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Daniela Milanese

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Exterior aguarda, com demonstração de otismo, dados dos EUA

12 de março de 2010 | 9h51

Daniela Milanese

Os mercados internacionais aguardam novos dados da economia dos Estados Unidos para definir a tendência do dia. A tarefa de hoje é medir a recuperação norte-americana, depois que os números da China alertaram para o superaquecimento e colocaram o aperto monetário na agenda de curto prazo.
 
As bolsas europeias tocam o terreno positivo. Depois de muita pressão provocada pelos temores com os déficits fiscais, o euro e a libra conseguem alívio nesta manhã e se distanciam das marcas mais negativas. Por enquanto, a crise na Grécia fica de lado, à espera de novos desdobramentos na próxima semana.
 
A agenda dos EUA ganha destaque hoje com as vendas no varejo americano em fevereiro (às 10h30, de Brasília) e o índice de confiança da Universidade de Michigan em março (às 11h55). A neve pesada deste inverno deve ter reflexos negativos sobre os resultados do comércio, algo já esperado pelos analistas.
 
Os números mais recentes apontam que os EUA seguem rumo à retomada econômica, apesar de enfrentar soluços e obstáculos, como observa a analista Julia Coronado, do BNP Baripas. O setor privado ainda se encontra em processo de
redução de dívidas, o que deve prevalecer até o final do ano, com o consequente efeito negativo sobre o consumo.
 
Há visões mais otimistas. O Barclays Capital avalia que o inverno vigoroso está afetando os dados mais recentes e que, passado esse efeito, as informações devem surpreender positivamente. Tanto que o banco acredita que o Federal Reserve vai
interromper o programa de compra de títulos usado para injetar recursos na economia, já na reunião da próxima semana.
 
“Ninguém sabe realmente o que acontecerá depois disso”, afirma a equipe de David Woo, em relatório a clientes. Para o Barclays, os juros dos títulos americanos devem subir nos próximos meses, mas num movimento regular, sem saltos. Nesse
cenário, a tendência é de valorização do dólar.

 
Já na Europa, as perspectivas continuam apontando dificuldades para a retomada. Na avaliação do Goldman Sachs, a queda do consumo privado e dos investimentos torna essa recuperação uma das mais lentas da história.

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Exterior em leve ajuste de baixa com perspectiva de aperto monetário na China

11 de março de 2010 | 10h13

Daniela Milanese

Os números mais recentes divulgados pela China deixam poucas dúvidas: a economia está bastante aquecida e um aperto monetário agora é dado como certo por analistas no exterior. Os investidores internacionais já se ajustam ao cenário, mas de forma leve e sem dramas.
 
Como era de se esperar, as commodities registram quedas na manhã de hoje, enquanto as bolsas europeias operam de lado, após a praça de Xangai ter fechado na estabilidade (+0,08%). O desempenho da China vem sendo apontado como o principal fator de recuperação mundial, após os pesados pacotes de estímulo adotados pelo governo. Uma desaceleração forçada pela política monetária agora significará menor demanda por matérias-primas.
 
Os dados chineses de inflação, preços dos imóveis, produção industrial e empréstimos bancários superaram as estimativas. A alta dos juros no país está sendo vista como inevitável. O índice de preços ao consumidor subiu 2,7%, na comparação anual, acima dos 2,4% previstos. Chamou a atenção especialmente a inflação das propriedades residenciais, que bateu em 10,7% em fevereiro, nas 70 cidades pesquisadas. A produção industrial chinesa avançou 20,7% nos dois primeiros meses do ano, contra previsão de +19,5%.
 
“O superaquecimento no setor imobiliário é o problema mais urgente da China e acredito que um aperto monetário é iminente”, diz Prakash Sakpal, economista do ING na Ásia. Ele projeta duas elevações dos juros, de 0,27 ponto porcentual cada, nos próximos meses. Isso levaria a taxa de depósito para 2,79% e a de empréstimo, a 5,85% até o final do ano. O especialista não vê a valorização do yuan como um fator central da estratégia do governo.
 
O Deutsche Bank avalia que os números aumentam a pressão política para um aperto e agora espera alta de juros em até dois meses. “Os dados sinalizam o risco crescente de superaquecimento na China”, anota Jim Reid, estrategista-chefe do banco alemão.
 
O desempenho positivo da economia brasileira atrai os investidores estrangeiros, como mostram os volumes da BM&FBovespa. O cenário abre espaço para captações, tanto que a Vale acaba de anunciar a intenção de emitir eurobônus no
mercado global, a serem listados na Bolsa de Luxemburgo.
 
Nos Estados Unidos, a agenda traz o balanço semanal do auxílio-desemprego e a balança comercial em janeiro, ambos às 10h30. Na questão do comércio, o economista Paul Donovan, do UBS, considera ambicioso o plano dos EUA de dobrar as exportações em cinco anos. “O problema é que o protecionismo está ganhando força política e aumentar o papel do comércio ficará difícil nos próximos anos”, diz, lembrando das tarifas impostas pelos EUA para produtos da China e da iniciativa do Brasil.

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Déficits despontam como maior risco global em vez de aperto nos EUA

10 de março de 2010 | 17h30

Daniela Milanese

Entre os investidores globais, o temor com o aperto monetário nos Estados Unidos deu lugar à preocupação crescente com os déficits fiscais nos países desenvolvidos. Agora, o elevado endividamento público vai sendo apontado como principal risco mundial, já que o Federal Reserve não mostra pressa para mudar a política de juros baixos.
 
“Ninguém sabe como os mercados vão responder aos problemas fiscais em países como Estados Unidos, Reino Unido e outros da zona do euro”, disse Kevin Daly, administrador de recursos da Aberdeen Asset Managers. “São águas nunca navegadas, não temos mapa.”
 
O combate à maior crise desde a Grande Depressão provocou a explosão do endividamento público nos países ricos. A Grécia hoje responde pela situação mais delicada, mas outros países membros da zona do euro também estão fazendo ajustes no orçamento para tentar controlar o rombo, caso da Irlanda, Espanha e Portugal.
 
O Reino Unido também é acompanhado com atenção e já recebeu diversos alertas das agências de rating, o que coloca em risco sua nota AAA. O debate sobre a dívida pública no país ganha espaço neste momento pré-eleitoral e exerce contínua pressão sobre a libra.
 
O crescimento inesperado do Partido Trabalhista nas pesquisas abriu a possibilidade de vitória do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ou de um parlamento apertado, sem a maioria de nenhum partido, o que dificultaria o processo de consolidação fiscal, na visão dos investidores.
 
Acredita-se que, em algum momento, essa discussão também atingirá os Estados Unidos. “Estou extremamente preocupado com a questão dos déficits, não gosto nem de pensar nisso, é muito deprimente”, disse Dominic Johnson, presidente da Somerset Capital Management.
 
Estudo do Deutsche Bank aponta que a relação entre dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) deve subir de 100% neste ano para 133% em 2020 nos países desenvolvidos. Em compensação, as nações em desenvolvimento aparecem bem posicionadas para estabilizar o endividamento sem a necessidade de ajustes drásticos.
 
No entanto, como a crise da Grécia já mostrou, o tema tem potencial para provocar turbulência nos mercados globais e atingir, por essa via, os emergentes. “Se ocorrer uma crise de confiança, o melhor lugar para estar é o franco suíço, e não o real”, ilustra Daly, da Aberdeen.
 
No início do ano, qualquer sinal apontando a possibilidade de o Federal Reserve elevar os juros fazia os mercados tremerem. Entretanto, esse temor ficou de lado com a percepção de que a atividade nos Estados Unidos está melhorando, mas não a ponto de provocar alteração da política de frouxidão atual.
 
O recente aumento da taxa de redesconto nos EUA gerou certo desconforto no mercado. Mas a afirmação da autoridade monetária de que se tratava apenas de um passo para a normalização do sistema, e não de mudança de estratégia, sossegou os investidores. “Os juros nos EUA não irão subir tão cedo porque o principal problema ainda é evitar a deflação”, afirmou o chefe de pesquisas da Ashmore Investment Management, Jerome Booth.
 
Além disso, mesmo que as taxas subam nos EUA, o diferencial de juros em relação aos emergentes continuará elevado, pois os países em desenvolvimento já estão tendo de apertar a política monetária, avalia Daly, da Aberdeen.
 
Isso não significa que o mercado deixará de passar por ajustes quando a política do Fed mudar. Especialistas preveem volatilidade, solavancos e reavaliação dos riscos até que as carteiras se enquadrem no novo cenário.
 
Wilber Colmerauer, sócio da consultoria Brazil Funding, lembra que o atual custo extremamente baixo do dinheiro trouxe de volta as operações alavancadas que haviam sido dizimadas durante o furacão da crise. “Uma alta do juro certamente vai atingir essa ponta do mercado e trazer correção e nervosismo”, afirmou.
 
Ele acredita que os investidores estão, na verdade, dando pouca atenção para um ponto relevante. “Os juros estão muito baixos e não ficarão assim para sempre.”
 
Outro risco que vai sendo relativizado por especialistas é a possibilidade de aperto monetário na China, que volta e meia traz turbulência aos mercados. “A possibilidade de superaquecimento na China é algo para 2011. Não me preocupo com isso agora neste ano”, afirmou Daly, da Aberdeen.

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Exterior digere efeito da alta das importações na China

10 de março de 2010 | 10h32

Daniela Milanese

Os investidores internacionais digerem nesta manhã as novidades trazidas pela balança comercial da China, com o forte crescimento das importações. Se a tendência representa comportamento favorável do mercado interno, também traz o risco de maior pressão inflacionária na China e, consequentemente, de aperto monetário.
 
Para ter uma dimensão mais clara do cenário, os mercados aguardam os indicadores de preços chineses que sairão hoje à noite (no Brasil). Tanto que a reação no exterior é tímida: as bolsas europeias, o petróleo e o cobre mostram poucos ganhos, enquanto a Bolsa de Xangai caiu 0,66%.
 
O superávit comercial da China caiu de US$ 14,17 bilhões em janeiro para US$ 7,61 bilhões em fevereiro. O desempenho foi resultado da alta de 44,7% das importações e de 45,7% das exportações, em relação ao mesmo mês do ano passado.
 
Os números, que superaram as projeções dos analistas, indicam recuperação da demanda interna e externa. Mas operadores também apontam para a fraca base de comparação, já que fevereiro de 2009 marcava o auge da crise. A grande questão é saber até que ponto a força das vendas provocará reação da política monetária. As exportações em comparação a janeiro caíram.
 
Sem conclusões por enquanto, os investidores também se deparam com a fraqueza das moedas europeias. Enquanto a Grécia busca colocar a casa em ordem, as atenções hoje se voltam para a redução do superávit comercial da Alemanha, de 16,6 bilhões de euros em dezembro para 8,7 bilhões de euros em janeiro.
 
“As exportações da Alemanha vêm sendo o único raio de sol na zona do euro, diante do fraco desempenho econômico da região”, anota Boris Schlosser, analista da corretora GFT. No entanto, ele acredita que ainda é cedo para avaliar se a surpresa de janeiro é uma ocorrência sazonal ou uma alteração mais firme.
 
Para Ken Wattret, do BNP Paribas, trata-se apenas de um soluço. Ele acredita que o saldo comercial voltará a crescer nos próximos meses, com base nos indicadores que apontam recuperação da atividade global.
 
De qualquer forma, o euro é atingido pela informação e opera abaixo de US$ 1,36. Ganham força no mercado as avaliações mais positivas sobre o dólar, que se beneficia da fraqueza na Europa e da melhora da atividade nos Estados Unidos.
 
O estrategista de câmbio do ING, Chris Turner, acredita que o euro pode cair para até US$ 1,25. Ele cita pesquisa com feita pelo Merrill Lynch apontando que os gestores de recursos avaliam que o dólar está subvalorizado.
 
A agenda dos Estados Unidos ainda não empolga nesta quarta-feira e traz somente os estoques no atacado em janeiro (às 12 horas, de Brasília) e o déficit orçamentário de fevereiro (às 16h).

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Exterior hesita um ano após bolsas terem seu pior momento na crise

9 de março de 2010 | 9h48

Daniela Milanese

Com a agenda esvaziada e sem a urgência dos problemas da Grécia, o destaque dos mercados internacionais hoje é histórico: o aniversário de um ano do piso dos preços provocado pela crise financeira. Em 9 de março de 2009, as bolsas atingiam o pior momento e eram marcadas pela gravidade da turbulência, mas também estavam prestes a engatar uma arrancada histórica.
 
Segundo os cálculos do estrategista-chefe do Deutsche Bank em Londres, Jim Reid, a valorização vista nos últimos 12 meses é a mais expressiva desde 1930. O Dow Jones avançou cerca de 60% e o Ibovespa saltou 85% no período.
 
Os bilhões despejados nas economias pelos governos mundo afora deram o impulso para a retomada, principalmente a liquidez artificial criada pelos bancos centrais. O curioso é que, um ano depois, esse esforço orçamentário aparece como um dos principais riscos para os mercados globais. Se o colapso financeiro foi evitado, agora os temores recaem sobre a capacidade de os países arcarem com as suas dívidas, como mostra a turbulência na Grécia e os problemas em outras nações europeias.
 
“Em 2009, o mercado só subiu, mas neste ano veremos altos e baixos”, afirmou Kevin Daly, gestor de emergentes da Aberdeen Asset Managers.
 
No Velho Continente, vai ganhando espaço a discussão sobre a criação de um “FMI europeu”, como forma de dar suporte aos países em necessidade. Mas a própria chanceler alemã, Angela Merkel, diz que o mecanismo terá de passar por um novo
tratado e um acordo entre todos os membros da União Europeia, como relata o Financial Times.
 
Também cresce a pressão de autoridades contra os efeitos da especulação nos mercados, que teriam agravado os problemas da Grécia. A polêmica recai principalmente sobre os swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês). Hoje, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, se encontra com o presidente Barack Obama, em Washington, e acredita-se que o tema estará na agenda.
 
No Reino Unido, notícias desfavoráveis sobre a economia voltam a pressionar a libra. O maior destaque é o déficit comercial do país, que inesperadamente atingiu 8 bilhões de libras em janeiro, de 7 bilhões de libras em dezembro, em decorrência da forte queda das exportações.
 
Além disso, o índice de preço de imóveis RICS mostrou desaceleração. O número de entrevistados que reportaram alta de preços superou em 17 pontos porcentuais a quantidade de pessoas que apontaram queda. No entanto, essa diferença estava
em 31 pontos porcentuais em janeiro. “A pesquisa sugere que o momento de valorização das casas visto desde meados do ano passado perde velocidade”, diz Neville Hill, do Credit Suisse.
 
Para piorar, as agências de rating continuam emitindo comentários cautelosos sobre o Reino Unido. Ontem à noite, a Moody’s disse que o fim da ajuda governamental aos bancos terá impacto sobre as notas das instituições, embora gradual. Agora cedo, a Fitch afirma que o plano do governo para reduzir o déficit é “muito lento”, conforme a Dow Jones.
 
O ambiente de precaução prevalece nos mercados internacionais nesta manhã.

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Sobe pressão contra derivativo de crédito após especulação sobre Grécia

8 de março de 2010 | 15h17

Daniela Milanese

A crise da Grécia aperta o cerco contra o mercado de derivativos de crédito. Após o ataque especulativo ao país, autoridades pressionam e pedem regulamentação para os swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês), hoje praticamente inexistente no exterior.
 
O mecanismo de proteção contra calotes é apontado como um dos fatores que contribuíram para o colapso do Lehman Brothers e agora volta para a berlinda com a especulação em torno da Grécia. Profissionais da City londrina consultados pela AE são contra a imposição de regras para os CDS, considerados um mecanismo de proteção.
 
Políticos europeus avaliam que a especulação exacerbou as fragilidades da economia grega. O mecanismo é principalmente criticado por permitir a compra de proteção contra calotes por investidores que não possuem exposição aos ativos envolvidos. É como possuir o seguro de uma casa de uma terceira pessoa – se algo der errado, ganha-se com a proteção, mesmo sem ter perdido nada com o problema.
 
A instabilidade criada na zona do euro a partir dos temores com a dívida pública grega levanta uma avalanche de críticas ao mecanismo. Nos últimos dias, figuras como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a ministra de Finanças da França,
Christine Lagarde, o comissário de serviços financeiros da União Europeia, Michel Barnier, e o presidente da Autoridade de Serviços Financeiros (FSA) do Reino Unido, Adair Turner, se posicionaram a favor de mais controles sobre os derivativos de
crédito.
 
As declarações trazem a possibilidade de uma regulação para esse mercado, hoje praticamente de balcão no exterior – ao contrário do Brasil, onde prevalecem as transações em bolsa. Merkel defendeu restrições aos CDS e aos especuladores que
lucram com a turbulência financeira na Grécia. Lagarde e Turner disseram que os derivativos de crédito precisam de regulação. Segundo a imprensa europeia, uma reunião na sexta-feira passada entre representantes do setor financeiro e técnicos de Bruxelas discutiu a transparência desse mercado.
 
No meio da polêmica sobre os possíveis estragos causados pela atuação de fundos e bancos durante a turbulência na Grécia está um jantar realizado no final de janeiro em Atenas pelo Goldman Sachs com dez clientes. Conforme o Financial Times, o objetivo era tratar do futuro da economia grega e, “é claro, de como ganhar dinheiro com isso”. Se, por um lado, alguns participantes do jantar fizeram milhões com os problemas na Grécia, agora estão sob ataque das autoridades.
 
Como esperado, a pressão política gera reação e descontentamento entre os investidores. Um relatório do Citibank enviado aos clientes na semana passada está sendo bastante comentado. Os analistas do banco dizem que culpar o espelho não tornará o mundo um lugar mais bonito.
 
A frase resume a avaliação do mercado financeiro sobre a polêmica: o preço do CDS apenas reflete a situação fiscal da Grécia, bastante comprometida pela escalada inesperada da dívida pública e ocultada pelo ex-governo conservador.
 
“Sim, há especuladores ganhando dinheiro com a Grécia, mas, espere um minuto, o governo anterior mentiu para o mercado dizendo que o déficit era de 6% do PIB e o governo atual vem e diz que é de 12,7%”, afirmou Kevin Daly, gestor de recursos da
Aberdeen Asset Managers. Apesar de reconhecer que há risco, ele se diz cético em relação à possibilidade de regulação para os CDS, diante das dificuldades para impedir que investidores sem exposição aos ativos entrem no mercado.
 
“O problema de impor regulamentação é que, quando você tenta interromper um canal, aparece outro”, afirmou Dominic Johnson, sócio da Somerset Capital Management. Para ele, as regras acabam se tornando apenas uma formalidade.
 
Em nota aos clientes, o economista-chefe para Europa do Goldman Sachs, Erik Nielsen, escreve que se lembra de autoridades europeias no passado dizendo que os mercados ajudariam o bloco a manter a disciplina fiscal. Recentemente, a Grécia alterou fortemente as projeções de déficit e os detentores de bônus começaram a comprar proteção, elevando o custo de seguro. “Então, adivinhe, os políticos parecem ter decidido que essa não é a reação que eles esperavam do mercado”, questiona.
 
Na avaliação de Nielsen, será importante acompanhar se o primeiro-ministro grego, George Papandreou, conseguirá convencer o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a se juntar à campanha contra o CDS. Os dois se encontram
amanhã, na Casa Branca.

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Tensão com Grécia é amenizada, sustentando euro e commodities

8 de março de 2010 | 3h07

Daniela Milanese

As palavras do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a possibilidade de criação de um fundo para a zona do euro amenizam as preocupações dos investidores internacionais com a crise da Grécia. Nesse contexto, a semana deve ser mais tranquila para os mercados no exterior, até porque a agenda nos Estados Unidos e na Europa é leve. O destaque ficará com os dados da China na quarta-feira.
 
O sentimento desta manhã sustenta o euro acima de US$ 1,36, enfraquece o dólar e, consequentemente, puxa as commodities. O comportamento do petróleo, por volta de US$ 82,00, chama a atenção. Já as bolsas europeias optam pela cautela e operam perto da estabilidade.
 
Afirmações de autoridades durante o final de semana criaram a sensação de que a situação da Grécia está sob controle, pelo menos por enquanto. Em encontro com o primeiro-ministro grego, George Papandreou, ontem, Sarkozy demonstrou apoio e disse que os países do bloco preparam suporte à Grécia. Segundo ele, o grupo estuda ferramentas que não estão sendo reveladas agora, mas que, quando chegar o momento, mostrarão que o país terá apoio em todos os aspectos.
 
Na sexta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou as medidas de austeridade fiscal adotadas por Papandreou e afirmou estar otimista de que o país não precisará de resgate financeiro.
 
Como as autoridades não querem o Fundo Monetário Internacional (FMI) envolvido com o caso, agora planejam estruturar o chamado Fundo Monetário Europeu, com regras e ferramentas para impedir instabilidade na zona do euro, segundo a imprensa. Conforme o Financial Times, a ideia foi detalhada pelo ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, a um jornal local no final de semana.
 
“As propostas para novo mecanismo de financiamento e o apoio de Sarkozy sugerem que as autoridades estão fazendo um esforço orquestrado para mostrar solidariedade à Grécia e reafirmar a importância da União Europeia”, avalia Boris Schlosser, analista da corretora GFT.
 
Especialistas acreditam que os problemas da Grécia podem sair do centro da cena por alguns dias, até os novos desdobramentos – a próxima data apontada como relevante é 16 de março, quando os ministros de finanças se encontram para avaliar o plano fiscal do país. “Vemos os comentários políticos movendo a Grécia lentamente para uma solução de curto prazo, o que envolve algum tipo de assistência”, diz Paul Donovan, do UBS. “No longo prazo, os problemas de competitividade do país permanecem.”
 
A agenda de indicadores da Europa e dos Estados Unidos está completamente esvaziada hoje, depois que o mercado de trabalho norte-americano mostrou desempenho melhor do que o esperado na sexta-feira. Foram cortadas 36 mil vagas em fevereiro, menos do que as 75 mil previstas. “O payroll foi uma surpresa positiva que confirmou a tendência de melhora gradual da economia, com pouca mudança provocada pelo inverno”, anota Julia Coronado, do BNP Paribas.
 
O destaque da semana ficará com a China na quarta-feira, quando saem uma série de dados, como balança comercial, produção industrial, vendas no varejo e índices de inflação.

Expectativa com payroll da nevasca impede arrojo no exterior

5 de março de 2010 | 10h55

Daniela Milanese

O payroll da nevasca vem aí e impede qualquer posicionamento mais arrojado dos investidores no exterior, comportamento típico da primeira sexta-feira de cada mês. Os dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos são sempre aguardados com muita expectativa. Desta vez não é diferente, embora analistas avisem que as projeções funcionam mais do que nunca como loteria, pela imprevisibilidade decorrente do inverno rigoroso.
 
Antes da divulgação do payroll, às 10h30 (de Brasília), ninguém se arrisca a tomar partido: as bolsas europeias pisam no positivo e as moedas da região oscilam perto dos patamares de fechamento de ontem.
 
Sinal um pouco mais expressivo vem do petróleo, sustentado acima de US$ 80,00. Mas, por enquanto, as commodities não mostram reação francamente otimista ao discurso do primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, na abertura da reunião anual do Congresso Nacional do Povo. A própria Bolsa de Xangai fechou com ganho de apenas 0,25%.
 
O comportamento pode vir do fato de que as palavras do líder chinês abarcaram um espaço amplo, deixando possibilidade de manobra ao governo, conforme a situação. Jiabao apontou a intenção de manter a política fiscal ativa, a política monetária moderada e o atual modelo cambial. Por outro lado, ele disse que irá retirar gradualmente o programa de estímulo adotado durante a crise, além de lidar com os desafios da economia, como a disparada dos preços dos imóveis, conforme informações da Dow Jones.
 
Na Europa, ninguém tira os olhos da Grécia. A emissão de 5 bilhões de euros em bônus ontem não causou o ânimo que poderia, diante das dúvidas sobre o potencial do país para cumprir o austero plano fiscal. Hoje, as atenções se voltam para o encontro do primeiro-ministro George Papandreou com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim. 

 
Analistas esperam apoio às medidas anunciadas recentemente pela Grécia, mas a possibilidade de ajuda financeira neste momento está sendo descartada. O caso ainda deve render desdobramentos, a partir do cronograma de implantação a ser
seguido pelo país.
 
“Para aqueles que acham que o mercado está dando muita atenção para uma nação relativamente pequena como a Grécia, eu diria que o país é um amortecedor para os grandes problemas dos periféricos do bloco”, diz Jim Reid, estrategista-chefe do
Deutsche Bank. Se os investidores se sentirem confortáveis com a Grécia, diminui a chance de problemas em outros lugares. No entanto, se o país falhar, trará outros periféricos para o foco, avalia.
 
Para o payroll hoje, nos EUA, a projeção é de corte de 75 mil vagas em fevereiro, acima dos 20 mil postos perdidos em janeiro. A taxa de desemprego deve subir de 9,7% para 9,8%. Diversos analistas afirmam que o mercado pode não se estressar com um número pior do que o previsto, pois creditarão a piora ao impacto do clima. “Uma reação negativa inicial a um corte de 100 mil vagas ou algo parecido não deve durar, pois os investidores irão perceber que é um efeito da neve em um mês só”, anota Rob Carnell, do ING.

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Banco Central Europeu segue estratégia de saída suave

4 de março de 2010 | 20h30

Daniela Milanese

O Banco Central Europeu caminha lentamente para desmontar as medidas emergenciais adotadas no combate à crise. A chamada estratégia de saída, iniciada em dezembro do ano passado na região, deu novos passos leves hoje com ajustes no formato dos financiamentos às instituições.
 
A reação dos analistas é consensual: trata-se de um ajuste gradual para normalizar o sistema, já que uma alta dos juros ainda está distante – a taxa foi mantida no piso histórico de 1%. A expectativa de crescimento econômico moderado, inflação sob controle e a turbulência criada pela crise fiscal na Grécia impedem a adoção de aperto monetário.
 
O BCE foi o primeiro banco central a começar a desmontar o esquema não-convencional que injetou tantos recursos no sistema financeiro, no final do ano passado, bem antes de o Federal Reserve elevar a taxa de redesconto. No entanto, como a recuperação na Europa segue frágil, a autoridade deve adotar velocidade bastante moderada para implantar as medidas.
 
“O sinal é claro: o BCE vai continuar a normalizar o suprimento de liquidez gradualmente”, avalia Christel Aranda – Hassel, economista do Credit Suisse. “A inflação segue abaixo da meta e há muito espaço para o BCE continuar seguindo a sua estratégia de saída suavemente.”
 
O economista para a zona do euro do BNP Paribas, Ken Wattret, acredita que a intenção da autoridade é completar esse processo até o final do ano. “Mas claramente não há pressa para elevar os juros.”
 
Analistas continuam acreditando que ainda vai demorar diversos meses para as taxas começarem a subir. Para Elwin de Groot, do Rabobank, um aperto virá apenas no final do ano, e somente após a melhora das condições do mercado financeiro.
 
O economista-chefe do Unicredit, Marco Annunziata, vê a primeira alta de juros só no primeiro trimestre de 2011. “O Banco Central Europeu manterá a liquidez ampla por enquanto.”
 
As projeções do BCE apontam para inflação perto de 1%, abaixo da meta de 2%. A estimativa de crescimento moderado em 2010 foi praticamente mantida hoje, no ponto médio de 0,8%. A previsão para o PIB em 2011 subiu de 1,2% para 1,5%. Na coletiva desta quinta-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, apontou que o ambiente continua marcado por incertezas.
 
Como esperado, a situação da Grécia foi um dos principais temas da coletiva. Trichet elogiou o novo esforço do governo, a partir das medidas adicionais de austeridade fiscal anunciadas ontem. Para ele, seria inadequado para o país pedir ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
“A zona do euro ainda não está fora de perigo e precisa demonstrar que pode forçar a disciplina fiscal enquanto gera crescimento forte e sustentável”, diz Annunziata, do Unicredit.
 
O Banco da Inglaterra, que também se reuniu nesta quinta-feira, manteve o juro em 0,5% e deixou inalterado o programa de compra de títulos, usado para estimular a liquidez. Recentemente, a autoridade levantou a possibilidade de ampliar a injeção de recursos no sistema, mas analistas avaliam que a fraqueza da libra impede a adoção dessa medida no momento.

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Exterior em postura defensiva com expectativa sobre Europa e China

4 de março de 2010 | 10h43

Daniela Milanese

As expectativas com os desdobramentos da crise na Grécia e com as decisões de bancos centrais na Europa se juntam a novos temores de aperto monetário na China e levam os mercados internacionais a uma postura defensiva nesta manhã de quinta-feira.
 
As principais bolsas europeias e as commodities recuam no início dos negócios, após queda de 2,38% da Bolsa de Xangai.  Os bancos chineses sofreram perdas decorrentes da percepção de que o crédito poderá desacelerar no país.
 
Depois de anunciar medidas austeras, algumas dramáticas, o governo grego agora quer emitir bônus de 10 anos, conforme anunciado nesta manhã. É um passo relevante do processo de ajuste de contas públicas e será acompanhado de perto pelos players globais.
 
Outra questão decisiva é saber se a União Europeia irá ou não oferecer suporte financeiro para o país. Ontem, um porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a reunião de amanhã com o primeiro-ministro George Papandreou não tratará de um plano de ajuda. Nesse ambiente, o líder grego já levantou a possibilidade de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de todo o esforço fiscal que está sendo proposto.
 
Para o economista-chefe do Unicredit, Marco Annunziata, as medidas anunciadas são suficientes para satisfazer a União Europeia e oferecer cobertura se uma operação de resgate for necessária. “O governo grego ofereceu sangue, suor e lágrimas em suas medidas de aperto fiscal”, diz Paulo Donovan, economista do UBS. Redução de bônus do funcionalismo público e congelamento de aposentadorias foram anunciados ontem – com a esperada reação de descontentamento dos setores atingidos no país.
 
Investidores também acompanham as decisões do Banco da Inglaterra (às 9 horas, de Brasília) e do Banco Central Europeu (às 9h45) sobre política monetária. Os juros seguirão nos atuais pisos históricos, mas há expectativas sobre avaliações das estratégias de saída das medidas emergenciais montadas durante a crise.
 
O BC inglês já sinalizou que pode retomar o programa de compra de títulos caso necessário. No entanto, analistas acreditam que essa decisão não deve ser tomada hoje, diante da fragilidade da libra.
 
No caso do BCE, o maior interesse sempre recai na entrevista coletiva de Jean-Claude Trichet, a partir das 10h30. Especialistas não acreditam em mudanças significativas das projeções de crescimento e inflação, a serem anunciadas hoje.
 
A questão é saber qual será a velocidade adotada para a retirada das medidas de estímulo, considerando os problemas trazidos pela crise grega e pelo fraco crescimento do bloco, reforçado pelo inverno além da conta na região.
 
Para o Goldman Sachs, esse processo tende a ser mais gradual do que o esperado. O BNP Paribas acredita que a intenção do BCE é apenas normalizar suas operações de mercado aberto. Elwin de Groot, do Rabobank, avalia que a autoridade terá
de ser extremamente cuidadosa, até que a situação da Grécia melhore. “No entanto, isso não necessariamente significa que o BCE irá interromper sua estratégia de saída, pois acreditamos que a autoridade quer fixar uma certa velocidade para sua implementação.”
 
Depois do número considerado favorável da pesquisa ADP ontem – com corte de 20 mil vagas, melhor do que a previsão de -50 mil postos -, a agenda dos Estados Unidos traz nesta quinta-feira o balanço semanal do auxílio-desemprego (10h30), as encomendas à indústria e as vendas de imóveis pendentes (ambas às 12h).

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