
Uma lágrima para J.D. Salinger, um tremendo escritor, morto aos 91 anos. A fama alcançada com O Apanhador no Campo de Centeio o afugentou, por motivos que talvez nunca saibamos com certeza; talvez ele tenha rejeitado ser tratado como um defensor da adolescência contra o “mundo dos adultos”. Mas qual o problema de não ter escrito muito mais? Sua obra, pequena como é, tem uma prateleira especial no século 20, como a de Rimbaud no século 19. Suas Nove Histórias são formidáveis na fusão de ironia e lirismo, com uma espécie de realismo sugestivo que só ele e poucos mais – como John Cheever, mas mais amargo – sabiam fazer. Lê-lo é vê-lo.
Uma lágrima minha para J.D. Salinger também, Piza.
“O Apanhador…” está entre meus livros prediletos. Foi um dos livros que me lançou para o mundo maravilhoso da literatura. Li-o na adolescência com voracidade. Fiz uma releitura mais tarde na vida adulta. Agora, voltarei a lê-lo, como uma simples forma de homenagem a este grande e recluso escritor americano. Grande perda.
Sr. Piza,
Todas as juventudes pós 1951 foram maravilhosamente influenciadas por esta obra.
Orgulhosamente ainda tenho o exemplar dado pelo meu tio no começo da década de 70, está bem velho…Mesmo já tendo lido o livro mais de uma centena de vezes, acabo de começar mais uma vez em memória do nobre Salinger.
Rest in peace.
Daniel, talvez o melhor talento de Salinger estava em escrever como quem tem quinze anos, coisa aparentemente fácil ,mas de rara dificuldade.
Por uma estranha coincidência eu estou neste momento lendo o apanhador, mas não sabia sequer que o autor ainda era vivo, quer dizer quando comecei a ler o livro ele era vivo, quando eu terminar tudo ja estara terminado.
Caro Piza:
Taí uma mácula que eu tenho como leitor, nunca li nada de Salinger, evidentemente que procurarei sanar isso.
Da mesma maneira do leitor Elson, eu também o farei…
De mesmo jeito que o leitor Rogério pensou, eu também pensei.
Como fiz Letras, eu li Hemingway, D.H. Lawrence…mas ouvi falar muito de Salinger, entre nós, de grupinhos de alunos.
Gostaria que o Estadao publicasse nesse próximo Domingo, um pedaço da sua bibliografia ou alguns trechos das suas obras.
O escritor foi “introvertido”, tudo indica…como eu sou.
Sr. Piza,
LÍ SALINGER quando era moda. Anos 70.
“O CAMPO DE CENTEIO…”
EU era garoto.
E FICAVA FURIOSO COM O GAROTO DO LIVRO. COMO ALGUÉM PODIA SER TÃO IMBECIL ??
MAS a REALIDADE é que os GAROTOS e a maioria dos ADULTOS são IMBECÍS.
O livro me exasperava e deixei-o para nunca mais. O livro é ( pelo que me lembro ) BOM. MAS, para mim, NÃO fazia sentido algum acompanhar um SUJEITO REPULSIVO ET PUSILÂNIME. OH, SIM, SIM…O PERSONAGEM É…”COMPLEXO”.
MAS ACHO que o PERSONAGEM de “O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO” é um VÉLHO, PUSILÂNIME E COVARDE num corpo de GAROTO. O PRÓPRIO SALINGER, evidentemente. PQ ele não teve CORAGEM de escrever, identificando-se e dizendo que escrevia sobre um VELHO, como SOBRE SÍ PRÓPRIO ??
GAROTOS não agem como o PERSONAGEM de SALINGER.
VELHOS SIM.
Por outro lado, fiquei muito contente ao saber que SALINGER considerava o PICARETA HEMINGWAY como escritor de 2ª CATCHEGORIA. E ÓLHE LÁ…
IDEM STEINBECK.
SALINGER TINHA BOM GOSTO.
65 milhões de holden Caulfield ficaram órfãos, quebrou-se a mácula do adolescente sentimental, restando apenas o amor
Piza,
Acho que li Salinger depois da época, me pareceu um pouco adolescente, apesar do sensacional sendo de humor e ritmo vibrante dele,
li “Franny e Zoey(?!)”, ele fala da familia Glass e parece ter um profundo trauma, talvez a morte de seu irmão.
O mais louco é que Salinger virou estopim pra malditos, tem neguinho que saiu matando e disse que se inspirou em Salinger, como o assassino do Lennon.
Faço aqui publicamente um pedido a você: gostaria muito de ler um artigo seu sobre James Joyce.
Amplexus…
Edu, acho que a força do “Apanhador” vem exatamente do contraste entre essa voz adolescente e esse teor adulto. Mas gosto mais dos contos, há menos opinião e mais sugestão. Sobre Joyce, escrevi muitos, eis dois: http://www.danielpiza.com.br/interna.asp?texto=1713 e http://www.danielpiza.com.br/interna.asp?texto=1104. Abraço
Piza,
Nossa…nem lembro mais do livro.Faz tanto tempo que li.Mas me recordo que adorei.Adoro leitura em primeira pessoa.
Talvez volte a reler.
Agora, deve sair um monte de novos títulos dele.Aguarde.Talvez saia mais livros agora depois de morto do que quando vivo rsrsrsrs
Salinger… meu contista preferido. Pra quem só leu The Catcher in the Rye…vale ler Nine Stories…realmente, fusao de humor e lirismo, do absurdo, do ínfimo corriqueiro…e tudo que se possa dizer a respeito…mas o que se sente ao ler…é…quase…indizível…ali está também o amago da alma norte americana durante e depois da Segunda Guerra Mundial… em estado bruto…
Do Catcher eu aprendi que a palavra “phoney” ainda define muita, muita, muita, muita gente neste mundo. E essa gente está mais perto (ou perta) do que a gente imagina.
De uma entrevista de 2008 com o escritor japonês Haruki Murakami:
J.D. Salinger tinha 32 quando surgiu seu único romance, “O Apanhador no Campo de Centeio”. Era fraco demais pro seu próprio veneno?
Murakami: Eu traduzi esse livro pro japonês. É bom, mas incompleto. A história vai-se escurecendo, e o protagonista não consegue fugir do mundo sombrio. Acho que o próprio Salinger não achou a saída. Não sei se o esporte poderia tê-lo salvo.
Li o livro quando já não era tão novo assim… lá pelos 25. O livro ficou na lembrança e no coração! A sensibilidade do personagem é tudo o que eu gostaria de ver no mundo, hoje!
Caro Piza:
sou escritor genuinamente do século 21(e.books grátis em http://WWW.MVTVCOM.COM.BR),mas só decidi seguir em frente depois de várias leituras da obra do Salinger. ele apareceu em minha vida no momento certo.seu livro O Apanhador no Campo de Centeio me influenciou muito.escrevi um romance de 310 páginas, OVELHA NEGRA, com uma pitada picante de Salinger e Bukowski.até minha privacidade e ostracismo voluntário vêm do genial Salinger.somos 3 escritores com esse complexo de Greta Garbo salingeriano no Brasil:Rubens Fonseca, Dalton Trevisan e eu.a paz é melhor que a fama.
MAGGIAR VILLAR DE CASANOVA
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