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Daniel Piza

28.agosto.2011 12:37:14

Declínio americano?

A crise econômica dos EUA, afundados em dívidas que há muito se sabe que um dia eles teriam dificuldades para rolar, faz muita gente apontar um declínio breve do “império” e, em consequência, a tentar adivinhar de quem será este século 21, já que o anterior foi americano. Muitos apontam a China – ou a Ásia em geral – e alguns como o presidente Lula, cuja bravata patriótica soava e soa tão parecida com a do regime militar, chegaram a dizer que seria “o século brasileiro”. No entanto, observando culturas como a brasileira, me pergunto se a influência americana sequer começou a ceder. Assim como vai demorar para os EUA serem ultrapassados no PIB e no IDH por um mesmo país (a China pode ultrapassar no PIB até 2050, dizem, mas vai precisar de muito mais para fazê-lo no IDH), a força sedutora do “american way” também vai se estender bastante.

Para o bem e para o mal; não é disto que se trata. Um exemplo bastante claro está no uso cada vez maior, em ruas e telenovelas, de adjetivos como “popular” e “loser”. Ou seja, uma pessoa que chama atenção dos outros por sua aparência física ou habilidade esportiva e se dá bem com a maioria das outras ganha agora esse qualificativo, como se tais atributos fossem mais importantes num ser humano do que caráter e inteligência. E quem não tem sucesso profissional ou financeiro é tachado de perdedor, como se felicidade se medisse em salário, como se status substituísse vocação; cada vez soa mais estranho que alguém opte por uma carreira mais por gosto do que por retorno. Isso sem entrar em outro adjetivo corrente, “workaholic”, para designar os que acham que vidas familiar e cultural são secundárias, até que se veem tomando pílulas com Coca-Cola para aguentar o estresse.

No campo do consumo do chamado “entretenimento”, então, nem é preciso listar muitos fatos. A TV por assinatura multiplicou os seriados e programas americanos, seguidos fielmente no mundo todo; Hollywood continua a dar as cartas nas bilheterias globais, com sua usina de celebridades que povoam sites e revistas; cantoras como Beyoncé e rappers como Jay Z dominam os videoclips em TV e You Tube; filmes de HQ em cartaz como Capitão América e Lanterna Verde insinuam a velha ideologia do heroísmo que livra Nova York e outras cidades de vilões com tonalidades nazistas ou comunistas ou terroristas; e até para rirmos das manias americanas, de sua mentalidade consumista, precisamos de um americano como Woody Allen. E o que dizer do admirável mundo novo da tecnologia? Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg estão muito acima da manada forasteira – e que eu saiba a internet fala inglês, não chinês.

Talvez alguém argumente que a cultura americana não perdeu influência em termos de quantidade, de comportamentos massificados, mas em termos de qualidade, de modelos refinados. Por um bom tempo, bebendo na fonte europeia, a cultura americana buscou padrões cada vez mais elevados e produziu escritores como Henry James, Scott Fitzgerald, Saul Bellow (irrelevante que tenha nascido no Canadá); importou cientistas como Einstein e cineastas como Hitchcock; produziu movimentos na pintura, como o expressionismo abstrato, e na música, como o jazz, o bebop e o rock, que mudaram o mundo a fundo; também gerou pensadores, metafísicos ou pragmáticos (de Peirce a Rorty), e espalhou fundações e museus indispensáveis. Nomes e instituições já não surgem como antigamente nos EUA. Mas alguém me diga: e onde surgem?

Sim, também sonho com um mundo mais multipolar, o que significaria uma América menos hegemônica, e, sim, também me canso dessa cultura americana de arte enlatada e mente dicotômica, que com seus apelos emotivos e “power points” afasta muitas pessoas de outros conteúdos e formas de pensamento e estética. Não nego que algumas coisas estejam mudando e que isso seja bom, que os tempos de colonialismo bélico possam estar passando. Mas acho desonesto ignorar a presença ainda tão forte dos produtos e atitudes dos EUA, tantas vezes imitados até por quem diz odiá-los, e confundir uma fase crítica com um fracasso estrutural. Talvez o fato de o século 21 não vir a ter um “dono” seja a melhor notícia, mas, por ora, um deles ainda serão os EUA por um bom tempo. Como diria Mark Twain, os boatos sobre o declínio americano são exagerados.

(“Sinopse”)

comentários (28) | comente

28 Comentários Comente também
  • 28/08/2011 - 13:18
    Enviado por: Alexandre Nunes

    Será a n-esima vez na história que as pessoas se seduzem com esse schadenfreude de que os EUA estão em declínio. E’ mesmo de espantar! Uma democracia com regras estáveis há mais de 200 anos(única mudança foi o fim das reeleições por mais de 2 x depois de FDR). Um sistema que absorve choques e se reinventa constantemente. E a China? Sobrevive a próxima mudança de comando? Que pais do mundo pode exibir uma justiça que resolve os
    conflitos em no máximo dois anos? Enfim, qualquer balanço que se faca, os EUA Sao muito mais uma forca do bem do que o contrário.

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  • 28/08/2011 - 13:41
    Enviado por: Marcelo Souza

    creio que seu artigo prova o crontário do que sugere, vejamos: os “valores” ocidentais, desenvolvidos pelos americanos serão dominantes, concordo plenamente, portanto se esses “valores” pautados em resultados concretos, digamos o puro e simples dinheiro é a tendência futura então os paises do BRIC é quem ditará esse futuro, já que economicamente é quem dominará, toda a cultura deles é quem prevalecerá, Hollywood se dobrará e fará filmes que retratem essas culturas, pois será o maior público consumidor, portanto o seu artigo afirma o que contradiz, a velocidade e como será é que pode ser questionada.

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  • 28/08/2011 - 14:09
    Enviado por: Caio Racco

    Exagerados, é? Vc diz isso pq não vive aqui! Esse ‘declínio’ tá na cara das pessoas em qualquer cidedezinha do meio oeste nos EEUU; as pessoas por aqui já sabem q aquele velho ‘US way of life’ morreu; só falta enterrar…

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  • 28/08/2011 - 14:25
    Enviado por: Marcio

    E’ verdade.
    Muito boa materia.

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  • 28/08/2011 - 16:14
    Enviado por: Pedro Meira

    Gostaria de esboçar uma questão: A influência cultural, a meu ver, não está diretamente ligada ao poder econômico e militar. p. ex., a Grécia exerceu uma enorme influência na vida cultural romana, mesmo depois de ser conquistada por Roma e sem ser a parte mais rica do império. O próprio império romano exerceu uma enorme influência cultural mesmo de sua extinção como entidade política. Num passado mais recente, a França teve uma influência cultural que foi maior que sua força econômica e militar, talvez até superando, em boa parte do mundo, a do império britânico, que seria economicamente e militarmente mais poderoso. Assim, nada impede que a influência cultural americana prossiga mesmo com seu eventual esgotamento econômico e militar.
    Se houvesse racionalidade na vida política dos Estados Unidos, haveria uma revisão na sua política internacional imperialista. Está se tornando difícil para o país sustentar aparatos militares imensos com uma louca pretensão de controlar o planeta inteiro. E para o resto do mundo, certamente há pouca interesse em ajudar os americanos no seu imperialismo. Os chineses, p. ex., fizeram enormes investimentos no petróleo líbio, que agora ficarão comprometidos já que o país está na mão dos rebeldes pró-americanos. Será que o governo chinês continuará tão disposto a financiar o governo americano, que este arranje guerras de comprometam interesses chineses?

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  • 28/08/2011 - 16:24
    Enviado por: Eduardo

    Declínio americano. A fração republicana, criacionista da cultura americana é abominável. Por outro lado as melhores universidades do mundo ainda são americanas. Ainda são o país que mais desenvolve novas tecnologias apesar de que seu sistema de patentes é ridículo (patente do duplo click, patente do arrasta e solta, etc). Ao mesmo tempo são um farol do bem e do mal. São um mostruário do que há de melhor e pior na sociedade humana.

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  • 28/08/2011 - 16:35
    Enviado por: Ricardo Lara

    Com certeza no Ocidente, a “América” é um padrão comportamental.
    Uma vez em viagem pela África tentei negar meu parentesco com os primos do norte e escutei de um local: “Se tirar os USA de vc o que sobra? Vc é filho do ocidente!”.
    E é verdade, por mais que brasileiros que rodam o mundo tentem se apessoar ao comportamento europeu ou universal, nossas raizes nos levam a trejeitos forjados pelos americanos.
    Ao meu julgar não muda muita coisa por enquanto, porém talvez se a crise forçar o americano médio a imigrar, ai sim, isso seria bom.
    Não obstante já é tempo de começarmos a nos acostumar com a persona chinesa, pois essa sim será uma grande influência. E só lembrando, se a internet ainda não é escrita em chinês ao menos o segundo maior buscador já é chinês.

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  • 28/08/2011 - 16:36
    Enviado por: Roberto Ilia

    Caro Piza,

    Delfim Neto diz, com muita propriedade, que uma potência hegemônica há que possuir três independências:

    1 – Poder Militar: poder nuclear dissuasório inclusive
    2 – Poder Alimentar (incluindo o hídrico): para não ficar refém de fornecedores externos para alimentar o seu povo;
    3 – Poder Energético: dispor de quantidades suficientes de energia para rodar seu parque fabril e seu consumo doméstico.

    Breve análise sobre as maiores economias, à luz desses requisitos:
    EUA: possuem o poder militar e o poder alimentar, mas não o energético: vão morrer num barril de petróleo cada vez mais caro; cenário futuro desafiador;
    China: possui o poder militar, mas não possui o poder alimentar nem o energético: estão, como loucos, comprando tudo de todos: de soja a petróleo e minério de ferro; cenário futuro desalentador;
    Japão: não possui nenhum dos três poderes; cenário futuro desesperador;
    Rússia: possui o poder militar e o energético, mas não o alimentar; cenário futuro desafiador;
    Alemanha: possui o poder alimentar, mas não o militar nem o energético; cenário futuro desalentador;
    India: possui o poder militar, mas não o alimentar nem o energético; cenário futuro desalentador;
    Brasil: possui os poderes alimentar e energético, mas não o militar; cenário futuro desafiador.
    Dos países que possuem mais de uma independência, o Brasil é o único que possui independência alimentar e energética, nenhum outro a tem. Talvez fosse prudente começar a pensar em construir o poder militar…

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  • 28/08/2011 - 17:01
    Enviado por: José Francisco Botelho

    Infelizmente, me parece que o lado ruim do “american way of life” (como a babaquice corporativa e outras mazelas) se “globalizou”, ou seja, isso deixou de ser essencialmente norte-americano e independe da continuidade da hegemonia norte-americana; enquanto que o lado bom (o alto IDH, por exemplo), continua sendo “coisa de Primeiro Mundo”.

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  • 28/08/2011 - 17:14
    Enviado por: Lucas Carames

    Concordo Daniel. Penso que este filme sobre o declínio do mais poderoso Estado nação já passou por aqui e certamente em várias outras praças.
    É como na década de 1980, quando os norte-americanos viram sua economia em taxa de crescimento menor que o resto do mundo, especialmente o Japão e seu enorme superávit comercial bilateral, e choveram trabalhos acadêmicos acerca das crises vividas, alguns deles decretando o fim da liderança estadunidense no cenário econômico internacional. (Arrighi, Paul Kenndey, Robert Gilpin)
    Entretanto, o neoliberalismo de Reagan ajudou a reconduzir o crescimento do consumo na economia, o que ajudou a garantir a manutenção da hegemonia.
    Este pensamento dicotômico que relaciona declínio e ascensão, domínio e queda, é demasiadamente limitado. Qualquer que sejam as mudanças que virão a ocorrer, na esfera política, econômica, social e cultural, estarão sempre intimamente ligadas à intensamente propagada influência dos odiosos e idolatrados norte-americanos.
    Se até o “soccer” nacional e europeu procura inspirações no “business” das enibiêis, e eneféls, o que será da nossa política econômica, das instituições de comércio, instituições financeiras, etc, etc, etc…………………..
    Enquanto isso, vida longa à comunicação livre.

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  • 28/08/2011 - 20:21
    Enviado por: Marco Aurélio - Curitiba

    Esse papo de “declínio americano” é muito mais um desejo da ala esquerda do que uma realidade.

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  • 28/08/2011 - 21:24
    Enviado por: Antonio Carlos

    Mark Twain sabia o que dizia (!) e para os anti-americanos de plantão esse é um péssimo artigo. Bom artigo, gostei.

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  • 28/08/2011 - 23:59
    Enviado por: Ygor C.S.

    Acredito que o texto possui observações relevantes (sobretudo o apelo cultural dos EUA, certamente maior para boa parte do mundo do que – até agora, pelo menos – a civilização chinesa ou qualquer outra), porém está calcado em algumas informações um tanto desatualizadas. Em PIB, os EUA conforme as projeções mais recentes deverá ser ultrapassado, no cálculo PPP (Purchase Power Parity, ou paridade de poder de compra), já em 2016 ou 2017 pela China. Ainda assim, estima-se que os EUA, em PIB calculado pelo valor nominal, deverá ser ultrapassado pela China já na década de 2020, e não na de 2050 como se esperava anteriormente. Tudo isso significa que nós provavelmente voltaremos a ver algo muito comum no passado e que nós parecemos ter esquecido: nem sempre a maior potência é a que tem o maior PIB, seja em termos culturais, seja em termos de poder político. A Grã-Bretanha, segundo estimativas atuais, não era o maior PIB do início do século XIX, ficando atrás da China e da Índia, mas mesmo assim certamente “mandava e desmandava” no mundo, pois proporcionalmente era bem mais rica e dispunha de poderes sobre uma área mais ampla do globo.

    Concordo com diversos analistas internacionais que dizem que não são os EUA que estão em declínio. É o resto do mundo que está em ascensão. A situação de os EUA deterem 40% a 50% do PIB mundial foi uma aberração que ocorreu durante uns 40 anos do século XX, uma coisa ínfima em termos históricos. O século XXI, ao que tudo indica, não vai representar a destruição do “Império” estadunidense, mas sim uma volta ao passado, uma volta à era “normal” em que um país, mesmo a maior potência, não tinha mais que 15% a 20% da economia mundial. Isso, eu acredito, acontecerá mesmo – e rápido – com os EUA, e será muito bom para nós e também para os americanos.

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    • 29/08/2011 - 09:32
      Enviado por: danielpiza

      Essas projeções não devem ser tratadas como “informações atualizadas”. E, como deixei claro, tamanho do PIB não conta nem um terço da história… Sim, há outras partes do mundo em ascensão, como eu mesmo falei. E essa multipolaridade é boa.

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  • 29/08/2011 - 00:08
    Enviado por: Fey

    Há análizes ponderadas e racionais como as suas Daniel, porém oque vejo predominando nos bate-papos de botequins e rodas de amigos brasileiros, é o comportamento de torcida organizada.

    Sim, no país do futebol as pessoas tem de achar que tudo tem uma analogia a um campeonato de times, sendo que nesse caso, são o time EUA e o time China. O brasileiro se sente satisfeito torcendo para o time ‘vencedor’ para depois dizer a o seu coleguinha o quanto ele estava certo esse tempo todo.

    Assim, economistas, sociólogos, e simples anti-americanos que vivem de nostalgia da Guerra Fria bradam a decadência dos americanos no que tange a vários setores como educação, saúde, crise financeira e política, e exaltam a ascenção chinesa exatamente nesses aspectos.
    Por outro lado existe os fãs da cultura enlatada americana que aponta o poder do soft power de Hollywood, coca-colam, facebook e afins e como a mesma China ainda é influenciada por esse aspecto dos americanos.

    Nesse bate-boca, me pergunto como fica o Brasil? Raramente lideramos em algo que realmente evidencie a nossa soberania. Estamos (e não é de hoje) entre as 10 maiores economias do mundo porém bem longe dos três primeiros colocados e com um IDH muito semelhante a de alguns países em guerra. Devido a nossa incompetência e sujeira política e legislativa, estamos aqui empacados olhando os outros avançarem.
    Mal sabe o anti-americano que os chineses nos desprezam. Mal sabem os fan-boys anti-comunistas que os americanos pouco se importam com o nosso país (alguns sequer sabe apontar no mapa a nossa localização).

    Estamos aqui na arquibancada discutindo o sexo dos anjos pra satisfazer o próprio ego do “eu já sabia/ eu tinha razão”.
    Enquanto isso os americanos dizem a sí mesmos que devem se esforçar mais para não perder a sua liderança, e os chineses dizem a sí mesmos que devem unir todas as forças para desbancar os americanos. Nenhum deles falam absolutamente nada sobre o nosso Brasil. É aí que tá a diferença.

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  • 29/08/2011 - 00:26
    Enviado por: o censurado

    É.

    Nestes tempos de “enemy within”, em que um estrangeiro socialista e anti-cristão é o presidente eleito dos USA, a maior nação cristã do mundo, é muito salutar ver que o movimento Tea Party veio, viu, e vai vencer. Ufa! Que alívio!

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  • 29/08/2011 - 11:52
    Enviado por: Pedro Meira

    A propósito, Mark Twain foi um grande crítico do imperialismo norte-americano, como foi recentemente lembrado na coletânea de ensaios “Patriotas e Traidores”, publicada há poucos anos no Brasil.

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  • 29/08/2011 - 14:15
    Enviado por: B.Russell

    Depois de 7 anos morando aqui (nyc) eh impossivel nao ser um adimirador do pais. Acho que o periodo negativo que a economia passa eh ciclico e ajudara o pais, com pequenos ajustes de rumo, a se desenvolver ainda mais no futuro proximo.

    Incrivel que enquanto vemos protestos em Santiago, Londres, Norte da Africa, oriente medio….aqui ve-se uma democracia verdadeiramente representativa.

    A velocidade com que o tea party (goste ou nao) ganhou relevancia no debate politico eh foi incrivel (e positiva)

    Quanto aa rotina diaria, nao deixa de ser interessante para um Brasileiro vivenciar o que se chama de crise em um pais rico…e como as pessoas buscam meios de supera-la diariamente. O que se passa aqui nao se compara ao que vi – ainda adolescente no Brasil governado pelo Sarney, ou jah entrando na faculdade, pelo Collor.

    A ciddade de nyc nao eh um parametro para o pais como um todo, mas cabe ressaltar seu constante desenvolvimento apesar da crise ter atingido o setor financceiro em cheio. Mais e mais a cidade se valoriza. A evidencia anedotica mostra que familias em expansao que anteriormente nao teriam duvida em viver nos suburbios agora tentam permanecer por aqui. A recuperacao da orla sera o legado do prefeito bloomberg, e num espaco de 2 anos termos a revitalizacao de downtown, com a fase final das obras do world trade center, e uma nova linhha de met5ro no lado leste da cidade (lembrese que estamos em crise).

    a decadencia aqui, se de fato ocorrer sera relativa, um evento positivo. ou seja, outros paises atingiriam um patamar de desenvolvimento mais alto, diminuindo a distancia que hoje ainda tem com relacao aos EUA.

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    • 30/08/2011 - 07:53
      Enviado por: Alex

      B.Russel

      Depende do ponto de referencia. Para nos brasileiros fica mais dificil enxergar este “declinio” americano, ja’ que nossa referenica e’ o Brasil, sempre atrasado e, mais ainda, sempre as voltas com a corrupcao. Agora pergunte aos americanos mais velhos, aqueles que viveram nos anos 60, na era Keneddy, acho que eles vao saber descrever melhor esta decadencia na sociedade deles. Basta ver o crescimento de radicais de direita, leis anti-migracao, desemprego, o anuncio do fim das viagens espaciais, decadencia no ensino publico, pessoas morando em trailers e barracas e cada vez mais cortes em investimentos.

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    • 30/08/2011 - 13:30
      Enviado por: B.Russell

      Tem razao, Alex. Minha analise eh viesada. Mas ainda acho que as mudancas (negativas) levantadas pro voce nao sao estruturais, mas ciclicas.

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  • 29/08/2011 - 21:32
    Enviado por: Diogenes da Lantterna

    Dinheiro e Ignorância trazem felicidade sim. Não o viciado em trabalho, este será o cara mais rico do cemitério, graaande M. mas, refiro-me ao cara que tem SALÁRIO mais DIVIDENDOS anuais acima de R$900.000,00, este se quizer leva uma vida de “rei” sem o ônus de sê-lo. O oposto também traz esta felidade, conhecam alguns moradores dos “grotões” brasileiros que planta para o sustento seu e da família. Não pode ter TV, rádio só a estação local com as modas de viola, completamente alienado do mundo e dos problemas. Não como nem com quem competir, nunca viu ou sentiu o outro lado, ao modo dele, está no máximo que o ser humano pode conter de Felicidade.

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  • 30/08/2011 - 09:29
    Enviado por: Eduardo Fabrizzi

    Acho que a questão não é sobre o declínio dos EUA, mas sim do retorno da bipolaridade ou do estabelecimento de uma possível multipolaridade. Os Estados Unidos não perderão sua hegemonia tão cedo, claro que pode acontecer um dia, mas será em um futuro extremamente distante. A questão é que após o colapso da URSS, os EUA ascenderam sozinhos e não havia outro ator que pudesse fazer um contra-ponto. A situação atual que vemos é a de que começam a se estabelecer novos países, a China principalmente, para balancear a questão global. A Europa (destaque para a parte ocidenal) dá mostras de que sempre será uma área de influência dos EUA, a questão é saber se os novos atores, como Brasil, Índia e Rússia serão mais alinhados com Washington ou com Pequim, isto se não despontarem em um futuro mais de longo prazo como uma “terceira via”. O que se pode dizer é que hoje em dia, estes três últimos países acabam atuando de forma heterogênea, ora se opondo aos EUA, ora ficando ao seu lado. Sobre a questão do “declínio econômico” dos Estados Unidos, trata-se de um movimento cíclico e sempre será desta forma. Basta analisar cenários do passado, como o de 1929 e os Choques do Petróleo. Haverá momentos em que a economia americana estará em franca expansão e ocorrerá cenários em que se retrairá e fará ajustes e o papel do Estado será menor ou maior de acordo com o que estiver ocorrendo. Em um mundo tão interdependente como o atual, sinceramente não vejo possibilidade de declínio dos EUA, até porque se isto ocorrer, o planeta inteiro irá junto. O que espero do futuro é que a “balança” mundial voltará a ser mais equilibrada e novamente ocorrerá um contra-ponto, seja por meio do retorno da bipolaridade ou do estabelecimento de uma multipolaridade, o primeiro caso dá dicas de que pode acontecer a médio prazo, o segundo já parece algo para um futuro mais distante.

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  • 02/09/2011 - 08:51
    Enviado por: Gennari

    Quando um pais começa a exportar guerras bombas e mortes e se esquece de trabalhar e produzir!Algo está errado, com um gigantesco exercito e de mais comparsas a vagar pelo mundo procurando por riquesas naturais como o o PETROLEO ainda a prncipal fonte de ENERGIA que move a MAQUINA, semeando mentiras para em nome da DEMOCRACIA que quer VENDER A ESSES em troca da riquesa dos que serão LIBERTADOS, um preço pago com VIDAS de inocentes alto demais!Tira se um DITADOR kadafi por um CONSORCIO de DITADORES,obama, cameron, sarkozi terceirizando o braço armado para essa tarefa a OTAN!

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