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Falta de acordo na Grécia aumenta risco de default forçado

23 de janeiro de 2012 | 12h27

Daniela Milanese

Londres, 23 – A falta de acordo para a reestruturação da dívida da Grécia deixa um rastro de indefinição para os mercados globais. Ao contrário do esperado, o final de semana acabou sem o acerto com os credores privados. Portanto, aumentam os riscos de um default forçado no país.

Quando tudo parecia caminhar para uma solução, surgiram as demandas da Alemanha e do Fundo Monetário Internacional. Os membros da chamada troica querem que os novos títulos emitidos pela Grécia no processo paguem juros inferiores a 4%, caso contrário o país não conseguirá colocar as finanças em rota sustentável. As perdas para os credores privados devem ser de, no mínimo, 60%.

Parece que os investidores agora chegaram perto do limite. O diretor do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Charles Dallara, representante dos credores privados, disse que foi feita uma “oferta máxima” ao governo grego para algo condizente com um acordo voluntário. Ainda assim, ele afirmou estar confiante de que um acerto será fechado em breve.

Se não for, a reação dos mercados será bastante negativa. O “plano B” seria um calote forçado da dívida por parte de Atenas, que poderia reativar de forma retroativa cláusulas de ações coletivas. Sem o aspecto da voluntariedade, a medida dispararia os contratos de swaps de default de crédito (CDS), com consequências imprevisíveis. Além disso, o processo afetaria também os € 50 bilhões em dívidas gregas em poder do Banco Central Europeu, algo sem precedentes – na negociação atual, o BCE ficaria de fora da reestruturação.

Sem um acordo para redução da dívida, a Grécia não receberá o segundo pacote de ajuda da União Europeia, de € 130 bilhões, e não tem como pagar o vencimento de € 14,4 bilhões escalonado para o dia 20 de março. “Os sinais recentes de melhora no apetite agora estão em risco. Os mercados contemplam uma reestruturação não-voluntária e a ameaça da introdução de cláusulas de ação coletiva pesa sobre Atenas”, escrevem os especialistas do Lloyds Bank, em comentário de hoje.

No aguardo dos novos desdobramentos, os investidores acompanham hoje as discussões da reunião de ministros do Eurogrupo, em  Bruxelas. Todos sabem que resta pouquíssimo tempo para uma definição sobre o caso grego, até porque as conversas se arrastam há meses.

Este é apenas o início de uma semana repleta de eventos relevantes. Na quarta-feira, enquanto a BM&FBovespa fecha em razão do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, o Federal Reserve realiza sua primeira reunião do ano. Também começa o Fórum Econômico Mundial em Davos, que vai até domingo, com a presença de autoridades de peso – a abertura ficará com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. No Brasil, o destaque fica com a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira.

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Na reta final, negociação de dívida da Grécia define mercados

20 de janeiro de 2012 | 7h52

Daniela Milanese

A economia dos Estados Unidos dá sinais de vida, os leilões de títulos europeus continuam atraindo os investidores e os mercados mantêm a calma. Para completar o quadro benigno, só falta a Grécia fechar o acordo com os credores privados para renegociação de sua dívida. São as conclusões das conversas em Atenas, já na reta final, que ditarão o rumo dos negócios nos próximos dias.

A expectativa é a de que algum anúncio seja feito até domingo à noite, a tempo de as determinações serem aprovadas em reunião de ministros de Finanças europeus na segunda-feira, 23. Se um acerto for obtido, os investidores se livrarão um grande peso, já que as consequências de um default forçado pela Grécia seriam bastante perigosas para os mercados.

Ontem surgiram mensagens de alívio, quando o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) informou que as conversas progrediram. O principal ponto de discórdia tem sido a remuneração a ser pega pelos novos títulos gregos emitidos no processo de troca de dívida. Os credores fizeram uma nova proposta para que o cupom dos bônus aumente gradualmente.

Os mercados têm mostrado muita tranquilidade recentemente. Grande prova disso são os resultados dos leilões realizados pelos governos europeus nos últimos dias. Os países que acabaram de ser rebaixados pela Standard and Poor’s estão conseguindo levantar recursos a custos mais baixos. Ontem, novamente foram bem sucedidas as colocações da França e Espanha.

“O impacto do rebaixamento soberano múltiplo da S&P nos spreads da zona do euro tem sido limitado, destacando que a maior parte das decisões sobre ratings já estava precificada”, avalia Cyril Beuzit, analista do BNP Paribas.

Um processo a ser acompanhado é a capitalização dos bancos europeus, parte fundamental do processo de recuperação do continente. Termina hoje o prazo para que as instituições financeiras entreguem um plano de elevação do capital para a Autoridade Bancária Europeia (EBA). No ano passado, a entidade apontou que os bancos da região possuem déficit de capital de 114,685 bilhões de euros.

A economia dos Estados Unidos também está ajudando para o clima positivo. Conforme divulgado ontem, o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA despencou 50 mil (para 352 mil), na maior queda desde setembro de 2005.

Na China, a atividade segue no terreno da contração. Na madrugada, saiu o índice preliminar de atividade industrial (PMI) de janeiro, medido pelo HSBC, marcando 48,8, muito próximo do número visto no mês anterior (48,7). A desaceleração chinesa passou a não preocupar tanto depois da divulgação do Produto Interno Bruto do quarto trimestre, com crescimento menor, mas ainda bastante forte, de 8,9% no período.

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Desafio dos mercados é manter apetite durante conversas em Atenas

19 de janeiro de 2012 | 7h54

Daniela Milanese

O desafio dos mercados internacionais é manter o sentimento relativamente positivo que impera neste início de ano, em meio às negociações sobre a reestruturação da dívida da Grécia. Os próximos dias são cruciais para a definição de um acordo entre Atenas e os credores privados, o que tende a definir o rumo dos negócios.

Enquanto a zona do euro caminha claramente para um novo mergulho recessivo, os Estados Unidos e a China resistem e seguram o ânimo dos investidores. Ontem, o Fundo Monetário Internacional deu motivo adicional para alívio ao mostrar disposição para reforçar seu caixa em US$ 500 bilhões.

Trata-se da retomada de um esforço já feito no ano passado, mas que acabou fracassado em razão dos problemas na Europa. Depois da decepção com a reunião do G-20 em Cannes, na França, agora o tema volta com força sob a liderança do México. As informações começam a vazar exatamente diante do encontro de vices-ministros de Finanças que acontece entre hoje e amanhã na Cidade do México. Algo mais concreto, no entanto, só poderá ser alcançado na reunião ministerial do G-20 no final de fevereiro.

Dos US$ 500 bilhões almejados, US$ 200 bilhões virão da Europa, como já comprometido pelo continente em acordo no final do ano passado. Existe, obviamente, a expectativa de que os países emergentes contribuam para o FMI, desde que tenham suas presenças fortalecidas no fundo, como já ficou claro durante as negociações passadas. A grande dúvida é sobre a postura dos Estados Unidos, até então contrário à realização de novo aporte.

Enquanto isso, os olhares continuam voltados para Atenas. Os negociadores voltaram à mesa ontem, após a paralisação das conversas na semana passada, na tentativa de fechar um acerto sobre a renegociação da dívida grega.

Os credores privados precisam aceitar uma perda de 50% nos papeis que possuem para que a nova ajuda da União Europeia, de 130 bilhões de euros, seja liberada. “A atenção deve permanecer na Grécia, onde as conversas para uma troca de dívida estão em curso”, avalia Thomas Costerg, analista do Standard Chartered.

Os leilões de títulos europeus, bem-sucedidos neste início de ano, também seguem bastante acompanhados pelos investidores, como forma de medir o ambiente. Hoje, Espanha, Reino Unido e França irão a mercado.

As bolsas asiáticas fecharam em alta, num reflexo do ambiente mais favorável nos EUA e na Europa ontem. “O apetite pelo risco permaneceu forte ao longo da noite, ajudado pelas surpresas positivas dos dados econômicos dos Estados Unidos e pela crença de que os países europeus têm compromisso firme de evitar um default desordenado na Grécia”, acreditam os especialistas do Barclays Capital.

Na agenda dos EUA, os destaques ficam com a inflação ao consumidor (CPI) em dezembro, os pedidos de auxílio-desemprego e construções de moradias iniciadas em dezembro, às 11h30. Às 13h, sai a atividade do FED da Filadélfia em janeiro. A safra norte-americana de balanços traz o Bankf of America Merril Lynch, Morgan Stanley, Blackrock, Microsoft e Intel.

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Mercados globais dependem das negociações sobre dívida da Grécia

18 de janeiro de 2012 | 8h46

Daniela Milanese

O futuro dos mercados mundo afora depende das negociações para a reestruturação da dívida da Grécia. Depois da interrupção na semana passada, as tratativas serão retomadas hoje em Atenas, sob forte escrutínio dos investidores. A possibilidade de um default desordenado é o principal risco global do momento.

A melhora do apetite por risco tem prevalecido neste início de ano, mesmo em meio aos rebaixamentos de ratings na Europa. Aliás, a ação da Standard and Poor’s foi ignorada pelos investidores, já cientes há tempos das condições adversas da zona do euro. Países que tiveram suas notas reduzidas e o próprio mecanismo de resgate europeu (EFSF, na sigla em inglês) conseguiram tomar recursos a custos mais baixos nos últimos dias.

Para colaborar com o ambiente, a economia da China dá mostras de resistência, enquanto os Estados Unidos vão escapando do ambiente recessivo previsto para a Europa. “Até agora, o sentimento mais positivo parece intacto”, avalia Flemming Nielsen, analista do Danske Bank. “Os dados econômicos superam as expectativas e o impacto do rebaixamento da França e outros países da zona do euro pela S&P tem se mostrado modesto.”

Mas, nada disso sobreviverá se as negociações em Atenas falharem. O acordo de ajuda fechado no ano passado pela União Europeia prevê que os credores gregos privados terão de participar do socorro ao país e aceitar voluntariamente uma perda de 50% sobre os papeis que possuem. O caminho para chegar a esses termos mostra-se complicado.

“A falta de uma conclusão positiva sobre a participação dos credores privados antes do final de semana poderia implicar, para nós, numa parada definitiva do renascido apetite por risco”, acreditam os especialistas do Lloyds Bank.

Se no cenário internacional as atenções estão todas voltadas para Atenas, aqui o comunicado do Copom ganha o centro do palco. Está consolidada a visão de que a Selic cairá mais meio ponto porcentual, para 10,5%. A questão é saber como ficará a política monetária a partir daí.

Nos Estados Unidos, os destaques da agenda são a produção industrial de dezembro (às 12h15) e os balanços do Goldman Sachs, do Bank of New York Mellon e do Ebay.

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Euro perde o “efeito teflon” e sucumbe ao arrastamento da crise

14 de dezembro de 2011 | 8h40

Daniela Milanese

Durante muitos meses, o euro viveu o chamado “efeito Teflon”. Quer dizer, conseguia se segurar na casa de US$ 1,40 mesmo no meio de toda a turbulência causada pela crise de dívida soberana. Mas, como resistência tem limite, a moeda agora sucumbe e cede ao menor nível em quase um ano.

Nenhum motivo exatamente novo provocou o recente mergulho da moeda comum. As mesmas preocupações se arrastam há muito tempo, fragilizando cada vez mais a confiança dos investidores, já impacientes com uma crise que, de fato, não tem solução de curto prazo. Por mais que as autoridades tenham se esforçado para fechar um pacto fiscal com 26 países da União Europeia, sabe-se que existe um longo período de dificuldades à frente. “Não se pode conseguir uma resolução clara e abrangente para a crise, então acreditamos que o euro deve continuar se enfraquecendo, para US$ 1,25 no primeiro trimestre de 2012″, avalia Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING. Nesta manhã, a moeda comum negocia perto de US$ 1,30.

A resistência mostrada anteriormente pelo euro estava atrelada à diferença entre as posturas do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. Então numa política mais conservadora, o BCE chegou até mesmo a subir os juros durante o ano para combater a inflação, deixando de lado os problemas trazidos pelos déficits elevados.

Ontem, veio à tona a já conhecida resistência da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, de elevar o poder de fogo do mecanismo permanente de resgate europeu para além dos 500 bilhões de euros.  Outra notícia nada surpreendente foi o rebaixamento da perspectiva dos ratings da Bulgária, República Checa, Letônia e Lituânia pela Fitch. E, também como se esperava, o Federal Reserve manteve os juros e não anunciou nenhuma medida de estímulo.

O efeito positivo dos leilões de títulos realizados ontem pela Espanha, Grécia e Bélgica não durou o dia todo e o pessimismo acabou tomando novamente conta dos mercados. Para hoje, a atenção deve ficar com venda de papéis do governo da Itália. “O leilão de títulos da Itália nos dará uma ideia de como o país ainda conseguirá acessar recursos no mercado”, acredita Flemming Nielsen, analista do Danske Bank.

As bolsas da Europa abriram em queda. Às 8h40,o índice FTSE da Bolsa de Londres caía 0,61%; o CAC, de Paris, perdia 1,12%, e o DAX, de Frankfurt, cedia 0,43%.

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Pressão das agências de rating e apatia do BCE preocupam investidores

13 de dezembro de 2011 | 7h59

Daniela Milanese

A pressão das agências de rating e a falta de agressividade do Banco Central Europeu preocupam os investidores internacionais. A cautela prevalece no início dos negócios nesta terça-feira, enquanto a crise do euro segue seu longo e sofrido curso. Os mercados não conseguem se
desvencilhar dos problemas da Europa e a reunião de política monetária do Federal Reserve fica em segundo plano hoje.

Além do alerta da Standard and Poor’s, feito já na semana passada, a Moody’s e a Fitch também se manifestaram com preocupações sobre o cenário fiscal da zona do euro. Isso reacendeu o receio de possíveis rebaixamentos das notas de crédito nos próximos dias.

Outro ponto de atenção é apatia do Banco Central Europeu. Antes da cúpula da semana passada, acreditava-se que um compromisso de integração fiscal poderia levar o BCE a um programa mais firme de compra de títulos da zona do euro no mercado. Não foi o que aconteceu. Na verdade, a autoridade já havia desacelerado na semana passada, ao adquirir 635 milhões de euros em bônus de governos no mercado secundário, o menor volume desde a retomada das operações, em agosto. “O BCE não tem sido agressivo e tem feito pouco para estancar a alta dos yields da Espanha e da Itália”, avaliam os especialistas do Lloyds Bank.

Considerado um passo na direção certa, a cúpula da União Europeia que definiu a união fiscal entre 26 países não foi, e nem pretendia ser, a solução definitiva para os complicados problemas europeus. Os ajustes das contas públicas devem levar anos e as iniciativas de uma economia de bloco possuem, naturalmente, ritmo mais lento.

“Em relação aos nossos desejos sobre o resultado da cúpula, tivemos as regras fiscais, mas não tivemos a ‘grande bazuca’ do BCE ou os eurobônus”, escreve Paul Mortimer-Lee, economista do BNP Paribas, em relatório aos clientes. Ele estima que a reunião entregou entre 50% e 65% das expectativas.

Presos há meses nesse drama, os mercados têm menos a extrair da reunião de política monetária do Federal Reserve hoje. Como não há expectativa de mudanças nos juros e no programa de compra de títulos, as atenções recaem sobre as avaliações do Fomc sobre a economia dos Estados Unidos, às 17h15 (de Brasília).

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Expectativas com S&P e FMI dominam mercados após pacto europeu

12 de dezembro de 2011 | 8h05

Daniela Milanese

Fechado o pacto fiscal entre 26 países da União Europeia, a expectativa agora se volta para o veredicto da Standard and Poor´s. Ao ameaçar praticamente toda a zona do euro de rebaixamento, a agência de classificação de risco informou que sua decisão sobre os ratings seria tomada logo após a cúpula de Bruxelas, realizada na sexta-feira (09). Também será importante acompanhar se outros países seguirão os europeus e se comprometerão com empréstimos bilaterais ao Fundo Monetário Internacional, já que o reforço do poder de fogo da entidade é considerado vital para acalmar os mercados. 

Depois de uma reação inicial negativa, os investidores acabaram aliviados com o acordo anunciado no final da semana passada. Longe de resolver uma crise que não tem solução de curto prazo, o compromisso coloca a Europa rumo a uma integração fiscal, fechando assim o buraco deixado pela união apenas monetária.  Analistas consultados pela Agência Estado acreditam que as medidas são suficientes para manter, por enquanto, as notas máximas AAA da Alemanha e da França. A partir daí, tudo vai depender da forma e velocidade que o pacto será colocado em prática. “O acordo é suficiente para manter os AAAs, mas a S&P deve manter os países em observação negativa até que seja feita a implantação das medidas”, avaliou Marc Chandler, chefe global de câmbio da corretora Brown Brothers Harriman. 

Um bom termômetro da confiança dos investidores nos próximos dias serão os leilões de títulos dos países europeus. O calendário traz hoje a Itália e amanhã a Bélgica, Espanha e Grécia.  Além das regras fiscais mais rígidas, os países se comprometeram com um empréstimo bilateral de 200 bilhões de euros ao FMI. Os valores devem ser confirmados nos próximos dias pelos bancos centrais nacionais. A confiança dos investidores receberia grande impulso se outras nações seguissem o mesmo caminho, especialmente os emergentes – que, aliás, já mostraram disposição de ajudar, desde que com a devida contrapartida do aumento do poder no fundo. “Enquanto alguns países desenvolvidos e certamente as economias emergentes parecem dispostos a colocar mais dinheiro, os Estados Unidos anteriormente se negaram a fazer o mesmo”, lembram os especialistas do Lloyds Bank, em relatórios aos clientes.  Esse é apenas um dos muitos percalços pela frente.

O pacto fiscal pode sim ser considerado histórico e representa um avanço relevante para a solução da crise. Mas, o caminho não é nada fácil. O banco Standard Chartered faz a lista das dificuldades: o Banco Central Europeu ainda reluta em intervir mais agressivamente no curto prazo, embora deva ser forçado a fazer isso com o tempo; o poder de fogo dos mecanismos de resgate europeus continua inadequado; a Alemanha se opõe ao lançamento de eurobônus; e a perspectiva econômica está se deteriorando.  Também falta um plano para garantir crescimento econômico à zona do euro, que não deve escapar da recessão em 2012, piorando assim o cenário fiscal. Para completar, a aprovação do pacto fiscal deve ser demorada, pode enroscar em países onde os eurocéticos têm representação maior e é possível que a Irlanda tenha de fazer um referendo sobre o tema.  O Reino Unido protagonizou espetáculo à parte.

A inédita decisão de vetar um pacto da União Europeia colocou o primeiro-ministro David Cameron no centro de uma enxurrada de críticas – hoje, ele irá se justificar no parlamento. Não se falou sobre outra coisa no país durante o final de semana. O fato foi considerado bastante grave, por isolar o Reino Unido do restante da Europa. Cameron tentou barganhar benefícios para a City londrina e, como não conseguiu, acabou usando o controverso recurso do veto, algo que nem mesmo Margaret Thatcher havia feito durante seu histórico embate com Bruxelas. Agradou apenas aos eurocéticos do seu Partido Conservador.  No final das contas, o primeiro-ministro britânico não só saiu de mãos abanando como não conseguiu impedir o pacto fiscal, que foi aceito por todos os demais países da União Europeia.

Além disso, a coalizão que governa o país foi colocada numa situação ainda mais desconfortável. Basta lembrar que o Partido Liberal Democrata defendia a adesão do Reino Unido ao euro, antes da explosão da crise do bloco. Cameron foi criticado também pelo vice-primeiro-ministro e líder dos liberais democratas, Nick Clegg. “Eu estou profundamente desapontado com o resultado da reunião da semana passada, precisamente porque eu acho que agora enfrentamos um perigo verdadeiro de que o Reino Unido fique isolado e marginalizado no âmbito da União Europeia”, afirmou Clegg ontem, em entrevista à rede BBC.

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Otimismo cauteloso marca expectativa sobre a decisiva cúpula da UE

7 de dezembro de 2011 | 8h48

Daniela Milanese

Um otimismo cauteloso marca a expectativa sobre a importante cúpula da União Europeia desta sexta-feira, em Bruxelas. Nos últimos dias, foi construída visão mais positiva sobre o decisivo encontro, diante da integração mostrada pela França e Alemanha ao apresentarem a proposta de um novo tratado europeu, para solucionar a crise do euro. Entretanto, como esse filme já foi visto diversas vezes ao longo deste ano, existe certa precaução sobre a possibilidade de nova decepção.

Depois de tantas frustrações, a pressão sobre a Europa é muito grande. Fica, mais uma vez, aquela sensação de “agora ou nunca”. Ou a zona do euro caminha para uma união fiscal ou o projeto de união monetária corre o sério de risco de ir pelos ares. Das determinações vindas de Bruxelas também dependem os próximos passos do Banco Central Europeu, considerados fundamentais para restaurar a confiança, quiçá por meio da impressão de dinheiro novo, num programa de alívio quantitativo.

Analistas acreditam que as lideranças europeias devem chegar a um acordo no final desta semana, mas talvez sem todos os detalhes necessários para clarear a turbulência. Os pontos específicos devem ser resolvidos ao longo dos próximos meses. “Estou cautelosamente otimista, pois já passamos por essa situação outras vezes”, afirmou Sian Fenner, economista-global do Lloyds Bank. “A crise do euro
é o maior risco global.”

Para Andrew Benito e Huw Pill, analistas do Goldman Sachs, o impasse existente entre a Alemanha e a França parece ter sido resolvido com a proposta apresentada nesta semana. Mas, existe o risco de que as determinações na sexta-feira sejam vagas e fiquem aquém das expectativas dos mercados.

De fato, ninguém se esqueceu do fiasco da reunião do G-20 no mês passado, em Cannes, quando toda a expectativa de uma solução bancada pelos emergentes caiu por terra com a surpresa gerada pelo então primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, ao propor um referendo popular para aprovar o novo pacote da UE.

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S&P ameaça tornar AAA espécie em extinção e pressiona Cúpula da UE

6 de dezembro de 2011 | 7h52

Daniela Milanese

Londres, 6 – A Standard and Poor’s ameaça transformar os ratings AAA em uma espécie em extinção e coloca pressão sobre a cúpula da União Europeia desta sexta-feira. Ao alertar para o risco de rebaixamento das notas de praticamente toda a zona do euro, a S&P aumenta as expectativas para a obtenção de acordo sobre um novo tratado europeu, capaz de resolver os problemas fiscais.

“Isso torna ainda mais imperativo que a cúpula da UE, no dia 9 de dezembro, entregue um compromisso para ampliar a disciplina fiscal”, dizem os analistas Sarah Hewin e Ned Rumpeltin, do Standard Chartered. “Além do esperado ataque sobre o poder das agências de rating por parte dos políticos, (a decisão da S&P) claramente força os europeus a finalmente definirem uma solução de longo prazo, como a mudança do tratado”, escrevem os especialistas do Lloyds Bank.

Não há dúvidas de que o posicionamento da agência levantará polêmica, afinal foi adotado às vésperas de um importante encontro político e tem a clara conotação de pressão. Praticamente todos os ratings da zona do euro foram colocados em revisão para potencial rebaixamento, com exceção do Chipre, já nessa condição, e da Grécia, que possui a nota CC, de investimentos especulativos.

Dessa forma, os seis países que ainda possuem a classificação máxima AAA – Alemanha, França, Holanda, Áustria, Finlândia e Luxemburgo – estão sob a ameaça de perdê-la. Segundo a S&P, a revisão das notas deve ser concluída o mais rápido possível depois da reunião de cúpula da União Europeia no final desta semana.

Pode-se dizer que a Alemanha e a França estão fazendo a sua parte, ao apresentarem ontem a proposta de um novo tratado para a Europa, com integração fiscal do bloco, regras orçamentárias mais rigorosas e sanções automáticas para os países que não respeitarem o limite de endividamento de 3% do PIB. É um processo demorado, como se sabe, e sujeito a decepções no decorrer do longo caminho. Afinal, a lista de reuniões de cúpulas frustrantes, apenas neste ano, é bastante extensa.

De qualquer forma, os mercados constroem a visão de que os políticos entregarão o suficiente para fazer o Banco Central Europeu se comprometer com medidas mais amplas de combate à crise e, quem sabe, até mesmo o alívio quantitativo (QE) no futuro. Essa é, de fato, a expectativa que move os investidores internacionais. “A adoção ampla de acordo na cúpula da UE tornaria a consolidação fiscal mais crível e uma intervenção mais agressiva do BCE no mercado de dívida mais provável”, avalia Thomas Harjes, do Barclays Capital.

No mercado nacional, as atenções se voltam hoje para a divulgação do PIB do terceiro trimestre, às 9 horas (de Brasília). As previsões apuradas pelo AE Projeções variam entre retração de 0,3% e expansão de 0,6%.

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Semana traz expectativa de união fiscal na Cúpula da UE e ação do BCE

5 de dezembro de 2011 | 8h43

Daniela Milanese

Esta será mais uma semana de expectativas sobre a orquestração de soluções para a crise do euro. Depois de inúmeras tentativas frustradas, as lideranças da União Europeia voltam a se reunir na sexta-feira para buscar um acordo capaz de efetivamente combater os problemas gerados pelos déficits públicos. Regras para a união fiscal entre os países, capazes de abrir caminho para atuação mais firme do Banco Central Europeu, é o melhor resultado possível para a cúpula desta semana.

Até sexta-feira, os mercados internacionais irão girar em torno das expectativas sobre o encontro. Uma prévia importante já acontece hoje, quando o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, apresentam as propostas que levarão à reunião. Às 10h30 (de Brasília), devem ser anunciadas as sugestões para as novas regras do bloco, com controles orçamentários mais rígidos.

“Enquanto a cúpula de 9 de dezembro se aproxima, muitos esperam por uma ‘grande barganha’, que verá passos em direção à união fiscal de um lado e compra mais agressivas de títulos pelo BCE, de outro”, avalia Malcolm Barr, analista do JPMorgan.

Para finalmente restaurar a confiança dos investidores, será preciso um compromisso de enquadramento fiscal capaz de convencer o Banco Central Europeu. O BCE é considerado o único capaz de amenizar a turbulência atual, desde que derrube um tabu e passe a imprimir dinheiro novo, seguindo estratégias já usadas pelo Federal Reserve e o Banco da Inglaterra. Isso só irá acontecer se a zona do euro realmente mostrar a intenção de colocar as finanças públicas em ordem.

O governo da Itália deu novo passo nessa direção ao aprovar ontem um plano de austeridade e crescimento, incluindo corte de 20 bilhões de euros no orçamento até 2014 e renúncias fiscais de mais 10 bilhões de euros.

Enquanto crescem as expectativas de que o BCE poderá finalmente adotar o chamado desaperto quantitativo (QE, na sigla em inglês), a reunião da autoridade monetária desta semana já promete novidades. Depois da surpresa na estreia de Mario Draghi, no mês passado, o BCE deve voltar a cortar os juros, em mais 0,25 ponto porcentual, recolocando-os no piso histórico de 1%. Também são esperadas novas medidas para melhorar a liquidez no sistema e flexibilizar as normas de colaterais da autoridade monetária. “O QE também está vindo, mas os políticos precisam adotar medidas primeiro”, avaliam Luigi Speranza e Ken Wattret, analistas do BNP Paribas.

A impressão de dinheiro novo já voltou a ser usada pelo Banco da Inglaterra para combater a crise, enquanto surgem projeções de nova recessão no Reino Unido. Acredita-se que o BoE ampliará o programa de compra de títulos, atualmente de 75 bilhões de libras, para até 200 bilhões de libras nos próximos meses. A autoridade britânica também realiza reunião de política monetária nesta quinta-feira. “Não esperamos nenhum aperto pelo BoE até 2014″, diz Kevin Daly, economista do Goldman Sachs, que já projeta dois trimestres consecutivos de contração do PIB no Reino Unido, configurando recessão técnica.

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