0,43%.

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