Um aspecto pouco avaliado do futebol é o tempo. Um time pode jogar de modo aberto e em ritmo elétrico, mas não pode mantê-lo por 90 minutos contínuos. Primeiro, porque não há fôlego e os tempos lentos são necessários para organizar, repensar estratégias. Segundo, porque há adversários que vão se valer das oscilações, seja por ter o mesmo estilo, seja por serem mais frios e precisos. Ontem, no primeiro jogo da final do Paulista, o Santo André surpreendeu o Santos no primeiro tempo, com respostas rápidas, lances hábeis, mais finalizações. Neymar mostrou mais uma vez que precisa administrar os nervos, e o time sentiu falta de alguém que saiba atuar entre os zagueiros. No segundo tempo, com André no lugar de Neymar, a blitz dos primeiros quinze minutos resultou em virada, com Wesley aproveitando bem os espaços pela direita, nas tabelas com Robinho. Mesmo assim, o Santos com um atleta a mais voltou a dar espaço. No Santo André, jogadores como Rodriguinho, Bruno César e Rômulo mostraram que também têm técnica e ofensividade. O conjunto do Santos, porém, prevaleceu: 3 a 2. Sim, há adversários que dignificam uma vitória.
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Talvez, eu tenha assistido apenas uns 3 jogos do Santo André neste campeonato. Confesso que fiquei surpreso com a qualidade técnica e principalmente tática apresentada pela equipe nesta final. Tanto Corinthians, Palmeiras e São Paulo não possuem jogadas de ataque bem trabalhadas como a equipe do “interior”.
No fim, o Santos mereceu a vitória, mas não seria tão injusto se a partida tivesse terminado empatada.
Já os reservas do Corinthians apresentou o futebol parecido com o dos titulares. Lento e sem muito tesão nas jogadas.
E você entendeu o que o Corinthians foi fazer no Rio bem no meio de uma semana decisiva?!
Não?! Os jogadores também não.
Cenas revoltantes que acontecem no país que vai sediar uma Copa:
A caminho da Paulista, passei pelo Pacaembu ontem por volta das 16:30h: o CET estava multando e guinchando todos os carro estacionados na av. Almirante Pereira.
O torcedor é ludibriado pelo guardador, que levou no mínimo vintão, e pelo próprio CET, que deliberadamente não impediu o estacionamento para depois acionar o talão e o guincho. Quanto não custou para o coitado que teve o carro guinchado assistir ao jogo?
Já havia presenciado a mesma coisa na final do ano passado essa verdadeira simbiose entre a contravenção e o estado para espoliar o torcedor. Vergonhoso.
Então o “sem vergonha” pára o carro em local proibido e não quer te-lo guinchado só porque deu uns trocados pro guardador?
Mas é muito trouxa, mesmo!
E errado está o CET?!
Olá Piza,
Sempre ouvia seus comentários na CBN, demorei para encontrá-lo de novo! Vistarei seu blog sempre .
A propósito, teremos o prazer de ouvi-lo comentando a copa? Você vai à Africa ou ficará por aqui? Onde podemos ter ver?
Piza, é fácil falar que “Neymar precisa administrar melhor os nervos”. Porém, o que a maioria não sabe, é que, após ter o seu tornozelo pisado (num lance acidental) outro jogador do Santo André pisou novamente no mesmo tornozelo fora do lance de bola… sinceramente, só por não ter dado uma nesse cara, considero que ele já aprendeu a administrar bem os nervos.
Quanto ao jogo, o Santo André mostrou que não chegou à final por acaso. O Santos deve ser campeão, mas o Santo André está valorizando o (provável) título santista.
Eu não sabia disso, você tem razão nesse aspecto. Mas eu me referia a lances como esse mesmo, do pisão acidental: ele precisa se poupar em alguns momentos. Também teve uma trombada boba com o goleiro, que já estava segurando firme a bola. Ele ainda é meio afobado!
responder este comentário denunciar abusoPois e, foi o que tinha notado.O Santo Andre estava bem organizado e chegando na bola primeiro em quase todos os lances.Robinho e Neymar ficaram com dificuldade de criar. O Santo Andre nao e Guarani e jogadores na copa do mundo, principalmente na defesa, nao vao ficar dando corpo mole,, para a danca do Nyemar ou robinho na area.
Com relacao ao gol do Santos foi como no jogo contra o Sao Paulo .Foi a mesma coisa.Segundo tempo, time adversario frio(Santo Andre) e jogada de gol pela direita e um monte de jogador marcando um atleta so.Nesse tipo de competicao o time nao deveria nem ir para o vestiario.Se for fica batendo bola dentro do vestiario para nao perder o momento.Claro que isso nao tira merito do Santos que soube aproveitar a oportunidade.
Apesar de gostar do Nyemar como jogador ele e muito jovem e imaturo.E claro que nao e culpa dele afinal de contas isso faz parte da evolucao de qualquer pessoa.
Prefiro ver Neymar com todos os seus “defeitos” jogando bola com garra do que muita figurinha carimbada do São Paulo, Palmeiras e Corinthians posando de estrela de salto alto. Ver o Santos jogar e até mesmo o Santo André, que se parece com o time da Vila Belmiro ou vice-versa, não há cartão de crédito que pague a emoção.
Caro Piza, valeu a pena, apesar de sofrer no inicio. Pois podes crer, o Neymar só vai ser parado na porrada. Ele é muito rápido, zagueiro marcou leva.
Robinho não pode ficar uma semanda sem futebol, ontem no primeiro tempo esteve sumido, no segundo voltou ligado. É um baito jogador, mas deichou na moleza a coisa pega.
Leo fez um primeiro tempo sem ação, quando voltou ligado, as jogadas sairam com facilidade.
Santo André joga muito, mas a sua defesa bate mais que o velho Chicão do São Paulo.
Paulo Cesar de Oliveira, fraco pra este tipo de partida, ruim, é corinthiano declarado e quando pode prejudica os chamados grandes de São Paulo. O jogo inteiro sem velocidade pra acompanhar as jogadas, os bandeirinhas pouco o ajudaram.
Felipe falhou feio no primeiro gol do Santo André. No Paraná o cara era um frangueiro. Cantei a bola para a minha filha, se ba ter a falta rasteira no canto dele, ele fica com as penas nãos mãos.
Armou a barreira errada, deu todo o canto pro adversário, falta treinador pra ensinar.
Pra quem cobra falta de pé esquerdo, você sempre inverte a barreira, ai força o cara erguer o bola, fica bem mais fácil e melhor pra defesa.
O time do Santos marca mais gols porque é um conjunto ou é um conjunto porque marca mais gols .
O que voce faria se oseu time fosse jogar contra o Santos FC amanhã ?
E a crônica de hoje do Jabor fala em canalhas, ladravazes, sacripantas, chupistas, rapinantes, “canalhogia”, “pichelingues”, “mofatrão”… Só à propos de ligeira discussão que travamos há poucas semanas… Usar a palavra canalha é questão de espírito da frase, momento apropriado, linguajar claro e não hipócrita nestes tempos do nefando politicamente correto. Não significa que se é mau ou bom jornalista, como você nem tão subrrepticiamente sugeriu, mas apenas um termo forte. Aliás, não poder usar a palavra canalha neste país de aloprados, dólares na cueca, Fundação Sarney, vereadores paulistanos e remissão de pena para estupradores seria rematado absurdo. Pois canalhas e canalhices são o que mais abunda neste paraíso tropical.
Muito tem se falado, a respeito do Corinthians x Flamengo, pelas oitavas de final da Libertadores, de “o confronto entre os dois clubes com as maiores torcidas do Brasil”, “uma disputa entre 60 milhões de pessoas”, “o clássico do povo”.
De fato, Corinthians e Flamengo possuem ambos torcidas gigantescas; segundo as pesquisas de opinião, são “as duas maiores do Brasil”. E as semelhanças ficam por aí mesmo, na dimensão das torcidas. Pois a natureza da relação dessas torcidas com seus respectivos clubes é muito diferente. Resultado de histórias radicalmente distintas.
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O Corinthians nasceu da gente humilde e sempre foi o Time do Povo (“O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time” – palavras de Miguel Bataglia, o primeiro presidente corinthiano). O Flamengo nasceu da elite, foi elitista, discriminou quem não era da elite, e depois se popularizou.
O Corinthians foi fundado por um grupo de operários e artesãos, na rua. debaixo da luz de um lampião, em 1910. Um ano depois, em 1911, O Flamengo, clube de remo, acolheu os dissidentes do Fluminense F.C. (quase o time titular inteiro), e se tornou também um clube de futebol. Clube de gente fina: do time bicampeão carioca de 1914-15, nove jogadores eram estudantes de medicina, um era estudante de direito e um não fazia nada (“filhinho de papai”).
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O Corinthians começou na várzea (que era onde os times formados por pessoas das classes sociais menos privilegiadas podiam jogar bola). Após alguns anos como “Galo da Várzea”, surgiu a oportunidade, em 1913, de disputar uma seletiva para participar do campeonato da LPF, devido à saída de equipes dissidentes que fundaram a APEA (as equipes da APEA queriam ser a elite da elite). O Corinthians ganhou a seletiva, o Time do Povo passou a jogar com os clubes da elite e exerceu papel fundamental na popularização do futebol em São Paulo. Mas houve, logo início, uma traição: campeão paulista na LPF já em 1914, o Corinthians recebeu um “convite” para participar do campeonato da APEA de 1915. Quando o Corinthians pediu a desfiliação da LPF, veio a negativa a inscrição na APEA. E o Corinthians ficou “na cerca” em 1915… Até o final do ano, quando foi chamado para participar de um torneio beneficente contra os campeões da APEA e da LPF (torneio beneficente tem que dar renda; para dar renda, é preciso torcida; e quem tinha torcida era o Corinthians). O Corinthians bateu os dois campeões, e se tornou o Campeão dos Campeões. No ano seguinte, voltou para a LPF (após nova seletiva…) e conquistou seu segundo título paulista.
Uma história marcante da época do amadorismo do Flamengo não é nada edificante. Em 1923, o Vasco participou pela primeira vez da primeira divisão do campeonato carioca. Com um time formado majoritariamente por negros e mulatos, o Vasco ganhou de quase todas as demais equipes, majoritaria ou exclusivamentemente formada por brancos. Na penúltima rodada, a chance de ser campeão, contra o Flamengo, nas Laranjeiras. A zona sul se uniu contra o Vasco. Criou-se um clima de guerra para a partida. A playboyzada pitbull do departamento de regatas do Flamengo levou seus remos embrulhados em jornal. Durante a partida, qualquer vascaíno que se manifestasse nas arquibancadas levava um golpe de remo na cabeça. O Flamengo, com seus onze jogadores brancos, ganhou por 3×2, e o Vasco saiu revoltado com um gol não validado pelo árbitro (o benemérito do Botafogo, Carlito Rocha), em lance em que a bola teria entrado. O carnaval que a vitória do Flamengo provocou na zona sul durou pouco, pois o Vasco acabou conquistando o título. Mas os clubes grandes da elite carioca não aceitaram o desaforo: exigiram que o Vasco se desfizesse de seus jogadores negros e mulatos se quisesse participar do campeonato do ano seguinte. Diante da recusa, Flamengo, Fluminense, Botafogo e América fundaram uma nova liga, para não ter que jogar contra o Vasco.
Nesse contexto, é importante destacar que, pouco tempo antes, em 1922, na conquista do campeonato sul-americano, pela primeira vez um jogador considerado negro havia jogado pela seleção brasileira: Tatu, do Corinthians (na verdade, houve Friedenreich, que jogou pela seleção antes de Tatu; mas, ao contrário do corinthiano, não era visto como negro, pois era mulato claro, filho de pai alemão, tinha olhos verdes, usava o cabelo alisado e era jogador do Paulistano).
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As conquistas da época do amadorismo tornaram o Flamengo popular, e o Corinthians ainda mais popular. Com o advento do profissionalismo, o Flamengo contratou os maiores jogadores negros do futebol carioca (Domingos da Guia, Leonidas, Fausto), intencionando se tornar o clube de maior torcida do Rio e do Brasil. Aqueles jogadores teriam um papel duplo nessa empreitada: conquistariam as vitórias, que por si propiciam mais seguidores; e atrairiam a simpatia do povão carioca, que se identificava naqueles ídolos. O Corinthians, curiosamente, enfrentou uma crise na transição para o profissionalismo: tricampeão paulista, sofreu um desmanche provocado pelas equipes italianas, que levaram os seus destaques (um deles Filó, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma copa do mundo, a de 1934, graças à dupla cidadania italiana obtida). Mas o Corinthians retomou o caminho das glórias, com um novo tricampeonato no final da década de 1930, no qual teve participação decisiva o artilheiro Teleco.
Com o advento da época de ouro do rádio (década de 1940), o futebol se tornou ainda mais popular. As vitórias dos clubes eram difundidas pelas emissoras de rádios. As mais influentes em escala nacional eram as emissoras cariocas (sediadas na então capital da República). Dentre os radialistas esportivos cariocas destacavam-se Ari Barroso e Jorge Cury, ambos rubronegros fanáticos, que não tinham o menor pudor em, diante do microfone, pender para o seu clube do coração. O Corinthians não tinha tanta “sorte” assim: a mais importante rádio paulista, em termos de esporte, era a Panamericana (futura Jovem Pan), propriedade de Paulo Machado de Carvalho, sãopaulino histórico e diretor do SPFC por décadas. Paulo Machado de Carvalho chegou a comandar um conglomerado de mídia que incluía a TV Record, a Rádio Record, a Rádio Excelsior, a Rádio São Paulo e a Rádio Panamericana (Jovem Pan). Quando se tem em conta que o mais importante jornal paulista, O Estado de São Paulo, sempre foi de propriedade da família Mesquita, a qual participou da fundação do SPFC, não fica difícil deduzir qual clube paulista é o tradicional “queridinho” da mídia local.
Mas a popularidade corinthiana é imanente, é essencial, e não depende de tratamento benevolente dispensado pelos “veículos formadores de opinião”. Tanto é assim que, em 1956, o diário Última Hora resolveu fazer uma enquete, no Rio de Janeiro e em São Paulo, para saber qual era “a maior torcida do Brasil”. O vencedor foi o Time do Povo, o Corinthians, com 737 mil votos. Em segundo lugar, ficou o Flamengo, com 538 mil votos.
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O martírio de vinte e dois anos sem conquistar um título paulista afetou a torcida corinthiana. Mas não como afetaria qualquer outra torcida do Brasil: cresceu o tamanho e o amor da Fiel por seu time. A história do Corinthians é repleta de glórias, mas é pontuada de grandes dificuldades e de sofrimento. Nada foi tão demorado e sofrido quanto a espera pelo fim da fila. Quando ocorreu a Libertação, o que se viu foi a maior e mais intensa comemoração de título de um clube brasileiro em todos os tempos. Mais que uma festa, foi uma catarse de milhões, uma mistura de carnaval com Juízo Final, um acontecimento irrepetível. A partir do qual o Corinthians eram ainda maior do que já havia sido (e, antes da fila, o Corinthians já havia se tornado o maior de todos).
Coincidente com o jejum corinthiano foi o advento da televisão nos lares brasileiros. A primeira emissora a estabelecer uma rede nacional de transmissão foi a Rede Globo, sediada no Rio de Janeiro, que teve um crescimento imenso, desproporcional em relação às concorrentes, durante o regime militar. A Globo continuou e transcendeu o trabalho que as rádios faziam de difusão do futebol carioca, com atenção especial ao nome do Flamengo, tratado de modo constantemente ufanista e festivo.
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O resultado é o gigantesco contingente de seguidores que o Flamengo angariou. Mais do que torcedores, boa parte é de admiradores: pessoas que gostam e acompanham o Flamengo como a uma novela, que lhes oferece entretenimento, emoções e ídolos.
Muito diferente é a relação da Fiel com o Corinthians. Aqui trata-se de uma devoção, quase uma religião. O Corinthians, para grande parte de seus torcedores, é a coisa mais importante da vida. O corinthiano tem a sua família, o seu trabalho, a sua religião; alguns dão mais importância para isso, outros para aquilo; mas o que está sempre presente, o que condiciona a sua vida, é a paixão pelo Corinthians.
Quando se enfrentam Corinthians e Flamengo, não se trata de um confronto entre iguais, entre “irmãos”. Ocorre o confronto ente dois clubes que congregam duas imensas e díspares legiões de seguidores: os admiradores do Flamengo e os fanáticos torcedores do Corinthians. Os flamenguistas, adeptos do oba-oba, querendo mostrar a sua alegria; os corinthianos, apaixonados e sem vergonha de mostrar a sua devoção. O Flamengo, festivo, de raizes na elite, que conseguiu fazer frutificar um enorme contingente de admiradores. O Corinthians, razão do viver dos seus torcedores, Time do Povo desde o seu surgimento.
Corinthians, o time da Fiel, a maior e mais apaixonada de todas as torcidas.
O técnico do Santo André é muito bom. Armou um time que, mesmo com 10 jogadores, conseguiu agredir o Santos. Para mim, está entre as boas revelações dos últimos tempos no futebol brasileiro.
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