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Daniel Piza

28.fevereiro.2010 12:39:57

Uma lágrima para Mindlin

Acabo de saber da morte de José Mindlin e senti muito. Escrevi um breve perfil dele há dois anos: era um homem amabilíssimo e a doação de sua extraordinária biblioteca para a USP foi um gesto raro neste país de pseudomecenas, de ricos arrogantes que dominam nossa cultura. R.I.P.

comentários (18) | comente

18 Comentários Comente também
  • 28/02/2010 - 13:28
    Enviado por: ricardo

    Perda inestimável. Grande homem e de uma humildade e generosidade incalculáveis. Li muitas histórias incríveis sobre Mindlin, mas o que mais ressalta é seu amor pela cultura e pelos livros.

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  • 28/02/2010 - 13:32
    Enviado por: antonio bezerrq neto

    um homem acima da media.

    de origem judaica mostrou-se digno de grande mecenas. De longe acompnhava seus passos.

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  • 28/02/2010 - 13:37
    Enviado por: antonio bezerra neto

    mostrou-se ao longo de decadas um homem com face de mecenas. Ocompanhei
    seus passos pela imprensa

    um honrado filho da diaspora tardia.

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  • 28/02/2010 - 13:44
    Enviado por: F.S.Monteiro

    Seu Mindlin: boa viagem, boas leituras, e obrigado!

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  • 28/02/2010 - 14:59
    Enviado por: Alex

    Espero que a USP saiba cuidar bem destes livros. Afinal a qual unidade eles serao doados?

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  • 28/02/2010 - 16:10
    Enviado por: ricardo

    Certa vez, numa entrevista a não sei qual órgão ou jornalista, Mindlin narra um epsódio do qual não me esquecerei. Conta Mindlin que necessitava resolver questões burocráticas junto a órgãos governamentais cuja burocracia exigiria horas intermináveis na espera pelo atendimento. Sem pestanejar, o sábio e milionário Mindlin saca de alguma raridade e, como qualquer ser humano, espera as infindáveis horas degustando algum clássico da literatura. Sem concessões a qualquer tipo de “carteirada” ou corrupção (como seria fácil, sabemos, a qualquer pessoa de posses ou prestígio). Esperou ali o milionário Mindlin, como qualquer ser humano, até ser atendido. O Brasil do “bacharelismo” ou do verniz estúpido do “Poder”, não faziam a cabeça desse cara. Era um sábio.

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    • 01/03/2010 - 00:23
      Enviado por: Paulo

      Era a Comédia Humana de Balzac. Ele diz em “Conversa no mundo dos livros”. Na verdade, ele dizia que não gostava quando era atendido rapidamente, pois queria ler mais.

      Realmente o mundo fica cada vez mais chato. Salinger, Mindlin…

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  • 28/02/2010 - 16:37
    Enviado por: césar

    Mais do que uma lágrima, Mindlin merece um toró delas. Pinçado da antiga Alexandria, ele criou a grande biblioteca e foi o seu Demétrio de Faleto.

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  • 01/03/2010 - 06:55
    Enviado por: Anna H.

    Grandes homens geralmente são serenos e humildes,já repararam? Este senhor,que certamente merece elogios, foi de outra geração, aquela que quase não há mais representantes.A geração dos homens que sabiam o que é ser culto, o que é a riqueza interior que ninguém pode nos roubar.Alheio à futilidades e priorizando o que é de fato importante nessa vida.Morando no Brasil,nem sei como conseguiu (e o deixaram) ser un benfeitor.Meus pêsames à família dele.

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  • 01/03/2010 - 08:41
    Enviado por: Valdir

    Há uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos que não teriam sido possíveis sem a biblioteca do Midlin. Acho que sua vida ensina entre outras coisas que dedicar-se com profundidade a algo que amamos, como a construção de uma biblioteca, irradia possibilidades para diversas pessoas. Espero que em breve o Brasil tenha conseguido formar pessoas capazes de ler. E, quem sabe um dia, muitas mais pessoas capazes de trabalhar serenamente, ao longo de toda uma vida, para construir coisas simples e essenciais como uma biblioteca. Por enquanto, formamos gente que só pensa em acumular, ostentar e roubar.

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  • 01/03/2010 - 11:16
    Enviado por: Raimundo

    Uma perda irreparável. Um homem sensível, elegante na sua simplicidade, sabia dizer as coisas com uma sabedoria imensa.Tinham uma presença forte e onde chagava irradiava essa força interior. Não era um charlatão do saber. Amava os livros pois sabia o imenso valor que eles tinham e tem. Não o valor monetário, mas valor pela dimensão de humanidade contida em cada página dos inumeráveis títulos que colecionou. Colecionou porque leu.Que a USP saiba fazer valer a doação. Diante da morte de Midlin, penso nos textos que você escreveu no Estadão de ontem, “Notas do Leviatã’, “O Tempora, o Mores” e por fim o sempre bem vindo “Por que não me ufano” Abismos!

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  • 01/03/2010 - 22:26
    Enviado por: Ricardo

    Roda Viva !!!
    Piza,
    Tá lá o Mindlin no Roda Viva e vc é uns dos entrevistadores…
    Abs,
    Ricardo.

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  • 02/03/2010 - 07:14
    Enviado por: Alex

    Piza

    A historia da doacao da biblioteca de Mindlin para a USP parece um conto de Kafka “a moda tropical”. Mindlin teve que brigar para doar sua valiosissima colecao, pois queria que ela se tornasse publica e nao queria doa-la a uma instituicao estrangeira tambem.

    Desculpe, mas e’ revoltante saber que se ele morasse em um pais civilizado as instituicoes que estariam brigando para abrigar a colecao e nao o contrario. O alento e’ que a primeira vista a USP, com todos os seus problemas, esta’ fazendo um bom trabalho na digitalizacao.

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  • 02/03/2010 - 14:45
    Enviado por: Marco Antônio Castro

    Tive o prazer de conversar duas vezes com Mindlin.
    Brincava com ele dizendo que, se houvesse reencarnação, eu queria voltar uma traça na sua biblioteca. Ao que ele respondia, com aquele sorriso bonachão, não ser necessário pois a casa estava aberta para qualquer consulta.
    Assustei-me com a opinião dele sobre Guimarães Rosa, que conheceu em Paris, no pós-guerra, quando ia comprar livros. Arrogante e pedante foram as menos ruins…

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  • 02/03/2010 - 15:56
    Enviado por: Marcos V.

    Meu Deus! O ano de 2010 mau começou… perdas irreparáveis no mundo das letras: Salinger… e agora Mindlin! O homem que amava os livros.

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