
Cada novo filme de Woody Allen, que sempre retratou as mães (e até pôs uma gigantesca no céu ralhando com ele abaixo), é analisado como “mais do mesmo”, tanto por críticos como pelos fãs. Não é diferente em Tudo Pode Dar Certo, sua volta a Nova York, mas pense em alguém que nunca viu um filme de Woody Allen: no mínimo ele levará consigo algumas risadas e a lembrança de algumas tiradas e situações. Boris, personagem representado por Larry David, é muito parecido com os que Woody costuma fazer: neurótico, hipocondríaco, engraçadamente mal humorado. Mas é mais misantropo e esnobe, um tipo que acha que a humanidade é composta de imbecis e, claro, não se inclui. Não é o homem frágil, instável e viciado em psicanálise que Woody normalmente encarna.
Até que, clichê dos clichês (que Woody trata de defender, quando põe na boca do protagonista o comentário de que alguns são a melhor forma de expressão), ele descobre uma jovem inculta, ingênua e linda (Evan Rachel Wood) e cede a seus encantos. Ela passa a repetir suas opiniões e expressões, mas não sua incapacidade de assumir os afetos. Ele pouco muda e, em consequência, a perde para um bonitão. (Atenção, não estou contando nada que o trailer já não conte.) Mas o mais divertido vem no meio tempo: os pais caipiras da moça chegam à cidade e se transformam. Patricia Clarkson, que faz a mãe, rouba a cena. Ed Begley Jr., o pai, tem um dos diálogos mais engraçados, aquele sobre Deus como um decorador. Woody, mesmo num filme menor, celebra a moral livre e a estética moderna das grandes cidades. E isso anda fazendo falta.
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Papo de leitores
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- Poxa, o blogueiro contou o filme!
- Não. Ele disse que não estava contando nada que o trailer já não conte.
- Pô cara, e você já não sabe? O que eu mais gosto é do trailer…
- Mas o Piza chegou a revelar que o protagonista tenta por duas vezes o suicido?
- Assim também já era demais… honestamente, né?
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Pois é, Daniel. Também vi o filme e gostei. Sua análise é muito boa, ao contrário de seu colega Merten, que juntamente com Caetano Veloso acha que os filmes de Allen não merecem ser vistos no cinema, apenas em DVD ou na televisão. Tolice de ambos; os filmes de Allen sempre têm alguma coisa interessante para se pensar ou rir, diferentemente dos de outros cineastas chatos, que eles vivem bajulando. Dá-lhes, Woody!
Super desconhecido no Brasil e em varios lugares do mundo, Larry David he seguramente um dos maiores genios da comedia, ever.
Curb Your Enthusiasm he melhor que Seinfeld…..Larry conseguiu fazer o que Jerry sempre disse que nao conseguiria e por isso nada mais faria da vida: ” to top that”.
Brilhante Larry David, terapia de graca para nos.
Sem dizer que Allen e’ um grande fa de musica em geral. No filme ha’ duas musicas brasileiras na trilha, uma e’ “Desafinado” e a outra e’ um samba mais antigo que eu nao conhecia. No geral o filme e’ otimo.
Alex: a outra música (instrumental) brasileira do filme é Menina Flor, interpretada por Charlie Byrd. Ele também toca Desafinado, acompanhando o grande Stan Getz.
responder este comentário denunciar abusoAlex e Jair , sou carioca, vivi nos anos 70,em Belém do Pará, meninos eu ví, Charlie Byrd tocar teatro da Paz, êle e seu violão, solo, nunca esquecí aqueles acordes de bossa nova, tocou Desafinado, Dindi, Girl From Ipanema, samba do avião e outros , e standars americanos em bossa-jazz, uma rara oportunidade ter visto ao vivo este monstro, inesquecivel.
O Curb your Enthusiasm é meu programa de TV favorito aqui nos EUA
E quanto à traducao do título, o que vc achou, Piza? Para mim, “Whatever works -> Tudo pode dar certo” doesn´t work…
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