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15 de Abril de 2010

 

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Riscos na decolagem

José Paulo Kupfer

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Daniela Milanese
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Daniela Milanese

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Cautela prevalece no exterior após cortes de ratings pela Moody’s

14 de fevereiro de 2012 | 8h38

Daniela Milanese

A Moody’s injetou uma dose de cautela nos mercados internacionais ao reforçar a delicada situação fiscal da Europa. A agência rebaixou ontem à noite as notas de seis países, além de mudar para negativa a perspectiva da França e do Reino Unido, que agora veem seus AAA ameaçados.

Ao cortar as classificações da Itália, Portugal, Espanha, Eslováquia, Eslovênia e Malta, a Moody’s segue movimento feito pela Standard and Poor’s recentemente. Os principais ativos europeus sentem os efeitos do anúncio: o euro cai levemente e as bolsas abriram em baixa hoje.

Rebaixamentos de ratings no velho continente deixaram de ser surpresa, até porque hoje são poucos os que conseguem ostentar, com segurança, a nota AAA. A própria França já não tem mais esse status na visão da S&P. Entretanto, há dois fatores que trazem preocupação: o Reino Unido e o momento do anúncio da Moody’s.

A nota britânica recebeu perspectiva negativa, com o risco concreto de perder a classificação máxima. O país embarcou num programa draconiano de cortes de gastos, mas, como efeito colateral, a economia está sofrendo e corre o risco de mergulhar novamente na recessão.

Além disso, o anúncio da Moody’s acontece às vésperas de importante decisão dos ministros de Finanças da zona do euro sobre a liberação do novo pacote de socorro para a Grécia. Analistas seguem confiantes de que, apesar de todas as dificuldades, o país receberá os 130 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pagará o vencimento de 14,5 bilhões de euros no dia 20 de março, evitando assim um default desordenado. Mas, é claro que o ambiente não é fácil, está carregado de riscos e exige precaução.

No Japão, a fraqueza econômica levou o BOJ a expandir seu programa de compra de ativos novamente em 10 trilhões de ienes (cerca de US$ 130 bilhões). A medida não era esperada e vem depois que o PIB do país caiu 2,3% no quarto trimestre na base anualizada. Na agenda internacional, o destaque de hoje são as vendas do varejo em janeiro nos Estados Unidos.

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Grécia encara prazo apertado, greve e impaciência dos investidores

7 de fevereiro de 2012 | 14h17

Daniela Milanese

O tempo passa e a liberação da ajuda externa à Grécia continua travada pelo impasse político sobre novas medidas de austeridade e a falta de anúncio sobre acordo com os credores privados. Num ambiente de ampla liquidez nos mercados e muito caixa nos fundos de investimento em busca de retornos, a Grécia reina absoluta como grande entrave de curto prazo.
 
Os investidores acompanham o arrastado processo com impaciência e de olho no cronograma já bastante apertado. Afinal, o país tem vencimento de 14,5 bilhões de euros no dia 20 de março e só conseguirá honrá-lo se receber os recursos adicionais do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.
 
Para o Lloyds Bank, a data de 13 de fevereiro seria o limite para o anúncio de acordo, pois permitiria a realização da oferta de troca de títulos prevista no processo a tempo de cumprir o vencimento de março. O prazo, portanto, está bastante apertado.
 
Além da renegociação com os investidores privados, a adoção de mais austeridade fiscal também é pré-condição para a liberação da nova ajuda do FMI e da UE, de pelo menos 130 bilhões de euros – especialistas já dizem que o volume anunciado não é suficiente e acabará tendo de ser elevado em mais 15 bilhões de euros ou 20 bilhões de euros. Num país já bastante afetado pelos cortes de gastos, falta ambiente político para aprovar a exigência com facilidade e a greve geral prevista para hoje é mais uma mostra disso.
 
Analistas continuam contando com a aprovação de tudo, caso contrário o humor nos mercados estaria bem diferente. Os especialistas partem do princípio de que um calote desordenado da dívida grega pioraria a situação de todos os envolvidos. Como disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a insolvência da Grécia é inaceitável.
 
Com tanta indefinição, surgem até ruídos de que, na verdade, os credores privados já teriam conseguido acertar os termos da renegociação da dívida e estaria faltando apenas o aval do parlamento para as medidas de austeridade. Entretanto, o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse ontem que as conversas com os investidores continuam “difíceis”.
 
“Os acontecimentos dos últimos dias sugerem que um acordo com os credores já foi atingido, mas, para ser finalizado, o novo pacote de resgate precisa ser aprovado”, acredita Gizem Kara, analista do BNP Paribas, que conta com a resolução positiva das discussões no parlamento grego.

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Mercado toma risco, mas problemas ainda rondam

2 de fevereiro de 2012 | 10h45

Daniela Milanese

Sem grandes destaques na agenda internacional de hoje, os mercados globais operam no aguardo dos números do mercado de trabalho nos Estados Unidos, amanhã, e de um acordo para a reestruturação da dívida da Grécia nos próximos dias.

Já confortados pela injeção de liquidez do Banco Central Europeu e pela política extremamente acomodatícia do Federal Reserve, os investidores ganharam novo motivo de alívio no curto prazo: a rodada de indicadores de ontem mostrou melhora da atividade industrial em várias partes do mundo – até mesmo na literalmente congelada Europa.

O clima ficou propício para a tomada de risco, mesmo em meio a todos os problemas que rondam a economia global. O reflexo é claro sobre os ativos brasileiros, tanto que a BM&FBovespa avança neste início de ano, o real ganha ainda mais força e a Petrobras conseguiu facilmente captar US$ 7 bilhões no exterior.

No entanto, na economia real ninguém se ilude: a zona do euro vai entrar em recessão e os Estados Unidos não terão força suficiente para grande desempenho. Sempre importante, o resultado do payroll, a ser divulgado amanhã, é o mais aguardado no final desta semana.

A maior preocupação de curto prazo continua sendo a renegociação da dívida da Grécia. A cada dia surge alguém para dizer que o acordo está próximo, mas as semanas passam sem uma definição. Analistas consultados pela Agência Estado já acreditam que o país precisará de um pacote de socorro maior, acima dos 130 bilhões de euros combinados, um haircut mais amplo sobre os credores privados, provavelmente acima de 70%, e da participação do BCE no processo.

“As primeiras semanas de 2012 podem ter trazido um renascimento do apetite pelo risco e ganhos saudáveis nos mercados de ações, mas a melhora do sentimento está em risco”, avalia Robert Minikin, analistas do Standard Chartered, na Ásia.

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Pessimismo da Europa contamina Davos

31 de janeiro de 2012 | 13h06

Daniela Milanese

O pessimismo sobre a Europa contaminou o Fórum Econômico Mundial. O evento deste ano chega ao fim no domingo, em Davos (Suíça), emitindo perspectivas bastante negativas para a economia global em 2012. Com a zona do euro em recessão e os Estados Unidos estagnados, a insatisfação social explode pelo mundo desenvolvido e a insegurança prevalece.

Ao final de um dos debates em Davos, Nik Gowing, apresentador da BBC World News, perguntou: alguém tem alguma projeção positiva para 2012? Para o curto prazo, nenhuma. O fato é que a crise externa já se estende por mais de quatro anos, sem qualquer perspectiva de solução rápida.

Ao contrário, o combate aos déficits públicos nos países desenvolvidos pesará sobre a atividade econômica e trará mais desemprego. Dois dos principais economistas da atualidade, Nouriel Roubini, da New York University, e Robert Shiller, da Yale University, preveem mergulho econômico mais acentuado do que o consenso para a zona do euro.

 Na busca por caminhos, uma ideia dominou as discussões deste ano no Fórum: a necessidade de construção de um “firewall” capaz de resgatar a confiança. Autoridades e acadêmicos apontaram a necessidade de criar um muro de segurança para estancar o contágio da crise do euro, por meio do reforço do Fundo Monetário Internacional, com mais US$ 500 bilhões, e dos mecanismos de resgate europeus. A questão de fundo, entretanto, continua a mesma: de onde virá o dinheiro?

“Estou aqui com a minha pequena bolsa para coletar um pouco de dinheiro”, disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, mostrando a grande e charmosa bolsa que carrega e arrancando risos da plateia. 

É consenso que boa parte dos recursos precisa vir da própria Europa, centro da tensão. Só que a Alemanha, o único país em grande forma no continente, vê limites na ajuda. A chanceler Angela Merkel reforçou a postura ao dizer que não fará promessas que não possam ser cumpridas. E o ministro de Finanças Wolfgang Schauble foi direto ao colocar que o problema central é o elevado endividamento dos governos e, portanto, a solução passa puramente pelo corte dos déficits.

Fora da zona do euro, o Reino Unido continua pressionando muito por atitudes, mas se comprometendo pouco com soluções. Presente ao Fórum, o primeiro-ministro David Cameron disse que o bloco precisa tomar ações decisivas. Enquanto isso, o ministro britânico de Finanças, George Osborne, deixou claro que só contribuirá para o FMI se a própria zona do euro também o fizer.

Postura semelhante adotou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner. Para ele, cabe à Europa construir o seu “firewall” e produzir primeiro uma resposta doméstica.

 Também existe polêmica sobre a contribuição dos emergentes. Afinal, são países em desenvolvimento, com necessidades próprias e que até agora vêm conseguindo se isolar da turbulência. Em plena campanha de arrecadação, Christine Lagarde buscou rapidamente argumentos: ninguém está imune à crise e, quanto maior o “firewall”, menor a necessidade de usá-lo.

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Falta de acordo na Grécia aumenta risco de default forçado

23 de janeiro de 2012 | 12h27

Daniela Milanese

Londres, 23 – A falta de acordo para a reestruturação da dívida da Grécia deixa um rastro de indefinição para os mercados globais. Ao contrário do esperado, o final de semana acabou sem o acerto com os credores privados. Portanto, aumentam os riscos de um default forçado no país.

Quando tudo parecia caminhar para uma solução, surgiram as demandas da Alemanha e do Fundo Monetário Internacional. Os membros da chamada troica querem que os novos títulos emitidos pela Grécia no processo paguem juros inferiores a 4%, caso contrário o país não conseguirá colocar as finanças em rota sustentável. As perdas para os credores privados devem ser de, no mínimo, 60%.

Parece que os investidores agora chegaram perto do limite. O diretor do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Charles Dallara, representante dos credores privados, disse que foi feita uma “oferta máxima” ao governo grego para algo condizente com um acordo voluntário. Ainda assim, ele afirmou estar confiante de que um acerto será fechado em breve.

Se não for, a reação dos mercados será bastante negativa. O “plano B” seria um calote forçado da dívida por parte de Atenas, que poderia reativar de forma retroativa cláusulas de ações coletivas. Sem o aspecto da voluntariedade, a medida dispararia os contratos de swaps de default de crédito (CDS), com consequências imprevisíveis. Além disso, o processo afetaria também os € 50 bilhões em dívidas gregas em poder do Banco Central Europeu, algo sem precedentes – na negociação atual, o BCE ficaria de fora da reestruturação.

Sem um acordo para redução da dívida, a Grécia não receberá o segundo pacote de ajuda da União Europeia, de € 130 bilhões, e não tem como pagar o vencimento de € 14,4 bilhões escalonado para o dia 20 de março. “Os sinais recentes de melhora no apetite agora estão em risco. Os mercados contemplam uma reestruturação não-voluntária e a ameaça da introdução de cláusulas de ação coletiva pesa sobre Atenas”, escrevem os especialistas do Lloyds Bank, em comentário de hoje.

No aguardo dos novos desdobramentos, os investidores acompanham hoje as discussões da reunião de ministros do Eurogrupo, em  Bruxelas. Todos sabem que resta pouquíssimo tempo para uma definição sobre o caso grego, até porque as conversas se arrastam há meses.

Este é apenas o início de uma semana repleta de eventos relevantes. Na quarta-feira, enquanto a BM&FBovespa fecha em razão do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, o Federal Reserve realiza sua primeira reunião do ano. Também começa o Fórum Econômico Mundial em Davos, que vai até domingo, com a presença de autoridades de peso – a abertura ficará com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. No Brasil, o destaque fica com a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira.

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Na reta final, negociação de dívida da Grécia define mercados

20 de janeiro de 2012 | 7h52

Daniela Milanese

A economia dos Estados Unidos dá sinais de vida, os leilões de títulos europeus continuam atraindo os investidores e os mercados mantêm a calma. Para completar o quadro benigno, só falta a Grécia fechar o acordo com os credores privados para renegociação de sua dívida. São as conclusões das conversas em Atenas, já na reta final, que ditarão o rumo dos negócios nos próximos dias.

A expectativa é a de que algum anúncio seja feito até domingo à noite, a tempo de as determinações serem aprovadas em reunião de ministros de Finanças europeus na segunda-feira, 23. Se um acerto for obtido, os investidores se livrarão um grande peso, já que as consequências de um default forçado pela Grécia seriam bastante perigosas para os mercados.

Ontem surgiram mensagens de alívio, quando o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) informou que as conversas progrediram. O principal ponto de discórdia tem sido a remuneração a ser pega pelos novos títulos gregos emitidos no processo de troca de dívida. Os credores fizeram uma nova proposta para que o cupom dos bônus aumente gradualmente.

Os mercados têm mostrado muita tranquilidade recentemente. Grande prova disso são os resultados dos leilões realizados pelos governos europeus nos últimos dias. Os países que acabaram de ser rebaixados pela Standard and Poor’s estão conseguindo levantar recursos a custos mais baixos. Ontem, novamente foram bem sucedidas as colocações da França e Espanha.

“O impacto do rebaixamento soberano múltiplo da S&P nos spreads da zona do euro tem sido limitado, destacando que a maior parte das decisões sobre ratings já estava precificada”, avalia Cyril Beuzit, analista do BNP Paribas.

Um processo a ser acompanhado é a capitalização dos bancos europeus, parte fundamental do processo de recuperação do continente. Termina hoje o prazo para que as instituições financeiras entreguem um plano de elevação do capital para a Autoridade Bancária Europeia (EBA). No ano passado, a entidade apontou que os bancos da região possuem déficit de capital de 114,685 bilhões de euros.

A economia dos Estados Unidos também está ajudando para o clima positivo. Conforme divulgado ontem, o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA despencou 50 mil (para 352 mil), na maior queda desde setembro de 2005.

Na China, a atividade segue no terreno da contração. Na madrugada, saiu o índice preliminar de atividade industrial (PMI) de janeiro, medido pelo HSBC, marcando 48,8, muito próximo do número visto no mês anterior (48,7). A desaceleração chinesa passou a não preocupar tanto depois da divulgação do Produto Interno Bruto do quarto trimestre, com crescimento menor, mas ainda bastante forte, de 8,9% no período.

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Desafio dos mercados é manter apetite durante conversas em Atenas

19 de janeiro de 2012 | 7h54

Daniela Milanese

O desafio dos mercados internacionais é manter o sentimento relativamente positivo que impera neste início de ano, em meio às negociações sobre a reestruturação da dívida da Grécia. Os próximos dias são cruciais para a definição de um acordo entre Atenas e os credores privados, o que tende a definir o rumo dos negócios.

Enquanto a zona do euro caminha claramente para um novo mergulho recessivo, os Estados Unidos e a China resistem e seguram o ânimo dos investidores. Ontem, o Fundo Monetário Internacional deu motivo adicional para alívio ao mostrar disposição para reforçar seu caixa em US$ 500 bilhões.

Trata-se da retomada de um esforço já feito no ano passado, mas que acabou fracassado em razão dos problemas na Europa. Depois da decepção com a reunião do G-20 em Cannes, na França, agora o tema volta com força sob a liderança do México. As informações começam a vazar exatamente diante do encontro de vices-ministros de Finanças que acontece entre hoje e amanhã na Cidade do México. Algo mais concreto, no entanto, só poderá ser alcançado na reunião ministerial do G-20 no final de fevereiro.

Dos US$ 500 bilhões almejados, US$ 200 bilhões virão da Europa, como já comprometido pelo continente em acordo no final do ano passado. Existe, obviamente, a expectativa de que os países emergentes contribuam para o FMI, desde que tenham suas presenças fortalecidas no fundo, como já ficou claro durante as negociações passadas. A grande dúvida é sobre a postura dos Estados Unidos, até então contrário à realização de novo aporte.

Enquanto isso, os olhares continuam voltados para Atenas. Os negociadores voltaram à mesa ontem, após a paralisação das conversas na semana passada, na tentativa de fechar um acerto sobre a renegociação da dívida grega.

Os credores privados precisam aceitar uma perda de 50% nos papeis que possuem para que a nova ajuda da União Europeia, de 130 bilhões de euros, seja liberada. “A atenção deve permanecer na Grécia, onde as conversas para uma troca de dívida estão em curso”, avalia Thomas Costerg, analista do Standard Chartered.

Os leilões de títulos europeus, bem-sucedidos neste início de ano, também seguem bastante acompanhados pelos investidores, como forma de medir o ambiente. Hoje, Espanha, Reino Unido e França irão a mercado.

As bolsas asiáticas fecharam em alta, num reflexo do ambiente mais favorável nos EUA e na Europa ontem. “O apetite pelo risco permaneceu forte ao longo da noite, ajudado pelas surpresas positivas dos dados econômicos dos Estados Unidos e pela crença de que os países europeus têm compromisso firme de evitar um default desordenado na Grécia”, acreditam os especialistas do Barclays Capital.

Na agenda dos EUA, os destaques ficam com a inflação ao consumidor (CPI) em dezembro, os pedidos de auxílio-desemprego e construções de moradias iniciadas em dezembro, às 11h30. Às 13h, sai a atividade do FED da Filadélfia em janeiro. A safra norte-americana de balanços traz o Bankf of America Merril Lynch, Morgan Stanley, Blackrock, Microsoft e Intel.

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Mercados globais dependem das negociações sobre dívida da Grécia

18 de janeiro de 2012 | 8h46

Daniela Milanese

O futuro dos mercados mundo afora depende das negociações para a reestruturação da dívida da Grécia. Depois da interrupção na semana passada, as tratativas serão retomadas hoje em Atenas, sob forte escrutínio dos investidores. A possibilidade de um default desordenado é o principal risco global do momento.

A melhora do apetite por risco tem prevalecido neste início de ano, mesmo em meio aos rebaixamentos de ratings na Europa. Aliás, a ação da Standard and Poor’s foi ignorada pelos investidores, já cientes há tempos das condições adversas da zona do euro. Países que tiveram suas notas reduzidas e o próprio mecanismo de resgate europeu (EFSF, na sigla em inglês) conseguiram tomar recursos a custos mais baixos nos últimos dias.

Para colaborar com o ambiente, a economia da China dá mostras de resistência, enquanto os Estados Unidos vão escapando do ambiente recessivo previsto para a Europa. “Até agora, o sentimento mais positivo parece intacto”, avalia Flemming Nielsen, analista do Danske Bank. “Os dados econômicos superam as expectativas e o impacto do rebaixamento da França e outros países da zona do euro pela S&P tem se mostrado modesto.”

Mas, nada disso sobreviverá se as negociações em Atenas falharem. O acordo de ajuda fechado no ano passado pela União Europeia prevê que os credores gregos privados terão de participar do socorro ao país e aceitar voluntariamente uma perda de 50% sobre os papeis que possuem. O caminho para chegar a esses termos mostra-se complicado.

“A falta de uma conclusão positiva sobre a participação dos credores privados antes do final de semana poderia implicar, para nós, numa parada definitiva do renascido apetite por risco”, acreditam os especialistas do Lloyds Bank.

Se no cenário internacional as atenções estão todas voltadas para Atenas, aqui o comunicado do Copom ganha o centro do palco. Está consolidada a visão de que a Selic cairá mais meio ponto porcentual, para 10,5%. A questão é saber como ficará a política monetária a partir daí.

Nos Estados Unidos, os destaques da agenda são a produção industrial de dezembro (às 12h15) e os balanços do Goldman Sachs, do Bank of New York Mellon e do Ebay.

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Euro perde o “efeito teflon” e sucumbe ao arrastamento da crise

14 de dezembro de 2011 | 8h40

Daniela Milanese

Durante muitos meses, o euro viveu o chamado “efeito Teflon”. Quer dizer, conseguia se segurar na casa de US$ 1,40 mesmo no meio de toda a turbulência causada pela crise de dívida soberana. Mas, como resistência tem limite, a moeda agora sucumbe e cede ao menor nível em quase um ano.

Nenhum motivo exatamente novo provocou o recente mergulho da moeda comum. As mesmas preocupações se arrastam há muito tempo, fragilizando cada vez mais a confiança dos investidores, já impacientes com uma crise que, de fato, não tem solução de curto prazo. Por mais que as autoridades tenham se esforçado para fechar um pacto fiscal com 26 países da União Europeia, sabe-se que existe um longo período de dificuldades à frente. “Não se pode conseguir uma resolução clara e abrangente para a crise, então acreditamos que o euro deve continuar se enfraquecendo, para US$ 1,25 no primeiro trimestre de 2012″, avalia Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING. Nesta manhã, a moeda comum negocia perto de US$ 1,30.

A resistência mostrada anteriormente pelo euro estava atrelada à diferença entre as posturas do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. Então numa política mais conservadora, o BCE chegou até mesmo a subir os juros durante o ano para combater a inflação, deixando de lado os problemas trazidos pelos déficits elevados.

Ontem, veio à tona a já conhecida resistência da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de elevar o poder de fogo do mecanismo permanente de resgate europeu para além dos 500 bilhões de euros.  Outra notícia nada surpreendente foi o rebaixamento da perspectiva dos ratings da Bulgária, República Checa, Letônia e Lituânia pela Fitch. E, também como se esperava, o Federal Reserve manteve os juros e não anunciou nenhuma medida de estímulo.

O efeito positivo dos leilões de títulos realizados ontem pela Espanha, Grécia e Bélgica não durou o dia todo e o pessimismo acabou tomando novamente conta dos mercados. Para hoje, a atenção deve ficar com venda de papéis do governo da Itália. “O leilão de títulos da Itália nos dará uma ideia de como o país ainda conseguirá acessar recursos no mercado”, acredita Flemming Nielsen, analista do Danske Bank.

As bolsas da Europa abriram em queda. Às 8h40,o índice FTSE da Bolsa de Londres caía 0,61%; o CAC, de Paris, perdia 1,12%, e o DAX, de Frankfurt, cedia 0,43%.

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Pressão das agências de rating e apatia do BCE preocupam investidores

13 de dezembro de 2011 | 7h59

Daniela Milanese

A pressão das agências de rating e a falta de agressividade do Banco Central Europeu preocupam os investidores internacionais. A cautela prevalece no início dos negócios nesta terça-feira, enquanto a crise do euro segue seu longo e sofrido curso. Os mercados não conseguem se
desvencilhar dos problemas da Europa e a reunião de política monetária do Federal Reserve fica em segundo plano hoje.

Além do alerta da Standard and Poor’s, feito já na semana passada, a Moody’s e a Fitch também se manifestaram com preocupações sobre o cenário fiscal da zona do euro. Isso reacendeu o receio de possíveis rebaixamentos das notas de crédito nos próximos dias.

Outro ponto de atenção é apatia do Banco Central Europeu. Antes da cúpula da semana passada, acreditava-se que um compromisso de integração fiscal poderia levar o BCE a um programa mais firme de compra de títulos da zona do euro no mercado. Não foi o que aconteceu. Na verdade, a autoridade já havia desacelerado na semana passada, ao adquirir 635 milhões de euros em bônus de governos no mercado secundário, o menor volume desde a retomada das operações, em agosto. “O BCE não tem sido agressivo e tem feito pouco para estancar a alta dos yields da Espanha e da Itália”, avaliam os especialistas do Lloyds Bank.

Considerado um passo na direção certa, a cúpula da União Europeia que definiu a união fiscal entre 26 países não foi, e nem pretendia ser, a solução definitiva para os complicados problemas europeus. Os ajustes das contas públicas devem levar anos e as iniciativas de uma economia de bloco possuem, naturalmente, ritmo mais lento.

“Em relação aos nossos desejos sobre o resultado da cúpula, tivemos as regras fiscais, mas não tivemos a ‘grande bazuca’ do BCE ou os eurobônus”, escreve Paul Mortimer-Lee, economista do BNP Paribas, em relatório aos clientes. Ele estima que a reunião entregou entre 50% e 65% das expectativas.

Presos há meses nesse drama, os mercados têm menos a extrair da reunião de política monetária do Federal Reserve hoje. Como não há expectativa de mudanças nos juros e no programa de compra de títulos, as atenções recaem sobre as avaliações do Fomc sobre a economia dos Estados Unidos, às 17h15 (de Brasília).

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