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15 de Abril de 2010

 

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Daniela Milanese
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Daniela Milanese

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Londres cai na ressaca olímpica

13 de agosto de 2012 | 6h50

Daniela Milanese

Esperava-se uma cidade caótica, saturada e tensa. Ao invés disso, a capital britânica se mostrou uma sede olímpica organizada, tranquila e alto astral. Ao final dos Jogos, é possível dizer que Londres entregou suas promessas.

A principal receita dos britânicos foi o planejamento. Eles se adiantaram, finalizaram as principais instalações um ano antes da abertura do evento e amarraram a logística. Para ajudar, os atletas da casa engataram a melhor campanha em mais de um século e conseguiram 29 medalhas de ouro – com a contribuição de britânicos de origem em outros países, num destaque do multiculturalismo. Mais ainda: a chuva que azucrinou os londrinos ininterruptamente durante um mês antes da abertura deu lugar a temperaturas agradáveis e dias ensolarados.

Houve contratempos, é claro. O contrato com a empresa de segurança privada G4S falhou e o exército foi convocado às pressas para cobrir o buraco. Os soldados também tiveram de preencher os lugares vazios nos estádios, frutos dos problemas no esquema de distribuição de ingressos do Comitê Olímpico Internacional. A “ditadura dos patrocinadores” irritou até o governo britânico, com diversas situações absurdas para proteger a marca daqueles que colocam dinheiro do setor privado. Teve ainda o embaraço do sumiço das chaves do histórico Estádio de Wembley, palco do futebol.

Para evitar a superlotação dos transportes, a estratégia foi mesmo assustar a população. Era um bombardeio diário de alertas sobre a possibilidade de caos, reforçado até por mensagens gravadas do prefeito de Londres, Boris Johnson, nas estações de metrô.

De fato, as pessoas ficaram em casa, cancelaram compromissos pelo cidade ou foram viajar. Os turistas, como sempre acontece, passaram mais longe da sede olímpica. Assim, foram evitados maiores gargalos e grandes filas no controle de imigração no aeroporto de Heathrow, o mais movimentado da Europa.

O comércio reclamou da paradeira, problema que ganha amplitude em meio à recessão econômica no país. Mas, do ponto de vista dos organizadores, antes duas semanas de vendas mais fracas do que carregar a fama de Olimpíada caótica.

O sistema de telecomunicações, outra preocupação, também deu conta. Para aliviar a rede de celular 3G, foram instalados diversos pontos adicionais de Wi-Fi pela cidade, em acordos com operadoras locais. No Parque Olímpico, o sistema por vezes não se mostrava uma grande maravilha, mas passou sem grandes transtornos.

As mídias sociais revelaram o seu papel na “Olimpíada da tecnologia”. Pela primeira vez, estiveram realmente presentes nos Jogos – em Pequim, além das restrições de acesso, ainda não estavam tão disseminadas. E foram várias as polêmicas via Twitter. Comentários preconceituosos, afastamento de atletas e desentendimentos com torcedores marcaram as duas últimas semanas.

Os 70 mil voluntários descontraíram totalmente o ambiente. Ao chegar aos locais das provas, os torcedores sempre eram recebidos com boas vindas animadas e bom humor. Evitou-se, assim, o clima de tensão com a segurança por vezes exagerada numa cidade alvo de terrorismo – foram instalados mísseis nos tetos de moradores assustados, enquanto um navio de guerra permanecia no Tâmisa.

“O Reino Unido entregou”, resumiu em duas palavras o primeiro-ministro britânico, David Cameron. Realmente, lições para 2016. Mas resta a preocupação com o tão falado legado dos Jogos: a recessão levanta o risco de que a herança seja apenas física e que os cortes de gastos do governo corroam os investimentos em esportes. Para os londrinos, difícil agora será enfrentar a ressaca da realidade de crise a partir desta segunda-feira.

MO FARAH MANIA – O atleta britânico, de origem somali, Mohamed Farah virou sensação no Reino Unido, ao vencer a prova dos 10 mil metros e dos 5 mil metros, ganhando duas medalhas de ouro em Londres. Neste domingo, ele foi recebido pelo primeiro-ministro David Cameron, em sua residência oficial em Downing Street, e posou para fotos com o seu já famoso gesto de braços em forma da sua inicial “M”. Pelé também estava presente.

CAMERON DE FÉRIAS – Após duas semanas de Olimpíada, o primeiro-ministro David Cameron vai tirar um período de férias, já a partir desta segunda-feira. Ele estará de volta a tempo da abertura da Paralimpíada de Londres, em 29 de agosto. “Todos os seres humanos precisam de férias”, justificou, sob críticas da imprensa local.

HEATHROW – A segunda-feira pós-Olimpíada deve ser o dia mais movimentado da história do aeroporto de Heathrow. Isso porque os atletas e torcedores foram chegando aos poucos, mas tendem a concentrar a saída na data seguinte à cerimônia de encerramento.

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Mariachis atravessam o samba

12 de agosto de 2012 | 5h29

Daniela Milanese

De um lado, o batuque do samba. Do outro, as canções dos mariachis. Cada torcida levou para o Estádio de Wembley, em Londres, seu próprio barulho. O clima latino-americano na terra da rainha estava carregado de expectativa e, de início, exalava o favoritismo do Brasil contra o México na final do futebol olímpico neste sábado.

Nem mesmo a torcida adversária mostrava total confiança em sua seleção. “Mesmo se perdemos, teremos uma medalha”, dizia a mexicana Hortencia Celis, 39 anos, do grupo folclórico Mestiço de Londres, devidamente caracterizada com trajes do Estado de Jalisco.

Os brasileiros chegaram com a certeza da vitória. Daniel Victor Leon, 32 anos, veio como líder da Torcida Canarinho, grupo de 30 pessoas de várias cidades do País, e apostava num 3 a 0. Também havia a força da volumosa comunidade residente em Londres. O sentimento generalizado era de “agora vai”. “Moro aqui há quatro anos e esta é uma oportunidade única na minha vida”, dizia Anderson Hansen, de 34 anos.

Está certo que os ingleses não tendem a torcer pelo time considerado mais forte. Mas a seleção brasileira contou, sim, com o apoio de admiradores estrangeiros. O britânico de origem indiana Sarvjit Dale, 42 anos, considera-se um “brazindian”. Se apaixonou pelo time da Copa de 1982, que tinha os ídolos Sócrates e Falcão, e, desde então, acompanha os jogos do Brasil. A admiração fica explícita na placa de seu carro: R9GOL. Sócrates, aliás, é admirado no Reino Unido. É comum encontrar camisetas nas famosas feiras de rua em Notting Hill e Camden Town com sua figura estampada. “O time do Brasil é mais forte, vai ganhar”, afirmava o japonês Ikeda Shigeng, 38 anos.

Pois toda a segurança foi por água abaixo em apenas 28 segundos. Do lado de fora do estádio, aqueles que ainda não tinham conseguido entrar não acreditaram que os gritos de vibração tão no início do jogo eram para comemorar o primeiro gol do México. Atrasado, o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt passou correndo: “Vamos conseguir virar”.

Para quem não conseguiu comprar ingressos na última hora, o jeito era acompanhar a partida num dos pubs ao redor do estádio, que foram lotando. O nervosismo tomou conta, o segundo gol do México afogou as esperanças e o gol do Brasil já perto do final não passou de consolo. A autoconfiança se transformou na mais pura decepção.

Boa parte da torcida brasileira nem mesmo esperou o jogo acabar e já foi deixando Wembley. Passavam rapidamente, em silêncio, cabisbaixos. “Moro em Londres há oito anos, já vi o Brasil jogar dez vezes aqui e essa foi a pior”, lamentava Jodelle Silva, 29 anos. Todos os relatos eram de tristeza, baixo astral e clima péssimo. Nem sinal da alegria que cercava do estádio duas horas antes.

Teve quem resistiu com um batuque e um “deixa para a próxima” e “agora vamos para a Rio/2016″. Mas a verdade é que a prata não satisfez ninguém. E, no final, quem cantou mais alto foram mesmo os mariachis da Banda Nueva Generacion, que vieram diretamente da Cidade do México. Ai, ai, ai, ai, canta y no llores…

INGRESSO CARO 1 – Foi forte a movimentação de venda ingressos na porta do Estádio de Wembley, para a final entre Brasil e México. Havia gente cobrando até 400 libras (cerca de R$ 1,5 mil) por uma entrada que valia muito menos.

INGRESSO CARO 2 – Quem dava sorte, conseguia comprar pelo preço oficial, daqueles torcedores que só tentavam se desfazer de ingressos. Mas outros aproveitaram para faturar alto. A polícia chegou a prender um cambista com cerca de dez entradas nas mãos.

BRASA – A comunidade brasileira em Londres é uma das maiores dos países da América Latina. Bastante difícil calcular o número de imigrantes. De forma geral, imagina-se que há cerca de 300 mil brasileiros na capital britânica – aqui, eles costumam se referir ao País como “Brasa”. A comunidade mexicana é bem menor, estimada em seis mil pessoas.

CARTÃO VERMELHO – O Reino Unido organizou neste sábado evento com empresários para atrair investimentos brasileiros. A segurança no local, entretanto, tinha o poder de afastar o público e não era nada receptiva. A imprensa não podia transitar desacompanhada pelo prédio da Lancaster House, precisava de escolta o tempo todo e teve de acompanhar o evento numa salinha à parte. O vice-presidente Michel Temer esteve lá.

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Crise ameaça legado de Londres

10 de agosto de 2012 | 7h20

Daniela Milanese

O legado sempre foi o ponto central da Olimpíada de Londres. A cidade conquistou a sede do maior evento esportivo do planeta ao apresentar o compromisso de inspirar uma geração. A promessa, porém, foi feita em outros tempos, quando ninguém imaginava que o mundo iria virar de cabeça para baixo. Ao chegar ao final de Jogos bem sucedidos, Londres vê sua promessa ameaçada pela crise econômica e pela estratégia de corte de gastos do governo.

A discussão ganha pleno vapor a poucos dias da cerimônia de encerramento. Depois de conquistar mais de 20 medalhas de ouro, fica entre boa parte dos britânicos o desejo de mais investimentos públicos na área de esporte. O governo diz que irá aplicar 1 bilhão de libras (cerca de R$ 3,5 bilhões) num período de cinco anos. Mas a tendência é claramente de queda. A UK Sport, entidade responsável por incentivar atletas, se depara com dificuldades para obter mais dinheiro. Em 2010, foram cortados os recursos destinados ao programa School Sports Partnership.

O primeiro-ministro conservador David Cameron abraça um forte programa de austeridade fiscal para diminuir a dívida pública, o que aprofunda a recessão no país. “É claro que a austeridade é uma ameaça ao legado da Olimpíada”, dispara Robin Wales, subprefeito de Newham, bairro onde está localizado o Parque Olímpico, um dos mais pobres de Londres. Da oposição trabalhista, ele diz que sua região é penalizada pela redução de benefícios sociais, num cenário de desemprego elevado.

Cameron argumenta que a principal questão não é o dinheiro, e sim a necessidade de uma “mudança cultural”. Os professores deveriam estimular o espírito de competição entre os alunos, e não passar a mensagem de que todos os participantes devem ser premiados.

Já para o prefeito de Londres, Boris Johnson, o tempo de prática de esportes nas escolas primárias deveria ser ampliado para duas horas por dia. O governo, porém, removeu a necessidade de duas horas semanais de educação física. “Aprendi a nadar numa piscina de escola primária e é claro que eu gostaria de ver mais aulas de esportes”, diz o prefeito londrino.

Teme-se que o legado londrino seja apenas físico e que o bairro a nascer do atual Parque Olímpico acabe se tornando uma ilha de prosperidade numa região pobre. Os organizadores se vangloriam de terem traçado o destino das instalações com antecedência, embora o futuro do Estádio Olímpico ainda esteja em aberto – assumido pelo governo, há chances de que seja alugado para o time de futebol West Ham.

O Parque Olímpico irá ganhar o nome de Rainha Elizabeth e reabrirá em julho de 2013, com a estimativa de receber nove milhões de visitantes por ano.

A Vila Olímpica foi vendida para o fundo soberano do Catar e será transformada no conjunto habitacional East Village até 2014, com 2.818 residências. É preciso fazer adaptações porque as moradias dos atletas, por exemplo, não têm cozinha. Metade dos apartamentos deve ter preços acessíveis para a população de renda mais baixa. Aqui recai outra dúvida: a crise permitirá a lotação do empreendimento? “Sabemos como está a economia no momento, mas Londres tem déficit de moradias e acho que teremos sucesso”, diz Stuart Corbyn, presidente da East Village. A ver.

iCITY – O centro de imprensa instalado no Parque Olímpico passará a abrigar um centro de inovação e tecnologia, o iCity. O leste da cidade já é palco da chamada Tech City, desenvolvida por micro empresas do setor no leste da cidade.

BORIS PORTA-BANDEIRA – O prefeito de Londres, Boris Johnson, mandou uma mensagem de tranquilidade para o Rio. “Posso assegurar que não tenho intenção de ficar com a bandeira olímpica”, brincou, durante uma coletiva de imprensa. Foi uma resposta ao temor do prefeito do Rio, Eduardo Paes, de que o britânico faça “alguma loucura” ao passar a bandeira na cerimônia de encerramento no domingo.

PASSEIO NO PARQUE OLÍMPICO – As atrações do Parque Olímpico já levantam o desejo de que o local seja aberto para visitação do público logo após a Olimpíada. Quem não conseguiu comprar ingressos para os Jogos está curioso para conhecer o local. Boris Johnson, entretanto, diz que a melhor solução é buscar entradas para a Paralimpíada, que começa em 29 de agosto – ainda há 500 mil à disposição.

RECORDE NO METRÔ – O sistema de metrô de Londres bateu na quarta-feira recorde no número de passageiros transportados: 4,5 milhões.

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Jeitinho inglês contra patrulha do COI

9 de agosto de 2012 | 6h39

Daniela Milanese

As medalhas de ouro se acumulam, o patriotismo está totalmente em alta e o clima de euforia toma conta de Londres. A Grã-Bretanha faz sua melhor campanha olímpica desde 1908 e a organização dos Jogos, até agora, transcorre bem. Nada disso, porém, pode ser alardeado pelo comércio do país. Na verdade, os britânicos vão arranjando um jeitinho bastante tímido de driblar a camisa de força do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Organizador de Londres/2012.

As regras para proteção das marcas oficiais proíbem o uso de palavras como “Olimpíada”, “Jogos”, “2012″, “ouro” e “medalhas”, além do símbolo olímpico, por qualquer um que não seja patrocinador. As lojas não podem criar nenhuma associação com o evento esportivo.

Caminhadas pelo comércio da cidade mostram que a maior parte dos estabelecimentos optou por decorações com bandeiras. Muitos entram no clima com o uso da “union flag” que representa o Reino Unido. Outros dispõem de bandeiras de vários países, como representação da diversidade da Olimpíada.

Há lojas que vão um pouco mais longe do que isso, mas não muito além. Uma famosa marca de acessórios femininos decorou suas vitrines com cartazes de medalhas. Teve uma que pendurou medalhas de papel nas camisas em exposição. Outra “sacada” foi escrever “bem-vindo” em várias línguas para atrair os visitantes torcedores. E uma loja de equipamentos para trilhas arriscou-se a colocar um “boa sorte a todos os times” na vitrine.

Até mesmo os pubs precisam ser extremamente cautelosos ao escreverem as tradicionais chamadas para partidas em suas placas. E nem sinal de produtos “genéricos” da Olimpíada pela cidade: até mesmo nas barracas de rua, as camisetas e os souvenirs são oficiais.

O jeito leve de abordar o tema reflete a patrulha instalada. Mais de 200 observadores do COI monitoram qualquer fissura nas regras de proteção de marcas. A situação acaba criando um clima repressor, bem estampado pela capa da revista satírica Private Eye: “Abaixe essa lata de Pepsi e ninguém sairá ferido”, dizem policiais fortemente armados. A Coca-Cola está entre os patrocinadores oficiais.

Ao conversar com vários patrocinadores, surge sempre o mesmo argumento: os Jogos não aconteceriam sem o dinheiro colocado pelo setor privado, daí a importância em proteger a marca daqueles que apoiam o evento. Será mesmo? Uma análise dos números revela outra coisa. O governo britânico entrou com orçamento de 9,3 bilhões de libras (cerca de R$ 30 bilhões). O Comitê Organizador Local levantou 2 bilhões de libras (R$ 6,5 bilhões), sendo 700 milhões de libras (R$ 2,2 bilhões) dos patrocinadores locais, mais 700 milhões de libras vindo do Comitê Olímpico Internacional (entre direitos de transmissão e patrocínio) e o restante de venda de ingressos e produtos licenciados. Portanto, cerca de 10% do financiamento para os Jogos vêm do setor privado.

Fica a pergunta: será possível segurar a criatividade dos comerciantes brasileiros e a força da pirataria no Rio de Janeiro em 2016?

CONTROLE – Nos locais dos Jogos, as únicas formas de pagamento à disposição dos torcedores são dinheiro ou cartões da patrocinadora Visa, regra que vale inclusive para o centro de imprensa fora do Parque Olímpico. O centro de eventos O2 Arena, pertencente à empresa de telefonia O2, abriga as competições de ginástica, mas teve seu nome alterado temporariamente para North Greenwich Arena porque a concorrente BT é patrocinadora oficial.

PARALIMPÍADA – O sucesso da organização e da campanha do Reino Unido estimula a procura pelas competições da Paralimpíada de Londres, que começa em 29 de agosto. Muitos que não conseguiram entradas para a Olimpíada buscarão também conhecer os já icônicos locais das competições. Existe ainda o fator Oscar Pistorius, o corredor sul-africano de pernas amputadas que atrai os torcedores. Segundo os organizadores, um recorde de 2,1 milhões de ingressos foram vendidos, acima do 1,8 milhão da Paralimpíada de Pequim.

CORREIOS – Parece que o Correio Real Britânico, entretanto, não está tão empolgado com a Paralimpíada. A entidade decidiu que os medalhistas de ouro britânicos da competição não serão homenageados com selos individuais, como acontece com os vencedores da Olimpíada. O Correio irá produzir seis selos com todos os vencedores depois que a Paralimpíada acabar. Será mantida a homenagem de pintar uma caixa postal de dourado na cidade natal de cada campeão.

CRÍTICAS – A decisão do Correio Real Britânico gerou críticas no país sobre falta de tratamento igualitário para os atletas. A entidade respondeu que espera grande sucesso dos competidores paralímpicos, o que impossibilita a logística para a confecção de selos individuais. Nos Jogos de Pequim, o país conseguiu 42 medalhas de ouro.

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Multiculturalismo do time britânico

8 de agosto de 2012 | 7h43

Daniela Milanese

Imagine a profusão de nacionalidades existente numa Olimpíada espalhada por toda uma cidade diariamente. Assim é a vida em Londres, arrisco dizer o lugar mais cosmopolita do mundo. A profusão de línguas, cores, crenças e vestimentas faz parte da rotina. A passos de casa, há restaurantes turco, iraniano, libanês, asiático, indiano e somali. Existem aqueles supermercados árabes e tailandeses para qualquer um se deliciar. Tem salão de manicures vietnamitas, inclusive com homem entre as profissionais. Todos administrados por imigrantes de primeira geração no Reino Unido.

Não há dúvidas de que Londres só é esta metrópole tão vibrante em razão da diversidade de sua população. Apesar disso, não se pode dizer que os imigrantes são unanimemente bem-vindos no país. O próprio governo tem como meta reduzir a imigração e vem apertando cada vez mais as regras para a permanência por aqui, algo que agrada a opinião pública.

O debate ganhou ângulo novo durante os Jogos Olímpicos. O sentimento de orgulho nacional e patriotismo há muito não se mostrava tão forte. Afinal, os britânicos protagonizam uma campanha absolutamente vitoriosa dentro de casa e, de quebra, conseguem entregar um evento bem organizado até agora.

O país viveu um momento de glória no sábado à noite, quando conquistou três medalhas de ouro no atletismo em apenas 46 minutos dentro do Estádio Olímpico. A façanha foi possível pelo desempenho do somali e muçulmano Mohamed Farah, vencedor dos 10 mil metros, da filha de jamaicano Jessica Ennis, campeã do heptatlo, e do inglês ruivo Greg Rutherford, ganhador do salto em distância.

Levantamento feito pela Agência Estado mostra que a diversidade se espalha por outros esportes. O primeiro britânico a vencer a Volta da França e medalhista de ouro no ciclismo, Bradley Wiggins, nasceu na Bélgica e é filho de pai australiano. O também ciclista Christopher Froome, bronze na prova contra relógio, é de Nairóbi, no Quênia. Na ginástica artística, a medalhista de bronze Elizabeth Tweddle nasceu em Johannesburgo, África do Sul.

O quadro espelha bem o multiculturalismo da cidade. O Reino Unido recebe cerca de 600 mil imigrantes por ano. Mais de 300 línguas são faladas pelas crianças em seus lares no país. Ainda assim, a sociedade está longe de um ambiente de integração. Os choques culturais são constantes.

Um ponto que choca bastante é o sistema de exclusão das escolas públicas. As melhores são católicas e praticamente só aceitam alunos cujos pais são praticantes. Para conseguir uma vaga, é preciso da certidão de batismo da criança e até comprovação do padre de que a família de fato frequenta a igreja católica. Na prática, isso afasta crianças de outras crenças e tira vagas das famílias muçulmanas – num país cuja religião oficial nem é a católica, mas sim a anglicana.

Sorte é encontrar no seu bairro uma escola aberta à diversidade e orgulhosa pelo acúmulo de línguas diferentes entre seus alunos. São instituições de ensino assim que conseguem abrigar os somalianos, tão prejudicados pelo sistema.

Londres discute muito sobre o legado olímpico. Pois uma herança bastante interessante dos Jogos poderia ser o apoio ao multiculturalismo, que turbinou o quadro de medalhas britânico.

MEDALHAS PER CAPITA 1 – Veículos britânicos vêm fazendo quadros alternativos de medalhas. Levantamento do Guardian mostra que o Brasil cairia do 21º para o 64º lugar se fosse adotado o critério de medalha per capita ou em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

MEDALHAS PER CAPITA 2 – Pela mesma comparação, a Grã-Bretanha passaria da terceira para a 12ª posição em medalhas per capita e para o 33º lugar no critério em relação ao PIB.

BOLT MANIA – O efeito do jamaicano Usain Bolt ecoa pela cidade. Até mesmo os policiais de Londres se rendem e fazem a famosa pose com os braços do corredor. A popularidade pode ser confirmada na internet: Bolt foi o atleta que mais atrai page views no site oficial de Londres/2012, seguido pela russa Yelena Isinbayeva e pelo norte-americano Michael Phelps.

SITE – O site oficial de Londres/2012 já atraiu 83 milhões de usuários, superando o número obtido em nos Jogos de Inverno em Vancouver, em 2010.

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Fast food olímpico em Londres

7 de agosto de 2012 | 8h19

Daniela Milanese

É preciso estômago para atravessar um dia de competições no Parque Olímpico. O cardápio à disposição dos torcedores passa longe do ideal de saúde propagado pelo mundo do esporte. Fast food e refrigerantes não só dominam a cena como estão por trás de parte do dinheiro que sustenta os Jogos de Londres.

A posição do McDonald´s e da Coca-Cola como principais patrocinadores gera polêmica numa Olimpíada que tem como lema “Inspire uma geração”, num país que tenta se livrar do título de péssima gastronomia e combater o grave problema de obesidade que aflige boa parte da população.

Durante décadas, o Reino Unido foi reconhecido por sua culinária sofrível e gordurosa. O peixe com batata frita, o tradicional “fish and chips,” ainda reina na terra de Elizabeth II, mas vem dando espaço ao que se chama de revolução gastronômica britânica. Nos últimos anos, surgiram diversos chefs celebridades, capazes de mudar o perfil da comida nacional e alcançar a fama também no exterior. O restaurante Fat Duck, de Heston Blumenthal, já chegou a ser apontado como o melhor do mundo. Nomes como Jamie Oliver e Gordon Ramsay geram até turismo gastronômico, especialmente entre brasileiros.

Oliver é um crítico mordaz das grandes corporações de fast food e ativista da alimentação saudável. No início deste ano, conseguiu que o McDonald´s mudasse a receita de seu hambúguer nos Estados Unidos, depois de apontar o uso “repugnante” de hidróxio de amônia, nocivo à saúde. “Ninguém nos EUA sabia disso e a substância estava em 88% dos hambúrgueres feitos no país”, afirma Oliver. Ele lembra que a descoberta gerou preocupação em outros países, como o Brasil, onde o uso não acontece.

O Parque Olímpico abriga o maior restaurante do McDonalds do mundo, com 1,5 mil lugares. O local é temporário, mas gerou muita irritação porque o comitê organizador chegou a proibir a venda de batata frita no restante do Parque, decisão que acabou suspensa posteriormente. Foi o suficiente, entretanto, para mais reclamações sobre as regras draconianas de marketing dos patrocinadores do Comitê Olímpico Internacional (COI).

As alternativas ao hambúrguer não são exatamente convidativas durante os Jogos. Há barracas com pratos de vários países, mas com aspecto desfigurado e nada convidativo. Nada que faça valer a pena esperar tanto tempo nas filas.

“O tipo de comida servida reflete o gosto do público do país”, afirma David Payne, sócio da DPA, empresa responsável pelos serviços de catering de Londres 2012. “No Rio de Janeiro, a comida deve refletir o que é mais popular por lá.”

Pode ser que parte do público ainda prefira mesmo o excesso de calorias, mas a pressão por algo mais saudável é crescente. A organização The Childrens´ Food Campaign chegou a classificar o evento esportivo de Londres como “Jogos da Obesidade” e pediu para que junk food e refrigerantes sejam banidos das próximas Olimpíadas. A entidade argumenta que apenas 10% dos recursos para financiamento dos Jogos vêm das empresas patrocinadoras.

NÚMEROS – Cerca de 15 milhões de refeições devem ser servidas nas instalações dos Jogos de Londres, segundo a empresa DPA, responsável pelo serviço. Desse total, 2,5 milhões serão consumidas pelos atletas; dois milhões pelos representantes da mídia; dois milhões pelos patrocinadores e voluntários; e quase nove milhões pelo público.

OBESIDADE — De acordo com os últimos levantamentos feito pelo NHS, o sistema de saúde pública, mais de 60% dos adultos na Inglaterra são obesos e mais de 30% dos jovens com menos de 15 anos estão na mesma categoria. Em 2050, mais de um quarto das crianças do país estarão nessa condição.

RIO 2016 – “A Olimpíada no Brasil será incrível”, acredita Jamie Oliver. O chef celebridade adora feijoada e convive com diversos brasileiros. Deles, houve que o País precisa trabalhar mais com a comida popular, e não tanto com a alta gastronomia. “O Brasil é o lugar para se estar.”

GASTROPUBS – Dentro do recente movimento de renovação no Reino Unido, surgiram os gastropubs. Podem ser comparados aos botecos chiques de São Paulo. São pubs nos estilos tradicionais, mas que fazem boa comida britânica, além servir as cervejas.

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9 segundos para ficar na eternidade

6 de agosto de 2012 | 8h17

Daniela Milanese

Não existe no esporte mundial nenhuma outra prova que crie tanta expectativa. A revelação do homem mais rápido do mundo, vencedor dos 100 metros, é o principal evento de uma Olimpíada. As conjecturas em Londres foram muitas, mas sempre rondaram a pergunta essencial: o jamaicano Usain Bolt conseguiria repetir a medalha de ouro que ganhou há quatro anos em Pequim?

Esse era, evidentemente, o desejo das 80 mil pessoas que lotaram o Estádio Olímpico neste domingo. Vivo na memória, o passeio do jamaicano em 2008, quando chegou a abrir os braços antes de cruzar a linha de chegada e cravar a marca histórica de 9s69 – além de levar o ouro também nos 200 metros e no revezamento de 4×100 metros. No ano seguinte, Bolt bateu novo recorde no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, com 9s58.

O suspense em Londres foi mantido com as especulações de que Bolt não estaria no melhor de sua forma física. No início de julho, perdeu do compatriota Yohan Blake na seletiva jamaicana dos 200 metros, quando teve enrijecimento do tendão direito. Acabou ficando ausente da etapa de Mônaco da Diamond League. Sempre midiático e brincalhão, esteve isolado em Londres e treinou a portas fechadas na cidade de Birmingham, alimentando o mistério sobre o seu desempenho. Ao surgir nas eliminatórias de sábado, fez apenas o suficiente para avançar.

Estratégia ou motivo real de preocupação? Teria deixado de ser imbatível? Conseguiria realizar seu desejo de se tornar uma lenda? A resposta para tanta expectativa viria, é claro, numa fração de tempo.

As semifinais trouxeram a lista dos competidores da grande final: Bolt, Blake, o também jamaicano Asafa Powell, os norte-americanos Tyson Gay, Justin Gatlin e Ryan Bailey, o holandês Churandy Martina e Richard Thompson, de Trinidad e Tobago.

À medida que a noite caía, a ansiedade aumentava no Estádio Olímpico. Cerca de dois milhões de pessoas tentaram comprar ingressos para a prova e estar presente carregava significado especial. Após horas de espera, eis que chega o momento. Vem o pedido de silêncio ao público, reforçado pelo sorridente Bolt. Ele se benze. Concentração absoluta. O aviso: “set!”. O tiro. A explosão jamaicana e a euforia dos 80 mil torcedores que, afinal, presenciaram mais uma medalha de ouro para o homem mais rápido do mundo.

O recorde mundial não foi quebrado, mas Bolt superou a marca olímpica com 9s63, venceu com facilidade, em mais um passeio, e partiu para a festa da comemoração. Deu cambalhotas, posou várias vezes para as câmeras com o seu famoso movimento de braços. Para completar, seu compatriota Blake ficou em segundo lugar, com o tempo de 9s75. Melhor celebração impossível exatamente na véspera da comemoração dos 50 anos da independência da Jamaica do Reino Unido. Agora, só falta seguir adiante com o plano do governo de destronar a rainha Elizabeth II, que ainda é a chefe de estado do país.

A impressão é que a prova dos 100 metros dura bem mais do que dez segundos. A lembrança do momento certamente ficará para sempre.

LEGADO – O plano original de Londres/2012 era vender o Estádio Olímpico após os Jogos. Chegou a ser feita uma negociação com o time de futebol West Ham, que acabou barrada por contestação judicial do rival Tottenham. O governo decidiu ficar com a propriedade do estádio e arrendá-lo, possivelmente para o próprio West Ham.

ATLETISMO EM 2017 – O objetivo dos organizadores é manter a configuração que permite combinar futebol e atletismo no Estádio Olímpico. Tanto que o local já foi escolhido como sede do Campeonato Mundial de Atletismo de 2017. O espaço de 80 mil lugares pode ser alterado para uma estrutura menor, de 25 mil lugares.

TECNOLOGIA – A pista de corrida do Estádio Olímpico de Londres foi feita com tecnologia de adesivos que liga as partículas de borracha e permite melhor equilíbrio, resistência, elasticidade e segurança aos velocistas. Os 5 mil metros de pista foram projetados para terem vida útil de pelo menos dez anos.

PORTE – O atletismo é o maior evento da Olimpíada, com 2 mil atletas em 47 competições ao longo de dez dias. A maior parte acontece no Estádio Olímpico, no leste de Londres, mas as maratonas pelos pontos turísticos da cidade criam espetáculo à parte – a feminina foi neste domingo e a masculina acontece no último dia dos Jogos, em 12 de agosto. Em Pequim, o atletismo quebrou 12 recordes olímpicos e cinco recordes mundiais.

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Orgulho real e marketing britânico

5 de agosto de 2012 | 4h18

Daniela Milanese

A rainha surgiu de paraquedas com James Bond. A nova geração da família real é presença constante na torcida. Beatles, Rolling Stones e Queen dominam a trilha sonora durante as partidas. Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, apareceu como o melhor filme de todos os tempos. Os ícones estão bem presentes e alardeados na Olimpíada de Londres, numa estratégia clara de autocelebração e marketing britânicos.

“As nuvens foram inventadas aqui em Stratford”, exagera John Lock, diretor da Universidade de East London, referindo-se ao cientista que primeiro as classificou, Luke Howard, morador do bairro que hoje abriga o Parque Olímpico. A frase demonstra bem o clima de nacionalismo vivido pela cidade durante os Jogos.

Curiosamente, a Olimpíada transformou totalmente o humor dos britânicos. Até então, prevalecia um certo azedume da população. O orçamento de 9 bilhões de libras (cerca de R$ 30 bilhões) sempre foi considerado um desperdício de dinheiro público, ainda mais depois que o Reino Unido passou a adotar uma forte política de corte de gastos para enfrentar a crise. Os londrinos estavam nervosos com a possibilidade de caos nos transportes. A imprensa fez, desde o início da campanha de Londres/2012, pressão absolutamente desfavorável.

O fato é que tudo mudou desde que o evento começou. A cidade engatou num alto astral, o metrô ainda não teve nenhuma superlotação grave, as manchetes negativas desapareceram, a população ajuda amigavelmente os turistas perdidos e a torcida do Time Grã-Bretanha faz barulho e lota estádios. Os voluntários dão um show à parte ao receber os torcedores com boas-vindas animadas. “Eu mesma tinha receios do que aconteceria, porque os londrinos não são exatamente simpáticos”, diz uma organizadora, com os olhos marejados, que prefere não se identificar.

O orgulho britânico também está a pleno vapor com a torcida protagonizada pelo príncipe William, sua mulher Kate Middleton e o príncipe Harry. Teve até abraço e carinho públicos do casal real na comemoração dos resultados da equipe da casa, além da medalha de prata na equitação para Zara Phillips, neta da rainha Elizabeth II. A boa campanha do Time Grã-Bretanha, já com mais de dez medalhas de ouro, alimenta o clima.

O governo tem uma estratégia deliberada de promoção para a atração de novos investimentos, diante da crise econômica. O objetivo é fazer marketing mesmo e tentar mostrar ao mundo a imagem de país aberto aos negócios – assim como a China aproveitou para se apresentar como potência em 2008. A marca de sustentabilidade que Londres quer imprimir aos Jogos também entra no esquema. Embora a preocupação com o meio ambiente seja um discurso constante, ninguém fala que a maior parte da energia gerada para abastecer o Parque Olímpico vem de usinas nucleares. “Quero bilhões e bilhões fechados em negócios para as companhias britânicas se beneficiarem”, diz o primeiro-ministro David Cameron.

A população tem motivos para se orgulhar dos Jogos. Até agora, tirando alguns escorregões, tudo corre de forma organizada e agradável. Mas como o ex-império segue em decadência e só tem principalmente os ícones do passado para se apegar, a autopromoção exala um inegável cheiro de naftalina.

BEATLE NA TORCIDA – O ex-Beatle Paul McCartney também se juntou à torcida do Time Grã-Bretanha neste sábado, ao comparecer ao velódromo no Parque Olímpico. O público engatou o coro “nananana”, da música “Hey Jude”, na comemoração de mais uma medalha de ouro britânica.

FELICIDADE VIRTUAL – Levantamento do Facebook mostra que a Olimpíada está mesmo animando os britânicos. As postagens com as palavras “amor” e “feliz” passaram a disparar no país a partir do dia 27 de julho, data da cerimônia de abertura dos Jogos.

ATÉ O CINEMA – O British Film Institute (BFI) elegeu “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock, como o melhor filme de todos os tempos. Pela primeira vez em 50 anos, a obra-prima britânica desbancou “Cidadão Kane”, do americano Orson Welles. A escolha foi feita com base nos votos de 846 críticos e ajudou ampliar a onda nacionalista. Coincidentemente, o BFI promove atualmente um festival sobre a sensacional obra de Hitchcock.

SUPER CHURRASCO – O chamado “super sábado” veio como o dia mais agitado das competições até agora, com a distribuição de 25 medalhas de ouro. Os britânicos aproveitaram de forma típica. Com tantas disputas interessantes para acompanhar pela TV, nada melhor do que churrasco de hambúrguer no jardim de casa.

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Rédea do COI impõe beleza anônima no Parque Olímpico

4 de agosto de 2012 | 7h03

Daniela Milanese

Ao chegar ao Parque Olímpico de Londres, os torcedores se encantam não apenas com o alto astral do evento esportivo. A beleza de instalações, como o Centro Aquático e o Velódromo, é uma atração à parte. Só que os famosos arquitetos responsáveis pelos projetos não têm o direito de promover suas próprias obras.

Essa é mais uma das criticadas regras do Comitê Olímpico Internacional (COI). Apenas os patrocinadores oficiais podem fazer marketing sobre os Jogos. As restrições são tamanhas que ninguém mais está autorizado nem sequer a mencionar palavra “Olimpíada”.

A questão dos arquitetos aumenta a polêmica porque desperta visível contrariedade até mesmo do secretário britânico para a Cultura, Comunicações e Indústrias Criativas, Ed Vaizey. Nesta semana, ele vestiu rapidamente uma camiseta com o nome de todos os profissionais que participaram das construções olímpicas, endossando manifestação do Instituto Real dos Arquitetos Britânicos.

“Obviamente, não é segredo quem construiu as instalações, então temos o direito de dizer que estamos orgulhosos de que os arquitetos britânicos fizeram a maior parte das instalações do Parque Olímpico, isso é diferente de fazer promoção”, afirmou Vaizey, em entrevista à Agência Estado.

O nome dos arquitetos consta do material oficial do Comitê Organizador, mas os profissionais estão insatisfeitos com a mordaça. Nesta sexta-feira, houve manifestação na sede do Instituto Britânico, onde foi colocado um banner com o nome de todos que participaram do projeto dos Jogos. Usando um vestido com imagens do Parque Olímpico, a presidente da associação, Angela Brady, pediu que a restrição seja eliminada. Ela quer que os profissionais possam falar abertamente, em público, sobre seus projetos.

A cobertura em forma de onda do Centro Aquático é uma das primeiras visões para quem chega ao Parque Olímpico pela entrada principal. A criação é da aclamada Zaha Hadid, iraquiana radicada na Inglaterra.

O velódromo também já se transformou num ícone dos Jogos de Londres. Projetado para ser o mais rápido do mundo, contou com sugestões dos principais nomes do ciclismo, como o campeão olímpico Bradley Wiggins. Trata-se de um projeto do escritório britânico Hopkins Architects – na equipe, está o brasileiro Gustavo Brunelli.

A “ditadura dos patrocinadores” afeta todos os aspectos dos Jogos e chega a causar cenas absurdas. Nesta semana, a diretora da organização UK Sport, Debbie Lye, afirmou que não poderia dizer à imprensa de quem recebia doações, pois não eram empresas que estavam entre os patrocinadores oficiais.

“Vocês sabiam que eu não posso contar que a Siemens fez um grande investimento em Newham porque a patrocinadora da Olimpíada é a GE?”, disparou o subprefeito da região onde está localizado o Parque Olímpico, Robin Wales.

SECRETÁRIO BARRADO – O secretário britânico para a Cultura, Comunicações e Indústrias Criativas, Ed Vaizey, foi barrado pela segurança do centro de imprensa em Londres, nesta sexta-feira, no ambiente restrito imposto pelos organizadores. Vaizey teve que explicar quem era.

SUPER SÁBADO – As 25 medalhas de ouro a serem conquistadas transformam este sábado no dia mais agitado dos Jogos de Londres. Cerca de 200 mil torcedores são esperados no Parque Olímpico. Assim como na sexta-feira, o acesso ao mega shopping que fica ao lado será restrito, durante o dia, para quem tem ingressos.

PROBLEMAS NO METRÔ – Após dias de calmaria, o sistema de metrô de Londres apresentou problemas nesta sexta-feira, data de estreia das competições do atletismo. Pela manhã, a linha central que vai até o Parque Olímpico ficou parada por uma hora, gerando filas e atrasos. A confusão acabou lotando a estação de St Pancras, de onde sai o trem-bala, uma opção para chegar ao local. À tarde, também houve atrasos na linha de metrô de Bakerloo.

APROVEITEM A CIDADE – O sistema de transporte de Londres já está fazendo um “mea culpa” implícito por ter disparado tantos alertas sobre o risco de superlotação dos trens e metrôs, o que assustou os moradores. Agora, os e-mails recebidos pelos usuários estão vindo com outro tom: “Londres tem muito a oferecer durante os Jogos, então aproveite ao máximo os teatros, restaurantes, lojas, shows gratuitos e outras atrações”.

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Prefeito de Londres rouba a cena

3 de agosto de 2012 | 4h59

Daniela Milanese

O americano Michael Phelps se tornou o maior medalhista da história, o britânico Bradley Wiggins atingiu a consagração ao levar o ouro no ciclismo logo após vencer a Volta da França e a chinesa Ye Shiwen estarreceu o mundo ao bater recordes na natação. Fora das competições, entretanto, os Jogos Olímpicos ganham uma estrela nada atlética: o prefeito de Londres, Boris Johnson, rouba a cena e se transforma numa das maiores atrações do evento. Ele reúne todas as excentricidades de uma metrópole essencialmente excêntrica.

Polêmico, politicamente incorreto, atrapalhado, descabelado e espirituoso, o prefeito protagoniza cenas hilárias, para diversão de alguns e embaraço de outros londrinos. Na quarta-feira, ele literalmente surgiu do céu ao descer por um tipo de tirolesa, a 320 metros de altura, com um capacete azul e segurando duas bandeirinhas do país, numa atração do Victoria Park. Antes de chegar ao chão, ficou preso, protagonizando uma cena cômica, fotografada e filmada pela população. “Arrumem uma corda, arrumem uma escada”, dizia Johnson, antes de ser resgatado.

Os fotógrafos foram rápidos ao captar o prefeito bocejando num jogo de vôlei de praia masculino. Até que sua postura mudou totalmente quando a equipe feminina entrou na quadra. Johnson visivelmente se animou e passou a tirar fotos. Ele também agitou os participantes ao formar uma “ola” e já é considerado o líder da torcida da Grã-Bretanha.

A vocação para excentricidades olímpicas já havia sido identificada em 2008. Ao final da Olimpíada em Pequim, Johnson afirmou num discurso infame que o “pingue pongue” havia sido inventado nas mesas de jantar da Inglaterra no século 19.

Até agora, aquilo que seria considerado vexame para qualquer outro político resulta em aumento de popularidade. O prefeito já passa a ser cotado para se tornar o próximo líder do Partido Conservador, no lugar no atual primeiro-ministro David Cameron.

Segundo pesquisa realizada pelo instituto YouGov, 36% da população acredita que o prefeito poderia assumir o comando do país, um considerável aumento sobre os 24% obtidos em levantamento anterior, feito em maio. Os números também indicam que ele teria mais chances de vencer uma eleição ao disputar com o líder do Partido Trabalhista, Ed Milliband.

A prova de fogo para Johnson, entretanto, pode vir nesta sexta-feira. Numa atitude absolutamente controversa, ele convidou Rupert Murdoch para assistir à nadadora britânica Rebecca Adlington na disputa pelo ouro nos 800 metros. O magnata da mídia está envolvido nos escândalos de grampos telefônicos protagonizados pelo tabloide News of the World e a investigação ainda está em curso no país. A proximidade entre conservadores e Murdoch é motivo de grande polêmica. Até mesmo o ministro responsável pela Olimpíada, Jeremy Hunt, teve de ir se explicar no parlamento sobre o assunto, às vésperas do evento esportivo.

CONSERVADOR CLÁSSICO – Boris Johnson é um conservador clássico. Estudou nos tradicionais Eton College e Oxford. Antes da política, atuou como jornalista – começou a carreira no jornal The Times e editou a revista The Spectator. Participou de programas humorísticos na televisão até chegar à prefeitura de Londres em 2008, ao desbancar o trabalhista Ken Levinston, e foi reeleito neste ano.

LEGADO ESPORTIVO DE LONDRES – O Brasil foi um dos primeiros países escolhidos para o programa do governo britânico de legado dos esportes, ainda em 2007. O esquema dá apoio a 12 milhões de crianças em 20 países para que pratiquem atividades esportivas, com orçamento de cerca de R$ 150 milhões. No início do projeto, o Rio ainda não tinha sido escolhido como sede da Olimpíada de 2016, nem havia ultrapassado o Reino Unido como sexta maior economia do mundo.

LEGADO ESPORTIVO DO RIO – O programa de legado esportivo do governo britânico termina em abril de 2014, mas há conversas e troca de informações para que o Rio siga o caminho, da sua própria maneira. “Não podemos dizer que o nosso formato é o correto para o Rio, mas há planos de fazer algo”, diz Debbie Lye, diretora do programa britânico.

CONTAGEM REGRESSIVA – O Rio quer marcar nesta sexta-feira a contagem regressiva para os Jogos de 2016. Evento na Casa Brasil, com a participação do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, irá celebrar o fato de que faltam quatro anos para a cerimônia de abertura do evento – no dia 5 de agosto de 2016.

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