ir para o conteúdo
 • 

Daniel Piza

31.janeiro.2010 07:12:57

O maior dos escândalos

O maior dos escândalos brasileiros é o menos comentado: os resultados da educação. Na semana passada o Ipea divulgou que apenas metade dos brasileiros de 15 a 17 anos está cursando ou concluiu o ensino médio. Temos, portanto, 5 milhões de jovens que estão muito atrasados ou então abandonaram a escola. E o que eles fazem? Muitos trabalham, mas com baixa probabilidade de chegar a empregos melhores, de subir na vida. Outros vão parar no crime. E muitas engravidam precocemente, uma das tendências sociais mais fortes do Brasil contemporâneo. Essa geração pode ou está prestes a votar, mas mal consegue entender conceitos mais abstratos e se expressar coerentemente e mal tem o direito de sonhar em ir além do que os pais foram em bem-estar e felicidade. Outra notícia calamitosa da educação brasileira, nos últimos dias, diz que quase metade dos professores da rede paulista não passou nas provas, ou seja, não tem domínio sobre o conteúdo que deveria transmitir aos alunos. O brasileiro médio, enfim, fez pouca escola e fez uma escola ruim.

Se você acha que isso tem pouco a ver com a economia, afinal estaríamos crescendo a quase 5% ao ano, está enganado. O PIB não é tudo. Gerar empregos é fundamental, e algumas medidas ajudaram a aumentar um pouco a formalidade (empregos de carteira assinada); mas é preciso gerar mais empregos qualificados, que formem cidadãos mais críticos e criativos, com mais perspectivas de melhora, e que sejam capazes de competir com os estrangeiros, de oferecer vantagens relativas. E isso não tem acontecido no ritmo necessário. Há uma relação direta entre a baixa qualificação e o fato de que o Brasil ainda vive de exportações baseadas em commodities, com participação cada vez menor dos bens industriais e dos produtos com densidade tecnológica. Alguém pode objetar que a soja e a carne que vendemos são frutos de ganhos de produtividade obtidos pelo conhecimento divulgado por instituições como a Embrapa. Bem, a afirmação seria apenas mais uma demonstração de como é importante ter a informação e o método. No semiárido, na serra gaúcha ou no cerrado central, vi numerosos exemplos disso, da diferença que fez a educação de muitos jovens em escolas técnicas e faculdades de agronomia.

Essa educação rarefeita, que mesmo nas exceções tende a padecer do esquema “decoreba” (em que datas, nomes e fórmulas são memorizadas mecanicamente, com escassa relação com a observação da vida real), cria outros problemas que me parecem subestimados. Um deles é a custosa demora em explorar nichos que até seriam de bom potencial, como a chamada “indústria criativa” (que envolve mídia, turismo, informática e outros serviços que em países como a Alemanha já pesam mais no PIB do que a indústria automobilística) e diversos campos científicos novos, como a nanotecnologia. Como a cultura brasileira é conservadora, supõe-se sempre que o progresso é inercial; se estamos melhores em anos recentes, estaremos melhores nos próximos também… Mas a história, essa dama ardilosa, não anda em linha reta. De repente um setor que parecia menor do mundo produtivo se torna um divisor, e quem não fez esforço consciente em aderir a ele tomará um susto do futuro. Já imaginou se tivéssemos continuado com a reserva de mercado da informática que PMDB, PT e os militares defendiam nos anos 80? A revolução digital teria passado ao largo, ou ainda estaríamos usando computador TK 3000.

Por falar em cultura, são valores propagados pela nossa vida cultural – em produtos menos sofisticados ou mais, de telenovelas a ensaios acadêmicos, e no cotidiano das conversas entre pais e filhos, professores e alunos, chefes e subordinados – que atrapalham a percepção desses problemas. Informação e método não fazem apenas o trabalhador ser mais produtivo; fazem o indivíduo enfrentar a existência com mais ética, menos desperdício e mais espírito coletivo. E, no entanto, o que temos? Temos cronistas que morrem de medo do progresso e chegam a dizer que “não nascemos” para coisas como ciência e tecnologia. “Nosso negócio” é jogar futebol moleque, cantar canções para as morenas, fazer festa… Os mesmos que se dizem nacionalistas são os que desdenham bolsões de excelência como Embrapa, Embraer, Projeto Genoma, etc. E são os mesmos que nas aulas diziam para o professor “não levar tão a sério”, forçando a inclinação para o comodismo e a palpitagem, para a discussão de vaidades e futilidades em vez de ideias. Para essa gente, ler é chato, matemática é chato, arte é feita apenas de espontaneidade. E esperto é quem sonega, quem se dá bem sem precisar gastar os olhos em cima dos livros.

Os alunos estão desistindo, os professores também começaram a desistir, mas o Brasil está quase lá… Automaticamente aprovado a cada ciclo.

(“Sinopse“)

comentários (31) | comente

31 Comentários Comente também
  • 31/01/2010 - 09:24
    Enviado por: Helder

    Concordo com as idéias.
    A solução para o país melhorar é investir em educação mesmo. Partindo daí todos os problemas se resolvem. Infelizmente um defensor incansável dessas idéias, senador Cristovam Buarque, não foi levado a sério no último pleito presidencial. Se todos pensassem como ele já estaríamos a caminho de um futuro muito melhor.
    A mudança é difícil e lenta, mas com a melhora na educação, ela ocorre.
    Não há outra saída.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 09:38
    Enviado por: Andréa

    Daniel,
    parabéns pelo post! Você nos chamou a atenção para o maior dos problemas do Brasil: a educação. Também penso que sem os livros, sem alunos leitores e críticos, sem professores valorizados e competentes, o Brasil não conseguirá alçar o patamar de desenvolvido. Precisamos mostrar às nossas crianças e jovens que ler não é chato e que as artes (incluindo aí a matemática) são importantíssimas para o desenvolvimento da pessoa, para que ela se torne, de fato, um cidadão.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 10:00
    Enviado por: henrique

    Caro Daniel,

    Não percebes como és tolo quando afirmas que essa outra metade deveria estudar para “subir na vida”?

    Sabes muito bem que essa outra metade é formada para exatamente não subir na vida e preencher a parte sem qualificação do mercado de trabalho.

    Vivemos em um sistema que a educação é instrumento de repressão controlada por um Estado neoliberal que não necessita nem pode prover acesso a todos. A escola pública é fundamentalmente formadora de MORAL, não de CONTEÚDO. Moral que será necessária para a famigerada PAZ e ORDEM, dentro da engrenagem do mercado.

    Deixemos o conteúdo para nossos filhos, que estão nas melhores escolas particulares.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 10:09
    Enviado por: Fey

    O seu último parágrafo expressa precisamente a visão que tenho da educação Brasileira: Hipocresia.
    Os mesmos nacionalistas que adoram bradar que estamos entre as 10 maiores economias do mundo (apenas em PIB), da Embraer, do Petrobrás, da Vale, e alguns de nossos artistas e escritores, são os mesmos que não valorizam as Ciências e a Arte no ensino.

    O nosso nível de ensino é tão baixo que se uma criança souber pintar um desenho dentro dos contornos, ela já é considerada um gênio, e começa a aparecer frases como “meu filho leva jeito pra ser artista”. Da mesma forma o inverso é verdadeiro: como engenheiro, posso afirmar que muitos estudantes colegiais não ingressam no nosso ramo porque eles acham que precisa ser “gênios da Matemática” para ser um tecnólogo ou engenheiro.

    Tenho de explicar quando me perguntam, que a ‘facilidade em Matemática’ não é necessáriamente um ‘dom’ ou ‘talento’ concedido por alguma dádiva des do nascimento, mas para a maioria dos engenheiros, uma habilidade desenvolvida após anos e anos de exercícios, treinos e estudos que são algumas vezes, penosos. Mas isso não pega mais bem, a moda hoje é ‘chegar lá’ pelo caminho que exige menos esforço.

    O pior é que até professores embarcam nessa idéia e ecoam as mesmas expressões: “tem dom”, “leva jeito” ou “criança dotada” pra justificar alguns alunos com melhor performance, sem se darem conta que a diferença é mais básico: uns foram educados a se esforçarem mais que os outros dentro de casa.
    Os professores poderiam apoiar os alunos com maior potencial e puxar com motivação os que tem dificuldades ao invés de atribuir diferenças em ‘talentos’, deixando largado o aluno no fundo da sala.

    (Obs: acredito que o computador que se refere é TK3000 Piza)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 10:09
    Enviado por: jo lima

    e até essa parte ‘cantar canções para as morenas’ é um um dom nato do brasileiro, portanto não precisa investir em conhecimento é um mito deslavado . Pois pegue o caso de um gênio como dorival caimmi. Aparentemente as pessoas acham que todo a genial criação musical e letrística dele é espontânea, vem da brisa do mar e entra pelos ouvidos dele e ele só tem o trabalho de passar adiante . E não é nada disso. Uma vez li ou ouvi, não lembro, que a maior inspiração de caimmi era simplesmente BACH. Ou seja, todas aquelas canções maravilhosas – acontece que sou baiano, doralice, o que é que a baiana tem – é um estudo profundo e elaborado que fundiu o que há de melhor na música clássica com o melhor da música popular. Ou seja, a arte – pelo menos a grande arte, a que vai ficar – não tem nada de espontaneidade.

    E esse papo de futebol moleque é uma desqualificação ao que é o futebol brasileiro. Não consigo pôr esse adjetivo nos craques brasileiros que tornaram o nosso futebol referência de beleza plástica e objetividade = LEONIDAS, ZIZINHO, DIDI, PELÉ, GARRINCHA, RIVELINO, ZICO, ROMÁRIO E RONALDO não jogavam futebol MOLEQUE, mas sim de gente grande.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 10:23
    Enviado por: danielpiza

    De pleno acordo, Jo, e é o que tenho dito e escrito há 20 anos.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 11:50
    Enviado por: Glúon

    ________________________

    Educação X Computação
    ________________________

    Ábaco
    Calculadora de Pascal
    Altair 8800
    TK 3000
    IBM PC
    Intel 8086
    Pentium 4
    Urna eletrônica

    _____________________________________________________

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 12:34
    Enviado por: Ricardo Carvalho

    Esses nacionalistas capengas me lembram aquela expressão de Unamuno: “¡Que inventen ellos!” tetando assim justificar o porque a Espanha não avançou, cientificamente e tecnologicamente, como os outros países da Europa Ocidental no começo do século XX, para Unamuno esse tipo de desenvolvimento não fazia parte da identidade espanhola, bem quem já visitou a Espanha nos últimos 10 anos pode ver bem o quão Unamuno estava errado e como o setor de tecnologia é hoje importante para a Espanha, dentro da própria Espanha da época havia vozes que contrariavam Unamuno, como a de Echegaray e Eizaguirre, nobel de literatura de 1904, que como matemático que era disse: “Hubo un tiempo en que toda persona culta sabía latín. ¡Tiempo llegará –y no está muy lejano– en que toda persona culta deba saber matemáticas!”.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 12:55
    Enviado por: Sérgio Roswell

    Sr. Piza,

    1. EDUCAÇÃO não póde ser PANACÉIA.
    EDUCAÇÃO não é REMÉDIO prá tudo.

    2. É POSSÍVEL VENCER NA VIDA SENDO SEMI-ANALFABETO. Conheço MILIONÁRIOS aqui na minha ilha SEMI-ANALFABETOS. Eram Póbres, hoje estão PODRES DE RICOS — HONESTAMENTE —.

    3. EDUCAÇÃO, no brazil-TUPINAMBÁ é uma INDÚSTRIA da IGNORÂNCIA DIPLOMADA. — IGNORÂNCIA DIPLOMADA — quem sai da FACULDADE/UNIVERSIDADE não sabe nada E NEM CONSEGUE EMPREGO…

    4. O MERCADO DE TRABALHO no brazil-TUPINAMBÁ PRECISA CRESCER para ABSORVER quem tem EDUCAÇÃO. E NÃO O CONTRÁRIO, olhe em volta e veja QUANTOS DOUTORES DESEMPREGADOS…

    5. CULTURA é SUB-PRODUTO de EDUCAÇÃO. Mas EDUCAÇÃO ( DE MASSA ) é SUB-PRODUTO de DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO.

    6. OS EMPREGOS, que exigem um mínimo de EDUCAÇÃO, estão restritos a OLIGARQUIAS PSEUDO-CULTURAIS, que IMPEDEM O ACESSO de quem ESTUDOU. PRÁ QUÊ ESTUDAR se NÃO se usa O QUE APRENDEU ????? — OLHE AO REDOR — NAS REDAÇÕES DOS JORNAIS E REVISTAS. O “JORNALISMO” sequer precisa de DIPLOMA…

    7. A IMPRENSA NÃO QUER INFORMAR.
    A IMPRENSA QUER VENDER.

    Logo, quanto mais IGNORÂNCIA no brazil-TUPINAMBÁ mais LUCRO para A IMPRENSA, que TAMBÉM é SEMI-ANALFABETA e IGNORANTE. — DÁ-LHE FUTEBÓÓÓRRRR et CURRRTURA POPULAR (Caetanha AUSTRALOPITHECUS DESLUMBRADA Velhosa, TOM BOSTA NOVA JOBIM, etc, etc, etc. ).

    8. O brazil-TUPINAMBÁ é um PAÍS DE “GÊNIOS”, — tem “GÊNIO” em todo lado, em todos os tempos, na MÚSIQUINHA, NO CINEMINHA JABACULIZADO, NA LITERATURAZIANHA etc…— EDUCAÇÃO prá quê ???

    9. LULLA DA SILVA não é CAUSA.
    É CONSEQUÊNCIA.

    E O RÉSTO É CONVERSA FIADA.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 13:31
    Enviado por: Wilson Munari

    No último discurso do Obama, ele falou em “”investimento na educação, pois a educação é o único caminho para o desenvolvimento das pessoas.”"

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 13:40
    Enviado por: Lu

    Para mim o maior escândalo é se deixar qualquer um dar aulas,sabendo que elas não vão servir muito.Na vida prática,em qualquer lugar e todo meio,o que importa é saber falar empolado e usando de estratagemas no negócio de subir na vida,você não é ninguém hoje se não tiver casa com piscina e uísque na mão.A verdadeira educação é a inglesa,mas por ser elitista não é para quem mora na periferia e vai para a escola em ônibus cheios e sai dele todo amassado.Compreende o que digo ?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 14:33
    Enviado por: Thomas Antunes Jr.

    Quando o tema é EDUCAÇÃO, sempre aparece um petralha, como esse tal de Henrique, para filosofar. Enquanto algumas pessoas preferirem olhar para o passado, em vez de para o futuro, este país não tem bom futuro. Depois, eis que aparece outro, que revela não ter condição de comentar o tema, já que nem mesmo bem-alfabetizado está: escreve “hipocresia”. Enquanto o país tiver gente assim, enquanto o país não tiver uma geração realmente sadia, enquanto o país tiver um presidente demagogo, carregador de caixa de isopor, as esperanças não são nada alentadoras.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 15:25
    Enviado por: Amaury Junior

    “Dr. Daniel Piza”
    …escutei certa vez, alguma coisa como :
    Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
    Assim, “Dr” Daniel, nesta terra em que vivemos, pra que e porque estudar, se tenho dois olhos.
    E, além dos dois olhos, tenho 9 dedos nas mãos. Imagine o que seria com 10.
    É fato que uma comunidade formada por cidadãos educados e cultos, alcance maior destaque com relação a uma outra menos favorecida.
    O povo deveria enxergar isto, mas, como se nossa grande maioria não sabe o que é raiz quadrada. Para muitos, se perguntado, a resposta será aquela mandioca veiculada na propaganda de cerveja.
    Mas, não podemos desistir. Temos um papel a cumprir e, este papel nosso tem várias letras.
    Parabéns pelo título e conteúdo da matéria.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 15:41
    Enviado por: Alex

    Piza

    1. Um ponto importante e’ que educacao nao se adquire unicamente na escola. A familia tem papel fundamental na formacao do individuo. Ai esta’ um dos grandes problemas na educacao brasileira, voce tem que ter exemplos e estimulos dentro de casa. Isso o governo nao tem como prover.

    2. Se por um passe de magica tudo se resolvesse do dia para noite na educacao no Brasil, comecariamos a colher os frutos somente em 20 anos. Do jeito que vai, educacao nao da’ muitos votos, vai passar mais 20 e estaremos falando do mesmo assunto no mesmo tom, letra por letra.

    3. Nas maiores cidades do norte da Europa qualquer um fala ingles fluentemente, desde o guarda ate’ o caixa da lanchonete. No Brasil, sujeito muda o acento e acha que fala espanhol. Maldita malandragem.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 15:56
    Enviado por: Ronald

    Sr. Piza,
    Nenhuma surpresa com um setor importante de nosso país que está entregue a amadores que se aboletaram no Ministério da Educação. O atual ministro deveria pedir demissão e sair pela porta dos fundos depois do episódio das provas do ENEM, uma brincadeirinha que custou RS 120 milhões aos cofres do governo.
    Se o Ministério não tem a capacidade nem de organizar uma prova, como esperar que a esducação tenha alguma melhora ?
    Se foi uma piada, então conta outra.
    Por fim, não há como se esperar nada do Ministério da Educação quando o comandante do Executivo é um analfabeto de pai e mãe.
    Sds

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 17:38
    Enviado por: monica camargo neves

    Brasi l,país do futuro! e agora,que o futuro chegou? pelo menos é o que dizem…temos gargalos em todas as areas se pensarmos bem.Como repartir o bolo economico,decentemente? É absolutamente claro,que depois de 1994 muitos estão subindo,mas não melhorando.É uma distribuição de renda digna de país latino- pode-se ter mais,e ser bem menos! cultura/educação ditada por reality shows…o nosso DNA é truncado,avesso a desafios mais sérios. Porém,não se enganem aqueles que creem que isto é país sério-nunca o foi,não o será! Como fica,então? Alguns de nós escreve em blogs como este,outros,a grande maioria está bastante ocupado com o próximo carnaval, e outros,nem se preocupam com nada disto,mas apenas dizem”quanto vou levar nisto?”

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 19:46
    Enviado por: Gilberto

    Paulo Freire entendia a educação enquanto instrumento de transformação social e construção de um outro modelo de sociedade, onde o homem pudesse recuperar sua dignidade. Mas, Freire compreendia que a exclusão social acirrada à dominação e opressão restringe os excluidos de uma educação libertadora. Portanto, a mudança primeira deve acontecer na condição social do cidadão, e essa mudança eve estar presente em cada ser humano, na conscientização dos “de baixo” que são, a todo instante, explorados pelos “de cima”. Portanto, estamos prenhe de falatórios estéreis acerca de educação. Os pobres não terão voz senão a partir de um modelo economico que os introduza na gama da vida social digna. Os ricos pensam, sao cultos devido a sua condição economica. Enquanto os pobres não ascenderem a um patamar de dignidade em que possam a cada dia não mais se preocupar com o pão e o emprego não teremos educação de qualidade. Pobreza social constitui um enorme gargalo para educaçao brasileira

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 19:54
    Enviado por: Jorge Behrens

    É muito bom poder ler os seus posts! Concordo com suas colocação sobre educação em nosso país, mesmo porque já fui “professor universitário” (sim, entre aspas, para bom entendedor) e senti na carne o “ah, profi, não leve tanto a sério”. Sabe, eu concordo com o Stefan Zweig e “Brasil: país to futuro”. Sempre deixamos as coisas para futuro, bem para o futuro…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 20:06
    Enviado por: Luís Norberto Pascoal

    Parabéns Daniel, excelente artigo. Sua forma de pensar é muito importante para estimular mudanças na educação brasileira. Concordo que estamos muito longe do ideal mínimo e por isso precisamos colocar toda a sociedade lutando por uma educação de qualidade para todos. Se olharmos os vários indicadores, vamos chorar. Mas o papel dos líderes e daqueles que compreendem bem o que você escreveu, é lutar e lutar para melhorar. Somente se toda a sociedade se unir e ajudar, mas também cobrar, é que a situação vai mudar. O movimento Todos pela Educação, um conjunto de iniciativas para melhorar a qualidade da educação até 2022, é uma tentativa de transformar a educação em paixão Nacional. Vamos ver. Somente sonhando e lutando é que vamos saber. O seu artigo nos oferece mais energia para tentar. Obrigado

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 20:27
    Enviado por: Eddie

    Não existe nenhum país que tenha melhorado o nível de vida de sua população, de forma significativa, que não tenha sido através da educação. Enquanto acreditarmos que educação não é importante, enquanto nossos governantes fizerem chacota de quem estuda ou simplesmente mentirem que estudaram aquilo que não estudaram, continuaremos nesse passo arrastado e capenga de povo subdesenvolvido que, apesar de estar comprando mais geladeira, comendo melhor e gastando até em férias, continua na rabeira dos rankings educacionais. Assistencialismo é o pior caminho que um povo pode seguir. É enganoso e não leva a lugar nenhum! Precisamos pensar nisso na hora de escolher os nossos governantes.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/01/2010 - 20:31
    Enviado por: Jose Prado de Melo

    A culpa disto tudo “certamente” é do professor e tem mais, a educação é algo tão importante que deve ser racionada.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 02:53
    Enviado por: Dr.Massaranduba

    Piza,
    Acorodu inspirado!
    Lindo texto, beira a perfeicao das ideias e sintese!
    Sempre tenho dito que o Brasil estava se iludindo. Estamos nos tornando um pais “cavador de eburacos”.
    A turma do PT ja’ acha que voce quer falar mal do “progresso”. Ma snao e’ nada disso. E’ reconhecer os erros para poder arrumar.
    Nada contr aum presidente apedeuta. Mas tudo contra contr aum apedeuta orgulhoso, que difunde a falta d eeducacao como algo bom.
    A melhor comparacao que vejo e’ entre coreia do sul e braisl nos anos 70. Nao e’ preciso falar nada d ela’ pra’ ca’, quem investiu em educacao levou o premio maior.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 09:03
    Enviado por: Oliveira

    Prezado Piza
    Ano passado, fiz uma rápida pesquisa pelos sites governamentais de São Paulo e da União. O dado foi incrível. São Paulo gasta 11 vezes (!) mais com um estudante universitário do que com um secundário. A União é um pouco melhor…somente 10 vezes (!) mais. Esta é a raíz do problema. Bem que o Estadão poderia aprofundar a pesquisa.
    Abs

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 11:51
    Enviado por: Valdir

    Piza, os comentários do blog já permitem ver a nossa dificuldade. Olhe para o jeito como escrevo, como escrevemos. Não há andamento, nem coerência. Os argumentos não são bem especificados, muitas vezes nem mesmo são argumentos, mas apenas uma gritaria sem pé nem cabeça de gente que acha que sua opinião sempre é mais interessante que a opinião de todos. Poucos se preocupam em compreender o que está sendo dito, reconstruir isso com calma e procurar ponderar com crítica e argumentos fundamentados numa posição social longamente construída. A escola (pública e particular) nos forma pra sermos uns imbecis, uns otários autoritários ou pseudo-autoritários, sem capacidade de compreender os limites da gente mesmo e sem capacidade de compreender com humildade os limites dos outros. Somos alimentados por preconceitos, frases feitas, chavões e racionalizações as mais baratas. Por mais que nos esforcemos pra ponderar isso tudo, fica sempre a impressão de que se trata de uma força estrutural. As instituições (e a falta delas) nos formam em seres sem pé (na realidade) nem cabeça (na linguagem abstrata capaz de aprofundar essa realidade). Somos classistas, preconceituosos, vazios. E quando o objetivo é a produção e circulação de mercadorias (ou, mais fundo, o lucro de alguns), isso funciona muito bem.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 17:23
    Enviado por: Emília

    Quando se fala em educação para ‘subir na vida’, pensa-se com frequência num curso de graduação. Estes, atualmente, existem aos montes e em nada melhoraram a capacidade crítica da parcela populacional que senta em seus bancos. E a falta de mão de obra qualificada continua, apesar dos números.

    Mão de obra qualificada não significa apenas uma graduação, mas desde os serviços mais básicos. Faltam pessoas capacitadas nas atividades de suporte nos hotéis brasileiros, por exemplo, o que deixa muita gente com medo de se contaminar num cinco estrelas. Porque falta conhecimento sobre higiene. Falta treinamento sobre como cumprir determinadas funções com qualidade, não importa qual seja. As classes populares preferem um emprego de operário de escritório, como telemarketing, do que uma profissão como padeiro, por exemplo, tão em falta nas padarias e com ganhos muito melhores. Ah, mas para este precisa aprender.

    Numa oportunidade, recebi um cheque de 60 reais de uma professora de uma grande e tradicional escola de SP onde ela escreveu ‘cecenta reais’. Como o banco não devolve cheques por erros de ortografia… Isto é, não é apenas na escola pública que reside o problema, ele é generalizado por um aspecto que o Alex tocou, a meu ver, muito bem: a base familiar é fundamental. Mas se os pais exigem apenas que as escolas aprovem seus filhos sem exigirem que seus filhos mereçam ser aprovados, o que podemos esperar? E os pais que exigem dos filhos convivem com o receio de criar desajustados para essa sociedade tão estranha que se forma.

    Outro grave problema são as eternas ‘profissões da moda’ que produzem exércitos de incompetentes e o que o Fey disse sobre ‘dom’. Também me dá um misto de raiva e decepção quando escuto isto, pois desrespeita todo o esforço do sujeito que se dedicou. Mas isso é fruto da nossa cultura indolente e negligente, que acha que aprendizado se dá por osmose nos ‘receptadores dos dons’.

    Embora se trate da nossa realidade brasileira, acredito que o mundo todo está mais ou menos assim, a diferença é que tem escolas menos frouxas. Há alguns anos fizeram uma pesquisa na Inglaterra e uma das perguntas pedia para indicar, de cinco nomes, quem era o autor da Mona Lisa. Van Gogh ganhou e Da Vinci ficou em terceiro lugar. Claro que isso não consola, apenas mostra que um pouco de conhecimento sem utilidade prática pode fazer diferença para deixar a vida mais agradável. Se bem que, até onde sei, a teoria da relatividade também não tem aplicação prática.

    Isto lembra o que Calvino falava da morte de Sócrates, enquanto preparavam a sicuta. O filósofo aprendia uma ária na flauta e lhe perguntaram o porquê disso se ele morreria em pouco. E ele respondeu: pelo prazer de aprender esta ária na flauta.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 17:24
    Enviado por: Solange Gomes da Fonseca

    Daniel,

    Como pesquisadora na area da Educaçao, na UFPR, sinto-me familiarizada para fazer algumas consideraçoes ao texto postado:

    __Pesquisas provam que o Brasil vem avançando neste campo nas ultimas decadas, porem nao podemos é deixar de comentar que muito, ainda, precisa ser feito pela Educaçao;

    __Estas mesmas pesquisas , apontam um terço dos brasileiros frequentando, diariamente, as escolas;

    ___Sao maius de 2,5 milhoes de professores e 57 milhoes de estudantes matriculados em todos os niveis de ensino;

    ___ Estes numeros, apontam com uma margem pequena de erro, o crescimento no nivel de escolaridadse do povo brasileiro no nosso país.
    É, logico, que o crescimento de um país se faz , atraves , de produçao de conhecimentos e assim, aumenta sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Todavia, para que resultados positivos comecem a aparecer, precisamos é da participaçao e do comprometimento de todos. Pois, temos conhecimento do ‘ditado popular’ que diz: …” UMA ANDORINHA SO NAO FAZ VERAO…”

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/02/2010 - 17:41
    Enviado por: Solange Gomes da Fonseca

    Daniel,

    Para concluir minhas consideraçoes ao texto:

    Nao ha duvidas para ninguem que o crescimento de um país é feito, atraves da produçao de conhecimentos e, que dessa forma aumenta sua renda e a qualidade de vida paras as pessoas. Porem, é de suma importancia o comprometimento e a participaçao efetiva de toda a sociedade, para que a Educaçao que é um dos principais ponto de partida, consiga atingir seu patamar educacional.

    O Governo Federal, criou o PDE (PLANO DE DESNVOLVIMENTO DA EDUCAÇAO). Mas, de nada adianta mudanças nos paradigmas educacionais e no planejamento politico pedagogico das escolas, se nao houver a participaçao intensiva da sociedade.

    Minha esperança por um monopolio educacional de força, de poder e de razao, permite um “olhar” mais sereno e confiante para um futuro melhor na Educaçao do Brasil. Porem, isso nao acontece da noite para o dia e, a luta contra os paradoxos existentes , é ardua e exige dedicaçao das pessoas envolvidas nesse processo educacional: governo, escola, sociedade, familia, comunidade…

    Nao sou uma ‘ sonhadora’, mas, uma pessoa que trabalha e tem esperança num futuro de qualidade para que as pessoas, sejam mais felizes e realizadas.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/02/2010 - 00:57
    Enviado por: Augusta

    O comentário do visitante henrique é absolutamente lapidar!!!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/02/2010 - 09:54
    Enviado por: Heloisa

    “Pobres e ricos”, “os de cima e os de baixo”, “pretos e brancos”, blá, blá, blá…
    Quem tem talento, chega lá!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/02/2010 - 19:49
    Enviado por: Beatriz Lopes Tecedor Bassi 1ºano I

    1)Ignorância do povo
    Para os políticos, quanto mais ignorante for o povo, mais fácil manipulá-lo, porque não tem capacidade dpara dissernir o certo do errado.
    2)Crianças pobres nas ruas
    Enquanto alguns jovens se encontram nas escolas outros estão nas ruas trabalhando, roubando ou se drogando por falta de oportunidade.E o governo, o que faz?
    3)Professores da rede pública paulista sem formação
    Constatar que quase metade dos professores da rede pública paulista não é capacitado é deprimente. O que esperar de seus alunos?

    Filosofia no texto
    É impotante pensar nos problemas que ocorrem no dia a dia para entendê-los e tentar solucioná-los

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/02/2010 - 23:10
    Enviado por: Mauro Souza

    Nós somos educados para o trabalho, ou seja, para ficarmos aptos a sermos explorados por esta ou aquela empresa. Se não há trabalho não há educaçao. É uma lógica simples e perversa que tende a piorar. Melhor que ninguém se iluda.

    Muita gente acha que Estado serve para gerir o bem público, mas na verdade é uma superestrutura que cuida dos interesses da burguesia, da classe dominante.

    O Brasil vai mal em educação e no ano passado o BNDES distribui bilhões para ajudar empresas no buraco. Dinheiro público economizado às custas da des-educação.

    Os índices de analfabetismo não param de subir também nos USA, mas o que os bancos levaram de dinheiro apenas em 2009 nem dá para acreditar.

    Como disse o velho Marx, a tendência do capitalismo é piorar as condições de vida das classes trabalhadoras.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Tags

Blogs do Estadão