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Daniel Piza

15.dezembro.2010 07:53:00

Glossário do ano

Todo ano vemos alguns termos e expressões caírem no gosto de profissionais e torcedores. Por um exame deles, ao lado de chavões mais antigos, pode-se ter um bom resumo da temporada:

Acima da média – Expressão que substituiu “diferenciado”, adjetivo para lá de gasto nas temporadas anteriores (embora “diferente” continue sumido do discurso). O “acima da média” pode tanto se referir a um lateral competente, como Mariano, quanto a um craque no auge como Messi.

Arena – Termo às vezes acompanhado de “multiuso”, “poliesportiva” ou “moderna”. Antes era usado especificamente para estádios com arquibancadas bem próximas, altas e verticalizadas. Agora designa os que trazem lojas, restaurantes, museus, garagens e outros complementos que também permitem realizar shows. Mas que continuam a ser estádios.

Compactar – Tem sido cada vez mais usado para descrever o retorno e a reaproximação dos jogadores de marcação quando o time perde a bola. Substitui o também surrado “congestionar”. Se for adotado por um técnico vitorioso, será entendido como “sistema defensivo eficiente”; por um perdedor, será a velha e nada boa “retranca”.

Comprometimento – Muito corriqueiro no período da Copa, era um dos termos favoritos do técnico Dunga para justificar que a seleção brasileira não tivesse talentos como Ganso, Ronaldinho, Neymar e outros. Mas Dunga tinha razão: jogadores como Felipe Melo “comprometeram”.

Craque – Palavra que pode designar um jogador com um ano de carreira e um título regional no currículo.

Equilíbrio – Da mesma natureza que o verbo “compactar”. É usado e abusado por técnicos que querem dizer que seu time ataca quando está com a bola e defende quando está sem ela. Na prática, pode querer dizer que ele está morrendo de medo de trocar um volante por um atacante. Ou então o termo descreve um campeonato em que líderes perdem para lanterninhas, sob comentários de que “não existe mais bobo no futebol”.

Emocionante – Adjetivo mais comum, seguido de perto por “dramático”, para qualificar uma partida com jogadores nervosos, gols perdidos, torcidas angustiadas e… escassos lances de talento. Bastante empregado na frase “O Brasileirão tem baixo nível técnico, mas pelo menos é emocionante”.

Ex-jogador em atividade – Expressão criada por alguns jornalistas (ou ex-jornalistas em atividade) para falar de jogadores veteranos que já não dariam resultado em campo porque não se cuidam devidamente, ou que já deveriam ter aposentado. São os mesmos que disseram em 2009 que Ronaldo no Corinthians seria como Garrincha, “bichado e bêbado”.

Goleada – Palavra que agora serve até para se referir a um 3 x 1.

Igualar a pegada – Outro termo usado pela comissão técnica da seleção brasileira durante a Copa. Na boa acepção, significa um time que marca firme no meio-campo, sem dar espaço para a criação adversária, pressionando para roubar a bola. Na acepção real, é fazer falta feia.

Pragmático – No sentido pejorativo, quer dizer “burocrático, sem criatividade, sem ousadia”. Mas os grandes jogadores e os grandes times sempre foram os que entenderam que nos momentos decisivos o futebol dá resultado quando for criativo, quando a arte achar o caminho do gol. Pelé era pragmático; o Barcelona é pragmático.

Toque sutil – Por que diachos todo gol em que o jogador desvia do goleiro sem dar um chute forte é chamado de “sutil”? O que aconteceu com palavras como “suave”, “colocado” ou “leve”?

(“Boleiros”)

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