ir para o conteúdo
 • 

Daniel Piza

30.março.2010 15:45:17

Uma lágrima para Armando Nogueira

Uma lágrima para Armando Nogueira, morto aos 83 anos. Sua maior contribuição foi ter dado dignidade à crônica esportiva em si mesma, num momento em que os melhores do gênero vinham da literatura, como Nelson Rodrigues e José Lins do Rego. Influenciado por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, adotou um estilo lírico, embora às vezes deslizasse para o sentimental, banhado em adjetivos e hipérboles. Simplesmente escolheu exaltar os ídolos, como Pelé (“Até a bola do jogo pedia autógrafo a Pelé”), Garrincha (“Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifúndio”) e Zico (“A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico, com cheiro de gol”), na linha de Nelson – ainda que este antes o criticasse por se deslumbrar com os húngaros em detrimento dos brasileiros. Hoje a crônica anda fora de moda, mas a capacidade de admiração, de olhar o esporte de modo afetivo, não precisava ter ido junto.

comentários (7) | comente

7 Comentários Comente também
  • 31/03/2010 - 05:34
    Enviado por: antonio bezerra neto

    Armando encarnava os encantos de um homem cheios de viços. Inventava (no sentido nobre) para se conhecer. Parecia muito querido entre seus pares. Que Deus o acolha na Quaresma que corre.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/03/2010 - 11:20
    Enviado por: Felipe

    Convém não esquecer de outra grande contribuição de Nogueira: para o bem e para o mal, homem forte do telejornalismo global durante muito tempo. Contribuiu para implantar o padrão Globo de jornalismo televisivo, formando profissionais e consolidando procedimentos. Mas, sabe-se lá como e quanto, também serviu à prática de um jornalismo subserviente e conivente com a ditadura. Epitáfios, pessoas: a morte não pode apagar as contradições humanas.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/03/2010 - 12:45
    Enviado por: antonio bezerra neto

    Piza, acho um despropósito a ideia de revisionismo. Armando Nogueira viveu um dado momento histórico. Os homens são filhos dos muitos decursos de prazo, hiato, interstícios. Meu olhar é mais generoso para com o grande jornalista Armando. Concordo com o excesso de pieguices em algumas frases. Agora… sobre ter servido ao regime discricionário acho uma tolice. A vida tem seus contornos. Não gosto dos tacapes ante as pessoas.

    responder este comentário denunciar abuso

    • 31/03/2010 - 12:55
      Enviado por: danielpiza

      Bezerra, entendo, mas acho que o Felipe tem razão até certo ponto: o jornalismo da Globo naquele período não era independente, e houve casos como o da Proconsult que envolveram o nome de Armando. Eu pelo menos gostaria de saber a verdade sobre esses episódios, por precisão histórica.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 31/03/2010 - 14:25
    Enviado por: Clivaldo Borges

    Armando Nogueira falou tanta besteira em tantos comentários esportivos, assim como acontece ultimamente. E comentário esportivo é tão banal, o sujeito fala o que quiser: hipóteses erradas, elogios e críticas desvairadas sem problema e responsabilidade nenhuma, só dá problema quando ofende outrem e é processado. Armando fazia firulas com alguns adjetivos o que o diferenciava dos demais medíocres comentaristas. Pelo que vi nas homenagens de vários programas esportivos Armando se tornou o mestre dos jornalistas medíocres. Gozou de prestígio na Globo no período do regime autoritário militar. As citações de Piza (Armando Nogueira) sobre Pelé, Zico e Garrincha não são novidades e não são poéticas, são metáforas piegas?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/04/2010 - 19:32
    Enviado por: Nelson Cunha

    Daniel, Armando Nogueira pode até ter sido piegas em algumas frases, mas o que tem de leitor despeitado com o sucesso do saudoso cronista, é uma festa.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Tags

Blogs do Estadão