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Daniel Piza

11.julho.2010 12:26:29

O desconforto da crítica

Baptistão

A crítica sempre foi mal vista na cultura brasileira. Nos momentos em que as coisas aparentemente correm melhor, é ainda mais. Qualquer pessoa que destoe do coro otimista é vista como um chato, um estraga-prazer, um antipatriota. Disso deriva a noção amplamente estabelecida de que a imprensa só deveria servir para divulgar informações, para prestar uma espécie de serviço público, não para externar opiniões e instigar debates. É fato que em muitas culturas há esse desconforto com o senso crítico, mas num país que se acha predestinado à alegria tudo se complica. E isso se reflete na expectativa de um jornalismo que, afora tragédias naturais e crimes bárbaros, apenas ecoe os dados positivos.

Os exemplos se multiplicam em todas as áreas. Na Justiça, há muitas decisões que dão mais importância a formalidades políticas do que à premissa de que a sociedade deve saber o que é feito com seu dinheiro. Veículos como TVs e rádios são proibidos de emitir juízo sobre candidatos durante as eleições. Colunistas são proibidos de usar este ou aquele termo para se referir a uma personalidade pública. Nesta semana, uma lei foi aprovada para que a vetusta Voz do Brasil, um resquício da ditadura getulista, não tenha horário fixo; a obrigatoriedade é que seja transmitida até 23h. Mas ela não deveria nem ser obrigatória, assim como o horário político gratuito fora de período eleitoral.

Se Fernando Henrique Cardoso se queixava dos “fracassomaníacos”, Luis Inácio Lula da Silva vive disparando contra os que “torcem contra”, sugerindo que a imprensa é um obstáculo entre a classe política e o povo, de acordo com o mais antigo ideário populista. Ele acha que a imprensa não dá as boas notícias, mas isso é porque, como confessou, não lê os jornais; todo dia há fotos suas, nas mais diversas situações e lugares, e ao menos um índice positivo nas primeiras páginas, em geral vindos de institutos públicos claramente a serviço da propaganda oficial. Se sua popularidade é superior a 73%, em boa parte é por causa da mídia, e não apesar dela. Afinal, se a imprensa é porta-voz da “zelite”, é porta-voz da indisfarçável felicidade de banqueiros e empresários com seu governo.

Na cultura, que não é saudável quando não há confronto, mesmo assim não se muda muito. Já ouvi de diversos artistas e diretores que “no máximo algumas ressalvas” são tudo que cabe ao jornalista fazer sobre uma peça ou um filme; caso contrário, ele é alguém que não quer que Shakespeare seja levado às massas… Revistas mensais culturais ou que se dizem literárias, mesmo que copiadas de modelos estrangeiros em que a crítica é fundamental, suprimem o gênero ou lhe dão poucas e escondidas páginas. As artes no Brasil, feitas à base de patrocínios públicos e por famílias muito ricas, querem tudo menos se comprometer. Quando há discordâncias, é de uma patota em relação à outra. Escritores de renome consideram que resenhar livros é uma atividade menor, é comprar brigas por nada.

É claro que no futebol isso fica ainda mais claro, dado o passionalismo inerente a ele. O ex-técnico Dunga, por exemplo, tentou ser a tradução desse momento anticrítico que o Brasil vive. A seleção era dele, era guerreira e era a representação da pátria; falar mal de seu trabalho ou de qualquer aspecto de seu trabalho, portanto, era ser contra a patriamada. Muita gente acreditou que seus treinos fechados e sua proibição de entrevistas fosse um combate a privilégios como os da Globo. Mas, primeiro, a Globo e a CBF têm tudo a ver; o que elas mais querem é induzir o clima ufanista em torno da seleção, e não por acaso todas as versões oficiais sobre fracassos em Copas como as de 1998 e 2006 foram dadas pela TV (e uma dessas versões, sobre a falta de “comprometimento” de Roberto Carlos e companhia, motivou a escolha de Dunga). Segundo, romper com privilégios é abrir mais, não fechar; é fazer como a maioria das outras seleções e permitir acesso organizado a treinos e jogadores. Nunca soubemos o real estado físico de Kaká e Júlio César, por exemplo.

Quando o Brasil venceu o Chile por 3 a 0, bastando três lances para tanto, a aprovação de Dunga foi a quase 70%. Os que escreveram que a seleção nem precisou jogar bem foram xingados do mesmo modo como Dunga xingou o jornalista Alex Escobar, sem ter sido xingado antes. Depois da derrota, porém, os erros que há muito tempo os críticos apontavam – o temperamento de Felipe Melo, a marcação ruim de Michel Bastos, a falta de jogadores jovens – foram reconhecidos. É curioso como Ricardo Teixeira sempre aparece em seguida a um fracasso em Copa e tem o diagnóstico de todos os problemas. Se o Brasil tivesse vencido, o consenso fingiria que os problemas não existiram. Como nas outras áreas, a maioria só adere à crítica quando as coisas vão muito mal. Mesmo assim, vem entremeada de desculpas. A Holanda, afinal, é um timinho…

Blogs e comunidades virtuais em geral são outro sintoma desse mal-estar da crítica. Quando alguém argumenta contra determinadas decisões políticas ou esportivas, ou aponta o que julga serem defeitos num filme ou livro, as reações raramente vêm na forma de argumentos. São insultos e falácias, ou então a crença de que basta apontar um suposto lapso para demolir o raciocínio inteiro. O que está por trás não é o incômodo com aquela opinião (e toda análise contém opinião), mas com a própria existência de uma opinião que não seja a sua. É por isso que tantas das réplicas querem mesmo é que o autor perca seu emprego, de preferência dando lugar ao próprio replicante… O mau leitor é justamente o que acha que o autor serve para dizer apenas o que ele queria dizer.

Sim, os maus críticos fazem mal à crítica também. Muitos autores não conseguem fazer crítica sem cair no ataque pessoal, sem destilar preconceitos, sem desmerecer totalmente o trabalho alheio, sem apontar o dedo para erros banais. Muitas das críticas ao governo Lula caíram no vazio porque sua ênfase era nos adjetivos ao presidente, assim como muitas críticas a jogadores famosos queimaram a língua porque criticavam suas baladas em vez de suas boladas. E pense em quantos artigos com boas causas, como a crítica à arte contemporânea, por exemplo, não estragaram essas causas ao dizer que Picasso não foi um grande pintor (sic!) ou que as instalações nem sequer são “uma linguagem” (mas não são um arranjo de signos?), desprezando qualquer hipótese de seriedade na arte atual.

Como dizia Machado de Assis, opinião assim é fruto do temperamento, não do pensamento. Mas o fato de uma crítica não ser boa não significa que não deva existir – ou que deva ser substituída pela ridicularização do outro. Vide Teoria do Medalhão. Preconceito e desprezo são más críticas; nenhuma crítica é o pior. Onde ela não é valorizada, os poderosos é que determinam o que a história dirá. E serão apenas boas notícias.

(“Sinopse”)

comentários (22) | comente

22 Comentários Comente também
  • 11/07/2010 - 14:50
    Enviado por: Stefano

    Daniel,

    Cadê o rodapé.Queria muito discordar de você com relação ao Bolaño.

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  • 11/07/2010 - 19:32
    Enviado por: Rogério

    Piza, mas ha´que se olhar o lado do Dunga.
    Realmente ninguém gosta de ser criticado, mas todos adoram criticar, afinal a nossa opinião faz parte do ego, o qual defendemos unhas e dentes, e palavras principalmente. Críticas são bem vindas para a evolucão das idéias, mas há horas em que a crítica apenas atrapalha, é necessário saber ser criticado mas também saber criticar. No caso do Dunga por exemplo, o time ja´estava escolhido, e pronto para a copa da mundo, de que adianta criticar o que não pode voltar atrás, nesse caso a crítica é pior que inútil, é danosa pois gera emoções desgastantes. Saber receber críticas também é importante, Dunga poderia ter aceitado numa boa ter sido escolhido pela imprensa como simbolo de mediocridade de uma era, sem ter tido a menor culpa. Não defendo o estilo Dunga, sou mais o Tele Santana por exemplo, mas a imprensa também tem que saber a diferença entre criticar e massacrar. Mas isso é impossível pois no final a força da imprensa ganha contornos do poder da massa ensandecida. O fenomeno do caso isabela por exemplo, a imprensa só falava naquilo, noticiava até quando a madrasta espirrava. Em relação ao Dunga o linchamento foi exemplar, mas ninguém teve culpa, claro numa multidão ninguém é responsabilizado. Num blog pode-se emitir qualquer opinião, quem quiser que discorde, há o direito de resposta, mas no noticiário de um veículo de comunicação deve haver muita responsabilidade em mostrar os fatos, afinas uma opinião sempre será uma face unilateral da verdade.

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  • 11/07/2010 - 19:43
    Enviado por: Gianone Carlos Custodio

    A crítica em um país democrático, é sempre vem vinda. Desde que, não haja exacerbação de forma alguma.
    A crítica tem que ser verdadeira, sem mágua, sem ódio e sem rancor. Posto que é um contraponto ao excesso. Ao que é verdadeiramente que macúla à Nação, seu povo e sua bandeira.
    A mídia deve exercer seu direito com sensatez e equilibrio. Não pode haver exagero e nem distorsão. Posto que isso mascara o que de mais sublime há na crítica. A Verdade absoluta.
    A Midia é uma ferramenta poderosíssima. Ela cria ou distroi Mitos. E, se não for usada com honestidade, pode criar um monstro ou um pífio Lider.
    A midia, leai-se Globo, mesmo ficando moderada quando a situação ficou ruim para o Brasil. Não deixou de espezinhar Dunga e a comissão técnica. Apoquentou o juizo de Dunga que já não é lá essa maravilha.
    Confesso não li o texto todo, peguei pela palavra mídia.
    Mas tenho certeza que Daniel Piza escreveu com muita propriedade ess texto.

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  • 11/07/2010 - 22:59
    Enviado por: jose yoh

    Daniel, parece-me que você não percebeu que somos os críticos dos críticos. A internet criou-nos, e os poderosos não são só os políticos ou técnicos de futebol, mas a imprensa também. Sabemos disso e apenas queremos que informem-nos de forma limpa e sem “opiniões temperamentais”, que não é o que tem ocorrido ultimamente.

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    • 12/07/2010 - 08:15
      Enviado por: danielpiza

      Parece-me que você não percebeu que foi isso que escrevi. Acho que há muito mais por criticar na imprensa. Mas criticar, não insultar.

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    • 12/07/2010 - 17:52
      Enviado por: Tulio

      Daniel,
      o problema, no caso do futebol, é que os blogs mais acessados são de pessoas desclassificadas que nem jornalistas são. São ‘craques’ do passado que se acham no direito de massacrar qualquer um sem o menor pudor, e principalmente, sem olhar para os próprios erros do passado. Ai fica difícil não insultar o insultador!
      abraço,
      Tulio

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  • 11/07/2010 - 23:26
    Enviado por: Serafim da Paz de Campos Aquino Brasil

    Daniel, belíssimo e quase todo correto texto porém, me induz a uma pergunta, “quem critíca está apto a receber crítica á sua crítica?”. É muito fácil a imprensa televisada dizer o que pensa e desligar o microfone, tavez se fosse interativa não ficaríamos nervosos com determinada observação, comentário ou pergunta formulada por pessoas que detém as cameras e o som e “barbarizam”. Uma imprensa “dirigida” pode eleger um Presidente e… derruba-lo também. Pode derrubar por terra todo um trabalho, ás vezes bem intencionado, de um técnico. Discordâncias sempre haverão e saiba que não estou aquí para defender ao Dunga pois, acho que antes e neste momento o único técnico apto é o Filipão. Aliás ele mesmo vencendo deixou a Seleção pela pressão de alguma emissora que quería porque quería o romário convocado mas, Felipão topou a briga e não convocou este jogador comum fabricado pelo excesso de exposição na midia. Se um jornalista DISSER resumido um texto como você escreveu, certeza, te atenderão pois, tem fundamento lógico e claro.

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  • 12/07/2010 - 11:34
    Enviado por: Gustavo Lacerda

    Daniel,

    Diferente de alguns países, como a França, onde a hierarquização dos críticos é feita do que consegue ser mais contundente e original (desde que tenha bons argumentos) ao mais conivente com a propaganda oficial, no Brasil, quem tenta mostrar uma outra leitura de um jogo de futebol ou de uma obra de arte é tratado como um míope, por tirar os óculos do senso comum. Ainda bem que existe um Daniel Piza para nos emprestar os seus óculos de analista isento e ponderado, muitas vezes desconstruindo mitos patrióticos e dando foco a alguns detalhes que passariam despercebidos. Comecei a ler o teu blog quando eu morava em Paris. E, agora, de volta ao Brasil, me alívia saber da existência de um crítico como tu. Por isso, toda a rasgação de seda me pareceu necessária. Continua trabalhando. Aguardo o retorno dos textos sobre literatura. (O post sobre jornalismo literário, aliás, ainda cito em mesa de bar como o “de quem disse exatamente o que eu pensava”.)

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  • 12/07/2010 - 13:35
    Enviado por: maria lucia americo dos reis

    Nada contra a crítica, mas a maneira com que a imprensa brasileira critica qualquer pessoa é primária, mentirosa e desrespeitosa.

    Frequentemente tenho visto que a crítica não é baseada em fatos, e sim em opiniões desprovidas de fundamento, ou então no mero preconceito, tipo criticam a Dilma Rousseff, porque alguns engraçadinhos a acham feia, como se apenas mulher bonita pudesse exercer cargo político.

    Critica-se o funcionalismo público, apresentando-o quase como se fosse um bandido, porque recebe aposentadoria mais alta do que o trabalhador da iniciativa privada. Ao fazê-lo, os críticos solenemente desconsideram que, primeiro, o servidor público sujeita-se a uma série de restrições para receber a aposentadoria que recebe, entre as quais, o não pagamento do fundo de garantia de tempo de serviço.

    Assim, se for demitido, porque um chefe entende que não atingiu os níveis de desempenho que esse chefe, subjetivamente, julga compatíveis, o servidor pode ser demitido sem receber qualquer indenização.

    Críticas desse tipo e existem muitas No entanto, o que merece ser criticado de verdade, com base no que acontece no cotidiano, nunca é e, em consequência, as injustiças proliferam

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  • 12/07/2010 - 14:29
    Enviado por: Lilian Regiane

    A questão é que não existe um pensamento sério no Brasil. Daí ficamos quase sempre entre as más críticas e (pior, como você bem salientou) a nenhuma crítica.

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  • 12/07/2010 - 14:58
    Enviado por: Dr.Massaranduba

    A critica agora deve ser a este evento chamado 2014.
    Desde o comeco sabia-se que no brasil corrupto iria dar merda.
    O Blater ja’ esta’ assustadissimo. E vai ficar mais ainda!

    Inconsequente organizar este evenot e olimpiada num pais como o Brasil!

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  • 12/07/2010 - 15:14
    Enviado por: Ramon

    Para muita gente às vezes é delicado perceber a diferença entre implicância e discordância.
    A implicância advém, muitas vezes, do preconceito, a ideia previamente comprometida, corrompida.
    A discordância advém, via de regra, da convicção com base em argumentos isentos.
    E o difícil passa a ser descobrir o quão livre de preconceitos são os nossos próprios argumentos, pois ninguém está livre de defeitos.
    Estabelecer um bom diálogo consigo pode levar um ateu a admirar a poesia de Adélia Prado e um temente a Deus ficar maravilhado com o Bóson de Higgs.
    O que não se pode, por exemplo, é achar que o Brasil ganharia a Copa porque somos penta, temos a “amarelinha”, um grupo unido e determinado etc, sem considerar os problemas desde a formação da equipe. Neste caso, aliás, os fatos desmontaram a hipótese.
    “Ah, mas e se o Brasil ganhasse a Copa?” Bem, aí entraria o imponderável e só a mais pura sorte seria o argumento.
    Já nos casos da poesia e dos avanços da ciência, tudo tem explicação plausível. Basta reparar, mas com esforço para que seja devidamente sem preconceitos.

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  • 12/07/2010 - 16:25
    Enviado por: Alberto

    Nada sobre o Programa de Amordaçamento da Mídia da Dilma? Hmm… Deve ser porque não dá pra fazer joguinho “FHC faz.., Lula faz…” aqui. O Serra respeita a imprensa livre. O PT não a tolera. Mas pelo visto, não, não leremos isso aqui.

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    • 12/07/2010 - 17:41
      Enviado por: danielpiza

      Sei que o Serra gosta de mandar serrar cabeças de jornalistas que não lhe agradam…

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    • 13/07/2010 - 10:03
      Enviado por: Alberto

      Pô que maravilha! Então escreve! E escreve o ponto de vista do PT sobre a imprensa, e quem sabe aí resgatamos um debate a valor presente, e não nessa comparação “histórica” que já não dá conta dessa realidade que vivemos.

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  • 12/07/2010 - 17:43
    Enviado por: Dr.Massaranduba

    A critica agora deve ser a este evento chamado 2014.
    Desde o comeco sabia-se que no brasil corrupto iria dar merda.
    O Blater ja’ esta’ assustadissimo. E vai ficar mais ainda!

    Inconsequente organizar este evenot e olimpiada num pais como o Brasil!

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  • 12/07/2010 - 21:47
    Enviado por: Zeugmar Zeugma

    Não sei criticar o texto quando está bom… Eu gostei.

    Eu li em “História Sentimental da Humanidade”, de Theodore Zeldin, que estudos afirmavam que as mulheres eram mais sujeitas à depressão porque tinham mais medo de ofender aos outros e dissimulavam sua raiva e etc. Os homens – supostamente mais frios – “estouravam” mais… mas acabavam sendo mais felizes. Era irônico: as mulheres, ditas criaturas mais emocionais, não conseguiam expressar seus descontentamentos, enquanto que os homens…

    Tenho a impressão que no Brasil a cultura de panelinhas e conchavos favorece este tipo de sentimento anti-crítica. Isto também deve haver no restante do mundo, mas… talvez o espaço dos discordantes esteja mais “pavimentado” que aqui. Ou não, só vendo caso-a-caso.

    * * *

    Restringindo-me ao aspecto puramente literário, para quem está começando a ler crítica, quem seriam os melhores para iniciar? Vale a pena? Susan Sontag dizia que a crítica é um dos componentes do escritor, mas ao mesmo tempo me dá um medo danado de transformar a escrita num negócio cerebral demais e afogar a graça do negócio.

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  • 15/07/2010 - 13:20
    Enviado por: Denis

    O bom crítico é aquele que diz a verdade que eu não tive a capacidade de enxergar.

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  • 16/07/2010 - 14:04
    Enviado por: Losovoi

    Daniel, você está certo, esse texto me lembrou dos debates sobre religião, muitas pessoas ficam mais indignadas com a possibilidade de alguém não acreditar em Deus do que com os argumentos dela. Brilhante!

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  • 28/07/2010 - 08:29
    Enviado por: Rickd

    A falácia é tão bem aceita no Brasil e tão praticada e estimulada, que não há como participar de um debate isento por aqui.

    Nem mesmo na academia, circulos intelectuais, autoridades, imprensa, em nenhum desses lugares, muito menos no cotidiano se consegue um debate produtivo.

    O ad hominem por exemplo, está tão entranhado na “sabedoria popular” que simplesmente não vale a pena debater sobre qualquer tema com outras pessoas.

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  • 29/07/2010 - 20:05
    Enviado por: tadeulobato

    Como disse Ezra Pound.Todo crítico ruim fala primeiro do poeta, crítica é parte da formação cultural de uma nação, contudo temos milhares de Caetanos velozes e
    fúriosos prontos para afirmar seus absolutos,desenhando crítica como produto de
    inveja ou movimentos dogmáticos do eterno contra,ou pior, profissionais simpáticos
    mas incompetentes,1969 ilustra muito bem o comportamento artístas e crítica certo
    Caetano? o discurso é seu .

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