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Daniel Piza

21.dezembro.2010 07:49:28

Melhores do ano: música, exposições, teatro e dança

Na música também revivemos os clássicos. Falou-se muito dos 200 anos de Chopin, de quem Nelson Freire lançou CD dos Noturnos, e de Schumann, gravado com bastante pedal por Evgeni Kissin. O DVD da estreia do maestro venezuelano, Gustavo Dudamel – que vem ao Brasil em 2011 –, à frente da Filarmônica de Los Angeles, recebeu merecida atenção. Antonio Meneses, grande violoncelista, nos deu dois CDs, Brillante e Haydn, e virou tema de ótimo livro de João Luiz Sampaio. Mas no jazz temos tido compositores jovens que já são mestres, como Brad Mehldau (Highway Rider) e Jason Moran (Ten), e mestres em grande forma, como Keith Jarrett, que fez o belo Jasmine com o baixista Charlie Haden. O mesmo vale para os CDs de dois grandes melodistas da MPB, Francis Hime (O Tempo das Palavras) e Edu Lobo (Tantas Marés).

O CD do ano no gênero mais pop foi, sem dúvida, Scratch my Back, de Peter Gabriel. Pop? O que é bacana no CD é o tratamento harmônico de canções de David Bowie, Paul Simon e Arcade Fire, de um bom gosto e inteligência raros. Pop mesmo é The Fame Monster, de Lady Gaga, que chama mais atenção pela personalidade do que pela música, mas que sabe fazer um hit, na linha “Madonna escrachada para a era do YouTube”. Depois escutar Stacey Kent, Patty Ascher e Tereza Salgueiro, com suas vozes suaves e sábias, é o contraponto ideal.

POR QUE NÃO ME UFANO

Num ano com tantos livros de arte bons, as exposições que vi não chegaram a ser marcantes. Vi belas gravuras de Goeldi, Segall e Iberê na fundação que leva este nome em Porto Alegre, gostei de Andy Warhol na Pinacoteca, etc. Nada muito revelador. Já a 29ª Bienal de São Paulo foi amplamente falada na imprensa, depois do fiasco da anterior, mas a qualidade e a visitação (500 mil pessoas, das quais 300 mil em visitas escolares) deixaram a desejar. Muito melhor que os urubus de Nuno Ramos ou outras obras que foram aparecer até em cenário de novela, foram as pinturas de Rodrigo Andrade, que felizmente tinham remota relação com o tema da mostra, sobre arte e política.

Também fui muito pouco ao teatro, mas pelo menos vi In On It, do canadense Daniel McIvor, com Fernando Eiras e Emílio de Menezes, que tinha uma intensidade e um cuidado raríssimos nos palcos nacionais. E Barbara Paz provou de novo a atriz que é em Hell, um texto limitado de Lolita Pille. Na dança, vi algumas coisas que não merecem registro, mas a São Paulo Companhia de Dança continua sem decepcionar. Além de Balanchine e Kylián, meus dois coreógrafos favoritos, encenou o lendário Prelúdio à Tarde de Um Fauno, de Debussy e Mallarmé, na coreografia que Marie Chouinard fez a partir das fotos de Nijinski em 1912. Quase cem anos depois, e ainda parece tão novo. Mas não resta dúvida de que São Paulo e o Brasil precisam de melhores exposições, peças e balés.

comentários (6) | comente

6 Comentários Comente também
  • 21/12/2010 - 08:42
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    Vida da Minha Vida, do Zeca Pagodinho,
    com músicas do próprio, de Ivone Lara, Nelson Sargento, Almir Guineto, Beto Sem Braço, Serginho Meriti, até uma do Fagner, enfim. Ótimo disco de um artista muito acima da média.
    Infelizmente a mídia só tem espaço pra MPB. Já é assim há muito tempo, Cartola, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Bezerra da Silva e muitos outros sofreram o mesmo descaso.

    A Bienal precisa se renovar. Algumas formas de arte urbana, como o grafite, já começam a aperecer timidamente. Gostei de uma exposição fotográfica sobre o Cacique de Ramos.

    No teatro,
    destaque pra temporada do Bando de Teatro Olodum no Sesc Vila Mariana. As 3 peças apresentadas, Cabaré da Rrrrrraça, Ó Pai Ó e Áfricas (esta última, imprescindível) trouxeram novas perspectivas ao elitizado e muitas vezes previsível cenário teatral paulistano.

    Finalmente,
    mais uma vez o destaque na dança fica praqueles malucos que ficam na marquise do Ibirapuera, girando de ponta cabeça, duelando com outras turmas, dando cambalhota…
    Que barato!

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  • 21/12/2010 - 10:00
    Enviado por: Caio

    Pra mim o melhor do ano foi “Mondo Cane” do Mike Patton, mais um disco de regravações – mas regravações de músicas italianas não muito conhecidas, todas tocadas com belos arranjos, paixão e visceralidade. Tudo isso em canções de amor (pelo menos a maioria delas) únicas em sua simplicidade. Eu prefiro um artista que corre riscos como Patton do que Gabriel que regrava, de modo um pouco inodoro pelo menos para meu nariz e meus ouvidos, músicas que todo mundo sabe que são boas.

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  • 21/12/2010 - 12:44
    Enviado por: Eduardo Grandinetti

    Daniel,

    Nelson Freire e os noturnos e Antonio Meneses e Haydn, merecem obviamente com razão destaque- assim como , “Jasmine” de Keith Jarrett e Charlie Haden.
    Deve se realçar ,os artigos que João Marcos Coelho escreveu a respeito deles:( Freire, Meneses e Jarrett),
    E por derradeiro, uma recente sinopse dedicada a musica, com um fechamento magistral com “So in love “ de Cole Porter como lenitivo para uma insonia

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  • 21/12/2010 - 16:36
    Enviado por: Dr.massaranbuba

    Melhor reporter, melhor blogueiro
    mais sensato,
    mais logico
    mais brilhante

    “o fodao do bairro peixoto”

    Daniel Piza!

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  • 22/12/2010 - 08:35
    Enviado por: Marcelo Mello Ramos

    Muito bom.

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  • 22/12/2010 - 08:50
    Enviado por: Emerson Coelho

    “Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” (João Guimarães Rosa)

    Parabéns Piza por seus textos, seu blog é um dos melhores que leio. Desejo-lhe um bom ano-novo cheio de paz e saúde. Desde que li a biografia que você fez do “famigerado” Paulo Francis leio seu blog.

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