
Ontem fui ao Reserva Cultural ver Brilho de uma Paixão (mais uma tradução tola, deveria ser Estrela Brilhante), de Jane Campion, sobre o relacionamento entre o poeta John Keats (Ben Whishaw) e Fanny Brawne (Abbie Cornish). Campion novamente faz um trabalho visual apurado, esquecendo que cinema não é apenas uma sucessão de quadros. Keats, um dos meus poetas favoritos, é visto como um sujeito melancólico e frágil, que mal consegue conter seu invejoso e ciumento amigo e patrocinador, Charles Brown (Paul Schneider); Whishaw em nenhum momento parece saber que está representando um gênio, do qual logo no início se diz que pensa rápido.
Assim, o filme começa espirituoso, com Fanny defendendo as roupas que cria e o estilo que adota e enfrentando Brown verbalmente, mas depois vai mergulhando no melodrama, sem o menor senso de ironia – item indispensável na poesia de Keats. Abbie Cornish dá alma ao filme, e chora de um modo tão intenso que nos dá vontade de consolá-la. A essa altura, porém, só nos apegamos à beleza das imagens pastorais da Inglaterra e aos versos que os atores dizem. “Tender is the night”, mas para Campion é um vale de lágrimas.
Não consigo atinar o motivo de escalarem Ben Whishaw para qualquer papel. É completamente inexpressivo. Quando vi Brideshead Revisited (2008) quase chorei, não só por ele, também pela produção como um todo que ficou muito aquém da de 1981, mas por Sebastian Flyte. Whishaw fica insuportável depois de Anthony Andrews.
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