Na lendária biblioteca de sua casa no Brooklin, José Mindlin pede para que apanhem alguns exemplares de livros infantis entre os 45 mil títulos. Em geral, são adaptações de clássicos como Os Três Mosqueteiros, As Aventuras do Barão de Munchausen e Robinson Crusoé – este, na edição que Mindlin tem certeza de que Carlos Drummond leu antes de escrever seu poema sobre o náufrago inglês. A partir de agora, essas estantes que lembram as do professor Higgins no filme My Fair Lady terão mais um título: Reinações de José Mindlin, escritas por ele mesmo (Ática, 48 págs., R$ 23,90). O livro, ilustrado por Luise Weiss, será lançado amanhã, na Livraria da Vila da Alameda Lorena.
O título ecoa Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, mas, curiosamente, Mindlin só foi ler o grande autor infantil brasileiro na adolescência, quando já era leitor voraz e colecionador mirim. Já tinha lido muitos livros, inclusive seu clássico infantil favorito, Pinóquio, de Carlo Collodi, e até obras em francês como as da Condessa de Ségur. O que não impediu que a obra de Lobato viesse a impressionar esse jovem freqüentador de sebos. José Mindlin nasceu em 1915; Reinações de Narizinho é de 1931.
Mindlin, um advogado e empresário que a todo mundo basta apresentar como bibliófilo, decidiu escrever um livro infantil depois que viu sua neta Ana, de 9 anos, lendo alguns de autores brasileiros recentes. Perguntou-se: “Será que não consigo fazer um também?” E, ao contrário do que se poderia esperar, não fez um texto sobre suas lembranças de leitor, uma versão para crianças de suas memórias Uma Vida entre Livros. Escreveu sobre as travessuras – as “reinações” – que cometeu ou testemunhou quando criança. E a mãe de Ana, sua caçula Diana, foi a responsável pelo projeto gráfico do livro.
Entre as histórias, está a do muro em que ele e um primo e vizinho, Leonido, abriram um buraco para encurtar a distância até o galinheiro da vizinha, aonde iam apanhar ovos a pedido da mãe de Mindlin. Outra é sobre a boneca russa dada de presente pela famosa bailarina russa Anna Pavlova, em pessoa, e que foi parar no forno de pão dos fundos da casa. Mindlin morava num casarão na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, numa São Paulo bem diferente da atual. Depois foi para a rua Marquês de Paranaguá, em Higienópolis, onde viveria até os 21 anos, mas o livro pára quando ele chega a 10 anos.
Também se destacam as histórias a respeito de seus pais, judeus russos (nascidos em Odessa, na atual Ucrânia) que se conheceram em Nova York e, por causa de primos que já estavam aqui, optaram por vir “fazer a América” em São Paulo. Por pouco, então, Mindlin não escreveu sua biografia em Nova York, e os 17 mil livros que acaba de doar para a Universidade de São Paulo – e serão alojados num prédio previsto para ser inaugurado em 2009 – teriam ido para a Morgan Library.
O ambiente em que Mindlin cresceu contava com uma governanta russa que ensinou francês aos filhos, primos russos de quem aprenderam russo e a quem ensinaram português, um tio tipógrafo, uma tia que lhe deu o primeiro título de sua coleção “brasiliana”, a História do Brasil do Frei Vicente Salvador, e, em casa, uma biblioteca pequena dos pais, com livros em moda no momento, o almanaque Tico Tico e também – como em tantos lares daquela época – coleções de clássicos russos, franceses e ingleses.
Não tardou para que Mindlin se tornasse leitor voraz. Seu irmão mais velho, Henrique, que mais tarde seria arquiteto, também gostava muito de ler e, embora quatro anos mais novo, José lia os mesmos livros. Não era, portanto, um leitor apenas de livros infantis. “O grande teste do livro infantil é interessar aos adultos”, diz Mindlin, que até hoje se entusiasma com Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, e elogia Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Para a mãe, costumava ler Jules Verne.
“Livros crescem de noite”, diz o homem que até há pouco tempo lia mais de cem livros por ano. Se contar só que leu dos 13 até agora, devorou mais de 6 mil livros. Há dois anos, porém, já não consegue ler. Seus olhos estão com máculas que não há como operar. Familiares e amigos lêem para ele, mas Mindlin diz que não é a mesma coisa. Tem saudades de passear os olhos pelas letras enfileiradas, no silêncio populoso da leitura, e de manusear o objeto de papel e tinta, razão à qual atribui sua permanência por 550 anos e seu futuro por outros tantos. Do alto de seus 93 anos, completa: “Nada substitui o livro.”
Falando em livros, solicito que você como amigo de vários editores em São Paulo, sugira o lançamento com tradução em português de “A loucura de Almayer” de Joseph Conrad que nunca foi publicado no Brasil. Este livro é considerado uma obra prima do autor, citado inclusive por H.L. Mencken em seus insultos.
Abraço,
Silvio Gomes
Fico contente em saber que apesar da miseria e anti semitismo na Europa do passado, Esse autor e sua familia Ucraniana conseguiram ter um vida tao bonita e cheia de alegrias nesse nosso Brasil que muitos so gostam de so criticar.
Ao ler esse artigo, imediatamente me veio a memória alguns livros que li durante a infância, como por exemplo “Uma rua como aquela”, de Lucilia Junqueira de Almeida Prado, toda a coleção do Sítio do Picapau Amarelo, em capa verde escura com texto em prata, e o livro “Tubarão”, de Peter Benchley, que li escondido dos meus pais e a noite, antes de dormir, eu checava se havia qualquer resquício de água perto da minha cama…
À merda com o receio com os clichês, o desejo de mostra-se profundo e inteligente: Que Deus abençoe os livros – são eles que me consolam…
Lamento saber desse problema oftalmológico que José Mindlim tem. Ele é uma figura doce, um grande conversador, na tradição mais antiga, daquele que fala e ouve com atenção.
Certa vez, ao recepcioná-lo para uma palestra na empresa onde eu trabalhava, disse a ele, numa conversa amena e muito interessante, que o meu sonho seria virar traça e morar na sua biblioteca. Ele respondeu com um enorme sorriso no rosto bonachão, dizendo que não precisava nada disso, era só tocar a campainha que ele me receberia em casa. E o mais bonito é que ele recebia (ainda recebe?!) as pessoas que queriam dar uma olhada nos seus magníficos exemplares. A sua Brasiliana é de espantar qualquer um.
O único senão foi o travo da violência urbana da qual ele e sua esposa foram vítimas quando moravam próximos ao Jóquei Clube de SP.
Lamentável não poder mais enxergar. Como Homero (tendo ou não existido como um ou vários), ele tem muito a contar, mesmo usando os recursos da audição como na tradição oral…
No ano passado o Estado publicou uma matéria sobre autores consagrados pelo público adulto que escreveram para crianças para uma coleção. O livro faz parte desta coleção? As crianças que leram gostaram muito.
Quanto às memórias pararem aos 10 anos, embora obviamente não tenha lido este livro, acho fantástico. Lembra-me “Memórias da Emília” onde ela diz que nas memórias os homens sempre se elogiam para que o leitor faça uma alta idéia dele. E que não pretendia morrer para escrever as memórias, simplesmente se esconderia atrás da cortina para que Narizinho pensasse que ela morreu.
Quantas leituras Lobato faz aqui, né?
E a mais importante é que a Literatura imortaliza.
Caros Daniel e Marco Antônio,
o senhor José Mindlin é um paradigma, um norte para a elite brasileira. Seu amor pela literatura salvou originais de alguns de nossos clássicos basilares.
Sua iniciativa de doar a Brasiliana para a Usp é exemplar a todo empresário e para sociedade como um todo. Espero que alguém seja generoso e garanta a segurança deste tesouro.
Dr. José Mindlin é um gnomo. Impressiona-me o afeto que os judeus devotam aos livros. É um homem que merece um ollhar de ternura de seu rabino – não sei se o Dr. Mindlin frequenta sinagogas, já que é comum judeus “aculturados” ou melhor, secularizados.
E tem gente que acha que a Internet vai acabar com os livros, com os CDs, etc…
O prazer de entrar numa livraria ou numa loja de CDs, de manuzear, de presentear com um bom livro ou um CD que a gente gosta, isso tudo é insubstituível.
Desculpa senhor Cimino e sem querer mudar muito o assunto, mas
nos Eua ja quase nao tem mais loja de LP. CD logo logo fica fora de moda.
O livro eu acho que vai demorar mais um pouco.
E uma coisa portatil e de preco super baixo.
O habito de ler em telas pequenas ficara para as novas geracoes.
Hoje com um flash drive 16 giga(menor que um masso de cigarro) voce ja coloca em torno de 40 filmes de 400mb-Formato Divx por exemplo.
40 filmes!
Carrega no bolso. Ja imaginou daqui 20 anos. Voce tera um libraria com hologramas no seu bolso. Pessoas contando estorias e imagens na sua frente.
Daqui 100 anos eu acho que dara para voce ate fazer parte da historia que esta lendo.
O futuro com certeza sera muito diferente.
Desculpa, nao e 400Mb
e 400 MB
Daniel,
Num belo texto seu que marcou minha vida, intitulado “Vida Cultural”, você diz que ler um ou dois livros por mês é uma meta razoável e realizável pra qualquer pessoa. Concordo. José Midlin lia mais de cem livros por ano. Diogo Mainardi já disse que quando morava em Londres e lia sob a tutela de Ivan Lessa, devorava três livros por semana, toda semana, chegando ao total de 144 livros por ano. Numa matéria de Hugo Studart quando da morte de Roberto Campos, foi dito que o embaixador lia cem páginas por dia desde sempre. José Dirceu, que já foi um dos mais poderosos ministros da República, lê trinta páginas por dia, segundo informação já antiga de Lauro Jardim.
Certa vez, numa entrevista, Paulo Henriques Britto, tradutor e poeta, disse que gostaria de ler como Miguel Sanches Neto. Já este, em outra entrevista, disse que gostaria de ler como Daniel Piza, de modo que você é referência não só para seus leitores “normais”, mas padrão máximo de excelência até entre a intelectualidade brasileira.
Desculpe a ousadia, mas gostaria muito de saber quantos livros você lê, em média, por ano, e quantas horas por dia você dedica á leitura. Gostaria muito de saber pra ter noção do padrão máximo de uma pessoa que é referência absoluta de grande leitor e por isso é muitas vezes agredido com a palavra que os incultos mais cospem: Elitista, Daniel Piza é um elitista esnobe.
Há quem queira ser como você. Eu sou um.
Não é de bom conselho cumprir metas em leituras, tipo: ” Li dez páginas pela manhã”, já um outro “leio dois livros por semana”. Isso não é de bom tom. O bom leitor não é maratonista.
No caso de nosso Daniel Piza paira a necessidade da leitura para viabilizar seus conceitos como crítico, ainda assim, é temerário quantificar. O prazer perece, ademais têm outros compromissos: filmes, devedês, cedês, revistas, tv, restaurantes, namorar, palestras, conferências, ida a museus, passeios, viagens, etc.
Piza é garoto prodígio – é possível que ele faça uma leitura “apressada” e perceba as variantes do livro. É gente da São Francisco.
De qualquer sorte gostaria de registrar: é um Gulliver. O fator saúde ajuda, além da quase tenra idade.
O senhor Mindlin está apenas caçoando de nós. Um homem de grandes negócios, de origem judaica, preocupado com rendas não teria tempo suficiente para vastas leituras. A sensibilidade para a leitura (um olhar compassivo) ajuda muito na formação intelectual de um homem. Abrir o livro, percorrer seu índice, acariciar o dorso são modalidades de amor a leitura. Tenho medo da ortodoxia.
(não estou falando de leituras sistematizadas, que exigem fichamento etc).
Concordo com o senhor, meu caro Antônio Bezerra Neto. Mas a curiosidade é demais! Sei que é inconveniente fazer esse tipo de pergunta, mas é que na verdade acho que tem gente lendo bem menos do que poderia. Só queria saber a média do Daniel que é pra ter um padrão de excelência para o qual olhar e dizer é possível cumprir pelo menos a metade disso se eu mirar na meta dele. Entende?! É um desejo antigo meu saber quantos livros ele lê, em média, por ano. Tenho pesquisado muito sobre esse assunto porque fui um leitor tardio e sou ainda muito obssecado por quantidades porque ainda estou nas minhas leituras de formação.Conheci o Daniel numa crítica negativa que a revista almanaque Época deu sobre o grande livro “Questão de gosto”, a crítica foi assinada por um tal de C.E., que vinha a ser o repórter Cléber Eduardo, a quem sou grato, porque se ele não tivesse dito que o Daniel era extremamente erudito para os trinta anos que tinha naquela época, eu jamais teria descoberto esse cara que tem me formado como muitos foram formados por Paulo Francis. Se o senhor quiser dizer sua média eu acharia muito gentil.
Um abraço,
Caro Eduardo, tenho o hábito fazer leituras detidas. Gosto de grifar e tarjar longos aspectos de um livro, mesmo de ficção.
Leio em torno de 25 livros num ano, embora chegue a comprar perto de 100. Compro pelo prazer. Tenho muito interesse pela poesia hispânica e contos da Europa Central. Adoro quadrinhos e guias de viagem, digamos eclético.
Muitos só vou fazer a leitura anos depois. Estou no momento lendo “Sublunar” de Carlito Azevedo, Editora 7 letras que comprei em 2005. Posteriormente penso em fazer a leitura de “Poesia Expressionista Alemã – Uma Antologia”, Estação Liberdade.
Do livro acima retiro uma passagem poética:
” Não tenho poder
De dar olhos a pedras cegas.
Fácil, porém, a uma pobre
Desprezada, velha poltrona,
A quem falta um pé,
Dou alaegria,
Sentad0-sme nela suavmente (…)
( Albert Ehrenstein)
É o primor do livro! Abraços.
Grato Antônio,
grande abraço!
Eduardo, obrigado pelo que escreveu. Como o Mindlin, leio pelo menos dois livros por semana, mas atenção: é meu trabalho, logo dedico bom tempo a isso. Na adolescência, com mais tempo livre, eu lia até mais. De tanto ler, me tornei leitor rápido, mas absorvo tudo, com calma. Alguém que não vive disso e consiga ler dois livros por mês merece aplausos: em alguns anos terá lido o que há de mais fundamental. Mas, como disse o Bezerra, isso não vem como “meta”. Vem como resultado de um prazer natural, orgânico, parte da rotina como respirar e comer.
Obrigado Daniel, muito obrigado. Pelo menos de tanta leitura percebo uma coisa em você que busco muito pra minha vida, agora isso sim como meta: dizer o máximo com o mínimo de palavras. Nem todos os seus aforismos são sem juízo! (Risos!)
Grande abraço,
Prezado Piza,
Morei, estudei, andei de bicicleta (indo e vindo ao e do Ibirapuera), perto, e na “RUA” Sena Madureira. É uma AVENIDA…( oficialmente “RUA” ). Bôa Vizinhança…
A Rua Marquês de Paranaguá prá mim é “Centro” não Higienópolis. Namorei uma Linda Menina lá. Que estudava na PUC/SP, “Campus” Marquês de Paranaguá. Ela estudava Matemática. Casou com um homem rico. E deixou a Matemática. Mulheres…
Paulo Francis dizia que gostaria de passar noites em não me lembro mais qual museu de Nova York. EU também. Mas acrescentaria BOAS Livrarias. E Bibliotecas. São todos emocionantes.
Minhas bibliotecas não têm o tamanho da de José Mindlin. Mas tenho MUITOS livros. RAROS também. E o gosto literário de José Mindlin, na maior parte das vezes, pelo texto de Daniel Piza, NÃO bate muito com o meu.
Mindlin Lê, ou Lia, por Prazer e/ou Encantamento. Talvez mais do quê por “Conhecimento”.
EU também, quando posso, mas leio principalmente por “Conhecimento”. Ou Fuga. ( os Ingleses, os maiores leitores do Planeta, ganham até dos japoneses, discutem se na Inglaterra se lê por Cultura ou FUGA PSICOLÓGICA. EU acho que ambas as coisas )
“QUESTÃO DE GOSTO”, o nome do ótimo livro de Daniel Piza reflete essa saudável, às vezes, diferença.
EU lia, ainda leio, sobre a WW II para aprender sobre o “Ser Humano”. Idem para Tucidides ou Suetônio. BEHAVIOR, Sóciobiologia, me fascina. Por quê os Alemães adoraram Hitler, e o apoiaram até o fim, é uma questão profunda…NÃO MUDAMOS NADA EM 2000 ANOS…
Ler sobre Stalin é menos “Complexo”.
É maldade ou falta de sentimentos de um Chefe Administrativo. Que tomou conta da maior Sinecura Administrativa do Mundo. Mas suas “técnicas” eram “Interessantes”.
No Brasil, uma GRANDE ALMA INQUIETA como Monteiro Lobato foi perseguido pelo Governo de Repúbliqueta de Getúlio Vargas. QUE ENDEUSAVA OS MEDÍOCRES MÁRIO E OSWALD DE ANDRADE, por exemplo.
Como hoje os medíocres e hipervalorizados DRUMMOND e JOÃO CABRAL.
HÁ um Monteiro Lobato desconhecido. Espiritualista. Impressionante. Mas, verdade seja dita, MONTEIRO LOBATO É UNIVERSAL APENAS NA SUA LITERATURA “INFANTIL”. ( que adoro reler e reler…). “Infantil” para…Crianças e ADULTOS !
Não gósto muito do gôsto literário do colecionador de livros ( “Bibliógrafo” ) José Mindlin. EU TAMBÉM SOU COLECIONADOR DE LIVROS, somos “Colegas”. “BIBLIÓGRAFOS”… EU conhecia TODOS os sebos do Centro de São Paulo City. TO-DOS. E importei uma fortuna, grande, em Livros.
Monteiro Lobato precisou fugir do Brasil. E NÃO era “Comunista”. Apenas procurava ajuda…Inclusive no “Partidão”. Mas sua saída do Brasil nada teve a ver com Comunismo. FOI CORAGEM DE ENFRENTAR E DIZER A VERDADE, DAR SUA OPINIÃO LIVRE, que irritou o PEQUENO DITADOR…
JOSÉ MINDLINss existem muitos nos EUA, na Inglaterra…
No Brasil é único.
EM TERRA DE CÉGO…
Tudo que é bom no Brasil foram os Estrangeiros que fizeram. Pessoalmente ou por seus filhos. DE PRIMEIRA GERAÇÃO…O BRASILEIRO, “PURO”, É UM POVINHO DE MERDA !!
Os Estrangeiros tentaram SALVAR o Brasil, da IGNORÂNCIA.
FRACASSARAM…
ATÉ MENINAS DE 09 ANOS PERCEBEM QUE ESCREVEM MELHOR QUE OS ATUAIS “ESCRITORES” BRASILEIROS…
Com exceção, sempre, é claro, dos “maravilhosos” CHICO BUARQUE, GIL e CAETANO VELOSO…
“Nada substitui O BOM, O BOM Livro”.
— José Mindlin —
“ASSASSINO” EMBAIXO…
Prezado Piza,
JOSÉ MINDLIN é ótimo.
Como “Bibliógrafo”.
E só.
Só no Brasil, analfabeto, ele teria tanto destaque.
Por sua Coleção, admirável, pela raridade e bom gosto, creio, de Livros.
Não estou desmerecendo ou dizendo que JOSÉ MINDLIN é um mero colecionador de livros.
EU SEI QUE NÃO É SÓ ISSO.
É UM INTELECTUAL.
Livros raros é/são legais em MUSEUS.
“MUSEUS BIBLIOTECAS”.
Para consultas. Históricas e/ou Literárias. BIBLIOTECAS, AO CONTRÁRIO, SÃO DINÂMICAS. Como os Museus Estrangeiros, certo, mas não é o caso brasileiro.
Colecionar Livros é um ótimo Hobby.
Mesmo que se não os leia…
BIBLIOTECAS SÃO…DI-NÂ-MI-CAS…
L I V R O é VITAL.
Peça de Museu é outra coisa.
Não existe leitura produtiva que retire o indivíduo de sua realidade psíquica; essa que no fundo, como retrato de alma, é a que interessa mesmo.
Quem foge na leitura de sua realidade objetiva apenas substitui responsabilidades. A leitura consciente vai ser sempre uma coisa real, e no mínimo o “ator encarna o personagem”.
Esse judeu dormiu quando a ameaça de abertura econômica já era feita pelo Collor (e pelo Covas como candidato a presidente). Até ao advento do Real ele teve um grande tempo para readequar seus negócios.
Prezado Piza,
Prezado Antonio Bezerra Neto,
Sei que é um homem de bem e me compreenderá.
Por favor, gostaria da Letra, em Português, da “INTERNACIONAL SOCIALISTA”.
Do “GRÊMIO SOCIALISTA” já tenho…huummm!!…
É apenas um pedido.
Se não tiver a letra é só dizer.
O Comecinhoinho é assim, como sabes :
“UNÍÍ-VOS FAMÉÉLICOS DA TÉERRA”
EU gostava de cantarolar…
Baixinho…
Prezado Piza,
“Chega de falar de MIM.
Vamos falar de VOCÊ.
O que você pensa de MIM ? “
— EDWARD KOCH —
Ex-Prefeito de Nova York .
Ai esta senhor Roswell, a letra da musica
So nao vale me chamar de “companheiro”. Eu nem de comunista gosto.
Detesto feudalistas, mas isso ja deve saber.
A Internacional
De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada simos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!
Refrão (bis)
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional.
Impossível ler com pragmatismo!
Discutivel ler porque “tem que ler” (apesar de todo mundo fazer isso, inclusive eu).
Ler, por exemplo, James Joyce, faz você perceber que se você acha que tem um bom repertório, sempre tem um Stephen Dédalus para te mostrar que você está só começando…
eu nem comecei…(apesar de Ulisses) !
O desvario histérico continua.
Mário de Andrade, Oswald, Drummond, João Cabral… todos são medíocres… pois é, tem gente que não se enxerga mesmo. O pior é que em vez de procurar um terapeuta o cara escreve laudas e laudas de bobagens e babaquices.
Ó grande farol da Humanidade, iluminai-nos!
Enquanto isso, abre a janela e sai voando que é um bom exercício para a estupidez. Melhor ainda se você morar do décimo andar para cima.
As pessoas trocando idéias produtivas e vem o histérico e joga as suas besteiras em cima dos outros.
Pessoal, isso aqui está parecendo Olimpíada de Livros Lidos, cotação para o Guiness (argh!), etc.
Cada qual tem o seu ritmo. Não dá para querer comparar e nem para “eleger” ídolo e querer igualar a sua produção. Isso coisa de adolescente.
Está faltando a figura do pai para muita gente.
Ninguém lê todos os livros que compra. Anatole France dizia isso. Há livros que não se consegue ler da primeira vez. Por diversos motivos, seus, do livro ou ambos.
Eu não consigo separar essa questão de aquisição de conhecimento e prazer na leitura. Pode-se até priorizar uma coisa em detrimento da outra, mas dificilmente uma obra de qualidade proporciona apenas um dos dois quesitos.
Quando digo priorizar quero dizer concientemente por que na prática creio que seja impossível.
Esse hino dessa Internacional, hoje, deveria ser assim:
De pé oh! obesos, sois a maioria no ocidente!
De pé gordos! (menos em Cuba, é claro)
Vamos fazer regime!
Libertai-vos do excesso de peso!
Liberdade! Abra suas asas sobre nós! Livre-nos da gula!!
Etc. e tal…
Prezado Piza,
Minha caixa de e-mails é enorme.
Ainda bem.
Prezado Naodigo,
Estou lendo “Cartas a um jovem político”, de Fernando Henrique Cardoso, o melhor Presidente que o Brasil já teve, junto com JK, ( os únicos ) e estou tentando ser mais “Político”…( não vai dar certo…).
Não, nãodigo que você, Naodigo, seja comunista. Nãodigo que você seja “companheiro”, mas que você, ou vocês, (são vários “Naodigos”), são Petistas, são. Nunca Negaram. Nem agora.
Mas, muito obrigado pela letra d ‘ A Internacional, EU me lembrava um pouco diferente. Foi há tanto, tanto tempo…
“DE PÉÉ FAMÉÉLICOS DA TÉÉRRAA…”
Lindo !
Prezado Adair,
Jamais esqueço quem me é solidário. E quero congratulá-lo ( fi-lo porque quí-lo) pela brilhante linha de raciocínio.
De fato, Prazer em Ler e Aquisição de Conhecimento são difíceis de separar. Às vezes o conhecimento vem de maneira prazerosa. Às vezes não. E nem sempre a Leitura traz conhecimento. Nem o Conhecimento vem, sempre, através da Leitura. Pelo menos não conscientemente…A consciência vem de sabermos que estamos vivos e respirando. Leitura e Conhecimento se complementam, à Vida, à Existência. “Penso, Logo, Existo”, diria Lulla da Silva…Consciência e Inconsciência. Leitura e Conhecimento. Lulla da Silva é uma bizarrice…
“Sendo um político DEMOCRATA, saberá que existem pontos de vista contrários, que devem ser debatidos e respeitados e que a regra básica é a da aceitação pela maioria, para que seu interesse seja expresso na lei, e o respeito à minoria, para que ela tenha a possibilidade de mudar a lei amanhã, pelo convencimento e pela pressão legítima” (destaquei).
— Fernando Henrique Cardoso —
“Cartas a um jovem político”, pg. 18, alegro editora.
Vou me candidatar…
Falar bem de JK é desconsiderar os juízos sócio-econômicos de Roberto Campos. O economista foi uma testemunha privilegiada do momento histórico que o mineirão pontificou.
Bem entendido que não podemos saber o que ele falaria do período econômico legado por FHC se o tempo permitisse. Mas o pau comeria solto por causa da questão fiscal.
Prezado Piza,
“DE PÉÉ FAMÉÉLICOS DA TÉÉRRAA”…
Vou me candidatar…
É. Mas tinha alguém por aqui elogiando o JK.
“O ser humano nasce justo e perfeito, a esquerda é que o corrompe.”
Prezado Piza,
Em seu livro “Contemporâneo de mim”, Daniel Piza fala sobre “O Prazer de Reler”, e conta como Jorge Luis Borges dizia que se poderia conhecer um homem por sua, ou suas, biblioteca.
Admiro, sem conhecer, JOSÉ MINDLIN.
Num país como o Brasil, ter amor pelos livros é coisa rara. Muito mais rara FORMAR BIBLIOTECAS.
Tenho três.
O amor pelos livros, pela leitura, pelas páginas amarelas, ou novíssimas, o cheiro do livro antigo ou do livro novo, a leitura cativante, para mim é vida. FAZ MINHA VIDA MELHOR.
Quantas vezes estive em lugares do Mundo onde SÓ EU sabia o que estava acontecendo. Ou o que significava o lugar, ou as peças, ou os edifícios, ou o LUGAR em sí. Aprendi pelos Livros.
Os bons livros são isso.
Forma e Substãncia.
Quem ama os livros sabe disso.
Gostamos de Pegar, SENSUALMENTE ATÉ, num livro. E se ele nos traz prazer e conhecimento…É um orgasmo !
JOSÉ MINDLIN, bibliógrafo, é uma raridade, no Brasil. Deve ser um homem muito meticuloso. E sensível, claro. E egoísta, profundamente, com seus livros. NÃO EMPRESTO OS MEUS PARA NINGUÉM…
Tenho bibliotecas também.
Muito mais modestas do que as de MINDLIN, claro.
Mas, são interessantes.
Mas, me pergunto : É FUGA ?
JÁ APRONTEI, “BALADAS NOTURNAS” MUITO NA VIDA. E viajei muito, muito.
Mas sempre, sempre, com um, ou mais, livro por perto.
Perdi um grande amigo, há pouco tempo, com Câncer na Garganta. Aprendi muito com ele.
Outro grande amigo, alô, alô, está muito doente também…Mas vai melhorar.
No fim, só me restarão os livros.
No fim, só eles restarão.
Parou de chover no Litoral, parece.
Na Praia NÃO levo livros…
O diogo mainardi sabe ler!?!
A boneca travessa que escreveu suas memórias:
“A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
Pisca e mama.
Pisca e brinca.
Pisca e ama.
Pisca e cria filhos.
Pisca e geme reumatismos.
Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? – perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?”
(Monteiro Lobato, Memórias de Emília)
Pessoas como Mindlin reforçam a nossa fé na vida, e precisam ser reconhecidas. Nossos jovens, certamente, terão muito a aprender com seu exemplo.
Dizem que agora, cansado dos livros, a maior diversão do Mindlin é a internet: passa horas a fio, o velho letrado, a investigar os recessos da Confraria das Ovelhas negras (no http://www.ovisnigra.org)…
Daniel,
Daniel Piza, o q ha de mais fundamental ?
Quais sao as obras para um iniciante na leitura?
Luisa
[...] de saber da morte de José Mindlin e senti muito. Escrevi um breve perfil dele há um ano: era um homem amabilíssimo e a doação de sua extraordinária biblioteca para a [...]
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
Deixe um comentário: