Estava com a sensação de que o ano cinematográfico não tinha sido grande coisa também, mas olhando a listagem do que vi e gostei me dei conta de que ao menos há algum vigor, alguma ambição estética. O filme vencedor do Oscar, Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, tem grandes cenas e não cai no esquema “herói americano salva a pátria na batalha final”. Invictus, de Clint Eastwood, sem estar entre seus melhores filmes, conta bem uma grande história real. A Fita Branca, apesar dos exageros enigmáticos de Michael Haneke, tem muita força. O argentino O Segredo dos seus Olhos, de Juan José Campanella, é um filme completo, com um roteiro que segue firme até o final e algumas cenas antológicas, como a do estádio.
Depois dessa leva, vieram ainda Alice, de Tim Burton, abaixo das altas expectativas, mesmo assim criativo e com a percepção de que Lewis Carroll tirava sarro da carolice inglesa; A Ilha do Medo, de Martin Scorsese, mais complexo que o semelhante O Escritor Fantasma, de Roman Polansky; e A Origem, de Christopher Nolan, que tem formidáveis achados visuais e depois se rende ao filme de ação linear. Agora no final, vimos A Rede Social, de David Fincher, com sua vingança dos nerds, e Tetro, de Coppola, com alguns momentos dignos de sua grande fase. No Brasil, não teve para ninguém: Tropa de Elite 2, de José Padilha, não é só o filme mais visto da história (ainda que a bilheteria de Dona Flor tenha sido num país com metade da população atual), mas o melhor do ano, por não apenas subscrever as opiniões do Capitão Nascimento. Dos documentários, Uma Noite em 67, de Ricardo Calil e Renato Terra, foi de longe o mais bem feito e de tema mais acessível.
Crianças e jovens também tiveram oferta satisfatória com Como Treinar seu Dragão, o novo episódio de Harry Potter e outros mais.
ZAPPING
Já na TV é difícil lembrar tempos tão bons. Sim, as novelas pioraram; Passione poderia ter sido boa, com seus personagens anômicos e patológicos, mas errou feio – além do sotaque italiano e do merchandising descarado – quando fez Clara (Mariana Ximenes) virar boazinha durante várias semanas, até precisar recuar, e ao adoçar tudo (a tara de Gerson não era chocante, a ninfomaníaca Stella abandonou os garotões, etc). Mas as séries e os documentários nas TVs por assinatura são de alto gabarito. Vida, da Discovery com a BBC, marcou época com suas imagens de fauna. O Império do Contrabando, com produção de Martin Scorsese e atuação impressionante de Steve Buscemi, parece um romance, com personagens que se entrelaçam e se transformam. Na TV aberta brasileira, As Cariocas, de Daniel Filho, e Afinal, O Que Querem as Mulheres?, de Luiz Fernando Carvalho, se salvaram. E a tão esperada caixa de DVDs de Grande Sertão: Veredas deu saudades das longas e caprichadas adaptações literárias.
Caro Piza, sentí falta em sua lista daquele que para mim é disparadamente o melhor filme do ano: O Profeta. Dos citados por você gostei muito de A Fita Branca, de O segredo dos Seus Olhos e de A Ilha do Medo, um dos melhores filmes de Scorcese (diretor que nunca me tocou muito). Do Brasil, o único que me deu vontade de ver de novo foi A Suprema Felicidade que é daqueles filmes que quanto mais se vê, mais se gosta. Uma dívida: o ótimo Bastardos Inglórios é desse ano?
Não vi “O Profeta”, mas li muita gente o colocando entre os melhores. Não, “Bastardos Inglórios” chegou ao Brasil em 2009.
responder este comentário denunciar abuso“A Fita Branca” foi a grande decepção. Falaram tanto que eu esperava um Bergman.
Pelo contrário, “Invictus”, apesar de meio americanóide, é muito recomendável.
“Ninguem Sabe o Duro que Dei” é de 2010?! Não lembro, mas é fundamental diante da mídia seletiva de nosso país.
“Tropa de Elite” não faz meu gênero mas é muito bom, bem melhor que os americanos que chegam aos lotes por aqui.
Na TV, destaque para algumas coberturas da Copa, como a da ótima ESPN Brasil.
Na música, sem sombra dúvida, a melhor de 2010 é o samba do Salgueiro pra 2011, coincidentemente sobre o Rio no Cinema. Irretocável!
“Meu Salgueiro
o Oscar sempre é da Academia!”
De todos os filmes citados por você temos somente um brasileiro o que demonstra que fazemos muita quantidade e péssima qualidade.
Depois ainda acham que um dia ganharemos um Oscar, continuem sonhando!!
A novela “Passione” ultrapassa o rídiculo em todos os sentidos.
Observei sexta feira p.passada, o capítulo onde a personagem Diana morre. A mesma estava com esmalte nas unhas.Quando alguém passa por cirurgia, não se pode usar esmalte, de forma alguma.
“O segredo de seus olhos” é o campeoníssimo para mim. Lindo filme, cenas antológicas, belíssima interpretação. E ainda servindo de lição para nós, brasileiros: indicar ao Oscar filmes por sua qualidade, sem envolver critérios ideológicos.
Me lembrei de mais um: Toy Story 3. É para todas as idades, fantástico!
Piza
“O Profeta” e “A Fita Branca” foram os melhores que eu vi. Ainda nao deu para ver “Tropa de Elite 2″. O argentino “O Segredo…” e’ bom tambem, mas eu pergunto existe algum outro ator na Argentina que nao seja o Darin?
Sobre Woody Allen. Sei que voce nao gostou do “You will meet a dark tall stranger” que assisti ontem. Adorei o filme, concordo que nao e’ tao bom quanto o “Whatever Works”, mas e’ engracadissimo e os atores sao otimos. Eu daria hoje o Oscar a Gemma Jones que fez o papel da mae de Naommy Watts, o de atriz coadjuvant daria a Lucy Punch, nao sei onde ela foi buscar aquele acento. Espero que Allen viva ainda muitos anos e faca ainda muitos filmes.
Gostei mais de O Ciúme mora ao lado e a A Fita Branca excellente.Mas,Meu amigo Piza,pisa um pouco os Europeus estão ótimos como …”La vies des autres” e muitos outros,parece que a força de Hollywood ainda faz presença por aqui e os Europeus esquecidos..
Estou esperando nossas salas exibirem! O novo Raoul Ruiz, por exemplo… Mas “A Vida dos Outros”, alemão, não é deste ano e entrou em minhas listas!
responder este comentário denunciar abusoCaro Daniel,
Permita-me sugerir:
- documentário: Dzi Croquetes (uma linda homenagem)
- filme: Viajo porque preciso, volto porque te amo.
Não me rendo à Tropa de Elite ( melhorou em relaçõ ao 1, porém ainda não foi ao ponto do problema…quem sabe no 3).
Concordo totalmente com a escolha de “Grande Sertão” – soberbo
Abs,
Tadeu
Oi Piza, cara você é bem mais inteligente que eu, mas a “Origem” nunca se rende ‘a “ação linear”, somente em uma camada bem mais simples. Por favor, veja de novo!
O último terço do filme é como um filme de ação, com a corrida contra o relógio (só que em três ritmos diferentes)…
responder este comentário denunciar abusoOlá Piza
pela primeira vez abri seu blog e já fiquei feliz. ^^
sou estudante de Jornalismo e agora nas férias resolvi conhecer um pouco dos bons jornalistas por esse Brasil ![]()
confesso que, gostei pelo motivo de uma das minhas maiores paixões ser citada como franquia satisfatória.
SIM. sou fã de Harry Potter a nada menos que 7 anos ![]()
o filme é mesmo fantástico. mas é obveo JK esteve lá na produção dando aquela mãozinha! ![]()
no entanto este ano ficou fraco, acredito eu, de bons filmes
gostei muito de ‘A Origem’ claro. Nolan me prendeu por completo
Toy Story ^^ já cotado para Oscar também me deixou apaixonada pela história.
Perdi a oportunidade de ver Tropa nas telonas, uma pena
e estou com pé atrás nesse filme ‘A rede social’ que é também favorito a Oscar
enfim. estarei de olho por aqui (:
espero mais boas coisas de Harry Potter pra 2011
quem é fã, sempre espera!.
Deu pra perceber a “ótima” jornalista que será (:
responder este comentário denunciar abuso“SIM. sou fã de Harry Potter a nada menos que 7 anos”
UAU. Tai’ um comentario corajoso, meus cumprimentos. Talvez ai esteja a nova geracao de criticos de cinema.
responder este comentário denunciar abusoPara o meu gosto o melhor filme do anos, dos que assisti foi a Ilha do Medo.
O segundo foi Guerra ao Terror e, o terceiro Bastardos Inglórios.
Ãinda não assisti Tropa de Elite 2. Considerando o de maior bilheteria brasileiro.
Caro Piza:
Acho que Toy story 3 foi a melhor animação do ano, sendo até favorito pra ganhar o oscar na categoria!
abs
Escrevi sobre ele também.
responder este comentário denunciar abusoCaro Daniel,
É imperdoável, que na sua sinopse, não exista uma menção a Bastardos Inglórios, o melhor filme do ano. Guerra ao Terror é mediano, seria um “Nascido para matar” no Iraque.
Bastardos Inglórios, repito, é de 2009 e foi eleito por mim o melhor do ano!
responder este comentário denunciar abusoTambém faltou dizer sobre as reedições de Lima Barreto. Aliás, seu artigo passado foi memorável. Há tempos não lia algo interessante sobre Lima Barreta. A academia, numa obsessão pela semana de 22, esquece de um grande autor.
“Alice” não deveria nem ter entrado na lista. Um fiasco!
Já “O Segredo dos Teus Olhos” é o filme do ano
[...] This post was mentioned on Twitter by Guilherme, Literaturas. Literaturas said: Melhores do ano: cinema e TV: Estava com a sensação de que o ano cinematográfico não tinha sido grande coisa tam… http://bit.ly/gGlDTj [...]
Oi Piza, ainda sobre a “Origem”, é linear na superfície, mas você deve ter notado que cada ação em um nível inferior de sonho corresponde ‘a uma ação no nível acima, sem falar que cada nível de sonho se torna cada vez mais caótico e surreal e influenciado pela confusão mental do personagem do DiCaprio. Sem falar, que o filme todo é um mistério em si, pois nunca sabemos, ou saberemos quais daquelas realidades é a nossa ou se realmente chegamos a ver alguma mesmo. Concordo, que o Nolan teve que encher de ação esses níveis pois afinal, embora seja um grande filme, “A Origem” também é um blockbuster.
Eu não “devo ter notado”, não: isso é óbvio, qualquer espectador viu. Mas não muda nada: é um blockbuster, uma corrida contra o relógio. E o final “ambíguo” o é mecanicamente, na base do sim ou não, no mesmo estilo binário de 99% dos filomes de Hollywood. Em suma, a forma é interessante, o conteúdo trivial.
responder este comentário denunciar abusoNa TV aberta, deve-se reconhecer que é a Globo, apesar de tudo, quem ainda fornece aqui acolá um mínimo de vida inteligente, porque seu poderio ainda possibilita que ela se dar ao luxo de alguma ousadia ou inovação (ainda que Luiz Fernando Carvalho tenda a cair em exageros estéticos). No mundo da concorrência acirrada que os críticos da Globo gostariam de ver, dificilmente haveria espaço para outra coisa além de Fazendas e reality shows apelativos, e outros progrmas com mulheres peladas ou glorificação da violência.
Olá Daniel Piza!
Concordo com muitas de suas críticas, mas ter mencionado As Cariocas e Afinal O Que Querem as Mulheres? e esquecer!? A Cura (a melhor coisa que a Globo faz em muito tempo…) foi um verdadeiro pecado.
Desculpe, mas acho que o espiritismo não tem cura…
responder este comentário denunciar abusoAcho que A Cura é uma série de verdade, a Globo enfim acertou. Também gostei das atuações, Selton Mello não foi mais um doidinho, apresentou uma interpretação mais madura, na minha opinião. Mas tudo bem, não gostou fazer o quê?
Falando da “Alice” de Tim Burton (que não assisti), por que será que Holywood filma supostas adaptações de clássicos da literatura que nada tem a ver com os livros adaptados? O próprio Burton filmou há alguns anos uma versão de Sleepy Hollow que nada tem a ver com a obra de Washington Irving de mesmo título (p. ex., o personagem de Johnny Deep, Ichabod Crane, que no livro e em todas as versões cinematográficas da história, era professor, virou detetive. A propósito, no filme, achei absurda a história de que o cavaleiro era um mercenário que cavalgava decapitando a fio de espada os soldados nas linhas americanas. Na vida real, ele seria morto a tiros de rifle em segundos). Pode-se lembrar ainda um filme da década de 90, “Os Amores de Moll Flanders”cuja história pouquíssimo se parece com o que foi escrito por Daniel Defoe. Para não falar de “As Minas do Rei Salomão”, de Richard Chamberlain e Sharon e Stone, filme que transformou o livro de H. Rider Haggard numa imitação ruim dos “Caçadores da Arca Perdida”.
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