Cautela prevalece no exterior após cortes de ratings pela Moody’s
14 de fevereiro de 2012 | 8h38
Daniela Milanese
A Moody’s injetou uma dose de cautela nos mercados internacionais ao reforçar a delicada situação fiscal da Europa. A agência rebaixou ontem à noite as notas de seis países, além de mudar para negativa a perspectiva da França e do Reino Unido, que agora veem seus AAA ameaçados.
Ao cortar as classificações da Itália, Portugal, Espanha, Eslováquia, Eslovênia e Malta, a Moody’s segue movimento feito pela Standard and Poor’s recentemente. Os principais ativos europeus sentem os efeitos do anúncio: o euro cai levemente e as bolsas abriram em baixa hoje.
Rebaixamentos de ratings no velho continente deixaram de ser surpresa, até porque hoje são poucos os que conseguem ostentar, com segurança, a nota AAA. A própria França já não tem mais esse status na visão da S&P. Entretanto, há dois fatores que trazem preocupação: o Reino Unido e o momento do anúncio da Moody’s.
A nota britânica recebeu perspectiva negativa, com o risco concreto de perder a classificação máxima. O país embarcou num programa draconiano de cortes de gastos, mas, como efeito colateral, a economia está sofrendo e corre o risco de mergulhar novamente na recessão.
Além disso, o anúncio da Moody’s acontece às vésperas de importante decisão dos ministros de Finanças da zona do euro sobre a liberação do novo pacote de socorro para a Grécia. Analistas seguem confiantes de que, apesar de todas as dificuldades, o país receberá os 130 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pagará o vencimento de 14,5 bilhões de euros no dia 20 de março, evitando assim um default desordenado. Mas, é claro que o ambiente não é fácil, está carregado de riscos e exige precaução.
No Japão, a fraqueza econômica levou o BOJ a expandir seu programa de compra de ativos novamente em 10 trilhões de ienes (cerca de US$ 130 bilhões). A medida não era esperada e vem depois que o PIB do país caiu 2,3% no quarto trimestre na base anualizada. Na agenda internacional, o destaque de hoje são as vendas do varejo em janeiro nos Estados Unidos.
Tópicos relacionados







