Li os obituários de Paulo Moura e me lembrei de algumas vezes em que o vi, em especial um show no Cultura Artística com Yamandu Costa e Armandinho, show tão especial que a plateia quase só tinha músicos e especialistas como Maria Rita, Arthur Nestrovski e outros. De formação erudita e depois jazzística, ele correu Brasil com um trabalho fundamental com os choros de Nazareth. Gravou com parceiros como a pianista Clara Sverner, o violonista Raphael Rabello, o compositor e pianista João Donato e praticamente todos os grandes cantores e cantoras brasileiros. Sabia improvisar sem desestruturar a melodia e não tinha preconceito de gênero; o que prezava era a qualidade. Eu gostava dele sobretudo no clarinete, e a marca que deixou entre os maiores instrumentistas do país vai soar para sempre.
Caro Daniel,
Paulo Moura foi professor de saxofonistas do quilate de Mauro Senise e Raul Mascarenhas, seu ecletismo o fez reger em Moscou e tocar Gershwin com Leonard Bernstein no Rio de Janeiro. Lembro me dele tocando pandeiro numa escola de samba Foi se um batuta do sopro, do clarinete transparente.
ret: “seu ecletismo proporcionou a ele reger em Moscou”
Realmente um dos maiores instrumentistas a que já assisti ao vivo.
Destaco uma apresentação no Auditório do Ibirapuera, acompanhado de sua banda e da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel; chato, né?!
Ah, sim, e na trilha sonora do meu casamento, não faltou uma gravação especial de Carinhoso, do Pixinguinha, ao som de seu literalmente transparente clarinete.
Deixará muita saudade!
Vi e ouvi Paulo Moura no Rio, em pelos menos uns cinco shows. Musico de altíssima qualidade técnica, sem jamais perder a veia rítmica, dando ao Choro, principalmente, um requinte musical extraordinário. Uma pena. Uma grande perda.
A Música Popular Brasileira ficou sem o grande Paulo Moura: todos que amam os sons do Brasil e dos brasis ficam tristes e pobres. Aqui fico ouvindo o disco `Música: Urbana, Suburbana e Rural´ dos anos 70.
Requintado, sem ser esnobe, Paulo Moura marcou sua trajetoria valorizando o que há de melhor na nossa musica, seja com o sax, seja com a clarineta, esta sim a sua maior especialidade. Por certo, Rafael Rabello — para os que acreditam — o espera para um reencontro musical sem precedentes. É pena que não poderemos assisti-los.
Verdade Luis. A banda que está formada do outro lado é grande e cheia de talentos. Pixinguinha deve te-lo recebido com enorme carinho, pelo que fez com suas músicas.Elizeth ja arrumou seu microfone também.
responder este comentário denunciar abusoCalma, Luiz, chegaremos lá!
responder este comentário denunciar abusoRealmente, o “Dois Irmãos” com o Rabello é uma obra prima.
De Mozart a Miles, alvoroço no céu, que parceiro eles ganharam!
Um músico de primeira e sorte nossa que pudemos ouvir seu trabalho ao longo desses anos todos e agora lembrar sua presença carismática, simpática, mágica.
Tem músicos realmente iluminados e o nosso Paulo Moura foi e é esse brilho todo.
Paulo Moura, é uma pessoua fantástica. Não deveria ser um mortal, mesmo sendo um eterno. Tenho vários discos dele.
Felizmente Paulo Moura deixa muitas gravações em som e imagem para que não tenhamos de sentir tanto o aperto no coração de não mais tê-lo entre nós. Como era versátil, mostrava o que o ambiente pedia, com a nobreza de ter muito mais na bagagem, inclusive o clássico e a regência. Para quem gosta de jazz, ouvi-lo tocando chorinhos e clássicos da MPB, parecia uma forma de aglutinar gostos, mais do que mostrar sua essência.
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O que sinto muito é o desprezo das gravadoras aos grandeas músicos brasileiros tornando a música instrumental raridade nas lojas.Assim como Paulo temos instrumentistas maravilhosos, e que privilegiam mais ouvintes do exterior do que ´nós brasileiros.Com Paulo Moura morre também grande parte da história da música rasileira, confinada a gravações de shows acessível a poucos privilegiados.
Que pena! A música brasileira perde mais um de seus grandes nomes, já saíram de cena: Luizinho Eça, Baden Powell, Raphael Rabello, Jacob Bittencourt, Tom Jobim e …, calma São Pedro o time ai de cima já está muito forte e o senhor não está promovendo uma renovação à altura. Pelo menos o som lá deve estar uma maravilha, mais ou menos como eram aqueles bailões do Parque Lage nas noites de domingo, animados pelo Paulo Moura e seus convidados era uma espécie de sonho, com música de primeiríssima, moças lindas que dançavam bem e rapazes azaradores que nem dançavam, mas curtíamos aquela dádiva como se cada baile fosse o último. que aliás um dia chegou levando o baile lá para as bandas da Pacheco Leão, mas já não foi a mesma coisa, a Lua cheia e o Cristo já não eram convidados e o Paulo sentiu a ausência destes personagens ilustres. Quem viu, viu, quem não viu não sabe o que perdeu. São aquelas coisas, não se sabe por que, que só ocorrem no Rio de Janeiro.
Adeus Paulo e muito obrigado.
Nascido nos anos 50 vi toda modernidade se desenvolver, mas vi mais, vi craques em todas as áreas que sempre me deixaram inebriados.
Mas como é próprio da vida, vi também a despedida de muitos deles.
No começo ficava muito indignado, pois existem pessoas que não poderiam se dar ao luxo de morrer, não tinham o direito de nos deixar sua ausência.
Foram tantos, e me ficava sempre – cada vez mais – um aperto no coração, uma sensação de vazio, um frio na alma.
Aprendi a conviver com todas essas perdas…não muito, mas o necessário para continuar vivendo.
Quem assistiu Paulo Moura sabe da docilidade, simplicidade e da leveza com que dele emanavam sons dos mais limpos que já ouvi, de seu sopro mágico, suave.
Estas perdas deixam a humanidade cada vez mais sombria, menos radiante. Como caminho para a velhice, talvez não acompanhe os novos brilhos que vem por aí, e me fica uma torpe sensação de que, com essas partidas, um pouco de minha história vai se perdendo junto.
Porque só a morte de um músico como Paulo Moura é divulgada na nossa TV brasileira? Porque nunca vi sua obra divulgada para o grande público?
Vi Paulo MOura no Montreux Jazz de 92 na sala Miles DAvis.
O clarinete do Paulo era suave, adocicado, como se a música dele fosse colorida.
VAleu Paulo, e fica a pergunta:
Quando as rádios brasileiras vao tocar a nossa bela música instrumetal?
“quem sabe sabe, quem não sabe bate palma” eis a grande alma desse povo, o povo brasileiro. Grande lembrança Piza.
Especial também foi vê-lo falar de Jackson do Pandeiro na TV ,” Para Jackson tudo era côco , sinfonia de Brahms era côco ” vai fazer falta o maestro.
Olha que beleza o sorriso dele no final:
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_46/artigo_1366/Despedida.aspx
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