Quando houve o surgimento da moda dos blogs, muitos articulistas, principalmente os mais jovens, saudaram a chegada de uma linguagem e tecnologia que iria combater a mídia “mainstream”, com estilo mais autoral, atitude mais independente, interação mais democrática. Rodo por alguns blogs, sobretudo de moda, e vejo exatamente o contrário: escrita primária, comprometimento publicitário, busca da audiência pela audiência. Já os twitters, chamados imprecisamente de microblogs, parecem confirmar cada vez mais a impressão de José Saramago: são grunhidos virtuais. Alguns de música postam um vídeo e só acrescentam a expressão “uau” ou “uhu” ou “ooôôoo”. Isso que é argumento.
Abro então o Facebook, que pouco mais é do que uma caderneta de contatos com álbuns de família e mensagens breves, e volto a pensar no livro de Alain de Botton: a era do exibicionismo veio para ficar, e não há ritual comunitário que possa reverter a tendência.
Resta saber se esse exibicionismo é natural ou induzido pela internet. As mensagens de certas redes sociais são breves justamente por causa do exibicionismo. Existe um desejo de desabafar, comunicar-se, trocar idéias, entrar na grande onda de contatos, emitir e ver opiniões. Mas não dá para mostrar tudo, por motivos óbvios, inclusive a segurança. Também já foi recentemente divulgado estudo sobre as médias de idades nos diversos tipos de redes de comunicação social. O e-mail é preferido pelos mais idosos, o twiter pelos com mais de 30 anos e o Facebook pelos mais jovens. Então pode ser que o ímpeto de se exibir também seja uma questão de fase da vida. Quanto aos blogs, a gente percebe que uns escrevem para si mesmos, outros para a posteridade e há os que têm o dom de estimular participações construtivas.
Mas bem que servem pra divulgar algumas informações que a mídia em geral omitiria, dado o seu total comprometimento.
Quanto mais espaço para informação, melhor. Mas há muitos e muitos endereços virtuais para lá de comprometidos…
responder este comentário denunciar abusoAcho que nesse caso o sensualismo defendido pelos pensadores dos séculos XVIII e XIX faz sentido: trata-se de instintos, paixões (ou usando um termo Freudiano: pulsões). Dois sentimentos parecem prevalecer: Vaidade e Carência. Verdade que sem esses sentimentos eu e a maioria de nós não teria escrito os posts aqui, já que todos temos nossa dose de patologia, mas a era pós-moderna (e sua fragmentação) e o capitalismo insano potencializam a “doença” em proporções assustadoras . É assim que Simão Bacamarte de “O Alienista” veria o problema: em termos de insanidade; claro que ele é louco, mas quem pode negar que tenha certa razão? A questão da vaidade é muito complexa e eu nem me arrisco a discutir por falta de substância. Mas que ela está presente o tempo todo ninguém pode negar. Como se encontra em Eclesiastes: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” O que acabei de citar foi por pura vaidade. Acho que vou repetir a frase no Facebook, que tal? hehehehe
Antes eram alguns comprometidos .
Agora sao centenas de milhares.
Olá, gosto do cheiro dos jornais. O El País tem um cheirinho… Sou um homem de dantes – embora relativamente jovem. Gosto de interagir com jornais( grifar, tarjar, recortar).
Milhares de blogs que não dizem nada.Você tem razão,Daniel Piza.O exibicionismo é grande mas ao mesmo tempo,fazendo uma triagem,aqui e ali aparece uma ideia nova,um debate interessante e uma notícia não-oficial de peso.No Twitter,por exemplo,já encontrei com as quais tive empatia e me afinei as suas ideias retuitando o que elas dizem,pra mim é uma maneira de comunicar seu pensamento em poucas linhas.Do ponto de vista social acho legal.
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