
Os livros de Claude Lévi-Strauss, que morreu antes de completar 101 anos, são tão abrangentes e originais que mesmo quem discordasse de seu estruturalismo era obrigado a concordar que tinham a estatura dos clássicos. Tristes Trópicos (1955), O Cru e o Cozido (1964) e História de Lince (1991), principalmente, são fascinantes. No domingo me referi também aos seus belos ensaios de Olhar Escutar Ler (1993), sobre artistas como Poussin, Rameau e Rimbaud. Ele estudou caduvéus, bororos e nambiquaras no Brasil e concluiu que havia uma diferença entre os povos ameríndios e os indo-europeus – um desses achados que valem uma vida inteira. O estruturalismo para ele era uma busca científica das configurações antropológicas, não um sistema que exalta o relativismo absoluto e a ausência de condicionantes genéticas. Mas este é um debate sem fim. Suas descrições e interpretações é que ficarão para sempre.
muito triste a noticia do antropologo Levi Strauss, como se uma parte da nossa curiosidade em viver e conhecer fosse, metaforicamente expressando, parado no porto vendo o navio partir para sempre. Soube da noticia daqui de Roma onde vivo e tem sido divulgado assim.
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Si tratta in assoluto uno dei più grandi antropologi e intellettuali del Novecento, la cui vita è stata dedicata a far capire che cultura non è solo la produzione artistica di un popolo, ma è il complesso delle peculiarità del popolo stesso.
A continuidade de suas percepções: eis o grande legado que Lévi-Strauss deixa. Se considerarmos como tal o conjunto de sua obra, a perda se reverterá em ganho. É preciso enxergar com outros olhos o que todos veem. A diferença.
Bom, ele ja’ tinha 100 anos. Bela caminhada, nos deixou uma excelente obra. RIP.
Carissimo Piza,
Estamos todos entristecidos, morre quem respeitou sempre os indios de nosso pais. Doravante, gostaria de dizer que a grafia das tribos em seu post esta em letra minuscula. Muito entristeceria o pp Claude. Como se fossem meros amerindios, e nao a igualdade exaltada pelo professor de todos os antropologos. A minha tese comeca desconstruindo justamente este tratamento diminutivo para chamar as tribos, pois se chamamos Brasileiros, Americanos, Australianos com letra maiuscula, vale saber que os indios e suas tribos tb merecem esta distincao de letra maiuscula, pp da lingua alema com os seus substantivos. Para nao dizer que minto, va ao contexto da Alibris, http://www.alibris.com.uk, e olha o respeito as tribos dos indios brasileiros:
“Tristes Tropiques” records Lévi-Strauss’s search for “a human society reduced to its most basic expression”, and focuses on the tribes of the Caduvco, Bororo, Nambikwara, and Tupi-Kawahib of the Amazon basin and the upland jungles of Brazil. ” Pelo Mounsier Strauss – por favor corrija a grafia para letras maiusculas, como bem indica o pp estruturalismo.
Abracos,
Nao sei se concluiu que existe uma diferença entre povos amerindios e indo-europeus, mas Strauss esforçou-se para dizer que todos os sistemas de pensamento são absolutamente validos e sofisticados. Busca científica de configuraçoes antropológicas…hum…igualmente não sei o que voce quis dizer, Piza, mas em verdade a antropologia já é uma ciência em si mesma, concorda? Quanto ao chamado relativismo cultural, que traz arrepios à maioria dos pensantes ocidentais, é bom ir com calma, porque tudo o que o nosso brilhante francês quis demonstrar é que sim, ele existe. Se quiser conhecer um povo, em outras palavras, alie-se ao seu sistema de pensamento, e nada do que ouvir, escutar ou ler, se existir a escrita (embora esta não faça falta), lhe parecerá “exótico” ou “bizarro”. Abr, Adriana
Adriana, você sabe bem que muitos antropólogos não viram como ciência a própria disciplina… E Lévi-Strauss acreditava em universais, lamento lembrar.
A morte de Lévi Strauss tem mesmo que ser chorada. A atualidade de sua obra e a ética de seu proceder, justificam as lágrimas. sobre um novo humanismo: “Quando proclamam que o inferno somos nós mesmos, os povos selvagens dão uma aula de modéstia… neste século em que o homem teima em destruir inúmeras formas de vida… nunca foi tão necessário dizer, como fazem os mitos que um humanismo ordenado não começa por si mesmo. Coloca o mundo antes da vida, a vida antes do homem, o respeito pelos outros seres antes do amor-próprio. E mesmo uma estadia de um ou dois milhões de anos nesta terra – já que de todo modo um dia há de acabar – não pode servir de desculpa para qualquer espécie, nem mesmo a nossa, dela se apropriar como coisa e se comportar sem pudor nem moderação.” Existe nada mais atual do que esta postura frente aos novos desafios que nos esperam, sobremodo, no campo da ecologia ou de uma bio-ética!!??
Hoje, o trópico ficou triste. Um homem morre aos 100 anos, Lévi Strauss. Sobram palavras que amenizam a perda, palavras sequenciadas dentro de livros, essas sim terão ‘longa duração’, cem anos será muito pouco para que elas eternizem essa mente genial.
Mas sera que C.L.V. antes de falecer soube do estado em que se encontram os índios brasileiros ? Digo porque quando ele esteve no Brasil fazendo pesquisas e que foi há muito tempo, a situação do indígena era outra. Iria se decepcionar, hoje. O que eu nunca entendi é porque considerou “triste” os trópicos, quando mais triste é a Europa de suas origens…mesmo no sentido figurado, nao encontro resposta.
E da situação dos índios hoje, o que ele diria ? O que eu nunca entendi é o significado de “triste” para ele…mesmo no sentido figurado nao encontro resposta…por que tristes trópicos, se o continente de onde ele veio (Europa) é mais triste ?
Não lamente, Piza. Claude Gustave Lévi-Strauss não o faria. Não confundir universalidades (seja lá o que isto signifique) como o oposto ao relatismo cultura, que tanto incomoda o ocidente, desejoso, como todas as culturas do mundo, etnocentricas por excelência, de que seu modo de pensar e viver seja adotado pelo “outro”, pelo inimigo, em resumo. Os índios, desde Cunhambebe, faziam e fazem diferente. O “outro”, como meu caro e dileto inimigo, serve para que eu me aproprie dele, inclusive digerindo-o. São essas diferenças que apontam os antropólogos, sejam eles classificados por si mesmos como cientistas ou não. Sobre questões genéticas, veja só o que disse a aluna do professor: — “Por que há culturas diferentes?”, resume Anne-Christine Taylor, especialista em culturas indígenas da Amazônia e ex-aluna de Lévi-Strauss. “Para essa questão, ele contribuiu com uma abordagem nova, partindo do pressuposto de que há uma ordem por trás das diferentes culturas. Não é simplesmente a história que torna as sociedades diferentes e menos ainda as diferenças genéticas, como se acreditava”, acrescenta. Veja então, Piza, que universalidades (?) podem formar o fundo (estrutura) do pensamento humano, mas o que vivemos são as relatividades e a diferença. A grande contribuição de Strauss foi entender isto, e dizê-lo. Abr, Adriana
Adriana, você confunde a crítica dele ao etnocentrismo com a afirmação de um relativismo radical que ele jamais assumiu. Para ele eram universais não só a proibição do incesto mas também a tendência do pensamento a trabalhar com antinomias, da qual admitiu a hipótese de bases genéticas ou biológicas. Ele se esforçou a carreira toda em mostrar o que há em comum entre as diversas culturas, as diversas mitologias, e não em fazer um elogio rousseauniano da diferença. Este ponto é essencial em Lévi-Strauss.
O relativismo cultural que pessoas como Adriana Rocha consideram com respeitável é o que permite que tribos africanas cortem o clitóris das mulheres para que não tenham prazer; dos radicais muçulmanos que jogam pedras e enterram vivas as adúlteras e que perseguem homosexuais. Ou seja em nome da diferença aprovam ou fazem vistas grossas à barbárie e a intolerância.
Deixemos de falar de relativismo em oposição a universalidades…é muito pouco para Lévi-Strauss…melhor ler Eduardo Batalha Viveiros de Castro…e cada um tirar suas conclusões…totalidades nunca foram o forte de nenhum dos dois. Um trecho: Claude Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo… CLS certamente não é o último pré-estruturalista, mas é o primeiro pós-estruturalista. Ao dizer isso, em certo sentido, estaríamos antecipando a conclusão do presente livro, que tem como uma de suas principais intenções a de mostrar a atualidade do pensamento lévi-straussiano: pensamento da assimetria, da complementaridade, da torção e da abertura. Poderíamos ir para casa agora e dedicar o tempo a ocupações mais amenas. Mas felizmente, ou infelizmente, isto não é tudo… Além de que será preciso demonstrar minimamente o bem-fundado de minha tese, o livro tem uma outra intenção maior, que não se comprime tão facilmente em um ou dois parágrafos, a saber, a intenção de expor a originalidade radical do pensamento indígena, tal como transparece nos discursos míticos analisados nas Mitológicas. …extraído do manuscrito inédito de “Isso não é tudo: Lévi-Strauss e a mitologia ameríndia”, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que será lançado em agosto de 2010 pela Cosac Naify, junto à primeira edição brasileira de “O homem nu”, quarto volume das “Mitológicas”, de Claude Lévi-Strauss. Abr, Adriana
Olá, Piza! Claude Lévi-Strauss era de uma intensidade impressionante, todavia a finitude tudo arrasta. Uma pena! Sua sensibilidade no mundo da fotografia era algo espetacular. Estudei sob a batuta de seus livros.
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