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Daniel Piza

07.junho.2006 15:53:39

Recepção

Desembarcamos hoje em Frankfurt, os últimos enviados do Grupo Estado. Pegamos o carro e fomos ao estádio buscar a credencial. Fizemos a foto na hora e em seguida recebemos a credencial, que vem também com campo magnético para usar de graça nos trens. Tanto no aeroporto como no estádio os alemães capricham na cortesia em vários idiomas. Não dá para evitar o pensamento de que o Brasil está longe de ter condições para receber uma Copa sem dar dor de cabeça em meio mundo. Não é apenas a infra-estrutura: aeroportos, estradas, estádios. A bagunça e o desrespeito dos serviços precisam passar por uma transformação cultural.

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06.junho.2006 15:32:00

Apostas

É claro que Kaká tem condições de ser o craque da Copa, como demonstrou não só nos amistosos recentes, mas ao longo de toda a temporada. E Ronaldinho também pode ser, melhor do mundo que tem sido nos dois últimos anos. E Ronaldo, claro, que sem lesões é capaz como ninguém de decidir uma partida. E Adriano, como não?, ele que, apesar da fraca temporada na Itália, foi o melhor na Copa das Confederações. Pode-se brincar de apostar em quem será o maior nome. Mas não para ficar posando de profeta. O melhor é lembrar que a vantagem da seleção brasileira é justamente o fato de ter quatro opções para melhor da Copa. Não insuflar vaidades, como Zagallo está insuflando, seria mais justo e mais frutífero.

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06.junho.2006 08:42:51

Procurando pêlo em bola

A imprensa, que adora ampliar crises para depois oferecer clímaxes, anda procurando pêlo em bola. Primeiro foi a suposta má forma de Ronaldo. Depois, a rusga entre Edmílson e Adriano e, veja só, a dispensa de Edmílson. Em seguida, a noite de folga na boate de Weggis. Agora, as bolhas nos pés de Ronaldo. E cada uma dessas histórias era o que Guimarães Rosa chamava de “ossos de borboleta” — ou seja, nada. Ronaldo, depois de Kaká, tem sido o melhor do time nos treinos e amistosos. Edmílson não podia jogar mesmo, tanto que chegou ao Brasil e já foi operado dos meniscos. A noitada banal em Weggis não era reprovável, e sim recomendável, já que relaxar faz parte do processo. E Ronaldo treinou hoje normalmente, depois de usar pomada cicatrizante. Por sinal, quando Ronaldinho declara, como fez agora de novo, que o Fenômeno será o nome da Copa, tenha certeza de que não é apenas por diplomacia.

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05.junho.2006 22:56:59

Carlota

Fomos jantar no Carlota, aqui em Higienópolis. Como viajo amanhã para a Alemanha, minha mulher e eu decidimos sair. Já conheço o cardápio quase de cor, mas comi um delicioso filet ao Porto com risoto de figo e bebi um cabernet australiano e um Moscato — este, claro, para acompanhar o suflê de goiabada com calda de catupiry que é uma das melhores sobremesas da cidade. Salsichas e cervejas me esperam. Saudades, também.

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05.junho.2006 13:57:35

Balzac

Vou à banca comprar jornal e vejo uma edição de bolso de uma história de Balzac que não li, “A Menina dos Olhos de Ouro” (L&PM). Por R$ 9. Na primeira olhada sou fisgado. Meia hora ontem à noite, meia hora hoje de manhã, e pronto: as 100 páginas da novela são consumidas em prazer intenso. Há de tudo ali: erotismo (inclusive lésbico), crime, ganância… Dizem que Balzac é grande porque criou personagens inesquecíveis, vivíssimos, mas isto só é possível porque ele não se limita a contar histórias, a registrar tipos. A “ouverture” de 20 páginas é uma descrição poderosa das classes sociais da Paris na era industrial, razão pela qual Marx tanto o admirava. Mas Balzac vai além e, apesar de certo “fisiologismo” datado (ele vê nos rostos macilentos e enfastiados o sinal de um esgotamento moral), critica o espírito vazio das pessoas, que perderam “o dom de contemplar as coisas com grandeza, de generalizar e deduzir”, pois têm preconceitos em vez de opiniões, e falam por meio de lugares-comuns, não de idéias. Quem vê em Balzac apenas um observador de costumes perde metade da graça.

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05.junho.2006 10:08:12

Ronaldo e os números

Com o gol de ontem, Ronaldo chegou a 70 pela seleção. Algumas estatísticas dão Romário com 71, outras com 70. Ou seja, Ronaldo já é praticamente o segundo maior artilheiro da história da seleção brasileira, atrás apenas de Pelé, com 95. Se fizer um gol na Copa, será o maior goleador do Brasil no torneio (Pelé tem 12); se fizer três gols, será o maior goleador do torneio em todos os tempos (Gerd Müller tem 14). Curioso que sua média na seleção (0,65) é inferior à que tem nos clubes (0,73 – 429 gols em 591 jogos) e à de Romário (0,75) e Pelé (0,83), exceto nas Copas (ele e Pelé têm 0,86). O que dilui sua média são os jogos que não eram importantes ou que não jogou inteiro por causa de lesões. Estas, aliás, são os vilões de sua carreira profissional, que começou em 1993 mas teve pelo menos três anos de inatividade. Sim, ele não é o mesmo que era até 1998, quando jogou mais do que Ronaldinho Gaúcho tem jogado nestes dois últimos anos. Está mais pesado e menos letal (sua média até 1997 era 0,9), e dificilmente fará de novo gols como aqueles em que percorria 30 metros driblando 3 ou 4 adversários. Mas olhemos pelo ângulo contrário: ele fez tudo isso apesar das lesões! Jamais o comparei a Pelé ou Maradona, mas sempre achei que ele seria um dos maiores centroavantes da história. E ele é. Apesar dos urubus.

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04.junho.2006 15:20:57

jogo-treino

Amistoso tedioso com Nova Zelândia. Esquentou só no final, quando reservas quiseram mostrar serviço. Notas:

Dida – Fez seu trabalho. 6.
Cafu – Apoiou bastante. 7. Cicinho. Também. 6.
Juan – Às vezes desatento na disputa pelo alto. 5.
Lúcio – Muitos desarmes e alguns tropeções. Não pode avançar assim na Copa. 6.
Roberto Carlos – Apareceu pouco. 5. Gilberto – Chegou mais. 6.
Emerson – Tem protegido bem a zaga e só. 5,5. Gilberto Silva – sem nota.
Zé Roberto – Não atou nem desatou. 5. Juninho – Atou. 6.
Kaká – O nome da partida, de novo. Arranques, cruzamentos e um golaço. 8.
Ronaldinho – Alguns bons lançamentos no segundo tempo. Esperamos que esteja se guardando para a Copa. 6. Ricardinho – Apareceu na armação. 6.
Ronaldo – Um gol e quase um golaço. Prejudicado pela bolha no pé. 6,5. Robinho – Ativo, mas sem pontaria. 6.
Adriano – Um gol, perigo e um pouco de egoísmo. 6,5.

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04.junho.2006 13:00:00

nascimento do quarteto

Em outubro de 2004 eu já pedia o quarteto, quando Adriano ainda estava bem. Veja no link:
 http://www.danielpiza.com.br/interna.asp…

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04.junho.2006 07:00:00

futebol é cultura

Vale a pena “O Guia Cult para a Copa do Mundo” (editora Rocco), organizado por Matt Weiland e Sean Wisley. Cada convidado escreve sobre um dos 32 países que participam da Copa da Alemanha. Sobre o Brasil, quem escreve é John Lanchester, grande crítico gastronômico, num texto bem temperado sobre a “beleza estranhamente delicada” do futebol, esporte de muitos erros e inesquecíveis acertos. Mas os destaques são Nick Hornby, o autor de “Febre de Bola”, escrevendo sobre sua Inglaterra (e a desconfiança que recai sobre o estranhamente delicado Beckham); e principalmente Robert Coover, ex-minimalista do humor negro, que escreve sobre a Espanha gastando mais tinta a respeito da derrota brasileira para a Itália em 1982… Futebol é complexo e ao mesmo tempo quase infantil, diz Coover. Gol.

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04.junho.2006 00:00:01

por que blogar

Motivos para fazer um blog:
1. Vivo de escrever; é assim que me alimento e aos meus filhos.
2. Sempre gostei de ler diários, de autores como Samuel Pepys e Evelyn Waugh, que comentam da árvore da esquina à conjuntura geopolítica.
3. Toda vez que fiz coluna diária gostei do desafio de “escrever com a chapa quente sem queimar os dedos”.
4. Machado de Assis dizia que escrever é conversar sem ser interrompido. Interação virtual não é interrupção, mas pode ser conversa. Espero que elegante.

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