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Daniel Piza

03.novembro.2009 14:56:08

Uma lágrima para Lévi-Strauss

Os livros de Claude Lévi-Strauss, que morreu antes de completar 101 anos, são tão abrangentes e originais que mesmo quem discordasse de seu estruturalismo era obrigado a concordar que tinham a estatura dos clássicos. Tristes Trópicos (1955), O Cru e o Cozido (1964) e História de Lince (1991), principalmente, são fascinantes. No domingo me referi também aos seus belos ensaios de Olhar Escutar Ler (1993), sobre artistas como Poussin, Rameau e Rimbaud. Ele estudou caduvéus, bororos e nambiquaras no Brasil e concluiu que havia uma diferença entre os povos ameríndios e os indo-europeus – um desses achados que valem uma vida inteira. O estruturalismo para ele era uma busca científica das configurações antropológicas, não um sistema que exalta o relativismo absoluto e a ausência de condicionantes genéticas. Mas este é um debate sem fim. Suas descrições e interpretações é que ficarão para sempre.

comentários (15) | comente

15 Comentários Comente também
  • 03/11/2009 - 15:32
    Enviado por: takeo Yajima

    muito triste a noticia do antropologo Levi Strauss, como se uma parte da nossa curiosidade em viver e conhecer fosse, metaforicamente expressando, parado no porto vendo o navio partir para sempre. Soube da noticia daqui de Roma onde vivo e tem sido divulgado assim.
    ///
    Si tratta in assoluto uno dei più grandi antropologi e intellettuali del Novecento, la cui vita è stata dedicata a far capire che cultura non è solo la produzione artistica di un popolo, ma è il complesso delle peculiarità del popolo stesso.

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  • 03/11/2009 - 17:28
    Enviado por: Soraia

    A continuidade de suas percepções: eis o grande legado que Lévi-Strauss deixa. Se considerarmos como tal o conjunto de sua obra, a perda se reverterá em ganho. É preciso enxergar com outros olhos o que todos veem. A diferença.

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  • 03/11/2009 - 18:24
    Enviado por: Alex

    Bom, ele ja’ tinha 100 anos. Bela caminhada, nos deixou uma excelente obra. RIP.

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  • 03/11/2009 - 18:29
    Enviado por: Dr. Penteado

    Carissimo Piza,

    Estamos todos entristecidos, morre quem respeitou sempre os indios de nosso pais. Doravante, gostaria de dizer que a grafia das tribos em seu post esta em letra minuscula. Muito entristeceria o pp Claude. Como se fossem meros amerindios, e nao a igualdade exaltada pelo professor de todos os antropologos. A minha tese comeca desconstruindo justamente este tratamento diminutivo para chamar as tribos, pois se chamamos Brasileiros, Americanos, Australianos com letra maiuscula, vale saber que os indios e suas tribos tb merecem esta distincao de letra maiuscula, pp da lingua alema com os seus substantivos. Para nao dizer que minto, va ao contexto da Alibris, http://www.alibris.com.uk, e olha o respeito as tribos dos indios brasileiros:
    “Tristes Tropiques” records Lévi-Strauss’s search for “a human society reduced to its most basic expression”, and focuses on the tribes of the Caduvco, Bororo, Nambikwara, and Tupi-Kawahib of the Amazon basin and the upland jungles of Brazil. ” Pelo Mounsier Strauss – por favor corrija a grafia para letras maiusculas, como bem indica o pp estruturalismo.

    Abracos,

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  • 03/11/2009 - 18:47
    Enviado por: ADRIANA ROCHA

    Nao sei se concluiu que existe uma diferença entre povos amerindios e indo-europeus, mas Strauss esforçou-se para dizer que todos os sistemas de pensamento são absolutamente validos e sofisticados. Busca científica de configuraçoes antropológicas…hum…igualmente não sei o que voce quis dizer, Piza, mas em verdade a antropologia já é uma ciência em si mesma, concorda? Quanto ao chamado relativismo cultural, que traz arrepios à maioria dos pensantes ocidentais, é bom ir com calma, porque tudo o que o nosso brilhante francês quis demonstrar é que sim, ele existe. Se quiser conhecer um povo, em outras palavras, alie-se ao seu sistema de pensamento, e nada do que ouvir, escutar ou ler, se existir a escrita (embora esta não faça falta), lhe parecerá “exótico” ou “bizarro”. Abr, Adriana

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  • 03/11/2009 - 19:46
    Enviado por: danielpiza

    Adriana, você sabe bem que muitos antropólogos não viram como ciência a própria disciplina… E Lévi-Strauss acreditava em universais, lamento lembrar.

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  • 03/11/2009 - 22:08
    Enviado por: alfredo azevedo

    A morte de Lévi Strauss tem mesmo que ser chorada. A atualidade de sua obra e a ética de seu proceder, justificam as lágrimas. sobre um novo humanismo: “Quando proclamam que o inferno somos nós mesmos, os povos selvagens dão uma aula de modéstia… neste século em que o homem teima em destruir inúmeras formas de vida… nunca foi tão necessário dizer, como fazem os mitos que um humanismo ordenado não começa por si mesmo. Coloca o mundo antes da vida, a vida antes do homem, o respeito pelos outros seres antes do amor-próprio. E mesmo uma estadia de um ou dois milhões de anos nesta terra – já que de todo modo um dia há de acabar – não pode servir de desculpa para qualquer espécie, nem mesmo a nossa, dela se apropriar como coisa e se comportar sem pudor nem moderação.” Existe nada mais atual do que esta postura frente aos novos desafios que nos esperam, sobremodo, no campo da ecologia ou de uma bio-ética!!??

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  • 03/11/2009 - 23:02
    Enviado por: simone perez

    Hoje, o trópico ficou triste. Um homem morre aos 100 anos, Lévi Strauss. Sobram palavras que amenizam a perda, palavras sequenciadas dentro de livros, essas sim terão ‘longa duração’, cem anos será muito pouco para que elas eternizem essa mente genial.

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  • 04/11/2009 - 07:19
    Enviado por: Anna H.

    Mas sera que C.L.V. antes de falecer soube do estado em que se encontram os índios brasileiros ? Digo porque quando ele esteve no Brasil fazendo pesquisas e que foi há muito tempo, a situação do indígena era outra. Iria se decepcionar, hoje. O que eu nunca entendi é porque considerou “triste” os trópicos, quando mais triste é a Europa de suas origens…mesmo no sentido figurado, nao encontro resposta.

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  • 04/11/2009 - 07:21
    Enviado por: Anna H.

    E da situação dos índios hoje, o que ele diria ? O que eu nunca entendi é o significado de “triste” para ele…mesmo no sentido figurado nao encontro resposta…por que tristes trópicos, se o continente de onde ele veio (Europa) é mais triste ?

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  • 04/11/2009 - 12:17
    Enviado por: ADRIANA ROCHA

    Não lamente, Piza. Claude Gustave Lévi-Strauss não o faria. Não confundir universalidades (seja lá o que isto signifique) como o oposto ao relatismo cultura, que tanto incomoda o ocidente, desejoso, como todas as culturas do mundo, etnocentricas por excelência, de que seu modo de pensar e viver seja adotado pelo “outro”, pelo inimigo, em resumo. Os índios, desde Cunhambebe, faziam e fazem diferente. O “outro”, como meu caro e dileto inimigo, serve para que eu me aproprie dele, inclusive digerindo-o. São essas diferenças que apontam os antropólogos, sejam eles classificados por si mesmos como cientistas ou não. Sobre questões genéticas, veja só o que disse a aluna do professor: — “Por que há culturas diferentes?”, resume Anne-Christine Taylor, especialista em culturas indígenas da Amazônia e ex-aluna de Lévi-Strauss. “Para essa questão, ele contribuiu com uma abordagem nova, partindo do pressuposto de que há uma ordem por trás das diferentes culturas. Não é simplesmente a história que torna as sociedades diferentes e menos ainda as diferenças genéticas, como se acreditava”, acrescenta. Veja então, Piza, que universalidades (?) podem formar o fundo (estrutura) do pensamento humano, mas o que vivemos são as relatividades e a diferença. A grande contribuição de Strauss foi entender isto, e dizê-lo. Abr, Adriana

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  • 04/11/2009 - 12:27
    Enviado por: danielpiza

    Adriana, você confunde a crítica dele ao etnocentrismo com a afirmação de um relativismo radical que ele jamais assumiu. Para ele eram universais não só a proibição do incesto mas também a tendência do pensamento a trabalhar com antinomias, da qual admitiu a hipótese de bases genéticas ou biológicas. Ele se esforçou a carreira toda em mostrar o que há em comum entre as diversas culturas, as diversas mitologias, e não em fazer um elogio rousseauniano da diferença. Este ponto é essencial em Lévi-Strauss.

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  • 04/11/2009 - 15:17
    Enviado por: nilton

    O relativismo cultural que pessoas como Adriana Rocha consideram com respeitável é o que permite que tribos africanas cortem o clitóris das mulheres para que não tenham prazer; dos radicais muçulmanos que jogam pedras e enterram vivas as adúlteras e que perseguem homosexuais. Ou seja em nome da diferença aprovam ou fazem vistas grossas à barbárie e a intolerância.

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  • 04/11/2009 - 16:55
    Enviado por: ADRIANA ROCHA

    Deixemos de falar de relativismo em oposição a universalidades…é muito pouco para Lévi-Strauss…melhor ler Eduardo Batalha Viveiros de Castro…e cada um tirar suas conclusões…totalidades nunca foram o forte de nenhum dos dois. Um trecho: Claude Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo… CLS certamente não é o último pré-estruturalista, mas é o primeiro pós-estruturalista. Ao dizer isso, em certo sentido, estaríamos antecipando a conclusão do presente livro, que tem como uma de suas principais intenções a de mostrar a atualidade do pensamento lévi-straussiano: pensamento da assimetria, da complementaridade, da torção e da abertura. Poderíamos ir para casa agora e dedicar o tempo a ocupações mais amenas. Mas felizmente, ou infelizmente, isto não é tudo… Além de que será preciso demonstrar minimamente o bem-fundado de minha tese, o livro tem uma outra intenção maior, que não se comprime tão facilmente em um ou dois parágrafos, a saber, a intenção de expor a originalidade radical do pensamento indígena, tal como transparece nos discursos míticos analisados nas Mitológicas. …extraído do manuscrito inédito de “Isso não é tudo: Lévi-Strauss e a mitologia ameríndia”, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que será lançado em agosto de 2010 pela Cosac Naify, junto à primeira edição brasileira de “O homem nu”, quarto volume das “Mitológicas”, de Claude Lévi-Strauss. Abr, Adriana

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  • 05/11/2009 - 15:02
    Enviado por: antonio bezerra neto

    Olá, Piza! Claude Lévi-Strauss era de uma intensidade impressionante, todavia a finitude tudo arrasta. Uma pena! Sua sensibilidade no mundo da fotografia era algo espetacular. Estudei sob a batuta de seus livros.

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