Falta de acordo na Grécia aumenta risco de default forçado
23 de janeiro de 2012 | 12h27
Daniela Milanese
Londres, 23 – A falta de acordo para a reestruturação da dívida da Grécia deixa um rastro de indefinição para os mercados globais. Ao contrário do esperado, o final de semana acabou sem o acerto com os credores privados. Portanto, aumentam os riscos de um default forçado no país.
Quando tudo parecia caminhar para uma solução, surgiram as demandas da Alemanha e do Fundo Monetário Internacional. Os membros da chamada troica querem que os novos títulos emitidos pela Grécia no processo paguem juros inferiores a 4%, caso contrário o país não conseguirá colocar as finanças em rota sustentável. As perdas para os credores privados devem ser de, no mínimo, 60%.
Parece que os investidores agora chegaram perto do limite. O diretor do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Charles Dallara, representante dos credores privados, disse que foi feita uma “oferta máxima” ao governo grego para algo condizente com um acordo voluntário. Ainda assim, ele afirmou estar confiante de que um acerto será fechado em breve.
Se não for, a reação dos mercados será bastante negativa. O “plano B” seria um calote forçado da dívida por parte de Atenas, que poderia reativar de forma retroativa cláusulas de ações coletivas. Sem o aspecto da voluntariedade, a medida dispararia os contratos de swaps de default de crédito (CDS), com consequências imprevisíveis. Além disso, o processo afetaria também os € 50 bilhões em dívidas gregas em poder do Banco Central Europeu, algo sem precedentes – na negociação atual, o BCE ficaria de fora da reestruturação.
Sem um acordo para redução da dívida, a Grécia não receberá o segundo pacote de ajuda da União Europeia, de € 130 bilhões, e não tem como pagar o vencimento de € 14,4 bilhões escalonado para o dia 20 de março. “Os sinais recentes de melhora no apetite agora estão em risco. Os mercados contemplam uma reestruturação não-voluntária e a ameaça da introdução de cláusulas de ação coletiva pesa sobre Atenas”, escrevem os especialistas do Lloyds Bank, em comentário de hoje.
No aguardo dos novos desdobramentos, os investidores acompanham hoje as discussões da reunião de ministros do Eurogrupo, em Bruxelas. Todos sabem que resta pouquíssimo tempo para uma definição sobre o caso grego, até porque as conversas se arrastam há meses.
Este é apenas o início de uma semana repleta de eventos relevantes. Na quarta-feira, enquanto a BM&FBovespa fecha em razão do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, o Federal Reserve realiza sua primeira reunião do ano. Também começa o Fórum Econômico Mundial em Davos, que vai até domingo, com a presença de autoridades de peso – a abertura ficará com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. No Brasil, o destaque fica com a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira.
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