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Daniel Piza

09.maio.2010 07:18:55

Mães, madrastas e outros mamíferos

Baptistão

As propagandas e reportagens que antecedem o Dia das Mães só competem em pieguice com o Natal, quando as revistas repetem a velha capa sobre o significado de ser cristão, etc e tal. Tudo soa como anúncio de margarina, que idealiza a família perfeita como aquela em que a mãe sorridente prepara o café da manhã para o marido de gravata e o casal de filhos que ele vai deixar na escola a caminho do trabalho. Fala-se muito no carinho, no instinto maternal, no “sexto sentido” das mães – assim como no Dia dos Pais a ênfase é na projeção, na consciência, na tal lição de vida. Os séculos se passam e isso não muda: o homem é tido como o que dá exemplo, a mulher como a que dá colo. Isso nunca foi exato, e é menos exato ainda nos tempos atuais.

É claro que os comunicadores tentam se adaptar às modernidades, e então vemos algumas iniciativas que tentam dar conta dos novos arranjos familiares. Mas veja o tratamento de termos como “madrasta”. Depois de incontáveis histórias em que elas encarnam bruxas ou usurpadoras, desde os contos infantis até filmes de Hollywood e novelas da Globo, essa palavra ainda tem salvação? Em realidade, seu significado é mais associado à mulher que assumiu o lugar da mãe que morreu. Para identificar, por exemplo, a segunda mulher do pai, que tantas e tantas vezes hoje em dia tem ótima relação com a filha do primeiro casamento, “madrasta” não soa bem, soa? “Enteada” é menos mal. Temos que cunhar nova designação, apesar de algumas brincadeiras que conheço ou fazemos (“mãe de fim de semana”, “boadrasta”, etc).

O que está por trás da dificuldade é essa carga de preconceitos que trata sempre as mães como santas, dotadas do “dom divino” da gestação, de uma espécie de condição biológica que obrigatoriamente leva à noção de que ela está sempre certa, sabe o que faz, só pensa no bem dos filhos… Talvez porque a sociedade lhes reserve esse papel, muitas mulheres confundem a maternidade com uma dessexualização, por assim dizer; cortam os cabelos, mudam as roupas, não se permitem experiências; algumas nem sequer transam durante a gravidez. Não que os homens também não parem de cuidar do visual, engordando ano a ano; mas sobre eles não pesa a premissa de que sejam contidos ou discretos. E isso se soma às pressões sobre a mulher moderna, que sofre para combinar vida profissional, amorosa e maternal sem sair da forma nem da moda.

As artes estão cheias de representação das mães, ao contrário do que ocorre com os pais. Desde a “madonna con bambino” que é tema de salas e mais salas dos museus, principalmente na arte bizantina e renascentista, até a canção Mother de John Lennon, os exemplos se multiplicam. A literatura brasileira tem algumas grandes personagens como a dona Glória, em Dom Casmurro, de Machado de Assis, que por promessa obriga o coitado do Bentinho a ser padre, mas não disfarça que gostaria que não fosse embora, o que a aproxima de Capitu. Ou como a mãe de Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, que Luiz Fernando Carvalho filmou como a luz essencial e insubstituível da memória afetiva. E como a Zana de Dois Irmãos, de Milton Hatoum, uma matriarca libanesa em Manaus, que numa das melhores cenas vai ao cais resgatar o filho rebelde dos braços da ninfa.

Mães são assim, intensamente apegadas às crias mesmo que flertando com a irracionalidade, e não é preciso assistir a séries como Vida, do Discovery Channel, para relembrar como nós, mamíferos, somos tão parecidos. Mas também sabem ir bem além do papel que querem lhes destinar – um “destino” que estaria escrito na carne e no espírito, como se mãe nunca rejeitasse ou preferisse um filho. Neste Brasilzão que tenho percorrido, o que mais vejo são mães solteiras, muitas jovens demais, abandonadas por levianos que acham que a obrigação da prevenção é exclusiva delas. (Ou será que, se a mulher tem inveja do pênis, segundo Freud, o homem tem inveja do parto?) E elas são mães e dublês de pais e extraem sua determinação da certeza de que aquele vínculo não se vai com o vento. A essas mães, que não estão nas propagandas, dou parabéns.

(“Sinopse”)

comentários (27) | comente

27 Comentários Comente também
  • 09/05/2010 - 09:20
    Enviado por: Tweets that mention Mães, madrastas e outros mamíferos | Daniel Piza -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Literaturas, ana maria amorim. ana maria amorim said: Mães, madrastas e outros mamíferos. http://ow.ly/1IK2m Um tapinha nos estereótipos das propagandas. ;-) [...]

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  • 09/05/2010 - 09:20
    Enviado por: Rosa

    Olá, Daniel. Adoro ler sua coluna, mas hoje, fiquei especialmente feliz em ver que você teve a ousadia de falar em MADRASTAS num dia essencialmente materno. Sou madrasta e sou mãe, exatamente nesta ordem. Fiz estágio supervisionado antes de ser mãe…rs…e por acumular as duas funções, sei da importância de cada uma na vida das crianças que tenho em meu caminho. Não acredito na santidade materna, nem na maldade da madrasta como bruxa. Acredito sim que seres humanos são passíveis de falhas e erros, ocupem a posição que for.
    Parabéns por falar de um assunto tão comum, mas tão pouco comentado.

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  • 09/05/2010 - 11:16
    Enviado por: Diego Alves

    Piza, ficou muito interessante quando você mencionou: “Em realidade, seu significado é mais associado à mulher que assumiu o lugar da mãe que morreu. Para identificar, por exemplo, a segunda mulher do pai, que tantas e tantas vezes hoje em dia tem ótima relação com a filha do primeiro casamento, “madrasta” não soa bem, soa?”. Sou um exemplo disso que você citou; creio que o termo “madrasta” fica deselegante, sempre que cito minha *mama postiça (brincadeira) uso a maravilhosa palavra “boadrasta”, não porque ela é realmente boa, mas sim por soar melhor e por quebra dos estereótipos dos desenhos animados da Walt Disney.
    Bom, parabéns pelo artigo e um FELIZ DIA (que seja todos) para as mamães, boadrastas e mamíferos!

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  • 09/05/2010 - 11:21
    Enviado por: Paulo

    Indo além da literatura brasileira, a mãe de Marcel, e mais ainda, a mãe dela, avô do narrador, em Proust, me são inesquecíveis.

    Acho que as avós têm este espírito maternal potencializado (e geralmente reclamam menos).

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  • 09/05/2010 - 11:36
    Enviado por: Mariana

    Daniel,

    Não sou mãe, mas sou madrasta. Não no sentido Branca de Neve de ser, então fico muito feliz em ver que ainda há gente que se preocupa em lembrar de nós, que damos tanto amor a uma criança que não geramos, e que por vezes tem uma mãe que inferniza nossa existência. Mesmo assim, ainda há amor, e é ele quem tem que vir quando o não-amor aparece.

    Obrigada.

    PS: Sou sua fã, jornalista também, e adoro o que você escreve (os livros então…)

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  • 09/05/2010 - 11:37
    Enviado por: Anna H.

    Macacos me mordam, que texto ! Parabéns, Piza. Não é brincadeira,depois que eu soube que somos uma mistura de hominídeos (cruzando com os neandertalensis) daí entendo porque temos esse jeito meio debilóide de ser. Imagine, o homem de Neandertal desapareceu por que ? Porque tinha pouca inteligência e não conseguiu sobreviver. As vezes o homem parece tão superior às outras espécies, mas de repente nos damos conta de que não o é totalmente. Fazemos cada idiotice. É paradoxal. Um dia Freud lança a psicanálise, prova por A+B que a mulher é um ser especial, além de ser a espinha dorsal da família(‘a mulher é o futuro do homem’, dizem hoje), tempos depois alguém resolve por abaixo a teoria freudiana e diz que ela não tem cabimento. Vamos acreditar em que e em quem, afinal ? Desde Freud sempre quiseram culpar a mulher de tudo que afeta psicologicamente o homem. Se o filho dela tem problemas sexuais, então, apontam logo para a coitada. Daí todo tipo de termo pejorativo para desclassificá-la. E vieram Sartre e Simone de Beauvoir nos provocar, dizendo que a mulher aprendeu a ser mulher (porque senão ela seria homem com seios ?), que não é do natural da mulher ser feminina e sedutora. Foi obrigada a se vestir de mulher e adotar um comportamento diferente do homem.Minha Nossa Senhora, o que queremos é apenas RESPEITO e reciprocidade no amor que damos a nossos filhos. ‘Nem putas nem submissas’, como diz o slogan de um movimento atual na França e que vem nos dias das mães derrubar preconceitos. Está agradando ao comércio ?

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  • 09/05/2010 - 11:50
    Enviado por: Glúon

    .
    ______________________
    .
    “Mãe” em diversas línguas
    .
    ______________________
    .

    Português: Mãe
    Alemão: Mutter
    Espanhol: Madre
    Francês: Mère
    Inglês: Mother
    Italiano: Madre
    Japonês: Okaasan
    Galego: Mai
    Norueguês: Mor
    Russo: MorЬ
    Grego: Màna (este ano sem presente)
    .
    ____________________________
    .

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  • 09/05/2010 - 11:57
    Enviado por: maria

    As pessoas sempre esquecem de perguntar aos mais interessados nos caso os filhos. Esses sim são jogados de um lado para o outro por ordem da justiça, pela vontade quase que irracional de formar uma família a todo custo,o filho tem que conviver com a mulher do pai e o marido da mãe, que ele não escolheu e tem todo o direito de não gostar.
    Por que na realidade o filho precisa de amor, e não de rotulos de quem é melhor.
    O amor de mãe é incondicional. Talvez a mais bela forma do amor.

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  • 09/05/2010 - 12:01
    Enviado por: José Carlos

    Piza gosto de ler teus textos, mas neste assunto, olhando as criações de cabras, passarinhos, vacas(milhares delas), cachorros, gatos, etc. que tenho vivenciado, posso dizer que graças a Natureza a mãe foi, é e continua olhando ternamente a sua cria.
    Deve ser a instrução primeira do DNA e talvez a sine qua non
    E a cria louva a mães que a gerou.
    É o mesmo que sentir a luz do sól.
    Nós homens temos que ver e nos regosijar disso. Basta sentir o orgulho que temos desse sentimento que transcende aos apelos da midia.
    O ditado popular resume tudo: mãe(ou a responsável no seu lugar) é mãe
    Ainda bem que é assim.
    E tomara que continue sendo.
    É muito bom.

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    • 09/05/2010 - 12:39
      Enviado por: danielpiza

      Não entendi qual a discordância.

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    • 09/05/2010 - 14:19
      Enviado por: Helena

      Oi, Nicolau! Vc. tem razão, até cert…a idade. Até que idade as demais mamíferas continuam olhando eternamente suas crias e posando de santas? Nem todas logo depois do desmame, mas várias podem rejeitar os filhos ou escolhê-los prá maridos. Desconfio que algumas os reconhecem prá sempre, seria verdade? Tão aí as elefoas, que não me deixam mentir e ainda esclarecem: mãe tem responsabilidade, pouco importa se com o filho ou com o bando, por isso cuida e vira líder. Prá mim, o que tem de melhor nesse romantismo publicitário é o gancho da maternidade (não necessariamente realizada) para o diferencial da mulher na política: o foco na ninhada, no bando ou na comunidade, a coragem e a garra instintiva prá defender os seus, a fibra ao lado da empatia prá reconhecer as outras mães/madrastas/chefas/líderes como iguais e conseguir negociar em prol de toda a geração de ninhadas… Claro que é fantasia, publicitária, cultural, psicanalítica ou política, tanto faz. Claro que no mundo de hoje as dferenças individuais tem que reivindicar seu direito de ser dante de tantas generalizações. Mas de qulquer jeito, esse dia das mães, VIVA A MULHERADA! E AS DEMAIS FÊMEAS MAMÍFERAS TB.!

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    • 10/05/2010 - 17:26
      Enviado por: Nicolau

      No meu discreto entender, o que o Sr. José Carlos quis dizer em seu comentário, entre outras coisas, foi que a Maternidade tem um valor próprio, que se verifica mesmo na Natureza e até nas fêmeas dos animais de estimação que, às vezes sem ser acasaladas, apresentam a chamada gravidez psicológica, escolhendo um brinquedo como “filhote” e cuidando dele por várias semanas.
      Essa Maternidade enquanto Maternidade tem algo de sagrado, por ser Arquetípica e assim nada tem a ver com a degradação social, fruto da superpopulação, da ganância e contradições do Sistema, da comercialização da sensualidade, etc.

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  • 09/05/2010 - 12:33
    Enviado por: Nicolau

    A dificuldade em adaptar-se à modernidade configura um eufemismo diante da falta de rumo da maioria nessa transição de um patriarcado ocidental para um ensaio de neomatriarcado desconhecido, que pode ser um mero artifício para prosseguimento em outro nível do patriarcado.
    O próprio Cronista revela desconhecimento arquetípico dos mitos e parte para a generalização, ignorando que Entre Mitos Reais há Paredes de Fogo e que a verdade de um Mito algumas vezes é a mentira de outro e vice-versa.
    O que ocorre em nossa Cultura latina é que o mito de Démeter, antes absolutizado, ora está se relativizando, embora a “mulher brasileira” mal tenha noção de que o Grande Feminino tem sete facetas e costuma partir apenas para vivenciar o oposto de Démeter, Afrodite.
    Mais do que afirmar ser um ateu sem culpa, colega Cronista, cumpre coragem para entender que o ateísmo não mais se sustenta nem cientificamente.
    Você na verdade é um agnóstico falante.

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  • 09/05/2010 - 14:06
    Enviado por: Gelson Gurgel Gomes

    Sr. Piza – Li e gostei do seu brilhante artigo: Mães, madrastas e outros mamíferos. Seria ou será possível no dia dos pais próximo vindouro sua senhoria publicar, analogicamente falando (ou escrevendo), um artigo sob o título: Pais, padrastos e outros papíferos?

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  • 09/05/2010 - 15:31
    Enviado por: Helena

    Olha, desculpa, eu si atrapalhei… O comentário anterior era para o José Carlos, não pro Nicolau. Mas pro Nicolau: caramba, prá que tanto xingo no excelente cronista? Xingo enfeitado de erudição, que seje, mas você não está na banca de doutorado prá qual gostaria de ter sido convidado, só prá tentar destruir o candidato orientando do seu colega que se deu melhor que você. É só uma crônica muito boa (como de costume), que faz o leitor pensar e se manifestar. Prá que tanta raiva com os leitores todos INGUINORANTES que não são donos da verdade sobre mitos, arquétipos e quetais? É só um bom cronista que faz os leitores pensarem sobre o Dia das Mães. A sua não te deu de mamar? Ou você bebeu mais que eu e não consegue ler jornal sem fingir que está disputando a verdade científica na academia onde não conseguiu seu lugar? Desculpa, não é prá ofender, só prá se mancar.

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    • 10/05/2010 - 06:48
      Enviado por: Nicolau

      Quanta agressividade, Helena. Quantas pedras atiradas…?!?! Doeu em suas limitações o que escrevi? O debate de ideias é livre, a gentileza depende de cada um, mas é preciso antes de mais nada alcançá-lo, saber voar no mundo das ideias. Deixe a mãe e a abstemia dos outros em paz e cuide de si própria, pois vê-se que disso está precisando. Não veja xingos (sic) onde haja apenas debate de ideias. Enquanto tenta descobrir quem tem doutorado, sugiro que estude um pouco sobre mitos e arquétipos em meio a seu dia a dia freudiano, por certo deixa transparecer que isso lhe fará bem. Tsc Tsc Tsc

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  • 09/05/2010 - 15:37
    Enviado por: Léa

    Não crio meu filho, hoje com cinco anos, engolindo e sendo uma marionete nas mãos desse comércio esperto e aproveitador. Claro que dentro do limite de seu alcance, explico para ele exatamente o que vem a ser esses dias em que as pessoas botam goela abaixo da gente como sendo os únicos importantes. Só nesses dias que aparecem aquelas matérias na televisão que nos fazem chorar de tanta emoção. Como se um dia antes ou dia depois isso nunca existiu. Palhaçada. Mães, abram os olhos de seus filhos, façam com que vejam a realidade da vida e valorizem o que realmente tem valor e isso nem sempre é encontrado naquela que o pariu.

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  • 09/05/2010 - 15:50
    Enviado por: Elizabeth

    O vital é que tenhamos carinho, compaixão e muiiiita paciência, quer sejam nossos filhos ou não. Somos humanas, passíveis de erros e acertos e mesmo assim, de repente, quando v.encontra as respostas, a vida muda as perguntas. Mães, madrastas, as que literaralmente colocam seus filhos no mundo, outras que criam sem saber de onde vieram…. nada disso importa. O maior exemplo real e mais próximo disso é o caso das mães que tiveram seus filhos trocados. O sofrimento de cada uma delas, a vontade de ter os dois… o biológico e o “de coração”.
    É importante o amor, o dar-se, chega de mito, de endeusamentos, vamos por os pés no chão. Criei três filhos que não pari, uma que cresceu no meu ventre e mais alguns que surgiram no transcorrer da vida. Não me acho uma heroína… mas sim admiro aquela que, por alguma razão, teve seu filho retirado de seus braços… essa sim, tem que arrumar todos os dias uma forte motivação para levantar da cama. Este peso me seria insuportável. Um abraço.

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  • 09/05/2010 - 15:52
    Enviado por: Rivaldo Silva (Riva)

    RANCORES, BONECAS E CARINHOS

    Tem a mãe desnaturada,
    tem aquela que não nasceu
    para ser mãe, mas quis ser,
    só que não aprendeu a amar,
    então, trocou carinhos
    por rancores e pancadas.
    Tem a mãe que não é mãe,
    porque larga os filhos nas mãos
    que não são de mães.
    E tem aquela menina,
    feita mãe antes do tempo,
    que confunde filha e boneca
    e porque ainda não sabe
    de responsabilidades,
    acaba carregando ambas pelos pés.
    Para todas essas mães,
    tem a verdadeira mãe,
    que ensina e pacifica,
    que amamenta filhos
    mesmo depois de crescidos
    e mesmo que eles
    já não estejam mais aqui,
    são eternos, sempre,
    enquanto vida houver no coração
    da verdadeira mãe.

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  • 09/05/2010 - 18:49
    Enviado por: ricardo

    EU, como sou um leitor bastante emocional, gosto e não gosto de seus textos…AO MESMO TEMPO! Achei essas idéias muito boas! Não somos mães, não somo pais,. não somos filhos, somos humanos, bípedes e partícipes em coletividade. Não vou parabenizá-lo pelas idéias pois são minhas também… Seria bom que o Brasil (o Brasil que está fora da esfera tosca do catolicismo- e ouso dizer isso aqui) Seria bom que esse Brasil, tivesse mais espaços…

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  • 09/05/2010 - 19:28
    Enviado por: Victor Biagioni

    Caro, Daniel.

    Minha mãe já faleceu e meu pai namora há pouco mais de um ano uma antiga amiga da família. Rejeitando os termos entedado / madrasta, ela adotou os termos “filho social” e “mãe social”. Eu tenho um pouco de dificuldades em me referir a ela com este termo, até porque ele inclui o termo “mãe”; ainda prefiro dizer simplesmente “a namorada do meu pai”. No entanto, ela se refere a mim como filho social, o que não deixa de ser bastante acolhedor para mim. E ela está por aí, disseminando o termo. Não sei qual a origem, mas quem sabe pega.

    Abraços,
    Vicotr

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  • 09/05/2010 - 22:43
    Enviado por: Lourdinha Biagioni

    Boa noite, Daniel Piza,

    Ser mae adotiva ou uma boa madrasta deve ser valorizado posto que irao amar e educar a `cria` de outras; enquanto o amor natural e instintivo que temos pelos filhos eh dificil de explicar, mais simples de sentir. O modelo de mae latino ou originado do judaismo-cristianismo prende ou prende-se mais afetivamente aos filhos.E pode ser menos f’acil solta-los, asas para voar, quando chega o tempo. Eu fui criada por uma tia, dai tive o privilegio de ter duas maes. Penso que cada um tem sua historia que depende muito das caracteristicas e inclinacoes de cada um. Quanto a Freud quem teve problema com a mae esta perdido, para sempre. No entanto a vida e o amor oferecem diversas possibilidades.

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  • 09/05/2010 - 23:08
    Enviado por: Bruno Oliveira

    Cara, pra mim toda Mulher é uma Mãe. Mesmo não tendo parido (ainda) um primogênito, dá o exemplo, dá colo e dá broncas, picuinhas…

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  • 11/05/2010 - 11:27
    Enviado por: Xokito Cunha

    Comenta essa:

    “No terreno cada vez mais batido da interatividade internética, o pessoal do Papeles Perdidos (em espanhol), blog do “Babelia”, encontrou um cantinho original: perguntar aos leitores que livro eles memorizariam para salvar do fogo, como se fossem aqueles heróis da resistência de “Farenheit 451”, de Ray Bradbury.

    Cerca de oitenta livros ganharam menção. O título mais citado, com oito votos, foi “Cem anos de solidão”. Em seguida vieram “O apanhador no campo de centeio”, “Dom Quixote” e “O jogo da amarelinha”, com quatro votos cada um. A turma dos três votos teve “A Divina Comédia”, “A ilha do tesouro”, “A origem das espécies”, a “Ilíada”, “Os miseráveis” e, sim, “O pequeno príncipe” – este, disparado, o mais fácil de decorar.”

    meu selecionado seria Metamorfose de Kafka.

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  • 21/05/2010 - 01:48
    Enviado por: Marcos Alves

    Ótimo texto, diferente de outros sobre o tema, sempre tão repetitivos (como as campanhas publicitárias). Piza lança uma luz onde só havia “mais do mesmo”. Muito bom.

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